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PODER - Há um espectro que assola a maioria parlamentar em Portugal e esse espectro é o Tribunal Constitucional. O resultado de ter uma Constituição fortemente marcada por conceitos ideológicos é que a sua interpretação favorece opções ideológicas. O Tribunal Constitucional, pela forma como os seus membros são designados, é o terreno ideal para crescer um problema. O problema foi adubado, cresceu, fortificou e hoje em dia o Tribunal Constitucional tornou-se ele próprio numa força política. Não é propriamente uma coisa muito normal, mas é assim, e não ter esta realidade em conta é sinal de que se pretende exercer o poder ignorando esse mesma realidade - e isso dá sempre mau resultado. Hoje é esta maioria a ter problemas, no futuro será outra qualquer, mas a questão essencial permanece: o sistema político está a precisar de uma reparação urgente - está prestes a ficar bloqueado, como um motor sem óleo nem manutenção que ao fim de um tempo deixa de funcionar. Os os partidos se convencem que a questão tem de ser encarada de frente e que é essencial existir um acordo que permita desbloquear o regime, ou um dia destes vão todos ficar a lamentar nada terem feito, atirando culpas uns para cima dos outros. Infelizmente conhecemos esta parte de ginjeira mas isso só nos devia levar a agir, e não a fugir à questão. Parece que cada geração política que entra no poder é mais imobilista que a anterior.


SEMANADA - O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, continua a cometer gaffes quando em visita oficial fora de portas; começou mesmo a campanha eleitoral para as presidenciais; António Capucho anunciou em entrevista que estava disponível para ser candidato a Presidente da República; na mesma senda, foi lançado esta semana o livro  “António Guterres - Os Segredos do Poder”, uma biografia autorizada do ex-PM, onde este ataca Marcelo Rebelo de Sousa, outro candidato provável;  invocando a situação na justiça o Conselho Superior da Magistratura reuniu, pela primeira vez, com Cavaco Silva; o Índice de Expectativa Marktest caiu fortemente em Outubro, revelando um aguçar do clima de pessimismo acentuado entre os portugueses relativamente à sua situação económica e à do país - as mulheres revelam-se mais pessimistas do que os homens e as pessoas acima de 55 anos são as mais pessimistas de todas; dívidas fiscais contestadas em tribunal disparam 1,5 mil milhões em três meses; o Estado perde 50 milhões com  benefícios questionáveis concedidos nas isenções de IMI; facturas por pagar cresceram 25% nos Media e mais de metade das empresas do sector antecipam riscos de pagamento no próximo ano; a produção industrial em Portugal caíu 11,2% em setembro, destacando-se como o pior resultado da União Europeia face ao mês anterior; nova queda no número de nascimentos em Portugal - de 90 mil no ano passado devemos passar para 80 mil, o número mais baixo desde que há registos; armas apreendidas pela GNR aumentam quase 50% por cento em seis meses.


ARCO DA VELHA - Estou para ver se os prémios, como carros,  que as Finanças vão sortear para quem pede facturas estarão sujeitos à regra da retenção de 20% quando tiverem valor superior a cinco mil euros.


VER - Semana de inaugurações: Na Baginski, Rua Capitão Leitão 51-53, no Beato, inaugurou “Index 2013”, de Pedro Casqueiro, um conjunto de pinturas a acrílico sobre tela, que ocupam as duas salas da Galeria - um dos trabalhos é o que ilustra esta nota -  e que mostram a produção mais recente do autor, com alguns dos seus traços característicos - a evocação do desenho, a definição de formas geométricas e a influência da pop art; a exposição de Pedro Casqueiro fica na Baginski até 11 de Janeiro. No Transboavista VPF Art Edifício (Rua da Boavista 84) abriram esta semana várias exposições. Uma delas, “Duda Original”, é uma colectiva de artistas contemporãneos espanhóis integrada na Mostra Espanha 2013, com curadoria de Andrea Rodriguez Novoa e Verónica Valentini. Duas outras exposições em destaque no mesmo edifício - “New Wave”,  na VPF, com trabalhos de Cecília Corujo, Inês Rebelo de Andrade, Catarina Vaz e João Maciel);  e “Dear Stories” (na Plataforma Revólver, em torno da imagem fotográfica, por iniciativa da agência de fotografia de autor Dear Sir, com trabalhos de  Alexandre Almeida, Angela Berlinde, Inês d’Orey, José Bacelar, Luisa Ferreira, Mireille Loup, Monika Merva, Paulo Catrica, Tito Mouraz e Valter Vinagre). Até 11 de Janeiro.


FOLHEAR  - Luis Queirós é sobretudo conhecido pelo facto de ter sido o fundador e impulsionador da Marktest, a que preside. Mas além disso tem uma assinalável actividade cívica através da Fundação Vox Populi, que criou, e que intervém nas áreas educacional e ambiental. Licenciado em Físico-Químicas,  o desenvolvimento sustentável é uma das suas preocupações e ao longo do tempo foi alinhando as suas reflexões num blogue intitulado Transição - reflexões sobre o modelo de transição para a era poscarbono, que pode ser visto em poscarbono.blogspot.pt. Energia, recursos naturais, poluição, demografia e os limites que impõem ao crescimento são alguns dos temas que mais suscitam as reflexôes de Luis Queirós: “A ideia de Transição acompanha-me há muito. Conheci entre os adeptos da transição gente empenhada e solidária, e que acredita na existência de uma via diferente para prosperar”. Algumas das suas reflexões, escritas de 2009 para cá, foram agora reunidas num livro “O Mundo em Transição” , que, nas palavras do autor, “principiou a ser escrito quando o tempo se tornou confuso e o futuro começou a apresentar-se incerto e perigoso”. Viriato Soromenho Marques indica-o como pertencendo ao grupo de “pioneiros de uma verdadeira economia que assuma os limites ecológicos da experiência histórica e social da humanidade”.


OUVIR - Esta semana escolho ouvir um disco de 1962. Escolho ouvir o”Busto”, de Amália Rodrigues. É unanimemente considerado um disco marcante da carreira da fadista e da História do Fado. É o primeiro trabalho de Amália com Alain Oulman, e é também o primeiro onde canta poemas de Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira e Luis de Macedo, por exemplo. O acompanhamento é feito por José Nunes na guitarra portuguesa, por Castro Mota na viola e por Alain Oulman no piano, até aí um instrumento pouco ouvido no Fado. A capa é uma fotografia de Nuno Calvet de um busto da própria Amália feito pelo escultor Joaquim Valente. Aqui estão fados como “Asas Fechadas”, “Abandono”, “Povo Que Lavas no Rio” e um da própria Amália,  “Estranha Forma de Vida”, que com o tempo ganhou novo sentido neste “Busto”. Escrevo tudo isto porque esta junção de talentos, esta escolha das diversas peças, se deve a uma pessoa, o grande produtor discográfico que marcou a música portuguesa no século XX, Rui Valentim de Carvalho. Esta semana, ao reouvir o “Busto”, imaginei-o a juntar as pessoas, a assistir ao que estava a ser feito, a acompanhar e a estimular o processo criativo como ela tão bem e tão discretamente sabia fazer. A imagem que tenho de Rui Valentim de Carvalho é a de um sorriso a espreitar na porta, a perguntar o que havia de novo para ouvir. E ouvia com atençāo, e dava preciosas sugestōes. Tinha uma total abertura de espírito e uma curiosidade imbatível. E, sempre, uma palavra de incentivo. Só assim podem nascer discos como este “Busto”.


PROVAR - De há uns tempos a esta parte renasceu o consumo de Gin - e já não estou a falar do simples Gin com água tónica, uma rodela de limão, gelo e mais nada. O Gin ficou na moda, aparecem novas marcas a toda a hora, até há uma premium portuguesa, aparecem bares especializados e restaurantes que propõem combinações de Gin com alguns pratos. Há garrafas de Gin que se batem em preço com as dos melhores whiskies de malte e até a forma de consumo varia. Há copos especiais para as novas experiências de consumo, na forma de balão, e sobretudo criou-se o hábito de no momento misturar ingredientes botânicos, especiarias que garantem uma nova experiência. Algumas destas especiarias são utilizadas na destilação do Gin, e a sua adição no momento do consumo produz novos sabores. Um dinâmico apreciador português de Gin teve a ideia de facilitar a vida dos consumidores e criou a Gin Box, uma caixa com dez das espécies botânicas mais utilizadas pelas principais marcas de gin vendidas em Portugal, arrumadas de uma forma prática e organizados para rápida preparação da bebida: Flor de Hibisco, Grão de Coentro, Pimenta da Jamaica,, Pimenta Rosa , Cardamomo,, Cravinho, Bagas de Zimbro , Estrela de Anis , Noz-moscada  e Pau de Canela. A venda da Gin Box é feita exclusivamente online através do site www.theginbox.com. A página da Gin Box no Facebook tem receitas e conselhos práticos - a caixinha promete munições para provas de Gin bem disputadas entre amigos..

 

DIXIT - “Os partidos têm de aceitar que têm de se reformar porque o mundo mudou” - Adriano Moreira


GOSTO - O Ministro da Economia, Pires de Lima, é da opinião que deve ser introduzida uma disciplina de empreendedorismo no ensino obrigatório.


NÃO GOSTO - Do número crescente de lojas fechadas, com a indicação de venda ou aluguer, que proliferam pelas ruas do centro de Lisboa.


BACK TO BASICS - Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são necessárias obras - Padre António Vieira.

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