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CRIAR - Durante alguns bons anos trabalhei numa empresa que produzia para televisão. Fiz documentários, ajudei a fazer entretenimento, comprei formatos e produzi-os, aceitei encomendas e consegui fazê-las. Mais tarde, com uma pequena equipa brilhante de pessoas da RTP, trabalhei na criação e lançamento de um canal, a 2:, que foi das coisas de que me orgulho. Da mesma maneira que os escritores e os músicos dizem, com verdade, que não voltam a ler ou a ouvir os seus trabalhos depois de terminados, também nunca gostei de rever o que fiz na televisão. Mas, por acaso, sempre gostei de ver os resultados do que fazia - quer do ponto de vista quantitativo, quer qualitativo. A minha vida profissional dá-me a possibilidade de saber o que se passa na televisão sem a ver. Todos os dias sigo as audiências - confesso que é uma coisa viciante. E vejo como tudo mudou tão depressa nos últimos anos. No final do terceiro deste terceiro trimestre existiam 3,16 milhões de assinantes do serviço de televisão por subscrição, mais 149 mil do que em igual período de 2012. Estas casas significam mais de 75% do total de espectadores e têm acesso a, pelo menos, 50 canais. Eu, que vejo televisão de forma incerta, continuo encantado pelo que me entra, nesse ecrã, pela casa dentro. Sei que a televisão e a internet se namoram, que já se cruzam às vezes e quanto mais a fibra ótica avançar mais isso acontecerá.. As pessoas continuam a ver programas de televisão - mesmo que não seja num aparelho convencional, e esse é um dos encantos da mudança dos tempos. Os progressos tecnológicos nas telecomunicações vão permitir que se vejam programas de televisão de formas e em circunstâncias que ainda não imaginamos - da mesma forma que há dez anos as redes sociais como Facebook eram uma improbabilidade. Eu acredito que são os conteúdos e a criatividade que fazem mover o mundo - do ponto de vista económico, do ponto de vista social, do ponto de vista cultural. Estes tempos que vivemos, de grandes mudanças tão aceleradas, são magníficos desafios. Já repararam como há tanta criatividade nas empresas, nas artes, nas ciências e tão pouca na política, reduzida a uma repetição de chavões e fechada sobre receitas antigas? Isto dá que pensar: será que a sociedade é comandada por políticos que não a compreendem, que são incapazes de fugir de receitas antigas e avessos à inovação?



SEMANADA - A emigração para Angola mais que triplicou desde o início da crise; receitas do Turismo cresceram 7% até Setembro; o Governo esperava rescindir com 15 mil funcionários públicos mas apenas cerca de 3 mil solicitaram rescisão; o Ministro da Educação recuou no caso da prova de acesso, insentado mais de metade dos professores inicialmente abrangidos; a corrupção em Portugal regista níveis acima da média da zona Euro; o antigo presidente de Câmara do Alandroal, do PS, foi acusado pelo Ministério Público de 209 crimes de peculato; começou a guerrilha no PSD com a criação do movimento “Uma Agenda Para Portugal”, em apoio das ambições políticas de Rui Rio; Portugal é o único país comandado pela troika a sair da crise com menos população; no entretanto portugal começou a exportar a troika sob forma de um jogo de sala feito por uma pequena empresa; as PME portuguesas empregam 2,4 mihões de pessoas, ou seja 78,6% do emprego do setor privado não financeiro; segundo o estudo “Os Portugueses e as Redes Sociais” 15% dos utilizadores de redes sociais afirmam já ter realizado compras nesses sites; em Novembro de 2013, RTP1, SIC e TVI emitiram cerca de 213 horas de informação regular, o que representa uma média diária de 2 horas e 22 minutos por canal, e a RTP1 foi, a estação que emitiu mais notícias, com 2245 trabalhos, e a que deu mais tempo em grelha à informação regular, com cerca de 78 horas; duas candidatas a nova palavra do ano são “grandolada” e “pós-troika”.

 

ARCO DA VELHA - A Louropel é uma empresa de Famalicão que se tornou na líder mundial de fabrico de botões, produzindo entre 9 a 12 milhões de botões por dia, 25% dos quais ecológicos. Fatura 14 milhões de euros por ano, tem três fábricas e 243 trabalhadores e paga salários acima da média da região.


VER -  Hoje proponho-vos que vão ver uma loja - a loja nova de “A Vida Portuguesa”, no largo do Intendente, na antiga zona fabril da fábrica de azulejos Viúva Lamego. Ouso chamar exposição a esta loja. Uma exposição que tem  desde brinquedos a roupas, passando por conservas, azeites, produtos de cosmética ou até pastilhas elásticas. Tudo português, tudo feito em pequenas e médias empresas, tudo feito com criatividade e alma, com embalagens extraordinárias e por grandes marcas. Grandes marcas nossas - portuguesas. Catarina Portas começou há uns anos a apostar em descobrir e incentivar estes fornecedores - heróis que resistem à ditadura das grandes superfícies, ao comércio injusto que criou um sistema onde a distribuição tem lucros e os produtores têm custos - é o mundo ao contrário: sem produtores não havia comércio.  A loja em si é enorme - coexiste com as amostras dos antigos azulejos ali fabricados e que decoram partes das paredes. Quando se percorre esta loja renasce o orgulho sobre aquilo que somos capazes de fazer, sobre quem persiste em fabricar, em produzir, em se adaptar aos novos tempos. Algumas das marcas que Catarina Portas ajudou a redescobrir ganharam entretanto projecção internacional - estão nas zonas de luxo em grande cadeias de lojas em Nova Iorque, fornecem restaurantes em Londres, aparecem nas páginas de publicações como a Monocle. Estas marcas dão-nos orgulho e mostram-nos um caminho.


OUVIR - Vou gastar poucas linhas nisto: “The Marshall Mathers LP 2”, de Eminen, é um grande disco. Revivalista, tentativamente cabotino, a repisar territórios percorridos, às vezes óbvio, permanentemente provocador. Muito do que aqui está existe nas nossas memórias, mas a forma como reaparece é o que faz a diferença. 13 anos depois da versão original que lhe deu fama e proveito, Eminem faz o mais arriscado de todos os caminhos - uma viagem nostálgica que consegue convencer, com humor e sabedoria, uma sabedoria feita de lata e provocação - no fundo a melhor de todas.


FOLHEAR - Há algum tempo que não lia um livro que me divertisse tanto - e com o qual não estivesse tão de acordo - como “50 segredos politicamente incorrectos do amor”, de Pedro Marta Santos. Hoje em dia são publicados tantos livros que seguir o panorana editorial é uma tarefa impossível - ainda por cima maçadora se atentarmos nos best-sellers da chamada nova literatura portuguesa. Estou muito solidário com os que acham as estrelas literárias do presente uma bosta, desculpem-me a expressão mas melhor não me ocorre. Pedro Marta Santos felizmente escapa a essa definição e fez um livro maldito. Eu cá gosto dos livros malditos, inspiram-me bem mais que os livros bem-ditos. Além disso gosto de escritos confessionais - “marimbe-se definitivamente para a razão”, escreve o autor, antes de dizer uma evidênica: “Estaríamos todos melhor se Cristo fosse chanceler da Alemanha”. Estão a ver o que eu digo? O livro foi bem editado pela Guerra E Paz na sua colecção de Livros Politicamente Incorrectos. Bem haja.


PROVAR -  Durante meses andei a querer conhecer a Taberna Moderna - que fica na Rua dos Bacalhoeiros, a chegar ao Campo das Cebolas e à Casa dos Bicos.  Não foi fácil marcar mesa, o lugar está na moda - entre os devaneios dos novos fãs de Gin e a onda que a casa conseguiu criar. Este é um daqueles restaurantes que concilia um cozinha razoável com um entretenimento simpático. A qualidade da comida não é o único factor, o ambiente pesa mais pontos. Mas, felizmente, a comida não desagrada. Um arroz rico e de substância, chamado de Domingo, foi interessante, mas a salada de bacalhau e a salada de vieira foram mais estimulantes. O tamboril tostado com chutney também se relevou satisfatório. O tomate temperado nas entradas e o leite frito nas sobremesas ganharam votos. O serviço é simpático. O sítio é todo ele simpático. É um bom sítio, não sei bem se é só um restaurante. Fica na Rua dos Bacalhoeiros 18, está em  facebook/taberna moderna e tem o telefone 218 865 039.


GOSTO - Da nova loja das conservas que fica na Rua do Arsenal 130, em Lisboa, que tem cerca de 300 variedades de produtos, 70% dos quais são dedicados à exportação.


NÃO GOSTO - Da arrogância, a roçar o ditatorial,  de João Bilhim, numa entrevista sobre a sua comissão (que opina sobre o recrutamento de dirigentes e gestores públicos) a querer que ela tenha maior dimensão, faça maia avaliações e receba por isso pilim dos contribuintes. Se ele se leva a sério é um caso perigosíssimo: confundir um cenário com a realidade é fatal.


DIXIT - "Não tenciono colocar a minha liderança à disposição no curto prazo" - Pedro Passos Coelho


BACK TO BASICS - A democrcia é o processo que assegura que seremos governados por pessoas que nunca serão melhores do que aquilo que merecemos - George Bernard Shaw



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