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L’ÉTAT C’EST MOI ? -  Rui Rio bateu esta semana o recorde nacional de juras de não querer ganhar protagonismo na política. Quis o acaso que  estivesse presente em várias iniciativas, desde uma plataforma que as más línguas dizem ser a sua rampa de lançamento para outros vôos, até um almoço-conferência na Associação 25 de Abril onde lançou pequenas bombas como esta: “Temos de acabar com isto de as medidas irem sempre ao Constitucional”, aproveitando para  criticar a opacidade da justiça, a vários níveis, e o seu envolvimento na política. Não contente com esta auto-proclamada ausência de posicionamento político não se coibiu também de sublinhar que admitia a possibilidade de eleições primárias, nos partidos, para escolha do candidato a Primeiro Ministro, à semelhança do sistema norte-americano. Embora reafirmando sempre não ter ambições políticas, não deixou de dizer que que o poder político é eleito para defender o interesse público, sublinhando que, na sua opinião, ao longo dos últimos 40 anos o poder político tem vindo a ficar cada vez mais refém de interesses setoriais e corporativos. Aguarda-se com curiosidade o desenrolar de novos episódios deste reality show mas uma coisa é certa: nada de novo no horizonte - Rio é mais um  a dizer uma coisa e a fazer outra.

 

SEMANADA - Crimes sexuais vitimam cinco menores por dia, a maioria é abusada por familiares e tem idades entre os 8 e 12 anos; três agentes da PSP foram agredidos numa discoteca gay do Porto quando tentavam terminar uma rixa; uma investigadora portuguesa obteve um financiamento de 1,3 milhões de euros para um estudo sobre género e direitos sexuais na Europa; Ministério dos Negócios Estrangeiros foi atacado por hackers chineses que ofereciam a Rui Machete fotos de Carla Bruni nua; PSP investiu 300 mil euros em drones voadores, motos de água e um barco semi rígido; novo código do trabalho reduziu salários em 2,3%; Banco de Portugal prevê novos aumentos salariais nos privados nos próximos anos; as mulheres ganham em média menos 16,2% que os homens na União Europeia; Passos Coelho anunciou recandidatura à liderança do PSD; Rui Rio participou numa reunião da plataforma Uma Agenda Para Portugal que agrupa uma facção do PSD; 57% dos portugueses com menos de 24 anos pensam que o seu futuro passa pelo estrangeiro; o PIB da Islândia registou um crescimento de 6,1% no terceiro trimestre; José Sócrates vai integrar o Conselho Geral da Universidade da Beira Interior  - “no fundo é um filho da terra que é reconhecido em Portugal e no estrangeiro”, afirmou o Presidente do Conselho Geral, Paquete de Oliveira.

 

ARCO DA VELHA - “Será que podemos realmente dizer que a crise ficou para trás quando há 12% da população activa sem emprego?” - interrogou-se Christine Lagarde no Parlamento Europeu, falando sobre os erros cometidos pelo FMI na aplicação de planos de austeridade.

 

VER -  2013 fica marcado pela entrada em cena de uma estrutura privada, experiente em produção e promoção de espectáculos, na organização de exposições de arte de grande dimensão e com recurso a uma comunicação invulgar nesta actividade. Trata-se da Everything Is New, de Álvaro Covões, o responsável por numerosos concertos e festivais. A primeira experiência, bem conseguida na captação de públicos, foi feita com a exposição de Joana Vasconcelos no Palácio da Ajuda, que atraíu dezenas de milhar de visitantes. E agora, no Museu Nacional de Arte Antiga, dando corpo a uma parceria com o Museu do Prado, a mesma Everything is New empenhou-se em criar um acontecimento em  “Rubens, Brueghel, Lorrain - A Paisagem Nórdica do Museu do Prado”, que agrupa até final de Março seis dezenas de obras de referência do museu madrileno. A intensa cobertura mediática e a publicidade, invulgares em iniciativas de Museus do Estado, têm o bom sabor da ousadia e da novidade e, espera-se poderão trazer ao Museu Nacional de Arte Antiga público em maior número que é habitual. Esta forma de trabalhar é a que pode proporcionar que novos públicos vivam a experiência da descoberta da Arte, que deixa de se esconder e se mostra sem complexos. Já agora uma palavra também para o envolvimento de uma empresa portuguesa, a Artwear, responsável pelo merchandising da exposição, e que começa a ser uma referência até a nível internacional.

 

OUVIR - Entre 1973 e 1984 existiu um grupo, a Banda do Casaco, que marcou quase sempre o panorama musical de então com um equilíbrio inovador entre as influências da música tradicional portuguesa e a descoberta de sonoridades pop e contemporâneas e, sobretudo, a experimentação de palavras da língua portuguesa e a sua introdução invulgar na estrutura musical das canções, graças às letras de António Avelar de Pinho. A Banda do Casaco, percebe-se hoje ouvindo a sua obra, ajudou a que muito pouco tempo depois se voltasse a cantar em português e se conseguisse contar histórias musicais - que se fizessem canções, afinal. Pela Banda do Casaco passaram gerações de músicos de várias áreas desde os fundadores Antònio Pinho, Luis Linhares, Celso de Carvalho e Nuno Rodrigues, a Carlos Zíngaro, Carlos Barreto, António Emiliano, Moz Carrapa, José Eduardo, Ramon Galarza, Vitor Mamede, Rão Kyao, Tó Pinheiro da Silva ou Zé Nabo e vozes como Concha, Gabriiela Schaaf, Cândida Soares, Helena Afonso ou Né Ladeiras, por exemplo. Durante esses anos foram feitos sete LP’s de originais, os dois últimos já sem a participação de António Pinho. Este ano José Fortes, uma das referências da gravação sonora em Portugal, pegou no material que originalmente tinha gravado em fita e remasterizou-o digitalmente - e o resultado é muito bom. Do trabalho saíram duas edições distintas: duas caixas, que englobam os sete discos originais, um DVD de gravações ao vivo e um CD de inéditos diversos, profusamente acompanhado por livros que enquadram a edição e reconstituem a história da Banda do Casaco, e um CD compilação - “Bada do Casaco - 40 Anos de Som”, que agrupa 16 dos mais significativos temas da história do grupo. A caixa é um exclusivo FNAC e Companhia Nacional da Música, a compilação está à venda por todo o lado e com uma magnífica capa desenhada por Carlos Zíngaro e que aqui podem ver. É uma peça única para perceber como no final da década de 80, e a partir daí, a música portuguesa evoluíu.

 

FOLHEAR - Só pela capa vale a pena reter esta edição do British Journal Of Photography, um retrato assinado por Spencer Murphy, e que faz parte do levantamento do retrato na fotografia contemporânea que é um dos pratos fortes deste número. Na série Projects há belíssimos exemplos de ensaios fotográficos, esse lado da imagem quase esquecido em Portugal: a nova classe média africana, placas fúnebres de cemitérios soviéticos, iamgens de família, a Etiópia pós-colonial ou o lugar das pessoas nas cidades. Um pouco mais à frente encontramos comunidades alternativas de skaters, invulgares mulheres madrilenas e  marginais dos Balcãs. Mas o portfolio que mais me atraíu, a seguir aos retratos, foi o dedicado a fragmentos de multidões, instantâneos da vida moderna.

 

PROVAR - Ao início era apenas no Chiado. Depois a Brasserie de L’Entrecôte mudou de donos e estendeu o seu conceito a um total de seis restaurantes, mas manteve sempre inalterado o conceito: uma entrada de salada verde fresca com nozes picadas, seguida do único prato disponível - entrecôte fatiado, mal passado a menos que se peça de outra forma, envolvido num saboroso molho Brasserie que leva 18 ingredientes, de ervas variadas a mostarda de Dijon - uma receita tradicional do Café de Paris, em Genéve. A acompanhar, batata frita feita na hora, aos palitos finos e que é servida à descrição. Parece banal mas a qualidade da carne e do seu corte, assim como o tempêro certo do molho, tornam -se um pólo de atracção para carnívoros (embora os vegetarianos tenham à sua disposição um bife de seitan). Novidades são a sandwich de entrecôte, com o dito, o respectivo molho e rúcula, e a de salmão, em pão de cereais, com rúcula e queijo creme - ambas com a batata frita da casa. ambas a 8,40 €. A carta de vinhos é variada e bem escolhida e a cerveja, Sagres de pressão, é bem tirada e cá para mim é a boa escolha para o prato. A Brasserie de l’Entrecôte abriu agora nas Amoreiras o seu sexto restaurante, no corredor de restauração onde antes estava a cervejaria Portugália, que pertence aliás aos mesmos donos. Bom serviço, atento e ágil. O menu tradicional, acima descrito, fica por 18.95 €, a que se há-de juntar tudo o resto que fôr pedido. Ao almoço, em querendo,  há um menu executivo, mais económico (12,90 €).

 

GOSTO - “Desfado”, de Ana Moura, ganhou o título de melhor disco de World Music do ano, atribuído pelo Sunday Times. Esta semana saíu uma nova edição que inclui um CD extra gravado ao vivo.

 

NAO GOSTO - A corrupção em Portugal está acima da média da zona Euro, revela um estudo da Transparency International

 

DIXIT - “Eu sou a deputada mais famosa do Parlamento Europeu (...) Há outros que ninguém sabe quem são” - Edite Estrela

 

BACK TO BASICS - Servir música ao jantar num restaurante é um insulto, tanto para o cozinheiro como para o violinista - G.K. Chesterton

 

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publicado às 14:56



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