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ALGORITMOS - Luis de Camões não imaginaria como o seu verso “Todo o Mundo É Feito de Mudança” se revelaria tão actual séculos depois. Hoje mais que nunca a mudança é permanente - a esmagadora maioria dos recursos que utilizamos na vida moderna, baseados em software, estão permanentemente a mudar. Nos últimos 20 anos assistimos a uma transformação brutal - o foco deixou de estar no hardware e passou para o software e programas que custavam milhares de euros foram substituídos por aplicações, muitas vezes mais poderosas e eficazes, que ou são gratuitas ou custam muito pouco. Hoje em dia talvez seja mais certo dizer-se que toda a vida é feita de algoritmos em permanente alteração - porque é essa de facto a nossa nova realidade. Um artigo recente de Lev Manovich sublinhava este facto: “O software tornou-se uma linguagem universal. Aquilo que a electricidade e o motor de combustão significaram no início do século XX, pode ser comparado ao que o software significa neste início de século XXI (...) Se queremos entender as técnicas contemporãneas de comunicação, representação, simulação, análise, tomada de decisão, memória, visão, escrita e interacção temos que compreender o software.”

Tudo isto é verdade, mas o mais interessante, é que, ao mesmo tempo que a tecnologia nos rodeia e está em permanente mutação, oferecendo o que há dez anos era impensável, continuamos a querer coisas básicas na nossa vida, nas cidades onde vivemos - conforto de circulação, transportes públicos e privados que funcionem, zonas verdes bem conservadas, boas escolas públicas, bons hospitais, ruas limpas e seguras. E é curioso constatar que os políticos mais tecnocratas são aqueles que pior interpretam e satisfazem as necessidades do seu eleitorado. Por enquanto ainda não há algoritmo que resolva esta equação.



SEMANADA - Foi detectada em Braga uma fraude de sete milhões de euros em cursos profissionais e ex-dirigentes da Associação PME-Portugal foram constituídos arguidos; em época de Natal até aos fins de semana a Avenida da Liberdade, em Lisboa, continua engarrafada, a causar mais poluição do que antes das obras; quatro em cada dez portugueses confessam ficar sem dinheiro após pagar as contas do mês; o setor da construção civil fatura 7% em reabilitação urbana em Portugal, quando a média europeia é de 37%; Jorge Jesus é o 11º treinador mais bem pago do mundo; Portugal registou a quinta maior queda anual de salários na União Europeia; em 2012 Portugal foi um dos três países da OCDE a regitar maior quebra nas receitas fiscais; no primeiro semestre houve quase dez mil insolvências de empresas e particulares declaradas nos tribunais portugueses; em Portugal, ao longo dos últimos três anos, foram apreendidas 13 armas ilegais por dia; Passos Coelho admitiu que no curto prazo o Governo poderá não ter outra alternativa do que aumentar os impostos se o OE proposto pelo Governo fôr chumbado no Tribunal Constitucional; Paulo Portas admitiu que PSD e CDS podem concorrer separados às próximas legislativas; as autarquias que cobram IMI pela taxa máxima vão duplicar em 2014; os CTT esperam receber este ano 180 mil cartas dirigidas ao Pai Natal.

 

ARCO DA VELHA - O executivo municipal de Braga, liderado pelo socialista Mesquita Machado, deixou uma fatura de 150 milhões de euros para pagar até 2033 por causa de uma parceria público-privada que construíu 35 campos de futebol nas 62 freguesias do concelho - em algumas há agora dois campos.

 

FOLHEAR - Quando se abre a edição especial que a revista “Egoísta” fez neste Natal, ressurgindo, mesmo que efémera, quando já não se esperava, encontram-se logo estas palavras de Sylvia Plath: “It is a terrible thing to be so open: it is as if my heart put on a face and walked into the world”. O tema desta edição especial é a poesia e nas primeiras páginas está um portfolio fotográfico de Annie Leibowitz, que é uma revisitação de Romeu e Julieta, feita para a Vogue. Há poemas de Lu Yu, Gastão Cruz, António Ramos Rosa, Adrienne Rich, João Rui de Sousa, Eugénio de Andrade, Maria do Rosário Pedreira, Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Vasco Graça Moura, Hilda Hist, Rainer Maria Rilke, Pedro Tasmen e Jaime Rocha, entre outros. Há mais fotografia de Augusto Brázio, Maria João Gonçalves, Christophe Jacrot, Ricardo Alevizos e sobretudo um imprevista e surpreendente trabalho de Pedro Cláudio. Nas ilustrações destaque para os trabalhos de  Manuel San Payo e Rodrigo Prazeres Saias. Um verdeiro número para coleccionadores. Uma preciosidade. Uma prenda de Natal para os fãs da revista.

 

VER -  Todas as razões são boas para ir ao MUDE, o Museu do Design e da Moda, que fica na Rua Augusta 24. Mas, agora, há mais uma razão, incontornável - descobrir a exposição “3553”, de Teresa Segurado Pavão, na Sala dos Cofres. O local em si é magnífico, mas a força das pequenas peças ali ganha outra dimensão - quase comovente. Na sala dos cofres privados, de aluguer,  do antigo Banco Nacional Ultramarino, o edifício onde o MUDE foi acolhido, existem 3552 cofres - e é deste número que nasce o título da exposição - evocando o cofre seguinte, na realidade inexistente, o momento que está para vir, o futuro que não se conhece. As peças expostas são objectos simples - que podem ser do quotidiano, mas podem também ser tesouros guardados - e a sua presença na sala dos cofres reforça esta ideia de tesouro que vale a pena salvaguardar. Cabe aqui elogiar o trabalho do catálogo e as fotografias de Eurico Lino do Vale, despojadas mas não neutras, que conseguem fazer retratos de objectos quase como se tivessem expressão. As peças criadas por Teresa Segurado Pavão são lindíssimas - nas formas, mas também nos pormenores. Parecem imaginadas como esculturas - quase orgânicas, como naqueles casos onde um alfinete atravessa o barro branco como se envolvesse a pele, ou quando existe a sensação de que um objecto pode ter muitos usos, dependendo da imaginação. São 120 peças, criadas de 2011 até agora. A exposição “3553” pode ser vista até ao início de Março

 

OUVIR - Sou da opinião que um disco gravado do vivo funciona muitas vezes como um tira-teimas: há músicos que fazem álbuns muito certinhos em estúdio, mas depois é o diabo quando vão para um palco e lá querem gravar alguma coisa. Felizmente no caso de António Zambujo a gravação feita em espectáculo só confirma as boas impressões deixadas pelos registos de  estúdio. O disco foi gravado ao viuvo no Coliseu, faz agora um ano, em Dezembro do ano passado, pouco tempo depois da edição do seu álbum “Quinto”. Inclui 19 temas entre os originais de  Zambujo, clássicos de Marceneiro, uma versão de uma canção de Vinicius e Banden Powell, poemas de João Monge, Aldina Duarte e Maria do Rosário Pedreira. No espectáculo gravado Zambujo acompanhou-se a si próprio à guitarra clássica e a seu lado estiveram Bernardo Couto (guitarra portuguesa), Jon Luz (cavaquinho e guitarra clássica), José Miguel Conde (clarinetes), Ricardo Cruz (contrabaixo) e a participação de uma grupo de cante alentejano que o acompanhou em alguns dos temas. (CD UNIVERSAL).

 

PROVAR - Não sou muito dado a doces, mas nesta altura do ano o Bolo-Rei tira-me do sério. Aqui há uns anos achava que o da Pastelaria Cinderela, no Areeiro, era o melhor de todos - e ainda é bom. Depois passei a gostar do da Pastelaria Colombo, que era óptima e lindíssima, praticamente em frente à Versailles na Avenida da República, e que hoje é um incaracterístico MacDonalds. Esse, já não se pode provar - mas o da Versailles é ele próprio um bom sucessor. Outro que me agrada é o da pastelaria Aloma, em Campo de Ourique, na Rua Francisco Metrass. E claro, há o incontornável Bolo-Rei da Confeitaria Nacional, da Praça da Figueira, e que agora tem vários pontos de venda, um dos quais nas Amoreiras. O segredo do Bolo Rei está na massa, que deve ser leve e na qual devem como que flutuar pedaços de frutos secos e algumas passas. O segredo é conciliar a leveza com uma boa distribuição dos frutos - não podem ser demais, não podem ser de menos, não podem ficar colados ao fundo. E é escusado o Bolo Rei estar recoberto de açúcar caramelizado, algumas frutas cristalizadas - não demais - bastam. Nesta altura do ano o único doce que não dispenso é o Bolo Rei - e sou dos que não se importam que, se ele fôr dos bons, tenha dois ou trs dias. Se fõr bom não perde qualidades. E, como bem disse Miguel Estevs Cardoso, bom Bolo Rei não precisa de manteiga para nada.

 

DIXIT - “Não criei nem tenciono criar nenhum movimento” - declaração de Carvalho da Silva três dias antes de ser anunciado o movimento 3D para as eleições europeias, em que ele surge como um dos promotores.

 

GOSTO - Do levantamento dos sem-abrigo de Lisboa, feito por uma equipa de voluntários organizada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

 

NÃO GOSTO - Está muito na moda, mas fui lá e não gostei. O Mercado de Campo de Ourique é apenas uma má cópia da ideia do Mercado de San Miguel (em Madrid), só que atravancado e com mais confusão que fulgor.

 

BACK TO BASICS - «Uma ideia que não é perigosa não merece sequer ser chamada de ideia» - Oscar Wilde




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