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SOBRE A DIVERSÃO EUROPEIA

por falcao, em 10.01.14

KÊÊÊÊ ? - Este ano, lá para Maio, acontecem as eleições para o Parlamento Europeu, uma instituição à espera que se descubra para que serve e qual o contributo que proporciona aos europeus, para além de garantir uma sinecura àquele pessoal político que os partidos querem recompensar ou exilar para Bruxelas, dois verbos que no europês têm tendência a confundirem-se. Uma coisa que a crise em curso fez evidenciar é a inutilidade do Parlamento Europeu face às instâncias não eleitas, das troikas aos bancários centralistas como o nosso estimado Constâncio que, por cá, no Banco de Portugal, foi suficientemente míope para não ver o elefante em loja de porcelana que se desenhava no BPN. No Parlamento Europeu pouco se faz além de preparar conspirações, como a que o prezado Rui Tavares urdiu em relação ao Bloco. O resultado da inutilidade deste orgão flutuante entre Bruxelas e Estrasburgo e a alegada importância do seu simbolismo político (que costuma ser o argumento dos seus defensores) vão cair redondos por terra quando a maioria dos seus novos deputados fôr de uma direita pouco ortodoxa e completamente fora dos cânones dos poderes vigentes, como provavelmente se verá nos idos de Maio. Não é a primeira vez que a Europa faz de coveira de si própria, mas desta feita a coisa arrisca-se a ser mais ruidosa porque a menina Le Pen não é rapariga para fica descansadinha a um canto sem se fazer ouvir - sobretudo quando se sentir muito acompanhada e aconchegada. O nosso calendário é este: uma aflição em Maio nas eleições europeias, uma incógnita em Junho com a saída da troika e uma festa permanente em Julho com o Mundial de Futebol. Uma animação…

 

SEMANADA - Um dos efeitos colaterais da troika foi tornar a palavra “recalibrar” uma dos termos mais usadas no início de 2014; numa reunião com membros do Parlamento Europeu sobre a avaliação da intervenção da troika  José Sócrates recusou-se a assumir erros na definição das metas propostas no memorando que então assinou; na mesma reunião Sócrates excluiu Teixeira dos Santos da delegação de ministros do seu Governo que estiveram ligados ao pedido de resgate; em 2012 quase metade dos proprietários de lojas de rua em Lisboa foi vítima de furto, injúrias ou vandalismo; as compras com multibanco no Natal aumentaram 4,6%; em 2013 foram constituídas 35.296 empresas, o que representa um crescimento de 12,8% face a 2012; 2013 foi o primeiro ano desde 2009 em que se verificou uma descida do numero de insolvências face ao ano anterior; numa escola de Lisboa um erro informático deixou 30 crianças sem almoço; uma empregada de limpeza roubou 30 telemóveis nas instalações da Polícia Judiciária; os sindicatos dos trabalhadores do Município de Lisboa e da Administração Local fizeram um balanço positivo da greve à recolha de lixo e admitem novas formas de luta.

 

ARCO DA VELHA - Um relógio de contagem decrescente, que aponta os dias até à saída da troika, inaugurado por Paulo Portas, apareceu errado e dava aos credores mais um mês de permanência em Portugal.

 

FOLHEAR - Julian Barnes é um dos escritores de que gosto.  Escreveu recentemente “Os Níveis da Vida”, “Levels of Life” no original e, com ele,  ganhou o Man Booker Prize. O prémio é absolutamente merecido porque se trata de um dos mais apaixonantes livros de amor que li nos últimos anos e bons livros de amor, uma coisa rara,  ultrapassam qualquer prémio. Algumas pessoas podem pensar que é um livro sobre a morte, da mulher de Barnes, Pat Kavanagh, que foi a sua agente literária.  Mas não - esta é uma obra sobre o amor e o vazio, que é outro lado do amor. Não me lembro de ter lido livro tão duro e tão apaixonante como este nos últimos tempos. É curto, lê.se numa noite e fica toda a vida, marcado entre os devaneios sobre as aventuras  dos balões que atravessam o canal da Mancha e as fotografias de Nadar que preparam o terreno para esta coisa tão simples - e tão rara - que é gostar perdidamente de alguém, gostar ao ponto de todos os minutos serem uma aventura vivida.

 

VER - Estava para escrever sobre umas exposições que vão abrir, depois sobre o Salão de Inverno d’A Pequena Galeria (fotografia, Avenida 24 de Julho 4C), mas no fim desisti porque não encontrei nada que me seduzisse e porque gosto pouco das fotografias recentes de Augusto Alves da Silva, que aparece a abrir o respectivo site. Como hoje em dia gosto de ver exposições virtuais e digitais (deve ser efeito da crise…) fico-me assim  por um site e uma aplicação para iPhone intitulada Artsy (aqui mostrada em imagem), que nos dá acesso a galerias de todo o mundo e a obras que lá estão expostas. Podemos escolher locais, géneros,  e também percorrer as sugestões apresentadas, ver uma selecção de obras, da fotografia à escultura, que estão á venda e ter uma ideia do seu preço. É como ter uma galeria no bolso ou no ecrã do computador. Por estes dias o patrocinador da aplicação é o museu de Arte de Singapura e a sua Bienal. Percorrendo a aplicação vemos obras que estão à venda em galerias em todo o mundo e podemos ter uma ideia melhor do que se vai passando por esse mundo fora.

 

OUVIR - Não gostava geralmente de discos pop portugueses cantados em inglês. Pareciam-me uma incongruência, mas estou disposto a achar que nesta segunda década deste século é um bocado absurdo ter os pruridos dos anos 80 do século passado. Já tinha gostado do disco anterior de uma banda portuguesa chamada You Can’t Win Charlie Brown, mas o seu novo trabalho, “Diffraction”, supera as minhas expectativas e reconcilia-me com o pop português. Nem sei se a banda acha graça a que eu lhe  chame pop - mas na minha cabeça, e com muito elogio incorporado, é isso mesmo que eles são - fazem canções que podem ser bem populares, bem construídas sem serem foleiras, atraentes sem serem corriqueiras. Ouve-se “Post Summer Silence” e apetece sentir o sabor dos tempos que vivemos. Ouve-se “Heartt” e sente-se a pele. Ouve-se “Under” e sente-se o corpo. Gosto desta banda, gosto deste disco. Vão tocar proximamente no CCB. Estejam atentos

 

PROVAR - Isto hoje é uma receita, simples, aliás. Foi executada horas antes destas páginas ficarem escritas. Começo por explicar que gosto de massas, sobretudo de penne, aqueles pequenos cilindros que absorvem bem paladares. Estes eram da marca Barilla e, na embalagem, requerem 11 minutos de cozedura que eu geralmente reduzo a 9. Foram cozidos em água com azeite, sal e piri piri. A água tinha antes servido para cozinhar pequenos camarões congelados, que foram extraídos antes de a massa entrar na água já em ebulição. Ao mesmo tempo que uma tigela de penne, atirei para  a água meia dúzia de tomates cherry maduros cortados ao meio. No entretanto abri e escorri uma lata dos magníficos mexilhões fumados da marca Tricana. Coloquei esses mexilhões e  os camarões num escorredor, para onde, no fim, deixei cair a massa e a sua água. Sem deixar escorrer demais voltei a colocar tudo na panela, ainda quente, remexendo com um pouco de bom azeite. Servi a seguir e acompanhei com um branco do Dão, que já me tinha feito companhia na preparação. Regalei-me. E no fim comi duas belas e nacionais clementinas. Alea jacta est, como diria um romano. Ao café ainda trinquei uma raiva - o lusitano biscoito, escusam de ficar com maus pensamentos.



DIXIT - “No primeiro semestre Passos Coelho encontrará um sapo muito  feio a quem dará um beijo de amor. E o anfíbio transformar-se-à num lindo superavit da balança comercial” - Ricardo Araújo Pereira, na Visão.

 

GOSTO - Da proposta do sociólogo Pedro Magalhães que preconiza um sistema já existente em alguns países,  em que os eleitores, quando escolhem o "seu" partido, podem ordenar os candidatos a deputados pela sua preferência e não pela ordem imposta pelas listas partidárias.

 

NÃO GOSTO - Que o antigo Cinema Londres passe a ser uma loja de roupas e de outras importações da China.

 

BACK TO BASICS - Há muito a reter daquele conhecimento que é aparentemente inútil - Bertrand Russell

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publicado às 14:00



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