Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



FACTURAS - Estamos a pouco tempo, meia duzia de meses,  de ver se quem está no Governo mente ou não sobre o estado das finanças públicas e sobre o que pensa fazer a propósito da situação. Olho para novidades anunciadas pelo Governo nos últimos dias e que vejo? O Ministro da Economia, que ameaçou de excomungar da nacionalidade quem fosse abastecer a Espanha, prepara-se para proporcionar combustível mais barato em postos de abastecimento próximo das fronteiras, mas só para alguns - veículos pesados de carga e de passageiros. O comum dos mortais terá que fazer o favor de continuar a ser excomungado se for a Espanha. Outro membro do Governo promete baixar o preço de várias scuts do interior lá mais para o verão. Com tudo isto passa a haver vários portugais. Quem gritar mais fica com um portugalzinho à sua medida. Parece que aumentar a despesa é, neste Governo, uma linha política. A situação real é esta: Bruxelas exige cortes adicionais de 600 milhões nas reformas, quer travar aumento do salário mínimo nacional, a comissão europeia exige um corte adicional de 705 milhões de euros este ano. E o Governo que faz? Vais distribuindo prebendas, e diz que no fim da legislatura se verá. Só que antes disso, daqui a uns meses, quando as previsões do crescimento se revelarem erradas, vai perceber-se que falta dinheiro e então irá mais uma vez puxar pelos impostos e pelas taxas. Adivinhem quem vai pagar a factura....

IMG_4427.JPG

SEMANADA - O Ministro da Administração Interna anunciou, com solenidade, que o Governo está aberto a mudar o nome do Cartão de Cidadão; Pinto da Costa ganhou as eleições no F. C Porto com 79% dos votos, o seu resultado mais baixo de sempre;  a Agência Nacional do Medicamento francesa concluiu que a BIAL deu uma informação errada no ensaio clínico em que morreu uma pessoa; uma estação de saneamento recém construída pelas Águas do Norte  numa freguesia de Guimarães, com um custo de quase cem mil euros, foi alvo de um auto da GNR por atentado ambiental porque faz a descarga de esgotos directamente no rio Ave; a partir deste fim de semana, e pelo menos até final do ano, vão decorrer as obras no eixo Marquês de Pombal-Saldanha, o que vai complicar o trânsito em todo o centro de Lisboa; a CGTP perdeu mais de 60 mil sindicalizados nos últimos quatro anos, uma quebra de cerca de 10%; no primeiro trimestre deste ano a DECO recebeu 6434 pedidos de ajuda de sobre-endividados, mais do dobro do total de pedidos durante todo o ano de 2008; há 372 mil desempregados que não recebem qualquer subsídio; os produtos falsificados de marcas de luxo valem 2,5% das importações mundiais; Portugal é o 9º maior produtor mundial de vinho; o número de casamentos subiu ao fim de 15 anos; os portugueses já gastam 90 euros por mês em compras na net; um estudo de uma consultora internacional evidencia que metade dos administradores e directores financeiros de grandes empresas entrevistados considera que as práticas de suborno e corrupção acontecem de forma generalizada no país; as remessas dos emigrantes caíram 18,5% em Fevereiro.

 

ARCO DA VELHA - Mais de 300 mil alunos dos  2º, 5º e 8º anos continuam sem saber se vão fazer provas de aferição marcadas para os dias 6 e 8 de junho por culpa do zigue zague de decisões do Ministério da Educação.

 

capa_Bojangles_300dpi.jpg

FOLHEAR - Confesso que muitas vezes desligo de um romance às primeiras páginas - mas não foi o caso desta vez. O romance em causa fez-me ficar acordado uma boa parte da noite em que escrevo estas notas. O título chamou-me logo a atenção: “À Espera de Bojangles”,  uma evocação da canção Mr. Bojangles, popularizada por Nina Simone. Trata-se do romance de estreia de Olivier Bourdeaut e devo confessar que a história é um bocado amalucada mas funciona na perfeição para agarrar o leitor do princípio ao fim. É a história de uma família, simples, bela e triste como as histórias simples são muitas vezes. É muito bem contada e muito bem escrita, tem um toque de loucura, um ritmo invulgar e uma utilização libertina das palavras e da evolução da narrativa no tempo. Gostei do livro, gostei da ideia da história, tão pessoal e tão capaz de misturar a realidade que se adivinha com a invenção que se sente. É um livro fantástico - não só pela atracção que exerce como pela fantasia a partir do qual é construído. O primeiro parágrafo do romance é assim: “O meu pai tinha-me dito que, antes de eu nascer, a sua profissão era caçar moscas com um arpão. Tinha-me mostrado o arpão e uma mosca esborrachada”. Quando um livro começa desta maneira é impossível não continuar a lê-lo até ao fim. Edição Guerra & Paz, sai em Maio, já falta pouco.

 

NewsMuseum (38).jpg

VER - Esclareço desde já que sou parte interessada no que a seguir vou recomendar. O criador do Newsmuseum, Luis Paixão Martins, convidou-me há uns meses para ser o curador da área de fotojornalismo que lá seria desenvolvida. Aceitei, com entusiasmo, a ideia - foi como fotojornalista que de facto comecei no jornalismo, há umas décadas atrás, e a fotografia, principalmente o fotojornalismo, é uma das minhas paixões pessoais. Dito isto, vamos ao que interessa. O Newsmuseum não é um equipamento estático, parado no tempo. É a visão contemporânea e tecnológica de grandes momentos da história da comunicação em Portugal e no mundo, de que a imagem aqui usada - um Eça de Queiroz na esplanada à porta do museu com um smartphone na mão - é um claro sinal. Claro que há vitrinas com equipamentos que caíram em desuso mas que nos deram as notícias ao longo do século XX - mas há também uma aplicação em iOs ou Android que pode ser descarregada gratuitamente para acompanhar a visita - desde as zonas de guerra à propaganda, passando pela rádio, o desporto e até o futuro da comunicação, um mergulho no que está para vir graças à realidade aumentada proporcionada pelos oculus rift que lá existem. Este é um museu onde os recursos da tecnologia são bem utilizados para que os visitantes se sintam eles próprios parte do processo de comunicação. O Newsmuseum é uma instituição privada sem apoios estatais, fica no centro de Sintra, tem uma loja com material próprio e está aberto todos os dias, a partir da próxima segunda-feira 25 de Abril. Todas as informações - horários, preços e acessos - em www.newsmuseum.pt , ou na página do facebook. Rua Visconde de Monserrate 26, Sintra.

 

image (20).png

OUVIR - O novo disco de P.J. Harvey é tudo menos consensual. É, como o Observer lhe chamou, uma reportagem sobre o estado do mundo feita numa batida rock, em que as letras das canções são como artigos que relatam conflitos e problemas. O título do disco é logo um episódio : “The Hope Six Demolition Project”. O véu sobre o título levanta-se na primeira canção, “The Community Of Hope”, que fala de estradas de morte e destruição entre edifícios governamentais numa das capitais do mundo. A segunda faixa, um das melhores do disco por sinal, “The Ministry Of Defence”, traça um relato duro das instituições que o Estado diz erguer para defesa dos seus cidadãos e acaba com uma frase dura : “This Is How The World Will End”. Em vários pontos o disco faz lembrar “Let England Shake”, de 2011, só que em vez de falar apenas de Inglaterra, P. J. Harvey debruça-se agora sobre o estado do mundo. O álbum foi gravado ao longo de 2015, algumas partes frente a uma audiência em estúdio. John Parish, o guitarrista que tem acompanhado a carreira de P.J. Harvey revela-se mais uma vez um eixo sólido ao longo de todo o disco, e assegura a produção. Mas vale a pena salientar que a própria P. J. Harvey se revela em grande forma vocal, talvez a melhor dos seus últimos discos - e por acaso não se sai nada mal também no sax alto. Desiludam-se os tímidos - este é um disco de provocações e slogans, duro como o rock e cortante como o punk era. Seria fastidioso enumerar as boas canções que aqui estão, mas não resisto a elogiar “River Anacostia” e, sobretudo, “The Wheel”. Para já, é o melhor disco do ano. CD Island/ Universal Music.

 

PROVAR -  Volta e meia gosto de voltar a um restaurante que conheci na fase inicial de sua vida e que, na altura, se revelou uma boa surpresa. É sempre bom verificar se as qualidades se mantêm ou se de repente há algum defeito inesperado. No Rua Artilharia Um, no local  onde ficava o Mezzaluna abriu no início de 2015 a pizzaria Forno D’Oro, por iniciativa do chef  Tanka Sapkota, o mesmo que fez do Come Prima um dos grandes restaurantes italianos de Lisboa. O nome provém do forno das pizzas, imponente, a dominar a sala, folheado a ouro. Voltei lá esta semana e confirmo que as qualidades estão intactas: uma massa de pizza exemplar, muito leve, bons ingredientes, um bom serviço e um preço simpático. Provámos uma pizza vegetariana e uma caponata e ambas estavam muito boas - destaco a qualidade dos ingredientes da caponata e o ponto certo da sua cozedura. A casa gaba-se das suas cervejas e tem uma extensa lista de cervejas artesanais, algumas italianas. A cerveja de pressão Benedikter que acompanhou a caponata revelou-se perfeita. Antes das pizzas vieram bruschettas e uma focaccia que é provavelmente a melhor de Lisboa - com azeite temperado a balsâmico para embeber. A casa é hoje em dia muito frequentada ao jantar por estrangeiros dos hotéis próximos, a clientela é diversificada. O jantar para duas pessoas ficou em 35 euros - e no fim é oferecida uma grappa ou um limoncello. Eu fiquei bem com a grappa. A casa estava cheia, é mesmo conveniente marcar. Rua Artilharia 1 - nº16, telef 213 879 944. Aberto todos os dias.

 

DIXIT - “Liderar um governo ou um país tem exigências. Uma delas consiste na necessidade de ser ou ter algo mais do que jeito para resolver problemas. A direcção política não se resume à habilidade para tratar de conflitos” - António Barreto

 

GOSTO - Da ideia de centrar Os Dias da Música, que este fim de semana decorrem no CCB, numa espécie de banda sonora para “A Volta Ao Mundo em 80 Dias”, de Júlio Verne

 

NÃO GOSTO - Da perda de tempo com questões como o género do Cartão de Cidadão-

 

BACK TO BASICS - Nunca deitem abaixo um muro até perceberem bem a razão porque ele foi erguido - G. K. Chesterton

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:06



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2003
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D