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INFLUENCIAR  - Como se influencia um político? Como se força um político? Como se manobra a opinião pública? Até onde se pode ir? A resposta a estas questões pode ser vista em “Miss Sloane”, um “thriller” político, passado em Washington, estreado em Portugal na semana passada, realizado por John Madden e que tem Jessica Chastain, fabulosa, no papel principal - o de Elisabeth Sloane, uma lobista habituada a casos difíceis. Usando as palavras de Miss Sloane, fazer lóbi é prever o que pode acontecer, antecipar o movimento dos adversários e tomar medidas para os contrariar, é conseguir ficar à frente de quem se quer derrotar, é conseguir surpreender os inimigos sem nunca se deixar surpreender por eles. Isto é a bíblia de Elisabeth Sloane e é seguindo-a que ela vence, custe o que custar. Contra as mentiras dos políticos ela usa o que pode para provocar o seu descrédito. Se há políticos trapaceiros e que entram em esquemas, não será justo usar todos os recursos contra eles, mesmo os que podem ser ilegais? Como se combate a falta de ética na política? Seguindo a ética ou contornando-a? Estas são as grandes questões que este filme deixa e são estas questões as que, um pouco por todo o lado, se colocam hoje aos eleitores, que cada vez mais perdem a confiança em políticos que deixam os princípios de lado em nome de tácticas. O filme é poderoso e dá um retrato vil da política. Não é ficção, é a realidade e foram os próprios políticos que o criaram. Há quem diga que este filme é o melhor retrato já feito do que se passa em Washington. E,  arrisco  dizer, também em outras cidades, de outros continentes e de outros países.

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SEMANADA - “Vaticanum”, de José Rodrigues dos Santos, foi o livro mais vendido em Portugal em 2016, com perto de de 90 mil exemplares; outro livro do mesmo autor, “O Pavilhão Púrpura”,  está entre os dez mais vendidos; José Rodrigues dos Santos já ultrapassou os 2,2 milhões de livros vendidos em Portugal no total da sua obra e no estrangeiro vendeu cerca de um milhão; “Sentir”, a biografia de Cristina Ferreira, vendeu cerca de 85 mil exemplares; o primeiro volume da “Bíblia”, na tradução de Frederico Lourenço, vendeu cerca de 20 mil exemplares ; medidas do simplex derraparam e mais de 70% estão por concluir; 98% dos alunos formados da Escola Náutica vão trabalhar para o estrangeiro já que a marinha mercante portuguesa foi praticamente extinta; Portugal vai ter mais 40 novos hotéis este ano, metade dos quais em Lisboa; as temperaturas extremas, de frio ou calor, matam em Portugal, em média por ano, 1500 pessoas; o MAAT teve 150 mil visitantes desde que abriu em outubro passado; foram feitos cortes de 34,5 milhões de euros nos principais hospitais do serviço Nacional de Saúde; ao mesmo tempo foi anunciado que o Ministério da Saúde planeia investir este ano 204 milhões em novas infraestruturas e equipamentos no sul do país; nas últimas semanas o Governo prometeu abrir linhas de crédito para sectores específicos cujo valor total é de centenas de milhões de euros - mais um aumento de dívida; o Bareme Internet da Marktest estima em 3,7 milhões o número de portugueses que usam a Internet para ouvir música.

 

ARCO DA VELHA - No meio da confusão existente o acordo de concertação social não foi firmado numa cerimónia, como é usual, mas através da recolha apressada de assinaturas porta a porta junto de cada um dos subscritores, por um motorista do Governo, enquanto no Parlamento o Primeiro Ministro já o dava por assinado antes mesmo do périplo dos autógrafos terminar.

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FOLHEAR - “Luanda, de acordo com o que Mary Kingsley escreveu em 1899, não era apenas a cidade mais bela da África Ocidental, era a única cidade da África Ocidental” - assim começa o delicioso capítulo “A Cultura Urbana na Cidade de Luanda” do livro “Breve História da Angola Moderna”, de David Birmingham, um historiador britânico, da Universidade de Kent. Birmingham escreveu vários livros sobre a história de Portugal e da presença dos portugueses em África, nomeadamente em Angola, e esta obra incide sobre o período entre 1820 e o início do século XXI. O autor detalha a evolução social, económica e política de Angola, incluindo episódios históricos como a tentativa de ali criar uma nação judaica em finais do século XIX e princípio do século XX - houve até uma proposta nesse sentido apresentada no Parlamento português em 1912. A Guerra Colonial, a Guerra Civil e a posterior evolução do regime até ao final da primeira década deste século, são épocas abordadas, com numerosos episódios e relatos de acontecimentos pouco conhecidos. É uma visão curiosa, distante da visão portuguesa, e que por isso mesmo é um complemento de informação que vale a pena conhecer. Edição Guerra & Paz.

 

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VER - Confesso-me um fã da obra de Cecília Costa - aprecio o seu traço, a ironia misturada com enigma, provocação e mistério que retrata nos seus desenhos. Tem, além de um estilo, uma atitude - e isso é muito patente em “Longing”, a sua nova exposição que inaugurou esta semana na galeria Baginski (Rua Capitão Leitão 51, no Beato, até 25 de Fevereiro). Nesta exposição, surpreendente, Cecília Costa provoca ligações entre as instalações que concebeu e os seus desenhos, intervindo sobre objectos do quotidiano, reformulando-os e redefinindo-lhes as funções - mesmo que sejam tão efémeros como um cubo de gelo que se vai dissolvendo. Voz certeira disse-me na inauguração que Cecília Costa “põe cuidado em coisas simples”. É isso que faz a diferença da sua obra. Outras sugestões - No Museu do Chiado pode agora ver a recente exposição do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, que retoma a pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, à época surpreendente e polémica, mostrada pela primeira vez em Fevereiro de 1917. Na Escola Superior de Comunicação Social está uma curiosa exposição intitulada “A Propaganda eleitoral nas eleições presidenciais dos EUA - 2016” que reúne espólio da colecção de José Pacheco Pereira e que, além de material das eleições que deram a vitória a Trump, mostra peças de propaganda política desde os anos 30.

 

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OUVIR - O piano, nos vários géneros musicais, é um dos instrumentos de que mais gosto e gravações de piano ocupam lugar de destaque na minha colecção de discos. No jazz contemporâneo há um pianista que há anos me seduz, Brad Mehldau - seja nas suas formações tradicionais de trio, seja nas suas incursões a solo ou, mais recentemente, em duetos. “Nearness”, editado no final de 2016, regista uma selecção de gravações efectuadas durante uma digressão europeia de um duo constituído pelo saxofonista Joshua Redman e Brad Mehldau, ambos amigos e colaboradores de longa data. Aliás Mehldau começou a sua carreira como pianista do quarteto de Redman, no início dos anos 90 e depois ambos trabalharam juntos em diversas ocasiões -  na realidade um e outro estão entre os músicos de jazz mais marcantes da sua geração. Neste disco pegam em temas clássicos como”Ornithology” de Charlie Parker, “In Walker Bud” de Thelonius Monk ou “The Nearness Of You”, de Hoagy Carmichael e Ned Washington e usam-nos para dar uma lição de improvisaçao e de cumplicidade. Temas originais como “Old West” (de Mehldau) ou  "Mehlsancholy Mode", de Redman, mostram também a sua criatividade como compositores. “Nearness”, de Joshua Redman e Brad Mehldau, edição Nonesuch, no Spotify.

 

PROVAR -   O chef argentino Chakall ganhou notoriedade em Portugal, primeiro com a sua cozinha que na altura parecia exótica, e, depois,  com os seus programas de televisão e com mais de uma dezena de livros. Construíu uma personagem onde a exuberância, o colorido das roupas e um constante turbante fazem a sua imagem de marca - certamente fruto da  experiência ganha como jornalista no início da sua carreira profissional. Felizmente, para além da construção da marca, Chakall tem colocado nos vários restaurantes por onde passou um traço de boa cozinha, bom serviço e um honesto compromisso entre qualidade e preço. Há cerca de um ano mudou-se para Marvila, para um dos antigos armazéns da firma de vinhos Abel Pereira da Fonseca, na Praça David Leandro da Silva, num espaço enorme onde pode acolher grandes grupos e eventos, mas onde também pode servir com atenção mesas de duas ou quatro pessoas- o El Bulo Social Club. Há um menu especial de almoço e ao jantar uma carta onde as influências do seu país de origem são notórias. A decoração é exuberante, tão colorida e marcante como o visual do próprio Chef. Há evidentemente evocações bem argentinas como papas rellenas, empanadas argentinas ou um original parafuso - o nome dado a um prego de ojo de bife de 200 gramas servido em bolo do caco e acompanhado por batata frita

A opção numa recente visita foi por um duo de ceviche (de peixe branco e atum) e depois por cannelloni de osso buco. Ambos estavam muito bons mas o ceviche merece destaque pela qualidade do tempero e preparação. A refeição terminou com um crumble de maçãs verdes. A lista de vinhos é comedida na variedade, mas a preços razoáveis. Volta e meia tocam-se e dançam-se tangos. Encerra ao Domingo  e segunda-feira (telefone 218619027)218619027

 

DIXIT -   “Tenho dificuldade em aceitar que o meu partido vote ao lado de quem nunca valorizou a concertação social” - carta aberta de Silva Peneda a Passos Coelho a propósito da nova posição do PSD sobre a TSU.

 

GOSTO - Do novo museu da Casa da Moeda - é virtual, está online e pode ser visto em www.museucasadamoeda.pt

 

NÃO GOSTO - Em Portugal ainda há quatro mil crianças que não são vacinadas todos os anos por resistência das famílias.

 

BACK TO BASICS - “O homem é por natureza um animal político e a natureza não faz nada sem sentido” - Aristóteles



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publicado às 13:30

(IN)JUSTIÇAS - e sugestões avulsas

por falcao, em 13.01.17

 

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(IN)JUSTIÇAS - O número de licenciados em Direito que ocupa lugares no sistema político português é bastante grande e, mesmo não existindo um estudo actualizado sobre o tema, arrisco-me a dizer que juristas e advogados são o grupo sócio-profissional mais representado na Assembleia da República e nos mais altos cargos do Estado, como Primeiro-Ministro e Presidente da República. Por isso mesmo não deixa de ser paradoxal que a justiça seja um tema tão mal tratado em Portugal pelo próprio Estado. Marcelo Rebelo de Sousa, ainda bem recentemente, chamou a atenção para os problemas que existem, mas que ultrapassam a questão da morosidade dos tribunais. O maior problema, penso, tem a ver como o Estado se posiciona face aos cidadãos quando está em disputa com eles nas várias instâncias judiciais. Não é só a questão das altas custas de justiça, para o qual o novo bastonário da Ordem dos Advogados alertou, é sobretudo a atitude com que o Estado actua - partindo sempre do princípio de que o cidadão é culpado. Muito se tem escrito sobre o uso sistemático e talvez abusivo dos recursos, apresentados por organismos do Estado para prolongar processos, encontrando todos os pretextos para suspender prazos e recorrendo de decisões só por recorrer, com o único intuito de adiar decisões finais. A este nível o comportamento da autoridade tributária, que é um dos expoentes destes expedientes, e que tem sido amplamente criticado, é dos piores exemplos da falta de honestidade do Estado e da forma como o princípio da presunção da inocência não é respeitado. O Estado, que devia ser uma referência e um exemplo, é em matéria de justiça um dos seus piores protagonistas. E mudar esta situação seria uma das maiores reformas que o Estado podia concretizar.

 

SEMANADA - Este ano há  4920 candidatos a bolsas de estudo no ensino superior, sendo que serão atribuídas apenas 1320;  existem atrasos na análise destes pedidos devido a erros na plataforma informática da Direcção Geral do Ensino Superior; a dívida dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde cresce ao ritmo de 27 milhões de euros por mês; a dívida total atinge 1750 milhões e regressou aos picos de há três anos; o investimento público registado em 2016 é o mais baixo das últimas três décadas; a Agência de Gestão da Tesouraria e Dívida Pública diz que o Estado português precisa de 12,4 mil milhões de euros de financiamento líquido em 2017; esta semana Portugal colocou no mercado uma dívida de três mil milhões de euros a uma taxa de 4,227%, que compara com a taxa de 2.875% conseguida em operação idêntica há um ano; o Bloco de Esquerda anunciou ter anulado a adesão de um grupo infiltrado de seis elementos que pretenderia controlar e desvirtuar a organização;o Bareme Internet da Marktest  estima em 1,9 milhões o número de portugueses que usam a Internet para marcar viagens ou alojamento; as compras dos portugueses aumentaram 10% desde o início de Dezembro até agora; nos saldos cada português gastou em média 120 euros numa semana; as exportações de empresas de Paredes de Coura aumentaram sete vezes o seu valor no espaço de 3 anos; a maioria dos municípios portugueses aumentou as exportações entre 2013 e 2015; a nível nacional, o volume de bens vendidos ao exterior cresceu 5,3%; segundo uma portaria publicada esta semana em Diário da República, a PSP e a GNR vão passar a cobrar, a partir desta quinta-feira, 75 euros por dia pela cedência de um cão e 100 euros pela de um cavalo, quando solicitados por entidade privada ou pública fora do âmbito de missões policiais.

 

ARCO DA VELHA - Um padre de 84 anos entrou em contramão na circular urbana de Braga, provocou acidente, fugiu, diz que não se lembra de nada e afirma ter saído do local para ir dar missa.

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FOLHEAR - Nascido no Missouri, Thomas Stearns Eliot foi para Inglaterra com 25 anos, aos 39 abandonou a cidadania norte-americana e tornou-se cidadão do Reino Unido. Em 1948 ganhou o Prémio Nobel da literatura pela sua contribuição para a poesia. Em 1915, um ano depois de chegar a Inglaterra publicou “The Love Song Of J. Alfred Prufrock”, que o tornou conhecido e estabeleceu a sua reputação como autor de uma obra prima do movimento modernista. Outras obras importantes seguiram-se - como “Wasteland” (1922), “Ash Wednesday” (1930) e “Four Quartets”(1943). São precisamente estas quatro obras que a editora Relógio d´Água reuniu no final de 2016 em “Poemas Escolhidos”, uma belíssima edição, bilingue, que permite seguir em simultâneo o original inglês e boas traduções de João Almeida Flor, Gualter Cunha e Rui Knopfli. Protegido por Ezra Pound no início da sua carreira, Eliot fez parte do Bloomsbury Group. Foi ensaísta, editor de publicações como a Egoist e a Criterion. T.S. Eliot foi ainda professor, funcionário bancário, responsável editoral da Faber e, acima de tudo, um dos poetas maiores da primeira metade do século passado.

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VER - A primeira grande exposição do ano abriu ontem na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80, a Xabregas). Trata-se de um conjunto de novos trabalhos de Rui Chafes ( na imagem), que mostra até 18 de Março um núcleo de 25 esculturas, 14 das quais realizadas em ferro, de grandes dimensões, e intituladas “Incêndio”, e as restantes 11 pequenas peças, concebidas em bronze sob o título “É assim que começa...”. Numa recente entrevista Rui Chafes descreveu este seu trabalho como a representação “da existência de uma catedral ardida, incendiada, uma catedral com uma floresta dentro” e, já que na obra de Rui Chafes o fogo é uma ferramenta constante,  explicita tratar-se de  “uma catedral queimada, que já não existe”. Na mesma entrevista, ao DN, ele pormenoriza: “Os únicos textos que eu publico são os que eu não queimei. E as esculturas que aparecem são uma acumulação de material que resistiu à solda, à queimadura, ao fogo”. Mudando de rumo, outra exposição a não perder, no Porto, é “Devir”, de Carlos Correia, na Galeria Pedro Oliveira (Calçada de Monchique 3), até 25 de Fevereiro, um exercício sobre a capacidade de transformação dos espaços e a sua relação com a pintura e com o trabalho do artista. Finalmente, também no Porto, num género completamente diferente, na Galeria Cruzes Canhoto (Rua Miguel Bombarda 452) está ainda até final do corrente mês a exposição “Lagarto, Lagarto, Lagarto!”, dedicada a peças de cerâmica de Rosa Ramalho, sua filha Júlia e neto António , “três artistas essenciais não só na história do figurado de barro na região de Barcelos, mas também no âmbito de toda a arte popular portuguesa” - como refere o site da Galeria http://cruzescanhoto.com/exposicoes/5-lagarto/ . onde também podem ser vistas estas obras.

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OUVIR - Quando em Maio de 1975, em Paris, Brian Eno e Robert Fripp, se juntaram para tocar num concerto a audiência, que estava à espera do ressurgir dos King Crimson ou de ouvir sonoridades dos Roxy Music,  iniciou um tumulto, com assobios, pateada e saídas de sala, em  consequência daquilo que, na altura, foi encarado como uma provocação e que era o nascer do seu trabalho em torno do que viria a ser conhecido como a sua simulação de  música ambiente - que em 1978 deu origem a “Music For Airports”. Quatro décadas depois, e após várias experiências, Brian Eno prossegue no caminho que escolheu com o novo “Reflection”, lançado no primeiro dia deste novo ano, em versão on line, com a possibilidade de conteúdos suplementares (na Apple Tv e iOS), no Spotify e também com edição em CD. “Reflection” não é bem a sequência lógica de “The Ship”, o seu trabalho de 2016 - é mais certo considerá-lo um retomar do que estava a fazer em “Lux”, de 2012. Na realidade “Reflection” consta de uma única peça de 54 minutos, uma espécie de manifesto sobre a forma como ele entende actualmente a criatividade e a música que faz. Na altura do lançamento deste “Reflection” , Brian Eno escreveu: “Esta música vai parecer diferente de cada vez que é ouvida - como ficar sentado na margem de um rio: é sempre o mesmo rio mas o seu caudal está constantemente a mudar”. Na verdade em cada audição descobrem-se - melhor dizendo ouvem-se - novas sonoridades que pareciam escondidas. Arrisco dizer que é como um quadro, uma pintura cujo detalhe vai ficando mais perceptível com o tempo.

 

PROVAR -  O pão é o mais básico dos alimentos, sob várias formas é uma presença universal. Ao longo dos séculos o seu fabrico foi-se modificando e hoje em dia uma enorme quantidade do pão posto à venda obedece a métodos industriais, que muitas vezes lhe retiram o sabor - e até as melhores qualidades - que era possível obter nas padarias artesanais. Foi exactamente por isso que há uns anos nasceu em Albarraque a Miolo, que se apresenta como uma padaria biológica artesanal e que se gaba de ter um processo de fabrico de cerca de 20 horas deste que se inicia a mistura da farinha, da água e do sal, até que se recolhem do forno tradicional os pães já cozidos. A Miolo produz vários tipos de pães, como o de espelta e centeio integrais, nozes e tâmaras, azeitonas, batata doce e milho, alfarroba, aveia integral e um low carb, com trigo sarraceno, entre outros. Não é só o sabor (a minha preferência vai para o de espelta integral), é também a textura e o cheiro. Com o formato de pequenos pães de forma, os produtos da Miolo conservam-se bem, mantendo a sua frescura e qualidade ao longo de vários dias. Os pães da Miolo estão disponíveis em lojas de produtos biológicos, nomeadamente nas Celeiro, Brio e nas novas Go Natural.

 

DIXIT - “Os Estados não se avaliam pelo dinheiro que têm, mas sim pela sua história e pela sua gente. Nesse sentido, Portugal não pode ser considerado um país pobre, bem pelo contrário.” - Mário Soares

 

GOSTO - Portugal é o país em destaque na Edição deste ano do Eurosonic, na Holanda, e conta com a presença de 21 artistas de diversos géneros musicais.

 

NÃO GOSTO - O serviço gratuito Ciberdúvidas, destinado a esclarecer perguntas sobre o bom uso da língua portuguesa, está em risco de fechar devido a dificuldades financeiras.


BACK TO BASICS - “A cura para o aborrecimento é a curiosidade; para a curiosidade é que não há cura” - Dorothy Parker

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publicado às 14:00

PARTIDOS OU PESSOAS?

por falcao, em 06.01.17

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CIDADES - A edição de fim de ano da revista Time publicou um muito interessante artigo de Michael Bloomberg, ex-Mayor de Nova Iorque (onde deixou uma obra notável), sobre a importância das cidades. Ressalvando que existem diferenças óbvias entre os Estados Unidos e este nosso burgo, aqui deixo algumas ideias, tiradas do artigo, que me parecem boas pistas. Para Bloomberg a guerra entre partidos no poder central mata e polui as boas ideias e um debate honesto, que possa criar confiança entre representantes de várias organizações políticas - coisa se consegue alcançar com frequência a nível local. Segundo Bloomberg, em muitas cidades, autarcas empenhados em resolver problemas estão a ensaiar novas políticas, muitas vezes em parceria com empresas e com os cidadãos, em áreas como a educação, transportes e saúde, adiantando-se ao Estado central. “Quando as boas ideias funcionam numa cidade, elas espalham-se a nível regional” - sublinha.  A nível do governo das cidades há mais preocupação com questões ambientais ou com questões como a atracção de novos negócios, a dinamização da economia ou a construção de infraestruturas modernas. Sobretudo as cidades que progridem estão empenhadas na criação de comunidades que consigam captar habitantes, negócios e que sejam bons sítios para viver e trabalhar. “Para saber para onde vai o país não se guiem pela política nacional, envolvam-se a nível local, que é onde a acção verdadeiramente está” - diz Bloomberg. Lembrei-me disto e percebi como são tão grandes as diferenças entre os países: aqui, nas próximas autárquicas, o campeonato é para ver qual será o partido com maior número de Câmaras. A qualidade de vida das pessoas nem faz parte das preocupações, com raras excepções, entre as quais destaco Rui Moreira, no Porto, não por acaso um independente.

 

SEMANADA - António Domingues enviou um SMS a Mário Centeno lamentando o comportamento do Ministério das Finanças sobre o caso da CGD; Francisco Louçã pediu a nacionalização do Novo Banco; numa entrevista o Ministro das Finanças não excluíu a possibilidade de nacionalizar o Novo Banco; o PCP inicia campanha pela saída do Euro em Março; em 2016 as falências atingiram 30 pessoas por dia; na mensagem de Ano Novo o Presidente da República pediu ao primeiro Ministro mais estratégia e menos táctica; esta intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa foi a terceira mensagem presidencial menos vista desde 2006, com apenas 637,9 mil espectadores; em 2016 morreram 68 pessoas em acidentes envolvendo tractores; em 2016 mais de 500 militares da GNR percorreram 43.300 kms para entregar 285 orgãos utilizados em transplantes nos hospitais portugueses; Portugal é o quarto país com mais elevada taxa de doação de orgãos para transplante; em Portugal no ano passado nasceram mais sete bebés por dia que no ano anterior; doze universidades privadas encerraram nos últimos três anos; os resultados do estudo Bareme Internet indicam que quase dois milhões de portugueses preferem pesquisar online produtos que acabaram por comprar numa loja física; na votação promovida pela Porto Editora para  palavra do ano a vencedora foi “geringonça”.

 

ARCO DA VELHA - Maria Leal foi a figura mais pesquisada no Google em Portugal e o seu teledisco “Dialetos de Ternura” foi um dos mais vistos do ano no YouTube. Tino de Rans foi o segundo político mais pesquisado, logo atrás de Marcelo Rebelo de Sousa.

 

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FOLHEAR - De há uns tempos a esta parte a National Geographic faz umas edições especiais, temáticas, que permitem obter uma série de informação, bem organizada, sobre temas às vezes inesperados. É o caso de uma das mais recentes, que tem por título “Matemáticos, Espiões e Piratas Informáticos” - um cocktail verdadeiramente explosivo. Com o rigor que é marca da National Geographic, ao longo de 144 páginas, desvendam-se histórias e segredos deste mundo fascinante. Destaque para os capítulos “A criptografia desde a Antiguidade até ao século XX”, “Máquinas de codificação” e “Um Futuro Quântico”. Vale a pena destacar o cuidado na edição de imagens - que recupera as tábuas de terracota da Baixa Mesopotâmia, tidas como o primeiro vestígio de expressão escrita e do uso de criptografia, ou ainda uma máquina de cifrar mensagens da altura da segunda grande guerra. E depois há curiosidades: o código de barras, tão vulgarizado, não é mais que um sistema de encriptação composto  de 13 dígitos e 30 barras negras. Esta edição especial da revista conta histórias tão divertidas como o código para senhoras do Kama Sutra ou a cifra de César, usada pelo grande Imperador romano. E, claro, mostra e explica a surpreendente máquina Enigma, criada em 1923 por um alemão e que foi utilizada durante a segunda grande guerra para todas as comunicações militares. Fascinante.

 

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VER - George Eastman fundou a Kodak em 1888. A primeira fotografia havia sido feita em 1826 em França por Niépce e depois Daguerre evoluíu o processo até apresentar o daguerreótipo em 1839. Em 1888, nos Estados Unidos, em Rochester, George Eastman apresentava a Kodak, uma câmara fotográfica que incluía uma película que podia registar até 100 imagens e que, depois, era enviada para os laboratórios da firma para serem reveladas e impressas e devolvida carregada com novo rolo. Foi aí que a fotografia deixou de ser uma coisa quase de alquimista e passou a ser algo ao alcance de qualquer pessoa. Durante um século o nome Kodak foi sinónimo de fotografia, mas acabou por perder significado na era digital. Fabricou película, câmaras fotográficas e máquinas de filmar. As imagens mais icónicas do século XX foram, na maioria, registadas em  película fabricada pela Kodak e ao longo da sua vida George Eastman coleccionou centenas de milhar de fotografias, incluindo o arquivo de nomes como Daguerre, Lewis Hine, Edward Steichen ou Muybridge, entre muitos outros. Além de imagens o Eastman Museum, em Rochester, incorpora milhares de publicações e aparelhos. Há poucos dias a Kodak anunciou que uma enorme parte deste espólio estava disponível on line, prometendo que progressivamente serão adicionados novas peças a este museu digital, que pode ser visitado  em www.eastman.org/collections-online. Para já pode ver fotografias, máquinas e tecnologia e o legado pessoal de George Eastman e brevemente será possível também aceder a filmes da colecção.

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OUVIR - “A Íntima Fracção” foi originalmente um programa de rádio, criado em 1984 por Francisco Amaral na Antena 1. Depois esteve na TSF. com emissões diárias e semanais até 2003. A partir daí a sua vida tem sido essencialmente digital - em 2008 foi pioneiro dos podcast portugueses, através do site do semanário Expresso. Teve várias vidas, muitos prémios e continua a ser um dos podcasts mais procurados - é fácil encontrar por pesquisa no Google. Pensado como um programa de autor, é um marco na história da rádio, graças a uma selecção musical cuidada, coerente e dinâmica. Agora, sempre pelas mãos do seu autor,  Francisco Amaral, está no Spotify uma playlist da Íntima Fracção, com 44 canções e três horas de música de uma escolha absolutamente irrepreensível. Ali estão nomes como Brian Eno, Harold Budd, Holger Czukay, David Sylvian, Laurie Anderson, Cocteau Twins, Ryuichi Sakamoto, Durutti Column, Nick Cave. Mazzy Star, Eels, The Passions, mas também Nancy Sinatra, Charles Trenet, Elvis Presley ou Stacey Kent, entre outros. Além do Spotify, pode encontrar mais listas em http://intima.blogspot.pt/, onde Francisco Amaral vai continuando o seu trabalho de paixão pela música e onde a Íntima Fracção continua a viver 32 anos depois desta aventura ter começado.

 

PROVAR -  Estas linhas só serão úteis a quem gostar de comida indiana. Comecemos pela geografia: A costa do Malabar fica no litoral do sudoeste da Índia e é considerada a região mais húmida do sul do país. Aqui em Portugal, em Lisboa, Costa do Malabar é o nome de um restaurante junto à Alameda Afonso Henriques, do lado da Fonte Luminosa. Aquela zona, nomeadamente as transversais que vão dar à praça onde fica o Mercado de Arroios, as ruas Carlos Mardel e Rosa Damasceno, é hoje em dia uma espécie de sociedade das nações em termos gastronómicos. Ali se encontram exemplos da cozinha do Nepal, da Mongólia, de diversas regiões da China e da Índia e ainda bares de algumas geografias de leste. O Costa do Malabar fica na Rua Rosa Damasceno e é um bom exemplo do novo mundo que se pode descobrir em Lisboa. Numa recente incursão vieram para a mesa biriyani de borrego, biriyani de vegetais, madrasi de galinha e caril de camarão. O biriyani é o prato mais representativo da gastronomia da costa do Malabar, rico em especiarias e frutos secos, sem ser muito picante - e quer o de borrego quer o de vegetais revelaram-se boas surpresas e foram a melhor escolha da mesa. O serviço é simpático, a sala é agradável e bem colorida a evocar as cores da Índia. As doses são grandes, dois biriyani chegam bem para quatro pessoas - juntem-lhes bahjis de cebola (muito bons) e chamuças (de carne ou vegetais) e de certeza que ficam bem servidos. Na mesa ao lado era elogiado um caril de lentilhas e espinafre vermelho. Vinhos portugueses regulares a bom preço, classificação 3,9 em 5 no Zomato. Rua Rosa Damasceno 6A, telefone 210 932 433 ou 914 358 835.

 

DIXIT -  “O sistema de justiça continua lento e, por isso, pouco justo, a começar na garantia da transparência da política “ - Marcelo Rebelo de Sousa.

 

GOSTO - Da nova série “Sim,Chef”, uma bem conseguida adaptação de “The Kitchen” com humor e um notável trabalho de actores, com destaque para Miguel Guilherme. Às quartas na RTP1.

 

NÃO GOSTO - Da nova série “Ministério do Tempo”, fraca direcção de actores, diálogos forçados que acompanham mal uma viagem à História de Portugal. Às segundas na RTP1.

 

BACK TO BASICS - Não removas a mosca da testa do teu amigo com um machado - Provérbio chinês.

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publicado às 13:15

MEDINA: INVESTIR OU DESBARATAR?

por falcao, em 05.01.17

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De tudo o que se passa na cidade o que mais me aborrece é perceber que o dinheiro arrecadado por Lisboa, graças ao turismo, está a ser tão mal empregue e que os principais beneficiados são os visitantes, e não os habitantes, em áreas como ensino, apoio social, recuperação urbana não especulativa, captação de novos residentes, transportes e até saúde. Por isso é que acho que Medina é um engano político - faz cenários e vende ilusões, desbarata receitas em ornamentos em vez de fazer investimentos reprodutivos que melhorem a qualidade de vida dos lisboetas e possam atrair de novo pessoas, sobretudo jovens, para a cidade.

 

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publicado às 21:00

MEDINA IMPULSIONA TRÂNSITO PERIGOSO

por falcao, em 31.12.16

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A Câmara Municipal de Lisboa resolveu alterar significativamente o trânsito da zona de Campolide e Marquês da Fronteira. O cruzamento ao cimo da Av. Miguel Torga deixou de permitir a viragem para a Rua D. Francisco Manuel de Melo, obrigando a seguir em frente e virando depois na Padre António Vieira, um cruzamento sem semáforos e com má visibilidade, mais perigoso. Paradoxalmente, quem vem da Marquês de Fronteira pode à mesma seguir pela D. Francisco Manuel de Melo. A situação mais perigosa, no entanto, ocorre no cruzamento entre a Marquês de Fronteira, a Artilharia Um e a Miguel Torga. Como o trânsito se complicou bastante com as alterações feitas, quem vem desta última artéria, a subir, arrisca-se a ficar no meio do cruzamento, sem indicação de semáforos, arriscando-se a levar com um carro em cima, ainda por cima numa zona de dificil visibilidade. E quem vem da Marquês da Fronteira e quer virar para a Rua de Campolide ficou também com a vida mais dificultada com a faixa à direita quase sempre bloqueada. O Presidente da Câmara, Fernando Medina, o Vereador Manuel Salgado e os serviços que regulamentam o trãnsito em Lisboa são os responsáveis pela calamitosa situação que prejudica gravemente os residentes  locais, sobretudo os moradores na Freguesia de Campolide  - nada de novo numa política autárquica que tem por princípio fazer a vida difícil aos munícipes. Eu não sei quem planeia estas alterações, mas pelo que está à vista, deve ser alguém que está sentado num gabinete e nem conhece o local. Senhor Medina, vá ver o que fez, assuma o trânsito perigoso que criou e o desconforto que deu de prenda de Natal a quem ali vive.

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publicado às 12:00

TODO O TEMPO É FEITO DE MUDANÇA

por falcao, em 30.12.16

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TEMPOS - Em 2017 os primeiros nascidos da Geração Z completarão 21 anos. Vieram ao mundo em 1996, ao mesmo tempo que o Google. Fazem já parte integral do universo digital. Mais do que isso, de um mundo onde a comunicação é constante, disponível em qualquer lugar, como nunca antes deles. No bolso levam computadores mais potentes que os PC’s do ano em que nasceram. Fotografam, escrevem e filmam com eles. Acessoriamente também os usam para telefonar. Comunicam entre si por sistemas de mensagens. Da mesma forma que a geraçaão nascida nos anos 60 ouvia música em transistores fanhosos, e a dos anos 80 andava de walkmans atrás, esta geração ouve e vê em streaming e partilha a vida online. Acompanharam o nascimento do Facebook em 2004, do Twitter em 2006, do iPhone em 2007 (e depois começaram os outros smartphones...), do Instagram em  2007, do whatsapp em 2009. Muitos vêem mais video, filmes e séries nos ecrãs dos telemóveis, tablets e laptops que nos aparelhos de televisão tradicionais. Para uma percentagem importante o canal principal de imagem é o YouTube, que nasceu em 2005. Se olharmos bem para estas datas, estamos perante uma geração que assistiu e cresceu a par com o novo mundo digital e móvel. Em Portugal, actualmente, segundo a Marktest,  35% das páginas dos sites são acedidas através de equipamentos móveis. Entre estes equipamentos, os acessos por smartphone representaram 30% ,  enquanto os tablet foram responsáveis por 5% dos pageviews. Para usar uma expressão da consultora de inovação Fabernovel, a GAFAnomics (o sistema económico desenvolvido pela Google, Apple, Facebook e Amazon) já é coisa corrente e agora está a crescer uma nova economia, onde a inteligência artificial, a realidade aumentada, os carros autodirigidos de motores eléctricos e a segunda geração da conquista espacial estão ao virar da esquina do tempo. É uma geração que, no dia a dia, nas marcas,  valoriza a atracção, a relação que se estabelece, a prontidão na resposta e a capacidade de crescimento. É este o próximo desafio. 2017 está aí e é a porta aberta para o Futuro.

 

SEMANADA - Numa reunião do PS o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, comparou as conversações na concertação social a uma negociação numa feira de gado; dias depois veio pedir desculpa, mas só após diversas entidades terem manifestado o seu desagrado; os protestos vieram de parceiros da concertação social e de negociantes de gado; os combustíveis estão a aumentar há cinco semanas; ao longo deste ano os acidentes de viação provocaram um morto por semana; no ano passado existiam 176 docentes contratados por universidades portuguesas que não recebiam qualquer remuneração; sobre este facto o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, disse estar "tranquilo" e considerou que a situação de docentes a trabalhar nas faculdades sem remuneração "é normal";  nos dez primeiros meses do ano foram comunicadas ao Ministério Público quase 4300 alertas por suspeitas de branqueamentos de capitais; segundo a Polícia Judiciária António Palolo é o pintor português mais falsificado de sempre; o Presidente da República sublinhou que a Justiça nacional “é ainda muito lenta”; em 2017 Lisboa vai ser a capital ibero-americana da Cultura; o Governo autorizou por estes dias a transferência de mais de meio milhão de euros para quatro autarquias governadas pelo PS - Proença-a-Nova, Arruda dos Vinhos, São Pedro do Sul e Penamacor.

 

ARCO DA VELHA - Familiares directos do presidente da Câmara de Gaia, e do vice-presidente, a adjunta da presidência e autarcas de juntas de freguesia, todos com responsabilidades políticas no PS, integram a direcção, remunerada,  de três das principais instituições de solidariedades social do concelho, a quem a autarquia entregou o negócio dos Ateliers de Tempos Livres (ATL) nas escolas, que antes eram geridos pelas associações de pais.

 

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FOLHEAR - Desde 2014 a equipa editorial da Monocle começou a publicar em Dezembro uma edição especial, autónoma, a que chamou “The Forecast”, porque explora tendências. Há duas semanas saíu a terceira edição e o tema de capa deste novo “The Forecast” é o evoluir da comunicação entre as pessoas, com base no princípio de que nada substitui uma boa conversa. Tal como a “Monocle”, a publicação não tem uma conta de Facebook - para sublinhar o seu apego à continuada importância do papel impresso como forma de comunicação. “The Forescast” é quase um livro - tem 210 páginas em bom papel, e incorpora um suplemento adicional de 50 páginas sobre 100 ideias, destinos, design e descobertas que vale a pena fazer em 2017. Na declaração de princípios deste “Monocle 100”, uma frase define tudo: “Na paisagem digital acontece o expectável; no mundo real, cara a cara, pés no chão, coisas inesperadas e interessantes acontecem”. A primeira imagem deste “Monocle 100” é da Praia da Arrifana, em Aljezur. Nada substitui ir ao sítio, falar com as pessoas, olhos nos olhos, à volta de um café ou de uma refeição - esse é o mote de toda esta publicação. “The Forecast” sublinha que uma reportagem não se faz através da internet - faz-se indo aos locais, falando com as pessoas - uma verdade básica que por vezes hoje é esquecida. Temas imperdíveis: como envelhecer bem, a importância do transporte automóvel na vida das cidades,  exemplos de boa televisão na Dinamarca e na Alemanha. Custa 18 euros e vale a pena - é boa companhia para muitas horas.

 

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VER - A Galeria Quadrado Azul, criada por Manuel Ulisses, foi buscar o seu nome à revista fundada por Almada e Amadeo no tempo do futurismo. A Galeria Quadrado Azul nasceu no Porto em 1986 e abriu outras portas em Lisboa, em 2006. Para assinalar os 30 anos de actividade Manuel Ulisses, apresenta nas Quadrado Azul do Porto e Lisboa duas exposições colectivas, comissariadas por Miguel Von Hafe Pérez, ambas com o título genérico QAXXX. A de Lisboa (na imagem) fica até 14 de Janeiro e a do Porto até 25 de Fevereiro. Em ambas estão expostas obras de artistas que marcaram a actividade da Galeria, como Alberto Carneiro, Álvaro Lapa, Ângelo de Sousa, Artur Barrio, Candice Lin, Fernando Lanhas, Francisco Tropa, Hugo Canoilas, José de Guimarães, José Pedro Croft,  Mica Tajima, Paulo Nozolino, Pedro Tropa, Susana Solano e Renato Ferrão, entre outros. Porto: Rua Miguel Bombarda 553; Lisboa: Rua Reinaldo Ferreira 20A, Alvalade. Outras sugestões: reabriu o Museu de Arte Popular com a exposição “da fotografia ao azulejo”, até 1 de Outubro de 2017. A exposição mostra aspectos de Portugal e de tradições regionais, tomando como ponto de partida o azulejo e a imagem fotográfica que muitas vezes o inspira. Finalmente se passarem por Elvas, até 16 de Abril, não percam no Museu Colecção António Cachola Rua da Cadeia) a exposição “Crystal Clear”, de Augusto Alves da Silva, uma das melhores mostras de 2016.

 

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OUVIR - Aos 71 anos Neil Young continua a surpreender. Está a tornar-se comum descobrir como alguns nomes do rock conseguem manter o seu espírito criativo tão aceso durante tanto tempo, e no entanto isto não é surpresa noutras artes - basta ver Clint Eastwood no cinema ou David Hockney nas artes plásticas para ter bons exemplos disso mesmo. A carreira musical de Neil Young começou há 50 anos, com os Buffalo Springfield mas a fama a sério veio com Crosby, Stills, Nash & Young. Ao longo da sua carreira Neil Young sempre gostou de abordar temas políticos e sociais e o seu novo álbum, “Peace Trail” é musicalmente oriundo dos blues e do rock (logo a começar pela sua inconfundível guitarra) e tematicamente relata situações concretas na política americana e na situação mundial, um pouco como um jornal de actualidades cantado. Há duas canções que fogem desse universo - “Can’t Stop Working” explica porque é que aos 71 anos ele continua a gravar discos atrás de discos e como isso é fundamental para se sentir vivo; e a faixa final, “My New Robot”, explora sonoridades electrónicas que fazem lembrar o seu álbum Trans. “Mr Pledge” fala das pessoas já com alguma idade que “caminham com os seus olhos postos  num ecrã” - é uma metáfora dos tempos modernos. “Indian Givers”, “Texas Rangers”,  “Show Me” e “John Oaks” são outras canções a reter neste disco onde Young conta com a participação do baterista Jim Keltner e do baixista Paul Bushnell. Musicalmente "Peace Trail" é dos seus melhores trabalhos dos últimos tempos. Pode ouvir no Spotify, onde Young finalmente autorizou que a sua obra fosse acessível.

 

PROVAR -  Estou fã da Mercearia dos Açores e da Loja Açores, estabelecimentos inteiramente dedicados aos produtos do arquipélago. Na Baixa, Rua da Madalena 115, fica a propriamente dita Mercearia dos Açores e junto a Picoas, na Rua Viriato 14, fica a Loja Açores. O destaque vai para os diversos queijos dos Açores, que são dos melhores de Portugal e também para a belíssima manteiga Rainha do Pico. Bolo lêvedo, doces artesanais (de amoras, maracujá, physalis, ananás ou capucho, entre outros), biscoitos de canela, chá Gorreana nas suas várias qualidades e numerosas conservas das melhores marcas açorianas - nomeadamente as Santa Catarina, da ilha de S. Jorge, com atum temperado com gengibre, funcho, tomilho ou tomate picante são incontornáveis. A loja da Rua da Madalena é maior, mas a das Picoas tem também os principais produtos. E se não estiver em Lisboa pode sempre usar a loja online em www.merceariadosacores.pt. Há também um belíssimo patê de atum com oregãos e flocos de atum temperados, ideais para sanduíches. Entre as bebidas destaque para os vinhos do Pico, nomeadamente os brancos, e para o Gin Goshawk. Na charcutaria prove o chouriço picante ou a morcela de S. Miguel. Uma visita à loja online mostra bem a diversidade de produtos disponíveis.

 

DIXIT -  “O PM faz o discurso de Natal numa creche. O PR comenta, lamentando, a morte de George Michael. O MNE chama gado aos parceiros sociais. Alguém consegue levar os nossos governantes a sério? Mais grave, será que eles se levam a sério?” - João Marques de Almeida, no Facebook

 

GOSTO - As subvenções públicas aos partidos políticos e às campanhas eleitorais vão ser reduzidas em definitivo em 10% e 20%

 

NÃO GOSTO - A dívida pública portuguesa chegou ao fim de 2016 com um significativo aumento face a 2015.

 

BACK TO BASICS - Jamais haverá ano novo se continuarmos a copiar os erros dos anos velhos - Anónimo

 

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VÍCIOS PRIVADOS, PÚBLICAS VIRTUDES

por falcao, em 29.12.16

Vai para aí um grande alvoroço sobre o facto de umas declarações informais, em conversa privada, do Ministro Santos Silva, terem sido utilizadas publicamente na comparação entre a negociação na concertação social e a negociação em feiras de gado. Há quem ache que, por serem privadas, não deviam ser usadas. Vêm dos que pensam que os políticos podem esconder o que de facto pensam e fazerem só declarações bonitas. Este alvoroço espelha o estado do país e da política: uma coisa é o que se diz publicamente, outra coisa é o que se diz entre amigalhaços e que, na maioria dos casos, espelha o verdadeiro e sincero pensamento das pessoas. Por estas e outras é que os políticos se desacreditam e as pessoas descrêem na política e seus agentes. O que aconteceu a Santos Silva podia ter acontecido a muitos dirigentes de outros partidos. À mulher de César não lhe basta parecer ser séria, tem que o ser de facto. O problema, digo eu, não está em usar uma declaração privada neste tempo em que as pessoas se expõem e aceitam ser captadas em quaisquer circusntâncias quando estão na ribalta pública. Fazem aliás por isso. O problema é quando o discurso público de um Ministro é tão diferente do discurso privado. O que se reportou não é uma conversa íntima - é a declaração de que um Ministro e dirigente partidário não tem qualquer respeito pela concertação social, que entende ser uma chicana infelizmente necessária. Como diz hoje o Fernando Sobral no Jornal de Negócios, "o principal sintoma de que um regime político está a desmoronar-se é a corrupção da linguagem". O que o microfone indiscreto captou foi isto - não foi nenhuma intimidade pessoal nem nenhum segredo de alcova.

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publicado às 10:37

SOBRE O ESPECTÁCULO NA POLÍTICA

por falcao, em 23.12.16

 

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TEATRO - Achei muito curioso que, à medida que os dias foram passando, o foco das redes sociais tenha deixado de ser o fim do Teatro da Cornucópia e passado a ser o protesto contra a visita que Marcelo Rebelo de Sousa fez no dia, anunciado publicamente, do encerramento das portas ao público. O mais curioso de tudo é que muitas pessoas que se insurgem geralmente contra a apatia dos poderes e dos políticos perante a cultura, desta vez insurgiram-se contra o facto de o Presidente da República ter mostrado preocupação com uma companhia de teatro referencial no nosso panorama artístico. Não houve idêntica preocupação por parte do apagado ser que foi proclamado Ministro da Cultura, e que se viu obrigado a alterar os seus planos de fim de semana para ir ter com o Presidente e encarar a situação de frente, o que antes nem lhe passava pela cabeça fazer; nem se ouviu tão pouco palavra dessa espantosa criatura, que gere esta área de actuação, o secretário de Estado, que, de Honrado, na acção política, tem apenas o nome. O que me quer parecer é que a visita de Marcelo Rebelo de Sousa incomodou todos os que se ficaram pelas palavras e posts no Facebook, na função habitual de carpideiras. Num assomo de interesse pela Constituição multiplicaram-se os que disseram que o Presidente estava a sair da sua esfera de competências. Esses e mais uns tantos clamaram pelo fim da ingerência de Belém nas acções de S. Bento, coisa curiosa vinda de quem, há tempos, tanto dizia, defendia e pugnava pelo contrário. Por muito que me espante não vejo onde está o problema - Marcelo sempre se interessou por temas culturais e ainda por cima, é público, gosta de Teatro, e não estou a ser irónico. E, em abono da verdade se diga, seja qual fôr o desfecho de tudo isto, que também não me causa engulhos que haja na atribuição de subsídios critérios de mérito - desde que se assumam de forma clara. A realidade é que, usando subterfúgios, em diversas áreas, o mérito e o peso histórico de alguns criadores sempre foi reconhecido, em todos os governos, em todos os regimes, em todas as épocas. O estranho é avaliar da mesma forma quem começa e quem é referência. O cinismo aplicado em regulamentos é a arte dos indigentes. E dos oportunistas.

 

SEMANADA - Os custos da habitação pesam cerca de 32% no orçamento das famílias portuguesas; mais de 1700 famílias foram despejadas em 2016; a lista de espera de habitação social é composta por quase quatro mil famílias; o índice dos preços de habitação aumentou 7,6% no terceiro trimestre deste ano; 37% dos novos contratos de trabalho foram feitos com salário mínimo; este ano os CTT contam receber cerca de 200 mil cartas dirigidas ao Pai Natal; neste Natal cada consumidor português deverá gastar 373.35 euros, mais 25% que em 2015; as compras no comércio de rua tradicional estão a aumentar, em detrimento dos centros comerciais; em Lisboa os Sapadores Bombeiros realizam cerca de 20 mil intervenções por ano; os incêndios deste ano provocaram a destruição de mais de 8% do Parque Nacional da Peneda-Gerês; este ano arderam 160 mil hectares no continente, dos quais 14 mil em áreas protegidas; em 2016 a criminalidade geral desceu 6,5% mas a chantagem sexual por actividades nas redes sociais e na net aumentou; apenas 1,5% dos inquéritos sobre pornografia infantil resultam em acusação; o Bareme Imprensa da Marktest quantifica em sete milhões o número de portugueses que contactam regularmente com jornais ou revistas.

 

ARCO DA VELHA - Cristina Pinto, uma desempregada de Felgueiras, criou um bolo que pretende representar Portugal, e a que chamou Dom Marcelo, em homenagem ao Presidente da República.

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FOLHEAR - A mais recente edição da colecção “Livros Amarelos” inclui “A Noite Que Foi Natal” de Jorge de Sena, a “Carta do Pai Natal” de Mark Twain e “Os Mortos”, de James Joyce. Esta colecção é feita com o objectivo de mostrar, e dar a ler, o diálogo entre ensaios, contos, poemas ou novelas, procurando as relações que existem entre textos célebres. “A Noite Que Fora de Natal” foi escrita por Jorge de Sena em 1962 e a “Carta do Pai Natal” reproduz um texto de Mark Twain escrito em 1895, em resposta a uma carta enviada pela sua filha Susy ao Pai Natal, em seu nome e em nome da irmã mais nova, fazendo uma série de pedidos. É um texto marcante, onde é impossível não vislumbrar a ternura de Twain pela sua filha, as brincadeiras que imaginou para que ela pudesse falar directamente com Santa Claus. Finalmente, “Os Mortos” é o derradeiro conto, short story melhor dizendo, de “Dubliners”, de 1914 - e por acaso é, em dimensão, o maior de todos. É também considerado como o expoente das short stories em língua inglesa e já serviu de inspiração a um filme realizado por John Huston e a um musical da Broadway. E é um texto fascinante.

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VER - Pode ver-se o “Memorial do Convento”? Até aqui podia apenas ler-se, agora já se pode visualizar. O editor José Cruz dos Santos imaginou uma edição especial da obra, ilustrada por João Abel Manta e prefaciada por Carlos Reis, uma ideia que de imediato seduziu José Saramago, poucos anos antes da sua morte. João Abel Manta fez uma série de 20 ilustrações, até agora inéditas, já que a projectada edição nunca se chegou a concretizar. A “Guerra & Paz” conseguiu ressuscitar o projecto e fez agora essa edição, numa tiragem única e limitada de 500 exemplares, que mostra exactamente a edição que havia sido pensada e criada entre 2005 e 2010, mas que nunca havia sido concretizada. A edição é graficamente magnífica, capa dura, as ilustrações, a côr, coladas ao longo das páginas. São desenhos inspirados pela obra, a maioria a viver num imaginário onde o fantástico é omnipresente e que vive da sugestão dos corpos e dos seus actos. O prefácio de Carlos Reis é magnífico, permite contextualizar “Memorial do Convento” no percurso literário do autor, no momento editorial da sua primeira edição (1982), e, claro, no cruzamento da ficção com a História.

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OUVIR - Quando escreveu “The Last Ship”, sobre a decadência de Wallsend, a cidade onde cresceu, entre docas e estaleiros que foram encerrando, Sting disse numa entrevista, em 2013, que tinha deixado de lhe interessar fazer canções para uma banda rock. “The Last Ship” foi escrito para orquestra, pensado para representação teatral, estreado na Broadway em finais de 2014 e foi um falhanço de bilheteira. Surpreendentemente Sting lançou agora um disco novo, só com temas inéditos, todos com um fraseado claramente rock, com guitarras, baixo e bateria, num som inequivocamente Police. Para além da clara inspiração rock, “57th & 9th”, é um trabalho onde se notam as influências do jazz que Sting foi cultivando nos últimos anos, assim como das sonoridades celtas que sempre foram uma obsessão sua. Além do amor e suas desventuras estas canções falam também de questões contemporâneas, como as mudanças climáticas ou a questão dos refugiados. Há momentos em que é inevitável recordar “Born In The 50’s” do primeiro álbum dos Police, um hino rock onde a voz de Sting disputava o protagonismo da gravação com a guitarra - o que aqui volta a acontecer em várias ocasiões, nomeadamente em “I can’t stop thinking about you” ou “Petrol Head”. Uma das faixas iniciais, “50.000”, é claramente uma evocação da emoção de estar em palco e ao mesmo tempo uma homenagem a nomes como Prince e Bowie, desaparecidos este ano. O disco vai buscar o seu nome a uma das zonas de Nova Iorque onde ainda há estúdios de gravação e foi num deles que grande parte do trabalho de “57th & 9th” decorreu. Há uma edição especial, uma caixa, disponível na FNAC e El Corte Ingles, com três faixas extra, notas sobre as canções, escritas pelo próprio Sting, um dvd com uma entrevista ao autor, uma gravação ao vivo e ainda uma colecção de fotografias feitas para este disco.

 

PROVAR - Às vezes leio por aí algumas crónicas e notícias sobre novos restaurantes que me levam a querer conhecê-los. De repente percebo que o local em causa se dedica apenas a servir menus de degustação, onde os comensais são obrigados a encarar o que o cozinheiro (que nestes sítios se chama Chef) lhes dá, sem possibilidade de escolha. O racional por trás desta coisa é simples: se o cozinheiro é tão artista que se intitula Chef, a sua obra carece de liberdade de expressão que não pode ser toldada por um qualquer apetite momentâneo de um freguês insensível. Assim sendo quem vai ao local é para apreciar arte, porque a escolha já foi feita - seleccionando o artista que se vai provar. Pois devo dizer que não é coisa que me agrade. Gosto de olhar para uma lista e escolher o que me apetece, se quero entrada ou não, se quero peixe ou carne, e se quero doce, o que raramente acontece. Felizmente alguns locais mantêm o bom senso e, tendo menus de degustação, têm também alternativas; e outros possibilitam que se escolha apenas parte do menu. Chama-se a isto oferecer ao cliente liberdade de escolha em vez de imposição de gosto. Não tenho paciência nenhuma para cozinheiros que dedicam mais atenção a elaborar nomes complicados para os pratos que apresentam do que a querer servir e satisfazer quem os visita.

 

DIXIT -  “Éramos nós todos que estávamos a cair com aquele homem (o embaixador Russo em Ancara) e, quase ao mesmo tempo, a ser trespassados por um camião em Berlim. Este é o século XXI que teve início, não em Janeiro de 2000, mas em Setembro de 2001” - João Gonçalves, no Facebook.

 

GOSTO - O Diário da República passou a estar disponível online, com todo o seu arquivo, e um motor de busca de funcionamento exemplar.

 

NÃO GOSTO - Os cursos de comandos estão sem regras orientadoras há oito anos.

 

BACK TO BASICS - “As ideias são o que faz erguer as civilizações e o que desencadeia revoluções, Há mais dinamite numa ideia do que em muitas bombas” - Vincent Long Van Nguyen, bispo católico vietnamita

 

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SOBRE A EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE VER TV

por falcao, em 16.12.16

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TELEVISÃO - Quando olhamos para o panorama da televisão em Portugal, que vemos? - o canal mais visto é a TVI, seguido da SIC a alguma distância e pela RTP1, bastante mais abaixo. Mas se olharmos para o visionamento de televisão o quadro é um bocadinho diferente. De segunda a sexta o conjunto dos canais de acesso livre, fica um pouco acima dos 50 por cento do total da audiência e o cabo e outras formas de televisão (you tube, jogos e, claro, netflix e proximamente Amazon) ficam um pouco abaixo. Mas ao fim de semana, quando as pessoas estão mais tempo em casa e o desporto, sobretudo o futebol, assume maior importância, os canais de acesso livre já ficam abaixo dos 50% e as outras formas de televisão, chamemos-lhes assim, são já, no seu conjunto, maioritárias. Se olharmos para o tempo que os espectadores passam à frente do televisor, desde o início do corrente ano, detectamos uma diminuição, mas sobretudo notamos uma perda nos canais de acesso livre e um incremento nos canais de cabo e nas outras formas de consumo. Nada disto é estranho. No Reino Unido um estudo recente mostra que o número de espectadores que utiliza o aparelho de televisão para ver YouTube duplicou desde o princípio do ano - e as pessoas entre 18 e 34 anos nesse país consomem 45 minutos de YouTube diariamente. À medida que o número de aparelhos de televisão com capacidade de conexão digital aumentar ( e estão a aumentar de forma rápida) a emissão digital vai crescer - o que a médio prazo colocará um dilema significativo aos operadores que apostarem na emissão tradicional. Na televisão o futuro está cheio de novos desafios.

 

SEMANADA - Uma investigação do Observatório Europeu da Droga e da Toxidependência sinaliza um aumento do consumo de ecstasy e indica que a cocaína continua a ser a droga mais consumida em Portugal; o mesmo estudo indica que em Lisboa o consumo destas drogas é maior que em Paris; a Ministra da Justiça admitiu que há prisões onde se regista falta de comida para os detidos; as prisões portuguesas devem sete milhões de euros a fornecedores; 41 euros é quanto custa ao Estado cada preso por dia;  Pedro Dias, o foragido que se entregou em directo à RTP, diz-se inocente e pediu a saída da prisão; Sandra Felgueiras, que se dispôs a acompanhar essa rendição, afirmou que “Pedro Dias é uma pessoa que cria conforto”;  segundo a PJ Pedro Dias é também suspeito de ter roubado antiguidades e obras de arte no Alentejo há quatro anos e algumas dessas peças furtadas foram encontradas na casa do suspeito e de familiares; a Autoridade de Mobilidade e dos Transportes recebeu 4576 queixas de utentes no primeiro semestre, uma grande parte tendo por alvo o Metropolitano de Lisboa; a Gatewit,  uma plataforma que geria compras do Estado, foi impedida de operar. ao fim de váruiosmeses de queixas,  por incumprimento “grave e reiterado”, designadamente a cobrança de serviços que por lei são gratuitos; em Portugal há centros de procriação assistida com ovócitos, espermatozóides e embriões guardados há dez anos, sem serem reclamados; “ Não estou nada arrependido de ter estado na política, mas menos arrependido estou de ter saído” - afirmou Fernando Nogueira numa recente entrevista.

 

ARCO DA VELHA - Rui Rio, putativo candidato à liderança do PSD, propôs a criação de um novo imposto para pagar os juros da dívida pública.

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FOLHEAR - Um dos mais fascinantes livros sobre fotografia que me foi dado descobrir nos últimos tempos foi “Seeing Things - A Kid’s Guide To Looking At Photographs”, de Joel Meyerowitz, um fotógrafo norte-americano, de Nova Iorque, que se destacou por ser um dos precursores de uma utilização criativa da fotografia a cores numa época em que o preto e branco era ainda largamente dominante. Com uma carreira longa de ensino da fotografia, ele é também autor de quase duas dezenas de livros. Agora, para a prestigiada editora norte-americana Aperture ele fez este livro dedicado às crianças. “Escolhi as fotografias deste livro com a esperança de que as coisas que vão descobrir a vê-las possam encorajar-vos a abrir os olhos e a mente para que possam olhar para o mundo à vossa volta de uma nova maneira” - escreve Meyerowitz na introdução ao livro. A primeira fotografia apresentada é de Henri Cartier-Bresson, na Gare de Saint-Lazare, em 1932. E a segunda é uma das imagens mais célebres de uma das referências do autor,  Eugène Atget, o tocador de orgão, de 1890. As imagens escolhidas percorrem mais de um século de fotografia e todas merecem um texto que as enquadra e as analisa, mostrando-as para além das evidências. E isto é o que faz deste livro uma obra não só para crianças mas para todos os que verdadeiramente se interessam por compreender a fotografia. “Seeing Things”, disponível na Amazon, edição original da Aperture. de 2016.

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VER - Para ver, hoje recomendo um documentário feito para televisão há uma década. Esta é uma semana particularmente interessante para trazer aqui esta obra, em paralelo com a cerimónia do Nobel onde Patti Smith, em nome de Bob Dylan, fez uma arrepiante interpretação (disponível no YouTube) de “A Hard Rain’s Gonna Fall”, uma canção de 1962. Realizado por Martin Scorsese, estreado em 2005 na PBS americana e na BBC no Reino Unido, “No Direction Home” retrata a evolução de Bob Dylan, entre 1961 e 1966, de cantor folk para voz de protesto de uma geração de jovens norte-americanos e, finalmente, para uma estrela rock de dimensão mundial. No fundo retrata o nascimento da carreira de Dylan até ao acidente de moto que durante muito tempo o afastou dos palcos. O título é um dos versos de uma das suas canções mais conhecidas, “Like A Rolling Stone”, de 1965. Para assinalar o décimo aniversário da edição original foi agora distribuída, também no mercado português, uma nova edição de um duplo DVD que inclui imagens inéditas, versões originais de entrevistas concedidas aquando das filmagens e outro material raro. Dylan gravou mais de dez horas de entrevista no âmbito da produção, que registou também depoimentos do poeta Allen Ginsberg, de Suze  Rotolo (a namorada Dylan da época, numa das suas raras entrevistas), Joan Baez e Pete Seeger, entre outros. O documentário ganhou uma série de prémios quando foi originalmente exibido e lançado em DVD e é ainda hoje uma obra de referência quando falamos de documentários sobre criadores musicais contemporâneos. “No Direction Home”, 2xDVD Capitol, distribuído em Portugal pela Universal, edição especial disponível na FNAC e El Corte Inglés

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OUVIR - Quando o disco começa e se ouvem os versos “Tristeza não tem fim/ Felicidade sim”, percebe-se que há aqui qualquer coisa de diferente. Estes versos fazem parte de “A Felicidade”, um dos grandes êxitos de Tom Jobin, em parceria com Vinicius de Moraes, que aqui surge cantado pela portuguesa Carminho, um dos nomes do Fado da nova geração. Atrever-se a fazer um disco baseado em canções de Jobin é uma aventura, ainda para mais quando conta com duetos com Marisa Monte, Chico Buarque e Maria Bethânia. A direcção musical de "Carminho canta Tom Jobin" e os arranjos foram de Paulo Jobim e o acompanhamento foi da Banda Nova, onde além de Paulo e Daniel Jobin estão Jaques Morelenbaum e Paulo Braga. O que é surpreendente neste disco é que Carminho recusa abrasileirar-se e canta no seu estilo próprio, uma opção inteligente que ao princípio parece estranha mas depois se compreende. A sua interpretação é foneticamente tão diferente, que, por exemplo, no dueto com Chico Buarque em  “Falando de Amor”, o contraste entre os dois intérpretes se torna num desafio atraente. Para mim a interpretação de “Wave - Fundamental é mesmo o amor/É Impossível ser feliz sozinho” com letra e música de Tom Jobin, é talvez o momento mais alto do disco, logo seguido de “Retrato em Branco e Preto”. 

 

PROVAR -  A Tasca do João é um daqueles clássicos lisboetas que nunca engana. Existe há muitos anos, já mudou de localização várias vezes, sempre na Rua do Lumiar. A casa tem origens nortenhas, que se notam na ementa e no apuro da cozinha. Há pratos clássicos, como a posta mirandesa, temperada como manda a tradição, grelhada na brasa, acompanhada de batatas a murro e feijão verde, ou os lombinhos de porco preto na grelha, ou então, mediante encomenda, o coelho bravo à caçador, a feijoada de lebre, o cozido minhoto ou o arroz de cabidela de galo. A atestar a origem minhota destaque, na época adequada, para uma das melhores lampreias de Lisboa. Do couvert fazem parte umas boas azeitonas, fatias de lombo fumado, em pão de milho, e pataniscas de bacalhau. A casa está sempre cheia, a clientela é fiel, o vinho da verde da casa é servido em jarros e malgas e a carta de bebidas tem boas surpresas como o Bafarela, do Douro, que acompanhou bem a posta à mirandesa - atenção que duas doses dão à vontade para três comilões. Nesta altura do ano,entre as sobremesas, destaque para o marmelo cozido. Rua do Lumiar 122, telefone 217 590 311

 

DIXIT -  “Nunca tinha tido oportunidade de colocar a mim mesmo esta questão: será que as minhas canções são literatura?” - Bob Dylan, no discurso enviado à Academia Sueca a propósito da atribuição do Nobel.

 

GOSTO - Artur Anselmo, Presidente da Academia das Ciências, defende que em relação ao acordo ortográfico “o normal é o respeito pelas ortografias nacionais”.

 

NÃO GOSTO - As empresas públicas de transportes têm um passivo que já ultrapassa os 20 mil milhões de euros

 

BACK TO BASICS - A diplomacia é a arte de se ir dizendo “cãozinho lindo” até se encontrar uma pedra para lhe atirar - Will Rogers

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publicado às 14:00

GOVERNO - UM ANIVERSÁRIO REPIMPADO

por falcao, em 09.12.16

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REPIMPAMENTE - Tenho para mim que o estado de graça do Governo se deve a duas coisas: à habilidade de António Costa e à inabilidade da oposição. As duas coisas juntas, polvilhadas pelo tempero de afectos do Presidente da República, deram o que está à vista. Para que não surjam más interpretações devo dizer que a habilidade de António Costa inclui alguma eficácia negocial em Bruxelas, tácticas bem imaginadas e bem utilizadas em algumas situações mais explosivas e, acima de tudo, uma enorme capacidade de só dizer o que lhe interessa, construindo uma realidade própria e negando tudo o que ele entenda não caber dentro dessa realidade. Isto é uma arte - ou, melhor dizendo, estes pontos são parcelas dessa arte a que se chama política. Se existir um Óscar para a melhor ficção política, António Costa ganha-o de certeza absoluta. Nestes últimos dias, e a propósito do primeiro aniversário do seu Governo, o Primeiro Ministro esteve envolvido em duas manobras de comunicação política pura, ambas a tender (usando palavreado da moda) para uma versão pós-verdade das conversas em família. A primeira, era uma ideia engraçada, mas acabou por sair frouxa, e tinha a ver com uma produção ensaiada na Aula Magna da Reitoria de Lisboa em que um grupo de pessoas, seleccionadas pelo Instituto de Ciências Sociais, colocava perguntas ao chefe do governo e aos seus Ministros. A outra foi a entrevista concedida à RTP. Sobre a forma como António Costa se desempenhou das duas tarefas opto por citar um dos próprios entrevistadores, André Macedo, que, referindo-se ao espectáculo da Aula Magna, acabou por fazer o retrato geral da situação e escreveu o seguinte sobre a prestação do Primeiro Ministro: “transformou o debate numa imensa piscina olímpica aquecida, habilmente aproveitada por António Costa para se banhar repimpamente”.  Tudo indica que, com a oposição adormecida, este Governo vai ter longa vida. Mais vale, a bem de nós todos, que isto não corra mal. Mas, temos sempre que ter presente, como dizia Galileu perante a inquisição, falando sobre o movimento da Terra, “e pur si muove!”. Quer dizer, a realidade acaba por se sobrepôr à fantasia. Às vezes com custos pesados.

 

SEMANADA - Num estudo internacional, realizado de três em três anos, que avalia a literacia dos alunos de 15 anos de idade em Ciências, Leitura e Matemática os jovens portugueses ficaram pela primeira vez à frente da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico;  a segurança social fecha três lares ilegais por mês; O Tribunal de Contas acusa o Ministério das Finanças de “falta de controlo” na Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2013 e 2015, salientando que o Estado aprovou documentos de prestação de contas sem ter a informação completa; nos últimos dois anos houve 33360 processos ligados à criminalidade económica e foram feitas 297 acusações por corrupção; 17 empresas portuguesas são fornecedoras da da agência espacial europeia e o Governo fala em criar uma agência espacial portuguesa; segundo a Marktest 3,6 milhões de portugueses já têm o hábito de ler notícias através do tablet ou do smartphone, o que significa que o número destes utilizadores quadriplicou desde 2013; nos últimos três anos foram multados três mil condutores por não obedecerem às novas regras de circulação em rotundas; 2015 foi o ano com menos greves desde 2010 - 95 verificadas no ano passado que comparam com as 199 registadas em no início da década; 2012 foi o ano com mais greves, 233; o congresso do PCP realizado este fim de semana caucionou o apoio comunista ao Governo de António Costa.


ARCO DA VELHA - O serviço de estrangeiros e fronteiras admite desconhecer a quantos imigrantes ilegais concedeu autorização de residência sem cumprirem a principal exigência da lei, terem entrado legalmente no espaço Schengen.

 

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FOLHEAR - “Tabacaria” é um poema escrito por Fernando Pessoa, sob o heterónimo Álvaro de Campos, em Janeiro de 1928, publicado pela primeira vez na revista Presença em Julho de 1933. É considerado como um dos mais importantes poemas de Pessoa e o crítico e escritor italiano António Tabucchi considerava-o mesmo o poema mais importante do século XX. “Tabacaria” pertence à fase intimista do heterónimo Álvaro de Campos, onde os temas são a solidão interior, a incapacidade de amar, a descrença em relação a tudo e o conflito entre a realidade e o próprio poeta. Esta belíssima nova edição, da “Guerra & Paz”, inclui a versão original portuguesa e ainda traduções para inglês, francês, espanhol e italiano. É composta por um livro, de 176 páginas, muitíssimo bem paginado e impresso, onde além de Tabacaria nos cinco idiomas, estão recolhidos um conjunto de textos agrupados sob a designação “A Tabacaria vista de outra janela - das páginas íntimas de Fernando Pessoa”. Estes textos, que vários estudiosos do poeta consideram autobiográficos, são reproduzidos nas versões originais em que foram escritos - em português, inglês e francês. O livro inclui ainda um texto do editor, Manuel S. Fonseca, e 25 fotografias de Pedro Norton em que ele mostra a Baixa de Lisboa, digamos que o território natural do poeta. Numa pasta separada estão agrupadas estas 25 fotografias, em impressões de alta qualidade. O livro e a pasta com as fotografias estão guardados numa caixa de madeira de choupo e de maple, impressas a laser e UV e feita em Proença-A-Nova na empresa Ambiente d’Interni - a caixa só por si é uma obra. O grafismo e o design global foram de Ilídio Vasco. Trata-se de uma edição especial, de coleccionador, com uma tiragem numerada de 1500 exemplares.

 

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VER - Até 26 de Fevereiro, na renovada sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, na Rua da Alfândega, em Lisboa, pode ser vista a exposição “Mater Dei”, que apresenta obras de 25 artistas contemporâneos portugueses, que foram desafiados a criarem peças inspiradas na figura de Maria (na imagem). A exposição inclui trabalhos de escultura, pintura, desenho e outras técnicas de artistas como Manuel Amado, Rui Chafes, Ilda David, João Queiroz, Pedro Calapez e Cristina Ataíde. O pároco de São Nicolau, Mário Rui Pedras,  explica que não foi feito “qualquer tipo de limitação do ponto de vista nem da sua vida de fé, nem da sua orientação como artista”. Destaque ainda, para a exposição de Miguel Telles da Gama na Giefarte, até 13 de Janeiro (Rua da Arrábida 54B). O artista mostra a sua produção mais recente com um conjunto de obras a que deu o nome de “Vanishing Act”. Observador de detalhes, contador de histórias através de imagens,  estas suas obras conjugam o hiper realismo da pintura com as palavras usadas para cada peça, a constituir uma narrativa ao longo da sala onde estão em exposição. Há aqui, até no título escolhido para a exposição, uma evocação quase cinematográfica do olhar, como se o artista fosse realizando planos e contra planos, numa cuidada edição de diálogos e de olhares.

 

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OUVIR - Já lá vão 14 anos de Dead Combo, esse encontro musical  de dois talentos - Tó Trips na guitarra e Pedro Gonçalves no baixo. O novo disco chama-se  "Dead Combo e As Cordas Da Má Fama"  - sendo que essas cordas são Carlos Tony Gomes, no Violoncelo, Bruno Silva, na Viola e Denys Stetsenko, no Violino. O objectivo era recriar com esta formação alargada 12 temas da história dos Dead Combo, como  “Quando A Alma Não É Pequena”, “A Menina Dança”, “Lisboa Mulata”, “Rodada”, “Puto Que Cais Descalço”, “Welcome Simone”  e “Anadamastor”, entre outros. Como se deseja nestas ocasiões as versões estão diferentes e para melhor - mas mantêm-se as melodias originais e o espírito de desafio que os Dead Combo sempre imprimem à sua música, algures entre a tradição portuguesa e as bandas sonoras de westerns. Por falar em filmes é curioso notar como a imagem em movimento acompanha a história dos Dead Combo - desde a banda sonora escolhida por Anthony Bourdain para o seu episódio de “No Reservations” sobre Lisboa até à música que compuseram para “Slightly Smaller Than Indiana” de Daniel Blaufuks, até ao facto de terem sido convidados a actuar na estreia, em Cannes, do filme “Cosmopolis”, de David Cronenberg, produzido por Paulo Branco. Este é o seu primeiro disco desde “A Bunch Of Meninos”, de 2014.


PROVAR -  Apanhar com crianças num restaurante pode ser por vezes um pesadelo e muitos restaurantes não acolhem bem estes pequenos clientes. Outros recebem-nos de braços abertos e até têm espaços para eles brincarem. Que isto acontece em cadeias de fast-food já se sabia. Mas que isto aconteça num restaurante dedicado à cozinha tradicional portuguesa e onde se come verdadeiramente bem, já é mais raro. O 13% Restaurante fica no Porto, na zona da Foz, e além da sala tem uma esplanada coberta e um jardim onde, caso o tempo o permita, as crianças podem estar á vontade. Talvez por isso é procurado ao fim de semana para almoços de família ou de amigos. O serviço é muito simpático, sempre disponível e as mesas são amplas e confortáveis. Na cozinha as coisas correm muito bem e a casa tem várias especialidades: rosbife à inglesa, cabrito assado com arroz de forno, batatas e grelos, filetes de polvo com açorda de coentros, e, claro, dobrada. Boa garrafeira a preços sensatos. Nos doces destaque para o crumble de maçã com gelado e o leite creme. Durante a semana ao almoço há um menu especial. Fecha às terças, marcação recomendável especialmente ao fim de semana. O 13% Restaurante fica na Rua da Cerca 440, telefone 912 332 690.

DIXIT -  “Quando se perde, não se finge que não aconteceu nada” - Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano, após a derrota no referendo.

GOSTO - O sector da cortiça vai fechar 2016 com valor recorde nas exportações, cerca de 950 milhões de euros.

NÃO GOSTO - A Câmara Municipal de Lisboa escondeu no seu site os atrasos verificados nas obras com o expediente de  mudar as datas inicialmente previstas de conclusão dos trabalhos.

BACK TO BASICS - “Dar dinheiro e poder ao governo é a mesma coisa que dar bebidas alcoólicas e as chaves de um carro a um adolescente” - P.J . O’Rourke

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