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TALVEZ - Em pouco mais de 48 horas, algures no Atlântico, o mais alto magistrado da nação passou da salvação ao talvez, com passagem clandestina pela casa de partida da negação. Por muitos anos que viva não conseguirei perceber o que se passou - como é que alguém pensou que podia fazer xeque mate ao PS deixando sem imaginar o Rei Soares a esgueirar-se para dentro do tabuleiro. Na política, como no xadrez, é preciso saber as regras do jogo e, mais ainda, antever as jogadas do adversário. Notoriamente o pecado capital de Cavaco Silva foi não prever o que se poderia passar. Tomou os desejos por realidades, fiou-se nas conversas das sereias que o bajulam e negou as evidências. Quando no último round deste combate de boxe entraram os pesos pesados em acção, o peso pluma de Belém ficou sem reacção. meteu os pés pelas mãos e mostrou como os 20 dias que empatou foram dias perdidos - porque regressou exactamente à casa de partida onde estava. Se há coisa que esta crise de 2013 mostra é a necessidade de rever o papel do Presidente da República - este semi-presidencialismo excitado, que fenece ao primeiro obstáculo, é uma atrapalhação para o Parlamento e para o regime. O regime, já o sabemos, não está são e os partidos estão comatosos. No meio deste desvario, o Presidente da República tem sido mais um carrasco que um salvador. E esse é  um dos recorrentes  problemas a resolver. Adivinha da semana: quem é que gosta de falar do futuro daqui a um ano e vai falhando o futuro próximo, que está ao virar da porta, comprometendo o presente ?


LISBOA - À medida que se aproxima o 29 de Setembro, aceleram as obras. Ruas há muito esburacadas levam um maquilhagem de asfalto. A Rua do Ouro, que parecia um concurso de lombas e declives, está a levar um “facelift”. Costa desempenha o papel daqueles  cirurgiões estéticos que não resolvem o problema, mas conseguem iludir as aparências. O que anda a fazer em Lisboa - da beira rio, ao centro da cidade, é uma espécie de botox alcatroado. Só lhe falta fazer rotundas - mas em compensação fez ciclovias que permanecem desertas na maior parte do dia. Pelo caminho que as coisas levam, António Costa será  um voto perdido para os que ne acreditam - vai conseguir maneira de deixar Lisboa entregue ao soldado desconhecido enquanto ele vai pelear pelo Governo - A Lisboa de Costa, a vida política de Costa,  é isto: ilusão, make up e propaganda. O pior é quando se anda na Avenida da Liberdade...



SEMANADA - Sinal do regime: o BPN continua bem presente na vida política nacional e no poder; na imprensa, entre 2004 e 2011 desapareceram 782 publicações regulares; a dívida portuguesa é, na zona euro, a que mais sobe desde 2010 -  42 milhões de euros por dia ao ritmo actual;  Vitor Gaspar dimitiu-se a 1 de Julho;  a crise abriu-se a 2 de Julho com a demissão de Paulo Portas;  a nova orgânica proposta para o Governo, já após negociações da coligação, foi comunicada dia 5 por Passos Coelho a Cavaco; depois o Presidente da República fez um intervalo para parto de uma ideia e, finalmente, a remodelação só foi concretizada a 23, o mesmo dia em que António José Seguro completou 2 anos à frente do PS - imagino que a remodelação tenha sido uma prenda segura depois da ruptura das negociações de “salvação nacional”; indiferente às redundantes reorganizaç\oes e discussões sobre serviço público, a televisão está a mudar - meia centena de candidatos às autárquicas já criaram canais de televisão próprios no Meo Kanal, algo impensável há quatro anos; nos últimos cinco anos foram investidos seis mil milhões de euros em projectos agrícolas; o negócio da agricultura biológica vale 20 milhões de euros por ano; as exportações de frutas, legumes e flores triplicaram na última década; dos 75 mil candidatos a professores, só 1344 foram colocados; dos 40 mil professores contratados apenas três conseguiram entrar nos quadros de uma escola pública; a greve de guardas prisionais teve forte adesão na cadeia dos VIP - qualquer dia há um reality show por detrás das grades.


ARCO DA VELHA - Suspeitas de fraudes no Serviço Nacional de Saúde já levaram à detenção de 35 pessoas, à constituição de 250 arguidos e à detenção de irregularidades superiores a  135 milhões de euros.


VER - Pode um curador deixar uma marca? Eu digo que sim, e há duas exposições em Lisboa que abonam esta tese, ambas com curadoria de Luis Serpa. No BESart, no Marquês do Pombal, está  'Territórios de Transição #11 - A Experiência do Silêncio', que  reúne um conjunto de obras de fotografia da coleção BESart e d'O Museu Temporário, até 19 de setembro. É uma exposição que mostra a importância do ritmo com que o visitante vê,  quando se faz uma montagem de uma sucessão de obras, na essência muito diferentes, mas que acabam por confluir graças ao trabalho do curador. Mas é em “Aparências Privadas”, uma mostra de auto-retratos de artistas contemporâneos, da colecção Safira& Luis Serpa e da Colecção Arpad Szenes-Vieira da Silva que melhor se compreende a importância do curador e, muito, do pormenor da escolha, da montagem. A exposição estará patente até 10 de Novembro na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, no Jardim das Amoreiras,e é um dos pontos imperdíveis do roteiro estival em Lisboa.



OUVIR- Se tiverem um descapotável a audição deste disco fica facilitada: é pô-lo a tocar e senir os quilómetros a passar, com a brisa a ajudar. Se não for o caso, como acontece à maioria doa mortais, o disco serve para imaginar como podia ser agradável ouvi-lo nas circunstâncias atrás descritas. Seja como fôr este disco de que falo substitui um DJ - porque é feito por DJ’s, que fizeram as suas malfeitorias habituais em cima de temas clássicos do jazz vocal. “Verve Remixed - The First Ladies”, agarra em temas históricos do catálogo da Verve, de nomes como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Nina Simone, Dinah Washington ou Astrud Gilberto e dá-lhes um tratamento remix por cima. Os puristas não vão gostar, o tratamento é mais radical que em anteriores remixes do catálogo Verve. Aqui há pouca ligação com o passado e, mais, um exercício do prazer imediato. Sinal dos tempos que correm. (Verve Remixed, the First Ladies, CD Universal, FNAC)



FOLHEAR - A “Wired” britânica de Agosto dá a capa ao tema “Como ser criativo nos negócios: 13 lições para pensar mais ráºido e melhor”. Atendendo à conjuntura nacional eu acho que uma boa atitude de serviço público era distribuir exemplares desta edição por vários ministérios. Começava em S. Bento, onde a criatividade se revela cada vez mais necessária, e depois fazia um périplo pelas Finanças, a Economia e a Educação. Já nem faslo nos novos Negócios Estrangeiros, porque o bafio é medonho. A ver vamos como tudo se desembrulha. A “Wired” britânica continua provocatória como se deseja, “mainstream” para ser viável e útil para ser atraente. Em resumo - três pilares de serviço público - se a RTP fosse provocatória, mainstream e útil, em simultâneo, não haveria tanta conversa à volta do assunto. A coisa resolvia-se por si. A vantagem do comando de televisão é que assim toda a gente pode mudar de canal. E, eventualmente, ouvir ou ler em vez de ver. A experiência não é pior.


PROVAR - Sento-me com amigos à volta de um queijo, umas lascas de presunto também. Combinamos petiscar. Abre-se uma garrafa de “Aurius”, o tinto de touriga nacional, syrah e petit verdot feito por José Bento dos Santos na sua Quinta do Monte D’Oiro, em Alenquer. O ano da colheita é 2009, mas chegou agora ao mercado. Tem 14º e o seu aroma quente vai bem com os petiscos que debicamos. Beberricamo-lo devagar, a apreciar os sabores das castas que o compõem. Perdemo-nos nos abores e na conversa. Foi uma noite magnífica.


DIXIT - “A união faz a forca. A salvação nacional dá a corda” - Rui Zink

GOSTO - Da nova composição do Governo


NÃO GOSTO - Do tempo que se perdeu a fazer a remodelação

BACK TO BASICS - “A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda” - Voltaire

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publicado às 15:03

GREVE - À hora a que escrevo ainda não sei o que aconteceu de facto. Mas posso, sem grande risco, pensar que a greve de quinta-feira atingiu sobretudo serviços do Estado e empresas públicas. Dantes, as greves gerais não eram assim - paravam fábricas, paravam empresas privadas, paravam países. Agora conseguem parar os transportes e, por via disso, inviabilizam que algumas pessoas vão trabalhar, apesar de não quererem fazer greve. A verdade é que, historicamente, o desenvolvimento do transporte privado tramou os sindicatos e restringiu o universo grevista. Li esta semana que só 10% dos trabalhadores do sector privado são sindicalizados - e os sindicatos bem podem dizer que a culpa é das empresas que atemorizam oa assalariados, mas ninguém em seu perfeito juízo acredita nisso como regra geral. Mais provavelmente, muitos colaboradores de empresas privadas estão apostados em conseguir, nesta difícil conjuntura, que as empresas onde trabalham consigam produzir, vender, facturar e, consequentemente, pagar. Hoje ainda continua a haver quem queira apenas um emprego; mas há muita gente que prefere trabalhar, percebendo que só a sua produtividade ajuda a que a situação geral melhore. É triste que seja na administração pública, mais improdutiva que a actividade privada em termos objectivos, que a greve alcance indícies palpáveis. É o melhor sinal da urgente necessidade de uma reforma e redimensionamento do Estado, muito para além do que os partidos, tementes das suas clientelas eleitorais, estão dispostos a arriscar. Em Portugal continua a falar-se muito de direitos e pouco de responsabilidades. Ao ler declarações, destes dias, do líder da CGTP, Arménio Carlos, dei comigo a pensar que quando um dirigente sindical aparece a pedir eleições, não está a fazer reivindicações, está a fazer política, necessariamente partidária. É nestes dias que vale a pena recordar as palavras de Oscar Wilde, ao sublinhar que “dever é o que esperamos dos outros, não o que nós mesmos fazemos”. Para terminar a conversa: uma semana depois do aviso, continuo à espera de ver como vai ser a prometida comunicação diária do Governo nestes tempos agitados. Terá feito greve?

 

SEMANADA - O Benfica tem 104 jogadores a contrato, o FC Porto tem 69 e o Sporting tem 62 - 235 jogadores apenas nestes três clubes;  o número de milionários em Portugal, usando o critério de património financeiro superior a um milhão de dólares, cresceu 3,4% no ano passado e é agora de 10.750 pessoas; 45 % das casaas do Algarve são residências secundárias; segundo o Banco de Portugal as empresas privadas e as famílias estão a conseguir reduzir a dívida, mas o estado continua a aumentá-la; a dívida pública, que no final de 2013 devia ser de 123%, já atingiu os 127%; o Secretário de Estado da Economia, Franquelim Alves, considerou que a “descida do IRC é um sinal crítico para a política económica” na captação de investimento; o Ministro das Finanças Vitor Gaspar disse na Assembleia da República que ainda não vê margem para poder baixar impostos”; a Secretária de Estado do Tesouro disse no Parlamento que o cancelamento de 69 contratos swaps não custou dinheiro aos contribuintes, embora provocasse uma perca de mil milhoes de euros, suportada pelo Estado; o negócio da construção prevê uma quebra de 15% neste ano.

 

ARCO DA VELHA - A colecta do IRS aumentou 30,6%, a do IRC apenas 8,2% e a de todos os outros impostos caíu 92% - e mesmo assim Vitor Gaspar diz-se satisfeito com a execução orçamental, feita à custa da cobranças mais simples.

VER - Lisboa vive um momento alto em matéria de exposições de fotografia. No Museu da Electricidade inaugurou “Pátria Querida”,  uma boa amostra do trabalho do espanhol Alberto Garcia-Alix, que se celebrizou a mostrar a movida madrilena. Se o que faz a fotografia é o modo de ver, a maneira de transmitir o que se observa, aqui o objectivo está bem conseguido. Na Gulbenkian, inseridas na programação “Próximo Futuro”, estão duas exposições imperdíveis - uma mostra dos Encontros de Fotografia de Mamako, que traça um retrato da África pós colonial, e “Present Tense”, uma mostra comissariada por António Pinto Ribeiro (o amentor do ciclo “Próximo Futuro”) e que desbrava caminhos contemporâneos da observação do espaço e das pessoas no continente africano. Finalmente, em “A Pequena Galeria” (24 de Julho nº 4C) está “De Maputo”, que agrupa fotografias de José Cabral e Luis Basto, com breves mas importantes evocações de Rogério Pereira e Moira Forjaz.

 

OUVIR- Lembram-se de Lloyd Cole? Com os Commotions conquistou fama graças a belas canções, intimistas q.b. Numa carreira a solo incerta, manteve a descrição e o seu novo disco, ironicamente intitulado “Standards”, não é um repositório de versões de lugares comuns, mas sim a tentativa de deixar para a memória do seu público algumas canções. A viver nos Estados Unidos desde há anos, o disco é marcado pelos sons do pop e rock americanos, mais do que pelo suave pop britânico que deu fama a lloyd Cole. Nõo é certamente por acaso que a única versão de canção alheia nestes “Standards” é “”California Earthquake”, de Cass Elliott, dos The Mamas & The Papas, um velho tema de 1968. Dos temas novos, que mostram como aos 52 anos ainda se consegue comabter o destino, destaco “Blue Like Mars”, “Women’s Studies”, “Opposites Day” e “No Truck”. A vasta legião de fãs de Cole em Portugal não ficará desiludida com este disco.

 

FOLHEAR - Qualidade de Vida em 2013, onde se pode encontrar?

Pois é, Costa, em ano de eleições Lisboa saíu da lista das 25 melhores cidades para viver elaborada pela “Monocle”. Eu, lisboeta, tenho pena. Aguentámos lá uns anos, mas não sobrevivemos ao mandato do Costa e do Sá Fernandes. Tenho muitoa pena de ver a minha cidade transforamada num fim de semana em cartaz publicitário de um hipermercado, como vai acontecer este sábado. Estas coisas pagam-se. Para o Continente é barato, para Lisboa, é caríssimo. A “Monocle” sublinha que uma boa cidade deve viver sete dias por semana, sem interrupções, para os seus habitantes. O que se vai passar sábado na Avenida  é uma interrupção da cidade. Além de uma foleirice, é um abuso. Rewsta-nos a satisfação de o Deli Delux ser referida como a sexta melhor loja de comida e bebida no “The Monocle Food And Entertaining Guide 2013”, com destaques para o vinho deo Porto da Taylor’s e para as conservas da Tricana. O City Survey da edição dupla de Verão, agora distribuída, é sobre o Rio de Janeiro. E, claro que me dói um pouco ver Madrid citada várias vezes e Lisboa assim esquecida. olhem, agradeçam ao Costa.

 

PROVAR - Onde é que uma cerveja moçambicana e a vista do casario de Lisboa, com o Tejo por pano de fundo combinam? A resposta é num belo terraço, perto do Castelo, no alto do antigo mercado do Chão do Loureiro, hoje um parque de estacionamento bem útil para se poder ir à zona da Costa do Castelo? Ali pode beber uma “laurentina” bem fresquinha”, mas também uma “dois MM”. No restaurante, que dispõe da mesma vista, tem uma boa selecção de vinhos - mas aceite a sugestão dos vinhos Casa da Ínsua, do Dão, que têm uma excelente relação qualidade-preço. Provou-se a galinha em caril com amendoim, o chacuti de vaca e o camarão à Laurentina e tudo merece elogios. O serviço, como diz voz amiga, é acima de simpático. O Zambeze está aberto todo o dia, alternando entre café, esplanada e restaurante, fica ao alto da Calçada do Marquês de Tancos e tem o telefone 218 877 056.

 

DIXIT - Procuro político honesto para votar - Cartaz em manifestação no Brasil

 

GOSTO- Os Moonspell e seus convidados são os escolhidos para, amanhã, sábado, encerrarem as Festas de Lisboa junto à Torre de Belém.

 

NÃO GOSTO - Já repararam que Antonio Costa protege o piquenicão e as hortas postiças do Continente, ao mesmo tempo que a Câmara arrasar hortas comunitárias?

BACK TO BASICS - Por mais interessante que a estratégia pareça, devemos sempre olhar para os resultados que proporciona - Sir Winston Churchill


(Publicado no Jornal de Negócios de 28 de Junho)

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publicado às 16:45

PORTUGAL - Duas décadas de desvario vão custar-nos outro tanto tempo para recuperarmos de tudo aquilo em que nos deixámos enredar - seja a Europa, seja a inconsciência local. As PPP’s, de que tanto se fala, são um bom exemplo de fazer vista com dinheiro alheio, de comprar jóias a crédito que irão ter pouco uso. Hoje, já percebemos que é assim: endividámo-nos por soberba. Deixámo-nos, todos, cair na tentação. As PPP’s são o melhor retrato de um país que, mais do que de negócios, gosta de negociatas. Se olharmos bem para a nossa História vemos muitos negociantes, comerciantes espertos, vendedores de especiarias,  de volfrâmio, ou do gás natural que o Ministro do Canadá diz que vai extrair no Algarve. No fundo andamos todos à espera que saia um euromilhões ao país. Poucos são os empresários portugueses que preferem criar, inovar, desenvolver e fabricar, a comprar e a vender. O comércio está-nos na alma e é isso que lá vamos fazendo. O pior é quando vendemos o país ao desbarato ou quando vendemos ilusões uns aos outros. É o que tem acontecido, com a benção de Bruxelas e as negociatas à sombra dos partidos instalados. No Correio da Manhã, Paulo Pinto de Mascarenhas escreveu que PPP’s quer dizer “Portugueses Pagam Políticos”. Tudo indica que tem razão.


SEMANADA - A derrapagem nas PPP do sector rodoviário pode chegar aos nove mil milhões de euros; o Estado já assumiu mil milhões de euros em perdas com “swaps”; há mais de 12 milhões de indivíduos, no mundo inteiro, com um património superior a um milhão de dolares; segundo a Caritas, o risco de pobreza afecta 23,5% da população portuguesa; Silva Peneda, Presidente do Conselho Económico e Social, considerou, numa comissão parlamentar, que o cenário macroeconómico do orçamento rectificativo, já aprovado, é irrealista e sublinhou que o programa de ajustamento tem corrido mal; em 2012 mais de 120.000 portugueses abandonaram o país em busca de trabalho na emigração, mais 20% que no ano anterior; o poder de compra dos portugueses está 25% abaixo da média europeia; a emissão de Bilhetes de Tesouro registada esta semana foi emitida com juros mais altos que em Maio do ano passado; em termos de receitas, a Liga portuguesa de futebol está ao nível da Liga da Ucrânia; António Costa vai deixar de ter Helena Roseta como vereadora e passou-a para a Assembleia Municipal de Lisboa; António Costa designou o deputado do PS Fernando Medina como seu sucessor na Câmara Municipal; António Costa nomeou Mega Ferreira para a direcção da Orquestra Metropolitana de Lisboa; António Costa criou um novo cargo, Provedora do animal, e atribuíu-o à ex-deputada do PS Marta Rebelo;  por este andar qualquer dia António Costa pode anunciar que há um provedor das bicicletas; Cavaco Silva decidiu não desistir do processo contra Miguel Sousa Tavares por causa das analogias entre o Presidente e uma actividade circense.


ARCO DA VELHA - Na mesma semana em que Paulo Portas apresentou a sua moção de estratégia ao Congresso do PP, na qual defende a baixa do IRS ainda na actual legislatura, e em que vários digirientes do PP confessaram “profunda incomodidade” com os resultados do Governo, o Ministro Poiares Maduro considerou que a coligação do Governo “é muito coesa” e Passos Coelho afirmou não ter um calendário para a descida do IRS.

VER - Estava cheio de curiosidade em ver a nova Photographer’s Gallery, em Londres, no Soho, perto de Oxford Circus, que abriu, renovada, este ano. Data originalmente do início dos anos 70 e é,  como se diria aqui, uma iniciativa da sociedade civil, aliás de uma pessoa, Sue Davies - com apoios de diversas entidades, umas públicas, outras, mais numerosas, privadas, desde empresas de consultoria a empresas industriais. É uma daquelas coisas que não existe, por enquanto, em Portugal. Há galerias e espaços disto e daquilo, de umas marcas e de outras, mas não há muitos espaços de iniciativa privada que consigam reunir apoios institucionais diversos - e do próprio público que contribui - para se desenvolverem. Gostei muito da nova galeria, do seu espaço, de iniciativas como a “What Do You See?”, onde se pede para cada visitante que queira expressar o que sentiu a olhar para a única fotografia que está exposta naquela sala. De todas as exposições, e eram várias, a que mais me intertessou foi a de Chris Killip - “What Happened - Great Britain 1970-1990”, em que o autor retrata como era a vida em comunidades que estavam a passar pela desintegração da velha sociedade industrial.  Mas, lá como aqui, a fotografia é território de polémica, entre os que olham para a realidade e os que preferem a fantasia ou a manipulação da técnica. De qualquer forma, a verdade é que os vários lados desta história estão nesta galeria. (Ramillies Street 16-18)


 

FOLHEAR - Em boa companhia, estive uma hora na fila, uma hora a fazer horas para entrar, e um bocadinho mais de duas horas a visitar a exposição. Não me arrependo de um único segundo gasto nesse dia. Já antes, para prevenir o excesso de peso na bagagem de regresso, tinha encomendado, e recebido, o catálogo da exposição. Estou a falar de “David Bowie Is Here”, que até Agosto está no Victoria & Albert, cada vez mais um dos museus incontornáveis do Reino Unido. De maneira que quando voei para Londres, com Bowie na mira, já o tinha bem folheado em casa, e levava na cabeça a frase na dupla página do começo: “I opened doors that would have blocked their way, I braved their cause to guide, for little pay”. O catálogo tem um nome diferente da exposição, um pequeno jogo de palavras: "David Bowie is Inside" - são cerca de 300 páginas, editadas pelos curadores da exposição, e que, tanto quanto possível num livro, fazem justiça à exuberância visual e tecnológica que nos permite percorrer a carreira de Bowie, as suas manias, as suas obsessões, as suas paixões. No fim, um quase concerto, em surround, um momento de transição, antes de voltar à rua. A tecnologia, nesta exposição, é admirável e permite uma experiência única. Mas este livro, que se pode encomendar pela Amazon por 24 libras, permite-nos ter uma ideia de tudo o que se mostra no Victoria & Albert. E a mim vai-me servir de memória de um dia de descoberta.


OUVIR- Na vida de qualquer grupo rock e pop decente o primeiro disco deve ser bom, o segundo um desafio e, o terceiro, a redenção. “Modern Vampires Of The City”, o novo e terceiro álbum dos Vampire Weekend, encaixa-se que nem uma luva nesta descrição. Aqui está uma bela colecção de temas, alguns com arranjos e vocalizações inesperadas, a romper com os discos anteriores. Há boas canções, uns toques de ironia nas letras, poderia quase falar em rebeldia, mas mais não digo - desde que sei que o ex-Ministro da Defesa e da propaganda socrática, Santos Silva, está a investigar, numa Universidade onde pontifica, o movimento punk em Portugal, o qual considera pouco proletário, ando a pensar em desistir de escrever sobre música. Já me chegam as PPP nas estradas, escuso de me aborrecer mais com assuntos destes. Não é? Mudando de conversa, e para não enjoar, não perdem nada em ouvir este disco. Tem mesmo cantigas atrevidas.


PROVAR - Aviso já que hoje falo para carnívoros - vegetarianos e fanáticos de aquários podem abster-se. O assunto aqui é carne, de várias origens e com vários corte e temperos. O Talho é uma aventura de Kiko Martins e, se de um lado serve carne crua para levar para casa e cozinhar, do outro é um agradável e bem decorado restaurante, com uma espaço confortável (uma acústica perfeita), e boas surpresas na confecção de vários géneros de carne. Há um menu de almoço mais económico, há sempre uma proposta de hamburguer do mês - por estes dias é o hamburguer manjerico, com manjericão e parmesão. Num belo jantar o rosbife asiático marcou pontos, assim como a vitela maronesa. E o serviço também merece destaque. (Rua Carlos Testa 18, frente ao El Corte Ingles, é a rua que sai do Largo de S. Sebastião da Pedreira). Telefone 213 154 105.


DIXIT - “Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão”, Bartoon, sobre a greve dos professores


GOSTO- Da inovação de uma rolha de cortiça de enroscar desenvolvida em Portugal pela Amorim.


NÃO GOSTO - Do surto de nomeações camarárias de António Costa.

BACK TO BASICS - Não sou obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos terá dado a razão e o intelecto se esqueceu de nos ensinar a utilizá-los - Galieleo Galilei

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publicado às 16:11

BICICLETAS NOS PASSEIOS

por falcao, em 18.06.13

Até há pouco tempo eu julgava que os passeios eram para peões e as faixas de rodagem para veículos. Lembro-me que, quando estudei o código da estrada, as bicicletas era consideradas veículos e não deviam andar em cima dos passeios. Pois constato que hoje isso é letra morta. Há poucos dias ía sendo atropelado por duas bicicletas que seguiam numa zona estreita de passeio, com andaimes, na Rua Castilho, ao fim da tarde. Não é a primeira vez que em passeios para peões, e fora das ciclovias, me cruzo com ciclistas que circulam com a convicção que os passeios são seus e que os peões se devem desviar.

 

Também não consigo compreender porque é que os ciclistas, em Lisboa, muitas vezes decidem não acatar a sinalização dos semáforos e passam os vermelhos, de preferência contornando-os pelas passadeiras para peões. Outra coisa que me faz espécie é que os ciclistas andem lado a lado na faixa de rodagem, condicionando todo o trânsito. Tudo isto são contravenções ao código da estrada – mas em nome do espírito politicamente correcto que se instalou para quem anda de bicicleta, o código da estrada pelos vistos deixou de ser aplicado. Esta é uma originalidade portuguesa. Lá fora não vejo isto – e vejo muito mais bicicletas a circular nas cidades do que aqui.

 

Os ciclistas andam nas faixas de rodagem ou nas suas zonas demarcadas, param nos sinais vermelhos e não andam por cima de passeios nem em passagens de peões. Não percebo porque é que em Portugal existe isto – e já imagino que os fanáticos das bicicletas se indisponham com o que aqui escrevi – mas na verdade não me agrada nada ir no passeio - e andar na rua a pé é uma coisa de que gosto - e ter que me desviar por causa de um ciclista.

 

O Dr. António Costa achará que isto é forma de tratar os peões lisboetas ou continua a fechar os olhos aos devotos do vereador Fernandes?

 

(publicado na edição do diário Metro de dia 18 de Junho)

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publicado às 10:29

UMA CIDADE AO DEUS DARÁ

por falcao, em 19.06.12

Lisboa está suja, o lixo transborda. Lisboa cheira mal. A cidade é cada vez mais mal governada. Quem se senta nas cadeiras da Câmara Municipal tem uma agenda própria de ambição política que não passa por servir a cidade. O estado em que tudo está mostra isso mesmo.


 


O que se tem passado na concessão dos espaços públicos é outro sinal da má forma como a cidade é gerida. A feira ao ar livre que o Continente montou no Terreiro do Paço, é um bom exemplo do desprezo pelos munícipes. Bem pode o vereador Sá Fernandes argumentar com a possibilidade da experiência de ver o campo no meio da cidade, que não consegue apagar as outras consequências da coisa.


 


A ocupação comercial do Terreiro do Paço por uma campanha de marketing de uma cadeia de hipermercados poderá ser ótima para o marketing da empresa em causa, mas dificultou a vida a quem quer circular à beira rio. Os habitantes da cidade, quem aqui vive e paga impostos, são sucessivamente submetidos a condicionamentos de trânsito que causam incómodos e condicionam os seus fins de semana.


 


O comércio das zonas envolvidas nestas operações, sobretudo o que é afetado pelos condicionamentos de transito, sai prejudicado – agravando os problemas que já existem na conjuntura económica em que vivemos. No conforto dos munícipes e na proteção do comércio e restauração  local e tradicional não pensam os responsáveis camarários.


 


Resta o balanço das capacidade de mobilização do fim de semana: a CGTP juntou menos gente que Tony Carreira. O novo líder da central sindical tem uma grande falta de jeito na escolha dos dias das suas ações – arranja sempre um termo de comparação em que sai mal da fotografia.


 


(Publicado no diário Metro de 19 de Junho)

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publicado às 12:03

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por falcao, em 12.09.09

RESUMO DA SEMANA – A Ministra da Saúde inaugurou um hospital em Seia mas as camas dos doentes da unidade de cuidados continuados foram retiradas no dia seguinte porque eram apenas cenário para a fotos e tv; o preço do petróleo varia sempre mais que o respectivo reflexo no preço dos combustíveis; a política fiscal do Governo continua a privilegiar aumentar impostos a quem trabalha por conta de outrem em vez de combater a grande evasão fiscal; multiplicam-se nos últimos dias incidentes de espancamentos violentos e assassinatos em diversos pontos do país; a investigação do caso Freeport foi suspensa até às eleições; o caso Casa Pia continua sem evoluir.  


 


DEBATES - Alguma coisa está mal nos debates políticos pré-eleitorais na TV. As negociações são tão apertadas, os temas a abordar são tão escrutinados e acordados que se perde muita espontaneidade. Nem vou falar do facto de o cenário ser sempre igual em todos os cenários – por si só isso é uma coisa impositiva, autoritária – um «diktat» visual que formata tudo por igual – os canais perdem identidade e é sublinhado o estatuto de suprema autoridade dos partidos. Este é um mau método, que tem provocado debates tristes e pobres, pouco mais que maratonas de promessas e chicanas de argumentos, mas pouca discussão de ideias. Na verdade o processo que levou a estes debates é um espelho do mau funcionamento do actual sistema político e da distância dos partidos em relação à sociedade. Construíram um altar cercado por espelhos e só gostam de se ver nessa posição. 


 


TVI - O que se passou na TVI mostra duas coisas: o Primeiro-Ministro gastou bastante tempo, durante os últimos meses, a atacar a informação da TVI e sobretudo o Jornal Nacional de sexta e as suas queixas acabaram por dar efeito. Quando a dona da estação, uma empresa espanhola historicamente conotada com o PSOE, interveio exactamente nos pontos que eram a queixa principal de José Sócrates, é legítimo pensar em condicionamento político grave da informação. O resto é paisagem e o facto de o PS se querer armar em vítima de conspirações neste caso pode apenas ser entendido como a repetição das justificações, métodos e argumentos de Hugo Chávez em relação à Comunicação na Venezuela. 


 


CITAÇÃO DA SEMANA - Mário Soares continua a manter, um pouco para além do normal prazo de validade que o bom senso recomenda existir, a sua prática de opinar sobre o país. A citação da semana pertence-lhe: «José Sócartes aprendeu muito com a crise, está mais socialista». 


 


EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO - A um mês de eleições autárquicas o executivo de António Costa agendou uma maratona de votações sobre questões estratégicas para o futuro da cidade, do Parque Mayer a Alcântara. Das 32 propostas apresentadas 19 eram assinadas por Manuel Salgado, e, destas, 15, continham alterações urbanísticas importantes. Chegar a um mês de eleições com tantos projectos para apreciar e votar à pressa é muito mau sinal, numa altura em que o bom senso ético recomendaria que o executivo camarário se remetesse à gestão corrente dos assuntos da autarquia. Mas dois anos sem obra feita acabam por levar a que este episódio tenha uma sensação de desesperada procura do tempo perdido.  


 


ESTACIONAR - A EMEL, a empresa que persegue os lisboetas sem conseguir resolver os estacionamentos em segunda fila, e que se tornou um caso relevante de arrogância e ineficácia na relação com os munícipes, resolveu fazer uma campanha publicitária para assinalar os seus 15 anos de vida. O slogan, certamente criado por um humorista frustrado, é: «há 15 anos que a EMEL trabalha para que ninguém estacione a sua vida». Qualquer habitante de Lisboa, automobilista, sabe que isto não é verdade. E deixo aqui um desafio à EMEL: que consiga atingir um padrão de qualidade que garanta que no prazo máximo de 30 minutos sobre a recepção do pedido de desbloqueamento, o consiga concretizar ou indicar a hora a que poderá ser feito. É que casos de duas e mais horas de espera são vários, com um call-center ineficaz que não dá respostas aos utentes e equipas de rua que são o espelho da empresa: prepotentes e arrogantes.  


 


VISITAR - Já aqui tenho sido crítico de muitas actuações do Ministério da Cultura, mas esta semana destaco uma boa medida – a criação do Portal da Cultura (www.culturaonline.pt). Espero que mantenha a qualidade dos dias de estreia, que mantenha a informação diversificada e actualizada e, já agora, espero que os seus responsáveis saibam que não basta fazer um portal assim – é preciso fazer a sua divulgação, publicitá-lo, garantir que existam links noutros sites, e, sobretudo, utilizar a publicidade digital para chegar aos potenciais utilizadores desta boa fonte de informação. Se assim não fôr ficará pelas notícias de inauguração e perderá a oportunidade de se tornar num sítio de referência da internet em relação à agenda e notícias da área cultural. 


 


AGITAR - O pintor João Vieira, um dos nomes grandes das artes plásticas portuguesas, morreu na semana passada. Chocou-me o pouco destaque dado à notícia da sua morte nos principais jornais. João Vieira integrou , em Paris, no final da década de 50 e início da de 60, o grupo KWY, que além de alguns outros portugueses como Lourdes Castro, René Bertholo, Gonçalo Duarte e José Escada, juntava Jan Voss e Christo, o artista que nas duas últimas décadas se distinguiu por algumas instalações gigantes um pouco por todo o mundo. Mas João Vieira tinha uma outra faceta escondida que felizmente registou em 2008 – apreciador de música gravou o disco «La Vida Es Un Bolero», uma deliciosa e divertida gravação que auto-editou e distribuía pelos amigos. Há uns anos tive ocasião de o conhecer melhor e entrevistar para um documentário, «Pinto Quadros Por Letras», que dirigi e que a RTP 2 re-exibiu no dia da sua morte. Desde aí íamos mantendo algum contacto, às vezes com amigos comuns. Há uns três meses fomos almoçar, ele ofereceu-me um desses discos e, no meio de algum desgosto por não conseguir montar em Lisboa uma retrospectiva da sua obra, deu-me conta de um projecto em que andava a matutar: lançar pelas águas, aqui em Lisboa, as três letras, gigantes, da palavra MAR, que tinha em tempos feito. Como sempre, o João queria continuar a agitar as águas e permanecia deliciosamente irrequieto. 


 


BACK TO BASICS – O primeiro passo no progresso de um homem ou de uma nação é o descontentamento - Oscar Wilde

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publicado às 12:55

DOIS ANOS PERDIDOS

por falcao, em 10.09.09

(Publicado no diário «Metro» de 9 de Setembro)


Quando olho para o que se passa em Lisboa desde que António Costa é Presidente da Câmara sinto uma sensação de tempo perdido, dois anos para ser exacto. Sob a desculpa de arrumar a casa, muito pura e simplesmente deixou-se a cidade ao abandono. Sob o pretexto das dificuldades financeiras deixou-se degradar a limpeza e o arranjo das ruas da cidade – mas verbas importantes foram desviadas para outros projectos, menos prioritários. Passeios sujos, asfalto com buracos, obras sem controlo que se arrastam (como na Fontes Pereira de Melo), desinvestimento nos apoios sociais aos mais idosos – este é o resumo destes últimos dois anos em Lisboa.


Para os que vivem e trabalham em Lisboa a vida está pior, mais desconfortável, mais difícil. As medidas anunciadas – a tolerância zero no estacionamento, por exemplo – ficaram no papel e não se concretizaram. O Terreiro do Paço assemelha-se a um pesadelo, num projecto sem nexo, o trânsito na baixa foi transformado num caos, com placas de indicação de sentido e direcção desactualizadas.


Largas somas foram aplicadas em obras de duvidosa prioridade e utilidade, como as ciclovias - veremos qual a utilização real que elas vão ter, porque para já é bem reduzida.


Mas em contrapartida os espaços públicos – como o jardim do Campo Grande – continuam a degradar-se e os cemitérios estão cada vez mais maltratados – sujos, descuidados.


Nestes dois anos não houve reestruturação dos serviços da Câmara, aproximação aos munícipes, diminuição da burocracia. Pelo contrário, por exemplo, a EMEL piorou a sua actuação e arrogância, e é, claramente, um caso a merecer atenção no futuro.


A qualidade de vida e o conforto de uma cidade é medido, em primeiro lugar, pelos seus habitantes – devem ser eles os destinatários da governação camarária. Mas na realidade é bem difícil encontrar o que foi feito por António Costa e pela sua equipa, mais entretidos em jogos políticos do que em servir os lisboetas. A cidade, na realidade, está mais desarrumada.

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publicado às 00:40

GOSTAM DA ARRUMAÇÃO FEITA EM LISBOA?

por falcao, em 01.09.09

 


(Publicado no diário «Metro» de 1 de Setembro)

 

No início desta colaboração com o «Metro» gostaria de deixar claro algumas circunstâncias: sou candidato à Presidência da Assembleia Municipal de Lisboa na lista proposta por Pedro Santana Lopes; não tenho partido, não sou republicano, acho que o Estado age com excessiva frequência contra os cidadãos e entendo que o fisco comete demasiados abusos para poder ser encarado como uma entidade séria e justa.

Dito isto, e como sempre achei que a música ajuda a entender as pessoas, devo declarar que a minha pessoalíssima banda sonora deste verão foi constituída pelos mais recentes discos de Ben Harper, Sonic Youth, Regina Spektor, Nouvelle Vague e Rokia Traoré. O australiano Peter Carey é o meu escritor favorito do momento e o próximo filme que hei-de ver é «Sacanas Sem Lei!» de Quentin Tarentino. Não gosto de usar gravata, tenho 55 anos, nasci e fui criado em Lisboa, gosto desta terra, gosto desta cidade, comovo-me cada vez que regresso e irrita-me que ela esteja a ser tão maltratada como ultimamente tem sido. Se pudesse, andava sempre de «Vespa». Pronto, está feito o meu retrato.

Estou na lista da coligação «Lisboa Com Sentido» porque acho mesmo que esta cidade precisa de levar uma volta. Prefiro um candidato que queira mudar e melhorar a cidade, a outro que apenas queira ter as coisas arrumadinhas. Sobretudo, quero um Presidente da Câmara que pense mais nos munícipes que nos interesses do Governo, alguém que se preocupe mais com Lisboa do que com o seu partido, que esteja interessado em conseguir repovoar a cidade, torná-la mais confortável e agradável para quem cá vive. Quero alguém que prefira uma política de recuperação a uma política de demolição, quero alguém que melhore o Terreiro do Paço e não que o transforme numa palhaçada, quero alguém que devolva o rio à cidade, em vez de o entregar às empresas de contentores.

Se estão contentes com o estado da cidade, a sua limpeza, o estado dos seus jardins e os buracos por todo o lado, já sabem que devem votar no arrumadinho. Eu espero que prefiram mudar.

 

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publicado às 15:59

REGISTO DE INTERESSE – Sou cabeça da lista para a Assembleias Municipal de Lisboa proposta por Pedro Santana Lopes. Espero que a coligação «Lisboa Com Sentido» vença estas eleições, na Câmara, na Assembleia Municipal e nas Juntas de Freguesia. Dito isto, se o Director quiser, continuarei a falar do que aqui sempre tenho falado – a ERC não tem muito que se lamuriar – quer Baptista-Bastos, quer Leonel Moura são rapazes para me fazerem boa oposição e alto contraditório.  

 


 


CAMPANHA – António Costa é que devia ligar um pouco às recomendações pluralistas básicas da ética republicana – pegou em 1,6 milhões de euros do orçamento camarário e montou uma festa permanente no Parque Mayer, que é uma bela oportunidade de auto-propaganda. Por um daqueles acasos do destino o programa da propaganda festeira vai exactamente até 11 de Outubro, o dia das autárquicas. Mais conveniente era difícil. 

 


 


 


DARTH VADER – A invasão da política portuguesa pela saga da Guerra das Estrelas e pela figura de Darth Vader é o caso do Verão – uma acção bem humorada, com base numa das mais activas e antigas equipa de bloggers – do 31 da Armada - conseguiu fazer com que o vereador Manuel Salgado se metesse numa embrulhada sobre a segurança, ridicularizou o aparelho da Câmara, que se apressou a chamar a polícia para prender os inssurectos  quando estes foram devolver, limpa e arranjada, a bandeira da autarquia, que havia sido substituída no varandim dos Paços do Concelho pela bandeira monárquica azul e branca –  uma outra forma de assinalar o centenário da República, mais divertida, inofensiva e barata que os atropelos cometidos no Terreiro do Paço. Para cúmulo do ridículo a máscara de Darth Vader foi apreendida pelos investigadores como importante prova do processo – a gastar energias e recursos com casos de humor, como hão-de as polícias conseguir combater os casos de crime ? 

 


 


SILLY SEASON I– Este ano PS e PSD resolveram fazer blogues partidários com as próximas legislativas na mira. Os nomes são bem humorados – «Simplex» do lado do PS (www.simplex.blogs.sapo.pt)  ,«Jamais» do lado do PSD (www.jamais.blogs.sapo.pt). Ambos reúnem nomes sonantes de um e outro lado, com José Pacheco Pereira no «Jamais» a comentar a actualidade política como há algum tempo não fazia no seu »Abrupto». De certa forma estas são as versões modernas, mais livres e desabridas, do «Acção Socialista» e do «Povo Livre» - infelizmente bastante previsíveis portanto – um diz mal do outro e por aí adiante. Tudo estava assim quando João Galamba, do «Simplex» insultou em vérnaculo puro e duro João Gonçalves do «Jamais» - o que parace comprovar que do lado do PS o exemplo do argumento chifrudo de Manuel Pinho na Assembleia da República ganhou novos adeptos. Cada um fica com os actos que pratica e ao PS já ninguém tira a fama de perder as estribeiras com facilidade. 

 


 


 


SILLY SEASON II – Sócrates reduziu a actividade política a visitar, anunciar, inaugurar e intrigar. Governar deixou de existir. Até às eleições isto promete… 

 


 


EXEMPLAR  - O New York Times dedicou um extenso artigo na sua edição de terça-feira passada às investigações de uma equipa da Universidade do Minho, liderada por Nuno de Sousa, sobre o stress e as alterações de comportamento que ele induz. O artigo do diário norte-americano reproduzia excertos do artigo de Nuno de Sousa para a revista «Science». Se quiserem ler o New York Times vão aqui: http://bit.ly/3C3Kv5 . 

 


 


PETISCAR – Quando se vai à praia o objectivo, regra geral, é descontrair e descansar. Não há portanto razão para que uma ida a um bar ou restaurante de praia seja uma canseira; não há razão, mas muita vez isso acontece mesmo. Felizmente não é o que se passa em Alfarim no restaurante Onda Azul. O Onda Azul é injustamente subalternizado pelo mais conhecido Bar do Peixe, mas cá para mim até anda melhor, sobretudo no petisco. A salada de polvo é muito melhor no Onda Azul e umas cadelinhas e uns mexilhões que experimentei estavam absolutamente irrepreensíveis. Serviço rápido., simpático, um óptimo pão de uma localidade ali perto, Caixas, bem cozido, estaladiço, miolo denso, bom para ensopar no molho dos mexilhões. Ainda por cima preços comedidos e imperial bem fresca. 

 


 


OUVIR – Banda sonora oficial do verão (ainda válida até finais de Setembro) – a nova colectânea «!Salsa! » da Putumayo, uma editora especializada em World Music dançável, assumidamente pop e divertida. Aqui estão alguns clássicos interpretados por grupos como o do colombiano Diego Galé, do mexicano Poncho Sanchez, do cubano Chico Alvarez ou do americano Eddie Palmieri, entre outros. As capas da Putumayo são sempre fantásticas e coloridas, os alinhamentos são pensados para divertir quem ouve – esta é das minhas editoras preferidas, felizmente a FNAC tem geralmente uma boa selecção das suas edições. 

 


 


LER – De Peter Carey havia lido há pouco um genial relato de uma viagem ao Japão, «O Japão é Um Lugar Estranho». Quando este novo livro apareceu aí fui eu comprá-lo e dou por muito empregue o dinheiro que paguei por  «Roubo – Uma História de Amor». A escrita de Carey, já sabia, é arrebatadora; mas um romance é muito diferente de um relato de viagem, e aqui Carey dá largas à sua imaginação delirante, com um enredo onde as situações inesperadas se sucedem. «Roubo – Uma História de Amor» é um romance divertido, com a acção a decorrer a um ritmo empolgante, com situações francamente inesperadas que se sucedem . É irresistível e prende a atenção do princípio ao fim das suas 300 e poucas páginas. 

 


 


BACK TO BASICS – A verdadeira vida de uma pessoa é, frequentemente, a que ela não comanda (Oscar Wilde). 

 

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publicado às 17:40

VOTO SANTANA LOPES

por falcao, em 17.08.09

(Publicado no «i» de 15 de Agosto)


Começo por dizer que simpatizo com António Costa, mas acho que é daqueles políticos à antiga - bela retórica, práticas fracas, falta de decisão, resultados instáveis.

Por outro lado confesso-me sem partido há muitos anos e esclareço que trabalhei em diversas ocasiões com Pedro Santana Lopes – tivemos bons e maus momentos, mas o balanço é positivo e reconheço-lhe ser apaixonado pelas causas em que se mete, ter rasgo e visão e querer resultados.

Mas passemos a Lisboa e comecemos, sem receios, pela questão dos dinheiros. Quando António Costa chegou à Câmara Municipal de Lisboa, tudo somado, o passivo desta era de 1200 milhões de euros e, agora, é de 1700 milhões de euros. Ele não é mais poupado que os outros, nem melhor gestor. E, apesar deste aumento, fez menos obra. Tem tomado medidas erráticas como aconteceu no Terreiro do Paço e na Ribeira das Naus e não se opõe nem a imposições do Governo, nem a caprichos caros da sua equipa - como mostra o folclore da caríssima e, no fundo, inútil plantação de girassóis em Campolide, só para satisfazer uma mania de Sá Fernandes, o mesmo que deixa os jardins degradarem-se. Por exemplo, não teria sido melhor usar esse dinheiro na manutenção dos cemitérios, vergonhosamente degradados?

Comparemos algumas coisas: o que tem maior impacto na qualidade de vida da cidade? - A recuperação de Monsanto, que Santana Lopes fez, a sua política de recuperação urbana, o túnel do Marquês, ou as duvidosas e caríssimas ciclovias de Costa?

Depois de ter visto a sua equipa inicial desagregar-se, a nova lista de candidatos de Costa é um arranjo de conveniência em que vários protagonistas pensam coisas bem diferentes sobre aspectos decisivos do governo de uma cidade – uma garantia de paralisia certa. António Costa parece um Presidente ausente, que aparenta assumir o cargo com sacrifício e pouco entusiasmo, talvez porque a sua ambição não esteja na cidade e sim no evoluir da situação do PS e no que se passará se Sócrates sair de cena.

Pedro Santana Lopes está focado em Lisboa, vai preocupar-se com as questões que têm a ver com a qualidade de vida na capital: garantir uma cidade mais limpa (Lisboa está sujíssima), maior atenção ao trânsito e estacionamento, mas, também, maior atenção às políticas sociais que quase desapareceram com António Costa (veja-se o aumento dos sem- abrigo), e à optimização da conjugação entre a política cultural local e nacional, de forma articulada com a promoção turística de Lisboa.

Governar Lisboa é ter as pessoas em conta, combater interesses estabelecidos, bater o pé ao poder central, tornar a vida fácil a quem cá vive, conseguir trazer mais moradores para a cidade e não penalizar quem aqui paga impostos. Comparando o exercício dos mandatos, Santana Lopes fará melhor trabalho.

 

 

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publicado às 22:21


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