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O FUTURO DA RTP

por falcao, em 17.03.09

(Publicado no Meia Hora de 17 de Março)


 


Num mundo ideal o serviço público de televisão não seria preciso para nada – mas como estamos longe de viver num mundo ideal, a razão de ser para que exista um serviço público de televisão tem a ver com a garantia de que os espectadores possam ter, gratuitamente, acesso a programações que dificilmente surgem num operador privado – por razões que têm a ver com interesses comerciais normais.

O serviço público ideal não deveria ter publicidade – como acontece na rádio – exactamente porque a existência de uma exploração comercial num canal de televisão pressupõe a valorização e a conquista de audiências para que o espaço publicitário vendido atinja valores de mercado relevantes. Parece óbvio que não é esta a missão de um serviço público.

O serviço público ideal deveria ser imparcial, promover uma informação de qualidade, estimular reportagens, documentários, produção de ficção, gravação de espectáculos. E devia fazer isso integrado numa estratégia de valorização audiovisual da nossa língua e da nossa cultura, apoiando o desenvolvimento e a sustentabilidade da produção independente.

O serviço público não deveria ter canais competitivos com canais comerciais privados, devia ser comedido no desenvolvimento da sua capacidade de produção instalada preferindo fomentar a indústria audiovisual em Portugal, devia ser pioneiro em tecnologias de distribuição gratuita, devia ter uma forte atenção a questões locais e regionais e devia ser um auxiliar da imagem externa do país.

Dito isto, não percebo porque é que existe um canal RTP N, não percebo porque existe a RTP Memória, não percebo porque é que existem dois canais internacionais, ambos fracos. E não percebo porque querem criar mais dois canais, um infantil e outro dedicado ao conhecimento. Uma programação coerente de serviço público organiza-se muito bem em dois canais abertos nacionais, nos dois regionais dos Açores e Madeira e em apenas mais um internacional, garantindo, de melhor forma, toda essa diversidade de conteúdos e evitando um desperdício de recursos inconsequente.

Não pensem que isto é delírio: há numerosos exemplos semelhantes por esse Mundo, de serviços públicos de televisão que seguem este modelo. Com sucesso, qualidade, respeito pelos públicos e um impacto positivo no desenvolvimento da indústria audiovisual local. Relegar informação, arquivos, documentários e programação infantil para canais sectoriais é abdicar de parte importante dos deveres de um serviço público de televisão universal e gratuito. Pode dar jeito à propaganda, mas é mau para todos nós.

 

 

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publicado às 15:12

OLÍMPICOS

por falcao, em 10.08.08

Quando quero ver transmissões dos Jogos Olímpicos, sempre que tenho possibilidade, escolho a Eurosport. Os comentários da RTP são muito piores e tipicamente quem está ao microfone não fez o trabalho de casa. Na Eurosport ao menos sente-se que se prepararam e que não falam apenas para encher o vazio.

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publicado às 17:37

COSTA, CULTURA, RTP e AZULEJOS

por falcao, em 29.02.08

INTERESSSANTE - António Costa está a experimentar o amargo sabor da legislação que fez enquanto Ministro da Administração Interna. Ele bem pode dizer que a lei foi mal interpretada, mas na realidade esta é a prova do que pode acontecer quando se utiliza a capacidade legislativa para fazer guerrilha política – na altura Costa legislou assim, em primeiro lugar, para condicionar alguns dos maiores municípios do país, que estavam na mão da oposição e em crônica situação de endividamento. Acontece que agora se voltou o feitiço contra o feiticeiro. É por isso que, em política e já agora no jornalismo, a memória é fundamental para analisar o que se passa. Baste ir ver o que se disse e quem disse aquando da elaboração por Costa da legislação de que ele próprio se queixa.


 


MAU – A questão não é só a RTP deixar de ter publicidade, é saber como isso se pode fazer. A questão do financiamento global do Grupo RTP merece um debate sério, sem as tiradas demagógicas de Arons de Carvalho nem as imitações apressadas de Sarkozy pelo líder da oposição. Basta observar o crescimento de receitas nos últimos quatro anos, entre aumento constante da indemnização compensatória e da cobrança da taxa do audiovisual, que foi entretanto alargada a consumidores que antes a não pagavam. E, claro, tem que se ter em conta este simples facto: a publicidade numa estação de televisão rende em função das audiências; para se fazerem bons números é inevitável que se perca em qualidade de serviço público. Aqui está uma questão que dava pano para mangas.


  


PÉSSIMO – A nova sede dos serviços secretos, no antigo forte da Ameixoeira, teve um custo de obras que ascendeu a 15 milhões de euros. A obra não resistiu às primeiras chuvas intensas. Tal como o resto do país, a secreta foi inundada e os jornais relatavam a surpresa dos espiões lusitanos quando viram água e lama entrarem de enxurrada pela porta principal do edifício.


 


EXPORTAÇÕES DA SEMANA – O grupo de rock Wray Gunn faz sucesso em França, com presença em revistas, elogios em jornais, discos a vender bem e canções escolhidas para as passagens da Paris Fashion Week; uma obra dos robots pintores criados pelo artista plástico Leonel Moura ilustra a capa da revista do MIT (Massachussets Institute of Technology) sob o tema «Artificial Life»; Paula Rego consolida a sua cotação depois de o quadro «Baying» ter atingido 740 000 euros num leilão promovido pela Sotheby’s em Londres. É com isto que se vai fazendo a imagem de um país – mas já agora convinha que o Governo tivesse isso em conta. Para quando a diminuição do IVA sobre produtos culturais. Irá o novo Ministro da Cultura convencer o jogger Sócrates que não é só aos ginásios que vale a pena dar benefícios fiscais?


 


ESTUDAR – Por falar em Ministro da Cultura, merece estudo atento a análise que Augusto M. Seabra faz na www.artecapital.net, na sua habitual coluna «O Estado da Arte». Excerto: « A pior coisa que pode acontecer ao ministro José António Pinto Ribeiro é ser um gestor de clientelas. O que se poderá desejar de alguém com o seu perfil público, e até do protagonismo político a que por certo não se regateará, é que corte rente com o dirigismo, abra espaço a iniciativas próprias e catalize esforços e parcerias, que saiba também fazer uma cultura da mediação. O que se passou durante os 34 meses da gestão Pires de Limas/Vieira de Carvalho foi também a negação de uma cultura democrática. O fundador do Fórum Justiça e Liberdade tem a obrigação elementar de ter presente esse dado e tirar as devidas consequências na sua acção política como Ministro da Cultura – que crie instrumentos legais e iniciativas em vez das cadeias de comando do servilismo burocrático.»


 


VER - A exposição e o álbum de fotografias «Ponto de Vista», feitos com base nas imagens recolhidas por António Barreto durante as filmagens da série «Portugal- Um Retrato Social». Boas fotografias a preto e branco, enquadramentos rigorosos e- o que é mais importante – um modo de ver que nos ajuda a descobrir. Afinal a fotografia é isso mesmo. Na FNAC do Colombo.


 


OUVIR – Um delicioso disco ao vivo , «The Oscar Peterson Trio Live in Newport». A edição surge integrada nas comemorações do 50º aniversário do Festival de Newport. A gravação foi feita na noite de 7 de Julho de 1957, Norman Granz, o lendário produtor da prestigiada etiqueta Verve, gravou a actuação de Oscar Peterson no piano, Herb Ellis na guitarra, Ray Brown no baixo, Roy Eldridge no trompete, Sonny Stitt no sax alto e Jo Jones na bateria. Aqui estão temas como «Will You Still Be Mine?», «Autumn In New York», «52nd Street Theme» e «Monitor Blues», entre outros. CD Universal.


 


DESCOBRIR – Uma nova forma de olhar para os azulejos, com as obras do japonês Jun Shirasu, na Galeria Ratton, Rua da Academia das Ciências 2C. A exposição chama-se «Regresso do Oriente» e mostra pequenos painéis e também azulejos individuais onde a contenção e um sentido lúdico de observação da natureza e do quotidiano são as marcas dominantes. Até 4 de Abril.



BACK TO BASICS - «As Finanças, em Portugal, foram já muito mais longe do que seria aceitável, ainda que em nome da eficiência da cobrança fiscal» - Pacheco Pereira

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publicado às 16:51

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por falcao, em 04.12.07
O TOM CRUISE DE CHELAS
Deixando-se talvez, momentaneamente, deslumbrar pelo mundo do cinema, o vice-presidente do Conselho de Administração da RTP deu uma patética entrevista ao «Jornal de Negócios», hoje publicada. Tal Tom Cruise no filme, o ainda senhor vice-presidente considera-se o homem responsável pelo êxito de uma «Missão Impossível», mas esquece o extraordinário aumento de receitas de que beneficiou (mais contribuição para o audivisual, maior e mais atempada indemnização compensatória) e claro que só fala de coisas boas. Para além da toada geral narcísica, o mais espantoso é que se possa gabar de ter modificado a cultura da empresa, quando é certo que não só ela não mudou como até se agravou - no fomento do gigantismo da empresa nos novos meios técnicos, na demora de decisões, em critérios pouco claros e de questionável aplicação de apreciações de contratos de produção, no aumento da burocracia, no privilegiar da subserviência face à competência, no desprezo pelo trabalho das pessoas e sobretudo no desprezo pelas pessoas propriamente ditas. Internamente preferiu o conflito ao diálogo, o autoritarismo à particpação. É sintomático que elogie nesta despedida aqueles que dentro da RTP «adoptaram a postura do Conselho de Administração» e não o questionaram nem contrariaram.
Suspeito que alguns dos efeitos da actuação do vice-presidente da RTP e de algumas pessoas e actos que ele hoje elogia ainda hão-de fazer correr alguma tinta, mas isso virá naturalmente com o tempo.

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publicado às 14:58

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por falcao, em 03.12.07
BOM –Mais um excelente artigo de A.M. Seabra no site www.artecapital.net , desta vez sobre o Estado enquanto entidade que encomenda obras de arte. Pegando em exemplos recentes, como a exposição do brasileiro Vik Muniz, A.M. Seabra questiona a forma descricionária das decisões e defende que «se entrou num regime de encomenda do que não deixam de ser “retratos oficiais”, de formatação propriamente de uma “arte oficial”, o que é demasiado sério e grave para não ser devidamente assinalado».


MAU – Ao longo de toda a semana a Ministra da Cultura deu mais uma vez mostra de não saber o que se passa no seu Ministério, arrastou-se na decisão, entrou em contradições, deixou instalar a confusão, criticou mais uma vez Directores sob a sua tutela e, sobretudo, deu enormes demonstrações de uma grande ignorância a propósito do leilão do quadro «Deposição de Cristo no Túmulo», uma obra do século XVIII do pintor veneziano Gianbattista Tiepolo.


O MUNDO AO CONTRÁRIO – António Costa fez-se eleger com promessas de eterna dedicação a Lisboa, garantiu que cumpriria o seu mandato contra ventos e marés. Esta semana, à primeira contrariedade, apareceu a dizer que se demitia, caso a Assembleia Municipal não aprove um empréstimo que pretende contrair. Duas observações, para refrescar a memória: grande parte da dívida para a qual se pretende o empréstimo veio de executivos autárquicos socialistas; e enquanto Ministro da Administração Interna António Costa fez vida negra às autarquias, e em especial penalizou muito precisamente a Câmara de Lisboa, retirando-lhe arbitrariamente receitas que lhe eram devidas, contribuindo assim directamente para o agravamento da situação financeira.


PETISCAR – Os petiscos estão em crise – a ASAE só quer comida embalada. Nem a Ginjinha do Rossio escapou.

DESCOBRIR – Os fãs das gravações da Deustche Grammophon que queiram fazer downloads do magífico catálogo clássico daquela editora ficarão satisfeitos por saberem que já abriu a DG Web Shop , em www.dgwebshop.com . A marca garante que os downloads têm um nível de qualidade áudio superior, poderão ser utilizados em qualquer leitor de MP3.

LER – Não se pode perder a edição de Dezembro da revista «Vanity Fair» com uma entrevista intimista a Julia Roberts, um excelente artigo do Prémio Nobel Joseph E. Steiglitz sobre a bomba relógio deixada na política económica por Bush, e um dossier sobre a explosão dos artistas chineses no mundo da arte contemporânea. Mais dois destaques : uma série de fotos de Annie Leibowitz sobre artistas, curadores, mecenas, designers, grandes nomes da moda - um autêntico «who’s who» das artes nova iorquinas; e uma entrevista a um dos mais surpreendentes artistas plásticos americanos contemporâneos, Richard Prince.


OUVIR – Verdadeiramente surpreendente o disco «Abril», de Cristina Branco, editado este mês. Desde o início do ano a cantora tem revisitado nos seus espectáculos a obra de José Afonso. O disco recupera essa experiência e agrupa 16 temas, do «Menino d’Oiro» a «Chamaram-me Cigano», passando por clássicos como «No Comboio Descendente», «Era Um Redondo Vocábulo» os incontornáveis «Cantigas de Maio» e «Venham Mais Cinco» ou o inovador «Os índios da Meia-praia». Destaque para a capa com fotografias de Augusto Brázio, para a rigorosa produção de Ricardo Dias (que toca piano e teclas no disco) e para o trabalho de grandes músicos como Mário Delgado na guitarra, Bernardo Moreira no baixo e Alexandre Frazão na bateria. Este é simplesmente um dos melhores discos portugueses dos últimos tempos e vale a pena reparar nos arranjos elegantes e inesperados (como «Canto Moço» e «Ronda das Mafarricas»). Este é um disco exemplar, uma evocação do génio de José Afonso. Cristina Branco vai no bom caminho: em vez de ser mais uma imitadora de standards, continua a surpreender, aqui na escolha do repertório, na produção, no ambiente musical criado.



VER – Eu acho que José Maçãs de Carvalho é dos mais interessantes fotógrafos portugueses contemporâneos e a sua evolução tem sido muito curiosa. Parte dessa evolução pode ser seguida com duas mostras dos seus trabalhos dos últimos anos: em fotografia na VPF Cream Art Gallery, sob o título «It’s A Lonely Planet» e, no andar de cima, na Plataforma Revólver, com os vídeos da série «Vídeo Killed The Painting Stars» - particularmente curioso o que mostra a decomposição da fotografia, a partir de uma imagem de Helmut Newton – duplamente provocador. A VPF e a Plataforma Revólver ficam na Rua da Boavista 84, Lisboa e as exposições podem ser vistas de terça a sábado entre as 14 e as 19h30, até 31 de Dezembro.


PERGUNTANDO… Será que a Multimédia, sem PT, vai resolver o mistério da não atribuição na TV Cabo de canais à TVI, no novo ano que está à porta?


BACK TO BASICS – A RTP , financiada pelos cidadãos e pelo Estado, deve fazer serviço público de rádio e de televisão – pode parecer uma evidência, mas vale a pena que o seu novo Conselho de Administração pense bem qual é, de facto, a sua missão.

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publicado às 11:21


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