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SINAIS - Uma síntese séria dos últimos dias resume-se a isto: os problemas do costume (excesso de despesa) foram resolvidos pelo método do costume (aumento de impostos). O resto, é folclore. À falta de ideias políticas, os protagonistas da vida nacional, num amplo espectro, aproveitaram também estes dias para provar que o ridículo não tem fronteiras ideológicas. Começo pelas “selfies” ao pé da estátua de Pessoa no Chiado tiradas por essa conjugação de interesses que incluíu Francisco Assis, António José Seguro, António Costa e Martin Schulz, um grupo que há-de ter feito o poeta dar saltos na tumba. E, claro, não posso deixar de referir a nau catrineta, essa extraordinária imagem da epopeia das descobertas recriada pelo poder contemporâneo. Eu, ao princípio, achei que aquilo devia ser um trabalho de photoshop. Depois garantiram que não. Eu não queria acreditar que os 40 anos do PSD fossem marcados por uma imagem destas - mas foi isso que aconteceu. Não encontro melhores palavras que as de Ferreira Fernandes, no “Diário de Notícias”, para descrever o momento: “Seis homens e outras tantas gravatas, entre empresário, primeiro-ministro, secretário de Estado da Cultura. guarda-costas e desconhecidos, encafuados numa caravela do tamanho de um táxi não dão boa imagem” . Sinceramente não consigo entender esta vontade e esta persistência de todos estes políticos em criarem caricaturas de si próprios. Termino com outra citação, que resume o que é, provavelmente o sentimento de muitos: “Francamente, não faz sentido condenar o programa de ajustamento com o argumento de que "Portugal está pior do que antes", pois isso era inevitável, em consequência do aperto de cinto orçamental e da recessão económica. Nenhum Governo poderia ter evitado isso. O que se pode questionar, sim, é, por um lado, saber se a gestão do programa de ajustamento não poderia ter sido melhor, menos penosa e mais equitativa”. As palavras são de Vital Moreira, que sobre esta matéria tem sido lúcido e partidariamente desapaixonado.

 

SEMANADA - Mais de 400 farmácias estão alvo de penhoras ou insolventes; mais de 1500 farmácias estão com o fornecimento de medicamentos suspensos por pagamentos em atraso; a mortalidade materna em Portugal caíu 44% desde 1990; há 58 agressores de mulheres internados por ordem judicial; em Estremoz um homem matou à pancada a advogada que estava a tratar do divórcio da sua ex mulher; em Lisboa alugam-se quartos a 2200 euros por uma noite na final da Liga dos Campeões; o fisco vai disfarçar inspectores na caça aos arrendamentos ilegais no turismo; o concurso para director-geral do fisco vai ser repetido por falta de “candidatos com mérito” para a função entre as 11 pessoas que concorreram; em Portugal as remunerações recebidas por cada cidadão até 6 de Junho destinam-se integralmente ao fisco, mais oito dias que em 2011 e mais 3 que no ano passado; o Ministro da Defesa classificiou de “maligno” o aumento de impostos; o Presidente da República utilizou o Facebook do cidadão Cavaco Silva para comentar, em tom satisfeito com a solução obtida, o anúncio de saída limpa de Portugal do programa de ajustamento; Pacheco Pereira perguntou, na “Sábado”, “porque razão toda a gente, inclusive vários membros do Governo, o Presidente, os principais responsáveis económicos nacionais e europeus e as agências de rating, defendia a existência de um plano cautelar, mesmo quando os juros já estavam baixo, e tal acabou por não acontecer?”; segundo a Marktest, no mês de Março 3 milhões e 683 mil portugueses acederam a sites de jornais e revistas, com um tempo médio diário de navegação nesses sites, por utilizador, de uma hora e sete minutos; a transmissão do Juventus-Benfica pela SIC foi vista por quase três milhões de pessoas.

 

ARCO DA VELHA - A junta de freguesia de Arruda dos Vinhos deve 114 mil euros à Caixa Geral de Aposentações, por descontos efectuados a funcionários entre 2000 e 2013 que não foram entregues à CGA,  e arrisca-se a ver o seu edifício sede penhorado e vendido em hasta pública.

 

FOLHEAR - A edição de Maio da revista “Wallpaper” é dedicada ao salão do móvel e do design de Milão mas verdadeiramente a parte mais interessante é uma reportagem sobre o que está a acontecer numa zona de Paris, em torno de uma rua, que está a ser inteiramente recuperada e a atrair uma nova geração de lojiistas. A iniciativa chama-se La Jeune Rue e desde restaurantes, pastelarias, cafés, um cinema, lojas de roupa, uma loja de vinhos e outra de queijos, livrarias, papelarias a geladarias, há de tudo um pouco. A ideia partiu de Cédric Naudon, um financeiro francês que depois de trabalhar nos Estados Unidos decidiu voltar a Paria e abrir um restaurante, “Le Sergent Recruteur”, que rapidamente ganhou uma estrela Michelin. A seguir abriu uma trattoria e depois começou a comprar lojas que estavam livres na rue de Vertbois - chegou às três dezenas. Naudon  decidiu apostar que as remodelações urbanas que deixam marcas partem da junção de pequenos projectos, uma ideia defendida pelo arquitecto italiano Andrea Brazi. Antes desta intervenção, o local onde tudo se vai passar era uma zona de comércio de roupa barata. La Jeune Rue vai bucar o seu nome a um poema de Guillaume Apollinaire e até a Wallpaper vai ter ali a sua primera loja. A reconversão  foi sempre feita por arquitectos escolhidos a dedo e em muitos casos este novo comércio vai vender produtos naturais, a partir de uma rede de 450 fornecedores escolhidos pela equipa de Naudon. La Jeune Rue está a estabelecer um novo conceito de comércio, animando toda uma zona e proporcionando aos seus habitantes uma oferta qualificada que antes não tinham. Aqui está um bom exemplo e uma boa razão para ler esta “Wallpaper” com atenção.

 

VER -  Semana preenchida com novas exposições para ver. Começo por “Passagem Para Um Outro Lado”, inesperadas marionetas construídas pela designer de jóias Teresa Milheiro e que vão estar no Sala do Claustro do Museu da Marioneta (Convento das Bernardas, Rua da Esperança 146) até 31 de Agosto. Inserida nas actividades do 30º aniversário da Galeria Luis Serpa Projectos (Rua Tenente Cascais 1B), João Bacelar apresenta “Alice do outro lado da passerelle” até 19 de Junho. Em “A Pequena Galeria” (Av 24 de Julho 4C), José M. Rodrigues apresenta, sob a forma de uma instalação pensada para o local, uma série de imagens fotográficas. Ainda na 24 de Julho, mas no 54 1º esq, a Vera Cortês Art Agency inaugura este sábado  a exposição “Shadow Piece” de Sophie Whettnall, que fica até 27 de Junho. Finalmente a partir da quinta-feira da próxima semana, nova série de exposições na Transboavista, Rua da Boavista 84, com exposições de João Fonte Santa, João Pina e Ana Rosa Hopkins, além de duas colectivas. Depois disto quem pode dizer que nada se passa nesta terra?

 

OUVIR - Vale a pena ouvir o inesperado “Taming The Dragon”, dos Mehliana. E o que é isso? Pois é a junção do pianista de jazz  Brad Mehldau com o baterista de jazz mas também percussionista de hip-hop e drum’n’bass Mark Guiliana. Com Mehldau a trocar o piano acústico pela electrónica dos teclados e Guiliana a trocar a bateria por máquinas de ritmo, em certos momentos, quando o ambiente do Fender Rhodes é dominante, como em “Luxe”, é impossível não pensar nas sonoridades de fusão dos Weather Report: Este disco mistura evocações de melodias pop com improvisações arrebatadoras e com temas densos como “Hungry Ghost” ou “Just Call Me Nige”. Os dois músicos entendem-se bem nesta inesperada reunião que já leva um ano de concertos ao vivo. Há uma década atrás Mehldau tinha-se aventurado pela electrónica com “Largo”, mas aqui o exercício não é uma aventura, é um manifesto de diferença.

 

PROVAR - Com o verão nasce a vontade de um vinho que possa acompanhar bem peixe e carne, que seja leve e fresco, de graduação moderada. Um vinho assim é o Quinta do Monte d’Oiro Lybra Rosé, saboroso, com leves aromas de frutos e com uma cuidada acidez,  feito a partir de uvas da casta Syrah, bonito de cor e com 11,5%. Não o encontrarão em supermercados, mas em garrafeiras escolhidas, a um preço que rondará os 8 euros. É extraordinário para acompanhar petiscos, saladas e até, já agora, algumas das novas conservas da marca José Gourmet e que incluem moelas de pato, caril de lulas, ventresca de atum ou petingas fumadas em azeite, e que se podem encontrar nas lojas de A Vida Portuguesa (Chiado e Intendente), no Delicatu - Avenida de Berna 42 A ( frente à Fundação Gulbenkian) e no Gourmet do El Corte Ingles, por exemplo.

 

DIXIT - “A posição do Bloco (de Esquerda) é fácil de explicar mas não sei se é percebida” - Marisa Matias, candidata bloquista ao Parlamento Europeu

 

GOSTO - Na semana em que Lisboa foi invadida por grandes navios de cruzeiros realiza-se no Campo Pequeno, de 9 a 11 de Maio, a Feira das Viagens.

 

NÃO GOSTO - As previsões apontam para que em 2014 e 2015 o PIB português cresça menos 0,4% do que a média da zona Euro

 

BACK TO BASICS - “A melhor forma de conseguir prever o futuro é sermos nós próprios a criá-lo” - Peter Drucker

 

 

 

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