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ATENAS - A 26 de Junho de 1963, há 52 anos, Kennedy fez um discurso frente ao muro de Berlim, que ficou célebre por estas palavras: Ich bin ein Berliner - eu sou um berlinense. Esse discurso sublinhava a diferença entre as democracias ocidentais e as ditaduras da europa oriental, na órbita de Moscovo. “There are many people in the world who really don’t understand, or say they don’t, what is the great issue between the free world and the communist world. Let them come to Berlin. Freedom has many difficulties, and democracy is not perfect, but we have never had to put a wall up to keep our people in. Two thousand years ago, the proudest boast was ‘Civis Romanus sum,’ Today, in the world of freedom, the proudest boast is ‘Ich bin ein Berliner!’ ”Tenho-me lembrado muito deste discurso nas últimas semanas. Olho para o que se passa na Grécia e vejo como o Governo de Atenas tem vindo a construir um  muro à sua volta, cuja única abertura aponta para Moscovo, deliberadamente voltando a colocar o espectro da guerra fria sobre a Europa. Tsipras está a criar um cenário construído para que um dia destes Putin possa proclamar, do alto da Acrópole, que se sente um Ateniense. A História dá voltas terríveis, mas o que se passa é infernal. As posições do Governo grego inspiram-se num catavento e são um petisco para quem gosta de apostar no que poderá ser o passo seguinte. De opositor feroz, em 2011, a um referendo sobre tema semelhante ao que agora propôs, Tsipras torna-se agora no seu maior defensor, querendo, no fundo, apenas referendar-se a si próprio e aos seus métodos. À hora a que escrevo, quarta à noite, é muito difícil imaginar o que se vai passar até Domingo. Mas não resisto a sublinhar que um exemplo da verdadeira noção de democracia de Tsipras está na forma como tem utilizado a estação pública de televisão, que reabriu exclusivamente para a usar como o seu canal de comunicação e amplificador das suas posições - Chavez não teria feito melhor. A televisão publica grega é agora apenas a extensão audiovisual do governo. Esta coisa da teoria dos jogos no poder dá cabo de qualquer um. Com um desgoverno assim, a última coisa que quero é sentir-me grego.

 

SEMANADA - Augusto Santos Silva ficou aborrecido por a transmissão de jogos da Copa América na TVI24 ter maior audiência que os seus comentários e ficou incomodado com as várias alterações de programação justificadas pelos jogos; os dados de um novo Inquérito Social Europeu indicam que Portugal é o país da Europa que menos se interessa por política, com 40% dos inquiridos a dizerem que não têm interesse nenhum no tema; Pinto Balsemão afirmou preferir Rui Rio como candidato a Belém; Cavaco Silva demonstrou que ainda é capaz de fazer contas de subtrair; segundo um estudo da Marktest 1,4 milhões de portugueses acedem a notícias e informação através das redes sociais; António Costa não quis comentar a entrevista dada por José Sócrates esta semana, na qual insinuava que a sua detenção seria um factor negativo para a estratégia eleitoral dos socialistas; segundo o Correio da Manhã o vice presidente do Grupo Lena admitiu no inquérito judicial ter servido de barriga de aluguer na transferência de 12 milhões para a conta de Carlos Santos Silva, quantia que seria destinada a José Sócrates;  a Comissão Nacional de Protecção de Dados acusou o Governo de querer dar carta branca às secretas para vasculhar a vida das pessoas; a crise em Angola já fez regressar 3 mil portugueses; mais de 100 agentes da PSP são arguidos no caso da troca dos passes de transporte por dinheiro; entre Janeiro e Junho, foram vendidos 100.656 automóveis ligeiros de passageiros, um aumento de 32,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado; a editora de livros aos quadradinhos Marvel anunciou que a mulher-aranha está grávida, tornando-se assim na primeira super-heroína a assumir esse estado.

 

ARCO DA VELHA - Os bombeiros já combateram 3355 fogos em 47 dias, o pior registo desde 2003, e dos dez helicópteros que compunham a frota do Estado para combate a incêndios apenas estão a voar um aparelho pesado e dois ligeiros -  a ministra da Administração Interna foi alertada para a situação há cinco meses.

 

FOLHEAR - Esta é uma excelente altura para ler um livro sobre Winston Churchill, que morreu há 50 anos e foi um factor decisivo na resolução de um dos piores conflitos que varreu a europa no século passado. O autor é Boris Johnson, agora Mayor de Londres, mas antes editor da revista The Spectator, e que chegou a ser considerado como um possível rival de David Cameron nos conservadores britânicos. Mas o que interessa aqui é o estilo bem humorado de Johnson, muito bem apanhado pela tradução nesta biografia de Winston Churchill, que a D. Quixote agora editou em Portugal, “O Fator Churchill”, a maneira como conta histórias e episódios e, também, como os enquadra na História. Se gosta de biografias e se, como eu, acha que Churchill foi decisivo para salvar a nossa civilização este é um bom livro para ler neste Verão. Não é uma biografia clássica, como as que Roy Jenkins ou Martin Gilbert escreveram sobre o estadista, mas é um relato irresistível sobre Winston Churchill. Excessivo em tudo, brilhante na oratória, rápido na decisão, corajoso nas escolhas, Churchill foi o Primeiro-Ministro que levou o Reino Unido e os seus aliados à vitória sobre os alemães. Nestes tempos difíceis que estamos a viver de uma Europa em crise faz ainda mais sentido ler a História desse tempo e descobrir como Churchill a viveu. A tradução é de José Mendonça da Cruz e merece ser elogiada.

 

VER - Não tenho memória de uma exposição recente de fotografia de um autor português me ter marcado de forma tão saliente como “Posto de Trabalho”, de Valter Vinagre, que abriu na Fundação EDP/Museu da Electricidade e estará patente até 20 de Setembro (na imagem). Como Valter Vinagre diz estas suas fotografias “não mostram gente, mas é de gente que falam”. As fotografias, feitas entre 2010 e 2103, reflectem o mundo da prostituição da beira de estrada, mostrando com um enquadramento e iluminação singulares construções de aspecto efémero que abrigam essa actividade ao mesmo tempo evidente e escondida. Há um misto de miséria e de carinho, de desprendimento mas também de  procura de criação de um espaço de intimidade, que mostra uma realidade ainda mais dura do que se poderia imaginar. A exposição é acompanhada por uma boa edição, da XYZ Livros, que a vai fazer perdurar no tempo. Ainda na Fundação EDP podem ser vistas, também até 20 de Setembro, mais duas exposições - a dos finalistas do prémio EDP Novos Artistas, entre os quais destaco Vasco Futscher, e uma revisitação, muito bem concebida e montada,  do que era, há exactamente um século, a vida no ano em que nasceu a Orpheu - 1915.

 

OUVIR - Em cima de um piano de cauda Steinway, na sala da casa de Amália Rodrigues, em S. Bento, havia uma fotografia autografada, com dedicatória à fadista, de Anthony Quinn. Refiro isto não só porque Amália amava ver filmes, mas também porque Quinn se imortalizou em “Zorba, O Grego” - que muitos por estes dias de tempestade têm recordado. Amália gostava de Quinn - e reza a lenda que ele gostava dela. Lembrei-me de tudo isto por causa de uma edição especial de “Fado Português, um dos seus discos históricos, editado em 1965, agora lançada para assinalar o cinquentenário da edição original. Esta nova edição foi coordenada por Frederico Santiago, que tem trabalhado, bem, nos últimos anos, no catálogo de gravações de Amália Rodrigues para a Valentim de Carvalho. “Fado Português” foi um álbum fundamental na afirmação do génio  musical de Alain Oulman e, através dele, da divulgação e popularização de poetas maiores da línguia portuguesa, de Camões a Régio, passando por Alexandre O’Neil, Pedro Homem de Mello e David Mourão Ferreira, que foi um dos autores que mais influenciou a obra da fadista.Esta nova edição inclui dois CD’s - o primeiro junta ao alinhamento original do LP de Junho de 65 o material entretanto publicado posteriormente dessas sessões de gravação; e o segundo reúne gravações que até agora tinham permanecido inéditas dessas sessões, feitas por Hugo Ribeiro, o técnico que mais acompanhou Amália em estúdio. Finalmente regista-se que a opção de edição respeitou o som mono primitivo, até aqui nunca disponível em CD. Esta é uma edição que ajuda a compreender melhor o processo criativo de Amália, de Oulmann e daqueles que mais de perto com ela trabalharam e onde é justo referir Rui Valentim de Carvalho.

 

PROVAR - Se por estes dias de brasa europeia quiser ir ter um ar de Grécia pode experimentar um dos dois restaurantes gregos que são mais conhecidos em Lisboa. Um deles é o Santorino Coffe, na Rua Manuel da Maia 19A (para o lado da Rovisco Pais), e que tem fama de ter a melhor Moussaka de Lisboa e bons patés gregos. Tem também vinhos, cerveja e digestivos gregos. Vai estar fechado no Domingo do referendo mas experimente ligar para marcar noutro dia que os lugares são escassos - os entendidos dizem que é o melhor e mais simpático sítio para se provar boa comida grega em Lisboa - o telefone é o 218 472 748.  Outra opção fica na Rua das Trinas 22, é o Ilhas Gregas, que se destaca pelo prato creta, que para além de Bifteki, tem costeleta de borrego, souvlaki e gyros. Este restaurante gaba-se de ter uma sobremesa sempre elogiada, iogurte grego batido com doce de azeitona e de ter produtos gregos em todos os items da lista. Tem também um menu de degustação grego mas as opiniões dos utilizadores no Zomato são muito irregulares. Domingo que vem, dia do referendo, conta estar aberto.  O telefone é o 210 993 288.

 

DIXIT - “Se o segredo de justiça é para violar, então acabe-se com ele “ - Elina Fraga, bastonária da Ordem dos Advogados

 

GOSTO - Do Festival do Silêncio, que decorre até 5 de Junho na zona do Cais do Sodré e Largo de S. Paulo.

 

NÃO GOSTO - Da ideia de Rui Rio ser candidato à Presidência da República

 

BACK TO BASICS - “Um fanático é alguém que não muda de ideias nem consegue mudar de assunto” - Winston Churchill

 

 

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