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REGIME - Desde a passada terça-feira é oficial: mudou o modo de funcionamento do regime. A partir de agora pode formar Governo não necessariamente quem ganhe as eleições, mas quem conseguir maiorias parlamentares, mesmo que de geometria variável. Lembram-se de “Borgen”, a série de TV que tantos aplaudiram? Pois António Costa parece que a viu com particular atenção. Efectivamente é ao Parlamento que cabe aprovar ou rejeitar o Governo e o seu programa - e foi nisso que Costa apostou. Na realidade ele conseguiu formar uma coligação pós eleitoral que tem uma maioria sobre a coligação pré-eleitoral. Goste-se ou não se goste, é assim - e esta é uma experiência que em quatro décadas de democracia ainda não se tinha vivido. Se a coligação PCP-BE-PS consegue aguentar-se é outra conversa: depende em primeiro lugar dos sindicatos da CGTP e de como eles conseguirem manobrar o PCP. E, nos dias que correm, estou convencido que é mais o PCP a fazer o papel de  correia de transmissão dos sindicatos que o contrário; e a queda do Governo depende também de algum destes partidos agora coligados querer ter o ónus de deixar cair o executivo. Além disso, daqui a uns meses,  depende também, e bastante, do novo Presidente da República. Acredito que, ao contrário do que se tem dito, se for Marcelo Rebelo de Sousa aposto que ele poderá construir pontes que ninguém imaginou possíveis. Mas há outro argumento a favor de Marcelo - esta alteração de funcionamento do regime vai mostrar a necessidade de rever o sistema político e partidário. Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato mais preparado e aquele que está disposto a procurar que os partidos se entendam numa nova lei eleitoral e eventualmente numa revisão constitucional que incida no funcionamento do sistema - por natureza Marcelo gostaria de conseguir coligar o que não parece coligável e construir alguma coisa de novo. Albert Rivera, o líder do interessante partido espanhol Ciudadanos, formulou esta semana uma pertinente questão: “é possível mudar um país sem o governar?”. Ele aposta que sim, e aponta que “a velha política é o principal adversário”. Parece-me que tem razão.

 

SEMANADA - José Sócrates anunciou, num almoço que reuniu 400 apoiantes em Lisboa, que está de volta à política; UGT reconheceu ter perdido 80 mil filiados em quatro anos e a CGTP não divulgou números sobre este tema; existem 23 candidatos anunciados à Presidência da República, que já só têm menos de 30 dias para formalizar a candidatura junto do Tribunal Constitucional; um em cada três inquilinos gasta mais de 40% do rendimento com a casa; 89% das empresas do país empregam menos de 10 pessoas e têm um volume de negócios inferior a 2 milhões de euros; o crédito em risco no BPI, BCP e CGD ascende a 25 mil milhões de euros; as empresas exportadoras significam 6% do tecido empresarial português e concentram mais de um terço do total de todo o volume de negócios; os nove casinos portugueses faturaram 214,7 milhões de euros nos nove primeiros meses do ano, um aumento de 7,2% face ao ano passado; já existem onze candidaturas para operar o jogo online em Portugal; as iluminações de Natal em todo o país custam cercam de um milhão de euros; Cavaco Silva ouviu 31 entidades e no fim fez seis perguntas a António Costa, que lhe respondeu, por carta, no mesmo dia; decorreram mais de 50 dias desde as eleições legislativas; o Presidente da República marcou a posse do novo Governo para a mesma hora de uma sessão plenária do Parlamento.

 

ARCO DA VELHA - A protecção a José Sócrates anda a ser feita por uma empresa que não tem alvará para essa actividade e cujos seguranças não têm a certificação obrigatória emitida pela polícia.

 

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FOLHEAR - Chegou a  edição especial da Monocle de Dezembro/Janeiro, com 300 páginas e dois suplementos - um guia de Viena e o jornal “Monocle Alpine”. Entre as várias entrevistas destaco a do secretário geral da NATO, Jens Stoltenberg, e a da Alcaide de Madrid, uma juíza reformada de 71 anos que saíu da sua zona de conforto para combater a corrupção. De um ponto de vista mais egoísta destaco a entrevista com o editor da New York Review Of Books, Robert B Silvers, que explica como a crítica é uma forma de criatividade. Na lista anual dos países analisados pela forma como o poder funciona Portugal subiu para a10ºa posição, com a recomendação de que o crescimento interno é a próxima meta a alcançar, depois dos resultados das medidas de austeridade. A melhor reportagem da edição é sobre a Baviera - com fotografias que mostram outra vida. Mas a grande peça da revista é a converrsa com o artista norte-americano Ed Ruscha - só isso valia a revista inteira. Finalmente esta Monocle tem ainda o Top 50 das viagens, desde comboios a aeroportos, passando por linhas aéreas, carros, hotéis, roupas e até bicicletas. Portugal consegue uma entrada na posição 45 - a escapadela mais bucólica,  com o Hotel São Lourenço do Barrocal, em Monsaraz, um projecto de recuperação arquitetónica assinado por Souto Moura.

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VER - O destaque esta semana é para a Gulbenkian, que apresenta um conjunto invulgarmente aliciante de exposições - seis para ser mais exacto. Comecemos pelo edifício principal.  Calouste S. Gulbenkian e o Gosto Inglês permite ter uma perspetiva sobre o coleccionismo de Calouste Sarkis Gulbenkian, através de obras que se encontram habitualmente nas reservas do Museu e que evidenciam a sua ligação ao Reino Unido onde estudou e viveu largos anos. Outra exposição é Wentworth-Fitzwilliam. Uma Coleção Inglesa, que agrupa 56 obras de diverso artistas de várias épocas, pertencentes  a uma importante coleção particular, iniciada em 1630 por Thomas Wentworth, 1º Conde de Strafford, e onde se incluem obras de Anton van Dyck, Sir Thomas Lawrence, Canaletto, Claude Lorrain, Claude Joseph Vernet, Hans Memling e George Stubbs, entre outros.  Passando para o Centro de Arte Moderna, destaque para  O Círculo Delaunay (na imagem). Sonia e Robert Delaunay viveram em Portugal desde Agosto de 1915 até Dezembro de 1916, aprofundando as relações, que já mantinham em Paris, com alguns portugueses, nomeadamente Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, José Pacheko e Almada Negreiros e evoca o ambiente criativo que se vivia à época. Hein Semke. Um alemão em Lisboa, apresenta aspetos menos  conhecidos da produção artística de Hein Semke, um alemão nascido em Hamburgo, que em 1932 radica-se em Linda a Pastora e, depois, em Lisboa, e que se torna-se presença regular em exposições coletivas de vulto da capital portuguesa. Willie Doherty. Uma e outra vez, também no CAM, é uma das grandes exposições deste Outono em Lisboa. Willie Doherty é um dos artistas contemporâneos mais proeminentes,  já foi seleccionado duas vezes para o Turner Prize e representou a Irlanda duas vezes na Bienal de Veneza. Trabalhando sobretudo com vídeo e fotografia, explora as relações entre o indivíduo e sociedade e entre natureza e espaço urbano. Finalmente, As Casas na Coleção do CAM mostra como as  casas continuam a distinguir-se por constituirem lugares de intimidade e abrigo. A exposição percorre o século XX, com trabalhos de escultura, pintura, vídeo, fotografia e instalação, de artistas como Ana Vieira, Rachel Whiteread ou José Pedro Croft, entre outros.

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OUVIR - Em 2013 o pianista de jazz Júlio Resende fez um disco com revisitações de temas que haviam sido interpretados e popularizados por Amália Rodrigues, entre os quais uma versão de “Medo” em que o piano de Resende, graças à tecnologia digital, se cruza com a voz de Amália. Desde então o pianista tem feito numerosos concertos, dos quais resultou um registo ao vivo, “Fado & Further”, que conta com a voz de Silvia Perez Cruz, nomeadamente em temas como “Lágrima” e “Cucurrucucu” e novas versões, das quais destaco “Uma Outra Mariquinhas” e “Enfrentar o Medo”. O disco tem uma edição especial, em que além do CD existe um DVD gravado em directo com o título “Amália por Júlio Resende”. “Fado & Further” vai ser apresentado já neste sábado 28 no CCB, com Silvia Perez Cruz e Moreno Veloso como convidados especiais. A edição do disco é da Valentim de Carvalho.

 

PROVAR -  No edifício do Mercado da Ajuda fica o Espaço Açores, que como o nome indica é dedicado à gastronomia do arquipélago. A sala é ampla e luminosa, com vista que desce pela colina da Ajuda até ao rio. Na mesa o couvert inclui queijo da ilha de cura recente, cortado aos cubos, azeitonas indistintas, manteiga bem temperada, pão sem grande história para além de vir a escaldar. As coisas começam bem com umas lapas grelhadas, que estavam no ponto. A seguir vieram uns filetes de abrótea demasiado fritos, o que secou o peixe e lhe apagou o sabor, acompanhado por um esparregado com inhame e batata doce, que acabou por ser o melhor do prato. Na carne o lagarto à micaelense, com batata doce às rodelas revelou uma carne de primeira qualidade e foi o melhor do almoço. O vinho foi servido a copo, branco e tinto da ilha do Pico, a merecer atenção. Inexplicavelmente em vez de ananás dos Açores a casa serve abacaxi de algures. O chá de funcho fez um bom final. A casa serve cozido à moda das furnas às sextas e domingo ao almoço e todas as quintas-feiras há um buffet açoriano. Fica no Largo da Boa-Hora, à Ajuda, e tem o telefone 213 640 881.

 

DIXIT - “Costa antecipa o milagre - dá primeiro as rosas, e depois logo se vê” - Nuno Morais Sarmento

 

GOSTO - Da 6ª Feira do Livro de Fotografia, que se realiza este fim de semana no Arquivo Municipal Fotográfico de Lisboa, na Rua da Palma.

 

NÃO GOSTO - Da confusão armada à volta da devolução da sobretaxa do IRS

 

BACK TO BASICS - “A democracia é um mecanismo que assegura que seremos governados da forma que merecemos” - George Bernard Shaw

 

 

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