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EMEL - Esta semana voltei a irritar-me com esse organismo de violentação dos contribuintes lisboetas que se chama EMEL. O facto de os seus regulamentos, ditados pela empresa, serem aprovados pela Assembleia Municipal, serve para justificar face aos cidadãos que as anacrónicas regras de comprovativo de residência a que obrigam (e que são uma violação do direito à privacidade) não podem ser alteradas sob pretexto algum. O direito elementar de um cidadão residente, recenseado e contribuinte em Lisboa, a poder escolher a zona onde pretende estacionar de forma fixa é negado com base em questões burocráticas e de essência policial. Quando há uns tempos escrevi isto recebi uma chamada telefónica do Presidente da EMEL, entretanto reconduzido por António Costa, dizendo-me que não tinha razão. Pedi novo parecer sobre o mesmo tema e veio a mesma reposta - os cidadãos não têm direito a escolher. Outra prova da arrogância da empresa e dos seus dirigentes está o facto de o estacionamento pago ser introduzido em novas zonas, como recentemente em algumas artérias de Campolide, sem a mínima acção de sensibilização dos moradores ou residentes ou sequer uma informação pública e local sobre a data a partir da qual entrariam em funcionamento os parquímetros - embora este entrar em funcionamento seja relativo porque mesmo novos limitam-se nalguns casos a caçar moedas sem fornecer o impresso comprovativo. Se há empresa municipal cujo funcionamento devia ser repensado de cima a baixo, e cujos regulamentos deviam ser redefinidos, é esta  EMEL. Deixo aqui um apelo à Assembleia Municipal para rever e pôr na ordem os procedimentos e abusos de poder da EMEL, já que os vereadores e o Presidente não dão mostras de se interessarem por este assunto.

 

SEMANADA -  Sondagens desta semana apontam para uma abstenção da ordem dos 60% e para um empate técnico entre PS e coligação PSD/PP; Edite Estrela, que recebeu este ano o prémio  MEP Awards, em Bruxelas, por ter sido considerada a melhor deputada europeia nos assuntos sociais e emprego, não faz parte da lista que o PS apresenta às próximas eleições europeias; o slogan do PS para as eleições europeias é “Mudança!”;  o Conselho de Ministros debateu na semana passada os novos cortes, entre 1,5 e 1,7 mil milhões de euros; um dia depois do Conselho de Ministros Marques Mendes anunciou, no seu comentário semanal na SIC, cortes no mesmo valor; o primeiro ministro disse segunda-feira que o pacote das novas medidas de austeridade que inclui cortes entre 1500 e 1700 milhões de euros vai ser conhecido em Abril, quando for apresentado o Documento de Estratégia Orçamental; apesar de tudo isto o líder parlamentar do PSD garantiu terça-feira que não surgiriam mais cortes;  cerca de 55% dos jovens portugueses entre os 18 e 29 anos  não têm meios para garantir a sua independência e continuam a viver em casa dos pais;  1532 familias pediram á EPAL a tarifa social da água; universidades e politécnicos já fecharam 150 cursos este ano lectivo; metade dos alunos do 3º ciclo já pensaram em emigrar; risco de insucesso escolar afecta 23,8% dos alunos do primeiro ciclo; os automóveis do sorteio do fisco vão custar 1,55 milhões de euros aos contribuintes; metade da frota automóvel da PSP e GNR tem mais de 10 anos; cada um dos carros sorteados pelo fisco irá significar em custos de circulação e manutenção cerca de 350 euros por mês a quem fôr premiado e utilizar o veículo em deslocações normais.

 

ARCO DA VELHA - Nos dois primeiros meses deste ano a despesa com juros e outros encargos do Estado disparou 47,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, e desde o início do ano os contribuintes pagaram 13,1 milhões de euros por dia para esses juros e pagaram 39,1 milhões de euros por dia em IRS.

 

FOLHEAR - Os numerosos exemplares da edição de Abril da revista “Monocle” que são  distribuídos em Portugal ostentam na capa um autocolante amarelo que diz “Portugal, the nation that dresses the world”, um chamariz para um artigo no seu interior sobre a excelência dos têxteis portugueses que, ainda na primeira página, têm direito a uma chamada: “Tchau China: How Made In Portugal Is Going Premium”, e isto a respeito de um artigo onde se relata como algumas das melhores marcas de roupa estão a escolher fabricar em Portugal pelo cuidado colocado no fabrico e  pela qualidade da confecção. Esta edição tem precisamente por tema a roupa e os acessórios, desde quem os desenha a quem os fabrica e vende. Numa secção desta edição dedicada a exemplos de boa governação surge em destaque o Presidenet da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira - e  conhecendo eu a revista desde praticamente o princípio quer-me parecer que este é o primeiro português em cargos políticos a aparecer com este destaque. Quem aparece também em destaque é a fábrica têxtil Somelos de Guimarães e referências à qualidade do mobiliário e da cerâmica portuguesa.

Outros temas: uma bela reportagem sobre a renovação da histórica cidade chinesa de Xi’an, antiga capital imperial, a selecção de lojas exemplares dos quatro cantos do mundo, o guia de moda (que inclui os sapatos de camurça Green Boots produzidos em Leiria), um guia de produtos (que inclui o creme Benamor), uma destaque sobre o kit de sobrevivência da editora lisboeta Serrote e um guia de locais e urbanizações que vão dar que falar, de Londres a Porto Rico, passando por Berlim. Finalmente, para quem gosta de comunicação, recomenda-se o artigo sobre o talk show “Skavlan”, que faz êxito nos países escandinavos. Uma edição a não perder.

 

VER - Ana Vidigal tem vindo a desenvolver desde a sua exposição retrospectiva “Menina Limpa, Menina Suja”, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em 2010, uma série de pesquisas e ensaios, sempre muito pessoais, onde aqui e ali se sentia a procura de novos rumos. A sua nova exposição, inaugurada esta semana na Galeria Baginski mostra como ela conseguiu encontrar um novo caminho que lhe possibilitou um passo em frente. “Em Primeiro Lugar O Fim”, assim se chama a exposição, reúne 15 novos trabalhos que evidenciam novas formas de ver e de mostrar - não é uma ruptura com o passado, mas é uma mudança de tempo, no sentido em que a obra, agora, se projecta mais no presente e no futuro sem renegar o que ficou para trás. Há elementos de continuidade em algumas peças, mas existe, na maioria, um sentido de descoberta que Ana Vidigal consegue partilhar - e esse é o maior encanto desta nova série de obras. A exposição vai estar até 24 de Maio na Baginski, Rua Capitão Leitão 51-53, ao Beato. A inauguração foi uma festa, com uma animação que vai sendo rara hoje em dia - uma alegria de mostrar o que se faz, que contrasta saudavelmente com o cerimonioso enfado institucional de tantos outros locais.

 

OUVIR - Há uns anos a prestigiada etiqueta discográfica Deustche Grammophon começou a fazer um reposicionamento em termos de novas edições, procurando alargar o leque do seu catálogo para passar a incluir outros géneros musicais, alguns mais populares, outros de inspiração etnográfica, e outros de fusão. Entre os novos intérpretes cedo se destacou o guitarrista montenegrino Milos Karadaglic, com os seus dois primeiros discos, “Mediterraneo” de 2011 e “Latino” de 2012, exemplos do seu virtuosismo. Neste seu terceiro álbum, “Aranjuez”, gravado com a London Philarmonic Orchestra dirigida por Yannick Nézet-Séguin, o guitarrista executa uma versão do “Concierto de Aranjuez” de Joaquim Rodrigo que é um exemplo de equilíbrio entre a orquestra e o solista. Mas é sobretudo em “Fantasia Para Un Gentilhombre”, também de Joaquin Rodrigo, que se evidencia aquilo que é a maior característica deste CD - a prova da capacidade de interpretação e da subtileza de Milos Karadaglic e da sua guitarra.

 

PROVAR - Há restaurantes que têm uma vida dupla. Outros, como este, têm uma vida tripla: almoços económicos, petiscos e wine bar de fim de tarde, jantares e por vezes fados lá mais para a noite, às terças-feiras. O local existe desde Novembro do ano passado, chama-se “Taberna Saudade” e tem, por fora e por dentro, uma decoração que dá gosto. No exterior chamarizes do tempo antigo, mas actuais; no interior uma guitarra portuguesa e uma viola dominam uma parede, junto a uma fotografia de Alfredo Marceneiro. Uma dúzia de pequenas mesas confortáveis e um bar de passagem completam o local. Ao almoço há pratos do dia - coube-me um caril de lulas e um entrecosto no forno com grelos, ambos sem direito a reparos. Noutros dias pode encontrar iscas com elas, rojões com migas de batata e lombarda salteada, frango de cabidela ou arroz de polvo, por exemplo. A página do Facebook vai colocando a ementa diária. Nos petiscos há preciosidades como esse raro enchido que é a cacholeira e alguns queijos seleccionados. Tudo foi acompanhado por um tinto Monte das Cascas, que se portou muito bem - e a conta foi módica. Para quem queira há cerveja artesanal Sovina e Ginjinha Saudade para rematar. A “Taberna Saudade” fica perto da Pampulha, na Rua Presidente Arriaga 69 e tem o telefone 213 950 730.

 

DIXIT - “Eu não vinha preparado para isto” - José Sócrates em resposta às questões colocadas por José Rodrigues dos Santos

 

GOSTO - Da campanha “recuperar a esperança”, do BES

 

NÃO GOSTO -  O risco de pobreza atinge quase dois milhões de portugueses

 

BACK TO BASICS - Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta - John Galbraith

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publicado às 13:56


1 comentário

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De Ana Vidigal a 29.03.2014 às 21:49

Muito obrigada Manel! um beijo, ana

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