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EM BUSCA DAS REFORMAS POR FAZER

por falcao, em 28.02.14

 

REFORMISMO - Até mais ver a maior e quase única reforma do Estado tem a ver com a forma como foram atingidas as reformas dos cidadãos. É pena, mas é verdade. Até pode haver boas razões para tudo o que tem sido feito, mas o que motivou as decisões foi sempre a facilidade e o cuidado em não atingir as clientelas políticas que vivem directamente do Estado - no aparelho central e nas autarquias.. As alterações feitas até agora - prefiro não lhes chamar reformas - tocaram sobretudo em pontos que não provocavam clivagens políticas profundas nas máquinas partidárias e nas suas centrais de colocação de militantes dedicados e obedientes.. Por isso se pegou nas freguesias e não nos municípios, como António Barreto bem explicou numa entrevista que concedeu esta semana - na verdade quem tem dinheiro e poder são os municípios, que agora, como se vê por estes dias, contrariam o que está decidido a nível nacional, sobre horários e sobre feriados. Quando se olha para o que tinha que se fazer e para o que foi feito tem-se a sensação de que existem duas estradas paralelas, que dificilmente se encontrarão - as reformas que o memorando da troika exigia vão por um lado  e as mudanças feitas na administração pública vão por outro, numa via paralela, noutra velocidade - as duas estradas dificilmente se encontrarão. A grande questão aqui é que, por ter seguido esta via de proteger o sistema partidário vigente e ter desprezado os eleitores, está-se a matar o funcionamento do sistema político. É um assassínio premeditado. Na semana passada, um estrangeiro, na conferência promovida pelo The Economist, perguntava:”Who buys these reforms?” - pois, o problema é esse.

 

SEMANADA - Na ressaca da apresentação do seu livro Vítor Gaspar considerou insultuoso que alguém o pudesse classificar, a ele, como o quarto elemento da Troika; a propósito do lançamento da edição portuguesa de um dos seus livros, o astrofísico Hubert Reeves afirmou que “se um país como Portugal corta o apoio a escolas, professores e alunos, vai ficar a depender mais da tecnologia do exterior”; Portugal caíu mais um lugar no ranking e passou a nono país mais pobre da União Europeia, tendo sido ultrapassado pela Lituânia; no mês de Janeiro o Governo cobrou quase 100 milhões de euros por dia em impostos, um aumento de mais de 10% em relação ao mesmo mês do ano passado; em Espanha os rendimentos até 12 mil euros por ano não pagam IRS; mais de 300 mil portugueses acima dos 60 anos já foram vítimas de violência no ano passado e 160 mil foram alvo de furto ou desapropriação de bens em contexto familiar; em Portugal há 625 mil casas para vender, há 110 mil casas vagas e no total há 15 milhões de habitações para 10,6 milhões de habitantes; a idade de reforma dos funcionários públicos aumentou para os 66 anos; das 18 capitais de distrito apenas duas vão ter os serviços dependentes da autarquia em funcionamento na próxima terça-feira já que os respectivos municípios ignoram as orientações do Governo e dão tolerância de ponto no Carnaval.

 

ARCO DA VELHA - Em Loures um homem de 39 anos matou um vizinho de 35 anos a tiro por causa de uma discussão sobre o lugar de estacionamento do carro da vítima.

 

FOLHEAR - Confesso que a minha edição preferida da revista “Vanity Fair” é a do mês de Março, o célebre “Hollywood Issue”, dedicado aos Oscars do cinema. Desde a produção fotográfica da capa e do interior, até à escolha dos temas e dos intervenientes, esta é sempre uma edição espantosa. A capa, desdobrável, com o triplo do tamanho habitual, é feita mais uma vez, por Annie Leibowitz - que por estes dias vê a Taschem editar a edição especial de uma colectânea de retratos que ela fez ao longo de 40 anos numa edição especial de 476 páginas, com 70 cms de altura, cerca de 25 kgs de peso e que é vendido em conjunto com uma mesa de apoio desenhada por Marc Newson; algumas dessas fotografias estão nesta edição da “Vanity Fair”. Mas voltemos à revista - logo de entrada há quatro dezenas de páginas de fantástica publicidade das melhores marcas de moda. O tradicional retrato do mês mostra Ellen de Generis - e o editor Graydon Carter explica porque é que a escolha não recaíu, por exemplo, em Gwineth Paltrow, numa das suas melhores “Editor’s Letter” que me lembro de ler. Mas o prato forte desta revista é o portfolio do fotógrafo Chuck Close que mostra 20 retratos de estrelas do cinema - eu destaco a maneira como ele mostra Brad Pitt, Robert de Niro, Martin Scorsese,  Julia Roberts, Forest Whitaker, Bruce Willis, Sean Penn, Dustin Hoffman, Jessica Lange, Javier Barden, Herrison Ford e Steven Spielberg. Outro fotógrafo em destaque nesta edição é Sid Avery com as suas fotografias do quotidaino - como Brando a levar o lixo, Paul Newman em casa ou Elisabeth Taylor num intervalo de filmagens.

 

VER - Para mim, Rui Chafes aborda sempre a sua produção artística como uma reflexão filosófica - pelo menos é isso que sinto e é isso que me atrai nele desde que comecei a ver as suas obras - e as primeiras que vi foram as do hall de entrada do então recém inaugurado CCB. Trabalhando a escultura em metal, Rui Chafes paradoxalmente desafia a massa específica do material que usa e dedica-se a criar aparências de leveza. Por isso é tão bem achado o título desta exposição, “O Peso do Paraíso”, que mostra trabalhos feitos ao longo dos 25 anos de carreira de Rui Chafes, e que até 18 de Maio vai estar no interior do centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e no jardim que rodeia o edifício. São peças notáveis - umas pela dimensão, outras pelo equilíbrio, outras pelo desafio. Não se fica indiferente face a uma obra de Rui Chafes e quem visitar esta exposição perceberá a forma como ele envolve, sem ser exibicionista. O equilíbrio, quando é delicado, fica sempre no pensamento.

 

OUVIR - Beck Hansen vive em Laurel Canyon, estrada de artistas de vários ofícios. O grande bluesman John Mayall fez em tempos, nos final dos anos 60, um álbum com o nome desta estrada. Dali vê-se Los Angeles e vislumbra-se Hollywood. Beck sempre quis ser um trovador moderno mas nunca esteve tão perto de o conseguir como neste seu 12º disco, “Morning Phase”. Há seis anos que não vinham novidades do seu lado, desde “Modern Guilt” de 2008. Mas aqui há de alguma forma um revisitar do seu trabalho de 2002, “Sea Change”. Há neste novo disco rastos mais evidentes e claros dos Byrds, de Neil Young é claro, mas também de Crosby, Stills & Nash ou dos Mamas & The Papas - e arrisco dizer que Buffalo Springfield passou por aqui - este é um revisitar do melhor que a west coast tinha para oferecer na segunda metade dos anos 60 e no início dos anos 70. Destaco “Heart Is A Drum”, “Turn Away” e sobretudo o poderoso “Blue Moon!”, cujo verso inicial resume tudo: “I’m So Tired Of Being Alone”. A primeira canção, “Morning”, conta a origem das coisas: “”Woke up this morning/ from a long night in the storm”. Este é um daqueles discos que vai estar na lista dos melhores deste 2014. (CD Capitol/ Universal)

 

PROVAR - Em Lisboa, nas Avenidas Novas, abriu já este ano uma mercearia e restaurante que é uma tentação a qualquer dieta. Chama-se “Aromas da Beira Baixa” e propõe pratos do dia como maranhos, lombo de porco com arroz de carqueja ou bucho recheado da Sertã - e tudo feito com preceito. Para os apreciadores de petisco há tábuas de queijos e enchidos, tapas variadas e as tradicionais tibornas. Na zona da mercearia, para quem quiser levar os petiscos para casa, estes “Aromas” oferecem uma selecção de queijo e de enchidos, entre os quais o célebre queijo amarelo da Beira Baixa, ainda recentemente louvado pela revista norte-americana “Saveur”. Para acompanhar propõe o afamado pão de Penha Garcia, estando igualmente disponível uma iguaria que é a bica de azeite (noutras regiões conhecido como bolo de azeite). Para rematar há biscoitos, compotas, chás de cultivo biológico da marca Ervas de Zoé, como um de Erva Príncipe. Nas compotas destaque para umas de ginja e de cereja recomendáveis a diabéticos e ainda uma de maçã e castanhas recomendada a todos. Nas prateleiras há ainda vinhos e azeites da região, tudo a preços sensatos. O almoço com o prato do dia, sopa e sobremesa fica por sete euros. A casa é simples e despretenciosa, o serviço é atencioso e simpático, quase familiar. Estes “Aromas da Beira Baixa” estão abertos de segunda a sábado, das 11 às 20, na Av. Marquês de Tomar nº 38.

 

DIXIT -  “Sem ir aos municípios, que são o osso duro de roer, não há reforma do Estado - com as freguesias era só riscar, não se ganha nada porque os municípios continuam a gastar” - António Barreto

 

GOSTO - Da assinatura da nova campanha publicitária da EDP, “a energia que nos une”.

 

NÃO GOSTO - Portugal tem a quarta maior taxa de desemprego da União Europeia


BACK TO BASICS - Não interessa se vamos muito devagar, o que interessa é nunca parar - Confúcio

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