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TELEVISÕES - Nesta semana o Governo britânico deverá divulgar um documento sobre a BBC, incidindo na análise do seu funcionamento, na avaliação do cumprimento da sua missão e na dimensão que a organização tem alcançado nalgumas áreas – nomeadamente no digital. Há duas questões cruciais em cima da mesa: saber se a BBC tem procurado audiências massivas em detrimento da sua fidelidade à missão original de serviço público, que é a sua razão de ser e a justifcação de receber a taxa paga pelos telespectadores britânicos; e a outra questão é saber se a BBC está  fazer concorrência a organizações de media privadas e se, sobretudo no digital, com a extensão da informação que proporciona, está a prejudicar os jornais e especialmente a imprensa regional e local – acusações que têm vindo a crescer nos últimos tempos. Finalmente há uma questão no financiamento que está a levantar uma série de polémicas e que é o fim do pagamento da taxa aos 75 anos de idade, o que tirará vários milhões de libras anuais ao orçamento recebido pela BBC. O conjunto destes temas promete ser escaldante - ainda por cima com os conservadores a assumirem sem receios a defesa de um serviço público que não ceda às tentações de variedades e de imitadores manifestadas em programas como “The Voice”. Com o atraso habitual discussões destas hão-de chegar um dia a Portugal, mas neste momento o Conselho Dependente, utilizado pela tutela como espantalho do audiovisual, anda bem longe delas. O princípio que norteia a BBC é tem uma excelente síntese nesta frase “não caçar audiências mas procurar que a qualidade seja popular e que o popular tenha qualidade”. É claro que isto se passa no país da cultura pop, onde a popularidade mostrou o seu potencial criativo e transformador e não é mal vista pelas elites. Sex Pistols, topam?

 

SEMANADA - Até final de Maio registou-se, em relação ao período homólogo do ano anterior, um aumento de exportações de 3,5%, mas verificou-se um aumento das importações de 6,2%, sobretudo devido ao sector automóvel;  António José Seguro recusou integrar as listas de candidatos a deputados propostas por António Costa; o processo de José Sócrates já vai em mais de 20 mil páginas; a sede histórica do Grupo Espírito Santo, na Lapa, está à venda numa agência imobiliária; o novo Governo Regional da Madeira anunciou ir demolir a Marina do Lugar de Baixo, inactiva desde a sua construção por problemas de segurança, obra que custou 100 milhões de euros, quase quatro vezes o seu orçamento inicial; Portugal pode tornar-se em 2050 no segundo país mais envelhecido do mundo - actualmente está na sétima posição; a investigação judicial à farmacêutica Bial inclui uma alegada simulação de estudos científicos para justificar pagamentos no valor de um milhão de euros a médicos, na realidade incentivos para receitarem medicamentos fabricados pelo laboratório; o consumo dos portugueses fora de casa aumentou no primeiro semestre do ano e há uma redução de produtos alimentares na ordem dos 3,8% nas compras nos supermercados; há menos 5% de pessoas a levar comida para o emprego; teoria dos jogos: a oposição grega votou a favor do Syriza e uma parte do Syriza votou contra o seu partido.

 

ARCO DA VELHA - Um emigrante português no Luxemburgo teve que se deslocar a Portugal para testemunhar num processo relativo a um acidente de automóvel porque o consulado português no Luxemburgo não tem Skype e a embaixada em Paris negou-lhe o direito de o usar porque não residia em França.

 

FOLHEAR - A revista “Epicur”, fundada em 1998 por Eduardo Saramago, Eduardo Miragaia e José Matos Cristovão, tem tido uma vida atribulada e incerta nos últimos anos, muitas vezes longe dos padrões iniciais. A 3ª série da revista começa agora, com novos responsáveis (Mário Rui de Castro e Filipa Melo), e as mudanças, para melhor, são bem visíveis - desde logo no grafismo,  mas também nos temas, ou seja, em toda a edição. A revista é sazonal e sai com as estações do ano, de três em três meses. Apropriadamente este número de verão tem na capa uma melancia estilizada, fruto que é referido várias vezes que tem direito a um texto imperdível de Vergílio Loureiro que desmistifica a velha maldição de não se poder comer melancia depois de beber vinho. Além de comidas e bebidas a nova série da revista evoca viagens - e melhorou também substancialmente na edição fotográfica. Uma das novidades é um bom roteiro de sugestões de exposições internacionais, o pior momento é a tentação do cruzamento de estrelas, aqui entre o autor de “Equador” e uma cançonetista; se,  como dizia Epicuro, o filósofo grego que inspirou o nome da revista, “o homem sensato não evita os prazeres”, também vale a pena deixar dito que o homem sensato não deve estar sujeito a maçadas. Adiante que este é um incidente menor na revista - que traz umas inesperadas receitas (das quais destaco os pickles de melancia de Sá Pessoa), boas sugestões de livros e uma interessante evocação de Auguste Escoffier, o criador dos crêpes Suzette e organizador de dez mil receitas. Dos colunistas destaco Manuel S. Fonseca e os escritos de comidas de Francisco Seixas da Costa. A melancia de verão já está nas bancas, a edição de Outono chegará a 21 de Setembro. Esta “Epicur” melhorou e tem espaço para crescer.

 

VER - Poucas vezes uma exposição impressiona tanto como esta de Cristina Ataíde, “Ser Linha Ser”, inaugurada na semana passada no espaço da Fundação Carmona e Costa, onde ficará até 3 de Outubro. As amplas salas da Fundação permitem acolher a dimensão das peças de Cristina Ataíde, que permanentemente invoca a sua condição de escultora, em simultâneo com a sua paixão pelo desenho e pela montagem de instalações - os três vectores em que a exposição assenta. Alguns do desenhos, vários deles fora do que tem sido a linha mais presente em obras recentes da artista, completam-se com um assinalável atrevimento a desafiar a utilização habitual de pedra nas suas esculturas, mostrando que elas tanto podem ser parte do chão como existir suspensas.  Cristina Ataíde manipula ideias manipulando materiais e conta histórias combinando suportes diversos - numa confronto permanente entre obras a duas dimensões e outras tridimensionais. Fundação Carmona e Costa, Rua Soeiro Pereira Gomes lote 1, 6º Direito.

 

OUVIR - Robert Glasper fez nome em cruzar o jazz com o hip hop e o Rhythm ‘n’n Blues, como se viu no seu disco anterior, “Black Radio”. Mas quando este pianista decide revisitar o passado do jazz consegue fazer coisas espantosas, quer seja nas versões de temas como “Reckoner” (dos Radiohead), “Barangrill” (de Joni Mitchell) ou de standards como “Good Morning” ou “Stella By Starlight”, quer seja nos seus temas originais como “I Don’t Even Care” ou em “In Case You Forgot”, cheio de citações e evocações que vão da forma de tocar piano de nomes como Keith Jarrett, Thelonious Monk e Art Tatum , passando por apontamentos de temas tornados populares por Cyndi Lauper ou Bonnie Raitt. O trio de Glasper inclui ainda Vincent Archer no baixo e Damion Reid na bateria - um trio acústico, portanto, em que a secção rítmica é avassaladora e o entendimento com o piano é total - o trio existe com esta formação há largos anos. Gravado ao vivo, em estúdio, perante público, o registo tem uma vivacidade e energia invulgares, ao mesmo tempo que é uma lição de técnica ao serviço da  interpretação. “Covered”, de Robert Glasper, é um dos melhores discos de jazz que ouvi este ano. CD Blue Note, produção de Don Was, distribuição Universal.  

 

PROVAR - Até ao fim de semana passado ainda não tinha comido este ano umas sardinhas frescas satisfatórias - eram melhores as de conserva que a maioria das que me serviram em restaurantes de vários locais, incluindo esse ex-templo do peixe grelhado que era o Último Porto, em Lisboa. Em Julho a sardinha está na melhor fase, gorda mas firme, saborosa. Em Setúbal costuma comer-se boa sardinha mas a procura já é tanta que a coisa nem sempre corre bem. De maneira que voltei a um restaurante de beira de estrada, entre Azeitão e Palmela, em Cabanas, o Retiro do Gama. Todos os dias o responsável pela grelha, o Sr. Carlos, traz de Setúbal peixe fresquíssimo que ele escolhe com cuidado - os salmonetes por exemplo, são especiais. Mas quando ele diz que as sardinhas estão boas, não há que hesitar. Além da qualidade da matéria prima que ele escolhe, a maneira como sabe tratar o peixe na grelha deixa-o impecável, e no caso da sardinhas que provei, mantém o sabor a mar, coisa bem rara. A acompanhar  veio uma salada rica, batatas novas e açorda. Antes veio uma salada de polvo temperada na perfeição e umas boas azeitonas, além do excelente pão da casa que é sempre necessário para fazer uma cama para as sardinhas. A rematar, a escolha é entre a reputada mousse de moscatel e, este ano, a novidade de uma tarte de alfarroba que é um pouco pecaminosa. A dirigir as operações estão o proprietário, Carlos Gama, e, na cozinha, a sua mulher, Fátima - a casa não tem só grelhados, há petiscos de tacho que são muito apreciados. A equipa é atenta no serviço e regressar ao Gama é sempre um prazer - saboroso ainda por cima. Retiro do Gama, Avenida Visconde do Tojal 33, telefone 915 826 567.

 

DIXIT - Exemplo de separação entre a Igreja e o Estado:  “Se o Papa Francisco votasse em Portugal, votaria no PS” - Ascenso Simões, Director de campanha dos socialistas.

 

GOSTO - Das imagens que chegam de Plutão, do que se vai descobrindo sobre este planeta, da aventura da exploração espacial, da persistência dos cientistas que exploram o desconhecido.

 

NÃO GOSTO - Das cedências do próprio Passos Coelho às pressões de Luis Braga da Cruz, Presidente de Serralves, que assim fez andar para trás, por motivos estritamente burocráticos,  a política cultural que tinha sido estabelecida para a coleção de arte moderna da Secretaria de Estado da Cultura no Museu do Chiado.

 

BACK TO BASICS - “Nunca pensei que fosse possível estabelecer um valor monetário à democracia, que é o que acontece quando se limita o custo da justiça. Quando um Estado não funciona com base na lei, deixa de haver democracia” - excerto de uma frase uma juíza, personagem do livro “”The Man From Beijing”, de Hanning Mankell.



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