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ÉPOCA - Este ano é com o Verão à porta que regressam as greves, depois de muitos meses de acalmia. Um amigo com quem almocei esta semana tem uma explicação, que me pareceu plausível, para a nova sazonalidade destas movimentações sindicais de peças fundamentais da administração pública, como o ensino e a justiça: o orçamento está em fase de preparação nos próximos meses e o objectivo dos parceiros do Governo é encontrarem mais dinheiro para a máquina do Estado. Estas greves são um sinal a António Costa e uma chamada de atenção a Centeno. Depois do cheque branco que o PCP e Bloco entregaram ao PS pós eleições de 2015, começam agora a vir as faturas. A grande incógnita está em saber o que a habilidade política de Costa conseguirá, estando os seus parceiros notoriamente nervosos e a quererem todos os dias mais uma fatia do bolo da recuperação das contas públicas. É tão engraçado ver como o estado de hibernação foi suspenso aos primeiros calores e como agora as coisas se vão agitando. O jogo tem permissas simples: Costa precisa de uma legislatura completa e com resultados visíveis em termos de cumprimento das regras europeias para tentar a maioria absoluta, ou um resultado que o deixe menos nas mãos do Bloco e do PCP. E os “compagnons de route” temem pelo seu eleitorado que começa a ficar irrequieto e acham que já é tempo de receberem o prémio de bom comportamento. Os próximos meses, até á entrega do Orçamento de Estado, vão ser muito curiosos de seguir.

 

SEMANADA - As mortes por overdose de drogas aumentaram na Europa pelo terceiro ano consecutivo e em 2015 atingiram 8400 pessoas; um estudo divulgado esta semana indica que o mercado das drogas ilícitas na União Europeia movimenta cerca de 24 mil milhões de euros por ano;  o laboratorio de polícia científica da Judiciária identificou em Portugal o aparecimento de 80 novas drogas em seis anos; em 2016, pela primeira vez em quatro anos, o Partido Socialista conseguiu um saldo financeiro positivo de 250 mil euros; a venda de casas penhoradas pelo fisco está a cair mais de 40% em comparação com o ano passado; entre 2007 e 2016 Portugal ganhou uma média de 40 mil novos cidadãos por ano, segundo um estudo do Observatório das Migrações que salienta que a maioria tem origem em países onde se fala português; o consumo de refrigerantes caíu com a nova taxa sobre produtos com açúcar e, no caso das bebidas mais açucaradas, a quebra foi de 72%; segundo a Marktest durante o mês de Abril  foram visitadas 298 milhões de páginas de sites de informação nacionais e o tempo total de navegação nestes sites superou as 4,8 milhões de horas, uma média de 1 hora e 28 minutos por utilizador, o que significa um aumento de 5.6% no número total de horas e de 12.8% no número de horas por utilizador, quando comparados com o mês homólogo do ano anterior; verificaram-se oito acidentes mortais com tratores em 15 dias.

 

ARCO DA VELHA -  Os professores marcaram greve para o dia em que se realizam exames de matérias que andaram a ensinar aos seus alunos.

 

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FOLHEAR - Carlos Quevedo é o mais português dos argentinos. Nasceu em Buenos Aires em 1952 e, em 1978, renasceu em Lisboa depois de ter andado  por diversas paragens. E por cá ficou, a fazer teatro (encenou peças de Beckett, Ibsen e Pinter), dedicou-se à escrita, teve responsabilidades em “O Independente” e na “Kapa”, viu televisão para a “Visão” e de há alguns anos para cá apaixonou-se pela rádio - desde 2015 é o autor e produtor do programa “E Deus Criou O Mundo”, na Antena 1, onde procura fomentar o debate inter-religioso. Vai daí, pegou no conceito e no nome do programa e fez este livro, que aborda três das religiões historicamente mais representativas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão. O livro tem uma abordagem histórica das origens destas religiões, a partir de um tronco comum, com origem em Abraão. Como Carlos Quevedo escreve, “só com o diálogo inter-religioso podemos conhecer o mundo diverso e semelhante dos homens de fé”. E sublinha: “Ter o mesmo Deus é o que os une, mas fazer a sua vontade na Terra parece ser a grande divergência”. O livro está organizado em quatro partes : as duas primeiras abordam o enquadramento das religiões, e a terceira mostra as posições que as três religiões têm sobre a vida dos crentes, na família, no casamento e no divórcio e, finalmente, como o judaísmo, o catolicismo e o islão encaram a morte. Este é um livro que permite descobrir os pontos comuns - e as diferenças - entre estas três religiões. “Conhecer os credos é conhecer a humanidade”, como Carlos Quevedo escreve já no final do livro.

 

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VER - A recomendação da semana vai para o novo encontro proposto na Fundação Julio Pomar. Desta vez é entre o próprio Pomar e Pedro Cabrita Reis, que se encontram sob o título “das pequenas coisas”, numa exposição que ficará até 8 de Outubro no atelier-museu na Rua do Vale 7, no Bairro Alto. Esta série de encontros tem por objectivo cruzar a obra de Júlio Pomar com outros artistas por forma “a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade” - o convidado anterior foi Julião Sarmento. “das pequenas coisas” recorre a objectos, esculturas e assemblages, em materiais variados. Pedro Cabrita Reis mostra uma série de esculturas e objectos feitos com materiais de várias proveniências, nomeadamente materiais encontrados na rua e na praia, ocupando todos os espaços do atelier-museu, incluindo o caminho de acesso do edificio recuperado por Álvaro Siza, que até aqui não tinha sido ainda utilizado como área expositiva. A informação da exposição salienta que “foi também na praia, durante um período de quatro meses de férias e trabalho no Algarve, no Verão de 1967, em Manta Rota, que Júlio Pomar começou a produzir assemblages de objectos e materiais aí encontrados, corroídos e desgastados pelo sal, pelo sol, pelo tempo”. A curadoria é de Sara António Matos, que é a directora do atelier-museu desde 2012. Outras sugestões: na Galeria Ratton - Helena Lapas expõe até final de Julho “Matéria do Tempo” (Rua da Academia das Ciências 2C); e até dia 18 ainda pode ver “Pai”, de Paulo Brighenti, na Ermida de Nossa Senhora da Conceição, Travessa do Marta Pinto, por detrás dos Pastéis de Belém.

 

E finalmente, num registo diferente, este sábado, às 16h00 mais uma sessão do ciclo “Grandes Clássicos no Grande Écran do Grande Auditório do CCB “ - no ecrã vai passar “Cleópatra”, o filme de Jospeh L. Mankiewicz com Elizabeth Taylor, de 1963, em nova versão digital restaurada.

 

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OUVIR - João Gil tornou-se conhecido quando, em 1976, fundou os Trovante com Luis Represas, Manuel Faria e João Nuno Represas. Os Trovante fizeram canções que marcam a história da música popular portuguesa e João Gil compôs muita da sua música. Mais tarde criou os Moby Dick, compôs a Ala dos Namorados, esteve no projecto Rio Grande, Cabeças no Ar, Filarmónica Gil, depois os Baile Popular e o Quinteto Lisboa, entre outros. Grande parte da sua obra mais conhecida vem do tempo dos Trovante e da Ala dos Namorados. Luis Represas, João Monge, Carlos Tê são alguns dos co-autores das suas mais célebres composições. “João Gil Por…”, um duplo CD agora editado, recolhe 26 canções assinadas por João Gil, aqui interpretadas por outros nomes - 32 convidados para ser exacto. Permito-me destacar a maneira como Carlão e Lúcia Moniz reinventam a “125 Azul”, como “Tatanka” faz redescobrir “Fim do Mundo”, como Luísa Sobral dá a volta a “Postal dos Correios” ou Héber Marques canta “Solta-se o Beijo”. Destaque ainda para a simplicidade de Miguel Araújo em “Senta-te Aí”, para Jorge Palma em “Dezembro”, para Celina da Piedade (com o próprio João Gil) em “Timor”, e para João Pedro Pais e Márcia, respectivamente em “Providência Cautelar” e “Memórias de um Beijo”. Os discos de versões podem ser um exercício perigoso. Este correu muito bem. CD Warner.

 

PROVAR - Quando era miúdo não gostava nada de côco. Os bolos de côco enjoavam-me, o côco ralado fazia-me impressão. Foi graças ao caril que me reconciliei, através do leite de côco, fundamental para que o belo molho resulte. Aos poucos comecei a usar leite de côco em alguns pratos, como alternativa à nata. Esta semana, por exemplo, fiz lombos de salmão no forno com funcho e courgette cortada em esparguete, tudo embebido em leite de côco. Com os ingredientes previamente temperados com limão, gengibre, cebolinho fresco, pimenta e um salpico de vinho branco ficou uma maravilha ao fim de 25 minutos no forno, já com o leite de côco adicionado. A minha rendição ao côco estende-se ao óleo do dito. Experimentem estrelar um ovo em óleo de côco ou usá-lo para untar a placa das panquecas e não quererão outra coisa. Ainda por cima é uma gordura saudável com benefícios provados. E o melhor de tudo é que dá bom sabor aos alimentos que nele são cozinhados, o que nem sempre acontece com alguns bruxedos apresentados como saudáveis.

 

DIXIT -  “Tenho martelo e vou usá-lo com fartura” - Rui Moreira, a propósito dos festejos de S. João, no Porto.

 

GOSTO - Do discurso de aceitação do Nobel, de Bob Dylan, que ele divulgou esta semana e cuja gravação se encontra disponível na internet.

 

NÃO GOSTO - De um sistema judicial que promove investigações com base em denúncias anónimas e em cima do prazo de prescrição.

 

BACK TO BASICS - “Estou convencido que no sótão do Ministério dos Negócios Estrangeiros há uma pequena sala esconsa onde os candidatos a diplomatas são ensinados a gaguejar” - Peter Ustinov

 

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