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NEBULOSA - Quanto mais se avança no caso BES mais dúvidas surgem sobre os dias que levaram à intervenção do Banco de Portugal e mais se pensa se essa mesma intervenção não terá sido feita de uma forma pouco pensada, se as consequências de tudo terão sido bem medidas. Não é só o caso da Goldmnan Sachs, é também a situação dos pequenos accionistas e de depositantes que foram levados a determinados produtos. As novelas jurídicas que se desenham em torno da venda de activos e de património e o resto que, palpita-me, ainda há surgir vão fazer correr muita tinta. E já nem falo da polémica mudança de nome e de imagem em nome da anulação de uma marca e de uma história -  cabe perguntar se a destruição da marca não significou ela própria uma destruição de valor para uma venda futura; tenho as minhas dúvidas que tenha sido a melhor decisão. Este ano que está a findar foi fértil no desmantelar de ilusões e na destruição de valor - na Banca, mas também na PT e em outras grandes empresas nacionais que sendo vítimas do Estado, de corporações ou de vendas mal apressadas e mal pensadas acabaram por colocar a economia portuguesa mais fragilizada. O tempo, como sempre, será o melhor juiz do que este ano se passou.

 

SEMANADA - O Ministério da Saúde perdeu mais de seis mil trabalhadores desde 2009; um quinto do total dos médicos do Serviço Nacional de Saúde tinha no final do ano passado entre 55 e 59 anos; o Hospital Amadora Sintra ficou sem capacidade para receber mais doentes na época do Natal; em 2013 o sector do comércio perdeu 21 mil trabalhadores e quatro mil empresas face a 2012, mas conseguiu que o volume de negócios se mantivesse igual; 689 empresas foram declaradas insolventes em Novembro, 10% abaixo do número registado no mesmo mês de 2013; Portugal tem que importar bacalhau, peru e cabrito no período do Natal para fazer face à procura; Portugal ocupa a 7ª posição na lista dos países em que o preço dos combustíveis tem maior carga fiscal , 63% - à frente da França, Irlanda e Espanha; a secretária do estado do Tesouro, em pessoa, reuniu-se com quatro bancos para saber se estariam disponíveis para financiar a TAP; Luis Todo Bom, um dos obreiros da construção da Portugal Telecom, escreveu um artigo de opinião no Expresso onde afirma que “os brasileiros já destruíram a Cimpor, agora será a PT e, no futuro, a TAP”; as receitas do Turismo cresceram 12,3% de Janeiro a Outubro, num total de 9 mil milhões de euros; o número de pensões de velhice atribuídas em 2014 foi 17% superior ao das concedidas em 2013; foi publicada uma portaria que estabelece que em 2016 a idade da reforma sobe para 66 anos e dois meses; 88% das acções pendentes em Tribunal são de cobrança de dívidas; o presidente do Sporting diz que “é absurdo e injusto” dizer que o clube está em crise e afirma que a origem dos problemas está na comunicação social.

 

ARCO DA VELHA - A Câmara de Grândola vai esterilizar dezenas de gatos vadios na península de Tróia, para manter o número de animais controlado e reduzir as pragas de pulgas e carraças no verão.

 

FOLHEAR - Este Natal tive uma magnífica prenda - o “The Photography Book”  - publicado inicialmente pela Phaidon em 1997, e que teve este ano uma segunda edição revista e aumentada - que foi a que recebi. O livro apresenta fotografias marcantes de mais de meio milhar de fotógrafos, de todo o mundo e de diversas épocas e estilos, publicadas por ordem alfabética, com a indicação de detalhes cronológicos do autor e da imagem seleccionada, e ainda com a indicação de outros fotógrafos com trabalhos semelhantes ou que praticam o. mesmo género de fotografia. Já agora, a única presença portuguesa é de uma imagem de Helena Almeida. Os editores da obra são Tim Cooke e Caroline Kinneberg, que nas 576 páginas do livro incluíram também um glossário de termos e técnicas fotográficas e um outro glossário de movimentos artísticos, grupos e géneros ligados à fotografia. Finalmente existe ainda um indíce de galerias e museus que tenham um foco particular em fotografia. A selecção de imagens leva-nos a uma viagem através de momentos familiares e outros invulgares ao longo do tempo, mostrando o trabalho de fotógrafos famosos, mas também de desconhecidos e de outros que são ou foram especialmente inovadores. “The Photography Book” é um livro de consulta permanente para quem se interessa pela fotografia e pode ser adquirido na loja on line da Phaidon ou na Amazon.

 

VER - Um dia destes, a espreitar o site do MoMA, descobri a área de publicações digitais e, em especial, fiquei com curiosidade em ver “Picasso: The Making of Cubism 1912-1914”. O Museum Of Modern Art de Nova Iorque orgulha-se de estar a par dos tempos e a sua área de publicações digitais é uma referência. Neste caso o trabalho sobre as origens do Cubismo pode ser adquirido, por download, nas versões de ebook, PDF interactivo ou uma App para iPad - que foi a que adquiri e que é absolutamente exemplar. Custa 24 dólares e permite fazer uma viagem pelo processo criativo que levou Picasso a uma das fases mais empolgantes da sua obra. Mas o MoMA tem também aplicações gratuitas, como a MoMA Books, que permite ver amostras de uma boa parte das edições feitas pelo Museu, algumas delas já esgotadas na versão impressa, folheá-las e decidir se quer ou não comprar o acesso à edição integral. Estava eu nestas cusquices digitais quando me ocorreu como tem sido feito tão pouco desta natureza nos nossos museus. Não é por falta de material - ele existe, desde os Painéis de São Vicente, até catálogos já difícieis de encontrar como “O Triunfo do Barroco”, do tempo da Europália. Esta questão volta a colocar o problema da manutenção da presença cultural portuguesa no mundo digital - não basta defender a língua, é fundamental assegurar que ela exista no unverso audiovisual, multimedia e digital que é hoje a base da descoberta e do conhecimento em todo o mundo. O meu desejo para 2015 é que possamos ver, nos novos meios e suportes digitais, o que de melhor existe nos nossos museus e na nossa cultura.

 

OUVIR - O que é que Bryan Ferry e Neil Young têm em comum? Musicalmente pouco, a não ser os respectivos talentos - mas são da mesma idade , 69 anos, e ambos fizeram discos curiosos este ano. De “Storytone”, de Neil Young, falámos há poucas semanas, do novo de Bryan Ferry, “Avonmore”, falo hoje, já que anda no carro há uns dias largos, dando muito boa conta do recado. É impressionante como a voz de Ferry continua marcante - embora se faça sentir o passar dos anos. No entanto o seu estilo continua, entre o sofisticado e o cool, sem recursos a manobras electrónicas sobre as cordas vocais - ou seja, ele continua mesmo a cantar. “Avonmore” é uma surpresa - retoma um lado quase rock, nas guitarras - que se faz sentir logo na faixa de entrada, “Loop De Li” que apresenta nada menos que seis guitarristas, entre os quais Nile Rodgers, Johnny Marr e Neil Hubbard (que colaborou em Avalon, dos Roxy Music). É aliás curioso que Avonmore retome, a começar pelo título, alguma da atmosfera de Avalon, que é modernizada em “Johnny & Mary”, um original de Robert Palmer, onde Ferry, a encerrar o disco, faz parelha com o DJ e produtor norueguês Todd Terje. No álbum há oito temas originais e duas versões ( a outra é "Send in the Clowns" de Stephen Sondheim) e o co-produtor do disco é Rhett Davies, que colabora com Ferry dessde os últimos anos dos Roxy Music. Ferry leva cinco décadas de carreira musical, mantém-se fiel à pop elegante com arranjos sofisticados e além dos nomes já referidos chamou para o seu lado músicos como Mark Knopfler e Ronnie Spector, entre outros. (CD na Amazon).

 

PROVAR - O restaurante Bem Haja nasceu e ganhou fama em Nelas. O local era um antigo lagar de vinhos e a proposta era dedicação total à cozinha portuguesa, tendo em conta a inspiração regional da zona da Serra da Estrela, assim como, na garrafeira, as possibilidades dos vinhos do Dão. Passados uns anos do começo desta história, há cerca de dois meses, o Bem Haja abriu em Lisboa, comandado por Isabel Raposo, que criou o conceito original e que hoje se divide entre os seus dois restaurantes com o. mesmo nome. Em Lisboa fica na Rua de Campolide, a meio de quem desce, no nº 165. As propostas da lista têm a cozinha portuguesa como matriz e alguns dos pratos da casa original, como o cabrito assado no forno ou o entrecosto com arroz de carqueja têm aqui lugar garantido. Devo no entanto confessar que a minha preferência vai para uns filetes de polvo absolutamente deliciosos, muito bem preparados, acompanhados por umas migas que estavam mesmo boas. Na ideia, para experiência futura, ficou uma posta de vitela com arroz de cogumelos que, na mesa ao lado, me despertou a atenção. As entradas e as sobremesas funcionam em regime de buffet e ambas têm mérito. A garrafeira tem boas propostas a preços decentes, e sugiro que peçam recomendações da região do Dão. À noite vale a pena fazer reserva. Telefone 213870039.

 

DIXIT - “O sistema judicial vive em autogestão. Tem que se rever o actual modo, em que as decisões estão apenas nas mãos dos senhores juízes e senhores magistrados” - António Barreto

 

GOSTO - De organizações como a Refood, que, com base no trabalho de voluntários, recupera e distribui a quem deles necessita alimentos prontos e não consumidos em restaurantes e pastelarias.

 

NÃO GOSTO - Da contradição cada vez maior que existe entre formação e trabalho - estamos a formar pessoas que não encontram colocação em Portugal nas suas áreas e cujo único destino é a emigração.

 

BACK TO BASICS - Por melhor que a estratégia pareça ser, é sensato olhar de vez em quando para os resultados que ela está a produzir - Winston Churchill

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publicado às 10:48



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