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PINHEIRINHOS   - Vamos imaginar assim uma coisa de boa vontade, natalícia: temos governo, é redondo, tem frutas cristalizadas para adoçar, uns frutos secos para temperar, uns brindes para agradar e uma fava para alguém pagar. Parece mesmo um Bolo Rei. Diz-me a história recente que a fava calha sempre aos mesmos - aos contribuintes. Imbuído de espírito natalício só vejo pais natais a escorregarem nas chaminés dos ministérios com montanhas de prendas. Por todo o lado os pinheiros estão engalanados com blocos de bolas e estrelas vermelhas. Vejo a despesa a crescer e sei que, se a receita não crescer agora, vai ter que crescer a dobrar a seguir. Recordo-me de me terem ensinado que só se pode repartir o que existe, repartir o que não há é dar o buraco do meio do Bolo Rei como prenda. Oferecer o vazio é a pior das prendas a não ser que a intenção seja enganar. O que estes primeiros dias indicam são falinhas doces, montanhas de diálogo caramelizado, sonhos de abóbora amargos e coscorões que começam a enrijar. Resta saber quando as filhoses amolecem e  azedam . Será a fase seguinte do processo em curso. Não há almoços grátis e não há benesses sem que o preço seja pago por alguém. Vamos ver quando as renas que puxam este Pai Natal, que nos saíu em brinde como Primeiro Ministro, começam a escoicear.

 

SEMANADA - Sócrates teve dois tempos de antena na TVI, acusou António Costa de não ter saído em sua defesa e afirmou que o PS estava objectivamente a favorecer a candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa; António Costa convidou Manuel Alegre para o Conselho de Estado e depois desconvidou-o, substituindo-o por Carlos César; o grande amigo autárquico de António Costa, Rui Rio, fez constar que se prepara para suceder a Passos Coelho e avisa que “será difícil Passos ganhar eleições”; Passos Coelho optou por contrariar o que estava agendado e falou ele próprio no primeiro debate Parlamentar com Costa, substituindo-se ao líder parlamentar do PSD; no entretanto Passos anunciou que a PAF acabou;  o Futebol Clube do Porto impediu Rui Rio de entrar no seu pavilhão desportivo e obrigou a SIC Notícias a alterar o local de emissão de um programa para o qual Rio estava convidado; Arnaldo Matos retomou o comando do MRPP e anunciou-se defensor do Estado Islâmico; a comissão de honra de Henrique Neto parece um sortido de bolachas araruta constituído por ex-governantes e ex-dirigentes partidários: Campos e Cunha, Nuno Crato, Daniel Bessa, João Salgueiro e Ribeiro e Castro, entre outros; o Nobel Paul Krugman considerou “problemático” o aumento do salário mínimo na situação portuguesa e os rapazes de esquerda, que nos últimos anos o andaram a louvaminhar, ficaram a modos que engasgados; ao longo deste ano foram abertos 65 hotéis novos e remodelados; o petróleo atingiu o menor preço desde 2008; há oito anos que não há escolas públicas no top 10 do ensino secundário.

 

ARCO DA VELHA - José Sócrates disse que não sabe quanto dinheiro deve ao seu amigo Santos Silva.

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FOLHEAR - Pela segunda vez a Monocle edita, nesta altura, a sua antevisão do que será o ano seguinte. Chama-se “The Forecast” e a ideia é fornecer conteúdo que vá sendo folheado ao longo do tempo. Digamos que é uma espécie de versão “The Force Awakens” do portuguesíssimo almanaque “Borda de Água”, cuja nova edição também já está nas bancas. “The Forecast” tem 250 páginas com tendências, ideias de negócios que estão a começar a funcionar e pensamentos para tornar o mundo um bocadinho melhor - desde as casas onde vivemos até ao regresso ao campo ou a alteração nos hábitos e veículos que usamos para nos deslocarmos. Mas, além disso há debate de ideias - como por exemplo o artigo sobre think tanks e em especial a parte sobre a britânica Chatam House, cujas regras foram muito (mal) invocadas por aqui em meados do anterior governo. Adiante. Há um artigo muito interessante sobre uma questão que está cada vez mais na ordem do dia - a persistência da utilização dos livros nesta época de ecrãs, e a proliferação de pequenas editoras independentes com edições surpreendentes. Finalmente, como 2016 vai ser o ano do macaco a página final dá-nos pista sobre o que o símio nos pode trazer.

A finalizar não resisto a umas sugestões de prendas livreiras: “Crónica da Manhã - Um Apontamento de Todos os Dias” que publica 22 crónicas que Agustina Bessa-Luís fez para a RDP em 1978. E, para quem gosta de citações,“O Grande Livro dos pensamentos & das citações”, compilado por Oscar Mascarenhas.

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VER -  O documentário televisivo, bem feito, com bom research, acesso a bons materiais audiovisuais de arquivo e uma boa realização, é algo que me fascina. Se voltasse a fazer alguma coisa em televisão era esta a área a que me dedicava, um segmento da programação infelizmente tão maltratado e esquecido em Portugal, nomeadamente pelo operador de serviço público - apesar de ser daqueles que menor investimento requer. Por ocasião do centenário de Frank Sinatra o canal norte-americano HBO encarregou o realizador Alex Gibney de mostrar a vida da Voz. O resultado é “Sinatra - All Or Nothing At All”, felizmente disponível entre nós num duplo DVD que proporciona quase quatro horas de entretenimento e conhecimento. O documentário reúne entrevistas com Sinatra feitas em vários momentos da sua vida, gravações de concertos e depoimentos de quem o conheceu de perto. Um dos lados curiosos é que parte da construção é feita em torno das canções que Sinatra escolheu para o célebre “Retirement Concert”, de 1971, em Los Angeles, canções que o realizador sinaliza como os marcos que guiaram a vida de Frank Sinatra. Disponível na FNAC e El Corte Ingles ou via Amazon.

 

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OUVIR - Ao longo da História foram surgindo discos que retrataram apenas parcialmente as respectivas sessões de gravação em que foram feitos. Felizmente que muitos arquivos foram sendo salvaguardados e permitem retomar o que na altura ficou como que escondido. No Outono de 1965, há 50 anos, Amália estava a gravar um álbum de canções em inglês, standards do cancioneiro popular norte-americano, acompanhada de orquestra e sob a direcção do grande maestro Norrie Paramor - um projecto que entusiasmava o seu editor, Rui Valentim de Carvalho. A ideia inicial nunca foi finalizada e,  das 12 canções orquestradas por Paramor, apenas oito foram finalizadas e deram origem ao álbum “Amália na Broadway”, editado finalmente 19 anos depois, em 1984, quando Amália se refugiou em Nova Iorque  - foi uma fase difícil da sua vida, entrou em depressão, tentou mesmo suicidar-se e, numa carta de despedida que escreveu, pedia para que “continuassem, na mesma, a seguir com o disco das canções americanas” - assim surgiu “Amália na Broadway”. Agora, graças ao persistente trabalho que Frederico Santiago tem feito nos arquivos da Valentim de Carvalho, esses temas são completados com mais nove faixas, entre elas versões orquestrais gravadas nessa altura de “Ai Mouraria”, “Solidão”, “Lisboa Antiga” e “Coimbra”, que na época funcionaram como experiência quer para os arranjos de Paramor, quer para a relação da voz de Amália com o som da orquestra, e que antes nunca foram editadas. A essas acrescem versões alternativas de temas utilizados no “Broadway” e ainda a gravação incompleta, que Amália sempre deixou inacabada, de “The Man I Love”, um símbolo de uma época que nunca foi verdadeiramente concluída. “Someday”, assim se chama esta nova edição, tem na capa uma fotografia de Eduardo Gageiro e, no interior, um texto de Vítor Pavão dos Santos sobre esses tempos. Quando se ouve, percebe-se como Amália era um talento à parte e à frente do seu tempo.

 

PROVAR - Tinha lá ido uma vez ao princípio, quando o sushi ainda não era uma praga como hoje são os hamburguers gourmet. Lembro-me que na época achei alguma graça à diferença total em relação ao Aya, que era o meu termo de comparação possível. Não era bem sushi - percebi depois que era um sushi bossa-nova, assim, tropicalizado - e diga-se que não deliro com brasileirices. Estou a falar do restaurante “Estado Líquido”. Ao fim de quase uma década regressei lá um destes dias e fiquei agradavelmente surpreendido. Anos depois não está decadente, a mobília não range nem se desconjunta, a parede está sem mossas, a comida mantém a qualidade, os sabores ainda surpreendem, o serviço é absolutamente exemplar e atrás o balcão a concentração e dedicação dos sushimen que estão a preparar os pratos só podem significar que gostam do que estão a fazer e que estão empenhados em servir o cliente. Estas duas coisas são raras nos restaurantes lisboetas e quanto mais da moda, pior. No que toca ao cenário, os sofás do lounge no andar de cima provocam pensamentos atrevidos e espicaçam a curiosidade, Não sei se já repararam mas na maioria dos restaurantes da moda os clientes são vistos como ovnis incómodos, uma espécie de mosquitos fora de época. Balanço final: o “Estado Líquido” continua a merecer uma visita  - Largo de Santos 5A, telefone 213 972 022. Eu acho que a deslocação vale a pena, mas a casa tem um serviço de entregas que pode ajudar a fazer um festival sushi em casa. O telefone é o mesmo e em www.estadoliquido.com pode tirar as dúvidas.

 

DIXIT - “Em 2015 não devemos esperar muito do futuro, porque nós próprios somos responsáveis pelo nosso destino e a nossa responsabilidade, talvez não por nossa exclusiva culpa, não é muita” - Vasco Pulido Valente.

 

GOSTO - De  o Prémio Pessoa ter sido atribuído a Rui Chafes.

 

NÃO GOSTO - Da situação que os estivadores criaram no Porto de Lisboa.

 

BACK TO BASICS - “Aqueles que dizem que o dinheiro é a solução para tudo são os mesmos que  defendem que se pode fazer tudo por dinheiro” - Benjamin Franklin

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publicado às 11:09



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