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PERPLEXIDADES  - A campanha eleitoral oficial ainda nem começou e já duas coisas me deixam perplexo. A primeira é a obrigação que o PSD pretende estabelecer de obrigar os seus deputados a votarem obedientemente o que o partido mandar em quaisquer circustâncias. Esta imposição é o assumir formal do papel a que progressivamente os parlamentares têm sido reduzidos - a maioria dos deputados, de quaisquer partidos, diga-se, são apenas verbos de encher, ou eventualmente de votar. Se as coisas se passassem assim nos Estados Unidos Lincoln não teria conseguido abolir a escravatura e as cenas de desvio de votos da lógica partidária, bem mostradas em séries como “House of Cards”, não existiriam. A situação de obediência passiva a que pretendem que os deputados se submetam é depreciativa em primeiro lugar para quem neles vota - porque assim o eleitor fica reduzido a eleger seres que aceitam deixar de ter opiniões e convicções próprias. O caso é um exemplo do estado de podridão do regime e dos partidos e do seu desprezo pelos eleitores, de quem se afastam cada vez mais. O segundo tema, tão grave como este, é a forma como o PS - suspeito que perante a alegria de alguns dirigentes do PSD - pretende impedir Paulo Portas de participar nos debates eleitorais na televisão. O argumento é extraordinário, o objectivo é revoltante e a manobra é um exemplo de oportunismo político na sua expressão mais selvagem. Será que é Portas quem Costa mais teme?

 

SEMANADA - Há 383 candidatos para as dez vagas nos serviços de espionagem portugueses; seis dos 15 ministros do Governo ficaram fora das listas da coligação;  o lucro das empresas cotadas do PSI 20 subiu 70% no primeiro semestre do ano; a carga fiscal já representa 60% do preço de venda do litro de gasolina; entre Janeiro e Julho foram vendidos 135.256 carros, mais 28% face a igual período do ano passado; no mês de Julho os portugueses compraram 553 carros por dia; no início de Agosto a circulação de veículos estrangeiros nas auto-estradas portugueses cresceu 16%; nos cinco primeiros dias a nova versão do filme “Pátio das Cantigas” já teve cem mil espectadores; até Junho os portugueses investiram mais de 1,2 mil milhões de euros em PPR’s; várias cantinas escolares decidiram continuar abertas durante o Verão para que as crianças suas alunas possam ter alimentação nas férias; 26% dos alunos do secundário ainda chumbam a matemática; nos últimos anos fecharam 2 mil cursos de ensino superior; segundo dados compilados pela Cision,  na época desportiva de 2014/2015, o futebol gerou 537.462 notícias relativas a equipas portuguesas;  só em televisão foram emitidas 182.846 notícias, que se traduziram em 11.187 horas de emissão dedicadas ao tema; num total de 310 propostas do Governo chegadas à Assembleia da República, o PS votou em 139 a favor e só em 92 contra; Alexis Tsipras afirmou que Varoufakis tem mau gosto para camisas; o Benfica perdeu a Taça Eusébio no México.

 

ARCO DA VELHA - Durante uma entrevista a um jornal, o gato da candidata à Presidência da República pelo partido dos animais (PAN, Pessoas-Animais-Natureza) mostrou-se indiferente à protecção de outros bichos e comeu um pássaro que ela tinha levado para casa.

 

FOLHEAR - Com pena minha nunca fui a Tóquio - mas já li muito sobre esta cidade, que me fascina. Ao folhear a edição de Verão da revista fotográfica Aperture, a 219, precisamente com o título “Tokyo” na capa, fico com a sensação de estar a passear pela cidade, de conhecer a sua vida, mesmo a mais escondida. A Aperture editada em Nova York pela Fundação com o mesmo nome, é um repositório do que melhor se faz em fotografia actualmente. Como diz o editorial “Toquio existe na nossa cabeça não só como uma imagem mas sobretudo como uma ideia”. “Picture Tokyo”, uma selecção de autores que olharam para a cidade, é o ponto de partida desta edição, onde merecem destaque também a fotografia feita para revistas japonesas nas décadas de 60, 70 e 80 e sobretudo a história de Takuma Nakahira, um dos mais importantes nomes da fotografia nipónica. Vários portfolios mostram o lado mais secreto das pessoas da cidade, outros manipulam paisagens. A selecção de fotógrafos e de imagens é fantástica. Esta edição pode ser comprada na Amazon UK por 16 Libras.

 

VER - Ao longo dos últimos anos têm aberto em Lisboa algumas galerias dedicadas à fotografia mas a nova Barbado Art Gallery é a primeira que se assume com uma vocação eminentemente comercial, dirigida a coleccionadores que queiram ter, além da apreciação da obra, alguma garantia da estabilidade e rentabilidade futura do seu investimento. Por isso mesmo o proprietário da galeria, João Barbado, um jurista que abadonou a advocacia para se dedicar a esta actividade, criou ligações com algumas galerias internacionais por forma a que possa expôr nomes que são presença rara em Portugal e que têm uma cotação sólida no mercado de arte. Assim, até 21 de Agosto, pode ainda ser vista a exposição inaugural que inclui obras de nomes como, entre outros, o chinês Ren Hang, o israelita Nadav Kander (que já ganhou um prémio Pictet precisamente com a série sobre o rio Yang Tze, a que pertence uma das fotografias  em exibição), o alemão Boris Eldagsen, o britânico Marcus Lyon que tem uma téncica muito particular de manipulação de imagem,  Steve McCurry - o autor da célebre fotografia da menina afegã que a National Geographic tornou famosa - e que está exposta, e finalmente uma fotografia de Martin Parr, o reputado fotógrafo da agência Magnum, que terá uma exposição a solo na Barbado a 12 de Setembro. O espaço da galeria é bom, João Barbado é apaixonado pelo que decidiu fazer e percebe-se que estudou o tema a fundo. A Barbado Gallery fica na Rua Ferreira Borges 109-A e tem página no Facebook onde estão todas as indicações úteis.

 

OUVIR - Aqui há uns anos, quando ía de férias, levava umas quantas cassettes, com a música que me apetecia ouvir; uns tempos depois passei a levar uns CD’s; e hoje em dia levo um smartphone onde possa aceder aos serviços de streaming - a transmissão de música on line. O mais conhecido é o Spotify, o melhor em termos de qualidade de som é o Tidal e, recentemente, a Apple entrou no jogo com o seu Apple Music. E há ainda o SoundCloud, que é um espaço dedicado a novos músicos. Eu pessoalmente prefiro o Spotify, sobretudo porque é aquele que proporciona uma selecção mais alargada de música nova, permitindo tanto fazer descobertas de novos músicos como estar a par de novidades de nomes já consagrados. O serviço da Apple, por enquanto pelo menos, é menos interessante deste ponto de vista e também pela sua forma de utilização e manuseamento, que é mais complicada. Assim sendo continuo fiel ao Spotify, que ainda por cima agora me sugere regularmente descobertas da semana personalizadas ao que são os meus gostos. Foi o que aconteceu esta semana quando dei com o novo álbum de Buddy Guy, “Born To Play Guitar” - estes blues não são delico-doces e apresentam-se de forma séria. A  playlist de novidades que o Spotify fez para mim e este novo Buddy Guy têm sido as minhas escutas da semana.

 

PROVAR - Estamos numa daquelas épocas em que todos os dias abrem novos restaurantes em Lisboa, provavelmente impulsionados pelo aumento do número de turistas. Uma das novidades é o “La Pasta Fresca”, na Avenida 5 de Outubro. Como o nome indica faz das massas elaboradas todos os dias na sua cozinha. Além de diversos tipos de pastas simples, algumas pouco divulgadas em Portugal,  há também raviolis, cujo recheio vai variando ao longo dos dias. Devo dizer que a confecção das massas, o seu paladar e a sua textura - e já agora o ponto da sua cozedura, estão perfeitos. Também as receitas tradicionais de molhos com que são acompanhadas fazem lembrar, por vezes, os petiscos que o inspector Montalbano vai degustando nas descrições do seu autor, o escritor Andrea Camilleri. Há surpresas como ravioli de salsicha e batata e nas entradas há sugestões como parmigiana de beringelas. Ainda nas massas provei um irresistível caserecce com pesto de cetara, uma receita da costa amalfitana. Fiquei com curiosidade sobre os  machcheroni verdi com brócolos, anchova e salsicha fresca. A lista de vinhos é curta mas tem uma boa selecção de portugueses e algumas propostas italianas como um interessante tinto de Montepulciano, Le Casalte, servido a copo. Na sobremesa experimentou-se uma cassata, importada de Itália, um pouco doce demais para o meu gosto. Como nem tudo são maravilhas devo no entanto dizer que embora o serviço seja esforçado, é insuficiente. São demasiadas mesas para um só empregado de sala sobretudo quando a dona, mesmo nos momentos de maior aflição, parece mais uma peça decorativa atrás do balcão que alguém disposto a garantir uma boa experiência de serviço aos clientes. Qualquer trattoria em Itália evita situações destas. La Pasta Fresca -Avenida 5 de Outubro, 186A, tel.  21 796 0997.

 

DIXIT - “A vida está mais imbecil, as elites são relapsas e incultas, a escola transformou a leitura numa tortura sem sentido. Vêm aí tempos difíceis e colheitas amargas” - Francisco José Viegas, no Correio da Manhã.

 

GOSTO - Da decisão da Secretaria de Estado da Cultura de levantar os entraves burocráticos à exportação de arte contemporânea e de obras de artistas portugueses vivos, o que facilitará a sua divulgação no mercado internacional.

 

NÃO GOSTO - Os alunos do 9.º ano registaram notas médias de 47% a Português, abaixo dos 50% de 2014, e a taxa de reprovação a Português aumentou dos 19% para os 36%.

 

BACK TO BASICS - O nosso destino nunca é um determinado lugar mas sim uma nova maneira de ver as coisas - Henry Miller

 

 

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