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MUDANÇAS - As eleições realizadas em Espanha no fim de semana passado mostram um alteração total do que era o espectro partidário do país. O PSOE caíu estrondosamente, o bipartidarismo foi desfeito, há novas forças políticas que se vão tornando as charneiras possíveis do regime e cuja participação no jogo político é fundamental para existirem entendimentos governativos. Como bem notou Nuno Ribeiro, no Público, “o modelo bipolar falhou porque não fez reformas, no imobilismo residiu a sua resistência e a corrupção foi o seu alimento”. Estas palavras podiam ser aplicadas letra por letra a Portugal. Aqui  ainda não chegámos ao tempo em que surgem novas forças políticas que ganhem relevância - o Bloco de Esquerda de certa forma é um partido já do regime, mas que renasceu, talvez graças a ser “picado” por essa invenção falhada de Boaventura Sousa Santos e de Rui Tavares que acabou por ser um balão cheio de ar, e que no dia das eleições se esvaziou rapidamente sem efeito nem consequência. Em Espanha e em Portugal os partidos do arco da governação, como se chamou aos protagonistas do regime, alimentaram-se reciprocamente e especializaram-se em fazer uma gestão política das maiorias absolutas, arregimentando hordas de fiéis que viviam das suas benesses e rodavam entre si, chamando a isso diálogo político. Na realidade quase nunca se praticou em Portugal a política como uma negociação permanente entre as forças partidárias, único factor que pode garantir uma estabilidade de políticas além dos ciclos eleitorais e que permite que a sociedade desenvolva as suas dinâmicas próprias. Em 40 anos de democracia isso ainda não se conseguiu.

 

SEMANADA - Obama organizou um visionamento do novo Star Wars para famílias de militares americanos mortos em combate e robots Stormtroopers estiveram no palco das conferências de imprensa da Casa Branca;  PSD e PP separaram-se depois de a coligação que constituíram ter vencido as eleições e mesmo assim ter perdido o Governo; José Sócrates regressou à cadeia de Évora para fazer uma visita de Natal aos seus ex companheiros de detenção; num almoço comício em Vila do Conde José Sócrates acusou o PS de estar a ter nas presidenciais uma estratégia que favorece Marcelo Rebelo de Sousa; as autoridades brasileiras pretendem investigar a actividade de José Sócrates na empresa Octapharma por negócios realizados naquele país; Manuel Alegre sentiu-se traído por António Costa na questão do Conselho de Estado; o FMI admitiu que o programa da troika em Portugal foi mal pensado e que teria sido melhor uma reestruturação da dívida; a quota de pesca de sardinha que Portugal perdeu em cinco anos anda perto das 50 mil toneladas; em Portugal há 130 barcos e 2500 pescadores a viverem da pesca da sardinha; a Banca perdeu 7 mil postos de trabalho em cinco anos; nos últimos anos os contribuintes foram chamados a pagar 13 mil milhões de euros devido a problemas surgidos em três bancos e agora vão também ter de pagar o preço das eventuais reversões das privatizações de empresas como a TAP; Paulo Portas considerou que os custos da suspensão da venda da TAP são “um imposto ideológico”; o Banco de Portugal resolveu sempre os problemas surgidos por deficiências da sua própria supervisão ao sistema financeiro atirando a conta para os contribuintes; algo vai mal no funcionamento do Banco de Portugal.

 

ARCO DA VELHA - O ex-espião Jorge Silva Carvalho garantiu em tribunal que 90% do funcionamento dos serviços de informação se baseia em actos ilegais que foram uma constante nos mandatos de vários responsáveis pelas secretas ao longo dos últimos anos.

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FOLHEAR - A revista “Egoísta” distingue-se pelo seu grafismo cuidado, por uma qualidade de impressão acima da média e, claro, por uma riqueza e diversidade de conteúdos que são no fundo a sua razão de ser. Bons conteúdos mal paginados e pior impressos há muitos, conseguir conjugar tudo de uma forma quase perfeita é que é mais difícil e é isso que a “Egoísta” faz há vários anos. A edição agora publicada  tem na capa Sofia Aparício em pose natalícia e lá dentro um magnífico portfolio fotográfico a desenvolver o tema de capa, assinado por Carlos Ramos. Entre os artigos a destacar chamo a atenção para “Hannah”, de Maria do Rosário Pedreira e para o ensaio de António Mega Ferreira sobre as interpretações que, ao longo da História, alguns artistas fizeram da Sagrada Família. Outros destaques para  “Acerca do Bom Despacho”, que tem magníficas ilustrações de Ivone Ralha e palavras de Francisco Duarte Azevedo, para “Sem Remorso”, uma mini banda desenhada de Rodrigo Prazeres Saias com texto de Luisa Jardim e para “E desde então não morri”, de Dulce Maria Cardoso. Finalmente destaque também para os portfólios fotográficos de Luís Barreira e Maria João Gonçalves. A responsabilidade destas coisas vai para o Director e impulsionador da revista, Mário Assis Ferreira, para a editora Patricia Reis, e para a designer gráfica Joana Miguéis, do atelier 004, que assegura a edição e produção da “Egoísta”.

 

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VER - Para quem gosta de artes plásticas, três ideias para prendas de última hora nas áreas da fotografia, azulejo, e múltiplos. Comecemos pela fotografia e pela Barbado Gallery (na imagem), na Rua Ferreira Borges 9A, que mostra actualmente “Facing The Camera: From 1970 to Tomorrow”, obras do finlandês Arno Rafael Minkkinen, pouco conhecido entre nós mas cuja obra tem ganho importância entre os coleccionadores de fotografia - e esta é uma galeria que se dedica a comercializar nomes de referência. Proponho ainda uma visita a O Gabinete, um espaço na Rua Ruben A Leitão 2B, ao Princípe Real, que   edita e promove múltiplos de arte em séries exclusivas e limitadas. Actualmente estão em exposição peças de Hugo Almeida Pinho, para além das novas edições de Rui Toscano e André Cepeda e do acervo fazem parte obras de Joseph Beuys, Michael Biberstein, Helena Almeida, Lawrence Weiner e Julião Sarmento, entre outros. A terminar, e passando para os azulejos, proponho uma ida à Galeria Ratton, na Rua da Academia das Ciências 2C, onde poderá encontrar deliciosos azulejos feitos por Pedro Proença e Andreas Stocklen, além de obras de muitos outros artistas que ao longo dos anos desenharam para esta Galeria como Paula Rego, Júlio Poma, Costa Pinheiro, René Bertholo, Eduardo Batarda, Joana Rosa, José Barrias, Jorge Martins ou Lourdes Castro, entre outros.


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OUVIR - Aline Frazão é angolana e compõe e interpreta, na voz e guitarra as suas próprias composições.É um dos nomes grandes da nova música de Angola, onde nasceu em 1988, vivendo actualmente em Lisboa. A sua estreia discográfica, “Clave Bantu” foi em 2011 e incluía poemas de José Eduardo Agualusa e de Ondjaki. Mas foi em 2013, com o álbum “Movimento”, onde, além das suas composições, cantou textos de Alda Lara e Carlos Ferreira, que ganhou mais notoriedade e começou a fazer espectáculos em África e na Europa. “Insular”, este  seu terceiro disco de originais, foi gravado na Escócia, na ilha de Jura. A capa e as ilustrações do interior são  de António Jorge Gonçalves, no disco participam nomes como Pedro Geraldes, dos Linda Martini. O álbum mistura ritmos envolventes e quentes de origem africana, com sonoridades duras e eléctricas do norte da Europa e inclui poemas de Ana Paula Tavares e Capicua. A maneira de cantar de Aline Frazão e os arranjos que escolheu contêm um ritmo próprio e conferem uma identidade especial ao seu trabalho, diferente dos cânones politicamente correctos da world music. E ainda bem. Edição NorteSul/ Valentim de Carvalho.

 

PROVAR -  O Biomercado é um novo espaço que conjuga um supermercado biológico com um restaurante que se apresenta igualmente biológico. Do lado do comércio estão pães da marca Miolo em várias variedades, desde a alfarroba à espelta. Há uma extensa zona de compotas e de cereais, conservas feitas com produtos biológicos, portuguesas e importadas - e nas portuguesas destaco as da fábrica la Gondola onde, por exemplo, o atum é enlatado em azeite extra virgem biológico. A garrafeira também tem algumas escolhas que suscitam curiosidade. O princípio seguido no Biomercado é ter apenas produtos frescos da época. Nalguns casos há surpresas como um bolo rei feito sem açúcar, apenas adoçado com concentrado de maçã e frutose e sem frutas cristalizadas. Há a possibilidade de encomendar peru biológico, ou seja não submetido a aviário e que cresce como nos tempos antigos. O espaço inclui uma cafetaria com uma boa oferta de saladas, sanduíches e de sumos naturais - o de maçã e gengibre é uma óptima surpresa e ao fim de semana há brunch. Avenida Duque de Ávila 141B, entre a 5 de Outubro e a Avenida da República.

 

DIXIT - “É muito difícil para algumas pessoas darem o braço a torcer”  - José Sócrates.

 

GOSTO - Os sorteios do Fisco deixam de atribuir automóveis e passam a sortear certificados de aforro.

 

NÃO GOSTO - Dos resultados da actuação de supervisão do Banco de Portugal ao longo dos anos

 

BACK TO BASICS - “Uma coisa é certa - os perus não gostam de saber que o Natal está a chegar” - provérbio irlandês.

 

(Publicado no Jornal de Negócios de 23 de Dezembro de 2015)

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publicado às 12:30



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