Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



IMG_3157.JPG

MEDIÀTICOS -  Sinto-me tentado a dizer que daqui a um ano o panorama dos canais portugueses no cabo vai ser diferente, para pior, em quantidade e qualidade,  relativamente à oferta que hoje em dia existe. A Altice já iniciou as renegociações sobre os valores que a PT pagava aos operadores portugueses pelos canais que distribuía e tem a expectativa de obter grandes reduções. A NOS, mas também a Vodafone, observam com atenção o que se passa para, se a Altice fôr bem sucedida, poderem elas próprias renegociar também em baixa os valores que igualmente pagam aos mesmos operadores. Não é arriscado dizer que  os operadores que detêm canais no cabo e que beneficiaram de contratos generosos dos dois antigos principais operadores de distribuição, a PT/MEO e a TV Cabo/ZON, podem ver as suas receitas diminuírem de forma acentuada. Nalguns casos estes operadores, nomeadamente a RTP, a SIC e a TVI, tinham nas operações de cabo subsidiadas pelos distribuidores uma fonte de receitas que ajudava ao fecho de contas. Esta situação corre o risco de começar a ser um gerador de resultados negativos a não ser que se tomem drásticas medidas de cortes de custos - e previsivelmente os canais de informação serão dos mais atingidos. O que me preocupa quando olho para este panorama é pensar que se pode entrar num ciclo vicioso: menos orçamento, menos meios de produção, perda de qualidade, deterioração de audiências, queda das receitas publicitárias. Os Media não valem nada sem audiência. Se desprezam a qualidade, arriscam perder valor - porque o único valor que têm é o poder da comunicação que conseguem estabelecer. Vamos ter pela frente tempos complicados na paisagem mediática.

 

SEMANADA - Cinco milhões seiscentos e quatro mil é actualmente o número de portugueses que utilizam Internet, dos quais 2,2 milhões declaram usar tablets, revela um estudo da Marktest; em quatro anos emigraram seis mil bombeiros, o que significa metade do total que existiam; entre 1 de Janeiro e 15 de Julho registaram-se 8753 incêndios florestais que atingiram 23.702 hectares, mais que em anos anteriores no mesmo período; Portugal tem a segunda maior taxa de emigração da Europa, atrás de Malta; 2,3 milhões de portugueses residiam fora do país em 2013; até final de Junho 480 empresas tinham salários em atraso no valor de 1,8 milhões de euros; um em cada dois trabalhadores portugueses trabalha em part-time, contra um em quatro, que é a média da União Europeia; cada família portuguesa pagou mais 1415 euros de IRS em dois anos; todos os dias 96 famílias portuguesas pedem ajuda para pagarem as dividas; o nível de incumprimento das empresas portuguesas à banca nunca foi tão elevado como agora, e atingiu um rácio de crédito mal parado de 15,7% dos empréstimos; segundo o Eurostat Portugal tem a 3ª maior dívida pública da União Europeia - 129,6% do PIB; o Tribunal de Contas indica 2691 milhões de euros de custos para o Estado com o BPN, mais 495 milhões que o previsto em 2014; o Ministério da Saúde enviou para investigação nos últimos três anos 416 processos no âmbito do combate à fraude, que equivalem a um montante de 372 milhões de euros.

 

ARCO DA VELHA - O fornecimento das cantinas escolares de Guimarães nos próximos três anos foi adjudicado pela autarquia a uma empresa que reconhece ter cortado na dimensão das doses de alimentos, como o peixe, que estavam previstas nas condições do concurso. Os outros concorrentes reclamaram e a autarquia desvaloriza a questão.

 

FOLHEAR - Nos últimos tempos tem-se notado um ressurgir das revistas de viagem - não os álbuns de postais ilustrados habituais no início deste século, mas publicações que se baseiam em relatos mais ou menos extensos, a meio caminho da literatura de viagem tradicional. A revista “Monocle”, que nos últimos anos fez edições especiais em formato de jornal no Verão e no Inverno (respectivamente a Monocle Alpino e a Monocle Mediterraneo), decidiu em finais de 2014 avançar para um novo conceito. E assim, no final do ano edita uma publicação dedicada a perspectivar o futuro (“The Forecast”) e agora lançou uma consagrada às viagens e à descoberta, “The Escapist”, que se pretende uma leitura de férias inspiradora de viagens, com o habitual peso hedonista da publicação mãe. “The Escapist” percorre o mundo, do Alaska ao Japão, passando pela América do Sul, o Médio Oriente, África, Ásia e a Europa - ou se quisermos de Varsóvia a Addis Abeba, passando pelo Djibouti ou Sapporo. Como sempre há indiscutivelmente boas ideias editoriais e um cuidado estilo gráfico, além de uma edição fotográfica que parece ingénua, mas que no fundo é muito sofisticada. Como curiosidade refira-se que os dois grandes anunciantes desta edição são diversas regiões e temas do turismo de Espanha e a rêde de alojamento partilhado “airbnb”, que aliás publica um destacável - nos dois casos numa cuidada composição entre o editorial e o comercial. Existe uma lista dos 50 melhores restaurantes de 2015, com duas referências portuguesas, ambas inesperadas mas justas - o Gambrinus, em Lisboa, na 42ª posição e a Mercearia Gadanha em Estremoz, na 49ª. O primeiro lugar foi para o Beard, em Tokyo e o segundo para o incontornável River Café em Londres e o terceiro para o Pa & Co em Estocolmo.

 

VER - Hoje destaco duas exposições bem diferentes que estão na Gulbenkian até meados de Outubro. A mais cativante , “todos os livros”,  é a que agrupa cerca de meia centena de livros de artista produzidos por Lourdes de Castro, desde os anos 50 até hoje, muitos deles nunca antes expostos. Destaque para uma das obras até agora inéditas,  Un autre Livre Rouge,  realizado em Paris no início dos anos de 1970, em colaboração com Manuel Zimbro, numa clara evocação do título do livro de pensamentos de MaoZedong, e num exercício bem humorado em torno da cor vermelha. Muitos dos livros são únicos, outros tiveram edições limitadas, feitas em serigrafia e alguns resultaram da colaboração com escritores, como Benjamin Patterson, ou de artistas como René Bertholo, que esteve com Lourdes Castro na revista KWI. A outra exposição “Olhos nos Olhos - o retrato na colecção do Centro de Arte Moderna” percorre o universo do retrato ao longo do século XX, ao longo de 140 obras de autores como Amadeo, Almada, Milly, Eduardo Viana, Francis Smith, Paula Rego, Gilbert & George, Jane & Louise Wilson, John Coplans, Nikias Skapinakis, Pedro Cabrita Reis, António Areal, Jorge Molder, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Mário Botas, João Hogan, Maria Beatriz, Ana Hatherly, Victor Palla, José Escada e Helena Almeida, entre outros.  

 

OUVIR - O realizador Ruben Alves, autor do filme “A Gaiola Dourada”, é o autor do projecto “Amália - As Vozes do Fado”, um CD que agrupa 13 dos mais importantes fados de Amália Rodrigues, reinterpretados por outras vozes, em gravações actuais. O projecto envolveu uma obra do industrial de graffitti e obras urbanas Vihls, baseada numa fotografia de Amália, e executado em calçada portuguesa na zona de Alfama - na realidade a acção promocional da imagem do disco, aproveitada aliás para a respectiva capa. Este CD mostra que Ruben Alves é melhor a realizar filmes que a conceber discos: a produção é irregular, algumas escolhas de intérpretes são incompreensíveis e as opções de quem supervisionou a produção, em matéria de enquadramento dos intérpretes, são na maioria estranhas - nalguns casos solicitou ou permitiu o pastiche puro e simples e noutros lá deixou o talento aparecer, como na interpretação de “Grito” por Ricardo Ribeiro, no “Medo”, por Gisela João ou, em menor escala, em “Abandono” por Camané. Carminho e Ana Moura confirmam-se irrelevantes imitadoras  e António Zambujo desilude. Os duetos da segunda parte do disco são particularmente penosos - percebe-se a intenção comercial e o piscar de olhos a vários mercados, mas nenhum deles é mais do que uma curiosidade irrelevante, por vezes de mau gosto até.

 

PROVAR - A imprensa regional de Lisboa noticiou a abertura de um restaurante que se pretende tipicamente italiano - tão típico que todos os empregados e o próprio dono ouvem em português mas falam em italiano. Seduzido pelas descrições da paróquia lancei-me ao caminho para jantar num dia de semana. Apesar de estar em frente à escadaria do Parlamento (felizmente sem ópera nessa noite), tive a boa sorte de não encontrar por lá nenhum deputado - que na maioria, são um mal necessário da democracia. As massas frescas foram-me muito louvaminhadas, mas embora as próprias pareçam de facto frescas e sejam de boa confecção, o cozinhado do seu condimento envolvente era algo sem história. Melhores eram as entradas - sobretudo a bresaola e o presunto, ambos de boa estirpe - o queijo pecou por escasso, apesar de menos aliciante. O serviço é muito simpático e sorridente mas algo atabalhoado e sobretudo esquecido em relação a pedidos suplementares e até a sugestões do próprio dono - situação que a simpatia tende a não resolver. O Il Matriciano fica na Rua de S. Bento 107 e tem o telefone 213952639. Se quiserem ir o melhor será marcar que o sítio anda na moda vá-se lá saber porquê.

 

DIXIT - “Talvez tenha sobrestimado a competência do governo Grego, nunca calculei que pudessem tomar uma posição e exigir melhores condições sem ter um plano alternativo” - Paul Krugman

 

GOSTO - Deste diálogo do Bartoon, a propósito da compra do Autódromo do Estoril pela Câmara de Cascais: “ Espantoso este país, não acha? - as pistas de corrida passa para o sector público e as redes de transporte público passam para o sector privado”.

 

NÃO GOSTO - Que a ASAE conceda um tratamento especial de tolerância na inspecção de locais e eventos quando lá se deslocarem membros do Governo.

 

BACK TO BASICS - “Seja onde fôr que eu vá, acabo por descobrir que antes de mim já lá esteve um poeta” - Sigmund Freud

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2003
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D