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DIZERES POPULARES - A procissão, como se costuma dizer, ainda vai no adro. Esta corriqueira frase aplica-se às presidenciais, mas também ao futuro da coligação governamental, ao evoluir de António Costa no PS e, claro, ao BES, ao Novo Banco, às previsões do Orçamento do próximo ano, e, para manter um ar contemporâneo, à venda da PT - todos os dias tem aparecido novo interessado. Até parece que fica mal não querer comprar. Grupo que é grupo que se preze manifesta interesse. Afinal, a PT parece valer mais do que aquilo que se dizia - tantos são os interessados. Eu, que gosto do que a PT fez e construíu ao longo dos anos, às vezes ponho-me a falar com os meus botões e imagino o que seria se o poder anterior voltasse pela mão de um dos putativos compradores. Todos aqueles que andaram a esfregar as mãos de contentes quando Zeinal Bava saíu devem agora estar com uma considerável dor de cabeça com a possibilidade de ele poder estar ligado a quem, no fim, fôr o comprador. Ninguém sabe o que vai acontecer e acredito que muita água há-de correr nesta ponte por onde passa o negócio. E há muita gente a pensar se aqui se aplicará a frase: “o primeiro milho é dos pardais”.

 

SEMANADA - Insolvências de empresas e singulares caíram 32% entre Janeiro e Junho; a Comissão Europeia reviu em baixa as previsões de retoma da economia; a Comissão Europeia considerou irrealistas as previsões do Governo para 2015; o Banco de Portugal apresentou queixa contra Ricardo Salgado e outros ex-gestores do BES por suspeitas de burla, infidelidade e falsificação; a Câmara Municipal de Lisboa não entregou dentro do prazo estipulado o seu Orçamento para 2015; o ex-Presidente da Câmara de Vila Verde, Braga, aumentou a dívida da autarquia em mil por cento ao longo dos 12 anos do seu mandato; uma auditoria à reabilitação do Bairro do Aleixo, no Porto, aponta irregularidades à gestão de Rui Rio; a Câmara Municipal do Cartaxo, que tem uma dívida de 60 milhões de euros, pediu uma ajuda urgente de 11 milhões para cumprir o pagamento de necessidades básicas do funcionamento da autarquia; nos últimos dez anos verificaram-se 250 fugas das cadeias e há ainda 15 reclusos por apanhar; uma auditoria da Inspecção Geral da Justiça revelou que existem nas cadeias portuguesas negócios sem controlo no valor de 8,3 milhões de euros; nas cadeias estão cinco centenas de presos a cumprir penas por violência doméstica; desde 2012 a violência doméstica faz três orfãos por mês; num só ano a ASAE apreendeu 1,2 milhões de litros de vinho português adulterado; 13% dos portugueses entre os 20 e 79 anos têm diabetes; na semana passada o conjunto dos canais de cabo ultrapassou a SIC no horário nobre e está praticamente colado à TVI;  “Os Maias”, de João Botelho, é o 10º filme português mais visto de sempre.

 

ARCO DA VELHA - Xanana Gusmão não avisou Passos Coelho da expulsão de magistrados portugueses de Timor Leste invocando que “estava atrapalhado com outras atividades”. Os oito portugueses expulsos investigavam há três anos ministros do governo timorense alegadamente por corrupção..

 

FOLHEAR - Joana Stichini Vilela regressa à crónica das últimas décadas do século passado, com “LX 70 - Lisboa, do Sonho à Realidade”, uma espécie de sequela de “LX 60- A Vida em lisboa Nunca Mais Foi a Mesma”. O novo volume, dedicado à década de 70, faz a viagem pelos últimos anos do antigo regime e sobre os primeiros anos da democracia, incluindo os anos da brasa.

Aqui estão dados estatisticos de um ano, 1970, em que 63% dos partos ainda decorriam em casa, em que apenas 47% das casas tinham água canalizada e em que Portugal tinha 8,6 milhões de habitantes - e que foi o ano de estreia de “007 Ao Serviço de Sua Majestade” e o ano em que, apesar de Eusébio ter sido o melhor marcador, o campeonato foi ganho pelo Sporting. O livro prossegue a viagem pela década, pelas boites como o Stone’s, os programas de rádio e televisão, a arquitectura mais inovadora por exemplo nas igrejas, os filmes portugueses que marcaram uma época, a moda ou os grandes estaleiros de reparação naval inaugurados na altura. E depois, claro, os anos a seguir a 74 - a explosão, o regresso dos retornados, os primeiros partidos, os primeiros políticos, Carlucci, Crazy Horese, Cornelia e Capitão Roby. São 300 deliciosas páginas para quem viveu a década, aqui muito bem recordadas por escrita e imagem e com uma belíssima paginação, de Nick Mrozowski e Pedro Fernandes. A década de 80 desta equipa aparece quando? “LX70- LISBOA: DO SONHO À REALIDADE”, editado pela D.Quixote.

 

VER - Esta semana faço sugestões avulsas. Começo pelo Centro de Artes Visuais, de Coimbra, que expõe “Esta Terra É A Tua Terra - Os Anos 90 em Portugal, na colecção dos Encontros de Fotografia” (na foto) e que inclui imagens de António Júlio Duarte, José Manuel Rodrigues, Nuno Cera, Paulo Nozolino, Duarte Belo e de um conjunto de fotógrafos estrangeiros que foram convidados pelos Encontros, ao longo dos anos, a realizar trabalhos sobre Portugal. A curadoria é de Sérgio Mah.

Na Culturgest podem ser vistos cartazes de exposições desenhados pelos artistas que são expostos - é uma amostra da colecção Lempert, que tem cerca de 15 mil peças. Podem ser vistos cartazes criados por Robert Rauschenberg, Andy Warhol, Richard Hamilton, Dieter Roth, Oswald Oberhuber, Sol Lewitt, Marcel Broodthaers, Lawrence Weiner, ou Günter Brus, entre outros. A exposição “permite compreender em que medida e de que maneira um objeto, cuja função é publicitar e que tem um ciclo de vida curto, foi sendo recriado e valorizado por muitos artistas”. Está na Culturgest, em Lisboa, até 15 de Março.

Na Sociedade Nacional de Belas Artes e até 5 de Dezembro mostra-se uma colectiva sob o título “Projecto Sociedade/Um Cadáver Esquisito Para o Século XXI”, apresentando um alargado conjunto de participantes, entre artistas e curadores, que foram convidados a integrar uma obra colectiva “que retoma os princípios do "cadavre-esquis", método de criação colectiva espontâneo e inconsciente, guiado pela insondável justeza do acaso, inventado e profusamente praticado nas primeiras décadas do século XX por poetas e artistas surrealistas.” Integra imagens de Julião Sarmento, Inez Teixeira, Pedro Calapez, Rui Chafes, Luis Pavão, Delfim Sardo e João Pinharanda, entre outros.

OUVIR - Nos últimos anos Cecilia Bartoli tem-se dedicado a descobrir e divulgar compositores pouco conhecidos, pegando nas suas árias e dando-lhes o seu toque muito pessoal. As respectivas edições são exemplos de investigação sobre os autores, a sua época, as circunstãncias em que a música foi composta. Agora foi editado mais um trabalho nesta linha, “St. Petersburg”. Bartoli é acompanhada pela orquestra de cãmara I Barocchisti, dirigidos por Diego Fasolis e pelo côro da Readiotelevisão Suíça, dirigido por Gianluca Capuano. As onze árias aqui incluídas, investigadas pela própria Bartoli, foram agora gravadas pela primeira vez e mostram o trabalho de compositores como Araia, Raupach, Cimarosa e Manfredini, que cultivavam a ópera italiana bem longo do deu país, na corte imperial russa das Tsarinas Anna Ioannovna, Elizaveta Petrovna e Catarina a Grande, durante o século XVIII. A meia-soprano Cecilia Bartoli continua a ser um exemplo de técnica vocal e de capacidade de interpretação. CD Decca, disponível em Portugal.

 

PROVAR - Tenho para mim que um bitoque é uma espécie de prova dos nove em qualquer restaurante. Pelo bitoque avalia-se a qualidade da carne, o cuidado no molho, a arte do ovo estrelado e a atenção às batatas. Um destes dias fui experimentar a Casa do Lago, o novo restaurante que abriu no Campo Grande, no lado dos barcos a remos. Fechado durante anos, praticamente em ruínas durante algum tempo, o edifício foi reconstruído, redecorado e funciona desde há pouco tempo. Admito que o sítio me traz boas recordações, desde os tempos da adolescência e, sobretudo, da época da faculdade - o local fica paredes mesias com a Cidade Universitária. Além do mais tem um amplo terraço que proporciona uma boa esplanada, completamente arranjada, a meio do jardim e com vista directa para o lago onde continua a ser possível alugar uns pequenos barcos a remos. Na Casa do Lago o serviço é simpático, a decoração das duas pequenas salas do interior é simpática (uma delas também tem vista para o lago). Há pratos do dia que vão variando, há petiscos como tábuas de queijos e enchidos, ovos mexidos com farinheira ou com espargos ou folhados d emarmelo caramelizado com queijo de cabra. A lista inclui dois pratos de bacalhau (confitado e à portuguesa), o salmão salteado e um risotto de camarão. Nas carnes há cinco bifes e o acima mencionado bitoque. Há vinho a copo, Vale dos Fornos, da região Tejo - honesto. Passemos ao bitoque - carne de bom corte, no ponto em que foi pedido, ovo convenientemente estrelado, gema mal passada, clara em condições; molho saboroso sem transpirar gordura, batatas aos gomos salteadas, o que foi uma boa surpresa. Balanço geral positivo. Local sem pretensões nem enganos. Há parque de estacionamento na faixa interior do lado da Universidade. Está aberto de terça a domingo das 10 às 23 e no fim de semana fecha à meia noite. O telefone é 217 574 241.



DIXIT - “O PS tem de escolher: ou quer recuperar José Sócrates ou quer recuperar o país. Os dois juntos, não dá” - João Miguel Tavares

 

GOSTO - O lucro dos CTT cresceu 16,5% com os novos serviços que começou a prestar, e esta semana anunciou um serviço de expedição de pranchas de surf para vários pontos do país com uma embalagem própria.

 

NÃO GOSTO - A Europa perdeu 421 milhões de aves nos últimos 30 anos.

 

BACK TO BASICS - “Acredito que há por aí alguém a velar por nós. Infelizmente é o Governo” - Woody Allen

 

 

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