Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



SINAIS - As primeiras páginas dos jornais desta semana oscilaram entre as imagens de um cabo da GNR, inicialmente fardado a preceito, a fazer strip tease numa ladies night de uma discoteca de Oliveira de Azeméis, uma foto de Maria e Aníbal Cavaco Silva de pacote Cerelac na mão depois de o Presidente da República ter garantido que a austeridade era para ficar, e as variadas notícias e consequências de um manifesto a favor da reestruturação da dívida, que já provocou baixas entre os consultores do Presidente da República que acharam por bem subscrevê-lo.  O dia a dia do país assemelha-se a um reality show - as semanas ficam marcadas por imagens ridículas e actos manhosos. Sucedem-se os escândalos, as prescrições de justiça, ouvem-se os mesmos de sempre a dizerem a mesma coisa, num ensaio geral de palavreado para umas eleições europeias que suscitam desinteresse e bocejos generalizados. De dentro dos partidos que apresentam candidatos surgem vozes clamando contra a má qualidade das respectivas listas e o tema mais quente do momento continua a ser debater quem irá a votos nas próximas eleições presidenciais. Se um marciano aqui passasse diria que Portugal está virado do avesso. Muito provavelmente é isso mesmo que acontece.

 

SEMANADA - Cavaco Silva começou a semana a fazer futurologia sobre os próximos 20 anos e, contra os objectivos que o próprio anunciou, criou uma tempestade em vez de promover consenso; em resposta 70 pessoas, de quadrantes bem diversos, pediram para se equacionar uma reestruturação da dívida, num movimento de diálogo bem maior que qualquer iniciativa presidencial; Morais Sarmento criticou o desempenho  de Cavaco enquanto Presidente da República; Santana Lopes disse que Cavaco Silva manifesta falta de força política; Mário Soares recebeu o prémio “personalidade do ano da imprensa estrangeira” e, na cerimónia, foi notada a presença de José Sócrates e a ausência de António José Seguro; José Sócrates anunciou que irá colaborar na campanha eleitoral do PS para as europeias; em contraponto Paulo Rangel invocou os 101 dálmatas na apresentação do seu manifesto eleitoral para as europeias; os directores de informação das três estações de televisão generalistas anunciaram que consideram “abdicar novamente de fazer a cobertura das campanhas eleitorais ou realizar debates entre os candidatos” porque o novo projecto de Lei no parlamento restringe e condiciona a liberdade editorial; no último ano os bancos cortaram 35% do crédito a empresas; em Portugal o PIB está a níveis de 2000 e o emprego já recuou até aos níveis de 1996; desde que a troika chegou desapareceram 328 mil postos de trabalho; o desemprego estrutural atinge 630 mil pessoas; a DECO recebeu meio milhão de reclamações de consumidores em 2013, mais 15% que no ano anterior.

 

ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal da Guarda tornou-se a campeã nacional da piratagem informática ao utilizar nos seus serviços programas de computador não autorizados, o que levou a Microsoft a reclamar 336 mil euros de compensação por uso ilegal do seu software.

 

FOLHEAR - Nos últimos meses a revista “Wallpaper” parece ter ganho uma nova vida: temas mais interessantes com uma produção mais cuidada e uma direcção editorial mais atenta. Fazendo do design e da arquitectura os seus dois principais focos de interesse, a revista persegue tendências e mostra novos caminhos. Esta é uma revista luxuosa que gosta de falar - e de mostrar - o luxo. Na edição de Março um dos destaques vai para a nova sede da marca de jeans G Star Raw, em Amsterdão, um projecto do atelier OMA de Rem Koolhas. Situado numa das principais auto-estradas de acesso a Amsterdão, o edifício foi desenhado como um espaço multifuncional e o método utilizado pelo arquitecto para definir as traves mestras do projecto é explicado com algum detalhe. Outro artigo muito interessante dedica-se a mostrar exemplos de pequenas editoras de livros que vivem no meio de tiragens limitadas na Austrália, em França, Alemanha ou Estados Unidos, por exemplo. Colónia é a cidade em destaque, com uma reportagem que detalha o trabalho de designers, artesãos , fotógrafos e desenhadores de jóias, curadores de arte, ou estilistas que marcam o seu quotidiano. Finalmente nesta edição sugiro uma boa leitura para muitos responsáveis de edifícios com valor patrimonial e actividade cultural - a história de como Gwin Miles conseguiu inverter o ciclo de decadência da Somerset House de Londres, com muito pouco orçamento e bastantes boas ideias.

 

VER - Desde o passado fim de semana a Pousada da Cidadela de Cascais, do Grupo Pestana, passou a acolher, de forma permanente, galerias de arte, lojas de marca, e ateliers de seis artistas. Dentro da Pousada, agora designada por “Cidadela Historic Hotel & Art District”, seis quartos tiveram intervenções destes artistas e ao longo dos espaços comuns existem também obras de arte de outros autores. Um Art Concierge está disponível para enquadrar os visitantes nas obras apresentadas e no projecto. O trabalho de recuperação do antigo forte da Cidadela em Pousada é notável e esta ideia de incorporar a criação e divulgação artística neste espaço é um bom exemplo do que se pode fazer quando há vontade e criatividade. Nas áreas dedicadas às galerias e marcas estão nomes como a histórica, mas inovadora Viarco, a Magnetica Magazine a livraria Espaço Branco, e galerias como a Raw Art, a Cinco e a Allarts. Os artistas que estão nos open studios, que podem ser sempre visitados, são Duarte Amaral Netto, Paulo Arraiano, Bruno Pereira, Pedro Matos, Susana Anágua e Paulo Brighenti.

 

OUVIR - Um título malandro - “A Bunch Of Meninos”,  uma guitarra que logo nos primeiros acordes do disco dá um ar gingão, um disco que é um manifesto de inquietude, uma guitarra e um baixo que falam um com o outro como se vivessem em permanente romance - é isto o novo trabalho dos Dead Combo, o duo de Pedro Gonçalves e Tó Trips que há uma década cometem repetidamente a heresia de fazerem discos predominantemente instrumentais. Há muito que gosto deste estilo, aqui reforçado com  as colaborações cruzadas com o percussionista António Serginho e o baterista Alexandre Frazão, que aparecem pontualmente nalguns dos 13 temas. Os meus preferidos são “Waiting For Nick At Rick’s Cafe”, “Povo Que Cais Descalço”, “Zoe Llorando”, “B.Leza”, “A Bunch Of Meninos”, “Welcome Simone” e “Mr. Snowden’s Dream”. Os títulos das canções são, já se vê, são um episódio. As fotografias que visualizam o ambiente do disco são de Pauliana Valente Pimentel, um dos nomes promissores da fotografia portuguesa. E evitem por favor a tentação de dizer que Tó Trips evoca o fado com a sua guitarra. Isto é outra coisa.

 

PROVAR - Um dos meus petiscos favoritos é pregado frito acompanhado de açorda. Um dos locais onde a escolha é certeira é o restaurante Mar do Inferno, em Cascais, mesmo ao lado da Boca do Inferno. Numa recente visita provou-se o pregado frito e também uns crepes de lagosta panados, que satisfizeram. Situado em cima do mar, e ao contrário de outros restaurantes desta zona, o local é despretencioso, a matéria prima marítima é de primeira qualidade, o serviço é simpático e a casa é honesta nos preços e na confecção. A lista de vinhos é equilibrada. Apesar da dimensão sente-se a gestão familiar de Lurdes Tirano e dos seus filhos, nesta casa que leva já três décadas de vida. Encerra às quartas-feiras, fica na Avenida Rei D. Humberto e o telefone é 214 832 218.

 

DIXIT - "O primeiro-ministro diz que (o Manifesto dos 70) morreu à nascença, mas como eu sou cristão acredito na ressurreição"  - Bagão Félix

.

GOSTO - Das criações de Filipe Faísca na recente Moda Lisboa, a confirmar que ele é dos valores mais sólidos entre os estilistas portugueses.

 

NÃO GOSTO - Da lentidão da justiça que numa só semana permitiu prescrições em dois casos ligados à Banca.

 

BACK TO BASICS - O Universo é feito de mudança e a nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos forem capazes de fazer dela - Marcus Aurelius Antoninus

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:53



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2003
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D