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RTP - Os acontecimentos das últimas semanas mostram que, à primeira prova de fogo, o modelo de governação implementado este ano pelo Ministro Poiares Maduro na RTP deu em conflito insanável. Na prática o modelo proporcionou que regressássemos à época em que os Conselhos de Administração da RTP eram demitidos face às circunstâncias políticas do momento - pode dizer-se que esta coisa de demitir Conselhos de Administração da RTP era um comportamento do século passado. Quando Morais Sarmento tutelou o sector instituíu, e bem, a impossibilidade de demitir o CA, deixando-o cumprir os seus mandatos e os seus projectos. Foi isso que permitiu que a partir de 2002 a RTP tivesse traçado um percurso de reestruturação profundo, graças à estabilidade da sua administração - que, ouvindo o accionista, desenvolvia a sua estratégia. Esse percurso de 12 anos foi agora interrompido, tornando-se evidente a falência do modelo preconizado pelo actual Governo. Tenho alguma curiosidade em saber se face ao acontecido - e sobretudo face à clara existência de várias posições públicas divergentes no executivo -  o Ministro não considera a hipótese de se demitir perante os resultados da situação que criou, e que teimou em implementar apesar de numerosos avisos públicos e privados. Ao contrário daquilo que parece, o que se passou não tem a ver com o caso da Champions - que foi um pretexto -  tem a ver com a falta de coragem do accionista em apontar um caminho de serviço público, baseado na complementaridade e não concorrência em relação aos privados, um modelo de serviço público que devia fomentar o papel de regulador do sector, fomentar o papel estruturante e dinamizador que a RTP devia ter na produção audiovisual portuguesa, essencial para a defesa da nossa língua e cultura no mundo digital. A questão não é essencialmente de orçamento, é sobretudo de escolhas - talvez com menos canais, menos espalhafato, desenvolvendo competências e informação regional, fazendo programação de referência infantil, impulsionando a produção de documentários, desenvolvendo ficção e formatos nacionais e abandonando alguns conteúdos que consomem mais orçamento e cuja tipologia já existe nos canais privados. É ambicioso? Pois é, mas também o são os desafios de qualquer estação de televisão neste momento - e a RTP tem a vantagem de ter profissionais e equipas com capacidade de o fazer se forem motivadas e se existir uma ideia clara do que deve ser prestar serviço público, única razão para ter o financiamento que recebe dos portugueses.

 

SEMANADA - A Ministra das Finanças diz que a Troika não tem razão em dizer que o Governo perdeu o ímpeto reformista; o CDS afirmou querer repôr o feriado de 1 de Dezembro, retirado na reforma dos feriados abolidos em 2012; dos 1711 cargos dirigentes da administração central que deviam ser eliminados apenas foram extintos 463; o barril de petróleo desceu muito mas a diferença no preço dos combustíveis ainda não se fez sentir nos consumidores na proporção dessa descida; até Novembro foram vendidos mais 37,3% veículos do que em igual período do ano passado, um total de 156.351 unidades; os hotéis do Algarve, Madeira e Porto estão praticamente sem vagas para a passagem do ano; a Universidade de Aveiro é a preferida pelos estudantes estrangeiros que estão a fazer o Erasmus em Portugal; apenas 50,7% dos alunos do secundário dizem que em em casa é habitual lerem-se jornais, revistas ou livros; um estudo da OCDE indica que funcionários de empresas públicas são os que mais aceitam subornos internacionais; António Costa estabeleceu o objectivo de maioria absoluta para o PS, nas legislativas de 2015 e anunciou recusar coligações com PSD e CDS; no rescaldo do congresso do PS Francisco Assis disse que ali foi estabelecido “um modelo de partido que não é o meu, não me reconheço”; o antigo primeiro-ministro, José Sócrates, e o empresário Carlos Santos Silva, amigo de infância do socialista, financiaram a campanha eleitoral de António Costa às eleições primárias do Partido Socialista; José Sócrates foi medicado, no estabelecimento prisional de Évora, para regular a tensão arterial, que estava elevada.

 

ARCO DA VELHA - Um parecer de um catedrático de Direito da Universidade de Coimbra, Calvão da Silva, defende que a prenda de 14 milhões de euros, de um construtor a Ricardo Salgado, pode ser entendida como um exemplo de “espírito de solidariedade e entreajuda”.

 

FOLHEAR - Querem saber o que aconteceu a Van Gogh nos últimos dias da sua vida? A sua morte terá sido suicídio ou assassínio? - esta é a pergunta a que a Vanity Fair tenta responder na edição de Dezembro, que tem Angelina Jolie na capa, fotografada por Mario Testino. Outro dos grandes artigos desta edição é dedicado à luta entre a editora Hachette e a Amazon. Graydon Carter, o histórico editor da “Vanity Fair”, resume assim o que está em jogo: “a luta a propósito do preço é de facto uma disputa sobre como remunerar a criatividade - e, sendo assim, sobre a própria essência do valor da cultura”. Outros artigos imperdíveis: as memórias de Anjelica Houston com Jack Nicholson, a maneira como nasceu a Khan Academy no YouTube, ou a reportagem sobre o crescimento do serviço de transporte da Uber.

 

VER - Quem me dera poder estar em Madrid para ver a exposição que a arista portuguesa Cristina Ataíde ali inaugurou ontem. Chama -se “Esperando que nieve…” , inclui desenhos de grandes dimensões de 2010 (na imagem) e está no  Centro de Arte Alcobendas, na Mariano Sebastián Izuel, 9. Pondo os pés na terra e regressando a Lisboa, confesso que estou cheio de vontade de ir ver ao Museu Nacional de Arte Antiga ver as obras da colecção de Franco Maria Ricci, que uma boa fortuna trouxe até Lisboa. Se quiser variar para o desenho e colagens posso ir até à Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38) ver a exposição “Araruta”, de Ana Jotta e Manuel Caldeira. Descendo até ao nº4 da 24 de Julho podemos descobrir fotografias  do livro “A Flor do Mal”, de Pedro Norton, expostas n’a Pequena Galeria. E na Baginski (Rua Capitão Leitão 51), quatro artistas (Emilio Chapela Perez, Bruno Cidra, Jan Nálevka e Katarina Poliaciková) expõem “Truth And Void Between Realities”, interrogações sobre a natureza e os limites da imaginação humana.

 

OUVIR - António Zambujo continua a ser um caso à parte na música portuguesa contemporânea. Em primeiro lugar isso deve-se à sua capacidade de interpretação, em segundo lugar fica o seu cuidado na escolha das canções que grava e dos autores que selecciona. Em “Rua da Emenda”, o seu novo disco, estão nomes como João Monge, Samuel Úria, Miguel Araújo, Maria do Rosário Pedreira, José Eduardo Agualusa, José Fialho Gouveia, Edu Mundo e até Serge Gainsbourg com a “Chanson Du Pévert”. Zambujo canta gingão, tem voz malandra, entoação picante e quem o ouve sente-se parte da história que ele está a cantar. Confesso que de todas as canções - e não lhes chamo fados de propósito - a que mais gosto é a “Barata Tonta”, escrita por Maria do Rosário Pedreira, que se vai tornando obrigatória nos seus discos, e o próprio António Zambujo, que compôs a música. Basta isto para perceber porquê: “Ai, por um sonho dos seus/Emq ue fosse eu quem a beija/ Dava toda a minha vida”. E “O Tiro Pela Culatra”, outra canção de Maria do Rosário Pedreira, não lhe fica atrás em matéria de canções com história e que podiam dar filmes. (CD Universal/ Sons Em Trânsito).

 

PROVAR - Gosto perdidamente de romãs, esse fruto de outono, às vezes tão difícil de preparar. Gosto de o misturar em saladas, de o usar em alguns cozinhados, de reduzir o seu sumo e usá-lo nos molhos. A árvore, ainda por cima, é lindíssima. O melhor livro que conheço, onde as romãs fazem parte da acção, é “Summer At The Villa Rosa”, de Nicky Pellegrino, passado no sul de Itália, e que li há uns anos. Como frequentemente acontece nas obras de Pellegrino as receitas culinárias e a descrição das refeições são parte integrante da história. Lembrei-me disto tudo enquanto bebia a melhor alternativa que conheço à água, o Sunlover Winter Edition, precisamente feito à base de romã e, tal como a água, com zero calorias. É a bebida mais agradável e potencialmente mais saudável que já experimentei.

 

DIXIT - “O agente público que está na posse de riqueza de que não se sabe a origem põe em causa a credibilidade das instituições democráticas” - João Cravinho.

 

GOSTO - De Marcelo Rebelo de Sousa ter chamado a atenção para a maneira como os deputados seguem os trabalhos parlamentares nos ecrãs dos seus computadores observando “raparigas avantajadas”.

 

NÃO GOSTO - Da péssima tradução nas legendas do filme “Saint Laurent”, actualmente em exibição.

 

BACK TO BASICS - Odeio televisão da mesma forma que odeio amendoins - o único problema é que não consigo deixar de comer amendoins (Orson Welles)

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publicado às 15:13



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