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POLÉMICA - Uma estranha polémica consome desde há algumas semanas dois sectores do Governo : de um lado aqueles que querem aplicar taxas sobre alimentos considerados poucos saudáveis e, do outro, entre os quais os Ministros da Economia e da Agricultura, aqueles que consideram tais taxas um perfeito disparate. Se outra coisa não houvesse, esta polémica aparentemente esotérica, serviria para mostrar as clivagens que existem no executivo em torno de questões que têm a ver com a forma como o Estado se posiciona face às opções dos cidadãos. Não vou elaborar muito sobre esta questão, até porque acho mais interessante sublinhar que em grande parte das civilizações orientais o equilíbrio perfeito entre o sal e  o açucar é o segredo para explorar sabores e assegurar uma vida harmoniosa, Recordo apenas que para os chineses, numa refeição, um prato deve ser doce (yin) e o outro salgado (yang); um quente (yang) e o outro frio (yin); um macio (yin) e outro crocante (yang). Na realidade os chineses acreditam que o equilíbrio entre esses dois elementos garante não apenas uma boa refeição, mas uma boa saúde. Pode ser que com estas notas se consiga uma maior unidade na acção do Governo. Ou então estamos perante um caso de equilíbrio entre opostos no governo, com um lado a fazer de yang e outro de yin. Resta saber quem, a seguir, vai saborear o repasto.

SEMANADA - Os tribunais penhoraram 181 mil reformas no ano passado; as dividas por cobrar nos tribunais já atingem 7,2 mil milhoes de euros; três juízas foram acusadas de forçarem insolvências de famílias, sob suspeita de que essas decisões são tomadas em benefício dos administradores de insolvência; piratas informáticos entraram no sistema do Ministério Público e publicaram na net os contactos pessoais de todos os procuradores numa operação a que chamaram “Apagão Nacional”; a criação de novas empresas caíu 12% no primeiro trimestre deste ano; a factura da austeridade aplicada nos últimos três anos ascende a 30 mil milhões de euros e apesar disso o défice e a dívida pública estão longe das metas definidas no início do programa da troika; segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2012, cerca de 24% das crianças estavam em risco de pobreza; em Portugal há 4.522.552 empréstimos concedidos a famílias; António Nogueira Leite considerou que era muito importante que Portugal tivesse um programa cautelar, e defendeu que Portugal não deve ser considerado pelo FMI como uma espécie de Vietname da Europa; o Ministro da Economia disse no início da semana que a descida de impostos deve ser uma das metas do Governo para o próximo ano; a Ministra das Finanças anunciou quarta-feira um aumento de impostos para 2015; a Albania decidiu fazer um rebranding; a freguesia de Alvalade, em Lisboa, também.

 

ARCO DA VELHA - O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa foi o responsável directo pela ocultação, ao longo de dois anos e meio, de relatórios internos da autarquia que descreviam práticas irregulares de serviços da câmara no domínio da adjudicação de obras, e isto apesar da existência de várias decisões judiciais estabelecendo que os documentos deviam ser facultados ao jornalista do “Público” que os solicitou.

 

FOLHEAR - A Monocle de Maio é a edição anual da revista que é dedicada ao Design - quem se interessa pela área tem muito que ler, desde o design aplicado a casas ou lojas até àquele que é aplicado em objectos de utilização quotidiana. Mas os encantos desta edição não se esgotam aí - há uma curiosa reportagem sobre o reino do Butão, um bom artigo sobre o que agências de publicidade brasileiras estão a fazer à volta do Mundial de Futebol, uma auscultação das novas tendências gastronómicas dos bistrots parisienses e uma elucidatava visita a uma estação de televisão que molda a imagem actual da Rússia e dos políticos de  Moscovo, o canal noticioso RT (Russia Tday), que já alcança uma centena de países, explicando os porquês de qualque acto de Putin..Num outro campo há uma boa conversa entre os criadores de duas séries emblemáticas da ficação televisiva - “House Of Cards” e a dinamarquesa “Borgen”. Como curiosidade refira-se que a sempre interessante rubrica dedicada aos meios de deslocação de governantes de diversos países é nesta edição dedicada a Xanana Gusmão (que usa um Toyota Land Cruiser nas viagens oficiais em Timor). O portfolio fotográfico que encerra cada edição é dedicado aos clubes de correspondentes estrangeiros de Toquio e Banguecoque.

 

VER - José Manuel dos Santos, director cultural da Fundação EDP, apresentou a exposição da edição deste ano do World Press Photo como “uma espécie de retrato do mundo dos nossos tempos”. É uma boa descrição não só desta exposição, mas também do que é o fotojornalismo. A fotografia vencedora deste ano, e que correu mundo, é “Signal”, de John Stanmeyer e mostra migrantes africanos na costa do Djibouti a tentar apanhar a rede de telemóvel mais barata da vizinha Somália. A exposição tem perto de 130 fotografias de 51 fotógrafos e mostra deste a actualidade - da guerra, de desastres naturais ou do desporto - até ensaios fotográficos, passando por retratos e fotografia de viagem. Ano após ano conseguem detectar-se no World Press Photo as tendências dos editores fotográficos, a evolução dos diversos géneros da fotografia e, no fundo, aquilo que os jornais e revistas procuram e publicam. Este ano a exposição é paga, a dois euros o ingresso, e todas as receitas revertem para  as Unidades Móveis de Apoio ao Domícilio da Fundação do Gil, que apoia crianças vítimas de doença prolongada. A exposição fica no Museu da Electricidade até 25 de Maio e, se tem um iPad ou iPhone pode fazer download da aplicação que está disponível e ver a exposição, ouvindo os autores das imagens a falarem sobre o seu trabalho.

 

OUVIR - Parece que Caetano Veloso deu um concerto fora de série, há alguns dias, no Coliseu. Quem não foi lá pode ter uma ideia do que se passou graças à recente edição de  "Multishow Ao Vivo - Caetano Veloso - Abraçaço" , que reproduz o concerto criado para a digressão de “Abraçaço”, o disco de originais de Caetano editado em 2102 e que no ano seguinte ganhou o Grammy Latino de melhor álbum de cantor-compositor. “Abraçaço” era um disco excepcional, ouso dizer quase a síntese de uma carreira onde a inovação tem estado sempre presente. Para o registo ao vivo, efectuado no final do ano passado no Vivo Rio, com a sua Banda Cê, Caetano retoma os temas de “Abraçaço”, mas vai buscar também, e reinventar, temas seus clássicos e incontornáveis, como “Triste Bahia”, “Reconvexo”, “Alguem Cantando” ou “Você Não Entende Nada”. A captação de som (e de imagem, porque e xiste um DVD) são muito boas e reproduzem bem o ambiente de um concerto. Aqui está uma maneira de sentir Caetano ao vivo, mesmo que o não tenha visto nos Coliseus. (CD Universal)

 

PROVAR - Nesta altura do ano Sesimbra é um magnífico local para passear à beira mar. Andando na marginal, a seguir ao forte e em direcção à doca dos pescadores, encontra-se o restaurante “Mar e Sol”. O interior tem uma sala ampla e no exterior fica uma esplanada simpática, resguardada, com uma vista óptima sobre o mar. Para a mesa vieram como entradas uma sapateira recheada que estava honesta e uma salada de mexilhão que estava muito boa, mais pão fresco da região e azeitonas bem temperadas. Nos pedidos seguiu-se a recomendação da casa e provou-se um salongo grelhado, que estava no ponto e foi muito apreciado - relativamente pouco conhecido o salongo é um peixe suave, de cor avermelhada, de carne saborosa, abundante na região. Este estava fresquíssimo e bem preparado. O outro pedido foi um arroz de robalo, com o peixe também no ponto certo, com o arroz cozinhado por forma a não tapar o sabor do robalo e a deixá~lo brilhar - coisa que nos arrozes muito refogados e temperados nem sempre se consegue. Este estava suave e deixava o primeiro plano, como compete, para o saboroso peixinho. A refeição foi acompanhada por Catarina, um branco da região de Azeitão, baseado nas castas Fernão Pires, Chardonnay e Arinto. A conta foi equilibrada e um passeio pela marginal que se lhe seguiu rematou bem a refeição.

 

DIXIT - "A Portugal está a faltar muita poesia. Não enche a barriga, mas pode ajudar a encher o espírito" - Vasco Graça Moura.

 

GOSTO - Da escultura “Liberdade”, de Cristina Ataíde, colocada há dias num jardim de Sesimbra (ver a fotografia que ilustra a “semanada” aqui ao lado).

 

NÃO GOSTO - O Ministério Público confessou-se impotente para combater crimes na net.

 

BACK TO BASICS - “A política é a arte de simular e dissimular” - Cardeal Mazzarino

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publicado às 21:40



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