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INDIFERENÇA

 

Primeiro levaram os capitalistas,

Mas eu não me importei

Porque não era nada comigo.

 

Em seguida levaram alguns investidores,

Mas a mim não me afectou

Porque eu não faço investimentos.

 

Depois prenderam os senhorios,

Mas eu não me incomodei

Porque nunca fui senhorio.

 

Logo a seguir chegou a vez

De alguns depositantes, mas como

Nunca fui rico, também não liguei.

 

Agora levaram-me a mim

E quando percebi,

Já era tarde.

 

(adaptado de um original de Bertolt Brecht sobre a ascensão de uma ideologia totalitária)

 

SEMANADA - José Sócrates é o convidado especial da Universidade de Verão do PS Lisboa; no entretanto promoveu um jantar com 20 fiéis para recolher ideias para acção futura e estimulou a realização, sábado, de um almoço de apoiantes para começar a contar espingardas; várias figuras próximas de Sócrates apareceram a criticar a forma como o Governo está a gerir a preparação do Orçamento, nomeadamente na área fiscal; PS e PSD querem terminar com os cortes de 10% que estão aplicados às subvenções da Assembleia da República aos partidos nela representados; foram precisos três dias de críticas para Passos Coelho desistir de ser o apresentador de um livro de segredos de alcova da classe política; nos primeiros seis meses do ano o número de casas vendidas aumentou em 22% e os preços de venda são os mais altos desde 2010; a receita do IMI aumenta ininterruptamente desde 1995; Medina diz que vai demorar uma década a sentirem-se os resultados da passagem da Carris e do Metro para a Câmara; por via das dúvidas Medina anunciou que Lisboa vai ter mais 150 kms de ciclovias nos próximos dois anos; a incorporação de biocombustíveis na gasolina e gasóleo em Portugal vai ser em 2017 maior do que em Espanha, o que agravará ainda mais a diferença dos preços dos combustíveis entre os dois países; registaram-se mais de cinco mil insolvências nos primeiros oito meses do ano; até agora a criação de empresas já diminuíu 3,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

ARCO DA VELHA - Quanto custará, em tempo e dinheiro, corrigir os erros que Medina e Salgado semearam pela cidade e repôr, como estava antes, o muito que foi mal feito e o que foi estragado?

 

FOLHEAR - Quis o destino que, há vários anos, no próprio dia em que foi anunciada a minha indigitação como Presidente do Instituto Português de Cinema (na época era director do Se7e) tivesse combinado com José Fonseca e Costa um visionamento do filme que ele então tinha finalizado - visionamento esse que seria no próprio Instituto. E, assim, Fonseca e Costa foi o primeiro a desejar-me felicidades e a recomendar-me comprimidos para as dores de cabeça. Ao longo dos anos encontrei-me com ele muitas vezes: gostava de o ouvir, partilhava muitas coisas em termos de política para o audiovisual, pedi-lhe conselhos e devo dizer que lhe devo bastante do que sei e do que fiz nessa área. Foi por isso com redobrado prazer que li “José Fonseca e Costa - Um Africano Sedutor”, uma biografia que traça o seu percurso enquanto realizador e autor. A autoria é de Jorge Leitão Ramos, um incontornável especialista no cinema português e da sua história e que, filme a filme, episódio a episódio, aqui retrata um Fonseca e Costa que deixou marca em Lisboa e em Portugal. Como Jorge Leitão Ramos sublinha, “na geração de realizadores do Cinema Novo, José Fonseca e Costa foi aquele que melhor soube equilibrar a vontade de um cinema de autor com a vontade de ter público”. O Zé morreu quase há um ano e este livro recorda-o. E conta a sua história, evocando como ele próprio era um contador de histórias. Edição Guerra & Paz, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores.

 

VER - Até 9 de Novembro a Barbado Gallery (Rua Ferreira Borges 109A) apresenta uma marcante exposição do fotógrafo francês Antoine d’Agata (na imagem). As suas 18 fotografias expostas na galeria foram realizadas entre 1998 e 2009 na Alemanha, Holanda, Geórgia, Camboja, Espanha, Lituânia, Tailândia e Cuba. Mostram um perturbador mundo que se vislumbra na noite, todas elas a jogar com imagens extremas do corpo feminino. As fotografias são intensas, fruto de um processo de encenação que contou com utilização da luz e de técnicas de exposição longa para aumentar o dramatismo das situações, cruzando a imagem da dor com a do prazer e deixando dúvidas sobre qual a sensação retratada. Na Galeria Carlos Carvalho (Rua Joly Braga Santos), Noé Sendas mostra um conjunto de fotografias, numa montagem surpreendente, pontuadas por evocações de Man Ray, sob o título “Significant Others”. Outras sugestões: no Porto, até 5 de Novembro, Pedro Cabrita Reis expõe “Pinturas” na Galeria Fernando Santos  (Rua Miguel Bombarda). Na mesma rua, na empena de um prédio, o espaço “Oficina”, da Galeria Fernando Santos, pode ser vista uma instalação de arte pública, também de Pedro Cabrita Reis, construída a partir de elementos de alumínio e de iluminação. Finalmente Pedro Calapez apresenta na Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia do campus da Caparica da Universidade Nova “Em Volta De”, um conjunto de trabalhos inéditos realizados a partir de uma leitura do livro de Xavier de Maistre, “Viagem à Volta do Meu Quarto”.

 

OUVIR - Aqueles que têm confiança no seu talento e são grandes artistas não têm medo de serem populares nem de revisitarem o cancioneiro popular. É assim em todo o mundo. Por cá, convém recordá-lo, foi Amália Rodrigues quem, como intérprete, recuperou primeiro, dignificando-o, o folclore português. Como dizia Vitor Pavão dos Santos, o que ela fazia era “um cantar cantado” ou, como a própria Amália gostava de recordar, “canto como uma pessoa que anda a cantar no campo, ou na rua”. As gravações de Amália Rodrigues de temas populares portugueses, e a sua inclusão nos seus recitais, são hoje muitas vezes ersquecidos. Graças ao notável trabalho que Frederico Santiago tem feito com os arquivos de gravações de Amália Rodrigues na Valentim de Carvalho foi agora publicado o duplo CD “Amália Canta Portugal”, uma edição verdadeiramente incontornável. Atrevo-me mesmo a dizer que é, até agora, o disco do ano no que toca à edição discográfica nacional. No primeiro CD estão gravações de estúdio e ao vivo feitas entre 1965 e 1969, essencialmente sobre um repertório de folclore com temas como “O Trevo”, “ Tia Anica de Loulé”, “Tirana” , “Malhão de Cinfães”, “Quando Eu Era Pequenina” ou  o superior “Senhora de Aires”, entre muitos outros - é uma notável compilação de grandes interpretações de música popular portuguesa, com uma remasterização que deixa perceber a grandeza da voz. No segundo CD estão gravações dos anos 70, incluindo alguns temas de José Afonso, como uma rara gravação de “Grândola Vila Morena”. Duplo CD Edições Valentim de Carvalho.

 

PROVAR - Depois de conquistar o Chiado José Avillez começou a ir por aí acima e abriu novo estabelecimento na Rua Nova da Trindade 18, um pouco abaixo de uma das cervejarias mais icónicas de Lisboa, a “Trindade”. No local onde agora se instalou “O Bairro do Avillez” estava a loja da Academia de Música, ao lado de um dos alfarrabistas onde passei muitas horas, a Livraria Barateira. Os tempos mudam, as taxas e taxinhas são louvadas por um putativo construtor civil recalcado que manda na Câmara de Lisboa, e a cidade abre-se a novas oportunidades.  José Avillez tem aproveitado bem o fulgor dos tempos e, em abono da verdade, na maioria dos casos, com mérito - as excepções são as pizzas e o Mini-Bar do Teatro S. Luiz. O seu novo “Bairro” é assumidamente coisa para turista, com fados a servir de ruído de fundo. Mas, em abono da verdade, a casa tem méritos gastronómicos. Este Bairro está dividido em três áreas - a Mercearia (uma loja), a Taberna (onde se petisca) e o Páteo ( que faz de restaurante formal). Nesta estreia fui à Taberna e eis as impressões: no couvert, destaque para a manteiga dos Açores; as azeitonas explosivas são de facto um ovo de colombo de sabor e surpresa; o queijo de Idanha-A-Nova foi muito honesto; o ceviche de tremoços ficou aquém das expectativas; os croquetes ficaram acima das mesmas; a salada de espargos e cogumelos com “caviar de beringela fumada”, envolto em molho de iogurte, hortelã e coentros, estava superior; o mesmo posso dizer do polvo com alho, molho kimchi e batata doce; a rematar o pastel de nata foi fiel à melhor tradição - pena que gelado de café, que acompanha, fosse demasiado doce. O serviço é atento na recepção, mas às vezes demorado entre pratos e desatento às mesas. Carta de vinhos suficiente, bom rosé a copo, da lavra de José Bento dos Santos com marca do próprio Avillez. Bairro do Avillez, Rua Nova da Trindade 18, tel. 215 830 290.

 

DIXIT -  “Entretanto, a Espanha tem a taxa de crescimento económico mais alta de toda a UE. Resta saber se não será por não ter governo e ser obrigada a cumprir aquilo a que se tinha comprometido há mais de um ano junto da UE?!” - Manuel Villaverde Cabral

 

GOSTO  - Do festival Folio, uma festa de livros e de vida, que decorre até 2 de Outubro em Óbidos, este ano com uma atracção especial, fruto de uma parceria entre o Villa Joya e a Ivity, o “Cooked Book Project”.

 

TAMBÉM GOSTO - Este fim de semana Serralves acolhe a oitava edição da sua Festa do Outono.

 

BACK TO BASICS - “O mistério da política não é saber como o Governo funciona, mas sim como o poderemos fazer parar” - P. J. O’ Rourke

 

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publicado às 11:19



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