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 DEBATE - A Rua Abade Faria esteve no centro do debate de quarta-feira, onde António Costa e Passos Coelho evitaram responder a perguntas concretas e definitivamente falaram muito mais do passado que do futuro. Com o futuro ninguém se comprometeu, da Europa ninguém falou, sobre o passado todos contaram histórias, desde o milagre da diminuição da dívida lisboeta (à custa da ajuda do Governo à Câmara de Costa), até aos aumentos de impostos. Sócrates dominou o debate duplamente - quando Costa quis fugir às responsabilidades na autoria do pedido de resgate e quando Passos o invocou cada vez que lhe deu jeito, aproveitando aliás a oportunidade que José Sócrates abriu ao manifestar o seu apoio a Costa no início da semana. Mas aquilo que decididamente mais me surpreendeu foi a sugestão, de António Costa a Passos Coelho, de que, em vez de o mencionar, fosse visitar Sócrates - sinal de um Costa visivelmente irritado por se estar a falar do ex-Primeiro Ministro. Foi uma confissão de ausência de identidade própria e aposto que a maneira como o secretário geral socialista tratou o anterior Primeiro Ministro do seu partido não deve ter caído bem em muitas almas no Largo do Rato. Quanto ao mais as audiências foram claras - a transmissão simultânea RTP-SIC-TVI e dos respectivos canais de informação de facto acrescentou espectadores - um total próximo dos 3,5 milhões - e não houve fuga para os canais de entretenimento do cabo. Isto quer dizer que o eleitorado na realidade esperava por este debate. Infelizmente Costa e Passos esclareceram pouco e fugiram a dizer o que fariam no dia seguinte às eleições. Mas o efeito político mais relevante, que só depois das eleições se poderá efectivamente medir, é que, apesar de a vitória em termos de sound-bytes e atitude ter ido para António Costa, o seu alvo foram sempre os eleitores tradicionais e não a captação dos novos eleitores - que são aqueles que, em última análise, se votarem, podem ter um efeito surpresa a 4 de Outubro. José Adelino Maltez sintetizou bem o ocorrido: “Um quis beneficiar do velho estatuto de ser o Deus que está no poder, o outro não se assumiu como o Diabo da oposição. Mas nem um foi suficientemente pós-cavaquista, nem o outro, eminentemente pós-socrático.” Um debate assim apenas reforçou a ideia de que a fórmula está praticamente esgotada e, como se tem visto nesta pré-campanha, as audiências estão a afastar-se das conversas eleitorais com os líderes partidários. Como se sabe, a CNE e a Assembleia da República gostam de ignorar soberanamente a realidade e acham que a comunicação hoje é igual há 40 anos atrás.

 

SEMANADA - No Domingo o Diário de Notícias titulava em primeira página que “Sócrates vai dar entrevistas durante a campanha eleitoral”; Domingo, dia do seu aniversário, reuniu num jantar vários dos seus ex-colaboradores mais próximos no Governo; segunda-feira à noite Sócrates entrou na campanha eleitoral, fez declarações ao “Jornal de Notícias” e  manifestou o seu apoio ao PS e a António Costa a menos 48 horas do debate televisivo de quarta-feira; Mário Soares já visitou José Sócrates várias vezes desde que este ficou em prisão domiciliária em Lisboa; Ascenso Simões, ex-director de campanha de António Costa, também já foi visitar José Sócrates; candidatos do Livre, desgostosos por não verem as suas ideias mediatizadas, foram entregar pizzas aos repórteres de plantão ao número 33 da Rua Abade Faria; segundo a Marktest, entre 4 e 6 de Setembro, as referências a José Sócrates representaram 37% do total de menções em redes sociais, o que significa que mais de um em cada três comentários ou posts em sites como Facebook, Twitter, Google+, Instagram, Blogs, Fóruns, Youtube e Notícias RSS foi relativo ao antigo Primeiro-ministro; António Costa acusou o Bloco de Esquerda de sectarismo; Marta Rebelo, ex-deputada do PS, escreveu um artigo, sobre a capa de uma revista que mostra Joana Amaral Dias, com o título “Queres ser eleita? Despe-te”; Joana Amaral Dias afirmou que posou nua “como homenagem às mulheres que são despedidas por estarem grávidas”; os tuk-tuks começaram a chegar ao interior, como a Mirandela, Lamego ou Peso da Régua; em Ribeira da Pena, Vila Real, há dois médicos para 6300 utentes; o Ministério da Educação cortou o apoio a 2519 alunos do ensino musical.

 

ARCO DA VELHA - 12 presos na Cadeia de Sintra conseguiram colocar bebidas alcoólicas nas celas e, na noite de sábado para domingo, fizeram uma festa e acabaram todos bêbados.

 

FOLHEAR - Aqui está um livro adequado à época eleitoral - “The Speechwriter - A Brief Education in Politics”, de Barton Swaim. O autor trabalhou na comunicação do Governador da Carolina do Sul e escreve para o Wall Street Journal e o suplemento literário do Times, entre outras colaborações regulares. Não será o melhor livro sobre comunicação política mas é das melhores narrativas sobre quem aterra no mundo da política. É um livro baseado em memórias da sua participação mais activa ao lado de um político, eleito e com poder. O livro mistura uma escrita  ficcionada com muitos relatos do mundo real dos bastidores, das conspirações e dos egos, das manias e desmandos de quem tem poder. Swaim trabalhou com um político polémico, narcisista e autoritário - e conta os episódios por que passou com um olhar divertido e, sobretudo, muito bem escrito. Só por isso é uma boa ideia lê-lo. E para os que têm ilusões nos políticos, é uma leitura muito instrutiva. Fica-se aliás por vezes com a sensação de que não há muita diferença entre o comportamento de pelo menos alguns deles em países distantes e em continentes diferentes. “The Speechwriter - A Brief Education in Politics”, Bartom Swain, Simon & Schuster, na Amazon.

 

VER - Esta semana recomendo uma visita ao Centro Cultural de Cascais/ Fundação Dom Luis, onde está uma exposição das fotografias que marcaram a carreira de Sam Shaw ao longo de 60 anos de actividade. É dele a  icónica imagem de Marilyn Monroe com a saia revolta por cima de uma grade de ventilação do metropolitano, ou a de Brando de tee shirt rasgada. Há muitas estrelas retratadas nesta exposição - de Woody Allen a Humphrey Bogart, passando por Hitchcock ou Lauren Bacall, até John Wayne ou John Houston. São 200 fotografias de uma época de Hollywood e da América que vão percorrer mundo depois de começarem esta digressão em Cascais. Mas, na exposição, a  maior estrela de todas é o próprio autor das imagens - Sam Shaw, produtor de filmes de John  Cassavettes, fotógrafo de cena de numerosos filmes que ficam para a História, desde “Um Eléctrico Chamado Desejo”, até “O Pecado Mora Ao Lado” A exposição vai estar até 8de Novembro, de terça a domingo e sempre das 10 às 18. E Sam Shaw é o senhor que está aqui retratado

 

OUVIR - É engraçado como um disco fora de tempo, no sentido de ser um disco que podia ter sido feito numa época passada, tem um inesperado encanto. É um disco divertido, bem escrito, bem composto, com bons arranjos, com claras influências de nomes grandes da música popular portuguesa. É diferente da maior parte do que se faz por aí - por ser pensado e feito em português, com histórias bem portuguesas, por ser uma mistura de um disco que mostra origens rurais e urbanas e as combina bem. É um disco ao contrário das modas e isso é bem bom de vez em quando. Tem crónicas de guerra, histórias de vidas, remeniscências de canto de intervenção, aventuras, desvarios e insinuações de romance.  Destaco “Eu Quero ser O Que Tu Queres”, “Os Teus Passos”, “O Quinito Foi Para a Guiné”, “O Sangue” e a faixa-título “Auto-Rádio”. Editado pela Pataca Discos, gravado e produzido pelo próprio Benjamim no Alvito, em pleno Alentejo, o CD chama-se “Auto Rádio” e estará no mercado na próxima semana. Benjamim tem andado em digressão nacional para o apresentar.

 

PROVAR - Por estes dias fui jantar ao restaurante Nova Goa, onde continua a pontificar o clássico Sebastião, que nos seus 70 anos continua a ser quem melhor interpreta a cozinha goesa em Portugal. Esteve no Velha Goa, no Cantinho da Paz, no restaurante da Casa de Goa e agora, há uns dois anos, tem este Nova Goa, entre o Campo Pequeno e a Avenida de Roma. Como a noite estava calma estivemos um bocado a falar e percebi que ele é um dedicado adepto do Belenenses e continua fiel ao princípio de bem servir o cliente. Comecemos pelos paparis e pasta de coentros - estavam bons. Vieram chamuças de carne e bojas, do melhor. O caril de caranguejo, o xacuti de vitela e o vindalho estavam sem mácula. E em sobremesa uma bebinca, deliciosa. Nova Goa - Rua David de Sousa 12. ao Campo Pequeno, tel. 967 443 967.  

 

DIXIT - “Já não percebo nada do PS” - Jerónimo de Sousa

 

GOSTO - Da ideia da Câmara Municipal do Porto, que pediu aos seus munícipes o envio de fotografias antigas da cidade para construir um álbum de memórias da cidade, “O Tempo do Porto”.

 

NÃO GOSTO - Das manifestações dos taxistas, que até entre eles conseguiram arranjar conflitos.

 

BACK TO BASICS - A política não é para quem tem pele delicada nem problemas cardíacos  - quando se entra na arena tem que se saber que o combate vai ser duro e que vamos levar uns golpes - Barack Obama

 

 

 

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