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CARRINHOS - Políticos, de várias origens partidárias, têm o hábito de fazer sempre promessas aos taxistas e suas associações - alguns políticos têm receio que os taxistas façam campanha contra eles nas conversas com os seus passageiros. Acontece que muitos passageiros não querem conversa e se aborrecem com os taxistas por todas as razões que se conhecem; acontece ainda que desde que existe alternativa as pessoas têm também naturalmente menos paciência para muitas atitudes. Alguns políticos gostam de pensar que os taxistas lhes podem dar uma boa boleia, mas poderiam também pensar que, ao fazerem a vontade aos taxistas, estão a desagradar a cada vez mais gente. Na semana passada Medina & Moreira fizeram tristes figuras nas manifestações promovidas pelos taxistas, as quais aliás tiveram mobilização inferior à esperada. O que é mais engraçado é constatar, como se vem tornando perceptível, que existem empresários que são proprietários de firmas de táxis e que são também proprietários de firmas que operam com a Uber - esta é uma novidade curiosa e muito real. Parece que alguns empresários do ramo do transporte já perceberam que o melhor é estarem, literalmente, nos dois carrinhos e verem como funciona a velha lei da oferta e da procura. Alguns políticos, infelizmente, ainda estão noutro mundo. E prestes a cair do carrinho em que têm andado.

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SEMANADA - A Comissão Europeia não acredita no défice estrutural prometido por dois terços dos países; uma sondagem da Marktest revelou que apenas um em cada sete portugueses sabe quantos países tem a União Europeia;  a Comissão Europeia calcula que o saldo orçamental de Portugal vai ficar 900 milhões de euros abaixo do previsto pelo Governo; Portugal perdeu 15 mil milhões de euros em investimento em seis anos de crise e só vai recuperar um quinto até 2017; a greve dos estivadores está a provocar prejuízos de 300 mil euros por dia:  a CGTP anunciou uma série de greves e manifestações de 16 a 20 de Maio;  o concurso extraordinário para a colocação de professores teve 47 mil candidaturas para 100 vagas; um estudo da  Marktest indica que cerca de 4,4 milhões de portugueses consomem em casa café em cápsulas ou pastilhas; as obras entre o Marquês do Pombal e Entrecampos já começaram, estão previstas durar nove meses se não existirem atrasos - atrasos que já são grandes em outras obras que decorrem em vários pontos da cidade, como em Campolide, onde o prazo já mais que duplicou; Silva Pereira, braço direito de Sócrates no Governo e no PS, é o redactor da moção que António Costa apresentará na sua recandidatura a secretário Geral do PS; Sónia Sanfona, uma segurista, desistiu de liderar as mulheres do PS, queixando-se de ser alvo de pressões internas; em quatro meses já há 273 novos dirigentes no Estado nomeados sem concurso;  o consumo da pílula do dia seguinte aumentou 30% em três anos.

 

ARCO DA VELHA - Uma carteirista do Porto, com 85 anos, foi detida em flagrante a furtar outra idosa; há um ano já tinha sido detida quando roubava uma carteira a uma senhora de 92 anos. Apesar da idade, dizem os relatos, continua com jeito de mãos.

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FOLHEAR - No ano em que foi publicado “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, provocou polémica e criou embaraços ao seu autor - que chegou a ser interrogado em tribunal sobre a obra. Inicialmente foi publicado como uma folhetim na revista Lippincott’s Monthly Magazine, a partir de Julho de 1980. Nessa primeira publicação, sem que Wilde soubesse, foram cortadas várias partes do original. Apesar dos cortes “O Retrato de Dorian Gray” ofendeu a sensibilidade dos guardiões do templo e dos bons costumes. Wilde defendeu-se publicamente e alimentou polémicas na imprensa com os seus detractores. Em 1891 garantiu uma edição integral, que incluía um prefácio que se tornou famoso como texto de crítica social e cultural - e desse prefácio são as frases  “O artista é um criador de coisas belas” e “Revelar a arte e ocultar o artista é o objectivo de toda a arte”, que funciona como subtítulo à edição que a “Guerra & Paz” agora lançou, na sua colecção de clássicos. “O Retrato de Dorian Gray” é o romance que retrata a relação de um pintor, Basil Hallward, com o seu retratado, Dorian Gray, um jovem que o artista considera perturbantemente belo. O pintor apresenta-o a Lord Henry Wotton, um hedonista que transporta o jovem Dorian ao seu mundo - o que lhe permite viver experiências e relacionamentos que nunca tinha pensado conhecer. Dorian Gray, preocupado com a possibilidade de perder a sua beleza com o passar do tempo, faz um pacto radical - será o quadro pintado por Hallward a envelhecer, em vez do seu corpo. O resto - o romance filosófico da sua vida e experiências - é o que poderá ler nesta excelente tradução de Rui Santana Brito. Esta edição da “Guerra & Paz” inclui ainda a transcrição do interrogatório a que Oscar Wilde foi sujeito em tribunal e que é só por si um manifesto.

 

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VER - Recentemente a EGEAC, uma empresa da CML que tem vindo a engordar atribuições, funções e pessoal, concentrou em si mais alguns equipamentos. Alexandre Pomar, crítico de artes plásticas e (bom)  opinador regular na área das políticas culturais, tem-se debruçado, no seu Facebook, sobre os problemas que esta concentração de poderes na EGEAC representa e, sobretudo nas galerias de arte na órbita da EGEAC, as quais estão sob direcção de João Mourão, que tem também interesses numa galeria privada, a Kunsthalle Lissabon, a que continua ligado. Aqui ficam as palavras de Alexandre Pomar, constatando o crescimento de uma rede de galerias de arte da CML/EGEAC que concorrem de forma desigual (desleal) com as galerias comerciais e associativas, conjugando-se com algumas delas e ignorando outras, condicionando desse modo o mercado da arte (nos seus sectores museológico, instituciomal-fundacional e particular - todos eles actuam no mesmo mercado global). As galerias municipais (se devem existir) não devem focar a sua acção na chamada arte contemporânea, mas sim diversificar as suas áreas de actuação, mostrando artistas desconhecidos e consagrados, actuais e antigos, profissionais e amadores, insider e outsider, etc, e em especial cobrindo outras áreas não frequentadas pelo comércio galerístico - devem ter diferentes responsáveis e não um controleiro único (...) O crescimento da rede de galerias institucionais (museus, fundações e CML, com o seu mercado institucional) é um factor de fragilização do mercado galerístico, excepto nos casos pontuais em que se criam vínculos directos entre instituições e algumas galerias, que assim se tornam mais poderosas. Só num pequeno país periférico (e pindérico) onde a corrupção e o medo grassam associados, é possível esta lógica de centralização de poderes, escolhas e influências, num sistema em que a arte parece estimulada pelas entidades públicas mas que de facto se torna um sistema corporativo, centralista e arbitrário - e no final inútil, desacompanhado pelos públicos, descartável.” A sugestão da semana, para terminar, é a participação de Rui Chafes no ciclo “Não te faltará a distância” , comissariado por Paulo Pires do Vale, na Igreja de São Cristovão, com um conjunto de peças denominado “Ascenção”, de onde é retirada a imagem aqui reproduzida. Até 1 de Junho.

 

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OUVIR - Em quase três décadas Andrew Bird fez apenas três álbuns de originais - o mais recente foi publicado há semanas e chama-se “Are You Serious”. Mas neste tempo participou em quase duas dezenas de discos e estabeleceu uma sólida reputação de compositor e intérprete de temas alheios. Bird é um multi-instrumentista que gosta de alternar entre a guitarra e o violino e entre a voz e o assobio - e o seu assobio, acreditem, é coisa digna de se ouvir. Em “Are You Serious” há  participações vocais de Fiona Apple e de Moses Sumney - este último tem em comum com Bird o apreço que Sufjan Stevens nutre por ambos. Em todo o disco há muito mérito também na guitarra de Blake Mills. Bird é um dos melhores exemplos da nova pop norte-americana, neste caso que nasce na intersecção entre a country e o rock. Andrew Bird nasceu em Chicago, tem colaborado em bandas sonoras como em “Orange Is The New Black” - com o tema “Pulaski”, de que existe uma versão neste novo álbum. Bom disco, grandes canções, produção sóbria. (CD Universal).

 

PROVAR -  Considero o pastel de massa tenra uma das melhores iguarias da cozinha tradicional portuguesa e, embora pareça coisa simples, é necessário que a massa seja perfeita, que o recheio seja cuidado e que a fritura seja primorosa: conjugar tudo isto não é nada fácil. Ao longo dos tempos vários pastéis de massa tenra ficaram famosos em Lisboa - em primeiro lugar os incontornáveis do Frutalmeidas; depois, mais tarde, os do Papa Açorda antigo (e dizem-me que sobrevivem bem no novo espaço do restaurante). Pelo meio, no Centro Comercial Roma, avenida do mesmo nome, apareceu um local que os comercializa mas nunca entrou verdadeiramente na primeira liga da massa tenra. E, os últimos são os primeiros, nunca me tinha dado para fazer esta escolha no Salsa & Coentros mas uma recente visita deixou-me conquistado. Trata-se do melhor pastel de massa tenra que provei nos últimos anos - tudo no ponto certo, massa estaladiça, fritura impecável, recheio saboroso e generoso. O acompanhamento aqui é um arroz de grelos, mas pode pedir legumes se pretender, ou mesmo salada. Nesta recente incursão nesse grande clássico da cozinha portuguesa que continua a ser o Salsa & Coentros os pastéis foram acompanhados por um tinto, Confidencial Santos Lima Reserva, que deu muito boa conta do recado. A casa, recordo, é famosa pelas suas empadas, desde as pequenas de galinha que são servidas de entrada, até às de perdiz ou de cozido de porco preto. Salsa & Coentros - Rua Coronel Marques Leitão 12, Alvalade. Telef 218 410 990.

 

DIXIT - “A austeridade fez de Portugal um país com pouca gente e infeliz” - Manuela Ferreira Leite

 

GOSTO - Do manifesto “Reconfiguração da Banca em Portugal” que apela a que se tenha em conta a dimensão estratégica e não somente os aspectos financeiros de curto prazo.

 

NÃO GOSTO - Do condicionamento de informação desejado por deputados do PS por causa de uma peça de um Telejornal da RTP onde José Rodrigues dos Santos falou sobre a evolução da dívida pública.

 

BACK TO BASICS - “Os maiores avanços da civilização, seja na arquitectura ou nas artes plásticas, na ciência ou na literatura, na indústria ou na agricultura, nunca vieram de um governo centralizado” - Milton Friedman.

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