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PROPAGANDA _ Quando se regulamentaram em Portugal as campanhas eleitorais, há quarenta anos, houve a preocupação de tentar garantir, com base na realidade da paisagem mediática da época, um acesso semelhante de oportunidades para as várias forças concorrentes. Proibíu-se a publicidade comercial e estimulava-se a participação da militância nas campanhas. Havia apenas um canal de televisão e a generalidade da comunicação social estava nas mãos do Estado. Os tempos de antena eram momentos de propaganda disputados e os debates entre todas as forças eram imperativos indiscutíveis. Hoje tudo é diferente - os tempos de antena são quase ignorados e deixaram de ter importância; a militância, salvo casos raros, desapareceu da afixação de cartazes e de acções de campanha; e os debates redundaram no desastre que agora se viu. A legislação eleitoral não se adaptou à evolução dos tempos, desde logo nas obrigações impostas aos orgãos de comunicação social uma vez praticamente desaparecido o Estado do sector, menos se adaptou ao surgimento do universo digital. Qualquer partido pode ter um site, um blog, um canal de televisão próprio on line e presença nas redes sociais por um custo inferior ao de uma série de tempos de antena há 40 anos. Um estudo publicado durante a recente campanha estimava em 8,8 milhões de euros o valor que todos os partidos iriam gastar no decurso das respectivas campanhas eleitorais, desde material de propaganda a comícios, passando por consultores, por estudos de opinião e outdoors. A noção de que as campanhas estão proibidas de ter custos de publicidade tornou-se uma mentira consentida, desde logo nos outdoors, mas também online, com a gestão de redes sociais ou estratégias de utilização de dados. Nas campanhas continua tudo como no início do último quarto do século passado. Ou seja, também aqui, o sistema político vive numa mentira.

 

SEMANADA -  Apesar de existirem cem mil novos eleitores as abstenções voltaram a subir; a coligação PàF venceu as eleições depois de ter estado no Governo quatro anos a praticar uma política de austeridade; o PS não conseguiu nem sequer a maioria relativa, muito menos a absoluta que António Costa pretendia; António Costa perdeu no concelho de Lisboa, onde foi Presidente da Câmara vários anos e de cuja governação se gaba; o Bloco de Esquerda passou a ser a terceira força política mais votada; o Presidente da República mostrou que tem uma enorme falta de jeito para procurar consensos; no PS já começaram os sinais de conspiração interna; António Costa  é contra a partilha de soluções governativas entre as principais forças políticas, “a menos que haja invasão de marcianos” - mas na Europa há Governos de coligação com três ou mais partidos em 13 países que não consta terem sido invadidos por extra-terrestres; o PCP anunciou que irá apresentar uma proposta de rejeição do Programa do Governo da coligação; António Costa na campanha havia dito que votaria contra o Orçamento proposto pelo Governo se a coligação ganhasse; o PCP declarou que viabilizaria um Governo PS; o Livre não teve condições para avançar; as exibições de Joana Amaral Dias não tiveram efeito eleitoral; segundo o Programa de Estabilidade, aprovado este ano, o próximo Governo, seja ele qual fôr, terá de incluir no Orçamento de Estado medidas de austeridade de pelo menos 700 milhões de euros.

 

ARCO DA VELHA - Com a quantidade de cães e gatos que andam pelo Facebook a eleição de um deputado do Pessoas-Animais-Natureza acaba por não ser uma surpresa.

 

VER - Se forem a Madrid não deixem de ver a magnífica exposição de fotografias de Josef Kouldelka, um checoslovaco que fugiu para Paris depois da invasão de Praga pela URSS em 1968 - amplamente documentada na exposição. Em Paris, Koudelka aderiu à agência Magnum e dedicou-se a temas como as migrações ciganas. A exposição (na imagem) está até 29 de Novembro na Fundación Mapfre, mesmo ao pé do Museu Reina Sofia, em Madrid, e traça a carreira de Koudelka, desde os seus tempos a fotografar teatro até às paisagens abrangentes que hoje em dia o inspiram. Ao ver esta mostra pensei como Portugal ainda está fora do roteiro destas grandes exposições internacionais de fotografia. Para além do World Press Photo, das exposições de Sebastião Salgado e de uma ou outra ocasional, o que de melhor se mostra por esse mundo fora passa-nos ao lado - um lugar que no futuro a Fundação EDP bem podia ocupar.

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Outras sugestões - Na Galeria Quadrado Azul, de Lisboa, até 24 de Dezembro, “Make Do”, fotografias de Paulo Nozolino realizadas entre 1974 e 2013, uma selecção que rompe com as mostras mais recentes do artista - Rua Reinaldo Ferreira 20, em Alvalade; Na Casa da América Latina, Avenida 24 de Julho 118 B, Luisa Ferreira apresenta “Quatro Dias e meio. Increíble” - fotografias de uma viagem à Cidade do México.

 

FOLHEAR - A Vanity Fair de Outubro é a edição anual dedicada à lista das personalidades que, na opinião da revista, constituem o “New Establishment”. O líder da lista deste ano é Mark Zuckerberg, que obviamente é a figura da capa da revista e é a personalidade mais jovem que alguma vez liderou a lista. Elon Musk, que era o nº1 do ano passado, está agora na sexta posição e o fundador da Uber, Travis Kalanick ocupa o segundo posto, logo seguido no terceiro lugar por Jeff Bezos da Amazon. O artigo que antecede a lista, “Unicorns And Rain Clouds”, de Nick Bilton, que escreve regularmente  sobre tecnologia para o New York Times, vale a revista só por si, estabelecendo comparações entre esta época de rupturas e saltos digitais com a revolução industrial do século XIX e analisando o que foi a bolha de 1999 e suas eventuais parecenças com a situação actual. Outro artigo que vale a pena ler é sobre o investimento de dois mil milhões de dolares do Facebook na realidade aumentada, numa empresa chamada Oculus Rift, cujo produto, um aparelho que nos permite experimentar viver outras realidades, Zuckerberg aposta que  vai ser o próximo responsável por uma nova transformação na forma como as pessoas se relacionam e comunicam entre si. Por isso comprou a Oculus Rift para ser integrada no ecosistema que o Facebook está a criar. Uma história incontornável.

 

OUVIR - A improvisação está quase sempre no ponto de partida dos discos de Rodrigo Amado - e já vai em 15. Em “This Is Our Language”, o seu novo CD, Amado rodeia-se de músicos notáveis - o saxofonista Joe McPhee, o baixista Kent Kessler e o baterista Chris Cossano. McPhee, que aqui também toca trompete nalguns momentos, além dos diálogos que o seu sax alto proporciona com o sax tenor de Amado, é, aos 75 anos, uma das grandes figuras do jazz de vanguarda. “This is Our Language”, o nome deste CD, parece remeter para “This Is Our Music”, de Ornette Coleman em 1961 - tem o selo da editora Polaca Not Two, foi gravado em estúdio, mas surge na continuidade do concerto realizado pelo quarteto no CCB, em Dezembro de 2012. Rodrigo Amado, que além de músico é também um fotógrafo com obra assinalável, está numa fase particularmente criativa e este disco é uma espécie de manifesto das ideias musicais que professa - a improvisação, o jazz de vanguarda, a tradição de nomes como Coleman ou Albert Ayler, que aqui se faz sentir. Entre as cinco faixas do disco escolho a primeira, “The Primal Word”, a faixa título “This Is Our Language” e a última, “Human Behavior”. São, digo eu, as que mais representam o espírito em que o álbum parece ter sido criado.

 

PROVAR - Ultimamente os novos restaurantes de hamburguers parecem saídos de uma experiência de química nascida na imaginação delirante do professor Pardal. Felizmente no Ground Burger, bem perto do Corte Inglés e da entrada do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, a tradição ainda é o que era. A lista inclui nova hamburguers, que vão do mais simples, só com carne, pickles, cebola, ketchup e mostarda, até ao Chili (obviamente picante) e o Philly, que leva queijo filadelfia. Da lista faz parte uma opção vegetariana e outra para crianças, de tamanho reduzido. Há ainda uma opção Hamburguer do Mês que, essa sim, inclui algumas habilidades. Toda a carne utilizada é de Black Angus, o pão do hamburguer é muito bom,  e os preços vão de 7.50€ até 10.50€, com os acompanhamentos à parte - batatas bem fritas em alho e alecrim, anéis de cebola temperados ou salada. Para beber há uma variedade de milk shakes e cervejas de várias proveniências, incluindo algumas artesanais portuguesas. No caso optei por uma norte-americana Samuel Adams Boston Lager, à pressão, que foi muito bem com o Ground Burguer, receita tradicional que é o emblema da casa. Atenção que, se gosta de carne mal passada, o melhor é mesmo sublinhar o tema - a opção médio-mal não chega. Nas sobremesas há gelados, o café é bom e o serviço é muito acima da média. Fica já dito que neste momento é a minha hamburgueria preferida. A sala é luminosa, confortável e simpática. Avenida António Augusto de Aguiar 148A, telef. 213 717 171.

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DIXIT - “A cada vez menor dimensão do Estado está a retirar ao PS o seu eleitorado natural e a austeridade está a cindir a sociedade entre os que velam pelos seus interesses materiais e os que se radicalizam porque se sentem excluídos e precários” - Fernando Sobral, no Pulo do Gato, aqui no Negócios.

 

GOSTO -  Há mais gente a andar de comboio - nos primeiros oito meses do ano a CP transportou 73,5 milhões de passageiros, mais 2,8% que em igual período do ano passado.

 

NÃO GOSTO - O Benfica oferece prendas aos árbitros no final de cada jogo, incluindo vales para jantares para cada membro da equipa de arbitragem e acompanhante; o Conselho de Arbitragem sabia de tudo e nada disse.

 

BACK TO BASICS - Uma das razões pelas quais as pessoas se afastam da política é porque a verdade é muito raramente o objectivo dos políticos, cuja preocupação é só um bom resultado eleitoral e o poder - Cai Thomas.

 

 

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