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RTP - Esta semana a RTP comemorou os seus 60 anos e houve dois factos relevantes: o Presidente da República defendeu a não privatização do operador de serviço público e a empresa decidiu disponibilizar online o seu arquivo, que vinha sendo digitalizado desde há uma dezena de anos. Comecemos por aqui - o arquivo é a maior base de imagens portuguesa e mostra o percurso do país ao longo dos 60 anos da empresa, foi pago com o dinheiro dos contribuintes e é-lhes agora devolvido. Tornar livre o seu acesso público foi a melhor decisão que Gonçalo Reis tomou desde que é presidente da RTP. O segundo tema, o da privatização da RTP, é um fantasma político que tem surgido recorrentemente. Marcelo Rebelo de Sousa, como o próprio recordou esta semana, já defendeu essa privatização e agora declarou ter mudado de posição. Fez bem. Há pouco mais de uma década a polémica sobre o tema estava no auge e Morais Sarmento, então ministro da tutela, tomou a decisão de proteger o serviço público, reestruturá-lo e congelar uma privatização anunciada e desejada por vários sectores do seu partido. Vale a pena referir que foi essa reestruturação que salvou a empresa, que estava falida e consumida em guerrilhas internas. O Conselho de Administração de então, liderado por Almerindo Marques, merece ser evocado porque sem a sua acção provavelmente as coisas seriam diferentes, para pior, hoje em dia. E chegamos ao momento presente. Na minha opinião, do ponto de vista da coordenação de conteúdos - programação e informação - a RTP está sem rei nem roque, ao sabor de decisões contraditórias, com demasiadas suspeitas de favorecimento, amiguismo  e de falta de transparência. Sou dos que entende que a RTP não deve ser privatizada e que deve ser um operador de serviço público focado na entrega de conteúdos em défice no panorama audiovisual português, que os privados não produzem por falta de rentabilidade comercial dos mesmos. E sou dos que acha que a RTP, no mercado, não deve fazer concorrência aos privados na compra de conteúdos como jogos de futebol, com a possível excepção da Selecção Nacional. Quanto ao resto sou o primeiro a reconhecer que os conceitos de serviço público do século passado devem ser reapreciados, que a evolução do consumo de mídia se alterou radicalmente com a evolução do universo digital e que a alteração da forma de consumo de televisão ainda está apenas a começar. A RTP é uma das maiores marcas portuguesas de comunicação e se o seu trabalho for bem feito pode ser um factor de coesão nacional e territorial, em vez da arma de arremesso político, da feira de vaidades pessoais e do albergue de negócios com amigos em que se transformou demasiadas vezes.

 

SEMANADA - Portugal é o país da União Europeia com a taxa de fertilidade mais baixa e aquele onde mais diminuíu o número de nascimentos nos últimos 15 anos; em Portugal, em média, seis adolescentes por dia dão à luz; em 2015 houve mais 915 casamentos do que em 2014, dos quais 350 foram entre pessoas do mesmo sexo; desde o início da época verificaram-se 35 agressões a árbitros; por mês há 28 queixas de idosos vítimas de agressões, a maior parte de familiares; só 1,4% dos magistrados têm avaliação negativa; no caso das offshores, 18 das 20 declarações ocultas já são do tempo do actual Governo;  o número de queixas dos consumidores registadas em livros de reclamações aumentou 7% no ano passado; o Presidente da República apareceu todos os dias nas notícias no primeiro ano do seu mandato e, só na televisão, Marcelo teve direito a 1.060 horas de emissão, o dobro de Cavaco Silva. Segundo a Marktest, ao longo do ano 2016, cada português passou uma média de 11 horas em sites de informação, consultados diariamente por cerca de 900 000 pessoas; a universidade de Harvard vai fazer um simpósio com académicos e políticos sobre a geringonça portuguesa; a Associação 25 de Abril convidou Jaime Nogueira Pinto a realizar nas suas instalações a conferência sobre “Populismo ou Democracia”, que foi proibida pela Universidade Nova.

 

ARCO DA VELHA -Esta semana os debates parlamentares transformaram a Assembleia da República uma arena de insultos e má criações, num triste retrato da classe política, quer no Governo, quer na oposição.

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FOLHEAR - Gosto de História e gosto das histórias que fazem a grande História. Essa é uma das razões porque o livro “Os Dias Em Que Portugal Foi Feliz” me conquistou. Elizabete Godinho, a sua autora, pegou em mais de 100 momentos - do desporto à política, passando pela economia e a cultura - e elaborou um calendário em que ao longo dos doze meses do ano se vão mostrando os momentos marcantes da nossa História em cada um deles. O mais recente data de Janeiro deste ano, quando Guterres passou a ser Secretário Geral da ONU e o mais antiga é de Junho de 1128, quando D. Afonso Henriques venceu a batalha de S. Mamede. Ao longo das 300 páginas estão momentos como o primeiro concerto dos Xutos & Pontapés em 1979, a abolição da escravatura em 1869, a criação da Universidade de Coimbra em 1290, a descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral em 1500, a primeira vitória de Portugal no Europeu de Futebol em 2016, a medalha de Ouro de Carlos Lopes em 1984, a derrota do exércicto invasor francês na Batalha do Buçaco em 1810, o dia de 2013 em que Sara Sampaio se tornou um ano da Victoria’s Secret ou, em 1640, a restauração da Independência de Portugal. Cada data é acompanhada de um texto que a enquadra, de forma sintética e informativa, criando uma enciclopédia dos nossos motivos de orgulho.  Edição Guerra & Paz.

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VER - “Os Anos do Exílio no Brasil” é o título da exposição patente até 7 de Maio na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, no Jardim das Amoreiras, em Lisboa. Trata-se de uma recolha de obras de pintura e desenho que o casal fez entre 1940 e 1947, quando esteve exilado no Brasil. Integrada na programação de Lisboa Capital Ibero Americana da Cultura, a exposição mostra o que Vieira da Silva e Arpad fizeram quando, nos anos da guerra, fugiram da França em vésperas da invasão alemã e viram a sua entrada recusada em Portugal. Nessa altura foi o Brasil que os acolheu ao longo de sete anos e o conjunto de retratos que nessa época Arpad fez de Helena são talvez um dos pontos mais interessantes desta exposição. Também na Fundação Arpad-Szenes-Vieira da Silva, na casa que foi o antigo atelier do casal, igualmente no jardim das Amoreiras, Ana Vidigal apresenta “Mas Ao Brasil Jamais Voltaria”, evocando uma frase da própria Vieira da Silva. Vidigal intervém sobre móveis da casa e apresentando um conjunto de peças que são uma revisitação de memórias imaginadas. Finalmente, também na Fundação, e igualmente integrada na programação da Capital Ibero-Americana da Cultura está uma exposição do fotógrafo português Armindo Cardoso, que viveu no chile entre 1969 e 1973 e que mostra a evolução do país naquele período, até à queda de Allende. Outras sugestões: Catarina Pinto Leite mostra “Sótão” na Galeria Giefarte (Rua da Arrábida 54) e Teresa Dias Coelho mostra “Interiores”, na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria 101).

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OUVIR -  Esta semana fui ver, ao Cinema Ideal, um dos melhores filmes a que assisti nos últimos tempos - “Hell Or High Water” (“A Qualquer Custo”, em português). Realizado por David Mackenzie, tem soberbas interpretações de Chris Pine, Jeff Bridges e Ben Foster. É um western contemporâneo, com roubos a bancos, índios que agora são polícias e o inevitável petróleo do Texas. Cabe aqui dizer que o Cinema Ideal é a sala ideal para ouvir filmes com boas bandas sonoras - não há barulhos de pipocas mastigadas nem de coca colas aspiradas - por isso é que gosto de lá ir. Numa outra sala talvez esta banda sonora, composta por Nick Cave e por Warren Ellis causasse menos efeito, mas nesta sobressai. Algumas bandas sonoras não vivem fora dos filmes, ou vivem mal; outras são um repositório de canções adequadas a cenas de beijos,  de cama ou de pancadaria, mas não passam de uma miscelânia. Esta entrou na alma do filme e tornou-se minha companhia regular no Spotify. Warren Ellis foi um dos Bad Seeds, a banda que acompanhava Nick Cave, e os dois já fizeram uma dúzia de bandas sonoras - desde para a representação teatral de “Woyzeck”, passando por vários westerns como este, ou pela série “Mars”, da National Geographic que recentemente foi exibida em Portugal. A banda sonora de “Hell Or High Water” tem nove temas originais compostos por Cave e Ellis, e permito-me destacar “Robbery”, “Lord Of The Plains”, “Casino “ e “Comancheria”. Depois há meia dúzia de canções muito bem escolhidas de nomes como Townes Van Zandt, Ray Wylie Hubbard, Waylon Jennings, Colter Wall e Christopher Stapleton, entre outros.

 

PROVAR -  Vou começar pelo fim. Nestes dias mais temperados, apetece um gelado. Num destes dias em que o sol regressou, foi o que  finalizou o almoço: um gelado de eucalipto. Eucalipto? Sim, cheira a eucalipto, sabe a eucalipto, há-de vir do eucalipto. Soube muito bem depois do café. Antes, porém, encontrei uma sanduíche club surpreendentemente bem feita, com tudo a que tem direito, as três fatias de pão, fresco mas levemente torrado, com recheio variado e abundante entre elas. Uma boa sanduíche club não é coisa fácil de encontrar em Lisboa e esta estava bem acima da média. Hesitei na lista com uma sanduíche aberta de salmão fumado com alcaparras e rúcula e percebi que um folhado de queijo de cabra com salada era dos pratos mais requisitados. As empadas de galinha tinham uma massa leve e um recheio generoso e saboroso. Na lista há chás variados e infusões e chocolate quente. A orientação geral das operações é do chef Bertílio Gomes (do Chapitô) e de Maria Santos, que são os obreiros dos gelados artesanais ali servidos e que são um dos atractivos do local. E de que estamos a falar? Do Ice Gourmet, uma cafetaria situada no Jardim da Gulbenkian, próximo da entrada pela Rua Marquês Sá da Bandeira, mesmo frente à loja de revistas “Under Cover”. Sugestão - vão lá buscar boa leitura e depois sentem-se na esplanada a gozar o momento e a petiscar uma refeição leve e um bom gelado. O jardim fecha às seis, quando os dias forem mais longos é uma pena não poder fazer lá os fins de tarde.

 

DIXIT -  “Na Europa, estamos todos em negação e a tentar sobreviver e lutar contra as mudanças que a tecnologia vai trazer “ - Cristina Fonseca, da Taldesk, na apresentação do livro “Indústrias do Futuro”

 

GOSTO - De Salvador Sobral e da sua canção “Amar pelos dois”, composta pela  irmã, Luisa Sobral. Como escreveu Miguel Esteves Cardoso, “que atinja o publico internacional que merece - se for assim o festival da canção serviu para alguma coisa”.

 

NÃO GOSTO - Da proibição da conferência de Jaime Nogueira Pinto na Universidade Nova.

 

BACK TO BASICS - “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o direito de o dizeres” - Evellyn Beatrice Hall

 

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