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SANÇÕES - A União Europeia parece uma menina birrenta. Qualquer coisa que atrapalhe os seus planos indispõe-na sobremaneira. Tal como acontece com as meninas birrentas, muda de opinião conforme o vento. Ora ameaça, ora cede. Ora diz que vai passar uma rasteira, ora assobia para o ar a fazer de conta que não vê. Esta coisas das sanções é uma espécie de casa-descasa. Uns tantos dizem que alguém tem que fazer as malas e sair; mais uns prometem açoites e castigos; outros dizem que o melhor será dar mais uma oportunidade. À segunda há sanções pela certa, à tarça talvez não, à quarta foram adiadas e à quinta voltam à baila. O mais curioso é que, quando alguém resolve sair deste manicómio levanta-se um clamor de acusações em vez de se procurarem as razões. O que mais me intriga na União Europeia e nos seus burocratas empedernidos, enquistados nos múltiplos orgãos não escrutinados que trabalham em círculo fechado, é a incapacidade de avaliarem a causa das coisas, é a maneira como acham que a culpa de os assuntos não correrem como planearam é sempre dos outros e não da má informação, do mau planeamento ou simplesmente da incompetência deles próprios. Eu consigo compreender que os burocratas não consigam ver nem viver para além de regras e regulamentos; e também percebo que a Alemanha queira mostrar a sua força e influência, sobretudo agora que a Inglaterra está de malas aviadas. Já percebo menos que outros países se verguem às manias alemãs. Mas, lá está, a história repete-se muito mais vezes do que aquelas que pensamos. A Europa nos dias que correm está a ser o que sempre foi ao longo dos séculos: um palco de disputas, invejas e intrigas. A guerra na Europa já começou há muito tempo. Os novos exércitos, para já, usam o sistema financeiro, por enquanto ainda não precisaram de recorrer às armas.

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SEMANADA - Após estar seis meses limitada a actos de gestão corrente a administração da CGD demitiu-se; só depois disso o Ministro das Finanças veio dizer que tinha havido um desvio de 3 mil milhões de euros ao plano de negócios da instituição; Marcelo Rebelo de Sousa não fugiu a nenhuma fotografia com José Sócrates quando se encontraram numa inauguração, ao contrário do que fez António Costa no Túnel do Marão; Marcelo Rebelo de Sousa andou a tocar bombo nas ruas de Alfândega da Fé; ainda em Trás os Montes, Marcelo Rebelo de Sousa comparou a Presidência da República e  o Governo a cogumelos - o da Presidência maior, ao qual se encosta o menor, do Governo - e disse que o cogumelo presidencial aguentará “por uns tempos” o cogumelo governamental; o PCP esclareceu que a proposta do Bloco de Esquerda de realização de um referendo sobre a permanência na União Europeia viola a Constituição;  um grupo de trabalho criado pelo Governo aconselhou a legalização da Uber e plataformas semelhantes; um funcionário do Tribunal de Loulé vendia dados de processos em curso por 2000 euros; 40% das pensões por desemprego de longa duração são inferiores a 400 euros; as inscrições em universidades privadas cresceram 7% no ano lectivo 14-15; o Bareme Imprensa da Marktest quantifica em 7,2 milhões o número de portugueses que contactam com jornais ou revistas e em 5,2 milhões o número de leitores regulares; a análise, em comissão parlamentar, do projecto de lei sobre alargamento da TDT foi adiada; desde a introdução da carta por pontos as multas na estrada caíram 24%; cada vez que ando pelo caos lisboeta penso que há quem trabalhe para deixar obra feita e há quem só pense em fazer obras. Manias.

 

ARCO DA VELHA - Históriaescondida Lda é o criativo nome dado a uma empresa que Diogo Gaspar,  o Director do Museu da Presidência acusado de várias irregularidades, utilizou para as suas actividades, agora sob investigação.

 

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FOLHEAR - A editora Guerra & Paz gosta de complicar o que é simples. E ainda bem. Em vez de se limitar a reproduzir textos clássicos, dá-se ao trabalho de os trabalhar graficamente, faz ensaios que procuram contextualizar as obras e os seus autores, e ainda por cima inclui nas edições as respectivas biografias. Tudo isto se passa na sua nova iniciativa editorial, a colecção Livros Amarelos que se propõe revelar “as relações compremetedoras de textos célebres”. O amarelo das capas, com o pormenor gráfico de um cortante que permite ver outra côr que vai mudando de edição para edição, é impossível de passar despercebido nos escaparates. A colecção diz-se amarela em homenagem à “Yellow Book” uma revista publicada em Londres antes da União Europeia, mais precisamente no século XIX, e que foi um pólo do modernismo. O grafismo destes livros é de Ilídio Vasco. O primeiro volume (na imagem) junta”O Banqueiro Anarquista”, de Fernando Pessoa, uma leitura terrivelmente adequada aos tempos que correm, e “A Alma do Homem Sob a Égide do Socialismo”, de Oscar Wilde. O texto que ensaia a ligação entre as duas obras é de Manuel S. Fonseca, que dirige a editora. O segundo volume, também já publicado, começa por “Pessimismo Nacional”, um fascinante texto de Manuel Laranjeira, um médico que viveu entre o fim do século XIX e o princípio do século XX e que se suicidou depois de enviar uma carta ao seu amigo Miguel de Unamuno. O outro autor deste segundo volume é precisamente Miguel de Unamuno, que pensando no que Manuel Laranjeira escrevera, publicou “Portugal, Um Povo Suicida”. A ligação entre as duas obras é feita por Helder Guégués, que faz uma incursão apaixonante aos tempos em que tudo isto aconteceu.

 

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VER - Uma das mais curiosas exposições que pode ser vista por estes dias, até 30 de Outubro, é  Fora do Padrão. Lembranças da Exposição de 1940, no Padrão dos Descobrimentos, em Belém.  A exposição é baseada em entrevistas a pessoas que na sua infância ou adolescência visitaram a exposição realizada pelo regime de Oliveira Salazar para comemorar a data da fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640) e revisita as suas memórias. Na realidade a  exposição está formada a partir de recordações de 28 pessoas, na época crianças e adolescentes, que visitaram a exposição e que percorrem as suas memórias do tempo da guerra e até do racionamento. Lembram-se de ver a exposição de fora, lembram-se dos sons, de ver as coisas de baixo, dos cheiros, dos animais, dos crocodilos  que estavam no Tanque do Jardim Colonial, e do teleférico então instalado. A exposição é fruto de uma investigação feita ao longo de um ano pelo CRIA - Centro em Rede de Investigação em Antropologia. Outras sugestões: até 16 de Setembro a Galeria João Esteves de Oliveira, sob o título “Não há folha de sala”, reúne obras em papel de nomes como Manuel Botelho, Sofia Areal, Jorge Martins, Cecilia Costa, Pedro Calapez, José Pedro Croft e Álvaro Lapa (na imagem), entre outros. Na Sociedade Nacional de Belas Artes abriu esta semana uma exposição de trabalhos dos finalistas de pintura da Faculdade de Belas Artes, ano lectivo 14-15.

 

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OUVIR - Que se pode dizer da gravação de um concerto dos U2? - Eles proporcionam canções que marcaram os tempos, muito som, luz deslumbrante e parafernália tecnológica e visual sem fim: usam tudo o que está disponível de melhor e mais moderno, concebido pelos melhores técnicos. “iNNOCENCE+eXPERIENCE - Live in Paris” reproduz os concertos que os U2 deram em Paris em Dezembro do ano passado e que foram transmitidos em live streaming pela HBO. Os concertos de Paris eram para ter ocorrido em Novembro mas foram adiados devido ao atentado no Bataclan. Não por acaso um dos convidados da noite de 7 de Dezembro foram os Eagles Of Death Metal, que se juntaram aos U2 em palco para uma versão conjunta de “People have The Power”, que encerra o DVD. Na segunda noite de Paris quem se juntou aos U2 na mesma canção foi Patti Smith - mas esse registo só está disponível na edição Deluxe do DVD, que icnlui também cenas de bastidores e diversos telediscos. A edição normal tem 30 temas, que percorrem os grandes êxitos dos U2, desde o início da carreira da banda até às gravações mais recentes, e ainda versões de temas de John Lennon, Bee Gees, Doors, David Bowie, Talking Heads, Jacques Brel, The Ramones, Paul Simon, Van Morrison e, claro, Patti Smith - precisamente em “People Have The Power”. A simplicidade e energia natural da banda nos seus tempos irlandeses foi basicamente substituída pela tecnologia e por uma produção sofisticada. Não é por acaso que Bono quer manter o elixir da juventude activo, graças a uma overdose de maquilhagem electrónica. A realização é de Hamish Hamilton, a edição é Island/Universal, já disponível em Portugal.

 

PROVAR - Nestes dias de calor o que sabe mesmo bem a meio da tarde é um gelado. Se estiver nas proximidades de S. Bento recomendo o Nannarella - um estabelecimento que nas suas próprias palavras propõe gelados e sorvetes à moda de Roma. São todos de fabrico próprio, a partir de fruta fresca, e há inclusivamente sorvetes para intolerantes a lactose. São propostos  sabores invulgares, como sorvete de flor de basílico ou guloseimas pouco ortodoxas, como o gelado que é feito à base de bolachas Oreo. Recentemente experimentei o gelado de pistácio, magnífico, e o sorvete de morango, cheio de sabor. Um dia destes hei-de experimentar o de maçã e canela e tenho esperança de encontrar rapidamente a cassata siciliana, que para mim é o petisco dos gelados. O espaço é muito pequeno, é frequente a fila ir pela rua fora, mas o atendimento é rápido e simpático. Há quem diga que estes são os melhores sorvetes de Lisboa e a casa faz entregas ao domicílio. A Nannarella fica na Rua Nova da Piedade 68, frente ao mercado de S. Bento, está aberta diariamente entre as 12 e as 22h00 e o telefone é o 926878553. Tem página no Facebook.

 

DIXIT - “Cortar fundos a Portugal e Espanha é criar dificuldades à própria Europa” - Marcelo Rebelo de Sousa.

 

GOSTO - Da iniciativa da carta aberta contra as praxes violentas, dirigida às universidades e respectivas associações de estudantes, assinada por uma centena de personalidades.

 

NÃO GOSTO - Das manobras para atrasar os reembolsos do IRS

 

BACK TO BASICS - É mais fácil partir um átomo do que um preconceito - Albert Einstein



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