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ELEIÇÕES - Um homem que eu me habituei a considerar inteligente, e que de certa forma parecia destoar da pobreza da classe política, é Paulo Rangel. E, no entanto, empolgado pelo clima eleitoral e pela sua condição de cabeça de lista do PSD e PP às europeias, ei-lo que se deixou enebriar pelas próprias palavras e criou um caso onde o prazo de validade da notícia já tinha quase esgotado - o manifesto pela reestruturação da dívida. Confesso que me custa a perceber a relação entre a falta de jeito para a táctica política com a abundância de dotes oratórios. Ele há pessoas que gostam tanto de se ouvir a si próprias, que depois se embrulham no discurso e nas palavras, que degustam, deliciados, sem lhes ocorrer que o sabor que os entusiasma é o da cicuta. Estes oradores kamikaze, que nos últimos tempos têm feito escola no PSD em diversos níveis, são quem alimenta a desconfiança nos políticos. Quem está a dar brasa ao manifesto é quem faz declarações como as de Paulo Rangel sobre a falta de adesão do tal manifesto - gerou instantaneamente pretexto para uma petição que cresceu velozmente e que chegou a recolher assinaturas de três dezenas de oficiais generais e oficiais superiores das forças armadas. Não havia necessidade, mas o tiro no pé está dado e Rangel vai andar coxo até ao fim da campanha. Mas esta campanha das europeias é coisa pequena comparada com a outra que está em curso - no PSD decorrem umas verdadeiras primárias para as presidenciais: este fim de semana Durão Barroso saíu de Bruxelas e deu à costa mais ocidental da Europa para tactear terreno; no dia a seguir Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou o espaço que tem na TVI para comentar Durão e desfazer metodicamente o governo, como quem arranca asas a moscas - de Poiares Maduro a Passos Coelho ninguém escapou; e Santana Lopes, claro, comentou sibilinamente as intenções do regresso de Durão às primeiras páginas dos jornais portugueses. O diário das primárias para as presidenciais arrisca-se a ser mais animado que o diário das europeias.

 

SEMANADA - Foi divulgado um relatório de um organismo oficial  a concluir que a fuga de cérebros pode causar sérios danos à economia nacional;O total de inscritos com mais de 30 anos em licenciaturas no ensino superior público caíu cerca de 30% ; aqui ao lado, em Espanha, registou-se, no mesmo grupo, um aumento de cerca de 18%; os alunos do ensino obrigatório com mau aproveitamento escolar custam 250 milhões de euros por ano ao Estado; quase 8500 crianças e jovens foram retirados às famílias em 2013; há mais de cinco mil pessoas sem abrigo em Portugal; o abastecimento de água corrente foi cortado por falta de pagamento a mais de 42 mil casas; desde a chegada da troika os impostos aumentaram 35% para os particulares e 15% para as empresas; uma em cada dez casas na orla costeira está desocupada; as vendas de carros novos cresceu 48% nos primeiros meses de 2014, com as marcas Mercedes e BMW em destaque;  Bruxelas anunciou que não financiará a construção de  mais estradas em Portugal; 207 milhões de cupões concorrem ao primeiro sorteio dos Audis da sorte; a assembleia distrital de Vila Real foi ameaçada de penhora por salários em atraso;  os sectores dependentes do salário mínimo mais que duplicaram desde Abril de 2011;  o total de familias com rendimentos anuais inferior a 10 mil euros passou de 2,3 milhões em 2010 (48% do total) para 3 milhões (66%) em 2012; em 2013 o número de manifestações caíu 6%  e estas manifestações foram vigiadas por 31 257 polícias, quase o dobro de agentes ocupados na mesma actividade que no ano anterior no qual, no entanto, se registaram mais protestos; o PSD considerou que o secretário de Estado que anunciou cortes permanentes nas pensões, José Leite Martins,  teve “um momento infeliz”; a agência de publicidade Mosca decidiu dar novo nome ao dia 1 de Abril, passando a chamar-lhe Dia do Político.

 

ARCO DA VELHA - Um procurador adjunto de Braga deixou prescrever vários processos, entre os quais um de burla e falsificação, que lesou o Estado em mais de um milhão de euros, e outro que permitiu o arquivamento de uma investigação aos rendimentos do ex presidente da Câmara de Braga, Mesquita Machado.

 

FOLHEAR - A edição de Março do British Journal of Photography é dedicada a David Bailey, apresentado como “o mais conhecido fotógrafo britãnico, cronista visual dos agitados anos 60 londrinos e ainda cheio de energia a trabalhar”. A revista, que é uma das melhores fontes de informação sobre o que se faz de novo em fotografia,, aborda desde edições de livros até novas exposições e publica sempre portfolios que resultam de projectos pessoais. Nesta edição destaco o trabalho de Salvi Danés, um catalão que mostra o seu olhar sopbre Moscovo, e da californiana Elizabeth Moran, sobre espaço habitados. Este número de Março reproduz os principais trabalhos escolhidos na edição deste ano do World Press Photo, mas o prato forte é uma entrevista com Martin Parr, o fotógrafo da Magnum que meteu mãos à obra a mostrar ao mundo a importância dos photobooks - já vai no terceiro grande volume da série. E, claro, há Bailey, David Bailey - 12 páginas com imagens e história desta figura de referência da fotografia e da sua carreira de mais de 50 anos -  aqui se mostram retratos  de Joseph Beuys, Patti Smith, Marianne Faithfull e Man Ray, entre outros.

 

VER - O ponto forte da Galeria Ratton está nos azulejos e na relação que consegue estabelecer com pintores, convencendo-os a experimentar aquele suporte cerãmico. Foi o que aconteceu quando em 1989 convidou Luisa Correia Pereira a experimentar o azulejo. Desde esta semana e até 20 de Junho a Ratton mostra obras dessa época, feitas pela artista nos anos 80 e 90, muitas inéditas, umas em azulejo, outras aguarelas, outras em técnica mista sobre papel e outras em acrílico sobre tela. Olhos amigos dirigiram-me para as pequenas aguarelas, que aproveito para juntar aos azulejos avulsos que são seus familiares próximos. A Ratton, bem perto do sempre polémico Tribunal Constitucional, é uma espécie de oásis onde se mostra o que não se epera ver e onde se descobre o que apetecia conhecer - é isso que se passa com a obra de Luisa Correia Pereira. Rua da Academia das Ciências 2C, das 15h00 às 19, mais informações em galeriaratton.blogspot.com .

 

OUVIR - Em 1998 os Silence 4 ganharam súbita fama e notoriedade com o seu álbum de estreia, “Silence Becomes It”. que ao longo do tempo vendeu 230 mil exemplares, um número muito respeitável no panorama das edições discográficas portuguesas. As vozes de David Fonseca e Sofia Lisboa, as melodias das canções e as histórias contadas nas letras, escritas em inglês mas rapidamente assimiláveis, como o hit “Sorrow” bem mostrou, foram a chave do sucesso da banda. O segundo disco, “Only Pain Is Real” continua o encanto, mas perde o efeito surpresa. É destes dois discos que se faz a lenda e eles são a matéria prima de uma belíssima edição, em caixa- “Silence 4- Songbook 2014”, agora editada. Além dos dois discos de originais inclui-se um disco de gravações avulsas feitas entre 1996 e 2000, e que inclui demos, registos ao vivo e remixes, apropriadamente intitulado “Rarities”. A edição fica completa com um DVD que agrupa  os concertos do Pavilhão Atlântico em 1998 e do Coliseu dos Recreis em 2000, e que inclui ainda os videos de “Borrow”, “My Friends”, “To Give” e “Only Pain Is Real”. Como David Fonseca dizia no início da carreira da banda, é mais fácil cantar sobre sentimensos pessoais em inglês, porque assim há menos gente que percebe… Cá por mim continuo a ter saudades da maneira como Sofia Lisboa cantava nesses tempos.

 

PROVAR - Esta é a época da lampreia e ainda não provara uma até há uma semana atrás. Nos últimos anos tinha continuado a poder degustar a lampreia minhota que se fazia no antigo “Manel” do Parque Mayer, e que o herdeiro da casa  tinha levado para o restaurante do Clube de Ténis de Monsanto - que entretanto deixou. Fiquei contente por saber que Júlio Calçada vai abrir nova casa na Rua do Salitre, mas a verdade é que fiquei sem lampreia. Foi o pretexto para regressar à Adega da Tia Matilde, ao Rego, na Rua da Beneficência, onde já não ía há uns anos.. A qualidade continua a ser superior e não é por acaso que a lampreia servida na Tia Matilde está no top do que, na matéria, se faz em Lisboa. Desta vez preferi à bordalesa: no fundo é uma lampreia estufada, muito bem estufada, num molho cremoso que incorpora o sangue do bicho, servida sobre fatias de pão frito e acompanhada de arroz carolino no forno. A lampreia estava na boa fase, com ovas saborosas, a dose era abundante, o molho e o tempero estavam a preceito e o arroz era exemplar. Convém sempre marcar, apesar de a casa ser grande. Rua da Beneficência 77, telefone 21 797 2172, tem parque de estacionamento nas traseiras com acesso directo por elevador ao restaurante.

 

DIXIT - “Em vez de riqueza só nos sobejam dívidas para redistribuir” - Medina Carreira

 

GOSTO - A iniciativa Art On Chairs, da Câmara Municipal de Paredes, foi distinguida em Bruxelas como o melhor projecto europeu na área do desenvolvimento regional.

 

NÃO GOSTO - Da fuga às reponsabilidades ensaiada por Vitor Constâncio, e apadrinhada por vários notáveis, no caso da falta de supervisão do Banco de Portugal ao BPN.


BACK TO BASICS - Ler é mais importante que escrever - Roberto Bolaño

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