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POLÍTICAS - Estamos a meia dúzia de meses de eleições, no final de uma legislatura de quatro anos, e de um Governo que quando chegou se defrontou com um país à beira do colapso financeiro. Tomou as medidas que entendeu, umas melhores que outras. Mas em vez de discutir seriamente o que se vai fazer a seguir, nos próximos quatro anos, as  últimas semanas têm apenas trazido casos e casinhos, uns graves, outros gravinhos, que são o retrato de uma classe política que se apraz a fazer politiquice de hábitos e costumes em vez de estudar, debater e traçar políticas e fazer pela sua implementação. Grande parte do tempo gasto em debates entre representantes dos vários partidos não versa sobre política mas sobre pessoas e atitudes dessas pessoas.  Questões centrais como as formas de melhorar a justiça, a saúde ou a educação são esmagadas por polémicas sindicais, casos de intendência e um rotineiro hábito de fugir às responsabilidades por quem toma decisões de duvidosa legitimidade e efeito. A politiquice tem o efeito de mascarar a incapacidade de executar políticas adequadas que diagnostiquem e resolvam os problemas novos que se colocam por força da evolução social, económica e demográfica. Para agravar as coisas, em pano de fundo pairam evidências de que a possibilidade de um tratamento equitativo do Estado aos cidadãos é hoje em dia uma hipótese remota, tão cheio está o saco de situações concretas que mostram o contrário. O Estado tornou-se numa máquina  que se serve dos cidadãos em vez de os servir e que aproveita as fragilidades para abusar dos poderes que pode utilizar. Quem governa tem especiais responsabilidades em ouvir e não em ignorar; deve conseguir combinar o exercício do poder com o combate ao abuso de poder. Se não fôr assim criam-se desiquilíbrios que estão na origem da descrença nos políticos, no sistema partidário e no funcionamento da sociedade. Estamos a um passo de ser uma minoria a decidir, tal o tamanho da abstenção que se adivinha e do desinteresse criado pela ausência de discussão séria.

 

SEMANADA - O FMI passou a semana a fazer pressão mediática para forçar mais reformas; o Ministro da Economia, Pires de Lima, disse que o FMI falhava as previsões frequentemente; a Segurança Social vendeu 900 mil acções da PT com um prejuízo de 87%; Fernando Ulrich afirmou ter partilhado com Vitor Gaspar as suas preocupações em relação ao Grupo Espírito Santo um ano antes do colapso do BES, desmentindo assim afirmações feitas pelo ex-Ministro das Finanças; Fernando Ulrich acusou a troika de ter estado três anos em Portugal e não ter percebido nada do que se passava no país; Fernando Ulrich criticou a actuação do Banco de Portugal no caso do BES, afirmando que na supervisão há pessoas “muito boas a usarem o microscópio, mas não é com microsocópios que se apanham elefantes”; a defesa de José Sócrates, numa só semana, perdeu um pedido de habeas corpus, perdeu um recurso para a relação e para remate despejou a sua frustração em cima da comunicação social e dos jornalistas; o vereador José Sá Fernandes conseguiu um coro de críticas na Assembleia Municipal por um projecto de concessão a privados de espaços em Monsanto, baseado num concurso com um único concorrente, com um caderno de encargos polémico e com um enquadramento económico duvidoso; Rui Rio está inclinado a entrar na corrida à Presidência da República; O PS está inclinado a fazer Sampaio da Nóvoa entrar na mesma competição;  Portugal fechou 2014 a perder emprego e com a população activa em mínimos do século; os trabalhadores do Metro de Lisboa já fizeram greve 41 vezes desde 2011; 430 mil portugueses emigraram entre 2009 e 2013.

 

ARCO DA VELHA - Governo e Fisco desmentiram aquilo que, no dia 20 de janeiro, o chefe de serviços de auditoria da Autoridade Tributária, Vitor Lourenço,  divulgara numa acção de formação  a mais de 500 pessoas: a existência da lista de contribuintes VIP, sobretudo da área política, criada no âmbito do Fisco.



FOLHEAR - “A Síria em Pedaços” é uma colectânea de textos de Bernardo Pires de Lima, publicados em jornais, muitos com relação directa com a actualidade do momento, mas que agora, editados em livro, permitem ter uma visão de conjunto da evolução da situação naquele país e naquela região. Investigador do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa e do Centro para as Relações Transatlânticas da Universidade John Hopkins, Bernardo Pires de Lima é também colunista e comentador em jornais, na rádio e televisão. Conheci-o na saudosa revista Atlântico e tenho seguido os seus escritos, que ajudam melhor a perceber o conflito na Síria, o crescimento do radicalismo islâmico e as posições das diplomacias ocidentais. Além das análises e comentários a acontecimentos feitos ao longo de quatro anos, da primavera árabe  ao atentado ao Charlie- Hebdo, passando pelo Isis, sempre com a Síria por pano de fundo, esta edição oferece ainda um útil glossário assim como um indíce de figuras que são actores da realidade da política internacional. “A Síria em Pedaços” é uma edição Tinta da China.

 

VER - Na Fundação Carmona e Costa está patente, até 2 de Maio, uma exposição de Graça Pereira Coutinho intitulada “A Outra Mão”, baseada em desenhos, ideias e reflexões feitas num caderno em que em que a artista foi deixando anotações ao longo do tempo. É uma espécie de diário de ideias por executar - e algumas passaram do estádio de simples imaginação para a execução de facto no espaço da Galeria - desde os desenhos a videos ou a instalações, com destaque para um labirinto que reflecte a visão do trabalho e do quotidiano e que é a peça central de toda a exposição (na imagem). O próprio original do caderno está exposto e pode ser visto numa das salas, confrontando o pensamento e o processo criativo com a obra produzida. É uma exposição apaixonante e intensa. Fundação Carmona e Costa, Rua Soeiro pereira Gomes Lote 1, 6º , ao rego. Informações e horários em www.fundacaocarmonaecosta.pt .



OUVIR - Max Richter é dos casos mais interessantes da música contemporânea. Com um fascínio pelo resultado do encontro de instrumentos electrónicos com instrumentos acústicos e com a voz humana, Richter, um pianista de formação clássica que desenvolveu uma carreira de compositor, tem também experiência de trabalho sobre obras de autores como Philip Glass, Arvo Part, Brian Eno ou Steve Reich, através do seu Piano Circus, um ensemble que durante dez anos dinamizou. O mais curioso em Richter é como ele combina a sua formação clássica com a influência da música popular. “The Blue Notebooks” é o seu segundo álbum a solo, originalmente editado em 2004 e agora reeditado pela Deutsche Grammophon.  O disco tem a participação de Tilda Swimton, que lê, entre outros, textos de Kafka. Richter tem uma tendência narrativa na sua composição, que muitas vezes leva à construção de ambientes que são próximos de bandas sonoras de filmes imaginados. O resultado é admirável e esta reedição permite descobrir um disco que, uma década depois de ter sido gravado, continua intemporal.

 

PROVAR - Nas Avenidas Novas há um discreto local onde se pode comer boa comida tailandesa, convenientemente preparada, com delicadeza nos abores e intensidade no tempero. Chama-se Siam Square e fica na Avenida Luis Bivar, quase a chegar à Rua Tomás Ribeiro, num rés do chão elevado. A sala é simples mas acolhedora, o serviço é simpático e atencioso, a ementa é apelativa, a carta de vinhos é modesta mas bem escolhida. Nas entradas o destaque vai para os bolinhos de peixe, há sopas picantes e saladas de camarão, carne de porco ou galinha. Existem ainda propostas vegetarianas, pratos de caril, com destaque para o caril vermelho de pato assado com molho de coco e ananás fresco e o caril verde de camarão. Nos peixes destaca-se o robalo ao vapor com molho de limão e coentros. Outras possibilidades são o arroz de jasmim frito com galinha e o caranguejo salteado com caril em pó ou a carne de vaca salteada com molho de ostras e piri piri. Há ainda uma extensa lista de sobremesas. A experiência vale a pena e pode ser testada de segunda a sábado na Avenida Luis Bivar 7A. Telefone 213 160 529.

 

DIXIT - “Não é aceitável a atitude cada vez mais frequente como o Estado actua na cobrança de impostos de tal modo que, com frequência, os contribuintes se sentem impotentes para resolver os seus problemas com o fisco” - Manuela Ferreira Leite

 

GOSTO - Do alargamento da atribuição de vistos gold a estrangeiros que invistam na cultura, na investigação científica e na reabilitação urbana.

 

NÃO GOSTO - Há mil europeus infectados por dia com tuberculose.


BACK TO BASICS - Vivemos rodeados de mentiras, mas o pior de tudo é que metade delas são verdades - Winston Churchill

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