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UM ECRÃ E UM BITOQUE - Aqui há uns anos entrava num restaurante, café ou snack-bar para almoçar e via, em meia dúzia de mesas, pessoas a ler jornais e, com sorte, alguém a ler um livro enquanto esperava pelo bitoque. Hoje em dia o único papel que existe na mesa das casas de pasto é o das toalhas e dos guardanapos. Está toda a gente de smartphone na mão, aposto que a maioria nas redes sociais, e uns poucos a ler informação em sites ou aplicações. Já não me espanto quando vejo um casal de mão dada, cada um do seu lado da mesa, ambos a olharem para o seu ecrã particular, encaixado na palma da mão deixada livre pela ternura, e accionado pelo polegar. A bela conversa diminuíu e foi substituída pela observação do mundo virtual. Esta semana a Marktest divulgou um estudo que revela que já existem quatro milhões de portugueses que utilizam smartphones, praticamente metade do total de telemóveis existentes. As previsões apontam para que até final do ano existam mais dois milhões em funcionamento. Nos cafés e restaurantes passou a existir uma placa que diz “wifi gratuita” e, aqueles que a têm, conseguem ter mais clientes que aqueles que passam ao lado do admirável mundo novo. Para ter sucesso uma casa de pasto contemporânea tem que ter internet disponível, já não basta ter uma boa bifana ou uma merendinha bem aviada. O sumo de laranja natural, durante anos campeão dos anúncios de balcão, foi relegado para segundo plano pelas tecnologias wireless. A conversa foi substituída pela observação. Já não lemos, espreitamos. Somos todos voyeurs de pequenos ecrãs - essa é que é a verdade dos dias que correm.

 

SEMANADA - O edifício do posto da GNR de Pernes foi penhorado pelas Finanças por dívidas ao Fisco da empresa imobiliária proprietária do prédio, que o cedeu à autarquia, que por sua vez o cedeu à Guarda; quase 17% da população até aos 29 anos não tem qualquer actividade, nem escolar, nem laboral; Portugal é dos países da União Europeia que tem mais adultos sem o 12º ano; Portugal é o terceiro país com mais recém licenciados desempregados, a seguir à Grécia e Espanha; a directora-geral do FMI afirmou ter sido a “Espanha o único país a progredir na zona euro”; nos primeiros quatro meses do ano registaram-se 294 suicídios em Portugal; dos 611 mil desempregados apenas 323 mil recebem subsídio de desemprego; em Julho o crédito malparado das famílias e empresas atingiu o valor mais alto de sempre, quase 18 mil milhões de euros; nos últimos 38 anos PS e PSD tiveram 88,5% dos mandatos autárquicos das câmaras que hoje têm maiores dívidas; o médico da selecção de futebol demitiu-se;após o Portugal-Albânia Paulo Bento saíu-se com esta tirada:  “Se no final da primeira jornada colocamos já tudo em causa, não me parece que seja o melhor caminho”; o Presidente da República levantou dúvidas sobre a informação que recebeu do Governo no caso BES, depois de ter garantido que os portugueses podiam confiar no banco, afirmação proferida nove dias antes da apresentação de prejuízos recorde; um autarca de uma junta de freguesia de Guimarães, Gonça, aproveitou a audiência der uma missa para fazer uma sessão de angariação de simpatizantes do PS; os debates entre Costa e Seguro fizerem boas audiências de televisão, ao nível de um jogo de futebol de segundo plano; há um espectro que assola as primárias do PS e chama-se Sócrates - o seu nome raramente é citado mas está em todo o lado, mesmo onde menos se espera.

 

ARCO DA VELHA - Marinho Pinto foi um dos 12 eleitos para o Parlamento Europeu que falhou a entrega, no prazo legal, da declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. Entretanto anunciou a sua saída do MPT, partido pelo qual foi eleito e disse querer criar nova organização política.

 

 

 

 

OUVIR - A canadiana Molly Johnson começou a sua carreira musical como vocalista de bandas rock e pop e marginalmente manteve sempre alguma actividade como cantora de jazz. Esta sua vertente jazzística apenas ganhou maior dimensão já ela estava na sua quarta década de vida, no início do actual século. Alguns dos seus discos receberam bom acolhimento, as suas digressões e concertos obtiveram assinalável êxito, sobretudo no Canadá em em França. Ao longo da sua carreira a solo, que entrou agora no seu sexto disco, Molly Johnson tem sido comparada a Billie Holiday. E o sexto disco é exactamente a sua homenagem a Billie - gravado quase live on tape, em apenas quatro dias, com a sua banda de seis músicos. São 14 canções, clásicos do repertório de Billie Holiday, algumas escritas por ela própria, como “Don’t Explain”, “Fine And Mellow” ou “Now or Never”. Mas aqui também estão “Body and Soul”, “God Bless The Child”, “How Deep Is The Ocean” ou “They Can’t Take That Away From Me”. A melhor parte do disco é que embora Johnson  considere Billie uma fonte de inspiração, estas interpretações fogem à tentação da simples imitação e chegam a ser surpreendentes na forma como dão nova vida a alguns destes clássicos - parte deve-se aos músicos e aos arranjos, parte deve-se, claro, à própria Molly Johnson. (CD Universal, disponível em Portugal).

 

VER - A partir da próxima semana começa em Braga uma nova edição dos Encontros da Imagem, que vão de 18 de Setembro a 31 de Outubro. Os Encontros vão na sua 24ª edição e do programa deste ano, feito sob o lema “Hope & Faith”, destaco uma mostra de trabalhos do espanhol Joan Fontcuberta, uma colectiva no Mosteiro de Tibães que inclui Luisa Ferreira, Alexandre Almeida, Inês d’Orey e Valter Vinagre, entre outros, o Photobook Market, e uma exposição de autores emergentes. Ao todo são quase duas dezenas de iniciativas, de exposições a workshops, em diversos espaços da cidade, desde montras de lojas do centro da cidade a edifícios que são referências patrimoniais. Os Encontros têm também actividade em Guimarães e no Porto e há ainda, de novo este ano, uma extensão lisboeta, a partir de 27 de Setembro, que engloba exposições de Marcelo Buainaim, Helena Gonçalves, Marcelo Costa e Mário Macilau, entre outros. O programa pode ser consultado emwww.encontrosdaimagem.com

 

FOLHEAR  - Agora que o Cinema Ideal está de novo a funcionar, graças ao entendimento entre a Casa da Imprensa e a distribuidora Midas, desse militante do cinema que é Pedro Borges, é boa ocasião para percorrer um pouco da história da histórica e pioneira sala. Há coisa de dois meses a editora “Guerra & Paz” publicou um belíssimo livro de Maria do Carmo Piçarra, “O Cinema Ideal E A Casa da Imprensa - 110 Anos de Filmes”. As 130 páginas do livro contam as origens do Ideal, quem em 1904 se afirmava o primeiro salão de cinema do país. No tempo do cinema mudo, quando se utilizavam vozes atrás do ecrã para sonorizar a acção, António Silva (então ainda bombeiro) foi uma dessas vozes utilizadas pelo Ideal e era considerado na imprensa da época “um ás do falado”. A partir de 1931 a sala começou a projectar filmes sonoros, e o primeiro foi “Sob Os Telhados de Paris”, de René Clair. O livro percorre estas e outras histórias, desde os ciclos de cinema e festivais organizados pela Casa da Imprensa nos anos 60, até à decadência da sala, já nos anos 80 e 90, transformada em exibidora de pornografia e filmes de acção. O livro inclui ainda duas dezenas de fotografias e reproduções de ilustrações, que mostram diversos momentos da vida do Ideal. É um pequeno grande livro sobre histórias da História de Lisboa e do papel que o cinema tem tido na cidade. Uma belíssima leitura, à venda nas livrarias e no próprio cinema Ideal por 14 euros.

 

PROVAR - No mesmo sítio onde até há um ano existiu o restaurante “Galo D’Ouro”, na Avenida Marquês de Tomar 83, em Lisboa, está agora o Xangai, um restaurante chinês que pratica uma cozinha bem diferente da que é habitual  nos estabelecimentos do género em Lisboa. Não é por acaso que a cozinha da cidade de  Xangai é considerada como das mais elaboradas da China, recorrendo a ingredientes e a uma confecção que é pouco divulgada em Portugal. Este restaurante propõe resolver essa falta de conhecimento e apresenta uma escolha alargada de sugestões, com sabores - e por vezes ingredientes - inesperados. As minhas duas visitas correram bem e confesso que ainda estou a descobrir coisas novas na lista. Uma das dificuldades é que o pessoal do restaurante fala português com dificuldade e apesar de a lista estar traduzida o diálogo nem sempre é fácil. A maioria dos clientes são chineses, os preços são convidativos. A garrafeira tem alguns vinhos portugueses inesperados, e bem escolhidos. Numa próxima ocasião hei-de arranjar forma de sentar vários convivas à mesa, para ir experimentando vários pratos ao mesmo tempo, desde as saladas confeccionadas com algas até ao tofu picante ou os raviolis com carne de porco - que já provei e são fantásticos. Mas a lista é grande e tenho ainda muito para descobrir. Por coincidência, ou talvez não, o restaurante está bem perto da associação de conterrâneos de Xangai, que fica ali ao lado, na Miguel Bombarda 46.

 

DIXIT - “Eu tenho-te ouvido com evangélica paciência” - António Costa para António José Seguro num dos debates televisivos.

 

GOSTO - A Junta de Freguesia de Belém está disposta a garantir a manutenção dos brasões do Jardim do Império, salvando-os das diabruras de Sá Fernandes.

 

NÃO GOSTO - Portugal foi o país da União Europeia que mais desinvestiu na educação.

 

BACK TO BASICS - “Entre dois pecados escolho sempre aquele que ainda não experimentei” - Mae West

 

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publicado às 14:06


1 comentário

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De silva a 16.09.2014 às 11:13

A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol III
No caso da farsa do despedimento coletivo do Casino Estoril,passam já quatro anos sem fim à vista por atraso da justiça a maior parte das pessoas estão na miséria e vão inevitavelmente por falta de ordem económica entrar em pobreza profunda este é o maior espectáculo de drama deste Casino Estoril.

http://revelaraverdadesemcensura.blogspot.pt/

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