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MINISTROS - Numa recente e amena conversa sobre a situação política o meu interlocutor defendia que pessoas como Vitor Gaspar eram superiormente preparadas e afirmava que, também por isso, tinha sido um dos melhores Ministros que Portugal teve nos últimos anos. A conversa levou-me a pensar nas características que fazem de alguém um bom Ministro. Algumas são fáceis de identificar: o conhecimento do sector, a capacidade técnica, o empenho na mudança, a capacidade de liderança de equipas. Mas outras são mais difíceis de detectar: vontade e capacidade de negociação, objectivo de gerar consensos e usá-los para alcançar mudanças estruturais, sensibilidade, conhecimento e poder  políticos, e, por fim, mas cada vez mais importante, capacidade de comunicação. Um excelente técnico que seja teimoso, incapaz de gerar consensos, politicamente insensível, que julgue a sua opinião como uma verdade indiscutível e que tenha fraca capacidade de comunicação dificilmente será um bom Ministro, por muitos conhecimentos e capacidades que tenha nas áreas que tutela. O problema com Vitor Gaspar vinha da sua arrogância, intelectual e comunicacional - esta última agravada por um sentido de humor baseado no cinismo, do qual a história da enorme carga de impostos foi o paradigma. Mas claro que um consensualista que deixe tudo na mesma e se preocupe mais com jogos de equilíbrio do que com a gestão da coisa pública também não serve. Por isso é tão difícil encontrar bons ministros: quem aceita ir para o lugar fá-lo certamente por sentido de dever e patriotismo - mas não excluo que em alguns casos o faça por vaidade pessoal e vontade de exercer o poder sem olhar a fins. Feitas as contas, não me parece que Vitor Gaspar tenha sido um bom ministro - a prova está hoje à vista: preocupou-se mais em aumentar a receita do que em diminuir a despesa e não fez mudanças estruturais duradouras. Este foi o pecado original do no anterior governo e Gaspar tem uma boa quota parte de responsabilidade nisso: as mudanças foram feitas sem o objectivo de as tornar irreversíveis e deixaram a estrada aberta para aquilo a que agora assistimos, e que talvez nos custe ainda mais do que já nos custou.

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SEMANADA - Em 2015 os hotéis portugueses ultrapassaram pela primeira vez os dez milhões de hóspedes estrangeiros; o aumento de turistas em Lisboa provocou um aumento das rendas, afastou residentes do centro da cidade e levou ao encerramento de estabelecimentos comerciais históricos; o preço das casas em Lisboa aumentou 7,1% no ultimo ano; o Governo vai injectar mais 567 milhões de euros no BPN; o Estado perde 140 mil euros por dia em burlas na saúde e na Segurança Social; quase 60% dos desempregados não recebem subsidio; em 2015 foram registados 24 crimes de branqueamento de capitais e 2528 crimes no domínio da cibercriminalidade; os residentes da zona euro vão ver cerca de 250 mil milhões de euros dos seus impostos a servir apenas para pagar juros e encargos das dividas publicas da região; o Tribunal Constitucional divulgou esta semana, ao fim de cinco anos, as multas que decidiu aplicar nas eleições presidenciais de 2011; o Tribunal de Contas detectou ilegalidades de 4,2 milhões de euros nos serviços prisionais; desde que tomou posse o actual Governo já anulou seis concursos para cargos dirigentes de organismos públicos; título do “Público” : “o orçamento de que ninguém gosta vai ser aprovado por alguns”; pela primeira vez em 42 anos a esquerda votou em conjunto um orçamento de Estado; remessas dos emigrantes em 2015 foram as maiores em 15 anos; Lisboa iniciou um ciclo de obras que vai dar cabo da cabeça aos residentes da capital até ás eleições autárquicas; quer-me parecer que o pequeno rectângulo vai começar de novo a meter água um dia destes.

 

ARCO DA VELHA - O economista Vitor Bento manifestou convergência com  o PCP quanto à  nacionalização do Novo Banco. O PS manifestou simpatia pela ideia.

 

 

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LER - Muitos de nós olhamos para o que se passa, para o processo deste Orçamento de Estado e dos anteriores, para o que sucedeu com a troika e, digo eu, legitimamente, podemos interrogar-nos: qual a razão de fundo para isto cá estar a correr tão mal? A principal virtude de um livro lançado esta semana,  “A Economia Portuguesa Na Zona Euro”, de Alexandre Patrício Gouveia, é abrir pistas para podermos reflectir sobre isto. O livro é um trabalho importante de recolha e compilação de dados, mas também da sua comparação com outros países que têm dimensões de PIB mais ou menos semelhantes. Aqui está a dívida - do Estado, das empresas e das pessoas - a informação sobre os sectores que receberam maior investimento e os efeitos globais que as opções tiveram na economia. O livro é feito do estudo de dados, mas também de convicções, de sugestões e mesmo de propostas - e é esta mistura virtuosa da observação dos factos com a sua interpretação, e com o abrir de pistas, que o torna especialmente atraente e uma leitura estimulante. A questão central da dívida e como lá se chegou,  das pensões, do desemprego, das reformas estruturais ou dos custos da energia, por exemplo, são abordados sempre numa perspectiva de comparar os dados que aqui existem com outros, equivalentes, de outros países, procurando os melhores exemplos e louvando as virtudes dos que alcançaram bons resultados. “A Economia Portuguesa na Zona Euro” é um livro de consulta, de leitura fácil, que nos pode ajudar a perceber como chegámos ao ponto onde estamos. (edição Aletheia).


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VER - Para a semana já saberemos quais são os vencedores dos Óscares de Hollywood - de maneira que esta semana tenho duas sugestões, a propósito desta matéria. A primeira é que vão ver sem falta “The Hateful Eight”, ou “Os Oito Odiados” na versão portuguesa, o novo filme de Quentin Tarantino. As críticas têm sido oscilantes mas na minha opinião é dos melhores filmes que vi nos últimos meses: uma escolha de actores verdadeiramente excepcional (de onde me permito destacar Samuel J. Jackson, Jennifer Jason Leigh, Kurt Russell e Tim Roth), um argumento sólido sobre uma das fases mais duras da História dos Estados Unidos, no pós-Guerra Civil, diálogos verdadeiramente excepcionais e uma banda sonora, já aqui referida noutra ocasião, e que é um dos grande trunfos do filme - assinada por Ennio Morricone. Acresce que “The Hateful Eight” foi filmado em Super Panavision de 70mm, obviamente em película da boa. Este é um invulgar western, cuja acção decorre no interior de um posto de paragem das velhas diligências, no Wyoming. Os oito odiados, que dão o nome ao filme, criam entre eles uma tensão dramática enorme, que espelha as velhas rivalidade entre o Norte e o Sul, mas também as tensões entre quem está do lado da Lei e quem lhe foge. Tudo iosto com uma participação especial da sombra patriarcal de Abraham Lincoln sobre todo o enredo, como aqueles que forem ver o filme descobrirão. Como sairá a contenda de Oscars com Star Wars- The Force Awakens ?

 

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FOLHEAR E OUVIR  - Já que estamos em maré de Óscares não posso deixar de recomendar a edição especial da revista Vanity Fair dedicada ao evento,  com Jane Fonda, Kate Blanchett, Viola Davis e Jennifer Lawrence na capa, fotografadas por Annie Leibowitz. Além do portfolio fotográfico de Leibowitz, esta edição propõe uma viagem pelas memórias de Hollywood, com histórias de bastidores, destaques musicais como os que Randy Newman foi aprontando ao longo da sua carreira e, já agora, uma visão muito particular de Hollywood por Samuel L Jackson. Outro artigo delicioso é sobre a carreira de Kathleen Kennedy, a produtora que tem trabalhado toda a vida ao lado de Spielberg, responsável ela própria por “Star Wars- The Force Awakens”, e que é considerada das mulheres mais poderosas de Holyywood. Ver com muita atenção esta edição é o mais próximo que podemos estar da magia do cinema na noite deste Domingo pelo módico preço de nove euros e meio. A edição encerra com o habitual “Questionário de Prous”, aplicado a Chris Rock, que este ano será o anfitrião da cerimónia dos Oscares.  A terminar: se quiser folhear a revista e ao mesmo tempo ter um momento revivalista agarre-se ao CD ou ao DVD que registam a passagem de Charles Aznavour num espectáculo de carreira, realizado no Palais des Sports, de Paris, em 2015, onde ele interpreta todos os seus grandes sucessos.

 

PROVAR -  Existe um restaurante de bom peixe e produtos do mar, nas Amoreiras, com decoração cuidada, serviço atencioso e propostas interessantes? A resposta é sim, existe, chama-se Barbatana, nasceu  há meio ano, a partir da tradição do Porto de Santa Maria, o histórico restaurante do Guincho. Situado na renovada zona de restauração do Centro Comercial, tem um balcão e uma área no food court, com lista própria, onde se pode petiscar ao longo do dia - de pica pau do lombo a prego de atum. Além disso o Barbatana tem uma sala, ampla, luminosa e confortável, com uma lista mais tradicional, onde, além dos peixes da lota, há ao longo da semana sugestões de pratos fixos em cada dia - como os filetes de polvo com arroz de feijão, à segunda feira, que eram verdadeiramente acima da média. No área do balcão existe um menu do dia a 10,80 €, que inclui entrada, prato, bebida e café, que é renovado semanalmente e está na página do Barbatana no Facebook. A supervisão é de Miguel Laffan, que aceitou o desafio de trabalhar esta nova marca do Porto de Santa Maria. O branco da casa, que experimentei, é o Quinta da Monteira, de Alcácer do Sal, e portou-se muito bem. Quer no balcão, quer na sala, a experiência é boa e merece elogio. Reservas para a sala do restaurante pelo telefone 913 582 639.  

 

DIXIT - “(em relação á Europa)  a política portuguesa caracteriza-se por a esquerda estar a mexer e a direita não” - Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros

 

GOSTO - A realizadora Leonor Teles ganhou o prémio do Festival de Cinema de Berlim para a melhor curta-metragem, “Balada de um Batráquio”.

 

NÃO GOSTO - No último ano Lisboa desceu um lugar no ranking que avalia a qualidade de vida nas cidades.

 

BACK TO BASICS - Não há homem que tenha uma memória suficientemente boa para poder ser um mentiroso capaz - Abraham Lincoln

 

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publicado às 14:00



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