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NOVELA - Alguém no Governo grego estudou guionismo e fez com que a sua política se assemelhe a uma novela, com os gregos a fazerem de heróis perseguidos e vários países a vestirem a pele do vilão. É sabido que o conceito de drama vem do teatro grego clássico, e talvez por isso, antes de assumirem medidas, os novos governantes definiram personagens, com guarda-roupa e tiques de comportamento. Sabiam que o palco se encheria de figurantes e ficaram à espera. É certo que quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e nessa medida tudo indica que a nossa Ministra Maria Luís se enganou nos camarins a escolher o guarda roupa, escolhendo um papel menor para Portugal. Ainda ninguém sabe o desfecho da novela - imagino que, seguindo as melhores práticas, decorram estudos de opinião entre os espectadores para escolher o final feliz. Pelo caminho percebeu-se que o especialista da teoria dos jogos, vestido de galã, não acertou no euromilhões e ficou-se por um modesto quarto  prémio. O facto causou frisson nas hostes de apostadores gregos e o compositor da banda sonora desta novela, Mikis Theodorakis, figura de proa do Syriza, revoltou-se contra o maestro e o galã. Nada disto é novidade - é apenas mais um partido que ganha eleições e a seguir manda o programa eleitoral às urtigas. por cá temos muita experiência disso e  há-de haver um personagem nesta novela que virá dizer: “- Meus amigos, a política é isto mesmo: fazer promessas para ganhar votos e esquecê-las a seguir”. Para já  o Governo do Syriza é um carro que ficou com a caixa de velocidades engatada na marcha atrás. A presidente do FMI, tão elegante quanto manhosa, depois de se deixar fotografar sorridente, de fato de cabedal, ao lado do galã da companhia, deixou já antever esta semana que está a ensaiar a passagem de sedutora a dominatrix. A coisa promete.

 

SEMANADA -  A Procuradora Geral da República reconheceu que a corrupção utiliza o aparelho de Estado; o presidente da EMEL, Júlio de Almeida, que tinha o seu maior apoio no vereador Manuel Salgado, foi demitido; Júlio de Almeida tem actividade privada no sector imobiliário e Manuel Salgado é o vereador com o pelouro do urbanismo; no mandato anterior Júlio de Almeida entrou em conflito com o vereador que tutelava a empresa, Nunes da Silva, e com os outros membros do conselho de administração da EMEL; neste mandato entrou em conflito com o vice-presidente da autarquia, Fernando Medina, que pretendia receber da EMEL 13 milhões de euros devidos pelas rendas de concessão que a empresa devia à Câmara de Lisboa e que Júlio de Almeida se recusava a pagar; no mandato de Júlio de Almeida as normas sobre a relação entre os residentes em Lisboa e a EMEL foram alteradas, a desfavor dos munícipes; António Costa, secretário-geral do Partido Socialista, reconheceu que o país terá superado a crise e está hoje numa situação "muito diferente" do que em 2011; em comentário o PS afirmou que o seu Secretário-Geral falou com “sentido de Estado”; 150 mil alunos chumbam por ano em Portugal; alguns dos processos judiciais mais importantes do país, entre os quais os do BPN e de José Sócrates, estão armazenados num corredor de acesso no  estacionamento subterrâneo do DCIAP; casinos e bingos perderam mais de um terço das receitas em seis anos; o endividamento das famílias portuguesas desceu e significa um rácio do PIB de 85,7%; o das empresas também desceu para um equivalente a um rácio do PIB de 142%; o do Estado aumentou ligeiramente para 128,7% do PIB; o saldo líquido do sector do Turismo em 2014 foi de 7.076 milhões de euros, com as receitas globais a ultrapassarem os dez mil milhões de euros, o que significa 14,6% das exportações globais; as remessas de Angola em Dezembro de 2014 caíram para metade do valor que tinha sido registado em Dezembro de 2013; em Janeiro os portugueses subscreveram 1.941 milhões de euros em certificados de aforro e em 2014 o valor da dívida pública subscrita por particulares subiu de 12.479 milhões de euros para 19.131 milhões de euros; o IGCP já foi ao mercado buscar 8,25 mil milhões de euros em dívida de médio e longo prazo e o montante angariado nos dois primeiros meses de 2015 é o triplo da média da dívida emitida em Janeiro e Fevereiro entre 2005 e 2011, antes da chegada da ‘troika' ; já existem 11 pré-candidatos às eleições para a Presidência da República.

 

ARCO DA VELHA - Fim de semana no Chiado, um vendedor ambulante com uma banca cheia de imitações da Burberry e com um singelo cartaz: “Cachecóis Varoufakis”.

 

FOLHEAR - A revista mensal “Wallpaper”, o primeiro grande projecto editorial de Tyler Brulé, hoje editor da “Monocle”, está a recuperar de uns anos sombrios e ganhou de novo personalidade própria. A capa da edição de Março é uma imagem manuseada pelo português Noé Sendas, que assina o portfolio de moda dessa edição, 16 páginas de belíssimas imagens fotografadas por Jan Lehner e trabalhadas por Sendas. A série tem o título “The Lady Vanishes” e vai estar até 31 de Março em exposição em Londres na Michael Hoppen Gallery. Noé Sendas, que agora vive em Madrid, depois de uma temporada em Berlim, estudou no Atelier Livre da Escola António Arroio e no Ar.CO, em Lisboa (1992), prosseguindo depois no Royal College of Arts, em Londres (1993), e no Art Institute of Chicago (1997). Sendas foi convidado a fazer o tema de capa da edição especial Style Special (W*192) pela directora criativa da Wallpaper, Sarah Douglas. A série de imagens foi fotografada por Jan Lehner em colaboração com a editora de moda Isabelle Kountoure e “apresenta o corpo como entidade que é simultaneamente teórica e material” , pretendendo que, “na imobilidade das imagens, seja a roupa e não o corpo feminino que se vê objectualizado”. Um outro momento imperdível da revista é um panorama dos talentos contemporâneos de Los Angeles, intitulado “LA stories” e onde John Baldessari e Ed Ruscha passam em revista alguns dos nomes que estão a fazer a diferença, desde escritores a músicos, passando por pintores, artesãos, escultores ou fotógrafos. São dez páginas que vão das memórias de Baldessari e Ruscha na sua LA ao futuro que se desenha todos os dias.

 

OUVIR - Benjamin Grosvenor tem 22 anos e é um caso sério no panorama dos pianistas contemporâneos.  “Dances” é o seu terceiro disco e nele Grosvenor interpreta  Bach, Chopin, Scriabine, Granados, Albéniz, e finaliza com um boogie woogie de Morton Gould. Mostra o seu virtuosismo mas ultrapassa-o demonstrando que  a interpretação é um misto de técnica com inteligência. Na verdade o repertório do disco é uma proposta de um programa de danças que passa através dos séculos. O “Guardian” dizia que ele é um “raro talento, um prodígio que está a amadurecer para se tornar numa verdadeira estrela”. A crítica nota que a sua interpretação de Bach é algo agitada, mas reconhece que a interpretação da “Polonaise” de Chopin é avassaladora, assim como a forma como interpreta as “Valses Poéticos” de Granados. Destaca ainda a sua abordagem às mazurkas de Scriabine e ao tango de Albéniz. (CD Decca, distribuído por Universal Music, no Corte Inglés).

 

VER - Esta semana destaco três exposições de fotografia em Lisboa. Começo pela mais relevante, integrada no programa Próximo Futuro, da Gulbenkian, uma iniciativa de António Pinto Ribeiro. No diálogo que procura estabelecer entre várias culturas, o Próximo Futuro propõe desta vez  quatro fotógrafos que captaram o caminho do Brasil rumo ao modernismo. Três deles eram emigrantes europeus: Thomaz Farkas era húngaro, Marcel Gautherot veio de França, e Hans Günter Flieg nasceu na Alemanha. Além deles a exposição mostra obras de José Medeiros, um dos mais marcantes fotojornalistas brasileiros, que se dedicou a mostrar o Rio de Janeiro, as suas praias, a vida da cidade - é dele a fotografia que reproduzimos. Thomas Farkas criou um olhar próprio sobre as formas da arquitectura e foi um dos fotógrafos que ajudou a mostrar Brasília ao Mundo. O outro testemunho do nascimento de Brasília,, também presente nesta exposição, foi Marcel Gaujtherot, que abordou frequentemente os rituais e as festas populares; e por último Hans Gunter Flieg que documentou fotograficamente o processo de industrialização do Brasil. A exposição chama-se “Modernidades: Fotografia Brasileira (1940-1964) e vai estar patente até 19 de Abril na Galeria de Exposições Temporárias do edifício principal da Fundação Gulbenkian. Entretanto na Fundação EDP, Museu da Electricidade, estão a partir desta semana e até 26 de Abril duas outras exposições de fotografia: “Through The Pale Dawn” mostra imagens da Coreia do Norte vista por Carlos Lobo, última parte da trilogia “Far Far East”, que antes percorreu a China e o Japão; a segunda é “Allumar”, de José Manuel Ballester,  que resulta de uma estada prolongada nas Astúrias, mostrando paisagens industriais e a natureza da região. numa linha de procurar problematizar o banal.

 

PROVAR -  A Avenida da Liberdade está cheia de novos hotéis, todos incluindo propostas de restauração que se pretendem cuidadas e com vida própria. Uma delas é o Sítio, no Hotel Valverde, um pouco abaixo do Teatro Tivoli. Fica no piso inferior do Hotel, ao lado de um belo terraço, com piscina, A localização e a envolvente são inesperadas e o ambiente é muito simpático. É um hotel pequeno, com um restaurante confortável e com um serviço adequado sem ser espalhafatoso. O couvert inclui tapenade de azeitona e de tomate e uma variedade de pães de que se destaca o  pão de tomate seco.  Na ocasião o amouse-bouche foi ovos mexidos com farinheira. O prato escolhido, que excedeu as expectativas, foi risotto na cataplana - uma solução inesperada mas que resultou bem., acompanhado por um branco do Douro, Pedra Escrita, servido a copo. No final um pudim de vinho do Porto foi uma boa surpresa. Na cozinha está Carla Sousa, que trabalhou com Henrique Sá Pessoa. Fica no 164 da Avenida da Liberdade e tem o telefone

210 910 300

 

DIXIT - “Nas sociedades contemporâneas olha-se para a cultura como um elemento de fim de linha. Só quando estão resolvidos os outros problemas da sociedade é que se fala de cultura. A cultura precisa de mais atenção” - Jorge Barreto Xavier, Secretário de Estado da Cultura

 

GOSTO - Muito bom o “Macbeth” que o S. Carlos leva à cena com Angel Ódena no papel de Macbeth e Elisabete Matos numa interpretação explêndida de Lady Macbeth. Se arranjar bilhetes ainda pode ver esta sexta 27 às 20h00 e no Domingo 1 de Março às 16h00.

 

NÃO GOSTO - Da ausência de Portugal da Expo Universal de Milão, cujo tema é a indústria agro-alimentar, invocando os custos da participação - em 2014  Portugal exportou 5,5 mil milhões de euros de produtos agrícolas e a Feira será também uma importante mostra das capacidade de atracção turística de cada país, da qual pelos vistos estaremos ausentes.

 

BACK TO BASICS - Independentemente dos jogos que queiram fazer envolvendo-nos, temos de evitar fazer jogos connosco próprios - Ralph Waldo Emerson

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publicado às 14:20



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