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MUDANÇAS - Na vida muito pouca coisa é a preto e branco e cada vez há menos certezas e mais dúvidas e questões. O ritmo das alterações nos padrões de comportamento e de consumo evoluiu à  velocidade com que a tecnologia avançou. Vamos com 17 anos deste século. Quem nasceu em 2000 viveu sempre numa sociedade digital. Quem nasceu em 2000 já vai poder votar nas próximas legislativas com base numa lei que nessa altura fará 45 anos. Como mudou o mundo e o país nestes 45 anos? Que hábitos têm agora os cidadãos com 18 anos, comparados com aqueles que nasceram em 1956 e tinham 18 anos em 1974? As diferenças são enormes. Para além de terem crescido em sociedades radicalmente diferentes, as suas experiências pouco têm em comum. Em 1974 era pouco frequente ir estudar para o estrangeiro e a participação numa guerra era um espectro que pesava nos adolescentes; agora o programa Erasmus e outros semelhantes proporcionam a um número enorme de jovens o conhecimento de outras culturas e outros hábitos. Viajar tornou-se quase uma banalidade. Ninguém espera pelos telejornais ou os noticiários da rádio para saber notícias e a imprensa parece uma extravagância. Temos um país diferente e os jovens que começam a sua vida profissional têm objectivos diferentes. Sabem que não terão um emprego para toda a vida, têm uma mobilidade maior e muitos um futuro mais sombrio. O principal problema de quem fôr Governo é garantir que a geração que vai votar daqui a pouco não se desilude com o sistema e com o país. E para isso vamos todos ter que mudar muito, a começar pelos políticos.

 

SEMANADA - As casas de apostas online registaram 258 mil novos jogadores desde o início do ano; as vendas de carros aumentaram 8,4% até Novembro, em comparação com o mesmo período do ano passado; nos primeiros onze meses do ano registaram-se 118 mil acidentes rodoviários que provocaram mais 53 mortos e 2000 feridos que no ano passado; os prejuízos causados pelos incêndios na região centro provocaram prejuízos da ordem dos mil milhões de euros; uma avaliação internacional indica que os alunos do 4º ano em Portugal registam piores resultados na leitura e compreensão da escrita e Portugal ocupa agora o 30º lugar de uma lista de 50, tendo piorado relativamente há cinco anos atrás; o Centro de reabilitação do Alcoitão fechou 32 camas por falta de médicos; um quarto dos hospitais públicos ultrapassa o limite de partos por cesariana fixados pelo governo; o ex Ministro da Cultura socialista Manuel Maria Carrilho afirmou em tribunal ser ele a vítima de violência doméstica praticada pela sua ex mulher Bárbara Guimarães; os juízes do Tribunal da Relação do Porto Joaquim Neto de Moura e Maria Luísa Arantes vão ser alvo de processo disciplinar devido ao acórdão que desvaloriza a violência doméstica; as vendas de chocolate em Portugal vão ultrapassar os 200 milhões de euros este ano, devendo ficar cerca de 5% acima de 2016.

 

ARCO DA  VELHA - A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou, por unanimidade, uma verba de um milhão de euros por ano destinada a pagar a assessores e secretariado dos diversos partidos, numa assembleia que não tem deputados a tempo inteiro e onde havia deputados que eram assessores deles próprios para assim receberem uma remuneração.

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FOLHEAR - Uma nova colecção de livros dedicada à fotografia é sempre uma boa notícia. Por iniciativa da Imprensa Nacional, e sob orientação de Cláudio Garrudo, nasceu agora a série Ph. , dedicada à fotografia portuguesa contemporânea. A ideia é editar dois volumes por ano, que têm um preço de 19 euros, acessível para um livro de fotografia com a qualidade de impressão que este tem. O primeiro volume é dedicado à obra de Jorge Molder, um dos nomes mais importantes da fotografia portuguesa, que já foi artista convidado da Bienal de São Paulo em 1994 e representou Portugal na Bienal de Veneza de 1999. Cláudio Garrudo, coordenador da colecção Ph., esteve durante meses a trabalhar com Jorge Molder, escolhendo um conjunto de imagens, algumas nunca expostas ou reproduzidas. Molder fez a sua primeira exposição em 1977 - o seu percurso fotográfico tem pois quatro décadas - e como Bragança de Miranda escreveu no ensaio que está incluído na edição “usou o seu corpo como matéria porque era o que tinha mais à mão” . O livro, de 132 páginas, é uma excelente introdução à obra de Jorge Molder, permitindo ter uma noção da sua evolução ao longo dos anos, num percurso feito com o que se poderia dizer um olhar sensato que lhe permitiu construir imagens que depois fixou em fotografia. A esse nível o seu trabalho sempre me fez lembrar Ralph Eugene Meatyard e algumas fases da obra de Duane Michals, mas é inegável que Molder manteve uma coerência na abordagem do seu “eu” que este livro bem demonstra. Esta nova iniciativa editorial da Imprensa Nacional vem proporcionar o conhecimento mais disseminado de uma obra que tem vivido sobretudo em exposições e em colecções privadas e públicas. Citando Henri Cartier-Bresson numa entrevista de 1952, “a fotografia deve ser feita, e reproduzida, para as massas e não para coleccionadores - parte da vitalidade e da força da fotografia vem de poder ser infinitamente reproduzida.”

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VER - Luiz Carvalho é um dos mais importantes repórteres fotográficos portugueses, com uma obra persistente de registo da evolução de Portugal ao longo das últimas cinco décadas e,  mais recentemente, da divulgação da fotografia através do programa de televisão que ele produz e realiza  na RTP3, o “Fotobox”. Luiz Carvalho tem exposto relativamente pouco - há oito anos que não mostrava o seu trabalho e agora apresenta “O Resto É Paisagem!”,  na Pequena Galeria, até 22 de Dezembro. A mostra integra um conjunto de 27 fotografias que o autor seleccionou, privilegiando imagens mais antigas porque, afirma, é “em relação a essas que sente maior afecto e é com elas que se sente mais à vontade quando se trata de mostrar uma parte, forçosamente pequena, de todo o seu trabalho”. São imagens a preto e branco, uma opção que, como sublinha, voltou a fazer parte hoje em dia do seu meio ambiente. A imagem escolhida para ilustrar esta nota é uma evocação daquilo que Luiz Carvalho sente em relação ao seu próprio trabalho: um fotógrafo a olhar o infinito. Sobre esta mostra afirma Luiz Carvalho: “Não fazia uma exposição individual há 8 anos porque é para mim um exercício difícil chamar amigos e seguidores, a incomodarem-se para irem ver umas fotos penduradas numa parede, que podem não interessar a ninguém  - é arriscado e pode ser muito constrangedor para mim. Foi o projecto bonito e empenhado da Pequena Galeria que me convenceu a expor de novo, e a amizade de longa data pela Cristina Homem de Melo.” O Resto É Paisagem, de Luiz Carvalho, está n’a Pequena Galeria - de quarta a sábado entre as 18 e as 20, na Avenida 24 de Julho 4C.

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OUVIR - No final do século passado Pedro Tenreiro e Rui Miguel Abreu mergulharam nos arquivos da  Valentim de Carvalho, foram ao baú da pop dos anos 60 e 70 e saíram-se com dois CD’s sob o título “Portugal DeLuxe”, 1 e 2, que incluíam registos raros de nomes como Thilo’s Combo, Carlos Mendes, Quinteto Académico, Duo Ouro Negro, Natércia Barreto, Bossa Jazz 3, Conjunto Académico de João Paulo, entre outros. Assim se mostravam os ecos portugueses do rock’n’roll, da surf music, da soul e dos rhythm & blues e também de algum jazz vocal. Agora Pedro Tenreiro mergulhou de novo nesses arquivou e recuperou toda a série - além de se reeditarem os dois primeiros CD’s desta colecção, há muito fora de mercado, foi adicionado um terceiro volume, intitulado “Modernidade Longíqua”, que tem preciosidades como “Hit The Road, Jack”, pelos Strollers sob o comando do jazzman José Duarte, uma deliciosa versão de “Sunny” pelo Conjunto Sousa Pinto (onde o saxofonista era o falecido dirigente socialista José Lello) e ainda raridades como “Volkswagen Blue” por José Cid, “Teach Me Tiger” por Mafalda Sofia,  “The More I See You” por Thilo’s Combo, “I Feel Good” pelo Quinteto Académico ou “Try A Little Tenderness “ por Vickie com o Conjunto Académico João Paulo, além do histórico “Ababilah” do Quarteto1111. Este novo volume “Portugal DeLuxe”, tem  belíssimos textos de enquadramento de João Carlos Callixto e é uma verdadeira jóia.


PROVAR - Muitas vezes o afã de descobrir novos restaurantes dificulta que se visitem bons exemplos de cozinha popular e tradicional  que ainda existem em Lisboa. Recentemente um amigo levou-me à  Imperial de Campo de Ourique, fundada em 1947, também conhecida por  A Tasca do João, desde que João Gomes ali chegou, em 1956. Com o Senhor João na sala e a sua Dona Adelaide no comando da cozinha a casa tornou-se uma referência em termos tradição culinária portuguesa. O casal é originário de Ponte da Barca e a gastronomia da região ali deixou as suas marcas - a começar pelo Bacalhau à Minhota, que é dos melhores que se podem provar em Lisboa. Outro prato que ali faz deslocar clientela fiel é a chanfana, servida às sextas e sábados.  A Costeleta de Novilho, generosa, é também afamada pelo tamanho e qualidade do corte. Nesta altura do ano as favinhas com todos são primorosas e abundantes de molho - a requererem um dos babetes bem coloridos que a casa disponibiliza aos seus clientes. A sala de entrada tem a cozinha e um longo balcão, ladeado por algumas mesas e a sala interior é ampla e confortável. O avental do Senhor João Gomes tem uma frase que bem podia ser o lema da casa: “Isto é um espectáculo!”. O vinho da casa é da região do Cartaxo e revela-se honesto. Os preços são populares, como a essência da cozinha de Dona Adelaide e o serviço do Senhor João. A morada é  Rua Correia Teles 67  e o telefone é  213 886 096.

 

DIXIT - “O PS falhou redondamente, não foi capaz de analisar o perfil e a informação objectiva de quem foi seu Secretário-Geral e candidato à direcção do Governo” - Viriato Soromenho Marques sobre Sócrates e a Operação Marquês.

 

GOSTO - Teresa Gonçalves Lobo expõe em Londres, na Galeria Waterhouse & Dodd, os seus desenhos feitos para o poema “inquieto/unstill”, de Robert Vas Dias.

 

NÃO GOSTO - 70% dos menores delinquentes têm menos de 14 anos.

 

BACK TO BASICS - “Quando escorregamos a andar recuperamos depressa, quando temos uma escorregadela  a falar por vezes nunca recuperamos” - Benjamin Franklin.

 

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publicado às 13:00

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APARTHEID - A frente de esquerda, a que alguns por carinho oficinal chamam geringonça, está a fazer tudo para criar um apartheid na sociedade portuguesa, ao colocar de um lado quem trabalha para a administração e empresas públicas e, do outro, quem trabalha fora do braço protector do Estado como patrão. O resultado é simples: jogar uns contra os outros, Estado contra o que não é Estado. Aquilo a que assistimos por estes dias é à defesa da criação de duas castas - a dos que têm benefícios automáticos e a dos que só progridem se derem provas de que o merecem. Os clamores pela igualdade para todos escondem sempre a parte que não cabe no todos e que, neste caso, já é a maior parte. Se formos ao segmento abaixo dos 35 anos ainda é mais evidente a clivagem: nesse escalão há muito mais gente a trabalhar fora do Estado que em qualquer outro segmento etário. Os que trabalham fora do Estado sabem o que é terem de competir com empresas rivais da sua, terem que desenvolver produtos que sejam vendáveis, dever prestar serviços de forma eficaz, sob pena de as suas empresas serem preteridas por outras. Mas Estado há só um e não há como lhe fugir. Ainda vivemos numa época em que a maioria dos políticos passou a vida a trabalhar para o Estado - na Administração central, local ou em empresas públicas. Cresceram com a certeza de que os votos vinham daí e que esse colégio eleitoral tinha que ser protegido. Mas com o andar dos tempos há menos gente a receber ordenado do Estado. Um dia destes os eleitores que não trabalham para o Estado vão revoltar-se contra os políticos que defendem o apartheid social.

 

SEMANADA - Os partidos que apoiam o Governo apresentarem 492 propostas de alteração ao Orçamento de Estado com reflexos no aumento da despesa pública; a Comissão Europeia diz que o Orçamento português arrisca violar as regras europeias de ajustamento orçamental e em causa está uma redução estrutural do défice inferior à recomendada e um aumento da despesa considerado excessivo; peritos de Bruxelas dizem que a despesa com salários da função Pública vai custar mais 385 milhões de euros do que o Governo previu no Orçamento, sem contar com novos encargos pendentes de negociações com os sindicatos; a Comissão de Protecção de Dados considera que o Orçamento de Estado propõe demasiadas interconexões entre bases de dados da administração pública; o sector empresarial do Estado registou no ano passado prejuízos de cerca de 408 milhões de euros e a Parpública foi a que registou maior aumento de perdas nesse período; nos últimos quatro meses, em Portugal, foram feitos 3500 furos de água; cada português gasta por dia 220 litros de água, o dobro do considerado suficiente pelas Nações Unidas; o tempo médio de espera para o início de tratamento de alcoólicos já ultrapassa os dois meses; ficaram por ocupar cerca de meia centena de vagas para médicos de família por falta de candidatos; 91% dos trabalhadores do Infarmed estão contra a mudança para o Porto.

 

ARCO DA VELHA - A base de dados de pedófilos condenados, que tem mais de cinco mil nomes e que foi criada há dois anos com o objectivo de ser usada pelos orgãos de investigação criminal, nunca foi consultada por PSP, GNR ou PJ, apesar de crescente número de casos de abuso de menores.

 

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FOLHEAR - A “Monocle” já não surpreende com frequência, mas neste mês conseguiu dar nas vistas: fez uma entrevista com o ex-presidente brasileiro Lula, a que dá chamada de capa com o título “O Regresso de Lula”,  com direito a três páginas, no essencial laudatórias. Para o ex-presidente nas malhas da Lei esta foi a possibilidade de se reposicionar numa revista de difusão internacional e dirigida a um segmento influente. Lula curiosamente afirma na entrevista que “a solução para a crise económica é a credibilidade”. Quase me apetece dizer que a peça sobre Lula podia ser considerada conteúdo patrocinado.... Surpresas à parte, esta edição de Dezembro da “Monocle” inclui o já tradicional relatório anual sobre os países que melhor exercem o seu “soft power”, um misto de diplomacia com encanto e comunicação. Portugal aparece na posição 12, em subida comparativamente com o ano passado, logo atrás da Itália e Dinamarca e à frente da Nova Zelândia, Espanha e Noruega. O ranking de 25 países é liderado pelo Canadá, Alemanha e França. Sobre Portugal a revista deixa no entanto um aviso: “à medida que cresce o número de visitantes é importante o país focar-se na salvaguarda da sua autenticidade”. Um outro destaque português surge na lista “Travel Top 50” com o Hotel Ritz (“Top untouched modernist hotel”) e com as tripulações da TAP (“Most handsome crew”). Finalmente na secção de comidas e bebidas surge em destaque o restaurante Jncquoi, na Avenida da Liberdade. Por fim, uma notícia: efeito colateral do Brexit, a “Monocle” vai mudar o seu quartel general de Londres para Zurique. Já me esquecia - esta é  a edição com sugestões de prendas de Natal. Nada austeras.

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VER - A nova exposição de Pedro Calapez surge como uma surpresa, rasgando horizontes em relação ao que tem sido a evolução da sua obra nos anos mais recentes. São pinturas sobre papel e alumínio (na imagem), criadas em várias dimensões, rasgando a escala habitual, e sugerindo diversas formas de ver e de poderem ser vistas. Integralmente composta por obras inéditas, feitas para esta mostra que assinala o 5º aniversário da Galeria Belo-Galsterer, a exposição evidencia a forma como Calapez optou por trabalhar sobre formatos inesperados. O nome escolhido - “Tracção e Compressão simples entre limites elásticos” - é particularmente indicado para mostrar as diferentes abordagens, de material de suporte e de concepção da sua forma. Vai ficar na na Belo Galsterer, Rua Castilho 71, r/c esq, até 20 de Janeiro. Outro destaque vai para a exposição “2 desenhos e 2 esculturas”, de José Pedro Croft, na Galeria Vera Cortês. Croft, que representou Portugal este ano na Bienal de Veneza, apresenta quatro trabalhos inéditos. Permito-me chamar  a atenção para os desenhos, que vão para além da aparência do traço, numa construção minuciosa feita sobre papel, manipulado e trabalhado de forma a permitir diversas leituras. Na Rua João Saraiva 16-1º, até 13 de Janeiro. N´A Pequena Galeria, (avenida 24 de Julho 4C),  Luiz Carvalho apresenta “O Resto É Paisagem”, uma exposição de fotografias feitas ao longo da sua vida e a que aqui regressaremos para a semana.

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OUVIR - A carreira de Seal começou no início dos anos 90, ao longo do tempo editou dez álbuns e afirmou-se como uma das vozes mais interessantes, muitas vezes na fronteira entre a pop e o soft jazz, com influências dos blues e da soul music e de nomes como Tony Bennett ou Nat King Cole. O seu  mais recente CD acaba de ser publicado e o nome corresponde exactamente ao seu conteúdo: “Standards”. Trata-se de um conjunto de canções que ganharam fama, originalmente feitas entre os anos 30 e 60 do século passado. Neste álbum Seal é acompanhado por uma orquestra de 65 elementos, com arranjos de Chris Walden, num registo que muitas vezes se aproxima de uma gravação ao vivo. O começo do disco é arrasador: “Luck Be A Lady”, “Autumn Leaves” e “I Put A Spell On You”. Ao todo são 14 temas, entre os quais podemos ainda encontrar “They Can’t Take That Away From Me”, “Love For Sale”, “My Funny Valentine”, “I’ve Got You Under My Skin”, “The Nearness Of You” e, claro, “Christmas Song”, entre outros. Seal é um vocalista de créditos firmados, com uma capacidade de interpretação invulgar. É justo dizer o que o disco é marcado por um espírito de risco na sua abordagem a “I Put A Spell On You”, uma interpretação arrebatadora onde Seal é acompanhado de um coro gospel. O mesmo desejo de fazer  a diferença ouve-se em “I Got You Under My Skin”, onde descola da abordagem que Nelson Riddle  fez para a marcante interpretação de Sinatra. CD Decca /Universal já disponível em Portugal.

 

PROVAR - Há cerca de duas décadas Manuel Martins ganhou fama com os seus petiscos alentejanos num pequeno estabelecimento na Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, a que chamou “A Charcutaria”. Alguns anos depois resolveu mudar-se para uma casa bem maior, na Rua do Alecrim. Continuou a ganhar fama mas a certa altura as coisas começaram a correr menos bem e este ano, há uns meses, decidiu voltar a Campo de Ourique, à Rua Francisco Metrass. É bem visível o peso da idade, mas o talento nos sabores alentejanos continua igual. As suas empadas de galinha têm uma massa finíssima e um recheio leve e continuam a ser uma iguaria. O pão, obviamente alentejano, é fatiado finíssimo. Na ementa introduziu umas saladas (como por exemplo de pêra, canónigos, pinhões e parmesão), mas mantém bons clássicos - como os seus pastéis de massa tenra acompanhados por arroz de coentros que continuam soberbos. E claro que na lista ao longo do ano surgem pratos como os pezinhos de coentrada, perdiz estufada, perdiz de escabeche,  empada de perdiz ou a lebre com feijão..Lá estão ainda nos queijos um serpa curado e um de cabra, também curado, muito saboroso e, nas sobremesas, um belo bolo de chocolate e doces conventuais. O vinho servido a copo é o alentejano Nunes Barata, tanto tinto como branco, e ambos cumprem com honestidade a sua função. Manuel Martins continua sempre simpático, focado nos clientes e a fazer boa cozinha alentejana, simples, com qualidade, e aqui com preços muito convidativos. A sala é pequena, como na casa original, tem uma dúzia de lugares e está aberta ao almoço e jantar todos os dias excepto ao domingo. A Charcutaria, Rua Francisco Metrass 64, telefone 215 842 827. Aceita encomendas para fora.

 

DIXIT - “Mudar sedes da Administração Central é desconcentrar. Descentralizar é transferir competências da Administração Central para Entidades Regionais ou Locais” - Luis Paixão Martins, no Facebook.

 

GOSTO - The Presidential, o comboio turístico de luxo do Douro, que usa as carruagens utilizadas por Presidentes da República recuperadas pelo Museu Nacional Ferroviário, ganhou o Best Event Awards de 2017.

 

NÃO GOSTO - Mais de 200 mil utentes foram afectados pela greve dos técnicos de diagnóstico e terapêutica.

 

BACK TO BASICS - Vale mais um exército de ovelhas comandado por um leão, que um exército de leões comandados por uma ovelha - Damião de Goes

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publicado às 13:15

Esta semana as semelhanças entre o caos que a Cãmara Municipal se prepara para instalar em Lisboa e o caos instalado no Orçamento de Estado - com uma semelhança : nem Costa foi eleito Primeiro Ministro, nem Medina foi eleito Presidente da Câmara. Coincidências nascidas na interpretação que este PS faz do sentido de voto nas eleições.

 

HABILIDOSOS - No meio das desgraças que assolam Lisboa fiquei a saber que a grande preocupação do presidente não eleito da autarquia,  Fernando Medina, é descobrir o que fazer à Moda Lisboa, que vai estar na Praça do Município, no dia da tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, o qual gostaria de patrocinar uma festa no local, nessa ocasião, para celebrar a sua investidura. Reparei agora que estamos perante uma conjugação interessantíssima de factores - em São Bento temos um Primeiro Ministro que não ganhou em eleições e que deixou na Câmara Municipal de Lisboa, para lhe suceder, um seu correlegionário que também não ganhou eleições para o cargo que ocupa. Deve ser uma coisa nova da malta do PS - conseguir estar no poder, de forma habilidosa, à revelia dos resultados eleitorais. Enfim, já se sabe que o mundo é feito de mudança. O pior é que Medina resolveu dar cabo do sossego aos lisboetas e começou uma série de obras que prometem o caos para durante a sua existência e depois da sua conclusão. Os vereadores Salgado e Medina estão a querer ser réplicas contemporâneas do Marquês do Pombal mas a verdade é que se assemelham mais a réplicas do terramoto. Já está à vista o resultado dos desvarios na Avenida da Liberdade - maior concentração de trânsito e maior poluição, ao contrário do que se apregoava. Vai ser assim no resto, sobretudo no tal eixo central. Mas o pior de tudo é que, para esta gente, a comodidade de quem vive na cidade não interessa para nada. Apenas interessa arranjar o jardim para os visitantes passearem. É sabido que nos anos de Costa o centro da cidade perdeu habitantes, que muito comércio tradicional foi encerrado, que os lisboetas perderam qualidade de vida. É muito engraçado, embora pouco realista, querer fazer-se uma cidade contra o automóvel, mas à autarquia sabe-lhe bem cobrar os impostos de circulação e os estacionamentos, mantendo transportes públicos ineficazes. Que nome dar a quem ocupa o poder para fazer obras em interesse próprio e  em desrespeito pelo interesse colectivo?

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SEMANADA - António Costa mandou os Ministros falar com o PS pelo país fora no fim de semana passada, a explicar o que o Governo anda a fazer; o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais desdobrou-se em entrevistas e assustou meio Portugal com o que disse sobre o imposto sucessório;  António Costa fez videos a explicar as contas do orçamento - não sei bem em qual das versões das contas se baseou; a ideia dos videos governamentais no YouTube é boa como conceito de propaganda, só que o actor é péssimo; fiquei a ver um dos videos convencido que estava a ver um daqueles canais de compras que passam de madrugada a vender bruxedos; um amigo meu diz que o Costa, nos videos, parece aqueles spots dos canais regionais de televisão norte americanos com vendedores de carros em segunda mão a fazerem contas provando que vendem mais barato que os outros; os videos fizeram-me pensar se António Costa não estaria a querer ser o Chavez da Europa em versão tecnológica; no resto da pátria está tudo tranquilo;  Passos Coelho inaugurou uma escola - de repente pensei que era notícia antiga mas não, foi mesmo desta semana; Mário Centeno anunciou que vai injectar mais 567 milhões de euros no defunto BPN; um amigo meu diz que Mário Centeno é parecido com Zé Colmeia, uma figura de banda desenhada que gosta de ir ao pote do mel; outro diz que, com as confusões do Orçamento, António Costa parece um daqueles condutores que entram em sentido contrário numa auto.estrada e começam a barafustar contra quem vem contra ele.

 

ARCO DA VELHA - Este orçamento já vai em três versões - uma que foi para Bruxelas, outra que foi feita depois para cá corrigindo o que Bruxelas achou excessivo, um rol de erratas que corrigia diversas coisas e finalmente mais umas rectificaçõezitas sobre uns mapas que estavam com numeros um bocadinho errados.

 

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FOLHEAR - Quando leio um livro como “M Train”, de Patti Smith, interrogo-me sobre o sentido da vida e sobre o que algumas pessoas, cuja obra admiramos, dela fazem. O livro anterior de Patti Smith, “Just Kids”, apesar de relatar os anos 70 em New York e a relação de Patti com Robert Mapplethorpe, parece uma reportagem num jardim escola quando comparado com este “M Train” - o relato da vida e da cumplicidade que ela desenvolveu com Fred “Sonic” Smith, o guitarrista dos MC5, um dos génios da guitarra eléctrica, desaparecido prematuramente em 1994. Patti Smith E Fred viveram, tiveram filhos, fizeram música e viagens. Este livro é o relato de uma paixão e de uma cumplicidade, do que fizeram e do que ficou por fazer, das viagens que ela ainda faz pensando em Fred, das suas obsessões, dos seus hábitos e rotinas, mas é sobretudo uma viagem ao processo criativo de uma artista marcante da sua geração. Não é nem uma biografia nem uma memória - é um ensaio sobre o dia-a-dia. E é um dos melhores livros que se pode ler para perceber o que vai dentro da cabeça de uma artista cheio de talento. (Edição Bloomsbury, na Amazon).

 

 

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VER - Recomendações para esta semana: na Galeria Belo-Galsterer a exposição colectiva “PAPERWORKS III - Paisagem sem Paisagem”, com C. B. Aragão, Claudia Fischer, João Grama e Marta Alvim (Rua Castilho 71, r/c esq); na Pequena Galeria (Av 24 de Julho 4c), a exposição RETRATOS, dos fotógrafos Marilene Bittencourt e Fernando Ricardo; “AS PALAVRAS”, assemblages de José Pinto Correia, na Corclínica, Campo Grande 28 - 2º-C; mas o meu destaque, embora tardio, vai para  a belíssima exposição “MÃOS”, de Teresa Dias Coelho, na Galeria Monumental, que encerra já neste sábado dia 20 - a partir das 16h00 desse dia tem uma finissage, aproveite para ir ao Campo dos Mártires da Pátria 101 ver outras obras como esta que aqui se reproduz.

 

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OUVIR - Este segundo disco do saxofonista Charles LLoyd para a Blue Note tem o feeling dos blues, a descoberta de temas originais do próprio Lloyd, o encanto de algumas versões e a perenidade de tradicionais folk. Se o saxofone é a imagem de marca do disco, o retoque da diferença é dado pelas guitarras de Bill Frisell e Greg Leisz, sobretudo a do primeiro. Nas versões destaco “Masters Of War”, de Dylan, onde as guitarras estão em primeiro plano, a versão de “Last Night I Had The Stangest Dream”, um original de Ed McCurdy que aqui conta com a participação especial de Willie Nelson e de “You Are So Beautiful”, de Billy Preston, aqui interpretado por Norah Jones. Se escolher um dos originais vou para o tema final, “Barche Lamsel” e se escolher um dos tradicionais vou para “Shenandoah”, onde Frisell mostra todo o seu talento na guitarra. Este é daqueles discos onde se percebe que todos os participantes tiveram mesmo gôzo em tocar. Uma belíssima supresa este “I Long To See You”- Charles Lloyd & The Marvels, edição Blue Note/Universal - claro que com uma mãozinha de Don Was na produção.

 

PROVAR -  Frequentemente gosto de comer sózinho, ao almoço, sentado, na calma, a ler uma revista e ás vezes, hoje em dia, a folhear no iPhone o Flipboard ou outra aplicação do género. Mas o que mais gosto mesmo nesses momentos é ficar a olhar à minha volta . o movimento da sala, os clientes, os empregados. Tenho, deste ponto de vista, saudades das Galerias Ritz, onde se podia ficar sentado ao balcão em algumas posições estratégicas que dominavam a entrada e permitiam ter uma boa visão das coisas. E, para o género, a comida era boa. A única sala que ainda permite isto hoje em dia é o Galeto, um bastião da tradição do snack bar e talvez o restaurante lisboeta que junta maior numero de clientes solitários regulares, sobretudo à noite - e continua a servir até tarde. Hoje vou lá pouco nesse horário, mas volta e meia gosto de lá ir ao almoço. A comida é mediana, mas sem sobressaltos, o balcão é confortável - um bom balcão sentado como há poucos hoje em dia em Lisboa. O bife à Galeto não engana com as suas batatas fritas semi sintéticas, o ovo a acavalo bem estrelado e um esparregado com uns torneados incomparáveis. Continua a ter combinados, que convivem com alheiras e outros petiscos como iscas à portuguesa. Pronto - isto é mesmo vício de ficar a devanear enquanto se petisca e se faz uma viagem ao passado - às vezes parece que de repente entrámos nos anos 70. Galeto - 213 544 544, Avenida da República 14, das 07h30 ás 03h30.

 

DIXIT - “Está toda a gente a querer fazer desaparecer Cavaco Silva, a fazer de conta que já não existe” - Joaquim Aguiar sobre as audiências que o presidente eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, tem realizado com protagonistas governamentais e políticos.

 

GOSTO - Das lojas antigas de Lisboa

 

NÃO GOSTO - Da destruição das lojas antigas de Lisboa

 

BACK TO BASICS - “Estudem o passado se quiserem definir o futuro” - Confúcio

 

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publicado às 14:00

ZIG ZAG, FAZ & DESFAZ

por falcao, em 08.01.16

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ZIG ZAG -  Em Portugal o regime entrou na época do Zig Zag, Isto aplica-se, nomeadamente, à acção do Governo, que em apenas um mês já modificou várias medidas do anterior executivo, desde os feriados nacionais até privatizações na área dos transportes, passando por revogações e alterações na saúde, educação e justiça. O país entrou oficialmente na fase em que se desfaz o que se fez e em que se aumentam os gastos. A seu tempo virá o aumento das receitas pelo expediente do costume - o aumento da cobrança de impostos. Estou com alguma curiosidade de ver como isto evolui, do ponto de vista da despesa pública, da competitividade da economia, do PIB e, sobretudo, da melhoria efetiva das condições de vida que é o grande argumento para tudo o que o Governo está a fazer. Mas isto só se perceberá daqui a uns anos. Para já uma coisa é certa: mesmo que subjetivamente. há muita gente que se sente mais à vontade para fazer gastos, para contrair créditos. Há, como se viu nos números deste Natal, uma espécie de nova euforia consumista. Resta saber se foi uma atitude pontual ou se esta euforia vai virar epidémica. Mas o efeito Zig Zag não se passa só na acção do Governo. Aos poucos vai descendo pelo edifício do sistema partidário. O primeiro sinal veio de  Paulo Portas, que decretou o fim, pelo menos temporário, da sua época - o que vai atirar o CDS/PP necessariamente para outros rumos. Resta ver como o PSD evoluirá e como se reposicionará face às alterações à sua direita. Tudo se conjuga para uma tempestade perfeita cujo resultado seja uma tranquila governação de Costa ao longo de uma legislatura. Constata-se agora ainda mais que o anterior governo não fez reformas de fundo - apenas usou maquilhagem estrategicamente aplicada. Ao usar desmaquilhador em quantidades apreciáveis, António Costa mostra também a superficialidade de muito do que foi feito. Vamos a ver como fica o rosto do país no fim destes tratamentos de beleza.

 

SEMANADA - Começaram os debates presidenciais, com três características: fraca audiência, falta de brilho e enorme previsibilidade e monotonia; começa a desenhar-se o espectro de uma abstenção assinalável; um inquérito recente mostrava que os novos votantes, entre os 18 e 25 anos, na maioria dos casos, não ligam sequer à campanha que está a decorrer; segundo o Instituto Nacional de Estatística cerca de 35% da população portuguesa, e nestes a maioria com mais de 65 anos,  não tem acesso à internet; em 2015 foram registados mais de cinco mil nomes diferentes para recém nascidos; as receitas brutas de bilheteira de cinema a nível global ultrapassaram em 2015 os 34,8 mil milhões de euros, o maior valor de sempre; a venda de carros registou no ano passado um aumento de 24% e obteve o melhor resultado desde 2010; o investimento em imobiliário em 2015 atingiu o maior valor de sempre, 1,9 mil milhões de euros com os centros comerciais e lojas de rua a captarem a maior fatia do investimento estrangeiro na área; a banca portuguesa detecta por dia 15 operações suspeitas de lavagem de dinheiro; o Governo decidiu que quatro feriados civis e religiosos vão ser repostos já este ano, criando três “pontes” em 2016;  as compras com multibanco subiram 270 milhões de euros no período do natal; o fisco reteve 486 milhões de euros em reembolsos de IVA a empresas em 2015; a dívida pública portuguesa subiu dois mil milhões de euros num mês; especialistas de planeamento urbano de vias circulares às cidades afirmam que a decisão de ajardinar e arborizar a segunda circular, tomada pela Câmara Municipal de Lisboa, coloca questões de segurança e poderá ter um impacto considerável no aumento do trânsito (e da poluição) dentro da cidade; 21 dias é o tempo médio que o Ministério da Educação demora a substituir um professor, por doença ou outros motivos, o que na prática significa um mês inteiro sem aulas; no fim de semana passado a espera em urgências hospitalares chegou a atingir as 12h00; o Governo fez 154 nomeações em 41 dias.

 

ARCO DA VELHA - Há um ano a eurodeputada Ana Gomes propôs ao PS que apoiasse a candidatura presidencial de Maria de Belém, sublinhando que era tempo de ter uma mulher na presidência; agora decidiu aceitar ser a mandatária de Sampaio da Nóvoa.

 

 

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FOLHEAR - Neste Natal houve uma prenda que me tocou especialmente: a nova edição de “Lisboa - cidade triste e alegre”, de Victor Palla e Costa Martins, que foi publicada no último trimestre de 2015 pela Pierre Von Kleist, uma editora consagrada a livros de fotografia. Originalmente o livro foi editado em 1959, na sequência de uma exposição na Galeria Diário de Notícias. A edição original foi feita em fascículos, publicados entre Novembro de 1958 e Fevereiro de 1959. Mais tarde, em 1982, António Sena fez uma exposição chamada “Lisboa e Tejo e Tudo”, na sua galeria Ether, e recuperou e encadernou algumas das colecções integrais de fascículos - e vários exemplares tiveram circulação internacional. O livro agora reeditado reproduz exactamente o original e reúne cerca de 200 fotografias, em que os autores incluíram excertos de poesia Fernando Pessoa, António Botto, Almada Negreiros, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Alberto de Serpa, Cesário Verde, Gil Vicente, e inéditos de Eugénio de Andrade, David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill, Jorge de Sena, entre outros, com destaque também para o texto de abertura de José Rodrigues Miguéis. A reputação internacional do livro surgiria depois, associada à sua inclusão em 'The Photobook: A History, Vol. 1', de Gerry Badger e Martin Parr que o descrevem assim: "Lisboa, Cidade Triste e Alegre é particularmente notável pelo uso de ideias gráficas desenvolvidas por fotógrafos como William Klein ou Ed van der Elsken, criando um livro vibrante, com uma sequência cinemática". Em 2009, para assinalar o cinquentenário da edição original a Pierre Von Kleist fez uma reedição reproduzindo exactamente a original, edição que rapidamente esgotou. E no final do ano passado fez nova reedição, igualmente com uma impecável impressão, desta vez feita na Alemanha. E é esta que folheio regularmente com gosto, deliciando-me com os textos que, no indíce, os autores escreveram sobre a forma como cada imagem foi feita.

 

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VER - Esta semana recomendo três exposições de fotografias. Começo por Lisboa onde “A Pequena Galeria” (Av 24 de Julho 4C, junto à Praça D. Luis), reabre com uma nova montagem da exposição “Sete Fotógrafas & Inéditos”, que apresenta trabalhos de Clara Azevedo, Cristina H.Melo, Diana Laires, Inês Cruz, Letícia Zica, Luísa Ferreira e Maria Simão. Em Cascais, na Fundação D. Luis I - Centro Cultural de Cascais, até 17 de Abril, está a exposiçãoNicolás Muller.Obras-Primas” que integra a programação da MOSTRA ESPANHA 2015 e que fez parte do PhotoEspaña de 2015. Muller foi um fotógrafo húngaro que se fixou em Espanha, depois de ter passado por França – onde conheceu Brassaï e Robert Capa – e ainda por Portugal, onde permaneceu apenas uns meses e realizou um trabalho sobre a zona ribeirinha do Porto, que é parte integrante da exposição em Cascais (na imagem). Finalmente, em Braga, no Teatro Circo, uma exposição de fotografias de António Variações, parte de uma coleção de 300 imagens do cantor que ao longo dos anos foi recolhida por Teresa Couto Pinho , desde ensaios a concertos, passando pelas sessões para as capas de discos. Dentro em breve será editado um livro que reúne a colecção.

 

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OUVIR - Frank Zappa foi um dos génios da música norte-americana da segunda metade do século passado. Percorreu vários géneros musicais, sozinho ou com os Mothers Of Invention, fez canções, encenou provocações, e escreveu peças de música contemporânea, muitas sob a influência de Edgard Varèse, algumas interpretadas por nomes como Pierre Boulez, desaparecido esta semana. Uma delas, a mais célebre, é a ópera “200 Motels”, inicialmente editada em 1971 numa versão rock, e que agora foi gravada pela orquestra Filarmónica e Côro de Los Angeles, dirigidos por Esa-Pekka Salonen. 22 anos depois da sua morte Zappa continua a surpreender, quando nos reencontramos com o seu talento musical nesta reinterpretação de uma das suas peças mais emblemáticas, escrita ao longo de cinco anos e que relata a passagem de uma banda rock por uma cidade imaginária, Centerville, pretexto para um retrato irónico sobre o quotidiano da América de então, desde os habitantes da cidade aos membros da banda, passando pelo próprio Zappa ou os jornalistas que escrevem sobre a digressão. A versão de Salonen fez algumas alterações  na ordem de apresentação das diversas cenas e privilegiou a abordagem orquestral. Menos enérgica que  a versão original, ela é no entanto mais coerente do ponto de vista da narrativa e, sobretudo, permite divulgar e dar nova vida a uma das maiores obras de Zappa, mostrando toda a sua genialidade, quer na escrita musical quer na ironia do libretto. A gravação foi efectuada em 2013, editada no final do ano passado e produzida por Frank Filipetti e Gail Zappa, a filha do compositor.(“200 Motels- The Suites”, duplo CD Zappa Records, Edição Universal Music, na FNAC e El Corte Ingles).

 

DIXIT -  “Não estou a concorrer a líder partidário” - Marcelo Rebelo de Sousa

 

GOSTO - Das reflexões e opiniões que podem ser vistas no novo site www.clubedeimprensa.pt

 

NÃO GOSTO - Num debate televisivo o candidato do PCP, Edgar Silva, evitou responder frontalmente quando interrogado sobre se considerava a Coreia do Norte uma democracia.

 

BACK TO BASICS - “Numa disputa sem sentido não há qualquer espécie de valor” - William Shakespeare.

 

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publicado às 10:27

PESADELO - Na mesma semana em que o PS apresentou, como puro gesto de retórica, uma moção de censura ao Governo, sem conseguir detalhar uma única medida alternativa plausível para conseguirmos sair da crise, soube-se que aumenta o número de Ministros que desejam sair do executivo e o número daqueles que não se sabe bem o que lá andam a fazer. Miguel Relvas já saíu pelo seu pé mas Vitor Gaspar continua ao leme, autêntico Primeiro Ministro sombra, alimentando-se de previsões falhadas, entre ministros até aqui imobilizados como Nuno Crato, ou um Santos Pereira que não consegue encontrar espaço para fazer o que quer que seja. O comportamento de uma parte cada vez maior do Governo e de uma parte cada vez maior dos partidos que o integram é um sinal de perigo mais evidente que a moção de Seguro. No meio disto continua a obsessão por mudar o nome às coisas sem cuidar da substância - é assim que depois de se terem enterrado as Novas Oportunidades se dá uma dose de vitaminas a um Impulso Jovem que se arrisca a ser o maior exemplo de política espectáculo dos últimos anos. Não estou certo que mais política espectáculo seja aquilo que nos faz falta, e inclino-me para pensar que o Governo e o Presidente da República fariam bem melhor em estudar como se pode mudar de politicas e como é absolutamente necessário alterar a forma de fazer política. E, no entretanto, estamos todos à espera de um Tribunal Constitucional que desenha a sua própria táctica politiqueira. Isto tem todos os ingredientes para acabar mal.


SEMANADA - Entre 2010 e 2012 as dívidas das famílias e das empresas tiveram uma pequena diminuição, mas a do Estado teve um aumento de 25%; os impostos indirectos caíram 6,4% em Fevereiro, mas a previsão do Governo era um aumento de 0,2%; as contribuições para a segurança social subiram 1,8% mas as previsões do Governo eram de uma subida de 8,1%; os gastos com o subsídio de desemprego aumentaram 21,1% em Fevereiro face ao período homólogo de 2012, mas o Governo só previa um aumento de 3,8%; prevê-se agora uma redução do PIB nominal  de 1,1 mil milhões de euros face a 2012, quando no Orçamento de Estado estava previsto um aumento de 0,4 mil milhões de euros; um estudo da Goldman-Sachs sobre o acesso das empresas ao crédito em diversos países europeus, mostra que em Portugal o custo dos financiamentos bancários é de 6,68% e na Alemanha é de menos de 3%; as queixas sobre a conta da electricidade duplicaram este ano em relação a igual período do ano passado; no hospital de West Suffolk, em Inglaterra, 40 dos 55 enfermeiros são portugueses; a série norte-americana “A Bíblia”, exibida pela SIC na Páscoa, e que tinha como protagonista o actor português Diogo Morgado no papel de Jesus Cristo, foi vista no total por 2,5 milhões de espectadores, batendo largamente o reality-show do serviço público de televisão protagonizado por José Sócrates.


ARCO DA VELHA - O piso do novo passeio da Ribeira das Naus teve que ser reparado três dias depois da inauguração oficial.


VER - O início de actividade de A Pequena Galeria (Av 24 de Julho 4c, à Praça D. Luis) é o pretexto para hoje sugerirmos uma incursão pela fotografia. Obra de sete sócios, A Pequena Galeria foi buscar o seu nome a The Little Galleries of the Photo Secession, de Alfred Stieglitz, fundada em 1905 na Quinta Avenida, em Nova Iorque. A Pequena Galeria é uma bela ideia, que promete actividade e variedade - abriu a 21 de Março com a colectiva #Salão1 e quinta-feira 4 de Abril inaugurou a sua segunda exposição, Flâneur Noir,  de um dos sócios, Guilherme Godinho, que tem a particularidade de fotografar a preto e branco com um Blackberry 9700 Bold, o que, em tempos de Instagram e iPhone não deixa de ter a sua graça. Na K Galeria (Rua das Vinhas 43A, ao Bairro Alto), Pedro Letria comissariou a primeira mostra de imagens do colectivo Kameraphoto tiradas em 2012 no âmbito do projecto DR - Um Diário da República. A exposição tem edição em livro, sob o título Please Hold e, ao mesmo tempo, inaugurou também, no mesmo local, Volto Já, de Augusto Brázio. A Galeria Quadrado Azul mudou-se do Largo Stephens, ao Cais do Sodré, para Alvalade, na Rua Reinaldo Ferreira 20-A (perto da Padre António Vieira). "Gloom", uma exposição individual de Paulo Nozolino, formada por um conjunto de 10 imagens verticais, a preto e branco, todas da Bretanha. E, finalmente, Rita Barros mostra na Loja da Atalaia (ao lado do restaurante Bica do Sapato), a  série, Displacement 2, que foi iniciada no final do verão de 2012 e que mostra o processo de desconstrução do Chelsea Hotel, em Nova Iorque, onde ela viveu durante vários anos e que tem sido uma inspiração recorrente na sua obra.


OUVIR- O fado, por estes dias, desenvolve-se entre a moda e a poluição, que na música andam de mãos dadas. Hélder Moutinho não é moda porque não tem época nem tempo. É diferente dos imitadores e das poluições porque a voz anda a par com o sentir - o sentir do peso das palavras e o sentir das músicas. Esta combinação não é frequente, é rara. Quando acontece, devemos ouvir. Quem canta assim, quem conjuga a voz com as guitarras e as violas, quem diz o que sente e pronuncia as palavras a fazerem poema, merece ser ouvido - embora, no meio das modas e poluições, não seja fácil conseguir voltar a ouvir. Mas, mal começa a tocar este “1987”, percebe-se que Hélder Moutinho é diferente. Precisa mesmo de ser ouvido. Bem ouvido. Sente-se como ele e Frederico Pereira, que assegurou a direcção musical e a produção, fizeram equipa. Dá gozo ouvir este disco, sentir o trabalho, a dedicação, o conceito, a imaginação. De certa forma este álbum é conceptual - desenvolve-se em cinco momentos - cada um deles escrito de forma diferente - por Hélder Moutinho ele próprio, José Fialho Gouveia, João Monge, Pedro Campos e Fernando Tordo, que fez um fado absolutamente surpreendente, de homenagem a Beatriz da Conceição, o culminar perfeito de um disco que é uma história de Amor e de Lisboa. Não por acaso o primeiro fado do disco explica tudo: “Venho De Um Tempo”. Daqui a um mês, dia 3 de Maio, Hélder Coutinho apresenta estes fados, ao vivo, no Teatro de S. Luiz. (CD “1987”, de Hélder Moutinho,  HM Música/ Valentim de Carvalho).


FOLHEAR - Foi preciso folhear com atenção a Monocle de Abril para descobrir uma marca de armações de óculos portuguesa exemplarmente desenhada - Paulino Spectacles, criada por Ramiro Pereira, e fabricada à mão em Portugal. Outra referência lusitana na mesma edição vai para o restaurante Can The Can, no Terreiro do Paço, onde se criam delícias a partir de conservas portuguesas, um projecto de Rui Pragal da Cunha que foi buscar o nome de uma canção de Suzi Quatro, a rainha do Glam Rock, para designar a casa. Logo por acaso o Can the Can está na mesma edição em que a Monocle fala do St John em Londres, do Vivant Table em Paris ou do célebre Noma em Copenhaga - isto além de um completo guia de viagem a Tanger. Mas a história mais deliciosa desta edição da Monocle é sobre o grande negócio que representa para os museus a venda de postais com reproduções de obras das suas exposições.O Nezu, um dos mais célebres museus japoneses, em Tóquio, recebe 180 000 visitantes por ano e vende cerca de um milhão de postais e o departamento de postais da Tate Modern, de Londres, vende 750.000 libras de postais por ano a 65 pence cada um, todos cuidadosamente impressos em  papel de 330 gramas. O mais vendido é o que reproduz uma obra de Salvador Dali e outro, de Roy Lichtenstein, segue a curta distância.


PROVAR - Mercearia do Peixe é um nome invulgar para um restaurante, mas ele funciona bem - e se o peixe é fresco e bem grelhado a carne não lhe fica atrás. Aqui exercem com perfeição o exercício dos bons grelhados, feitos a partir de boa matéria prima, seja tirada do mar, seja crescida em terra como um belo naco de boa carne. O serviço é simpático e eficiente, a sala é ampla com uma boa esplanada (agora coberta) que quando chegar finalmente o bom tempo deve ser bem agradável. Este é um daqueles restaurantes onde os preços são comedidos sem que isso signifique sacrifício na qualidade. Fica em Caxias, por trás do Jardim da Cascata Real, na Avenida António Florêncio dos Santos 7, telefone 214 420 678.


GOSTO- A editora portuguesa Planeta Tangerina foi considerada a melhor da Europa em livros para a infância

NÂO GOSTO - As fraudes em reformas e em subsídios da segurança social atingem cerca de cinco mil milhões de euros

BACK TO BASICS - Governo e sorte são necessários à vida, mas apenas um louco confia plenamente no Governo e na sorte - P.J. O’ Rourke


(Publicado no Jornal de Negócios de 5 de Abril)


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