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IMPOSTOS – Há uns meses recebi a indicação de que o fisco tinha a intenção de me penhorar por uma pequena dívida atrasada; feito o pagamento, julguei que estaria tudo resolvido. Pois esta semana a Directora Financeira da empresa onde trabalho veio dizer-me, com um ar um pouco pesaroso, que tinha recebido uma notificação do fisco para me penhorar o salário por dívidas fiscais que, verifiquei depois, eram daquela verba que já estava paga – fui conferir, o número do processo era o mesmo, a quantia era a mesma, tinha o comprovativo do pagamento, no site das Finanças o Fisco assegura-me que eu não lhe devo nada – mas mesmo assim há alguém na máquina fiscal que me quer penhorar o ordenado por algo que já está pago. Como há-de uma pessoa gostar deste Estado malfeitor ou acreditar na eficiência dos serviços? 

 


 


ROSETA – Helena Roseta decidiu deixar de continuar independente, e voltou a estar numa lista do PS. Já é público que, mais do que questões de princípio, o que Helena Roseta pretendeu garantir foram questões de poder – lugares e posicionamento nas listas, competências eventualmente a assumir. É legítimo verificar que o eventual apoio dela a António Costa não foi desinteressado, movido por um desejo de eventualmente contribuir para o resultado eleitoral, mas apenas para garantir a sua sobrevivência política dando-lhe palco e notoriedade. A notoriedade está conseguida com o segundo lugar da lista – é uma vitória para Roseta e uma considerável derrota para Manuel Salgado, sinal de alguma desagregação entre o núcleo duro de António Costa. É sempre difícil avaliar num cenário de compromissos eleitorais como reagirá o eleitorado que anteriormente votou, na prática, contra os partidos, acreditando então na bondade da ideia da independência que agora se desmorona. Será curioso ver qual a mais valia real que Roseta traz a Costa – até porque quando a campanha começar há-de ser natural que se recorde como a experiência dela enquanto Presidente da Câmara de Cascais foi um enorme falhanço. Na realidade, em matéria autárquica, estes dois anos de Lisboa incluídos, o currículo de Helena Roseta está longe de ser uma mais valia. 

 


 


ASAE – Agora que a inconstitucionalidade da ASAE está cada vez mais a ser posta em causa conviria ver se o mesmo não se passa por exemplo em relação aos poderes atribuídos à EMEL, essa vergonha de Lisboa, da responsabilidade de vários executivos camarários. Além das dúvidas sobre a legalidade de actuação da EMEL, o seu relacionamento com os munícipes e a forma como responde a reclamações é um exemplo de más práticas e de prepotência. Pôr a EMEL na ordem devia ser uma prioridade para quem quer que ganhe as próximas eleições.


 


REPÚBLICA – Continuo sem perceber porque é que as comemorações do centenário da implantação da República são o pretexto para algumas das malfeitorias que se querem fazer em Lisboa, a começar pelo Terreiro do Paço. Por mais que me esforce não vejo porque se quer apressar tudo para celebrar um século de um regime que, em mais de metade do tempo, foi preenchido por ditaduras e autoritarismos diversos, e que, no geral, tem como cartão de visita o agravar da corrupção. 

 


 


LER – Já muita gente falou disto, mas o novo livro de José Eduardo Agualusa merece elogios – na forma, na história e no conteúdo. A proposta é uma aventura passada numa Luanda situada no futuro, num país onde os interesses do Estado se confundem com interesses particulares, no meio de arranha-céus desertificados, com estrelas pop pelo meio e tráficos diversos por pano de fundo. Em conversa, recente, Fernando Sobral dizia-me que o livro tinha pontos que fazia pensar um «Blade Runner» passado em Luanda, e tem razão na analogia. Mas a escrita compassada de Agualusa ultrapassa esse enquadramento e faz um retrato do que é Angola, falando no futuro mas fazendo-nos constantemente pensar no presente. Essa dualidade, entre os tempos da acção e a realidade da nossa percepção, é um dos encantos maiores de um livro que confirma o autor como um dos grandes escritores da língua portuguesa. (Edição Dom Quixote, 342 páginas). 

 


 


VER – Aqui há uns anos, quando dirigi o canal 2: na RTP, cheguei a seguir uma proposta de um documentário sobre o papel precursor dos portugueses na globalização. A proposta era de um historiador inglês e baseava-se em investigações e ensaios universitários, então recentes. Não havia orçamento, a produção não avançou. Não é por isso de estranhar que a ideia da exposição «Encompassing The Globe – Portugal e o Mundo nos séculos XVI e XVII» tenha partido de um norte-americano, Jay Levinson, que criou o conceito da exposição e a concretizou no Smithsonian, em Washington. Desenganem-se pois os que julgam que a exposição foi criada por iniciativa portuguesa – nada disso é verdade; mas é verdade que o facto de investigadores internacionais se preocuparem mais com a nossa história e património que nós próprios é uma prova de que, na realidade, tivemos um papel globalizante em determinada altura da História. Dito isto ainda bem que a exposição veio a Portugal, embora em versão mais reduzida que a original, ficando no Museu Nacional de Arte Antiga até 11 de Outubro. 

 


 


OUVIR – Nestas tardes de Verão, quando se chega a casa, enquanto o sol se põe, proponho que ouçam o novo disco dos Nouvelle Vague, «NV3», o terceiro álbum desta banda de origem francesa que foi buscar o seu nome ao universo do cinema francês dos anos 60. Filmes à parte os Nouvelle Vague têm no seu repertório temas marcantes como «This Is Not A Love Song» e uma série de versões de temas bem conhecidos dos Dead Kennedys, Billy Idol, Clash, Bauhaus ou Depeche Mode (com quem eram supostos ter partilhado o palco do Super Bock- Super Rock no Porto). No novo álbum surgem participações de Martin Gore dos Depeche Mode, de Ian McCulloch dos Echo And The Bunnymen e Terry Hall dos Specials. No disco, para além de vários originais, há versões envolventes de temas como «Master And Servant», «Road To Nowhere», «Parade» ou «Our Lips Are Sealed», entre outros. Em comparação com os anteriores o ambiente é, digamos, menos bossa nova e mais rock, por vezes com clara inspiração na «country» norte-americana. Não torçam o nariz, o disco vale a pena mesmo. 

 


 


BACK TO BASICS -   O objecto principal da política é criar a amizade entre membros da cidade - Aristóteles 

 

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publicado às 17:31

COSTA - A campanha eleitoral de António Costa já começou, com uns cartazes que dizem «Arrumámos, a Casa». O meu palpite é que eles devem ser dirigidos para quem vive fora de Lisboa e está de passagem na Capital – é que quem cá vive fica com os cabelos em pé com estes dois anos de Costa – ruas mais sujas, cidade mais esburacada, trânsito ainda mais caótico. Na verdade o mandato de Costa é feito de desarrumação, a cidade está pior e não há obra feita nem rasto de inovação. Até na relação com o Governo a Capital está a perder – vejam-se as tropelias feitas na zona ribeirinha. António Costa na Câmara pode servir bem os interesses do Governo, mas é seguro que tem feito muito pouco por Lisboa. 

 


 


ASAE - Depois de meses de acalmia a ASAE voltou a fazer das suas, desta feita em Serralves. O motivo foi a apreensão de jóias de novos desenhadores, que estavam expostas na loja do museu – as jóias, de prata não tinham o contraste de Lei e a apreensão terá sido feita por denúncia. Independentemente da questão do contraste, a verdade é que tudo isto se baseia numa Lei com décadas, em grande parte hoje em dia contrária ao Direito Comunitário, e que proíbe a venda de jóias ou peças de metais preciosos, mesmo contrastadas, fora de ourivesarias. É por isso que algumas lojas de grandes marcas internacionais não podem vender nas suas lojas peças contrastadas, de ouro ou prata, mesmo que inteiramente legais e é por isso que elas são seladas pela ASAE – que depois demora infindáveis meses a resolver o processo, criando grandes prejuízos. Mas como se sabe a missão da ASAE é criar dificuldades e prejuízos em diversas áreas da actividade económica – a novidade é que agora invadiu a esfera das artes e da criatividade (esta ida à Fundação do Porto foi a segunda num espaço de pouco tempo já que os diligentes agentes da ASAE andaram por lá no dia da Festa anual de Serralves a ver se se fumava ….). O exagero tira a razão – e a falta de bom senso é o grande pecado da ASAE. 

 


 


LER – A edição de Julho/Agosto da revista internacional «Monocle» devia ser lida por todos os candidatos autárquicos de grandes e médias cidades. É o número anual que faz o ponto de situação dos locais com melhor qualidade de vida, ordena as cidades com base nesse critério e tem uma série de artigos, opiniões e sugestões de especialistas de diversas áreas, do urbanismo ao comércio e indústria, passando pela música ou a animação de rua. No índex anual das 25 melhores cidades para viver Lisboa caíu para a última posição, o que não é estranho se percebermos como a cidade tem ficado mais caótica nestes últimos tempos. Ao longo das páginas descobrem-se evidências há muito esquecidas em Portugal – a importância do comércio de rua, de as cidades acolherem pequenas indústrias, artesanatos, de privilegiarem a recuperação em vez da nova construção, de dignificarem e aproveitarem os espaços ao ar livre. Todo um programa de bom senso. 

 


 


 


OUVIR – Bem Harper faz quarenta anos em Outubro próximo e este seu novo disco, «White Lies For Dark Times» é o seu trabalho mais maduro, surpreendente e conseguido – e absolutamente nada chato. Com uma enorme influência dos blues, apresentando em  estreia a banda texana Relentless 7 ao lado de Harper, a produção garante sólidas e frescas sonoridades. Na realidade este é um Ben Harper para quem gosta de rock, nalguns momentos com citações que parecem pescadas de Jimi Hendrix ou de Neil Young, um disco bem ritmado, a fugir a alguma monotonia demasiado presente em outros trabalhos recentes do cantor. Mas além das influências bluesy, aqui também se percebe como Ben Harper gosta de se inspirar na folk music ou no funk. Um discão. 

 


 


IR – O Estoril Jazz 2009 termina este fim de semana. Hoje, sexta dia 3, é a vez do quarteto do saxofonista David Murray; amanhã, sábado dia 4, a homenagem a Charly Mingus pelo septeto Mingus Dinasty; e  Domingo, dia 5, toca o quinteto do contrabaixista Christian McBride – sexta e sábado às 21h30, Domingo às 19h00, sempre no Centro de Congressos do Estoril, no Festival que regularmente proporciona alguns dos melhores concertos de jazz que por cá se podem ver ao longo do ano. 

 


 


DESCOBRIR – O Douro é certamente das regiões de Portugal onde vale a pena voltar sempre. Nos últimos anos as transformações, para melhor, são grandes – desde as grandes vinhas até aos museus locais, passando pela recuperação dos passeios de barco e, sobretudo por uma oferta de hotelaria e restauração que colocam a zona, em termos de qualidade, entre as melhores do país. Vem isto a propósito daquele que hoje em dia é certamente um dos melhores restaurantes de Portugal, quer em termos de espaço, quer de serviço, quer de qualidade e confecção da comida. Trata-se do DOC, situado precisamente no Douro, a meio caminho entre a Régua e o Pinhão, precisamente em Folgosa. Comecemos pelo local – construído em cima do rio, num edifício concebido para o efeito, com uma esplanada fabulosa, uma sala espaçosa, boas mesas, confortáveis cadeiras, um ecrã que mostra o que se passa dentro da cozinha. Depois, o serviço – eficaz, simpático, atento, bom conhecimento da carta, conselhos acertados e não especulativos sobre vinhos. Finalmente a comida – múltiplas escolhas, comida de inspiração regional com um toque de frescura, muito boa qualidade dos produtos, confecção absolutamente impecável, quer nos peixes, quer nas carnes. Destaques, nas entradas, para as chamuças de moura e de alheira, nos peixes para os milhos de moluscos com algas do mar e rodovalho e o cherne com ratatouille de legumes, e nas carnes para as propostas de porco bísaro, cordeiro e cabritinho. Há a possibilidade de Menu Degustação. A responsabilidade de tudo correr assim é do proprietário e Chefe, Rui Paula, que trabalhou alguns anos em Londres e que tem um belo livro editado, «Uma Cozinha no Douro». O preço é alto, mas aceitável para a qualidade. É uma pena que em Lisboa, numa cidade á beira de um rio, não exista um restaurante assim, quer em conforto, quer em qaulidade. Uma experiência absolutamente a reter. Podem antever o DOC em www.restaurantedoc.com , reservas (absolutamente indispensáveis) para o telefone 254 858 123 ou 919 314 395. 

 


 


PROVAR – Bebida do verão, a meio da tarde – um Nespresso Lungo em copo largo, com três pedras de gelo. Delicioso. 

 


 


BACK TO BASICS -   Homens de bom senso aprendem sempre alguma coisa com os seus inimigos – Aristófanes. 

 

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publicado às 10:48

QUEDA LIVRE – Há coisas que um ex-Presidente da República não tinha necessidade de fazer. O artigo de Mário Soares desta semana sobre a comunicação de Cavaco Silva é uma dessas coisas. Soares nunca aceitou a derrota nas urnas, acha-se de uma elite política superior às escolhas do voto e bem que podia remeter-se ao silêncio, quer neste caso, quer nos apoios a Hugo Chávez. E o remeter-se ao silêncio significava ter o bom senso de não fazer as patéticas «Conversas de Mário Soares» nem o lamentável «O Caminho Faz-se Caminhando», com Clara Ferreira Alves, ambos na RTP. Isto não é serviço público, é frete político (saudosista ainda por cima) – vai uma enorme diferença. 

 


 


EFEITOS DO CALOR – « Depois de ter proibido as massagens, o comandante da zona marítima do Algarve, Reis Águas, resolveu proibir a distribuição de maçãs nas praias algarvias por considerar que esta acção seria apenas pura publicidade. A Associação de Produtores de Maça de Alcobaça pretendia distribuir as maçãs gratuitamente, como o fez em 2007, nas praias entre Aveiro e Lisboa. O presidente da Associação de Produtores, Jorge Soares, defende-se, dizendo que o objectivo da acção era o de sensibilizar para os benefícios de comer maçãs. Algumas capitanias proibiram a distribuição deste fruto, alegando tratar-se de publicidade que sujaria as praias. O Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Manuel Carrageta, não consegue entender tal proibição. Esta acção, um projecto em parceria com a Comissão Europeia, e o ministério da agricultura, que tinha como objectivo combater a obesidade não vai poder acontecer, ao contrário do que tem acontecido noutros anos.» (à excepção do título, integralmente citado da minha fonte de notícias em férias, www.tsf.pt ).


 


SUGESTÃO – Que O Sr. Reis Águas se junte ao Sr. Nunes da ASAE e vão os dois de viagem para Marte – a coisa lá parece carecer de regulação…


 


CTT – Descobri esta semana que a minha correspondência andava a ser entregue há quase dois meses na casa de um vizinho, da mesma rua. O nome da casa é parecido, os nomes dos endereços não têm nada a ver. Na realidade os carteiros já não são o que eram, os CTT já nem cartas conseguem entregar aos seus destinatários. Não sei que formação dão aos carteiros, não sei se quando começam uma ronda nova lhes explicam onde ficam as ruas e as casas das ruas sem numeração, a verdade é que a situação me provocou vários prejuízos. E, agora pergunto eu, se os CTT não servem para entregar correio, para que servem afinal? Tenho impressão que os novos negócios dos velhos correios atingiram o «core business» da empresa… 

 


 


LER – Tenho um especial gosto por aquelas editoras que se dedicam a fazer livros que de outra maneira não iria apanhar. Entre elas está a Tinta da China (www.tintadachina.pt), que tem vindo a publicar uma deliciosa colecção de clássicos mal conhecidos, com cuidados na apresentação – capa dura, bom formato, bom papel. A minha leitura destes dias tem sido o delicioso «Dicionário do Diabo» de Ambrose Bierce, um jornalista norte-americano que fez fama com uma coluna num jornal do final do século XIX. Cujos excertos são aqui compilados. Ao contrário do que o título sugere, esta não é uma elegia a Belzebu, apenas um constatar de factos correntes, a maioria actualíssimos e justíssimos. Imperdível o prefácio de Pedro Mexia. 

 


 


OUVIR – Vladimir Horowitz deu o seu derradeiro recital público em Hamburgo, a 21 de Junho de 1987. Tocou Schubert, Schumann, Chopin, Liszt e Mozart. Tinha, nessa data, 83 anos. O recital foi gravado para a rádio NDR Kultur e a Deustche Grammophon fez agora a primeira edição desse registo, uma mostra da capacidade de interpretação e do génio de Horowitz, da sua enorma capac idade de comunicar através da música. CD «Horowitz in Hamburg – The Last Concert», edição disponível na FNAC. 

 


 


VER – Duas sugestões de fotografia, uma a sul e outra a norte. Comecemos pelo sul, Évora, no Palácio da Inquisição., a exposição «Antologia Experimental» de José Manuel Rodrigues, até 30 de Agosto. No Porto, em Serralves, David Goldblatt, um dos maiores nomes da fotografia contem porânea, até 12 de Outubro. Para aguçarem o apetite vejam o blog de Alexandre Pomar (http://alexandrepomar.typepad.com ), imprescindível para seguir fotografia em Portugal, e visitem www.davidgoldblatt.com .


 


DESCOBRIR – Se está de férias e quer descobrir o que se passa de relevante no mundo sugiro em vez de ver os seus emails no computador, visite alguns sites bem interessantes. Para saber as últimas da tecnologiia nada como o www.wired.com . Se quiser saber o que se passa no mundo a boa solução é www.time.com, e ainda pode espreitar as diversas edições da revista no planeta. Se quiser saber o que se passa em Portugal experimente os novos site da TSF, www.tsf.pt , ou então o nosso sempre estimável www.sapo.pt . Se quiser mesmo manter-se em dia sobre o estado da economia, já sabe: www.negocios.pt . 

 


 


 


 


PETISCAR – Setúbal é uma cidade conhecida pela qualidade do seu peixe. Se quiserem experimentar um restaurante onde a matéria prima é fresquíssima, os preços razoáveis, a garrafeira com bons vinhos da região, visitem o «Poço das Fontainhas» e peçam à D.Ana, sempre a circular entre as mesas, sugestões para o que hão-de comer, desde raia à moda do mar até aos salmonetes à setubalense. Vão ver que não se arrependem. Rua das Fontainhas 98, Setúbal, telef 265 534 807. 

 


 


BACK TO BASICS – A política é uma luta por interesses, disfarçada  de disputa por princípios – Ambrose Bierce. 

 

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publicado às 15:50

ASAE I – Gostava de saber em que vão ficar as dúvidas sobre a constitucionalidade da ASAE, levantadas por alguns distintos Constitucionalistas. A quem cabe promover o esclarecimento das dúvidas? Irá o Presidente da República averiguar o que se passa? Irá o Tribunal Constitucional ter a ousdadia de agir? 

 


 


ASAE II – O inconfundível senhor Nunes, produto acabado do que pode acontecer num Governo de maioria absoluta, continua a fazer das suas: agora a responsável da ASAE no Norte foi levada a abandonar o cargo, por coincidência depois de ter criticado a forma como a ASAE por vezes actua. A ASAE não só actua de forma descricionária (e vamos ver se inconstitucional…), como não tolera discussões nem críticas. O senhor Nunes está cada vez mais parecido com um déspota muito mal iluminado. 

 


 


CRISE I – Primeiro a Europa combateu a produção agrícola nos países periféricos para satisfazer a Alemanha e a França, depois condicionou a pesca para satisfazer os países do Norte. A crise que hoje vivemos é fruto de décadas de políticas erradas dos responsáveis europeus, é fruto da obsessão pela construção de um mega-estado capaz de bater pé a americanos e russos, custasse o que custasse. O custo, vê-se agora, é altíssimo. A guerra fria continua, só que agora as armas são os sempre escalantes juros do Euribor , o preço do petróleo, o estrangulamento das especificidades nacionais. Eu não sou europeísta, eu sou contra o tratado de Lisboa, e tenho muita pena de ser obrigado a aceitá-lo por um Governo que despreza a auscultação da vontade dos seus cidadãos. 

 


 


 


 


 


CRISE II – Os juros do crédito à  habitação subiram a níveis históricos, o preço dos bens de consumo essenciais sobe como nunca nos anos mais recentes, a inflação dispara, o Estado perde receitas fiscais cada dia que passa porque em Espanha as coisas são mais baratas e quem pode vai lá abastecer-se. E é em nome da necessidade da receita fiscal que essa receita vai diminuindo, porque o  consumo está a retrair-se. É em nome da estabilização do deficit que a classe média é sufocada pelo peso do Estado. Nada disto é lógico, nada disto é produtivo, nada disto faz sentido. Vivemos num reino de faz de conta. 

 


 


 


PAÍS – Este país irrita-me, irrita-me muito. No mesmo dia em que a taxa do Euribor passa os 5%, nos restaurantes, à hora do almoço, só se ouve falar de futebol. Todos os jornais têm páginas e páginas sobre o circo do Euro. O ruído do futebol contrasta com o silêncio apurado de Sócrates, encolhido a esperar que a crise seja arredada pelo esférico rolando sobre os relvados da Suiça e Áustria.  

 


 


RESTAURANTES – A Avenida da Liberdade está de repente a ganhar uma enorme vida em matéria de restaurantes. Entre o Zeno e o Ad Lib, aparecem novas propostas. A Brasserie Flo, no Hotel Tivoli, é já um êxito e decididamente o almoço mais empresarial de Lisboa, depois de décadas de prevalência da Varanda do Ritz. Um pouco atrás, no Tivoli Jardim, está o Olivier Avenida, que vai dando que falar E agora o Terraço do Tivoli está para abrir pela mão de Luís Baena. Este é o movimento que me levanta mais dúvidas, nunca comi bem na Quinta de Catralvos, numa me senti lá bem porque o serviço era péssimo. Para mim, Luís Baena é daqueles chefes que se refugia na tecnologia – um dos grandes chefes espanhóis, Santi Santamaría, denunciou há poucos dias o abuso de químicos e aditivos para compor os pratos e preconizou o regresso à pureza das boas matérias primas locais. Até prova em contrário acho que Luís Baena tem mais ego que talento e, absolutamente, tem uma imperdoável falta de atenção ao serviço. Espero que se corrija a tempo de não estragar mais um restaurante. 

 


 


LER – A propósito disto de restaurantes, recomendo vivamente a leitura de «A Ferver – Aventuras e desventuras de um cozinheiro amador», pelo jornalista e escritor americano Bill Buford, o homem que refundou e criou a revista «Granta», célebre publicação dedicada à literatura. Este livro de Buford, nascido em 1954, é como um deliciosa sucessão entre reportagens e short-stories, todas dedicadas à cozinha – desde as peripécias como aprendiz de cozinha num restaura italiano célebre, até à aprendizagem das  massas  frescas italianas, passando pelas dificuldades em aprender a nobre arte dos talhantes. Mais do que isso, quase em cada página encontra-se um conselho, uma sugestão, um truque. Nunca a palavra DELÍCIA se aplicou tão bem a um livro como a este. 

 


 


OUVIR – Na Ópera contemporânea existe uma dupla mágica: Anna Netrebko e Rolando Villazón. Juntos cantaram «La Traviata» em Munique, depois «Roméo et Juliette» em Los Angeles, «Lélisir d’amore» em Viena, «Manon» de novo em Los Angeles. Finalmente, em 2006, interpretaram juntos «La Bohème», primeiro em São Petersburgo e depois em Nova Iorque e finalmente, em 2007, em Munique, onde a ópera foi gravada, quer para disco, quer numa versão de Cinema e noutra de televisão. É a gravação áudio dessa apresentação, com a Orquestra Sinfónica da Rádio da Bavária, dirigida por Bertrand de Billy, que agora é editada pela Deutsche Grammophon, Netrebko é Mimi e Villazón é o poeta Rodolfo. O resultado merece ser descoberto. 

 


 


BACK TO BASICS – «A minha mãe teve algumas dificuldades comigo, mas no fundo acho que gostou de as resolver» - Mark Twain.  

 

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publicado às 13:17

CURIOSIDADE – A frota automóvel do município de Tavira passou a ser abastecida em Espanha porque é mais barato. Quem é que diz que as comparações com Espanha não interessam para nada? 

 


MÉDIA – Recomendo aos governantes que gostam de citar médias europeias que atentem neste subtítulo de capa um jornal desta semana: «os pescadores portugueses pagam taxas mais baixas nas lotas espanholas, recebem mais pelo mesmo peixe e atestam os barcos com combustível mais barato». 

 


 


PONTARIA – Li num jornal da semana passada que os agentes da ASAE foram os que, de entre as várias polícias, maior treino de tiro tiveram nos últimos tempos. Dá que pensar, não é? Será que vão invadir os arraiais de Lisboa com o aparato que costumam utilizar em feiras e mercados? 

 


 


FUTEBOL I – Antes que a palhaçada comece, o melhor é declarar isto desde já: embirro com Scolari, com as espertalhices e teimosias que alarda, com o patriotismo de meia tigela que fomenta, com a maneira como algumas marcas se colam a ele. Por mim passo ao lado de qualquer coisa que tenha o carimbo desse senhor. 

 


 


 


 


FUTEBOL II – Não gosto do espírito de união nacional que a participação da selecção nacional induz. Irrita-me que os responsáveis nacionais usem a selecção e o futebol para terem um interregno nos problemas. Não gosto de pensar que há quem pense que a grandeza do futebol é a solução de todos os problemas do país.  

 


 


ANÁLISE – «O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela – em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade da ironia». Escrito por Fernando Pessoa nos anos 20, imaginem este texto escrito agora e façam as necessárias adaptações às sutuações actuais. 

 


 


LER – Este certeiro e oportuno texto de Fernando Pessoa pertence a uma pequena mas muito interessantes publicação, da Editorial Nova Ática: «O Provincianismo Português», incluindo ainda um outro texto, «O Caso Mental Português . Do mesmo autor e pela mesma editora vale também a pena ler «Um Grande Português ou A Origem do Conto do Vigário». Todos são curtos ensaios originalmente publicados por Pessoa na imprensa da sua época. Ainda um dia destes vou tirar mais umas belas citações destes textos, quer-me parecer. Estes deliciosos livrinhos estão disponíveis no renovado espaço da Livraria Guimarães (Rua da Misericórdia 68, um pouco acima do Teatro da Trindade), onde se conseguem encontrar textos clássicos e algumas edições fundamentais de autores portugueses, uma raridade nos tempos que correm.  

 


 


VER – Ir até Belém e de uma assentada só ver a peça que Pedro Cabrita Reis tem no Mosteiro dos Jerónimos e dar um pulinho ao CCB para ver no Museu Berardo a exposição sobre a obra do arquitecto Le Corbusier.  

 


 


OUVIR AO FIM DA TARDE – O novo volume da série Verve/Remixed, que já vai na quarta compilação. Aqui são revisitados temas como «Cry Me A River» de Dinah Washington, «Gimme Some» e «Take Care Of Business» de Nina Simone, «There Was A Time» de James Brown, «Tea For Two» de Sarah Vaughan, «Bim Bom» de Astrud Gilberto» e «I Get A Kick Out Of You» de Ella Fitzgerald, entre outros. Ao todo doze clássicos reinventados em tantas outras remixes de outros tantos DJ’s. Um disco ideal para acompanhar estes longos fins de tarde, depois do trabalho, já na fase de descontracção. CD Verve/ Universal. 

 


 


OUVIR À  NOITE– A banda sonora do filme «Sex In The City» já está disponível e merece atenção. Mistura sons da cidade de Nova Iorque, entre o rock, o pop e o hip-hop. Destaque para «Labels Of Love» de Fergie, «Mercy» de Duffy, o remix de «The Look Of Love» a partir de uma versão de Nina Simone, uma belíssima canção - «It’s Amazing» - de Jem, uma versão de «How Deep Is Your Love» (um original dos Bee Gees), aqui interpretado por The Bird & The Bee. Há mais Bee Gees numa versão de «How Can You Mend A Broken Heart» por Al Green e Joss Stone e a coisa remata com o sempre brilhante «Walk This Way» dos Aerosmith pelos RUN DMC com a participação dos autores Steve Tyler e Joe Perry. CD Decca/Universal Music.  

 


 


PETISCAR – Pastéis de bacalhau com salada de feijão frade ou outra combinação qualquer de salgados com saladas, de entre as várias que estão disponíveis na «Versailles». Uma maneira fresca de fazer um almoço leve numa sala simpática. Mas além de saladas tem bons pratos do dia e honestíssimos bifes. Às vezes até me esqueço que a Versailles é um muito decente restaurante. Av da República 15ª, quase a chegar ao Saldanha, não é pior marcar mesa ao almoço se quiser mesmo uma refeção como deve ser. Telefone 213546340. 

 


 


BACK TO BASICS - «Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão» - Eça de Queiroz. 

 

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publicado às 13:41

CÍNICOS E CRUÉIS

por falcao, em 26.05.08

(Publicado no diário Meia Hora de 21 de Maio)


Palavra de honra que a culpa não é minha: depois do que aqui escrevi na semana passada, não contava voltar a falar de novo da ASAE e do seu  inexcedível Sr. Nunes. Mas a realidade é que as notícias de vilezas praticadas pela ASAE aparecem a toda a hora e, depois, já se vê, o assunto volta à baila.


No fim de semana surgiram notícias de que a ASAE apreendeu e mandou destruir alimentos que tinham sido oferecidos a Instituições de Solidariedade Social (entre eles lares de terceira idade), apenas baseada no não cumprimento de regras e sem qualquer análise. Soube-se que a ASAE sujeita essas instituições às regras que impõe por todo o lado, sem sequer querer saber se têm condições para fazer o investimento necessário, sem procurar soluções transitórias.


Esta acção da ASAE mostra um organismo dirigido para actuar de forma cruel e desumana, apenas interessada em cumprir objectivos – os tais mapas de objectivos que o Sr. Nunes diz não estarem em vigor.


Este caso de perseguição e ataque a organismos de apoio aos mais carenciados é a peça que faltava para mostrar o processo de deturpação de objectivos que o Sr. Nunes empreendeu na ASAE. Evidentemente é necessário que exista e actue uma entidade que fiscalize condições sanitárias de estabelecimentos e de alimentos, mas ainda é mais necessário que essa entidade tenha bom senso e não tenha uma actuação desproporcionada. A ASAE é forte para com os fracos e fraca para com os fortes. Delicia-se a perseguir quem tem poucos recursos para se defender. É ao mesmo tempo polícia, juiz e carrasco, numa intolerável actuação que ignora as mais elementares regras da sociedade em que vivemos, tendo por cartilha única regulamentos europeus lidos de forma burocrática.


Não sei se José Sócrates e Manuel Pinho já repararam numa coisa: enquanto derem cobertura à forma de actuação da ASAE e ao padrão que o Sr. Nunes lhe imprimiu, para os efeitos práticos são eles próprios que cometem os excessos, os desmandos desumanos e a crueldade que é dificultar o trabalho de organismos de apoio social. É como se fossem eles próprios a deitar fora os alimentos que as populações oferecem a estas instituições ou a mandá-las encerrar sem cuidar de quem lá é assistido. O silêncio que têm sobre esta matéria é de um cruel cinismo e de um intolerável desprezo para quem os elegeu. Espero que do próximo programa eleitoral de Sócrates constem as medidas da ASAE que ele protege. Assim, pelos menos, os eleitores saberão o que os espera. 

 

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publicado às 13:04

A MENTIRA COMO FORMA DE VIDA

por falcao, em 17.05.08

(Publicado no diário Meia Hora de 14 de Maio)

 


Desde há cerca de duas semanas a imprensa vem publicando informações sobre a existência de documentos, oriundos de uma Direcção da ASAE que está na dependência orgânica do seu Presidente, que indicam metas a at9ingir no domínio, exclusivamente, da actividade repressiva daquela organização.


Não voiu aqui perder tempo com o que é evidente: a mentalidade persecutória do Sr. Nunes, a forma como ele sempre quis aparecer, a imagem que promoveu de si próprio: uma pessoa sem escrúpulos, de pensam,ento reduzido, que preferia incentivar acções repressivas em vez das preventivas. O Sr. Nunes, no decurso do último ano, tornou-se o estereotipo da pessoa que mada e quer ser obedecido, que não quer que ordens sejam p3ensadas enm discutidas.


N a edição de sábado o semanário «Expresso» reproduzia um detaslhado documento da ASAE onde todas as metas eram quantificadas: em prisões, encerramentos, multas, todo o arsenal de medidas repressivas. Era uma folha de c+álculko da perseguição.


O Sr. Nunes desde há semanas que anda a desmentir a exist~encia destes dados – ao início dizia que eram fantasia, agora já rectificou a dizer que era um documento de trabalho (apesar de o ficheiro divulgado nãoi ter nenhuma indicação nesse sentido) e, mais cobarde ainda, insinua que o caso não seria da sua responsabilidade mas de um seu subordinado, quando se sabe que a responsabilidade da Direcção que elaborou o documento é dele próprio.


Apesar de esfarrapadas, as tentativas de manipulação dos facytos do Sr. Nunes ainda podia merecer alguma atenção, não fosse a evidência dos últimos meses, as acções que ele tanto propagandeou, em que tanto gosta de aparecer. É que este documento agora divulgado é tão só o complemento das acções que a ASAE tem desenvolvido: de armas na mão invade mercados, encerra fábricas de produtos artesanais e restaurantes, lança o medo, tem por único objectivo reprimir, perseguir castigar. O documento limita-se a colocar isto em papel. E como a acção que o Sr. Nunes tão bem propagandeou corresponde ponto por ponto ao documento, a única conclusão é que os desmentidos que o Sr. Nunes agora faz são uma evidente aldrabice.


O Sr. Nunes não é um cidadão qualquer – é um alto funcionário do Estado. E o Estado não pode ter em lugares de direcção pessoas que têm uma mentalidade repressiva, que usam a mentira quando são descobertos a errar, que persistem a querer esconder a verdade. O Sr. Nunes não tem vergonha – pede para si próprio a tolerância que nunca deu aos outros, que encerrou e perseguiu. O Sr. Nunes é a imagem do poder do Governo Sócrates no seu pior – é um sem vergonha autoritário, abusador e repetidamente enganador, que se recusa a admitir as suas responsabilidades. Ao Primeiro Ministro e ao Ministro Manuel Pinho apenas resta demitir o Sr. Nunes e colocar a ASAE num caminho honesto onde ela nuna esteve. 

 

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ASAE NO SNOB

por falcao, em 12.04.08
A ASAE esteve ontem à noite no Snob e parece que a coisa foi divertida. Vejam como em http://atlantico.blogs.sapo.pt/  . Parece que houve agentes que perderam as estribeiras com os comentários dos jornalistas que habitualmente frequentam este bar...

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publicado às 11:28

TRAPALHADAS E ESPERTALHICES

por falcao, em 10.03.08

MAU - O caso é este: a Polícia Judiciária poucas vezes consegue levar uma investigação complicada a bom porto; as outras polícias patrulham pouco e assobiam para o ar quando vêem alguma coisa que os possa aborrecer; nos últimos anos as polícias e magistrados têm sido utilizados em demasiadas investigações que têm uma matriz política;  os tribunais são lentos, os juízes são polémicos, a justiça é, de uma forma geral, muito ineficaz. O resultado está à vista: criou-se um clima de impunidade, de dissolução da autoridade e a violência generaliza-se. Os crimes violentos recentes podem não estar ligados entre si do ponto de vista objectivo – mas estão obviamente ligados porque se criou a idéia de que o crime não tem castigo. Esse é o grande problema que afecta o Ministério da Justiça e o Ministério da Administração Interna – e enquanto persistir a sensação de que as polícias e instituições judiciais estão mais ocupadas a guerrearem-se umas às outras do que a protegerem os cidadãos hão-de continuar a existir tiroteios e esfaqueamentos. 




ESPERTEZA - Sabidola, sabidola é o sr. Nunes: em vésperas de o Parlamento iniciar a análise de propostas de alterações ao funcionamento da ASAE, eis que desencadeou uma mega-operação de apreensão de alimentos. Ele que andava tão sossegado, resolveu mostrar aos senhores deputados como a ASAE é fundamental para a saúde pública. Por acaso acho que era interessante saber o resultado de análises aos produtos apreendidos – para ver se as apreensões de facto atingem o objectivo desejável ou se servem apenas para fazerem apreensões sonantes em alturas estratégicas e darem nas vistas com o habitual festival mediático que faz parte da impressão digital do sr. Nunes. 




PÉSSIMO - Antes de ser Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva esteve cerca de três anos no Ministério da Educação, primeiro como Secretário de Estado, depois como Ministro, até que Guterres o resolveu passar para a Cultura. Em nenhum dos lugares se notabilizou pelo brilho das reformas ou pela eficácia da acção. Uma das suas Secretárias de Estado na 5 de Outubro foi Ana Benavente, hoje feroz crítica da actual Ministra, Maria de Lourdes Rodrigues. Por curiosidade, o actual Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, desancou recentemente a acção do Ministério da Educação, ao tempo em que Santos Silva lá estava – e este nem piou. Pois neste extraordinário clima interno do PS em relação à educação, eis que Santos Silva abriu a boca pela primeira vez sobre o tema, apenas para fazer notar como o deputado Pedro Duarte do PSD não estava em sintonia com o seu Grupo Parlamentar em matéria de avaliação da política educativa. Que se poderá chamar a isto? 




PROBLEMA - Nos últimos tempos os autocarros da Carris andam cada vez piores em matéria de comportamento de trânsito. Atravessam-se nos cruzamentos, usam pouco os indicadores de mudança de direcção, enfim têm a sua quota parte de infracções. Seria boa idéia, que à semelhança de outras empresas, a Carris tivesse na traseira dos seus autocarros a indicação de um número de telefone para o qual se pudessem fazer reclamações sobre a falta de profissionalismo dos seus condutores, com o auxílio de um número identificativo de cada veículo. 




REALIDADE - No último ano vi menos televisão, vi mais cinema, ouvi mais música, li mais livros, descobri novas revistas. 




LER – Confesso que gosto de ler o Dalai Lama e gostei especialmente de uma sua recente obra, «The Universe In A Single Atom», onde aborda como a ciência e a espiritualidade podem servir o nosso mundo. Neste  livro o Dalai Lama aborda a sua visão de como a ciência e a fé devem trabalhar de mãos dadas para aliviar o sofrimento humano. Fala dos grandes debates, de ligações entre temas de ligações improváveis, como o karma e a evolução. Toda a obra parte de reflexões em torno da citação de um antiqüíssimo texto do budismo: em cada partícula das profundezas do universo, existem vastos oceanos de sistemas do nosso mundo. A partir daí começam as reflexões sobre a importância da ciência, a relatividade e a física quântica, o big bang , a consciência, a ética e a genética, as ligações entre a ciência, espiritualidade e a humanidade. A  edição britânica é da Abacus, tem 230 páginas, é datada de 2006 sobre um original de 2005 e custou 9 libras na Amazon. 




OUVIR – Por ocasião do 50º aniversário do Festival de Jazz de Monterey, realizou-se no dia 23 de Setembro do ano passado um concerto que juntou Terence Blanchard no trompete, Nnenna Freelon na voz, Benny Green no piano, James Moody no sax, Derrick Hodge no baixo e  Kendrick Scott na bateria. Daqui saiu um belíssimo disco, «Live At The 2007 Monterey Jazz Festival», que inclui temas  como «Romance», «Just Squeeze Me (But Please Don's Tease Me». «Monterey Mist», «Time After Time».  Vale bem a pena ouvir. CD Universal. 




IR – Na próxima quinta-feira, dia 13, ao Frágil (Rua da Atalaia 126, Bairro Alto) para uma noite de poesia dedicada a Sophia de Mello Breyner. 




PETISCO – Em matéria de salgadinhos, amor com amor se paga: segui a recomendação de visitar a padaria «Pão Doce», na Duque de Ávila, perto da esquina com a 5 de Outubro. É bom para um almoço ou lanche rápido, tem boas sanduíches carregadas de alface, tomate e cenoura com condutos variados, uns folhados mistos fantásticos que se recomendam, uma bola de carne honesta, empadas e salgados com bom sabor e sobretudo uma enorme escolha de pães para levar para casa. 




BACK TO BASICS – Quando a legislação quer controlar a forma como se pode vender e comprar, os primeiros a serem comprados e a venderem-se são so próprios legisladores – P.J. O’Rourke. 

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publicado às 13:16

...

por falcao, em 07.01.08
MANIFESTO ANTI-NUNES E POR EXTENSO
dedicado ao inspector mor da ASAE
adaptado, com a devida vénia, do original de José de Almada-Negreiros
POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO

BASTA PUM BASTA!
UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM NUNES É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!
ABAIXO A GERAÇÃO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
UMA GERAÇÃO COM UM NUNES A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!
UMA GERAÇÃO COM UM NUNES À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!
O NUNES É UM CIGANO!
O NUNES É MEIO CIGANO!
O NUNES É UM HABILIDOSO!
O NUNES VESTE-SE MAL!
O NUNES USA CEROULAS DE MALHA!
O NUNES ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!
O NUNES É NUNES!
O NUNES É ANTÓNIO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
E O NUNES TEVE CLÁQUE! E O NUNES TEVE PALMAS! E O NUNES AGRADECEU!
O NUNES É UM CIGANÃO!
NÃO É PRECISO IR P'RÓ ROCIO P'RA SE SER UM PANTOMINEIRO, BASTA SER-SE PANTOMINEIRO!
NÃO É PRECISO DISFARÇAR-SE P'RA SE SER SALTEADOR, BASTA APARECER COMO NUNES! BASTA NÃO TER ESCRÚPULOS NEM MORAES, NEM ARTÍSTICOS, NEM HUMANOS! BASTA ANDAR CO'AS MODAS, CO'AS POLÍTICAS E CO'AS OPINIÕES! BASTA USAR O TAL SORRISINHO, BASTA SER MUITO DELICADO E USAR CÔCO E OLHOS MEIGOS! BASTA SER JUDAS! BASTA SER NUNES!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
O NUNES NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE INSPECCIONAM SABEM INSPECCIONAR!
O NUNES É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!
O NUNES É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!
O NUNES EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!
O NUNES NÚ É HORROROSO!
O NUNES CHEIRA MAL DA BOCA!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!
O NUNES É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O NUNES É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!
O NUNES É A VERGONHA PORTUGUEZA! O NUNES É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!
E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O NUNES!
E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO NUNES!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O NUNES NÃO VALE NADA, E QUE NÃO SABE NADA, E QUE NEM É INTELLIGENTE NEM DECENTE, NEM ZERO!
E FIQUE SABENDO O NUNES QUE SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA EM PORTUGAL TODO O MUNDO SABERÁ QUE O AUTOR DOS LUZÍADAS É O NUNES QUE N'UM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA SÓ CONSENTIU A GLÓRIA DO SEU PSEUDÓNIMO CAMÕES.
E FIQUE SABENDO O NUNES QUE SE TODOS FÔSSEM COMO EU, HAVERIA TAES MUNIÇÕES DE MANGUITOS QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR.
MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!
PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!
MORRA O NUNES, MORRA! PIM!

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publicado às 19:21


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