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CARNIDE - No meio das celebrações nacionais dos êxitos da geringonça, em Lisboa, Fernando Medina resolveu eleger como seu inimigo principal uma junta de freguesia que é um dos maiores redutos eleitorais do PCP, Carnide. O episódio dos parquímetros não é um fait-divers, é uma demonstração de poder. António Costa não hostilizaria os seus aliados no Governo, mas Medina teve prazer em humilhar os eleitores de Carnide, mostrando que não se verga. Vai ser curioso ver o reflexo que esta utilização da EMEL tem no desenrolar da campanha autárquica. Eu aposto que vai deixar algumas marcas - até porque a maioria dos lisboetas odeiam a EMEL, a forma como os seus agentes funcionam e a prepotência que a própria empresa simboliza. A EMEL a tratar os lisboetas parece a United Airlines a tratar os seus passageiros. O episódio de Carnide é um sinal da maneira que Medina tem de estar na política e que Lisboa tem conhecido: “quero, posso e mando, faço o que me apetece”. Medina julga-se auto-suficiente e à sua volta alimenta clones de si próprio, É um presidente em regime de substituição que adia anunciar-se candidato para poder fazer campanha todos os dias no exercício das funções. Tenho, para Medina, uma sugestão: proponho que anuncie a sua candidatura à Câmara no jardim de Carnide, junto aos parquímetros que ali impôs - seria um curioso momento, a photo-opportunity ideal para dar sal à desenxabida campanha que se avizinha

 

SEMANADA - A dívida dos hospitais públicos às empresas farmacêuticas cresce ao ritmo de um milhão de euros por dia; 400 mil portugueses entre os 18 e 65 anos sofrem de depressão; a venda de antidepressivos cresceu 32% em cinco anos; mais de 44 mil doentes foram mais de quatro vezes às urgências hospitalares no espaço de um ano; o PS arrisca processos crime por irregularidades nas primárias do partido e António Costa e António José Seguro podem ser constituídos arguidos por financiamento proibido; o propagandeado défice mais pequeno da democracia, 2%, esconde a maior dívida da democracia, de 130% do PIB, que é também a segunda maior da União Europeia e ainda a segunda que mais cresceu na Europa em 2016;  em Fevereiro, face ao mesmo mês do ano passado,  as exportações aumentaram 9% e as importações aumentaram 8,9%, enquanto o défice da balança comercial agravou para 746 milhões de euros; segundo a OCDE a atividade económica em Portugal arrisca uma inversão negativa nos próximos 6 a 9 meses; na resolução das queixas dos consumidores Portugal tem uma demora de cerca de dois anos que não tem par em nenhum outro país europeu; o programa de televisão mais visto na semana passada é o “Pesadelo na Cozinha”, do chef Ljubomir Stanisic, um jugoslavo que veio há anos para Portugal e criou alguns restaurantes de sucesso; segundo o estudo TGI da Marktest em 2016 existiam 4,5 milhões de pessoas que declaravam ter animais de estimação em casa

 

ARCO DA VELHA - Domingo passado a RTP2 emitiu um bom documentário sobre a arte Indonésia, com o título original "For Arts Sake", e que foi traduzido por "A Arte do Saké".

 

 

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FOLHEAR - Fèlix Cucurull, romancista, poeta, ensaísta e tradutor catalão viveu em Portugal, com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, entre 1963 e 1965, tendo colaborado em jornais como o Diário de Notícias e o Diário de Lisboa. Traduziu também diversos autores portugueses para catalão e foi sempre um embaixador e grande defensor da cultura da sua Catalunha. Em 1967, já em Barcelona,  editou uma série de ensaios que escreveu sobre a relação entre Portugal e a Catalunha. Só sete anos depois, em 1974, foi feita a primeira edição em língua portuguesa desta obra, “Dois Povos Ibéricos”. Fèlix Cucurull aborda o que une e separa portugueses e catalães numa série de reflexões em torno das identidades regionais e nacionais. É muito curioso o capítulo dedicado à comparação entre a saudade portuguesa e a enyorança catalã, evocando a propósito o pensamento poético de Teixeira de Pascoais. Na obra Cucurull debruça-se sobre a relação de autores catalães com Portugal, sobre a edição catalã de Os Lusíadas e sobre o sebastianismo e a sua influência no pensamento português. A presente edição da Guerra e Paz reproduz a versão portuguesa de 1975, que inclui o texto “Anotações sobre Portugal”, escrito já depois de 1974 e que traça um retrato sobre Portugal, as suas regiões, cidades, tradições e gentes. É um texto que só por si justifica esta reedição de “Dois Povos Ibéricos”.

 

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VER - Alexandre Conefrey é um artista discreto que deixa a marca do seu talento em desenhos nos quais conjuga uma enorme minúcia com um impacto visual impressionante. Depois de ter estudado no ARCO, em Lisboa, foi bolseiro no Royal College of Arts, em Londres, e o seu trabalho está presente em diversas colecções particulares  e de várias empresas e instituições. As suas obras organizam-se como peças de um puzzle: “uma imagem de nuvens vistas do espaço deu origem a esculturas de pequenas dimensões e estas. por sua vez, passaram a ser os desenhos que constituem a exposição” - escreve Carlos Correia no texto do catálogo de “Peso”, a mostra de novos trabalhos de Conefrey que está na Galeria Belo Galsterer até 25 de Julho e de que aqui se mostra um exemplo (a galeria fica na Rua Castilho 71 r/c). Na Fundação Portuguesa das Comunicações, a Fundação Carmona e Costa apresenta “Terra Incógnita”, a nova exposição de Inez Teixeira, com curadoria de João Silvério. A mostra combina o desenho com a pintura, em três momentos distintos - um de pequenos e inquietantes desenhos de crânios, outra de 23 pinturas de pequenas dimensões sobre papel e uma outra série, de pinturas maiores, também sobre papel, série que dá aliás o título à exposição e revela a artista a explorar uma nova dimensão, porventura mais sombria, do seu trabalho. Até 13 de Maio, na Rua do Instituto Industrial 16.

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OUVIR - “Triplicate”: como o nome indica, é uma dose tripla de música. Trata-se da maior edição de Bob Dylan na sua já longa carreira: um álbum de 3 CD’s, com 30 canções, mais uma vez  amostras do cancioneiro popular norte-americano, revisitações do repertório de Frank Sinatra, saídas do talento de nomes como Irving Berlin, Jerome Kern, Hoagy Carmichael, Richard Rodgers ou Oscar Hammerstein. Depois de “Shadows In The Night” (2015) e de “Fallen Angles” (2016), este “Triplicate” consolida a maior série de edições da carreira de Dylan dedicadas a um mesmo género musical. Se Woody Guthrie foi o inspirador de Dylan quando ele se tornou conhecido, podemos dizer que Sinatra é a referência desta fase da carreira após meio século de música.Não deixa de ser paradoxal que no mesmo ano em que Dylan foi galardoado com o Nobel pelas canções que escreveu, o disco que ele lança, o mais extenso da sua carreira, tenha apenas versões de clássicos que outros escreveram. Como Dylan afirma numa entrevista disponível no seu site, nenhuma destas canções foi alguma vez gravada pelos seus autores originais - um dado que contrasta com aquilo que tornou Dylan conhecido, as suas próprias composições. Enquanto Sinatra trabalhou com arranjos grandiosos e orquestras com uma secção de cordas avassaladora, Dylan ataca todo este repertório com um quinteto onde as cordas da guitarra elétrica de Donnie Herron e o baixo de Tony Garnier se destacam, conseguindo obter a força das orquestrações de Sinatra, como se pode ouvir sobretudo em “September of My Years”. A selecção do repertório de Sinatra é cuidadosa e vai da faixa de abertura “I Guess I’ll Have To Change My Plans” para clássicos como “I Could Have Told You”, “Here’s That Rainy Day” ou ainda “Once Upon A Time”, “Stormy Weather”, “As Time Goes By”, “Sentimental Journey”, “It Gets Lonely Early” e a faixa que escolhe para terminar este triplo CD,  "Why Was I Born," escrita por Kern and Hammerstein in 1929 e que volta  a um tema que nos últimos anos se tornou central para Dylan:  "Why was I born?/Why am I living?/What do I get?/What am I giving?".

 

PROVAR -  Passeando entre as prateleiras de legumes do supermercado do El Corte Inglês descobri salicórnias da Ria Formosa, em pequenas embalagens. A salicórnia, conhecida por sal verde ou espargo do mar, fica muito bem quando é aplicada em saladas ou mesmo sozinha, como aperitivo ou então por cima de fatias de queijo fresco de ovelha acabado de fazer. Confesso que até ao ano passado, quando as descobri e provei pela primeira vez, na Bretanha, ignorava este sabor. A salicórnia nasce e cresce espontaneamente em sapais e salinas e em Portugal pode ser encontrada nos canais da Ria de Aveiro e na Ria Formosa, no Algarve. Dá um toque especial a saladas de tomate ou de alface. Experimentei misturá-la numa salada de alface e dióspiro duro e o resultado foi uma variedade de sabores contrastantes. A salada acompanhou uns estaladiços e saborosos Pastéis de Chaves. Como é Páscoa terminei com uma fatia de folar alentejano, uma massa bem temperada de canela e erva doce, feita em Alcáçovas sob a marca A Padaria do Ernesto e que está à venda na loja Prazeres da Terra, na Praça da Estefânia, de onde são também os Pastéis de Chaves.

 

DIXIT - “É complicado que esta seja uma cidade em que vivem pessoas com ideias fantásticas, e outras com enorme poder, todos a olhar enquanto Olisipo arde e uma paródia dela própria renasce das cinzas” - Lucy Pepper

 

GOSTO - Na comarca do Porto está em teste a substituição de juízes por psicólogos na audição de crianças vítimas de abusos.

 

NÃO GOSTO - A justiça portuguesa está entre as mais lentas da União Europeia e demora em média 710 dias para resolver processos cíveis, comerciais e administrativos nos tribunais de primeira instância.

 

BACK TO BASICS - Olhamos para o presente através de um espelho retrovisor, e assim vamos de marcha-atrás para o futuro - Marshall McLuhan

 

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publicado às 13:30

SOBRE A EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE VER TV

por falcao, em 16.12.16

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TELEVISÃO - Quando olhamos para o panorama da televisão em Portugal, que vemos? - o canal mais visto é a TVI, seguido da SIC a alguma distância e pela RTP1, bastante mais abaixo. Mas se olharmos para o visionamento de televisão o quadro é um bocadinho diferente. De segunda a sexta o conjunto dos canais de acesso livre, fica um pouco acima dos 50 por cento do total da audiência e o cabo e outras formas de televisão (you tube, jogos e, claro, netflix e proximamente Amazon) ficam um pouco abaixo. Mas ao fim de semana, quando as pessoas estão mais tempo em casa e o desporto, sobretudo o futebol, assume maior importância, os canais de acesso livre já ficam abaixo dos 50% e as outras formas de televisão, chamemos-lhes assim, são já, no seu conjunto, maioritárias. Se olharmos para o tempo que os espectadores passam à frente do televisor, desde o início do corrente ano, detectamos uma diminuição, mas sobretudo notamos uma perda nos canais de acesso livre e um incremento nos canais de cabo e nas outras formas de consumo. Nada disto é estranho. No Reino Unido um estudo recente mostra que o número de espectadores que utiliza o aparelho de televisão para ver YouTube duplicou desde o princípio do ano - e as pessoas entre 18 e 34 anos nesse país consomem 45 minutos de YouTube diariamente. À medida que o número de aparelhos de televisão com capacidade de conexão digital aumentar ( e estão a aumentar de forma rápida) a emissão digital vai crescer - o que a médio prazo colocará um dilema significativo aos operadores que apostarem na emissão tradicional. Na televisão o futuro está cheio de novos desafios.

 

SEMANADA - Uma investigação do Observatório Europeu da Droga e da Toxidependência sinaliza um aumento do consumo de ecstasy e indica que a cocaína continua a ser a droga mais consumida em Portugal; o mesmo estudo indica que em Lisboa o consumo destas drogas é maior que em Paris; a Ministra da Justiça admitiu que há prisões onde se regista falta de comida para os detidos; as prisões portuguesas devem sete milhões de euros a fornecedores; 41 euros é quanto custa ao Estado cada preso por dia;  Pedro Dias, o foragido que se entregou em directo à RTP, diz-se inocente e pediu a saída da prisão; Sandra Felgueiras, que se dispôs a acompanhar essa rendição, afirmou que “Pedro Dias é uma pessoa que cria conforto”;  segundo a PJ Pedro Dias é também suspeito de ter roubado antiguidades e obras de arte no Alentejo há quatro anos e algumas dessas peças furtadas foram encontradas na casa do suspeito e de familiares; a Autoridade de Mobilidade e dos Transportes recebeu 4576 queixas de utentes no primeiro semestre, uma grande parte tendo por alvo o Metropolitano de Lisboa; a Gatewit,  uma plataforma que geria compras do Estado, foi impedida de operar. ao fim de váruiosmeses de queixas,  por incumprimento “grave e reiterado”, designadamente a cobrança de serviços que por lei são gratuitos; em Portugal há centros de procriação assistida com ovócitos, espermatozóides e embriões guardados há dez anos, sem serem reclamados; “ Não estou nada arrependido de ter estado na política, mas menos arrependido estou de ter saído” - afirmou Fernando Nogueira numa recente entrevista.

 

ARCO DA VELHA - Rui Rio, putativo candidato à liderança do PSD, propôs a criação de um novo imposto para pagar os juros da dívida pública.

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FOLHEAR - Um dos mais fascinantes livros sobre fotografia que me foi dado descobrir nos últimos tempos foi “Seeing Things - A Kid’s Guide To Looking At Photographs”, de Joel Meyerowitz, um fotógrafo norte-americano, de Nova Iorque, que se destacou por ser um dos precursores de uma utilização criativa da fotografia a cores numa época em que o preto e branco era ainda largamente dominante. Com uma carreira longa de ensino da fotografia, ele é também autor de quase duas dezenas de livros. Agora, para a prestigiada editora norte-americana Aperture ele fez este livro dedicado às crianças. “Escolhi as fotografias deste livro com a esperança de que as coisas que vão descobrir a vê-las possam encorajar-vos a abrir os olhos e a mente para que possam olhar para o mundo à vossa volta de uma nova maneira” - escreve Meyerowitz na introdução ao livro. A primeira fotografia apresentada é de Henri Cartier-Bresson, na Gare de Saint-Lazare, em 1932. E a segunda é uma das imagens mais célebres de uma das referências do autor,  Eugène Atget, o tocador de orgão, de 1890. As imagens escolhidas percorrem mais de um século de fotografia e todas merecem um texto que as enquadra e as analisa, mostrando-as para além das evidências. E isto é o que faz deste livro uma obra não só para crianças mas para todos os que verdadeiramente se interessam por compreender a fotografia. “Seeing Things”, disponível na Amazon, edição original da Aperture. de 2016.

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VER - Para ver, hoje recomendo um documentário feito para televisão há uma década. Esta é uma semana particularmente interessante para trazer aqui esta obra, em paralelo com a cerimónia do Nobel onde Patti Smith, em nome de Bob Dylan, fez uma arrepiante interpretação (disponível no YouTube) de “A Hard Rain’s Gonna Fall”, uma canção de 1962. Realizado por Martin Scorsese, estreado em 2005 na PBS americana e na BBC no Reino Unido, “No Direction Home” retrata a evolução de Bob Dylan, entre 1961 e 1966, de cantor folk para voz de protesto de uma geração de jovens norte-americanos e, finalmente, para uma estrela rock de dimensão mundial. No fundo retrata o nascimento da carreira de Dylan até ao acidente de moto que durante muito tempo o afastou dos palcos. O título é um dos versos de uma das suas canções mais conhecidas, “Like A Rolling Stone”, de 1965. Para assinalar o décimo aniversário da edição original foi agora distribuída, também no mercado português, uma nova edição de um duplo DVD que inclui imagens inéditas, versões originais de entrevistas concedidas aquando das filmagens e outro material raro. Dylan gravou mais de dez horas de entrevista no âmbito da produção, que registou também depoimentos do poeta Allen Ginsberg, de Suze  Rotolo (a namorada Dylan da época, numa das suas raras entrevistas), Joan Baez e Pete Seeger, entre outros. O documentário ganhou uma série de prémios quando foi originalmente exibido e lançado em DVD e é ainda hoje uma obra de referência quando falamos de documentários sobre criadores musicais contemporâneos. “No Direction Home”, 2xDVD Capitol, distribuído em Portugal pela Universal, edição especial disponível na FNAC e El Corte Inglés

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OUVIR - Quando o disco começa e se ouvem os versos “Tristeza não tem fim/ Felicidade sim”, percebe-se que há aqui qualquer coisa de diferente. Estes versos fazem parte de “A Felicidade”, um dos grandes êxitos de Tom Jobin, em parceria com Vinicius de Moraes, que aqui surge cantado pela portuguesa Carminho, um dos nomes do Fado da nova geração. Atrever-se a fazer um disco baseado em canções de Jobin é uma aventura, ainda para mais quando conta com duetos com Marisa Monte, Chico Buarque e Maria Bethânia. A direcção musical de "Carminho canta Tom Jobin" e os arranjos foram de Paulo Jobim e o acompanhamento foi da Banda Nova, onde além de Paulo e Daniel Jobin estão Jaques Morelenbaum e Paulo Braga. O que é surpreendente neste disco é que Carminho recusa abrasileirar-se e canta no seu estilo próprio, uma opção inteligente que ao princípio parece estranha mas depois se compreende. A sua interpretação é foneticamente tão diferente, que, por exemplo, no dueto com Chico Buarque em  “Falando de Amor”, o contraste entre os dois intérpretes se torna num desafio atraente. Para mim a interpretação de “Wave - Fundamental é mesmo o amor/É Impossível ser feliz sozinho” com letra e música de Tom Jobin, é talvez o momento mais alto do disco, logo seguido de “Retrato em Branco e Preto”. 

 

PROVAR -  A Tasca do João é um daqueles clássicos lisboetas que nunca engana. Existe há muitos anos, já mudou de localização várias vezes, sempre na Rua do Lumiar. A casa tem origens nortenhas, que se notam na ementa e no apuro da cozinha. Há pratos clássicos, como a posta mirandesa, temperada como manda a tradição, grelhada na brasa, acompanhada de batatas a murro e feijão verde, ou os lombinhos de porco preto na grelha, ou então, mediante encomenda, o coelho bravo à caçador, a feijoada de lebre, o cozido minhoto ou o arroz de cabidela de galo. A atestar a origem minhota destaque, na época adequada, para uma das melhores lampreias de Lisboa. Do couvert fazem parte umas boas azeitonas, fatias de lombo fumado, em pão de milho, e pataniscas de bacalhau. A casa está sempre cheia, a clientela é fiel, o vinho da verde da casa é servido em jarros e malgas e a carta de bebidas tem boas surpresas como o Bafarela, do Douro, que acompanhou bem a posta à mirandesa - atenção que duas doses dão à vontade para três comilões. Nesta altura do ano,entre as sobremesas, destaque para o marmelo cozido. Rua do Lumiar 122, telefone 217 590 311

 

DIXIT -  “Nunca tinha tido oportunidade de colocar a mim mesmo esta questão: será que as minhas canções são literatura?” - Bob Dylan, no discurso enviado à Academia Sueca a propósito da atribuição do Nobel.

 

GOSTO - Artur Anselmo, Presidente da Academia das Ciências, defende que em relação ao acordo ortográfico “o normal é o respeito pelas ortografias nacionais”.

 

NÃO GOSTO - As empresas públicas de transportes têm um passivo que já ultrapassa os 20 mil milhões de euros

 

BACK TO BASICS - A diplomacia é a arte de se ir dizendo “cãozinho lindo” até se encontrar uma pedra para lhe atirar - Will Rogers

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publicado às 14:00

ISTO ANDA TUDO TAXADO

por falcao, em 14.10.16

CRESCIMENTOS - Nisto dos impostos não há santos - há gaspares, há centenos, muda o nome mas os aumentos continuam sempre. E porque continuam? Porque, por melhores que sejam as intenções do LABX e de Maria Manuel Leitão Marques, o Estado age como um parasita voraz que se alimenta do que está à sua volta. Não se reforma porque nenhum dos partidos da bipolarização, PS e PSD, tem coragem para diminuir os custos de uma máquina mastodôntica, tão numerosa que os votos dos seus funcionários são decisivos para quem quiser alcançar o poder. Com gastos e mais gastos a solução é cobrar mais e mais, cobrar sempre mais impostos, taxas, inventar todas as formas possíveis para captar mais receitas. De um lado do parlamento tapa-se o olho esquerdo na altura de governar, do outro tapa-se o olho direito. Daqui resulta um pingue-pongue de anulação de medidas na altura da alternância de poder, modificações cujos custos são igualmente penosos. O mais dramático de tudo é que este estado de coisas conduz a que, para disfarçar as contas, o Estado vai atrasando pagamentos, deixa faltar material nos hospitais, pessoas na educação e reparações e manutenção nos transportes. Quem governa o Estado com base no aumento da despesa - como acontece actualmente - está a ser o coveiro das áreas onde o Estado efectivamente faz falta. Estamos naquele momento triste em que em vez de discutir como fazer crescer a economia se discute como fazer crescer os impostos. Quando a coisa chega a este ponto é muito mau sinal.

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SEMANADA - O número de portugueses que lêem notícias em meios online já ultrapassa os cinco milhões; segundo o Bareme Internet, da Marktest, 94% dos internautas nacionais já usa a Internet para aceder a serviços de informação, havendo 90% que o faz para ler notícias, 75% para ver vídeos online e 30% para consultar blogues; um estudo da Anacom revela que apenas 17,6% das residências portuguesas utilizam em exclusivo a TDT para ver televisão; entre o último Censo (2011) e 2015 as estimativas do INE  apontam para uma diminuição de 220 848 indivíduos em Portugal; actualmente, 14.1% da população tem menos de 15 anos, 10.7% tem entre 15 e 24 anos, 54.5% tem entre 25 e 64 anos e 20.7% tem 65 ou mais anos; este grupo de população mais idosa foi também aquele que viu o seu peso aumentar mais nos últimos anos, passando de 13.6% em 1991 para os 20.7% agora registados, um acréscimo de 798 mil indivíduos nesta faixa etária; o número de eleitores registados em Lisboa caíu 11,5% entre 2002 e 2015; o PCP chamou a atenção do Ministro da tutela sobre o caos nos transportes de Lisboa e criticou “a acelerada degradação das empresas de transportes”; para memória futura: Câmara de Lisboa espera “um aumento da eficiência e da qualidade” do serviço depois da municipalização da Carris; no Parlamento o Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, que tutela os transportes, falando sobre a  falha recente de fornecimento de bilhetes em Lisboa, disse que foi um “azar”.

 

ARCO DA VELHA - Por mais que custe a crer o novo livro de José Sócrates tem por título  “O Dom Profano - Considerações sobre o Carisma”. Deverá ser publicado no fim do mês.

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FOLHEAR - A “Elsewhere” é uma pequena publicação, editada duas vezes por ano, a partir de Berlim, que se insere na linha das novas revistas de nicho, com enorme cuidado gráfico e que partem de ideias editoriais invulgares. “Elsewhere, A Journal Of Place”, assim se chama a revista, apresenta-se como uma publicação “dedicada à escrita e às artes visuais que explora a ideia do lugar em todas as suas formas, quer sejam cidades, bairros, aldeias, ilhas, as comunidades que lá existem, o mundo como o vemos ou as paisagens que imaginamos” . Seria abusivo dizer-se que a Elsewhere é uma publicação de viagens - e acho mais correcto apresentá-la como um lugar onde se revelam as sensações que as descobertas realizadas em viagem nos proporcionam. Cada número tem um tema central - neste, o quarto volume, o tema é a cartografia. E, depois, há ideias sobre Londres, Praga, e pequenos locais na Moldávia, Austrália, Hawai, Gales e na nossa Madeira. - no caso os faróis da Madeira, a começar pelo da Ponta do Pargo. As ilustrações são o prato forte da parte gráfica, mas em cada número existe também um portfolio fotográfico. Se quiserem saber mais visitem www.elsewhere-journal.com .

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VER - Noé Sendas não esconde a influência do surrealismo nas suas obras, na concepção das fotografias que encena e manipula e, posteriormente, na forma como as expõe, não apenas numa apresentação, mas numa instalação que quer dialogar com o espaço e as pessoas que forem ver os seus trabalhos. Este cuidado colocado na conceptualização da exposição (na imagem) é muito patente em “Significant Others”, que está na Galeria Carlos Carvalho (Rua Joly Braga Santos, à Estrada da Luz). O próprio autor, em entrevista recente, sublinhou que “esta exposição não é uma exposição de fotografia, mas sim um Set,  um carrocel, uma instalação de pequenas esculturas 3D” . Nestes trabalhos é impossível não notar as referências a Man Ray. Nascido na Bélgica, com ligações a Portugal, e a viver preponderantemente em Berlim, Noé Sendas fotografa recorrentemente a sua própria imaginação e a imagem que idealiza dos corpos. Outras sugestões: no Museu Gulbenkian a exposição “Luanda, Los Angeles, Lisboa”, de um dos mais importantes artistas angolanos, e que tem um belíssimo catálogo; e na Chiado 8 mais uma apresentação de trabalhos da Colecção Cachola, desta vez obras de Rui Chafes e Carla Filipe.

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OUVIR - O mais recente trabalho de Rodrigo Leão é feito em parceria com o australiano Scott Matthew, chama-se “Life Is Long” e o resultado é muito bom. Matthew, que reside nos Estados Unidos, tem uma carreira começada em 2001, passou por várias bandas e em 2008 começou uma carreira a solo. As 13 canções do disco resultam de uma colaboração entre Rodrigo Leão, que compôs e tocou, e Scott Matthew, que escreveu as letras, desenhou as melodias e cantou. Os dois já tinham feito trabalhos em conjunto desde 2011, duas canções, e a voz grave, serena e melancólica de Scott Matthew parece feita como uma luva para as composições de Rodrigo Leão - o single “That’s Life” é uma boa prova disso mesmo. Rezam as lendas que era Scott ainda adolescente na sua Austrália quando lhe chegou às mãos uma cassette com o tema “O Pastor”, do álbum Existir, dos Madredeus, editado em 1992, e no qual participava ainda Rodrigo Leão. A canção ficou-lhe no ouvido embora não entendesse uma palavra. Muitos anos mais tarde, em 2006, Rodrigo Leão descobriu Matthew nas cinco canções que ele fez para a banda sonora do filme Shortbus, de John  Cameron Mitchell. Uns tempos mais tarde Rodrigo Leão enviou um mail a Matthew propondo-lhe uma colaboração e foi nessa altura que o australiano soube que “O Pastor” tinha tido a mão de Rodrigo Leão. Para encurtar - os dois entenderam-se bem e esta é a terceira vez que colaboram - só que agora é num álbum inteiro, projecto de que andaram a falar uns anos. Aqui estão 13 canções pop, com arranjos orquestrais, a maioria com uma sonoridade marcante e envolvente. Leão e Matthew em breve iniciarão uma digressão em Portugal e Espanha e, no próximo ano, em vários países europeus. Life Is Long, CD Universal/Uguru.

 

PROVAR -  Baseado em muitos conselhos fui conhecer um restaurante italiano lisboeta que entrou nas bocas do mundo neste Verão. Trata-se de L’Artusi, que se reivindica de uma nobre tradição culinária baseada nas 790 receitas compiladas por Pellegrino Artusi em “A Ciência na Cozinha e A Arte de Comer Bem”, publicado no final do século XIX. Ouvi dizer que a casa seguia e honrava o receituário, e lá fui.  Foi num sábado ao almoço, a esplanada quase vazia e, lá dentro, ninguém. Face à ausência de clientes há que reconhecer que o serviço foi impecável de simpatia e disponibilidade. Depois de aperitivar um branco, obviamente italiano, em muito bom estado, seguiu-se a incursão numa das pastas da casa, tidas como um ex-libris - pastas frescas cozinhadas na hora. Escolhi maltagliati com molho rústico, já que infelizmente nesse dia não havia o de anchovas. A massa estava cozida demais e uma pequena parte mostrava sinais de ter ficado agarrada ao tacho na cozedura; o molho estava insípido e nem o pesto que se poderia adicionar salvava o assunto. A salvação, que existiu, veio do vinho, recomendado pelo italiano que governava as operações, um tinto “Piccini”. Para sobremesa um gelado de amaretto, que estava bem. A rematar a casa ofereceu um licor digestivo caseiro, feito na tradição italiana. Resumo - serviço cinco estrelas, cozinha três estrelas, bebidas quatro estrelas. Rua do Mercatudo 4, a Santos, telefone 21 396 9368.

 

DIXIT -   ”Da mesma forma que muitos esquecem que as escolas servem para ensinar alunos e não para empregar professores, no caso dos táxis muitos esquecem-se que eles existem para transportar clientes e não para empregar taxistas” - João Miguel Tavares

 

BOB DYLAN E O NOBEL DE LITERATURA - Agora há-de vir aí muita teoria. Mas uma coisa é certa: desde os anos 60 para cá a poesia vive sobretudo na música popular, assim como o retrato escrito dos tempos que correm e das tensões que atravessam as sociedades.

 

GOSTO - Já começou a época das romãs e dos dióspiros.

 

NÃO GOSTO -  Já começou a época de novos impostos.

 

BACK TO BASICS - A força de um guerreiro não se encontra no ataque, mas sim na resistência - Guilherme Vanin

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publicado às 14:00

VERANEIOS - Confortado pelo título de campeão o país prepara-se para ir de férias. Mas há quem já aparente estar em supimpo descanso: a oposição entrou em modo de pausa entre a bola e as sanções, fazendo piruetas para se livrar das ondas de choque Barroso, e sobretudo sem ser capaz de criar um discurso alternativo ou de marcar a agenda política. Quanto a acções de comunicação, então o caso ainda é pior e o silêncio tem sido ensurdecedor. Pelo seu lado o Governo multiplica-se em actividades de lés a lés, numa roda viva de Ministros que prometem fazer este verão mais digressões que os cantores nas festas populares. António Costa dá o exemplo na iniciativa “Estado da Nação: Prestar Contas”, em que vai directamente falar com os militantes do PS em sessões onde aborda a conjuntura actual, sobretudo das relações com Bruxelas e do espectro das sanções. Enquanto o PS se dedica à política, o PSD dedica-se à politiquice e já abundam relatos de rivalidades na escolha de candidatos a uma série de Câmaras Municipais nas eleições autárquicas do próximo ano. Enquanto isso, assiste-se mais uma vez, por todo o país, ao lamentável espectáculo da proliferação de obras promovidas por autarquias em período pré-eleitoral. Já nem falo do caso de Lisboa, que é particularmente escandaloso. Circulando nas estradas nota-se um regresso da construção de rotundas e de outros devaneios semelhantes. Mais uma vez os grandes ciclos de obras coincidem com a aproximação de eleições autárquicas no mais velho jogo desde que há votos: garantir uma lista de realizações que possam dar a ideia de que alguma coisa mudou. Na maior parte das vezes só muda a paisagem, e nem sempre para melhor. E o objectivo é sempre o mesmo - sacar mais uns votos a incautos.

 

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SEMANADA - Em resposta à decisão do Ecofin, António Costa afirmou que não vão ser tomadas medidas extraordinárias para evitar sanções por défice excessivo; a emissão de dívida portuguesa realizada um dia depois do Ecofin foi feita com juros superiores a 3%, um valor mais alto que em leilões anteriores e o dobro do juro conseguido pela dívida espanhola; o Presidente da CMVM está há dez meses à espera de ser substituído; o Estado já deve 50 milhões de euros à REN por falta de pagamentos para o fundo do de redução da dívida tarifária do sistema eléctrico; o crescimento da economia irlandesa em 2015 passou de uma previsão de 7,8% para 26,3%; o exame de Matemática do 9º ano registou a segunda pior média de sempre, com cerca de 50% dos alunos a terem nota negativa; o preço das casas em Portugal subiu 12,75% desde 2013; os bancos italianos têm o equivalente a duas vezes o valor do PIB português em crédito malparado; no Conselho de Estado, para usar a terminologia do Watergate, houve uma garganta funda que veio contar o que lá se passou; cresceu o número de turistas na margem sul; o submarino português Tridente ficou preso nas redes de um barco de pesca francês em águas britânicas; a agência Bloomberg fez um perfil da dirigente centrista Assunção Cristas, cuja actuação, afirma, está a eclipsar Pedro Passos Coelho; o PCP pediu a demissão da direcção das secretas; os preços em Luanda subiram 31,8% nos últimos 12 meses; 57.386 portugueses emigraram em 2015 para 11 países; o Festival de Locarno vai exibir treze filmes portugueses este ano.

 

ARCO DA VELHA - Apesar das muitas obras por todo o lado, a Câmara Municipal de Lisboa  ainda só removeu amianto em cinco de 42 edifícios municipais referenciados e considerados perigosos para a saúde.

 

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FOLHEAR - Machado de Assis, um dos grandes nomes da literatura brasileira, deixou uma obra extensa em diversos géneros, da poesia aos romances, passando por peças de teatro, crítica literária, mas também crónicas e artigos para jornais, nomeadamente sobre a situação política e social do Brasil entre o fim do Império e o início da República. “Dom Casmurro” agora editado pela Guerra & Paz na sua colecção de clássicos da literatura, foi escrito em 1899, tinha Machado de Assis 50 anos. Este romance é considerado por muitos como uma das suas obras mais marcantes. Como Helder Guégués faz notar na introdução a esta edição, “Dom Casmurro” tem como temática central “a verdade como ela é vista pelo ser humano”. O romance percorre uma história de amor e ciúme, teve adaptações para o cinema e para televisão e caracteriza-se por um fina ironia e diálogos riquíssimos. Dom Casmurro é a alcunha de Bento Santiago, que, já velho, resolve desfiar as suas memórias. Atrevo-me a dizer que Machado de Assis é relativamente pouco conhecido em Portugal e que esta obra é de leitura fundamental - sendo ainda por cima de leitura entusiasmante.

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VER - Esta semana recomendo uma visita ao Museu Calouste Gulbenkian, ao espaço do antigo CAM, agora rebatizado de Colecção Moderna. Lá podem ser vistas duas exposições - “Portugal em Flagrante”, que procura definir um percurso para o século XX através de obras de arte, livros e material documental. Noutro espaço está uma retrospectiva da obra de José Escada, sob o título “eu não evoluo, viajo”. Escada é um dos nomes marcantes das artes plásticas portuguesas. Com Costa Pinheiro, Lourdes Castro, René Bertholo, Gonçalo Duarte, João Vieira, Jan Voss e Christo fundou em Paris o grupo KWY que marcou a década de 60 e esta retrospectiva é uma boa introdução à sua obra e à evolução que foi tendo ao longo dos anos. Na “Portugal em Flagrante” destaque para as obras de nomes como Ana Vidigal ou José Barrias, que tem uma montagem da sua peça “Barragem”, apresentada na Bienal de Paris em 1980, com recurso a fotografia e video (na imagem). No edifício principal está “Linhas do Tempo”, uma exposição que mostra a colecção original comprada por Calouste Gulbenkian, paralelamente a obras compradas pela Fundação desde a sua fundação até agora, num total de 150 peças. Este ciclo de exposições assinala também o início da actividade de Penelope Curtis, a nova responsável pelo Museu. Mudando completamente de cenário recomendo duas exposições de fotografia que podem ser vistas em centros comerciais. No Colombo está “Faces Of The Stars”, do britânico Terry O’Neal - retratos de músicos e actores célebres; e no Fórum da Maia, até 28 de Agosto, está uma retrospectiva da obra do português Alfredo Cunha com 333 fotografias expostas e mais de um milhar projectadas. Repórter fotográfico com décadas de trabalho em vários importantes orgãos de comunicação, nos últimos anos passou a concentrar-se em projectos pessoais onde a sua visão de jornalista se manifesta de forma muito profunda sem condicionalismos de agenda ou de actualidade noticiosa imediata.

 

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OUVIR - Depois de ter gravado um tributo a Frank Sinatra no ano passado (“Shadows In The Night”), Dylan mergulha desta vez no cancioneiro tradicional norte-americano e vai buscar 12 temas como “Young At Heart”, “Skylark”, “All Or Nothing At All”, “It Had To Be You”, “That Old Black Magic” ou “Come Rain Or Come Shine”, entre outros. Os arranjos são simples, a produção - do eterno alter ego de Dylan, Jack Frost - é minimalista e o disco decorre entre um misto de respeito pelos standards aqui interpretados e o desejo de que exista uma subtil marca própria, quanto mais não seja nas vocalizações de Dylan e nos arranjos. Na realidade os arranjos descolam dos originais, muitas vezes num ambiente country acentuado pelas guitarras. O rockabilly ensaiado em “That Old Black Magic” é um dos sinais da originalidade que Dylan procurou mostrar ao atirar-se a clássicos que, no em tempos, foram interpretados por nomes como Ella Fitzgerald ou Sarah Vaughan, por exemplo. Ao contrário do que se pode pensar, Dylan não descobriu os standards agora - em 1970, no álbum “Self Portrait”, aparecia a primeira homenagem à dupla Rogers and Hart, com “Blue Moon”. Bob DylanFallen Angels, CD Columbia.

 

PROVAR - Já tinha ouvido falar  do LOB Deli Takeway, uma casa especializada em petiscos feitos a partir de marisco. Tinha provado um belíssimo creme aveludado de ameijoas e tinha ouvido falar das extravagâncias com lagosta e lavagante. No campo do lavagante é muito requisitada  a Miss Diva, uma sanduiche de lavagante com manteiga de corais, cebolinho e limão. Mas está também disponível uma salada de lavagante, um creme aveludado de lavagante e cebolinho, e uma massa de arroz salteada com lavagante, rebentos de soja, amendoins e pimentos num molho agri-doce. Mas a minha escolha numa recente visita foi para o King Lobster, um lombo de lagosta grelhado, com manteiga de ervas e limão, acompanhado por salada e batatas fritas, e que estava honestísimo, na qualidade do bicho e na confecção. O Lob Deli funciona na modalidade de takeaway ou pode ser servido e consumido no local, numa simpática sala no primeiro andar. A casa foi aberta em 2015, o serviço ao balcão é muito atencioso e sabe informar sobre a lista, está aberto de segunda a sábado entre as 12 e as 22h30. Tem cervejas artesanais e vinho a copo servido de forma generosa. O menu foi criado pela chef Leonor Manita, que trabalhou no Nobu e, em Lisboa, criou a cozinha do Station. Os lavagantes vêm vivos do mar do norte e uma refeição fica entre 15 a 20 euros por pessoa, dependendo das escolhas. Rua de São Filipe Neri 21, ao Rato, telefone 215987801

 

DIXIT - “O país onde vemos um maior risco de existir uma crise da dívida soberana é em Portugal; onde vemos o maior risco de uma crise bancária é em Itália” - Patrick Artus, economista-chefe do Natixis.

 

GOSTO - Da reabertura do terceiro piso do Museu Nacional de Arte Antiga, com mais 16 salas de exposição, após ter estado encerrado uma década.

 

NÃO GOSTO - Da fobia autárquica de obras por todo o país a um ano de eleições - sempre o mesmo desperdício: será para facilitar financiamentos às próximas campanhas?

 

BACK TO BASICS - Na vida, como no futebol, ninguém vai longe se não souber onde está a baliza - Arnold H. Glasow

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