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AS BOMBAS DE FUMO

por falcao, em 15.10.13

O caso dos cortes nas pensões é um bom manual do que não se deve fazer em termos de comunicação política: alguém resolveu criar uma fuga de informação sobre uma medida em preparação, deixando-a naturalmente ganhar balanço a partir do cenário mais negativo e penalizador para as pessoas. A fuga, tal como foi largada na praça pública, tinha por objectivo mostrar as contradições entre posições anteriores de um membro do Governo, no caso Paulo Portas, e medidas que faziam agora parte da sua esfera de competências governamental. Não foi uma fuga inocente ou um descuido, foi uma bomba de fumo largada com método e pontaria.


Como é usual, neste caso o “worst case scenario” tornou-se na verdade incontestada. A oposição agarrou a fuga com unhas e dentes e usou-a para criar um clima de pânico sobre os rendimentos dos pensionistas. No entanto quem quiser ler as primeiras explicações (é certo que tímidas, descoordenadas, confusas e pouco empenhadas) poderia logo perceber que o corte era sobre a acumulação de pensões, apenas a partir de determinado limite - não era um corte universal, não era um corte sobre todas as pensões, não era uma medida cega.


O problema é que gato escaldado de água fria tem medo e naturalmente as pessoas assustaram-se com todo o ruído que foi feito. O que já não é natural é que se tenha demorado tanto tempo a explicar com cuidado o que se pretendia de facto fazer. O problema é que na cabeça das pessoas fica mais o cenário negativo que a explicação dos factos. E é esta desatenção ao efeito da comunicação que o Governo continua a ignorar, dando à oposição casos de mão beijada pera ela explorar. Robert Louis Stevenson dizia que “a política é talvez a única profissão para  a qual não é necessária nenhuma espécie de preparação”. Volta e meia convenço-me que ainda hoje há políticos que lhe dão razão.

 

 

(Publicado na edição do diário Metro de 15 de Outubro)

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publicado às 13:13

...

por falcao, em 18.01.08
O PRAZER DA IMPRENSA
(Na edição de quarta-feira do diário «Meia-Hora»)

Hoje começo por uma pergunta ao leitor: - sabe que em 2007 muito mais portugueses adquiriram o hábito de ler jornais? – Isso deve-se à distribuição de jornais gratuitos, como este «Meia Hora» que está a ler. Tudo indica que neste novo ano a tendência se irá aprofundar.

Ganhar hábitos de leitura é bom, é mesmo fundamental. O número de pessoas que habitualmente lêem jornais é um dos indicadores importantes do desenvolvimento das sociedades e, infelizmente, também aí Portugal está na cauda da Europa. Para além do analfabetismo ( a incapacidade de ler), existe o analfabetismo funcional – aquelas pessoas que, teoricamente sabendo ler e escrever, na prática não têm o hábito da leitura e aos poucos vão perdendo a sua capacidade. A taxa de analfabetismo funcional dos portugueses é enorme. Eu acredito que os jornais – e neste caso os gratuitos – ajudam as pessoas a interessarem-se pelo que está à sua volta e a perceberem a importância que para as suas vidas tem o conhecimento e a informação.

Mais do que qualquer outro meio, a imprensa contribui para a nossa memória colectiva – regista o que se passou, descreve e interpreta os acontecimentos, mostra as imagens. Mais: é o meio que mais oportunidade dá para exprimir opiniões, de alimentar o pluralismo e o debate na sociedade. E, nos dias que correm, cada vez mais, a imprensa é o melhor meio para procurar públicos segmentados, importante quando se querem atingir mercados mais sofisticados.

E, por último, a imprensa é o meio mais avançado na integração com a Internet e são as empresas jornalísticas baseadas em jornais e revistas que melhores sites têm feito, que mais têm aproveitado as oportunidades de negócios na área digital e que se têm revelado os melhores parceiros para novas formas de publicidade e para a segmentação de contactos com os consumidores.

Ora é exactamente por tudo isto que eu gosto especialmente da imprensa – porque nos permite ler, reter, comparar, pensar. Se tenho saudades de alguma coisa, em termos profissionais, é do mundo da imprensa e não de outro qualquer. A televisão é o reino do instante e efémero, a rádio transformou-se no reino das citações com registo sonoro quase sem mediação, e a imprensa continua, felizmente, a ser o sítio onde se pode ainda perceber o que se passou. Leiam muito neste novo ano.

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publicado às 16:42


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