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EUROPA: UTOPIA & CONFORMISMO

por falcao, em 18.11.16

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EUROPA - Quando olho para a política portuguesa e para a relação dos seus vários actores com a Europa e o Mundo fico a pensar que tudo se resume a isto: um dos lados gosta de alimentar utopias e é um pouco avesso às realidades, enquanto o outro se apresenta sistematicamente conformista e sobrevaloriza exigências externas. O problema não é de agora - desde a adesão à União Europeia criou-se o mito do aluno exemplar, sempre obediente. Foi assim que enquanto outros países, como a Espanha, foram protelando ou mesmo evitando acabar com o proteccionismo a actividades económicas nacionais, Portugal foi rápido a cumprir ordens, com manifesto prejuízo para a agricultura, a pesca e a indústria. Sabe-se hoje que a França, especialista em proteger a sua agricultura e indústria, violou sistematicamente os compromissos que assumiu, com a complacência de outros estados. Na realidade o que existe é uma Europa a duas velocidades, o que criou em cada um dos Estados membros níveis diferentes de obediência a Bruxelas. O poder da burocracia comunitária é sempre rápido a querer mais dos cumpridores e tolerante para com os prevaricadores. Quando as coisas funcionam assim o resultado não pode ser bom. Está à vista de todos a fraqueza da Europa nos dias que correm.                         

 

SEMANADA - Este ano o emprego precário na administração pública aumentou 9,6%; a economia portuguesa cresceu 1,6% no terceiro trimestre deste ano e o turismo teve um peso relevante nesse crescimento; a concessão de crédito ao consumo voltou a aumentar em setembro, atingindo 514 milhões de euros, o valor mensal mais elevado desde 2013; um estudo recente revela que metade dos portugueses consideram a corrupção um dos maiores problemas do país; o fisco deu ordens para acelerar a cobrança de impostos em falta; devido aos impostos a gasolina portuguesa é a sexta mais cara da Europa; os depósitos acima dos 100 mil euros caíram 3400 milhões de euros nos últimos 12 meses; o custo dos cartões multibanco disparou 30% num ano; está prevista a abertura de mais trinta hotéis em Portugal durante 2017; as autoridades policiais portuguesas registam 26 queixas por dia de burlas na internet; as burlas informáticas quadriplicaram nos últimos cinco anos; há 150 mil pessoas com deficiência auditiva profunda que têm dificuldades no acesso a serviços públicos; segundo a marktest 76,8% dos lares portugueses subscrevem serviços em pacote de telefone, internet e televisão.

 

ARCO DA VELHA - Uma exposição sobre o quotidiano de Lisboa no século XVI, “A Cidade Global”, prevista para o Museu Nacional de Arte Antiga, foi inesperadamente adiada para o próximo ano e coleccionadores que iam emprestar obras dizem que a explicação que lhes foi dada sobre o adiamento é a falta de dinheiro para pagar o transporte e seguros das peças.

 

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FOLHEAR - As primeiras 53 páginas da revista que tenho nas mãos são dedicadas a uma reportagem sobre a vida dos ciganos no Alentejo.  A revista chama-se “Berlin Quarterly” e tem por subtítulo “ European Review Of Culture”. Este é a sua quinta edição. “Berlin Quarterly” é mais  um dos exemplos da nova imprensa de nicho que aposta na preservação do papel como meio privilegiado para a publicação de reportagens e ensaios. “Across Those Hills” é o título da reportagem sobre os ciganos alentejanos, com texto de Tiago Carrasco e fotografia de  Daniel Costa Neves, que têm aqui um espaço editorial que em Portugal dificilmente obteriam. A revista é feita a partir de colaborações de diversas nacionalidades e que retratam realidades bem diversas dentro do espaço europeu . seja lá isso o que fôr. Inclui reportagens, ensaios escritos e fotográficos, poesia e ficção - como por exemplo a proposta de Matilde Campilho, intitulada “Jockey”. Os textos são publicados em inglês e no idioma original. Com um total de 250 páginas, cada autor tem espaço para publicar como entende. Este é um conceito muito curioso, podem saber mais em berlinquarterly.com . Um dos artigos mais interessantes é uma entrevista com Trevor Panglen na qual ele explica como as máquinas estão actualmente a captar imagens que outras máquinas vão ler e interpretar, removendo o ser humano da intermediação da observação da realidade.

 

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VER - No fim de semana passado rumei a S. João da Madeira para a Oliva Creative Factory, um espaço que ocupa as antigas instalações industriais da Oliva - que no pós guerra do século XX fabricou de máquinas de costura a banheiras, no tempo em que havia indústria e se compravam produtos portugueses. Ali, por obra do município local, nasceu um espaço que acolhe diversas artes e algum comércio da área do design e do artesanato contemporâneo. A Oliva Creative Factory tem vários espaços e acolheu, por exemplo, a colecção de Treger/Saint Silvestre, um casal de franceses que escolheram o local para depositarem o seu acervo, com  núcleos de arte bruta, artes marginais e arte contemporânea e ainda núcleos de vocação etnográfica, num conjunto de dimensão importante a nível internacional.  Mas o que ali me levou foi uma instalação de José Barrias, um artista plástico português que vive em Milão há décadas, e que deu um novo sentido à antiga sala dos fornos, induzindo na arquitectura industrial arruinada a componente majestática de uma catedral imaginada, usando as cores como símbolos, num exercício de transfiguração do espaço e do tempo. Rumando mais a norte, ao Porto,  fui ver o que Pedro Calapez levou à Galeria Fernando Santos, um dos espaços de referência da Rua Miguel Bombarda. Calapez apresenta obras novas (na imagem), sob o título genérico “Configurações”, introduzindo peças que exploram várias dimensões e perspectivas, com planos diferenciados,  e que, pontualmente, revelam a reintrodução do desenho na sua pintura com algumas técnicas novas em relação à sua produção mais recente. Não certamente por acaso as derradeiras  salas da Galeria são dedicadas a desenhos seus de grandes dimensões, imponentes e marcantes. É impossível não pensar que, até na forma como a exposição está montada, Calapez evoca o triunfo do desenho nesta sua nova exposição que ficará patente na Rua Miguel Bombarda 526 até 7 de Janeiro.

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OUVIR - Deixei de gostar dos Pinkfloyd em 1973, quando foi publicado “Dark Side Of The Moon”. Já não tinha gostado muito de “Atom Heart Mother” e decididamente os meus preferidos são os discos gravados entre 1967 e 1972. Em vésperas de se assinalarem 50 anos sobre o primeiro disco do grupo, “The Piper At The Gates Of Dawn”, foi editada uma belíssima colectânea intitulada “Pink Floyd, The Early Years, 1967 - 1972, Cre/ation”. “Arnold Layne” e “See Emily Play” são as duas primeiras canções deste duplo CD, e são os dois primeiros singles da banda. “Ummagumma”, de 1969, é o álbum de que eu gosto mais - e ainda conservo a edição original em vinyl e uma posterior em CD. A presente colectânea tem 27 temas que representam na realidade a quase totalidade dos momentos altos dos Pink Floyd na fase inicial da sua carreira. Inclui gravações originais, mas também registos ao vivo (como uma aceitável versão de “Atom Heart Mother” gravada em 1970 em Montreux) e até remixes contemporâneas. “Obscured By Clouds”, de 1972, foi o último álbum da banda que verdadeiramente apreciei. Em 1970 compuseram alguns temas para “Zabriskie Point”, de Michaelangelo Antonioni, e aqui eles surgem em remisturas. Depois da desilusão que tive com “Dark Side Of The Moon” deixei praticamente de os ouvir e centrei-me, quando necessário, em “Ummagumma”. Quem quiser ouvir ainda mais tem disponível, em vez deste duplo CD, uma caixa de 27 discos, com o mesmo nome, que recolhe toda a carreira da banda nos cinco anos entre 1967 e 1972. Distribuído em Portugal pela Warner.

 

PROVAR - No lugar onde dantes existia uma oficina que recuperava automóveis antigos está desde Setembro um dos restaurantes mais vibrantes do Porto. Chama-se, claro está, “Oficina” e é uma iniciativa do galerista Fernando Santos que, na mesma rua e um pouco mais acima, tem a sua Galeria. O Oficina desenvolve-se em dois pisos, com o superior a acolher frequentemente a mesa do Chef, mas também as tertúlias que Fernando Santos promove  e que darão direito a um livro que pretende ter edição anual. O próprio restaurante tem o prazer de mostrar arte, logo a começar por uma instalação de luz que Pedro Cabrita Reis criou para a empena do prédio que dá para o terraço que ladeia o piso superior. Há um cuidado assinalável na decoração, desde as mesas ao conforto das cadeiras e às peças de arte que irão rodando em sintonia com o acervo da Galeria. O responsável pela cozinha é o chef Marco Gomes, um transmontano que criou e fez nome no Foz Velha, um bom intérprete de versões de pratos inspirados na gastronomia tradicional portuguesa. Numa recente visita destacou-se a vitela mendinha, os medalhões de  lombo maturado, a açorda de perdiz, o polvo grelhado com arroz do mesmo e um robalo ao vapor sobre risotto de lima e hortelã. O couvert inclui uma bola transmontana miniatura que é por si só um programa e a carta de sobremesas é tentadora. Desde há dias o restaurante abre ao almoço com uma proposta de menu executivo e ao jantar é mesmo melhor reservar. A garrafeira tem boa escolha, o serviço precisa de rodar mais, mas a experiência é muito positiva. Oficina, Rua Miguel Bombarda 273, Porto, telefone 220 165 807 ou reservas@oficinaporto.com

 

DIXIT -  “Gosto dos números, mas fico preocupado porque vejo que são sustentados no turismo e isso é um risco” - João Duque, sobre o crescimento da economia portuguesa.

 

GOSTO - Do trabalho que Marco Martins fez com o texto de Jean Genet, “As Criadas”, no D. Maria II. Boas interpretações de Luísa Cruz, Beatriz Batarda e, sobretudo, Sara Carinhas. Até 18 de Dezembro

 

NÃO GOSTO -  Das demoras da justiça nos casos em que o Fisco abusa dos cidadãos e da forma como o abuso de poder do Estado é protegido - e nenhum dos partidos do arco da governação se preocupa com o assunto.

 

BACK TO BASICS - “O desporto não constrói o carácter das pessoas; apenas o revela” - Heywood Broun

 

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publicado às 13:45

O DISCURSO DO PASSADO

por falcao, em 11.06.13

Ouvi dizer que o Presidente da República está muito preocupado com o futuro e com o que o país deve fazer no pós-troika. Mas a verdade é que no seu discurso do 10 de Junho só o ouvi falar sobre o passado, como Portugal era maravilhoso e se transformou de forma tão inexcedível quando ele foi Primeiro-Ministro. Foi um discurso cínico, cruel. a justificar opções passadas que, em muito, nos conduziram onde estamos. Foi o elogio disfarçado e hipócrita de uma época em que Cavaco Silva optou pelo betão, pelo princípio do desvario nas obras públicas e se esqueceu de criar bases sustentadas de desenvolvimento. Cavaco, Primeiro-Ministro, entregou o país ao eixo franco-alemão que nos inundou de fundos para pagar o que nos roubava na agricultura e nas pescas. É de um cruel cinismo falar como ele falou. Se existiam dúvidas de que Portugal não merece ter um Presidente da República como ele, desvaneceram-se com o que Cavaco Silva disse neste 10 de Junho.

 

Quando daqui a uns anos se fizer a história verdadeira - não o embuste habilidoso dos discursos do 10 de Junho - ver-se-à quão nefastas foram as escolhas e opções estratégicas de Cavaco na governação e como foram perniciosas as suas opções no desencadear e evoluir dos momentos críticos da crise  - desde Sócrates até agora. Nessa altura poder-se-à perceber como os milhões que a Europa pagou a Portugal se destinaram apenas a iludir e distrair o pagode com estradas, enquanto uns quantos as construíam e outros íam fazendo negociatas à conta dos lugares que tinham ocupado na política. O maior legado de Cavaco, de que ele não fala, é o rol de casos pouco claros que envolvem gente da sua entourage e que continuam a ser o exemplo do pior que o regime tem para mostrar.


(Publicado no diário Metro de 11 de Junho)

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publicado às 16:09

ASAE I – Gostava de saber em que vão ficar as dúvidas sobre a constitucionalidade da ASAE, levantadas por alguns distintos Constitucionalistas. A quem cabe promover o esclarecimento das dúvidas? Irá o Presidente da República averiguar o que se passa? Irá o Tribunal Constitucional ter a ousdadia de agir? 

 


 


ASAE II – O inconfundível senhor Nunes, produto acabado do que pode acontecer num Governo de maioria absoluta, continua a fazer das suas: agora a responsável da ASAE no Norte foi levada a abandonar o cargo, por coincidência depois de ter criticado a forma como a ASAE por vezes actua. A ASAE não só actua de forma descricionária (e vamos ver se inconstitucional…), como não tolera discussões nem críticas. O senhor Nunes está cada vez mais parecido com um déspota muito mal iluminado. 

 


 


CRISE I – Primeiro a Europa combateu a produção agrícola nos países periféricos para satisfazer a Alemanha e a França, depois condicionou a pesca para satisfazer os países do Norte. A crise que hoje vivemos é fruto de décadas de políticas erradas dos responsáveis europeus, é fruto da obsessão pela construção de um mega-estado capaz de bater pé a americanos e russos, custasse o que custasse. O custo, vê-se agora, é altíssimo. A guerra fria continua, só que agora as armas são os sempre escalantes juros do Euribor , o preço do petróleo, o estrangulamento das especificidades nacionais. Eu não sou europeísta, eu sou contra o tratado de Lisboa, e tenho muita pena de ser obrigado a aceitá-lo por um Governo que despreza a auscultação da vontade dos seus cidadãos. 

 


 


 


 


 


CRISE II – Os juros do crédito à  habitação subiram a níveis históricos, o preço dos bens de consumo essenciais sobe como nunca nos anos mais recentes, a inflação dispara, o Estado perde receitas fiscais cada dia que passa porque em Espanha as coisas são mais baratas e quem pode vai lá abastecer-se. E é em nome da necessidade da receita fiscal que essa receita vai diminuindo, porque o  consumo está a retrair-se. É em nome da estabilização do deficit que a classe média é sufocada pelo peso do Estado. Nada disto é lógico, nada disto é produtivo, nada disto faz sentido. Vivemos num reino de faz de conta. 

 


 


 


PAÍS – Este país irrita-me, irrita-me muito. No mesmo dia em que a taxa do Euribor passa os 5%, nos restaurantes, à hora do almoço, só se ouve falar de futebol. Todos os jornais têm páginas e páginas sobre o circo do Euro. O ruído do futebol contrasta com o silêncio apurado de Sócrates, encolhido a esperar que a crise seja arredada pelo esférico rolando sobre os relvados da Suiça e Áustria.  

 


 


RESTAURANTES – A Avenida da Liberdade está de repente a ganhar uma enorme vida em matéria de restaurantes. Entre o Zeno e o Ad Lib, aparecem novas propostas. A Brasserie Flo, no Hotel Tivoli, é já um êxito e decididamente o almoço mais empresarial de Lisboa, depois de décadas de prevalência da Varanda do Ritz. Um pouco atrás, no Tivoli Jardim, está o Olivier Avenida, que vai dando que falar E agora o Terraço do Tivoli está para abrir pela mão de Luís Baena. Este é o movimento que me levanta mais dúvidas, nunca comi bem na Quinta de Catralvos, numa me senti lá bem porque o serviço era péssimo. Para mim, Luís Baena é daqueles chefes que se refugia na tecnologia – um dos grandes chefes espanhóis, Santi Santamaría, denunciou há poucos dias o abuso de químicos e aditivos para compor os pratos e preconizou o regresso à pureza das boas matérias primas locais. Até prova em contrário acho que Luís Baena tem mais ego que talento e, absolutamente, tem uma imperdoável falta de atenção ao serviço. Espero que se corrija a tempo de não estragar mais um restaurante. 

 


 


LER – A propósito disto de restaurantes, recomendo vivamente a leitura de «A Ferver – Aventuras e desventuras de um cozinheiro amador», pelo jornalista e escritor americano Bill Buford, o homem que refundou e criou a revista «Granta», célebre publicação dedicada à literatura. Este livro de Buford, nascido em 1954, é como um deliciosa sucessão entre reportagens e short-stories, todas dedicadas à cozinha – desde as peripécias como aprendiz de cozinha num restaura italiano célebre, até à aprendizagem das  massas  frescas italianas, passando pelas dificuldades em aprender a nobre arte dos talhantes. Mais do que isso, quase em cada página encontra-se um conselho, uma sugestão, um truque. Nunca a palavra DELÍCIA se aplicou tão bem a um livro como a este. 

 


 


OUVIR – Na Ópera contemporânea existe uma dupla mágica: Anna Netrebko e Rolando Villazón. Juntos cantaram «La Traviata» em Munique, depois «Roméo et Juliette» em Los Angeles, «Lélisir d’amore» em Viena, «Manon» de novo em Los Angeles. Finalmente, em 2006, interpretaram juntos «La Bohème», primeiro em São Petersburgo e depois em Nova Iorque e finalmente, em 2007, em Munique, onde a ópera foi gravada, quer para disco, quer numa versão de Cinema e noutra de televisão. É a gravação áudio dessa apresentação, com a Orquestra Sinfónica da Rádio da Bavária, dirigida por Bertrand de Billy, que agora é editada pela Deutsche Grammophon, Netrebko é Mimi e Villazón é o poeta Rodolfo. O resultado merece ser descoberto. 

 


 


BACK TO BASICS – «A minha mãe teve algumas dificuldades comigo, mas no fundo acho que gostou de as resolver» - Mark Twain.  

 

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publicado às 13:17


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