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GOVERNO - UM ANIVERSÁRIO REPIMPADO

por falcao, em 09.12.16

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REPIMPAMENTE - Tenho para mim que o estado de graça do Governo se deve a duas coisas: à habilidade de António Costa e à inabilidade da oposição. As duas coisas juntas, polvilhadas pelo tempero de afectos do Presidente da República, deram o que está à vista. Para que não surjam más interpretações devo dizer que a habilidade de António Costa inclui alguma eficácia negocial em Bruxelas, tácticas bem imaginadas e bem utilizadas em algumas situações mais explosivas e, acima de tudo, uma enorme capacidade de só dizer o que lhe interessa, construindo uma realidade própria e negando tudo o que ele entenda não caber dentro dessa realidade. Isto é uma arte - ou, melhor dizendo, estes pontos são parcelas dessa arte a que se chama política. Se existir um Óscar para a melhor ficção política, António Costa ganha-o de certeza absoluta. Nestes últimos dias, e a propósito do primeiro aniversário do seu Governo, o Primeiro Ministro esteve envolvido em duas manobras de comunicação política pura, ambas a tender (usando palavreado da moda) para uma versão pós-verdade das conversas em família. A primeira, era uma ideia engraçada, mas acabou por sair frouxa, e tinha a ver com uma produção ensaiada na Aula Magna da Reitoria de Lisboa em que um grupo de pessoas, seleccionadas pelo Instituto de Ciências Sociais, colocava perguntas ao chefe do governo e aos seus Ministros. A outra foi a entrevista concedida à RTP. Sobre a forma como António Costa se desempenhou das duas tarefas opto por citar um dos próprios entrevistadores, André Macedo, que, referindo-se ao espectáculo da Aula Magna, acabou por fazer o retrato geral da situação e escreveu o seguinte sobre a prestação do Primeiro Ministro: “transformou o debate numa imensa piscina olímpica aquecida, habilmente aproveitada por António Costa para se banhar repimpamente”.  Tudo indica que, com a oposição adormecida, este Governo vai ter longa vida. Mais vale, a bem de nós todos, que isto não corra mal. Mas, temos sempre que ter presente, como dizia Galileu perante a inquisição, falando sobre o movimento da Terra, “e pur si muove!”. Quer dizer, a realidade acaba por se sobrepôr à fantasia. Às vezes com custos pesados.

 

SEMANADA - Num estudo internacional, realizado de três em três anos, que avalia a literacia dos alunos de 15 anos de idade em Ciências, Leitura e Matemática os jovens portugueses ficaram pela primeira vez à frente da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico;  a segurança social fecha três lares ilegais por mês; O Tribunal de Contas acusa o Ministério das Finanças de “falta de controlo” na Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2013 e 2015, salientando que o Estado aprovou documentos de prestação de contas sem ter a informação completa; nos últimos dois anos houve 33360 processos ligados à criminalidade económica e foram feitas 297 acusações por corrupção; 17 empresas portuguesas são fornecedoras da da agência espacial europeia e o Governo fala em criar uma agência espacial portuguesa; segundo a Marktest 3,6 milhões de portugueses já têm o hábito de ler notícias através do tablet ou do smartphone, o que significa que o número destes utilizadores quadriplicou desde 2013; nos últimos três anos foram multados três mil condutores por não obedecerem às novas regras de circulação em rotundas; 2015 foi o ano com menos greves desde 2010 - 95 verificadas no ano passado que comparam com as 199 registadas em no início da década; 2012 foi o ano com mais greves, 233; o congresso do PCP realizado este fim de semana caucionou o apoio comunista ao Governo de António Costa.


ARCO DA VELHA - O serviço de estrangeiros e fronteiras admite desconhecer a quantos imigrantes ilegais concedeu autorização de residência sem cumprirem a principal exigência da lei, terem entrado legalmente no espaço Schengen.

 

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FOLHEAR - “Tabacaria” é um poema escrito por Fernando Pessoa, sob o heterónimo Álvaro de Campos, em Janeiro de 1928, publicado pela primeira vez na revista Presença em Julho de 1933. É considerado como um dos mais importantes poemas de Pessoa e o crítico e escritor italiano António Tabucchi considerava-o mesmo o poema mais importante do século XX. “Tabacaria” pertence à fase intimista do heterónimo Álvaro de Campos, onde os temas são a solidão interior, a incapacidade de amar, a descrença em relação a tudo e o conflito entre a realidade e o próprio poeta. Esta belíssima nova edição, da “Guerra & Paz”, inclui a versão original portuguesa e ainda traduções para inglês, francês, espanhol e italiano. É composta por um livro, de 176 páginas, muitíssimo bem paginado e impresso, onde além de Tabacaria nos cinco idiomas, estão recolhidos um conjunto de textos agrupados sob a designação “A Tabacaria vista de outra janela - das páginas íntimas de Fernando Pessoa”. Estes textos, que vários estudiosos do poeta consideram autobiográficos, são reproduzidos nas versões originais em que foram escritos - em português, inglês e francês. O livro inclui ainda um texto do editor, Manuel S. Fonseca, e 25 fotografias de Pedro Norton em que ele mostra a Baixa de Lisboa, digamos que o território natural do poeta. Numa pasta separada estão agrupadas estas 25 fotografias, em impressões de alta qualidade. O livro e a pasta com as fotografias estão guardados numa caixa de madeira de choupo e de maple, impressas a laser e UV e feita em Proença-A-Nova na empresa Ambiente d’Interni - a caixa só por si é uma obra. O grafismo e o design global foram de Ilídio Vasco. Trata-se de uma edição especial, de coleccionador, com uma tiragem numerada de 1500 exemplares.

 

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VER - Até 26 de Fevereiro, na renovada sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, na Rua da Alfândega, em Lisboa, pode ser vista a exposição “Mater Dei”, que apresenta obras de 25 artistas contemporâneos portugueses, que foram desafiados a criarem peças inspiradas na figura de Maria (na imagem). A exposição inclui trabalhos de escultura, pintura, desenho e outras técnicas de artistas como Manuel Amado, Rui Chafes, Ilda David, João Queiroz, Pedro Calapez e Cristina Ataíde. O pároco de São Nicolau, Mário Rui Pedras,  explica que não foi feito “qualquer tipo de limitação do ponto de vista nem da sua vida de fé, nem da sua orientação como artista”. Destaque ainda, para a exposição de Miguel Telles da Gama na Giefarte, até 13 de Janeiro (Rua da Arrábida 54B). O artista mostra a sua produção mais recente com um conjunto de obras a que deu o nome de “Vanishing Act”. Observador de detalhes, contador de histórias através de imagens,  estas suas obras conjugam o hiper realismo da pintura com as palavras usadas para cada peça, a constituir uma narrativa ao longo da sala onde estão em exposição. Há aqui, até no título escolhido para a exposição, uma evocação quase cinematográfica do olhar, como se o artista fosse realizando planos e contra planos, numa cuidada edição de diálogos e de olhares.

 

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OUVIR - Já lá vão 14 anos de Dead Combo, esse encontro musical  de dois talentos - Tó Trips na guitarra e Pedro Gonçalves no baixo. O novo disco chama-se  "Dead Combo e As Cordas Da Má Fama"  - sendo que essas cordas são Carlos Tony Gomes, no Violoncelo, Bruno Silva, na Viola e Denys Stetsenko, no Violino. O objectivo era recriar com esta formação alargada 12 temas da história dos Dead Combo, como  “Quando A Alma Não É Pequena”, “A Menina Dança”, “Lisboa Mulata”, “Rodada”, “Puto Que Cais Descalço”, “Welcome Simone”  e “Anadamastor”, entre outros. Como se deseja nestas ocasiões as versões estão diferentes e para melhor - mas mantêm-se as melodias originais e o espírito de desafio que os Dead Combo sempre imprimem à sua música, algures entre a tradição portuguesa e as bandas sonoras de westerns. Por falar em filmes é curioso notar como a imagem em movimento acompanha a história dos Dead Combo - desde a banda sonora escolhida por Anthony Bourdain para o seu episódio de “No Reservations” sobre Lisboa até à música que compuseram para “Slightly Smaller Than Indiana” de Daniel Blaufuks, até ao facto de terem sido convidados a actuar na estreia, em Cannes, do filme “Cosmopolis”, de David Cronenberg, produzido por Paulo Branco. Este é o seu primeiro disco desde “A Bunch Of Meninos”, de 2014.


PROVAR -  Apanhar com crianças num restaurante pode ser por vezes um pesadelo e muitos restaurantes não acolhem bem estes pequenos clientes. Outros recebem-nos de braços abertos e até têm espaços para eles brincarem. Que isto acontece em cadeias de fast-food já se sabia. Mas que isto aconteça num restaurante dedicado à cozinha tradicional portuguesa e onde se come verdadeiramente bem, já é mais raro. O 13% Restaurante fica no Porto, na zona da Foz, e além da sala tem uma esplanada coberta e um jardim onde, caso o tempo o permita, as crianças podem estar á vontade. Talvez por isso é procurado ao fim de semana para almoços de família ou de amigos. O serviço é muito simpático, sempre disponível e as mesas são amplas e confortáveis. Na cozinha as coisas correm muito bem e a casa tem várias especialidades: rosbife à inglesa, cabrito assado com arroz de forno, batatas e grelos, filetes de polvo com açorda de coentros, e, claro, dobrada. Boa garrafeira a preços sensatos. Nos doces destaque para o crumble de maçã com gelado e o leite creme. Durante a semana ao almoço há um menu especial. Fecha às terças, marcação recomendável especialmente ao fim de semana. O 13% Restaurante fica na Rua da Cerca 440, telefone 912 332 690.

DIXIT -  “Quando se perde, não se finge que não aconteceu nada” - Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano, após a derrota no referendo.

GOSTO - O sector da cortiça vai fechar 2016 com valor recorde nas exportações, cerca de 950 milhões de euros.

NÃO GOSTO - A Câmara Municipal de Lisboa escondeu no seu site os atrasos verificados nas obras com o expediente de  mudar as datas inicialmente previstas de conclusão dos trabalhos.

BACK TO BASICS - “Dar dinheiro e poder ao governo é a mesma coisa que dar bebidas alcoólicas e as chaves de um carro a um adolescente” - P.J . O’Rourke

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publicado às 13:55

 

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SEMANADA - Há cerca de ano e meio um grupo de 12 economistas do PS, antes das eleições que possibilitaram que Costa tivesse o seu momento de poder, anunciavam que em 2017 o PIB ia crescer 3,1%, o investimento disparar 8,4%, as exportações acelerar 6,3% e o emprego 1,9%. Segundo o OE 2017, apresentado pelo Governo Costa,  a economia só vai crescer 1,2% este ano e 1,5% no próximo. Os mesmos economistas garantiam que o investimento seria o grande motor da economia e diziam que podia crescer 7,8% em 2016 e 8,4% em 2017; o OE 2017 diz que o investimento vai cair 0,7% este ano para crescer 3,1% no próximo. Os mesmos economistas previam que o consumo privado tornaria a procura interna mais relevante: os gastos das famílias iam acelerar 2% em 2016 e 2,9% em 2017;  o OE 2017 prevê que o consumo privado suba 2% este ano e desacelere para 1,5% no próximo. Podiam ser pequenos erros, podiam ser pequenos desvios; são um grande engano, são o exemplo acabado de demagogia empacotada com um carimbo de conhecimento, vazio como agora se vê.  Foi um engano usado em vésperas de eleições para sustentar um programa eleitoral feito de promessas que não se cumprem, como agora é cristalinamente claro para todos. Em vez destas promessas, Costa pôs-se a aumentar impostos - que tinha prometido reduzir. Criou novas taxas, não reduziu os que antes prometera diminuir. Aqui está mais um caso de uma revoltante diferença entre promessas eleitorais e realidades governamentais. O PS, com o apoio do Bloco e do PCP na política orçamental, não é melhor que os seus antecessores. Havia quem achasse o contrário.

 

VOTAR - 60 por cento dos Açorianos não quiseram participar nas recentes eleições da região autónoma. Seis em cada dez abdicaram de um direito que supostamente proporciona a escolha do caminho a seguir. É um número elevado e que tem  crescido em Portugal e na Europa. Para o ano teremos eleições autárquicas e a expectativa vai do regresso de alguns dinossauros locais até ao eclodir de mais candidaturas independentes. Vamos ver qual é o pano de fundo da participação dos eleitores. A verdade é que as pessoas andam fartas de votar para, depois, viverem resultados bem diferentes das promessas que políticos de todos os partidos lhes arengaram nas respectivas campanhas. No caso das autárquicas a coisa ainda se complica quando de repente, como aconteceu em Lisboa, houve quem votasse em António Costa para Presidente da Câmara e depois, quando este se lançou para o Governo, se visse com Fernando Medina pela frente a criar um autêntico terramoto. Tudo isto desprestigia o sentido dos votos e o efeito prático das eleições.  A abstenção só se combate se os políticos não mentirem e se cumprirem as promessas eleitorais - a história recente mostra que estas são duas impossibilidades em termos reais e o resultado é o descrédito do sistema. Para quê votar, se depois fazem tudo ao contrário? A culpa da abstenção não é dos eleitores nem o problema se resolve com lições e campanhas de sensibilização. Resolve se com mudanças profundas nos partidos, com essa coisa tão rara  que se chama honestidade, um bem escassíssimo na política.

 

ARCO DA VELHA - A falta de bilhetes no Metro de Lisboa não se deveu a nenhum bruxedo nem a nenhum azar, como um governante foi dizer ao Parlamento. Será verdade que se deve apenas ao singelo facto de o Metro não ter pago ao fornecedor desses bilhetes durante meses e meses a fio?

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FOLHEAR - A Guerra & Paz tem uma colecção chamada Livros Amarelos, com a capa da côr indicada, na sua versão canário. Acontece que esta semana, por causa da passagem de uns alemães amarelos em Alvalade, essa côr me aborrece um pouco. Mas tenho que reconhecer que esta colecção não só tem um grafismo irresistível como apresenta uma selecção de textos invulgares, e que hoje em dia são difíceis de encontrar. Uma das suas mais recentes edições agrupa o "Cântico dos Cânticos", de Salomão, com o “Manual de Civilidade Para Meninas” de Pierre-Félix Louys. Num texto incluído nesta edição Eugénia de Vasconcelos fala da tradução que fez do “Cãntico dos Cânticos” e explica como um texto bíblico escrito cinco séculos antes de Cristo, se mantém tão interessante - e de certa forma actual - nos dias de hoje. Num outro texto o editor, Manuel S. Fonseca, faz a ligação possível entre o poema ao amor que é o “Cântico dos Cânticos” e o manual de desabrida libertinagem e erotismo galopante escrito por Pierre-Félix Louis no final do século XIX e que ainda hoje nos consegue surpreender- o “Manual de Civilidade Para Meninas”.  De qualquer forma, como noutras edições desta colecção, a junção de textos tão diversos num mesmo livro funciona ao mesmo tempo como uma provocação e como uma revelação. E esse é um dos grandes prazeres que estes livros amarelos proporcionam.

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VER - Esta semana recomendo uma visita à Sociedade Nacional de Belas Artes, na Rua Barata Salgueiro 39. Nas suas belas salas estão duas exposições que se recomendam. A primeira é a que mostra algumas das obras da colecção de fotografia da firma de advocacia PLMJ e chama-se “Uma Extensão do Olhar- Art & Law”,  ficando patente até 4 de Novembro. Aqui se mostram trabalhos de  Alfredo Cunha, António Pedro Ferreira,  Jorge Molder ou Helena Almeida, entre outros, intercalando com advogados que descobriram a fotografia. cruzando  olhares treinados e primeiros passos no exercício de saber ver, no contexto de um concurso interno de fotografia, na Sociedade PLMJ. A segunda exposição começa na SNBA mas prolonga-se pela vizinhança. Cartazes do Cinema Português  é uma organização da Academia Portuguesa de Cinema, da Cinemateca Portuguesa e do Instituto do Cinema e Audiovisual e é a primeira grande mostra dedicada aos cartazes dos filmes  portugueses, ao longo de toda a sua História. Na SNBA está a maior parte do acervo, desde os anos 40 até à actualidade; na Cinemateca Portuguesa, mesmo em frente, está a parte dedicada ao cinema mudo e à filmografia de Manoel de Oliveira; e no Hotel Tivoli, na Avenida da Liberdade, está a parte relativa à obra de José Fonseca e Costa. Exposição Cartazes do Cinema Português, patente até 30 de Novembro.

 

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OUVIR - Não sei bem onde hei-de colocar Wim Mertens - se como compositor, se como pianista, se como contra-tenor ou apenas como um tipo que esgotou a imaginação há umas décadas e ainda ninguém teve a coragem de lhe dizer, porque ele de todo não dá por isso. De qualquer maneira tem muitos fãs e para seu deleite vem cá tocar no Misty Fest em Novembro, no CCB. Tem um disco novo, chamado “What are we, locks, to do?”, a segunda parte de uma trilogia de canções sem chama cujo conteúdo infelizmente é de difícil compreensão. Mertens, um belga da região flamenga, tornou-se conhecido graças ao seu trabalho inicial com os Soft Veredict,  à sua colaboração com o realizador Peter Greenaway na banda sonora de “The Belly Of An Architect” e, sobretudo através das versões de um dos seus temas mais conhecidos, “Close Cover”, que foi um dos êxitos da compilação de dança Café Del Mar. Desde 1980 já editou mais de cinco dezenas de álbuns. Este “What are we, locks, to do?” já está disponível no mercado português, pela mão da Warner Music.

 

PROVAR -  A Mesa do Bairro tem sensivelmente um ano de vida e a sua cozinha é orientada por Luis Baena, Fica no edifício do antigo mercado do Arco do Cego, bem perto do Liceu D. Filipa de Lencastre. Toda a zona parece estar a sair de um bombardeamento, tal a confusão de ruas esventradas e sentidos de trânsito cortados e invertidos que agora por ali abundam, gentileza deste desgraçado edil lisboeta que nos calhou em rifa. A entrada do restaurante dá para uma garrafeira bem fornecida, com algumas escolhas dignas de nota e um extenso catálogo. O curioso é que quem subir ao restaurante pode escolher cá em baixo um dos vinhos e levá-lo para acompanhar a refeição, ao preço de venda na garrafeira (que é honesto), acrescido de uma taxa de rolha (taxa de serviço) perfeitamente razoável. A sala é ampla e luminosa e existe um terraço que acolhe uma esplanada abrigada. A lista é de clara inspiração portuguesa - com entradas que vão dos peixinhos da horta a belos croquetes de vitela, passando por uma raridade nos dias que correm - ovos verdes.  Nos peixes destaque para as pataniscas de bacalhau e para o polvo suado com batata doce e, nas carnes, destaque para os pastéis de massa tenra com arroz de grelos e um rabo de boi desfiado, enformado e assado no forno, acompanhado por genuíno puré de batata.  Quem queira tem bons bifes e as batatas fritas às rodelas finas são boas. Nos doces, destaque para o pastel de nata ou o arroz doce com gelado de canela. Nalguns casos nota-se que um  pouco mais de cuidado na cozinha seria bem vindo para evitar que alguns pratos fiquem acidentalmente condimentados a mais ou a menos e outros fiquem demasiado cozinhados. Mas o serviço é acolhedor, o local é simpático e a relação qualidade-preço é boa. Tem campo para melhorar e esperemos que sobreviva ao degredo das obras que o cercam. Mesa do Bairro, Rua Reis Gomes, Tel 961 459 220.

 

DIXIT -  “Não temos muito tempo até um novo ponto de ruptura. que, temo, terá consequências sobre o conjunto dos portugueses bem maiores que o episódio do início desta década” - António Nogueira Leite

 

GOSTO - Da Bienal de fotografia de Vila Franca de Xira, dedicada ao tema "Arquivo e Observação".

 

NÃO GOSTO -  Os 60% de abstenção nos Açores são um muito mau sinal para o que aí vem em matéria de eleições.

 

BACK TO BASICS - Jogar pelo seguro é desistir de jogar - Robert Altman

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publicado às 14:00

TENDÊNCIA - A circunspecta, mas muito atenta, revista britânica The Economist, dedica a capa, o editorial e um artigo de investigação da sua edição de 4 de Junho ao tema da liberdade de expressão, que considera estar a ser crescentemente ameaçada. A capa mostra o rosto de um homem, com os lábios fechados por um cadeado, sob o título “Free Speech Under Attack”. O artigo, uma reportagem de investigação, informa sobre as limitações à  liberdade de expressão e de informação. “Sem que exista diversidade de ideias o mundo torna-se tímido e ignorante “ - sublinha a revista. Tudo isto se passa, num contexto, como “The Economist” faz notar, em que “ aparentemente se vive a idade dourada da liberdade de expressão - podemos ver um jornal do outro lado do mundo num smartphone em poucos segundos, há mais de mil milhões de tweets, posts no Facebook e actualizações de blogues que são publicadas diariamente e qualquer pessoa com acesso à internet pode tornar-se num editor”. No artigo e no editorial “The Economist” faz notar que há hoje em dia três formas principais de limitação da liberdade de expressão - em primeiro lugar a repressão de alguns governos em diversos países; em segundo lugar a perseguição a jornalistas que denunciam casos de corrupção ou investigam crimes, perseguição que muitas vezes acaba em execuções sumárias, como no México ou em algumas regiões controladas por extremistas religiosos; e em terceiro lugar a convicção, que ganha dimensão, diz a revista, que grupos da sociedade e algumas pessoas ou instituições têm o direito de não ser criticados e muito menos ofendidos - ou pelo menos sujeitos ao que consideram ofensas. Esta ultima forma, que vive debaixo da bandeira do politicamente correcto ou da defesa dos direitos das minorias, ou ainda do interesse nacional e de outros conceitos difíceis de explicitar, é talvez a mais difícil de combater e a que tem maior numero de adeptos, que exercem a sua censura, digamos, em nome do que entendem ser o Bem. A liberdade de expressão, escreve o editorialista, é a melhor forma de defesa que a sociedade tem contra a má governação e, sublinha, é a pedra basilar de todas as liberdades. Entretanto, por cá, no espaço de um ano o Diário Económico acabou na edição de papel, o Público e o Diário de Notícias, soube-se nos últimos dias, estão em vias de mudar de direcção editorial. No caso do Público fala-se há muito da redução de dias que terão edição em papel, o DN ainda não tomou esse passo. Este novo ciclo de mudanças que percorre a imprensa reforça a convicção que alguns jornais funcionam em círculo fechado para um pequeno grupo de políticos, directórios partidários e seus afiliados mais directos. Alguns deixam de falar do quotidiano das pessoas e das cidades onde vivem, ganham distância aos leitores na proporção em que se querem aproximar dos eleitos e dos grupos de interesse a que se dirigem. Creio que é este caminho que tem levado à destruição de valor no seio da comunicação. E creio que é neste comportamento que se manifesta em Portugal aquilo que “The Economist” considera como a terceira e preocupante forma contemporânea de limitação da liberdade de expressão. É muito difícil criar e consolidar uma marca de informação; mas é muito fácil destruir o seu valor.

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SEMANADA - O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, elogiou o Congresso do PS;  em 2015 o investimento dos business angels em Portugal caíu 16% devido à falta de capital público; a Mota Engil contratou Paulo Portas para liderar o conselho internacional da empresa, com especial enfoque na América do Sul; a oferta para Lisboa no Airbnb triplicou desde 2014 para 33 mil casas, revela a Bloomberg; o presidente da câmara não eleito defende que a cidade se deve preparar para receber mais turistas;  os turistas que visitam Lisboa rendem à Câmara sete milhões de euros por ano; o Belcanto subiu 13 lugares, para 78º, na lista dos melhores restaurantes do mundo da revista britânica “Restaurant”; o Porto de Lisboa teve quedas de 46% em Abril; de Janeiro e Abril o Porto de Sines Sines voltou a crescer e representa ja 53% da atividade portuária do continente; nas estradas algarvias registam-se 24 acidentes por dia em média; todos os meses há 18 mil condutores proibidos de conduzir; perto de dez mil condutores perderam pontos nas respectivas cartas de condução nos primeiros cinco dias de vigência do novo sistema; no primeiro mês o túnel do Marão foi utilizado por 324 mil veículos; 329 pessoas pediram para mudar de sexo em Portugal nos últimos seis anos; em 20 anos mais de dois mil médicos portugueses fizeram o curso na República Checa; desde o início de 2014 já morreram 14 mil pessoas no mediterrâneo.

 

ARCO DA VELHAO Presidente da Câmara de Celorico de Basto fez ajustes directos com uma empresa que era dos seus pais e depois afirmou desconhecer que a empresa era da família.

 

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FOLHEAR - Gosto destes livros que contam a história de coisas que se tornaram parte do nosso quotidiano e que, como no caso, mudaram na prática a geografia, os hábitos e a margem sul. É um género pouco praticado entre nós e que dá ainda maior relevo a “A Ponte Inevitável”, de  Luis Ferreira Rodrigues. O livro, agora editado, conta a história da Ponte 25 de Abril que a 6 de Agosto comemora 50 anos. Mas o livro mostra como essa história começa bem atrás, há 140 anos, quando o engenheiro Miguel Pais propôs, em 1876, uma ponte de ferro entre Lisboa e Montijo. O livro conta o que aconteceu nos  90 anos que decorreram desde que se avançou com a ideia de uma ponte entre Lisboa e a Margem Sul, até ao momento em que a ideia se transforma em realidade. Mostra ainda como a ponte é muito mais do que uma iniciativa de um projecto político subordinado aos ditames do Estado Novo. A ponte mudou a face de Lisboa, mudou o urbanismo da margem sul e um dia destes, como Luis Paixão Martins já anunciou no seu Facebook, vai ter um centro de interpretação em Alcântara e um sistema de visitas guiadas à ponte. O autor do livro, Luís F. Rodrigues. nasceu em 1976, no Barreiro. É Licenciado em Arquitectura do Planeamento Urbano e Territorial e mestre em Ordenamento do Território e Planeamento Ambiental, e  desenvolve a sua actividade profissional como urbanista em Lisboa. E já agora, dedica-se também ao estudo de história, arte e ciência das religiões, sendo autor de dois livros sobre o tema. A história da Ponte é uma edição da Guerra & Paz, com 288 páginas.

 

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OUVIR - Uma das coisas que me surpreende, com satisfação devo dizer, é constatar que nomes grandes da música popular, que se celebrizaram nos anos 60, continuam a produzir com uma pujança criativa assinalável, supreendendo muitas vezes pela maneira como conseguem sair “fora da caixa”. Paul Simon, que tem agora a provecta idade de 74 anos, lançou por estes dias um dos mais conseguidos discos da sua carreira a solo - arrisco-me a dizer que o mais inesperado e bem sucedido desde “Graceland”, de 1986. O novo trabalho chama-se “Stranger To Stranger”. Cabe aqui dizer que Paul Simon editou o seu primeiro disco, com Art Garfunkel, no distante ano de 1964, portanto há 52 anos. Em “Stranger To Stranger” Paul Simon continua a dedicar atenção a músicas do mundo, desde sonoridades africanas, até ao flamenco, ou, mais contemporâneo, samples do DJ italiano Clap! Clap!. Isto, além de uma série de instrumentos artesanais como um chromelodeon ou um harmonic  canon, desenvolvidos pelo compositor Harry Partch. Como tantas vezes na sua carreira, algumas destas canções são tristes - reflectem desilusão, perda, exclusão, mas têm também sentido de humor e de ironia, como logo na faixa inicial, “The Werewolf”. Devo dizer que é dificil eleger uma das 11 canções - mas não resisto a deixar aqui o meu destaque para “Insomniac’s Lullaby”, uma balada que entra directa para a lista dos grandes clássicos de Paul Simon. CD Concord/Universal, já disponível em Portugal.

 

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VER - Esta semana o MUDE sai para fora de portas enquanto decorrem as obras na sua casa, na Rua Augusta, e vai para a Sala do Risco, na Praça do Comércio, com a exposição "Abaixo as fronteiras! Vivam o design e as artes". Um pouco mais acima, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, José Maçãs de Carvalho mostra “Arquivo e Melancolia”, mais uma das incursões que tem feito ao seu arquivo pessoal de imagens, iniciado em 1988.  Ainda no Chiado, na Livraria Sá da Costa, renascida como alfarrabista e local de exposições, Teresa Milheiro mostra novas peças de joalharia numa colecção, exposta em vitrinas, a que chamou “Insectarium” (na imagem). Passando para o que acontece lá fora, Cristina Ataíde continua a mostrar a  sua obra do Brasil, desta vez em São Paulo, com uma exposição na galeria Virgílio- Mostra esculturas e desenhos sob o título “Até ao Abraço” e foi já elogiada pelo jornal “Estado de S. Paulo”. Em Miami, na Galeria Merzbau, abriu a exposição “Portugal Tropical”, com obras de Pedro Calapez, Mónica de Miranda e Maria Ana Vasco costa, comissariada por Alda Gasterer e Verónica de Mello.

 

PROVAR - Santo António está à porta e a sardinha está atrasada. Está magra, falta-lhe corpo e sabor. O mesmo acontece com alguma fruta - este ano o tempo atrasou-se a e natureza queixou-se como pode - não oferecendo o que tem de melhor na estação certa. A bem dizer, este ano nem se deviam comer sardinhas nesta altura, para permitir que daqui a um mês elas tenham vivido até ao seu estado ideal. Mas a tradição é o que é e os arraiais hão de ter muitas bancas de sardinha, um bocado esqueléticas demais para serem saborosas. Em Lisboa há os arraiais tradicionais e os arraiais mais modernos, como o que este ano está montado num novo local, em Campolide, por iniciaitiva do dinâmico presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto. Uma boa opção para as festas, evitando comer as sardinhas fora da sua altura ideal, é procurar os caracóis, um petisco estival que nestes dias mais quentes se torna especialmente saboroso ao fim da tarde, acompanhado de uma cerveja bem tirada. O caracol, bem cozido e bem temperado, é dos melhores petiscos desta época do ano. Permanencendo em Campolide, mesmo em frente ao parque para onde o arraial local se mudou por estes dias, está, ao fim da Rua de Campolide, no numero 370, a Casa dos Caracóis, a mais recente inciativa de um grupo que tem já nove lojas  - e que é o maior importador nacional de caracóis, a partir de Marrocos. A Casa dos Caracóis em Campolide é exclusivamente um take away, que fornece o petisco em caixas que vão dos 6 aos 38 euros e caracoletas assadas a 11 euros a dose. Telefone 217 271 744.

 

GOSTO - Do regresso, pela mão da Porto Editora, da colecção de livros policiais Vampiro.

 

NÃO GOSTO - Da utilização de crianças na guerra política - seja em manifestações, seja em visitas oficiais de governantes em defesa das suas políticas.

 

DIXIT - “Aqui e ali abundam promessas de greves porque, está visto, com este governo quem não berra, não mama” - Manuel Carvalho, no Público

 

BACK TO BASICS - “Uma viagem de mil quilómetros começa sempre com um único passo” - Lao Tzu

 

 

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publicado às 13:50

MARIONETA - Tiago Brandão Rodrigues entrou no Ministério da Educação com a delicadeza de um elefante abanando-se numa loja de porcelana. E levava um programa claro: tirar preocupações pedagógicas da acção do ministério e voltar a posicioná-lo na esfera sindical dos professores.  É isso que tem feito, como se tem visto nos meses que leva do cargo. Na realidade tudo se passa como se o Ministro da Educação se chamasse Mário Nogueira, o líder da Fenprof, que, neste Governo, ganhou de novo protagonismo e prosápia. O Ministério que Mário Nogueira voltou a comandar recuou nos sistemas de avaliação de professores e, com o ano lectivo já iniciado, tomou decisões mal explicadas sobre o fim dos exames do 4º e 6º ano. Em tão pouco tempo fez tanta coisa polémica, e muita incompreensível, que o seu secretário de Estado, João Wengorovius,  se demitiu em “profundo desacordo” com o ministro, não só em relação à política do ministério como “ao modo de estar no exercício de cargos públicos”.  A audição de Tiago Brandão Rodrigues esta semana, no Parlamento, foi um exercício de ilusionismo e de desonestidade intelectual e mostrou como ele não passa de uma marioneta nas mãos dos dirigentes da Fenprof. A recente questão das subvenções ao ensino privado - mal explicadas, mal planeadas, mal anunciadas e de duvidosa eficácia, mais não é que uma birra ideológica e um pretexto para alargar a influência sindical, através do aumento do peso do Estado do sector. A base parlamentar do Governo bem pode enrouquecer a dizer que o problema é o dinheiro, mas é por demais evidente que a decisão de cortar fundos ao ensino privado não tem a ver com finanças públicas mas sim com ideologia pura e dura. Para cúmulo do disfarce mal se compreende que um Governo que anunciou querer subsidiar os taxistas em 17 milhões de euros venha agora dizer que é contra subsídios a privados, ainda por cima em matéria de ensino.

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 SEMANADA - O Governo vai distribuir mil milhões de financiamentos pelas Câmaras Municipais de todo o país antes das autárquicas do próximo ano; as necessidades de financiamento da Grécia a médio prazo são menores que as portuguesas; as exportações de mercadorias recuaram 2% no primeiro trimestre deste ano face a 2015, devido sobretudo à quebra de vendas para Angola e China; mais de um terço dos trabalhadores contratados em 2016 recebem o salário mínimo; no final de Março havia 640.200 pessoas desempregadas e o primeiro trimestre do ano fechou com o desemprego a subir para 12,4%; ao fazer o balanço dos primeiros seis meses do Governo, o Bloco de Esquerda anunciou que deseja mais conquistas no próximo semestre; nos primeiros três meses do ano os pagamentos feitos com cartões aumentaram 8% ; ao todo são pagos com cartões 80 milhões de euros por dia, um aumento de 6% relativamente a 2015; Portugal é o quinto país com o mais elevado indíce de envelhecimento da Europa; em Portugal a pneumonia mata sete vezes mais que os acidentes de viação; um quinto dos remédios não sujeitos a receita médica já é vendido fora de farmácias; Lisboa vai ter um coordenador para gerir a vida nocturna; não está anunciado nenhum coordenador para gerir o caos das obras com ruas transformadas em parque de estacionamento de maquinaria pesada a partir das seis da tarde dos dias úteis e aos fins de semana;  o Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, não se opôs à reintrodução da caça na Serra da Malcata, onde estava interdita há cerca de duas décadas, voltando a desequilibrar o sistema ecológico e a fauna que ali foram recuperados, com custos elevados, nos últimos anos; efeitos das mudanças no mundo e da má imagem dos taxistas: Noddy, o boneco infantil, mudou de profissão  -  agora já não é taxista, é detective.

 

ARCO DA VELHA - Numa época em que quase toda a gente tem uma máquina fotográfica no telemóvel que leva no bolso causa espanto não ter ainda aparecido uma única foto do tal aperto de mão entre Sócrates e Costa na inauguração do túnel do Marão.

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FOLHEAR - Nem todas as editoras, nem todos os editores se atreveriam a esta empreitada - fazer de seguida edições especiais, graficamente muito cuidadas, de três livros que marcaram a História recente da humanidade: o “Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels (1872), “Mein Kampf” de Adolf Hitler (1925) e “O Pequeno Livro Vermelho” de Mao Tse Tung (1964). Produzidos em épocas diferentes, em situações muito diversas, cada um dos três livros desencadeou movimentos que marcaram o curso da História. A Guerra & Paz, porventura a mais criativa e interveniente das editoras portuguesas actuais, colocou estes livros nos escaparates ao longo dos últimos meses. Cada um deles é precedido de um  texto de enquadramento, da autoria de Manuel S. Fonseca, que fundou e dirige a Guerra & Paz. Estes textos ajudam a pôr as obras em perspectiva e a enquadrá-las no tempo. Estão cheios de referências históricas e de citações de outros autores que se debruçaram sobre estas obras e as suas consequências e são acompanhadas por ilustrações que ajudam a visualizar as épocas em que foram feitos. O texto introdutório do “ Manifesto Comunista” chama-se “Visão Heróico-Trágica da Revolução”, o de “Mein Kampf” leva o título de “Ascensão, poder e crime do Nazismo” e o que acompanha ’”O Pequeno Livro Vermelho” chama-se “Violência, Fome e Reeducação na China de Mao”.

 

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OUVIR - Não deixa de ser curioso que os Radiohead, que ao longo dos anos se têm dedicado à utilização de novas possibilidades trazidas pela tecnologias na composição, interpretação e divulgação da música, tenham decidido, dias antes do lançamento do seu novo álbum, proceder a um apagão momentâneo de todo o seu rasto mais visível na internet. É como se tivessem querido passar uma esponja no passado para depois aparecerem com este “A Moon Shaped Pool”, que está a ser considerado como um dos seus melhores trabalhos de sempre. Mais ainda, “A Moon Shaped Pool”, não desprezando a tecnologia na criatividade nem na divulgação (por enquanto e por mais uns dias continua apenas disponível online), é um trabalho que na sua composição, arranjos e interpretação parte de uma sólida base acústica, vocal e instrumental, com orquestrações complexas. O Guardian fazia notar, penso que com razão, que neste tempo em que a maioria da nova música realmente interessante vem dos territórios do Rhythm ‘n’ Blues e do hip hop - e não do rock - os Radiohead são a excepção que se destaca, mostrando que mantêm a capacidade de surpreenderem e que têm coisas para dizer que merecem ser escutadas e analisadas - desde logo na faixa de abertura “Burn The Witch”. De uma forma geral a voz de Thom Yorke e as orquestrações que Jonny Greenwood concebeu combinam de uma forma rara em termos da música popular. Temas como “Decks Dark” e “Present Tense” mostram exemplarmente isto mesmo. E na inesperada "Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief” a voz de Yorke e o lado tecnológico que pratica enquanto DJ, combinam-se com o imaginário das bandas sonoras que tornaram Greenwood famoso. Mas para mim o grande tema do álbum é “Glass Eyes”, uma canção viciante onde a voz de Yorke se mistura com uma secção de cordas envolvente, num exercício de sensibilidade e simplicidade muito raros. (o álbum foi ouvido em Apple Music)

 

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VER - Se querem descobrir o que por cá se passa na arte contemporânea comecem a pensar em frequentar regularmente algumas galerias. Nessa matéria, o destaque da semana vai para a dupla exposição da galeria Belo-Galsterer, inaugurada esta semana (Rua Castilho 71 r/c). Pedro Sousa Vieira apresenta  “Sleeping Beauty”, a sua segunda exposição individual nesta galeria, agora  com obras feitas expressamente a pensar no espaço, a partir de técnicas de colagem digital e conjugação de suportes multimedia. Pedro Sousa Vieira, que vive e trabalha no Porto e tem uma carreira de quase trinta anos, recebeu em 2015 o prémio Amadeo de  Souza-Cardoso. A segunda exposição é “Solo Project”, do fotógrafo moçambicano Mário Macilau, que apresenta uma única obra (na imagem), destacada da série “Out of Town” , um trabalho que documenta a vida do dia-a-dia das comunidades rurais do Burundu (Quénia) e de Moçambique. Mário Macilau, que vive e trabalha a partir de Moçambique, esteve presente na 56ª Bienal de Veneza, no Pavilhão do Vaticano. Estas duas exposições estarão na Galeria Belo-Galsterer até 30 de Julho. Outros destaques para esta semana: a exposição “Intimidade”, de Luísa Ferreira, na Pequena Galeria (Avenida 24 de Julho 4C), um belo ensaio fotográfico publicado no número 3 da Granta Portugal; e, a  terminar, noutro registo, a exposição de cerâmicas de Julio Pomar, sob o título “Decorativo, Apenas”, na Casa Museu Julio Pomar, Rua do Vale nº7 ao Bairro Alto.

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PROVAR -  Um dos pratos que gosto de fazer é combinar uma massa, de preferência farfalle, com salmão fumado . Depois da massa cozida e escorrida, junto-lhe o salmão cortado às farripas largas, após ter sido bem temperado e marinado em endro, sumo de limão e um pouco de vinho branco; vou misturando na massa e adiciono uma lata de filetes de anchova de boa qualidade convenientemente escorridos e cortados e uma colher de sopa de alcaparras; eu gosto de acrescentar queijo philadelphia aos pedaços pequenos, por forma a dissolverem-se na mistura - com a eventual ajuda de um pouco da água de cozedura da massa (que convém sempre reservar) para que tudo fique bem ligado. No fim tempera-se com pimenta e, na minha opinião, acompanha-se com um bom vinho rosé. Este ano estou a gostar muito do Lybra Rosé, da Quinta do Monte d’Oiro, feito a partir de uvas 100% da casta Syrah, oriundas de  uma parcela da vinha que só produz uvas para rosé, colhidas à mão e com estágio de cinco meses em cubas inox. É fresco e liga muito bem com estes pratos mais estivais. À venda por cerca de 7 euros.

 

DIXIT - “O que foi Sócrates fazer ao Marão? Mostrar que, se quiser, e se a justiça não o importunar muito, pode alterar o xadrez da política nacional” - Helena de Matos no Observador.

 

GOSTO - Por iniciativa do Centro Nacional de Cultura o Chiado volta a estar em festa entre 14 e 21 de Maio com dezenas de actividades - ver programação em www.cnc.pt

 

NÃO GOSTO - O PAN  quer que se comece a discutir em tribunal  quem é que fica com o cão e o gato em caso de divórcio.

 

BACK TO BASICS - Se é certo que o saber pode causar problemas, ainda é mais certo que não é com a ignorância que os podemos resolver - Isaac Asimov

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publicado às 16:02

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POESIAS - Estava eu a ouvir Mário Centeno no debate parlamentar desta semana e lembrei-me de um poema de Bertolt Brecht, que começa assim: “Todo os dias os ministros dizem ao povo/Como é difícil governar. Sem os ministros/O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima”. É a segunda vez, em poucos dias, que Brecht me vem à memória. A primeira foi depois desse momento sublime dos conselhos de António Costa, quando recomendou que não se andasse de automóvel, que não se fumasse, estabelecendo regras de bom comportamento. Pensei nessa altura que, por este andar, qualquer dia vai estar a dizer-nos outras coisas que podemos ou não fazer. Ou dizer. E vai daí lembrei-me deste poema, também de Brecht:

“Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

 

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

 

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

 

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho o meu emprego

Também não me importei

 

Agora vierem buscar-me

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo”.

 

SEMANADA - Os automobilistas portugueses vão pagar mais 580 milhões de euros este ano; um Renault Mégane é proporcionalmente mais penalizado na nova fiscalidade automóvel que um Lamborghini e os veículos híbridos e eléctricos ficam a perder no novo OE; os técnicos da Unidade Técnica de Apoio Orçamental do Parlamento alertaram para a “elevada incerteza” das estimativas na proposta de Orçamento; Mário Centeno considerou, numa entrevista, que “quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada”; metade da consolidação orçamental vem do lado da receita, a despesa continua impune; as gorduras do Estado aumentam 8,6%, ou seja 912 milhões de euros, e batem novo recorde; há 20 mil casos de propinas em atraso em quatro universidades, sendo que a de Coimbra lidera a lista; enquanto estava na oposição António Costa passava a vida a acusar o Governo de ser obediente em relação a Angela Merkel, mas a verdade é que, como Primeiro-Ministro, Costa conseguiu arranjar pretexto para ir ouvir Merkel antes de fechar o processo do Orçamento de Estado; apesar de todas as medidas da CML, tomadas ainda no tempo de Costa, o trânsito na Avenida da Liberdade aumentou 30% em apenas um ano, ao contrário das previsões anunciadas; extrapolamos a eficácia das suas previsões lisboetas para a matéria orçamental?; no último ano duplicou o número de pedidos de asilo político em Portugal, sobretudo de cidadãos da Ucrânia, Mali, China e Paquistão; os turistas chineses gastam em média 600 euros em compras quando visitam Portugal; 65% dos médicos trabalham no Serviço Nacional de Saúde; nenhum hospital público do Norte tem médicos especialistas à noite; em quatro anos saíram do país mil médicos; mais de meio milhão de portugueses não sabe ler; antes de sair de Belém, Cavaco vai condecorar Vitor Gaspar - que mal frequentadas andam as condecorações nacionais.

 

ARCO DA VELHA - Um estudo da OCDE aponta que Portugal é o quarto pior país para se trabalhar, apenas ultrapassado pela Turquia, Espanha e Grécia.

 

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FOLHEAR - “A Ilha do Tesouro” - Há muito tempo que não pegava neste livro. Literalmente, há décadas. E, no entanto, foi um dos meus livros do início da juventude - via-o como o supra sumo dos livros de aventuras. Foi a época em que devorava histórias de piratas umas atrás das outras e que nem sonhava que um dia Indiana Jones havia de tomar conta da minha imaginação. Razão tinha Robert Louis Stevenson, o autor de “A Ilha do Tesouro” quando disse que “a ficção é para o homem adulto o que o brinquedo representa para a criança”. Folheio esta nova edição e vou-me recordando de tudo o que vivi, sonhando a ler este livro -desde os mistérios da arca do marinheiro aos enigmas do mapa do tesouro, e até aos feitos do insuperável Capitão Silver. “A Ilha do Tesouro” foi o primeiro romance de Robert Louis Stevenson e foi o livro que mais fama lhe trouxe. Fiquei fascinado ao redescobri-lo na nova edição da Guerra&Paz, com belíssima tradução de Rui Santana Brito. Na nota de contra-capa o editor diz, com razão, que “esta é a mais popular história de piratas de todos os tempos”. Se Stevenson fosse nosso contemporâneo não lhe havia de faltar matéria prima para falar sobre piratas, olhando para o que se tem passado em Portugal.

 

Andrei Rublev (1966)

VER - Hoje não falo de exposições. Venho apenas recomendar um ciclo de cinema, dedicado à obra do cineasta Andrei Tarkovsky, amaldiçoado por Brejnev e pelo regime soviético, e o maior realizador russo depois de Sergei M. Eisenstein. Este ciclo começa exactamente pelo filme “Andrei Rublev”, que foi a causa da irritação de Brejnev, que manteve o filme proibido de ser exibido na então União Soviética até 1971, acusando-o de mostrar uma visão deturpada da História. O ciclo começou ontem, quinta-feira, no Nimas, em Lisboa, e tem também programação no Porto a partir de dia 12, no cinema Campo Alegre. Além de “Andrei Rublev” (cartaz original na imagem) o ciclo, que se estende até ao início de Março, inclui a longa metragem de estreia “O Pequeno Ivan” (que ganhou um Leão de Ouro em Veneza), “Solaris” (de 1972), “Stalker” (de 1979), “O Espelho” (de 1975), “Nostalgia” (de 1983) e o derradeiro “O Sacrifício” (de 1986). A programação pode ser encontrada no site da Medeia Filmes(http://medeiafilmes.com/eventos/ver/evento/ciclo-cinema-russo-andrei-tarkovsky-espaco-nimas/) e inclui também a curta-metragem “O Rolo Compressor E O Violino”, que foi o trabalho de fim de curso do cineasta e que é exibido nos mesmos dias que “O pequeno Ivan”.

 

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OUVIR - O pianista norueguès Tord Gustavsen é responsável por um dos melhores discos dos últimos anos, “The Well”, de 2012. Interpretado com o seu quarteto, “The Well” teve uma sequência lógica em “Extended Circle”, editado dois anos depois. Entretanto Gustavsen sentiu necessidade de sair do caminho que tão bem tinha trilhado nesses dois discos e regressou à ideia de um álbum onde músicas e palavras se completassem, como já tinha feito no início da sua carreira. Com uma extraordinária cantora, meio alemã, meio afegã,  Simin Tander, fez um CD de canções simples, maioritariamente com temas tradicionais e de raízes religiosas. Aqui estão textos da tradição popular norueguesa, versões inglesas de escritos do século XIII do poeta e místico persa Rumi, mas também o célebre”I Refuse” de Kenneth Rexroth, um poeta da Beat generation. Além de Tord Gustavsen no piano, teclados e baixo sintetizado, e da voz de Simin Tander, o baterista Jaris Vespestad completa a formação que fez este ”What Was Said”, o CD gravado em meados de 2015 e editado em Janeiro deste ano pela ECM. Na Amazon.

 

PROVAR -  Como os meus leitores hão-de já ter reparado ando um pouco enfastiado com os chefs portugueses. Diria mesmo que vai sendo altura de substituir a adoração aos chefs pelo elogio aos restaurateurs - os criadores de restaurantes, os que pensam no seu conceito, na sua arquitetura, no tipo de serviço que querem prestar, na clientela que querem conquistar, em quem se vai ocupar da cozinha e na comida que pretendem servir, bem entendido - ou seja, pensam nos clientes antes de pensarem na sua própria glória. Um restaurador - para usar o termo português (que se presta a alguma confusão) é aquilo a que no linguajar contemporâneo se poderia chamar um curador de comensais. Às vezes são eles próprios chefs, mas não se põem em bicos de pés. Já houve tempo em que havia alguns restauradores dignos de nota, agora a coisa é mais escassa na nova cultura ditada pela moda dos balcões dos mercados virados tascas modernaças - que sinceramente é um conceito que me irrita. Mas voltemos aos restauradores. Há em Lisboa um que merece destaque - é nepalês, veio para Portugal no final dos anos 90 e conseguiu criar ambientes especiais. Chama-se Tanka Sapkota, dedica-se à comida italiana que estudou com afinco e não hesita em fazer  experiências. É conhecido pela qualidade das suas pizzas napolitanas, mas não hesita em misturar massas tradicionais com, por exemplo, perceves ao lado de camarões da costa. E faz isso com tanto à vontade como é dos raros a servir trufa branca na estação e a incluir generosas lâminas de trufa negra nas suas pizzas. Depos de várias casas alheias, a começar pela antiga Trattoria, o Come Prima foi a sua primeira grande experiência e agora tem também o Forno d’Oro, onde dantes era o Mezzaluna. Mas é o Come Prima que merece mais atenção pelos pormenores da decoração, pelo espaço, pelo ambiente e pela qualidade da confecção. O próprio Tanka Sapkota está nas salas dos seus restaurantes, fala com os clientes, permanece atento, como um bom restaurador deve fazer. O Come Prima fica na Rua do Olival 256,  e tem o telefone 213 902 457.

 

DIXIT - “Estou convencido de que queriam evitar que eu apresentasse a minha candidatura à Presidência” - José Sócrates, explicando a sua detenção em entrevista a um jornal holandês.

 

GOSTO - As exportações portuguesas cresceram 33% nos últimos cinco anos.

 

NÃO GOSTO - Um terço dos parlamentares portugueses concilia a sua actividade enquanto deputados com actividades na advocacia ou na consultoria, o que potencia conflitos de interesse - denuncia um relatório do Conselho da Europa.


BACK TO BASICS - É muito perigoso querer ter razão quando o Governo está errado - Voltaire

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publicado às 14:00

 

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 DÚVIDAS - Nas eleições presidenciais do próximo Domingo tenho apenas estas duas dúvidas: Como evoluirá a abstenção em relação a anteriores eleições para a Presidência da República? Conseguirá Marcelo Rebelo de Sousa ser eleito à primeira volta? As duas perguntas, no fundo, estão ligadas - já que uma variação sensível da abstenção, no sentido do seu aumento, pode colocar uma decisão logo à primeira volta mais difícil. Se no entanto não existir uma evolução sensível da abstenção, e se a eleição ficar decidida já no Domingo, então estaremos perante um caso em que a mais estranha e cinzenta das campanhas produziu resultados. Eu há meses que decidi em quem irei votar (e aqui deixo dito que será em Marcelo Rebelo de Sousa), mas fico surpreendido pela forma como todas as candidaturas usaram de forma rotineira a internet, abdicando de um território online interactivo e criativo, apenas com conteúdos meramente informativos sem grande chama - menosprezando assim a possibilidade de comunicar eficazmente com a geração que tem entre 18 e 25 anos, segmento demográfico onde a abstenção é maior, e que provavelmente poderia votar pela primeira vez para a Presidência. Outra coisa que esta campanha mostrou é que o modelo dos debates em rádio e televisão, com todos os concorrentes, está esgotado. As audiências foram fracas, o esclarecimento foi próximo do zero. Cada debate limitou-se  a ser uma montra de chavões e, por vezes, de pequenas disputas, maioritariamente sem interesse. O debate de televisão alargado, de terça feira à noite, na RTP1, obteve um share de audiência de 11,3%. No mesmo horário, nesse dia,  a SIC registou 24,8% e a TVI obteve 29,7%. O conjunto dos canais de cabo teve 24,1% . Em termos práticos a média de espectadores durante o debate ficou nos 564 mil espectadores. Não entrou sequer no Top 15 dos programas mais vistos do dia. É curto e poderá ser a maior prova de que a liberdade editorial deve prevalecer sobre as imposições do sistema, estabelecidas há mais de 40 anos, quando o consumo dos media era completamente diferente do que é hoje.

 

SEMANADA - Os juros da dívida portuguesa já começaram a subir por efeito das medidas mais recentes do Governo; o risco dos bancos portugueses disparou após as intervenções recentes no Novo Banco e Banif; alguns dos maiores Bancos do mundo reuniram-se esta semana para coordenarem a oposição às decisões do Banco de Portugal no caso das obrigações do Novo Banco; o prémio de risco português está a atingir máximos, reflexo da fuga de investidores em dívida da República; também fruto da saída de investidores, a Bolsa portuguesa está em queda, tendo perdido mais de 12% já este ano; a dívida da Parque Escolar está perto dos mil milhões de euros; um estudo do Commerzbank defende que medidas do Governo de António Costa põem em causa "a competitividade" e o ‘rating’ de Portugal e alerta para hipótese de um novo resgate; Bruxelas exigiu ao Governo um corte no défice para um valor abaixo dos 2,8% previstos pelo executivo; a CGTP vai ficar de fora do acordo de concertação social promovido pelo Governo; Catarina Martins, a propósito do Orçamento de Estado, disse que a Comissão Europeia não tinha percebido que em Portugal o Governo era de esquerda;  Jerónimo de Sousa avisou que acordo com António Costa pode cair se houver recuo nas medidas acordadas; António Costa avisou Bruxelas que não abdica de promessas eleitoriais e disse que a negociação com Bruxelas estava a ser difícil; o contrabando de tabaco vindo do Leste já provocou ao Fisco  perdas de 6,3 milhões de euros; as insolvências de empresas aumentaram 7,6% em 2015 face ao ano anterior;  só seis países têm a gasolina mais cara que Portugal; um estudo divulgado esta semana mostra que no sector privado, os trabalhadores por conta de outrem ganham, em média, 1.140,4 euros, menos do que os funcionários públicos, e o vencimento das mulheres é inferior ao dos homens em mais de 20%; sinal dos tempos: em Portugal o filme “A Queda de Wall Street” superou em receitas de bilheteira o mais recente “Star Wars”.

 

ARCO DA VELHA - O embaixador em Paris, Moraes Cabral, ex chefe de gabinete de Jorge Sampaio, negou autorização para que o artista português, Tony Carreira, recebesse na embaixada de Portugal a condecoração “Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres”, que lhe foi atribuída pelo Ministério da Cultura de França. A ideia de receber a condecoração na embaixada foi do cantor,  já que havia precedentes em casos semelhantes. O embaixador Cabral não achou adequado. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, S. Silva, comentou o assunto dizendo que um dos seus sonhos era assistir a um concerto de Carreira.

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FOLHEAR -  Neste tempo de coisas imediatas, uma das revistas mais curiosas que descobri chama-se “Delayed Gratification”, vai no seu 20º número e apresenta-se como “The Slow Journalism Magazine”. Criada em 2011 a revista, editada quatro vezes por ano, não dá notícias, mas investiga e desenvolve factos que decorreram num trimestre anterior. O objectivo é ganhar distância em relação à actualidade, deixar passar a espuma dos dias, reflectir sobre os factos, fazer investigação, preparar cuidadosas infografias, fazer análise, publicar opinião contextualizada, editar fotografia com cuidado. Podem descobrir mais sobre esta publicação em www.slow-journalism.com . O Huffington Post considera “Delayed Gratification” como “uma fantástica publicação que ajuda a colocar os acontecimentos em perspectiva”. É assim como um almanaque sobre um passado ainda próximo, mas que nos permite encará-lo de outra forma.

 

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VER - Nesta semana destaco a exposição «The behaviour of being» de Pauliana Valente Pimentel, que está na Galeria das Salgadeiras até 5 de Março (Rua da Atalaia 12 a 16, ao bairro Alto).  «The behaviour of being» é fruto de uma residência em que Pauliana Valente Pimentel participou em Junho de 2015, no Algarve, juntamente com outros 12 artistas internacionais, uma organização da “The Beekeppers” and “The Cob gallery”. A exposição foi apresentada nesta reconhecida galeria londrina em Setembro último e retrata um ambiente de produção artística colectiva, fora dos grandes centros urbanos. Anteriormente Pauliana Valente Pimentel tinha desenvolvido «The Passenger», em que retratou uma viagem de comboio com diversos artistas pela Europa e, depois, «Jovens de Atenas», um olhar sobre a juventude grega durante a crise que atingiu o país. Paulina Valente Pimentel tem desenvolvido um olhar fotográfico muito particular sobre momentos aparentemente banais, num tom intimista que evoca quase a estética dos velhos álbuns pessoais de fotografia familiar ou de viagem.

 

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OUVIR - Tenho uma tendência para gostar de todos os discos de Neil Young - ele é a coisa mais próxima do indiscutível que conheço, musicalmente falando. Há poucos dias recebi via Amazon o duplo CD Neil Young And Bluenote Café, uma edição de final de 2015 saída dos arquivos do músico. Aqui estão gravações realizadas ao vivo em 1968 durante a digressão de Young com os Bluenote Café um pouco por todos os Estados Unidos e Canadá. Ao todo são 23 canções - sete delas até agora inéditas em disco e ainda uma versão de19 minutos do clássico “Tonight’s The Night”, que encerra o CD2 deste álbum - uma versão gravada em Nova York “numa noite louca”, como está dito nas notas de capa. Os Bluenote Café eram uma banda de nove músicos que, além do baixo, bateria e teclas incluía uma secção de seis metais. Esmagador é mesmo a única palavra que me ocorre para este álbum que me tem acompanhado nestas semanas.

 

PROVAR - Uma das mais inesperadas e mais úteis prendas que recebi ultimamente foi um objecto que dá pelo nome de “spiralizer”. Há-os de vários formatos mas aquele que eu prefiro, e que foi o que recebi,  é uma espécie de afia lápis gigante onde se podem colocar courgettes ou pedaços de abóbora por exemplo, rodando-os como um lápis num afia. O resultado surge com a forma de fios de esparguete, só que é vegetal. A minha preferência vai para o “esparguete” de courgette: uma vez cortado salteio levemente, em azeite, tempero com gengibre, sal, pimenta e cebolinho. Muitas vezes junto tomate cherry biológico cortado aos quartos e no fim adiciono ou atum de lata (ao natural) desfeito grosseiramente, ou pedaços de frango assado ou grelhado. Também fica muito bem como suporte a um tradicional molho de bolonhesa. Conte com courgette e meia por pessoa. Pode encomedar na Amazon, onde encontra vários modelos destes aparelhos.

 

DIXIT - “Não uso a palavra corrupto, não gosto da fonética, é um bocado apardalada” - Bruno de Carvalho, numa entrevista à RTP 3

 

GOSTO - A editora Guerra & Paz iniciou a publicação de três obras históricas e polémicas, em novas edições particularmente cuidadas do ponto de vista gráfico: o “Manifesto Comunista” de Marx e Engels (já à venda), o “Mein Kampf” de Adolf Hitler e o “Livro Vermelho” de Mao Ze Dong. Todas as obras têm um texto de introdução e contextualização do editor Manuel S. Fonseca.

 

NÃO GOSTO - O Ministério dos Negócios Estrangeiros comprou por cerca de cem mil euros um faqueiro alemão para eventos protocolares, em detrimento de diversos fabricantes portugueses que podiam fornecer idêntico material.

 

BACK TO BASICS - “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original” -  Albert Einstein

 

 





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