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MEMÓRIAS  - É uma coincidência notável que na mesma semana estreie o filme sobre Paula Rego e seja editada uma nova pérola do arquivo de Amália Rodrigues, desta vez sobre a sua carreira em Itália. A partir de pontos de partida e de carreiras artísticas completamente diferentes estas duas mulheres são  exemplos da criatividade portuguesa para um mundo que nos achava desinteressantes, passada que foi a época das Descobertas, em que fomos pioneiros da globalização. A partir de Londres, onde estudou, Paula Rego desenvolveu uma carreira incontornável, ganhando o reconhecimento internacional, em termos de crítica e de mercado de arte. Forçando paralelismos, Amália conseguiu fora de fronteiras, desde cedo, um sucesso maior que aquele que aqui obtinha - sendo reconhecida e aplaudida em todo o mundo. Serve toda esta introdução para falar da importância da preservação da memória audiovisual dos nossos criadores. O filme, magnífico, sobre Paula Rego foi uma encomenda da BBC ao seu filho, que é um cineasta com méritos reconhecidos; Amália foi filmada por Augusto Cabrita, para um documentário nunca finalizado. Este é o retrato do nosso subdesenvolvimento audiovisual. Não preservamos a nossa memória. O operador de serviço público de televisão, a RTP, desperdiça recursos em séries grotescas, em concursos serôdios e em transmissões de futebol mas é incapaz de ter uma linha de produção de documentários, continuada e coerente,  que preserve a memória do talento português contemporâneo  para as próximas gerações.

 

SEMANADA - As viagens de finalistas que se realizam nas férias da Páscoa estão esgotadas há quatro meses e só uma agência, das várias que actuam nesta área,  vai levar 8000 jovens para o sul de Espanha; ainda há 154 milhões de escudos, em notas antigas, nas mãos dos portugueses e  no ano passado foram trocadas notas da antiga moeda no valor de 1,1 milhões de euros; há mais de cinco mil idosos que vivem isolados, dos quais 3500 que vivem sozinhos; Portugal fabricou e exportou 96 milhões de euros em notas de 50 euros para outros países comunitários; em 2016 os hospitais públicos sinalizaram 708 doentes, na maioria idosos, que ficaram nos hospitais para além do período normal de internamento porque os familiares não os queriam de lá tirar; as ajudas concedidas aos bancos e sector financeiro já custaram 13 mil milhões de euros aos portugueses; Portugal foi o sexto país da União Europeia que mais pagou em ajudas financeiras à Banca; tudo somado, e se a operação de resgate do Novo Banco não correr bem, o antigo BES poderá custar ao sistema financeiro, aos obrigacionistas e aos contribuintes 11,2 mil milhões de euros; mais de 118 milhões de pessoas vivem em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia; de acordo com os resultados do estudo TGI da Marktest, 33.4% dos portugueses têm consola de jogos em casa.

 

ARCO DA VELHA - O pároco da paróquia de Olhão mandou decapar a jactos de água a igreja matriz da cidade, construída no século XVI, para retirar a tradicional cal e, em sua substituição, mandou pintar o templo com tinta plástica.

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FOLHEAR - “Lodestars Anthology” é uma revista independente, editada no Reino Unido desde 2014. Destina-se a viajantes  - não é bem a quem gosta de viagens turísticas organizadas, mas sim a quem tem curiosidade em conhecer as gentes, costumes e características dos países que visita. Cada edição é exclusivamente dedicada a um país e a mais recente tem por tema o Japão. É um número magnífico, como sempre muito bem fotografado e ilustrado, com 160 páginas, ao longo das quais visitamos a cultura, a arte, a tradição, a religião, pequenos paraísos escondidos, ou a gastronomia. Conjuga crónica com reportagem e entrevista, mostra a natureza mas também o efeito que a arquitectura nela pode exercer. Na realidade  a Lodestar sai dos roteiros turísticos e descobre o pormenor, do florir das cerejeiras até aos locais onde perduram as tradições, maravilhas escondidas como um laboratório botânico ou, noutro campo, a vida das mulheres mergulhadoras que, numa zona do país,  desde há séculos capturam marisco entre as rochas. No fundo, a Lodestar Anthology é sobre criatividade, descoberta e viagem. Já fez edições sobre Inglaterra, Canadá, Escócia, Itália, Austrália, Suécia - o Japão é o sétimo país - e os próximos são Nova Zelândia e França, ainda este ano. Podem seguir as actividades no site, no Facebook, ou comprar a revista online ou na Undercover, em Lisboa, na Rua Marquês Sá da Bandeira.

 

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VER - Estreou esta semana o filme “ Paula Rego, Histórias & Segredos” e sexta-feira dia 7 inaugura a exposição com o mesmo título na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. O filme fica em cartaz em Lisboa, Porto e Cascais e neste fim de semana é assinalado o dia Paula Rego, com exibições especiais em 12 cidades, por todo o país. Mais tarde o filme será editado em DVD e exibido na RTP. Todos podem ter oportunidade de o ver. Trata-se de uma produção encomendada pela BBC e realizada por Nick Willing, um cineasta que é filho de Paula Rego e que, na estreia, fez questão de dizer que este é “o  filme que fiz com a minha mãe e não sobre a minha mãe” . O filme baseia-se em conversas com a artista e em imenso material de arquivo, de fotografias a filmes familiares em super 8 e que são particularmente importantes para mostrar a vida de Paula Rego e de Victor Willing, o seu marido, durante os anos em que viveram em Portugal, na Ericeira. Este documentário  mostra de forma exemplar  o processo criativo de Paula Rego - o que ela faz, porque o faz e como o faz e a esse nível é de uma riqueza impressionante no detalhe e naquilo que nos transmite. Nick Willling, apesar de ser filho, consegue um olhar simultaneamente próximo e distante, mas sempre íntimo, no entanto sem pudores nem complacências. Como Paula Rego diz a certa altura do filme ela pinta continuamente para não falar - é a pintura que a alimenta: “a vida é o trabalho”, desabafa, evocando as muitas dificuldades a que a sua opção artística esteve associada até surgir o sucesso. “Paula Rego, Histórias & Segredos” é ainda uma viagem ao país que Portugal era nos anos 60. Temas como a presença da religião, do sexo ou do medo não são evitados, com incursões entre as influências de Dante e de Disney na obra da pintora.  A edição e montagem são exemplares, a sonoplastia é certeira. E o filme termina com Amália, a cantar a “Gaivota”, de Alexandre O’Neill, recordando o amor num perfeito coração, a mesma Amália que é citada em diversos momentos destas Histórias & Segredos.

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OUVIR -  Regressemos a 1970, há quase meio século. Nesse ano Amália celebrava os seus 50 anos e fez “Com Que Voz”, o seu disco mais premiado. Já conquistara público no Japão e na URSS mas em 1970, logo em Janeiro, deslumbrou os italianos, em Roma. Esse foi o início de uma série de digressões por toda a Itália. Já antes, desde 1950, Amália tivera actuações pontuais em palcos italianos e na RAI. Mas digressões a sério, face a face com o público, aconteceram de 70 para a frente - quase 200 recitais em toda a Itália até 1994 - os anos mais intensos foram de 70 a 78. Logo no recital de Janeiro de 1970 na assistência estava Orson Welles, que se confessava à imprensa italiana grande fã da fadista : “O Fado é um dos géneros mais complicados e é excepcional assistir a um concerto da grande Amália”. É deste tempo que datam filmagens e fotografias de Augusto Cabrita, que acompanhou Amália com o objectivo de fazer um documentário nunca terminado, “O Mundo de Amália”. Graças ao persistente e exemplar trabalho que Frederico Santiago tem feito no arquivo da Valentim de Carvalho, foi agora editado um triplo CD, Amália em Itália, que agrupa gravações de alguns dos recitais e também temas de edições discográficas feitas para o mercado italiano. “Amália em Itália - a una terra che amo” é uma edição incontornável para os apreciadores do trabalho de Amália Rodrigues. É uma edição de coleccionador, cheia de raridades.

 

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PROVAR -  Gosto de cozinhar - ao fim do dia descontrai-me e ajuda-me a organizar as ideias. Gosto de imaginar refeições simples a partir de conservas - e não exclusivamente saladas primaveris ou veraneantes. Muitas conservas ligam bem com uma boa massa ou com arroz. Durante uns tempos experimentei o que a seguir vou relatar com arroz carolino enxuto. Ultimamente tenho usado massa, os cappelletti da marca Garofalo, que existe nomeadamente no Pingo Doce. Os cappelletti têm a vantagem de ganhar bem o sabor daquilo que com eles se cozinha, mais que outras massas. Neste caso resolvi misturá-los com mexilhões de escabeche, de conserva. Os portugueses, da Pitéu, são bons mas têm o escabeche um bocadinho puxado e demasiado presente. No El Corte Ingles encontrei uns mexilhões em escabeche das rias galegas, da marca Atlantic, que são menos intensos no tempero e mais leves - e que se misturam de forma ideal com os cappelletti. Normalmente, e foi o caso, incluo no final da cozedura da massa (e deixo-a sempre um pouco menos tempo que o recomendado), meia dúzia de tomates cherry cortados grosseiramente em oitavos e umas ervas aromáticas próprias para massas. Só depois de escorrer adiciono o conteúdo da conserva, mexo bem e tapo durante uns dois minutos, para misturar os sabores. A acompanhar provei o Marquês de Borba branco de 2016, feito por João Portugal Ramos a partir das castas Arinto, Antão Vaz e Viognier. É fresco, sabores citrinos, colheita cuidada, tem 12,5% e um preço no limiar dos cinco euros. Descontrai e proporciona boa conversa. Bom apetite.

 

DIXIT -  “Lisboa não pode ser uma estância turística sem lisboetas lá dentro” - Henrique Raposo.

 

GOSTO - O Indie Lisboa vai apresentar três centenas de filmes entre 3 e 14 de Maio, dos quais 45 são portugueses.

 

NÃO GOSTO - O Comandante da Escola Prática da GNR foi exonerado por se queixar da demora na abertura de um curso de formação de 450 militares.

 

BACK TO BASICS -”Deixar ao Governo a incumbência de proteger a nossa privacidade é como contratar um mirone para instalar persianas em casa” - John Perry Barlow.

 

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publicado às 13:37

IMPOSTICES - A história dos cidadãos portugueses nos últimos anos resume-se em poucas palavras: pagar sempre mais ao Estado, seja em impostos directos, seja em taxas diversas. A máquina fiscal dispõe de poderes especiais, é muito pouco escrutinada, o sistema de (in)justiça fiscal e tributária favorece os abusos do Estado sobre cidadãos e empresas. Ainda esta semana se soube que a Autoridade Tributária quer reduzir diversos prazos de reclamação dos contribuintes. Soube-se também, felizmente, que a Comissão Nacional de Protecção de Dados não concorda com a quebra de sigilo bancário proposto pelo Governo. Este Ministério das Finanças, e este Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais em especial, têm dado provas de grande desrespeito pelos contribuintes, de que as numerosas notícias de atraso de reembolso e os expedientes utilizados para o fazer são apenas a ponta do icebergue. Nesta matéria dos mecanismos delatórios do reembolso este Governo foi aliás bastante criativo. Não vou alongar-me sobre a postura ética de Rocha Andrade no caso do convite para ir à bola no estrangeiro, com tudo pago, que aceitou de uma empresa em contencioso fiscal com o Estado, nem da forma trapalhona como quis abafar a questão, como se um reembolso restabelecesse a honra - o que não acontece. Basta olhar para o que tem sido a sua acção, desde o que pensa sobre o imposto sucessório que ameaçou reintroduzir, até aos critérios de agravamentos do IMI. Todos os Governo recentes preferem aumentar impostos a reduzir as gorduras do Estado e este não é excepção. E todas as oposições, quando se tornam governo, aproveitam os aumentos antes decretados e, se possível, ainda os carregam. Os combustíveis são um bom exemplo, talvez por se tratar de uma geringonça cujo motor há-de consumir algum carburante. António Costa, por via do seu cobrador Rocha Andrade, é apenas mais um dos intérpretes do tirano Xerife de Sherwood, que carregava nos impostos à medida dos seus custos. Mas Passos Coelho, que foi o anterior actor no papel desse vilão, escusa de se armar em Robin Hood, como fez no lamentável discurso da festa do Pontal. Ninguém o leva a sério. Nesse discurso Passos Coelho fez o papel de velho do Restelo, um arauto da desgraca, sem visão nem caminho. Feitos passados não garantem rendimentos futuros - é apenas o que me ocorre dizer nestas circunstâncias.

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SEMANADA - Até ao final da semana passada já tinham ardido 2500 hectares no parque nacional do Gerês; Portugal, sozinho, é responsável por praticamente metade da área ardida em todos os países da União Europeia em 2016; desde o início do ano já arderam em Portugal quase 120 mil hectares de floresta; o número de candidatos ao ensino superior voltou a aumentar pelo segundo ano seguido e está perto dos 50 mil; em Portugal há 96 mil jovens entre os 20 e 24 anos que não estudam nem trabalham; o Governo deve quase 50 milhões de euros às instituições de ensino superior; os plantéis das equipas de futebol da Liga estão avaliados em 900 milhões de euros; o BPN já custou 3,2 mil milhões de euros aos contribuintes; a economia portuguesa voltou a crescer apenas 0,2% no segundo trimestre face ao primeiro trimestre e o Governo já admite que o crescimento anual possa ficar abaixo de 1%, cerca de metade da previsão inicial; o Ministério das Finanças anunciou que, ao contrário de afirmações anteriores, não vai descer o imposto sobre os combustíveis;  o fisco continua a atrasar os reembolsos do IRS; o Tribunal De Contas identificou mais de 100 milhões de euros em dívida de Câmaras e empresas públicas à Empresa Eléctrica da Madeira e alguma das dívidas têm 30 anos; €268.000.000 é o impacto gerado na economia lisboeta pelo AirBNB em 2015 segundo a própria empresa;  um inquérito divulgado na semana passada afirma que quase 30% dos emigrantes querem voltar ao país.


ARCO DA VELHA - A vítima de um acidente de moto andou a passear de ambulância entre Faro e Portimão e, não tendo conseguido o tratamento urgente de que necessitava, acabou por vir em carro particular para Lisboa, onde finalmente foi operado num hospital público.

 

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FOLHEAR - Sigo há uns meses o trabalho de uma pequena editora exclusivamente dedicada à fotografia, chamada Unknown Books (www.theunknownbooks.net). É uma operação verdadeiramente de paixão, que só faz pequenas tiragens, na maior parte dos casos entre a meia centena e a centena de exemplares e que só vende através da internet. O seu criador, Fábio Roque, é um fotógrafo, ele próprio autor de algumas das obras que edita. A Unknown Books existe desde 2014 e publicou duas dezenas de livros, sempre com edições numeradas, feitos em impressão digital - que nas edições mais recentes tem melhorado muito. É o caso de uma das mais recentes edições, o livro “Saudade”, do norte-americano Nick Tauro Jr, e que é o resultado de uma residência artística que fez em Portugal. É muito curioso observar o resultado de mais um olhar estrangeiro sobre o nosso quotidiano, a nossa luz e os nosso hábitos. Aqui não há a procura do típico nem do fácil, existe um olhar atento para além das aparências. O autor descreve Saudade como - e perdoem-me não traduzir - “a vague and constant desire for something that does not and probably cannot exist, for something other than the present, a turning towards the past or towards the future; not an active discontent or poignant sadness but an indolent dreaming wistfulness.”

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VER - Se está em Lisboa este é um bom momento para ir ver a “Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira (na imagem), que ocupa finalmente o lugar devido na Galeria de Pintura e Escultura Portuguesa, piso 3 do Museu Nacional de Arte Antiga, recentemente inaugurada. Graças aos donativos que possibilitaram a compra da obra e ao exemplar restauro dos conservadores do MNAA, “ganhou nova vida e a cena emerge triunfante sob uma luz divina nascida do genial traço de Domingos Sequeira” - como salienta o próprio Museu. Se gosta de visitar o passado e de um bom trabalho baseado em arquivos, no Picoas Plaza fica o Centro de Informação Urbana de Lisboa e lá pode ver uma exposição fotográfica que documenta os 50 anos da Ponte 25 de Abril. Se está no Porto, em Serralves, até ao fim de Agosto, todas quintas, sextas e sábados há visitas nocturnas ao parque, pela mão de Marco Ramos - “Há Luz no Parque” é o nome da iniciativa. Finalmente se passar por Vila Nova da Barquinha não deixe de visitar o Barquinha Parque, Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista 2007 na categoria "Espaços Exteriores de Uso Público", da autoria da dupla de Arquitectos Paisagistas – Hipólito Bettencourt e Joana Sena Rego. Ali pode encontrar esculturas de Alberto Carneiro,  ngela Ferreira, Carlos Nogueira, Cristina Ataíde, Fernanda Fragateiro, Joana Vasconcelos, José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes, Xana e Zulmiro de Carvalho.

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OUVIR - Parece existir um regresso aos discos essencialmente instrumentais de guitarra portuguesa nos últimos tempos e um conjunto de edições recentes dão nota disso mesmo. Para mim o mais aliciante é o trabalho de Marta Pereira da Costa - por ser o mais aventureiro, a sair do estrito território do fado, que no entanto lhe é muito familiar, para se aventurar a experimentar a guitarra portuguesa na música popular em temas que ela própria compôs,  dos quais destaco Ícaro (com Pedro Jóia), Terra, Encontro (com Richard Bona), Fado Laranjeira (com Camané) e “Moon” (com a iraniana Tara Tiba). O disco regista ainda participações de Rui Veloso e Dulce Pontes, ambas comedidas e a deixarem a primazia à guitarra de Marta Pereira da Costa. Este é um daqueles trabalhos surpreendentes e que fica na memória. Outro trabalho a reter é “Guitarra Portuguesa”, de António, Paulo e Ricardo Parreira, herdeiros de uma grande tradição musical familiar. “Tons de Lisboa”, de José Manuel Neto, conta com colaborações de peso: Carlos Manuel Proença na viola, Daniel Pinto no baixo acústico, mestre Joel Pina e Frederico Gato. Estes dois trabalhos, dos irmãos Parreira e de José Manuel Neto são de uma enorme fidelidade à guitarra portuguesa e ambos são do ponto de vista técnico irrepreensíveis. O que lhes sobra em virtuosismo falta-lhes no entanto na chama criativa e na ousadia que o de Marta Pereira da Costa ostenta. Da actual fornada o menos interessante parece-me ser Maturus, de Custódio Castelo, em guitarra portuguesa de dois braços, também chamada de guitarra siamesa. Como estão todos disponíveis no Spotify, se gosta de guitarra portuguesa, nada como ouvi-los e comparar.


PROVAR -  Um espumante alentejano bom? Estão a gozar comigo ou quê? Pois fiquem sabendo que a coisa acontece e é realidade. João Portugal Ramos criou, a partir de uvas das castas Pinot Noir, Touriga Nacional e Aragonez, o Marquês de Borba DOC Espumante  Rosé.Trata-se de um espumante bruto natural, com 11,5 graus, de cor rosada, com bolha fina, com notas de citrinos que lhe dão frescura e um final seco. É um vinho verdadeiramente surpreendente, que nesta época do ano tanto se revela um aperitivo excelente, como um excelente companheiro de saladas, de peixe ou mariscos. Mas é ao fim da tarde, num destes dias de verão, que verdadeiramente ele fica na memória. Não deixa de ser interessante que João Portugal Ramos lhe tenha dado a sua marca Marquês de Borba, que assim fica renovada e com uma gama alargada para onde menos se esperava.


DIXIT - “As humanidades ou as Artes são bonitas ou feias, e as coisas em ciência estão certas ou erradas. Portanto, o certo é bonito e o errado é feio.” - Professor Jorge Calado

GOSTO - Que o Tribunal de Contas continue a denunciar a má gestão do Estado e dos dinheiros públicos.

NÃO GOSTO - Que o Estado não cumpra ele próprio as regras que obriga os cidadãos a cumprir, como sublinhou o Tribunal de Contas.

BACK TO BASICS - No jornalismo houve sempre uma disputa entre noticiar primeiro e noticiar com rigor - Ellen Goodman

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publicado às 12:38


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