Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


01DF42E9-BB64-4CAE-A151-BF4F7F60178D.JPG

TANGA - Na quarta feira foi divulgada correspondência de António Domingues a Mário Centeno, onde se afirma que o Ministério das Finanças se compromete a criar uma excepção para que a então nova administração da Caixa Geral de Depósitos não tivesse de entregar a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. A divulgação da carta veio confirmar o que há muito se dizia, que havia documentos comprovando uma aceitação de Centeno às exigências de Domingues para constituir equipa e aceitar o lugar. Nesse mesmo dia houve debate no Parlamento, Centeno não compareceu, mas o Primeiro Ministro lá esteve sorridente. António Costa garantiu que Centeno não mente. Mas não disse que Domingues mentia. Centeno nada disse, visto não ter aparecido. Por mais que Costa grite que o Rei Centeno não vai nu, a verdade é que, se ele aparecesse no plenário, provavelmente apareceria de tanguinha, talvez mesmo de fio dental. Ora acontece que, embora se saiba que os políticos e a verdade não combinam bem, um Ministro não pode ser publicamente suspeito de mentir, ocultar, distorcer. E desde quarta feira passada Centeno é suspeito disso mesmo.

 

SEMANADA - 40 meses é o prazo médio de realização de julgamentos para cobrança de dívidas; o acordo ortográfico, que nasceu há 27 anos envolto em polémica,  nunca foi integralmente adoptado pela totalidade dos países de língua oficial portuguesa, entre os quais Angola e Moçambique que não chegaram a assiná-lo; Manuel Alegre considerou “arrogante e autoritária” a posição do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, que é contra a revisão do Acordo Ortográfico; em 2016 aumentou o abandono escolar precoce; a compra de dívida portuguesa pelos Banco Central Europeu atingiu em Janeiro o valor mais baixo de sempre; o tratado de Maastricht, que lançou as bases para a  moeda única, foi assinado há 25 anos; a banca portuguesa apresentava em setembro passado os rácios mais baixos da União Europeia e o terceiro nível de crédito malparado mais pesado; o facebook fez 13 anos e em Portugal cresceu 49% nos últimos cinco anos; os dados do estudo Bareme Rádio da Marktest indicam que, ao longo de 2016, os portugueses registaram um consumo de rádio um pouco acima de 3 horas diárias; um ano após terem sido aprovados os fundos de apoio à Comunicação Social para 2016 as respectivas verbas ainda não foram libertadas pelo Governo.

 

ARCO DA VELHA - 50% da frota automóvel da PSP está parada devido a avarias e falta de verba para as respectivas reparações.

FullSizeRender (21).jpg

FOLHEAR - Neste mundo em que o papel tem tendência a ser ultrapassado pelo digital não deixa de ser irónico que a edição para tablet da revista Tate Etc., dedicada a David Hockney, um dos primeiro e mais destacados artistas plásticos a utilizar o iPad, seja a derradeira neste formato, existindo a partir daqui apenas em papel. Sugiro que façam o ainda possível download da aplicação na AppStore da Apple e comprem este número avulso, para guardar - até porque Hockney merece. Nos últimos tempos tem-se assistido a um desinvestimento em aplicações e a um regresso aos sites e até aos blogues, de que o sucesso do Medium é um bom exemplo. Mas voltemos à Tate Etc. O destaque claro que vai para a retrospectiva de Hockney que estará na Tate Britain até Maio, mas há bom material sobre Robert Rauschenberg ( exposição que está na Tate Modern), para novas fotografias de Wolfgang Tillmans e um belo ensaio sobre as visões que os artistas têm daquilo que vêem das janelas das suas casas. No editorial escreve-se que um recente inquérito a 200 recém formados de engenharia da Universidade de Bath mostrou que aqueles que tiveram cadeiras de arte e design ofereciam uma vantagem assinalável sobre os outros que não tinham estudado estas matérias. Cada vez mais se associa o estudo de disciplinas artísticas ao desenvolvimento da criatividade. “A mensagem é clara - escreve o editor - a arte realmente muda as pessoas, seja o que fôr que venham a fazer na vida. Por favor digam isso a todos os vossos amigos que dizem não se interessar por arte”.

 

FullSizeRender (22).jpg

 VER -  Destaque para duas novas exposições no espaço Central Tejo do MAAT. No espaço Cinzeiro 8, no piso de entrada, José Maçãs de Carvalho volta a mostrar o Oriente através das imagens que foi fazendo ao longo de uma década. “Arquivo e Democracia”,  assim se chama esta exposição, é mais uma peça da série de viagens ao arquivo pessoal de Maçãs de Carvalho, nesta caso centrado em Hong Kong. Os trabalhos apresentados combinam fotografias com video, numa montagem que consegue reconstituir o processo de observação e criativo  numa sequência lógica. É um documento sobre um quotidiano, mulheres filipinas que trabalham como empregadas domésticas em Hong Kong, e que se juntam aos domingos, seu dia de folga, junto à zona central da cidade onde estão as lojas das grandes marcas. A montagem da exposição, a passagem da imagem fixa das fotografias à imagem em movimento do video é feita de uma forma muito conseguida, mostrando afinal como a fotografia se pode prolongar no tempo. No espaço remodelado do primeiro andar, “Central 1”, está a exposição “Dimensões Variáveis”, construída a partir de um conceito importado da publicação “Artistas e Arquitectura”, editada em Paris em 2015. A mostra propõe confrontar a relação entre a arquitectura e as artes plásticas e apresenta trabalhos históricos e actuais de artistas de diversas gerações, nacionais e internacionais, entre os quais Bruce Nauman, Gordon Matta-Clark, John Baldessari, Julião Sarmento, Pedro Cabrita Reis, Rui Toscano, Liam Gillick e Ed Ruscha. “Arquivo e Democracia” fica no MAAT até 24 de Abril e “Dimensões Variáveis” até 22 de Maio.

 

image (83).png

OUVIR - Durante muitos anos a formação clássica do trio de jazz (piano, baixo, bateria) foi a imagem de marca de Brad Mehldau, que explora agora o dueto. Após o disco de final do ano passado com o saxofonista Joshua Redman, juntou-se ao bandolinista e vocalista country Chris Thile, com quem deu uma série de concertos, de onde saíu o disco agora editado. Thile e Mehldau são dois músicos muito diferentes: Brad Mehldau é o melhor pianista de jazz da sua geração e Chris Thile é um virtuoso do bandolim e um vocalista com fama feita na country music., nos blues e interpretações de Bach. Neste disco, há dois temas de Thile, outros dois de Mehldau e um belíssimo original de ambos, a faixa de abertura, “The Old Shade Tree”, proporcionando desde o início uma amostra das capacidades vocais de Thile. E há também algumas versões surpreendentes de originais de outros compositores onde Thile canta com a sua voz de falsete e toca o seu bandolim numa inesperada combinação com as sonoridades do piano. No clássico de Nashville “Scarlett Town”, um tema da dupla David Rawlings e Gillian Welch, Mehldau faz côro ao lado da voz de Thile e o resultado é arrebatador. Destaque para as  versões de canções como  “Don’t Think Twice, It’s All Right” de Bob Dylan, do clássico “I Cover The Waterfront”, um original de Johnny Green imortalizado por Billie Holiday, de “Marcie” de Joni Mitchell ou, ainda, ”Independence Day” de Elliott Smith, aqui numa versão apenas instrumental. “Chris Thile & Brad Mehldau” está disponível em duplo CD, em duplo LP de vinyl (com um tema extra,  “Fast As You Can”, de Fiona Apple) e também no Spotify.

 

PROVAR -  Uma sanduíche pode ser uma coisa fantástica e pode ser uma coisa medonha. Infelizmente a maior parte das sanduíches nos cafés portugueses são medonhas - mesmo as mais básicas. Por exemplo a mais tradicional de todas, a sandes de fiambre, é maioritariamente fornecida sob a forma de uma carcaça amolecida, com textura semelhante a borracha, acidentalmente barrada de manteiga mal espalhada (já nem falo das que levam margarina, que as há), com fiambre em reduzida quantidade, mau corte e qualidade inferior. Na maior parte dos casos o corte é grosso, em vez das fatias finas que têm mais sabor. Se sugerirmos que coloquem uma folha de alface olham-nos como se estivéssemos a pedir para substituir a manteiga por caviar. Se usarmos a variante queijo somos brindados com uma fatia acidental de queijo flamengo sensaborão. Tudo isto piora se passarmos ao presunto, que tem grandes probabilidades de aparecer sob a forma de lascas grossas e algo ressequidas que são um teste à integridade de qualquer dentadura. Nem as organizações modernaças como a Padaria do Bairro ou a Padaria Portuguesa conseguem ultrapassar esta mediocridade sanduicheira básica. O meu conselho é que frequentem sempre o mesmo local, de preferência um café tradicional, que partilhem pacientemente com os empregados da casa como querem a sanduíche, que peçam fiambre “do bom e reforçado” e que ganhem a estima de quem está atrás do balcão. Nestes cafés tradicionais, que gostam de ter clientes regulares e não apenas de passagem, os empregados mantêm-se além das estações e vão conhecendo as manias dos clientes. Felizmente tenho locais assim, como a Confeitaria Valbom, onde me fazem uma magnífica sandes de fiambre onde nada de mal se passa.

DIXIT -  “Hoje não há direita” - Vasco Pulido Valente

 

GOSTO - Da edição, pela Gulbenkian, em três volumes, dos ensaios e artigos de imprensa escritos por Agustina Bessa-Luís entre 1951 e 2007.

 

NÃO GOSTO - Da ausência dos membros do Governo da área da Cultura na apresentação realizada em Lisboa, na Gulbenkian, da recolha de ensaios e artigos de Agustina.

 

BACK TO BASICS - A mudança é o processo pelo qual o futuro invade a nossas vidas - Alvin Toffler

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00

IMG_5380.JPG

 

O NOVO MUNDO - Durante meses muita gente andou a tapar o sol com a peneira, a ver se as eleições americanas se safavam com um mal menor, uma espécie de bloco central entre os directórios dos partidos Democrata e Republicano, que apenas ofereciam mais do mesmo. Hillary, cujo prazo de validade na política americana, de acordo com os parâmetros de Washington já estava expirado, era a sua proposta comum. Acontece que ela foi percepcionada como uma candidata do sistema, das manhosices políticas instituídas, sem trazer nada de novo. Atrás dela estavam os democratas, mas também a elite republicana que se incomodava com o estilo de Trump. Ora estes bem pensantes são, como se viu, de uma arrogância insuportável aos olhos de uma parte importante da América. Já muito foi dito sobre o olhar distorcido e a imagem tendenciosa que os mídia passaram sobre as eleições e os candidatos. No fundo o resultado destas eleições americanas reafirmou que a característica mais importante de um político é a de ser autêntico, de sentir e acreditar no seu projecto de tal maneira que consiga transmitir essa energia aos seus apoiantes independentemente de tradições, elites e de manobras partidárias e de comunicação. Os derradeiros spots de publicidade dos dois candidatos antes do dia das eleições mostram uma Clinton conformista e um Donald confiante e desafiador. Ao longo dos 600 dias de campanha Trump perdeu apoiantes de peso na direcção dos Republicanos, mudou várias vezes a sua equipa operacional, ignorou conselhos do aparelho e foi em frente baseado no seu núcleo duro. E, assim,  acabou por dar aos Republicanos uma vitória inesperada em toda a linha - para além da sua presidência, também no Senado e na Câmara dos Representantes. Li algures, num blog americano,  uma frase que me ficou na memória destes dias: “já passámos por derrocadas económicas e guerras devastadoras - mas hoje em dia as pessoas levam nos seus bolsos aparelhos que são supercomputadores e que ajudam a mudar o que nos rodeia todos os dias e a influenciar quotidianamente as nossas vidas, e isso é algo de novo e que tem um impacto enorme na maneira como o mundo funciona”. A Web Summit, que aí está, no fundo, é sobre isto. E é neste novo mundo que tudo se passará.

 

SEMANADA -  O Ministério da Cultura vai nomear mais três vigilantes para o Museu Nacional de Arte Antiga onde há dias um visitante derrubou e partiu uma escultura do século XVII, do Arcanjo Miguel ; a estação do metropolitano de Arroios fechou devido ao elevado tráfego para a web summit: soube-se esta semana que o IPO do Porto despediu uma farmacêutica que estava em período experimental quando se apercebeu que estava grávida; o consumo actual de leite em Portugal é o mais baixo desde há 32 anos; no último ano emigraram 101 203 portugueses, 32301 dos quais com destino ao Reino Unido; um estudo da Universidade de Aveiro indica que 70% das farmácias dão prejuízo; estão á venda na internet licenças de taxis com valores que vão dos 100 aos 200 mil euros;o crédito à habitação voltou aos níveis de 2010; uma sondagem publicada esta semana para o Negócios e o Correio da Manhã indica que Rui Rio pode obter melhores resultados que Passos Coelho em todos os cenários de confronto com António Costa; o número de professores que se aposentaram este ano é o mais baixo desde 2004; o peso da economia paralela aumentou nos últimos dois anos e já ultrapassa os 25% do PIB.

 

ARCO DA VELHA - Em todo o mundo são tiradas cerca de 93 milhões de selfies por dia.

capa.png

FOLHEAR - Nesta semana em que meio mundo pensa como vai ser a América de Trump, proponho uma escritora norte-americana, politicamente incorrecta e vocacionada para contar episódios picantes com sentido de humor. Chama-se Therese ONeill (writerthereseoneill.com) e escreveu um delicioso livro sobre os bons costumes intitulado “Indecoroso - O Guia da Dama Vitoriana Para o Sexo, Casamento e Conduta”. Se o começar a ler desprevenido poderá pensar que é um texto escrito no século XIX nos tempos da rainha Vitória. A escritora vive no Oregon, um dos estados onde Hillary venceu, embora por reduzida margem. Therese ONeill escreve textos de humor e artigos sobre História para diversas publicações e este é o seu primeiro livro, publicado em Portugal em simultâneo com a edição norte-americana pela Guerra & Paz. Os títulos dos capítulos são todo um episódio: “Baldes para evacuação intestinal”, “A Arte traiçoeira de tomar banho”, “Fazer a corte”, “A noite de núpcias”, “Ser uma boa esposa”, “Orgasmos medicinais e outras ficções” e o “Vício secreto”, para citar só alguns. Ilustrado com desenhos que evocam a época vitoriana,  este “indecoroso” é uma lufada de ar fresco nos ventos que vêm da América.

Exposicao_MAAT_61.JPG

VER - Nos últimos 14 anos o fotógrafo português Rui Calçada Bastos viveu em Berlim e fez dessa cidade o centro das suas expedições pela Europa. Foi registando imagens, observações aparentemente banais, mas que exprimem as suas memórias e a sua visão pessoal dos locais por onde andou, efectuadas em Berlim, mas também em Lisboa, Budapeste, Paris, Estocolmo e Riga, cidades com que o autor confessa ter particulares motivos de afeição. Intitulada “Walking Distance” (na imagem) esta é a mais interessante mostra da nova série de exposições que ficou patente no MAAT, neste caso a partir desta semana e até 16 de Janeiro. Há também uma exposição que assinala os 50 anos de actividade de Eduardo Batarda, intitulada “Misquoteros - A Selection of T Shirts”, um pretexto para um jogo de palavras  que formam 646 frases espalhadas em 30 pinturas. A série completa-se com“Liquid Skin”, uma instalação montada a partir de excertos de filmes de Joaquim Sapinho e Apichtapong Weerasethakul.

Outras sugestões -  “Os Meus Álbuns de Família Um a Um” - que agrupa pela primeira vez os 36 álbuns que  Lourdes Castro fez, na Culturgest, até 8 de Janeiro. No Atelier Museu Julio Pomar o novo convidado é Julião Sarmento. Esta série de convidados cujas obras dialogam com as de Pomar foi iniciada por Rui Chafes e terá, a seguir, Pedro Cabrita Reis - Rua do Vale, até 29 de Janeiro.

Passando para o Porto destaque para a grande exposição de Amadeo Souza Cardoso no Museu Nacional Soares dos Reis que vem em Janeiro para Lisboa para o Museu do Chiado. E, por fim, também no Porto, na Galeria Fernando dos Santos, “Configurações” - pinturas recentes de Pedro Calapez, que inaugura este sábado e fica até 7 de Janeiro, na Rua Miguel Bombarda 526.

image (61).png

OUVIR - Paolo Conte é um compositor e músico italiano que navega pelo jazz com influências de valsas, milongas e do charleston. O seu álbum mais recente, “Amazing Game - Instrumental Music” tem 23 temas feitos desde os anos 90 até agora, inicialmente destinados a bandas sonoras de peças de teatro, filmes, alguns trabalhos experimentais. A improvisação joga também um importante papel em algumas das faixas onde Paolo Conte comanda os seus músicos com o piano mas deixando-os soltos em momentos  de virtuosismo instrumental e evidente cumplicidade. A música de Paolo Conte é feita de uma hábil combinação de melodias e de ritmos, frequentemente evocando memórias de outras sonoridades. Conte nasceu em 1937, estudou direito, foi advogado e tornou-se conhecido como músico a partir da segunda metade dos anos 60 graças a versões de composições suas tornadas populares por nomes como Adriano Celentano que tornou “Azzuro” num êxito. Além de compositor e  músico, o trabalho e o talento de Paolo Conte em áreas como a poesia e a pintura têm sido distinguidos e é conhecida a sua proximidade a nomes como Hugo Pratt, com quem trabalhou em diversos projectos. O seu primeiro disco a solo data de 1974 e desde então editou 16  álbuns de originais e outros tantos de gravações ao vivo e compilações. Este “Amazing Game” é um exemplo da sua versatilidade musical e é um belíssimo guia para descobrir a sua obra em diversas fases. Edição Decca/ Universal, distribuída em Portugal.

 

PROVAR - Gosto de ovos verdes, mas há muito que não provava uns tão bons como as de uma pequena petisqueira situada em Campo de Ourique, chamada Chiringuito - Tapas Bar. O menu está cheio de boas ideias, inclui propostas bem tradicionais como peixinhos de horta, migas de tomate, tábuas de queijos e enchidos, uma variedade de ovos - desde mexidos com espargos ou farinheira, até ovos rotos , tortilha de batata e cebola e os tais ovos verdes que constituiram uma boa entrada. Depois veio rim frito com esparregado e bacalhau dourado à Brás, ambos muito satisfatórios. Fiquei com curiosidade pela coroa de tamboril e gambas e pela empada de perdiz e as costeletas de borrego panadas. O serviço é familiar e atento, um dos vinhos a copo é o Chaminé, que foi o escolhido. Ao longo da semana há propostas de pratos para cada dia, desde feijoada à transmontana até ensopado de borrego ou pataniscas. Ao Domingo há buffet de cozido e à segunda fecha para descanso.  Rua Correia Teles 31 B, telefone 211 314 432.

 

DIXIT -  “O que sei é que pessoas como eu, e provavelmente a maioria dos leitores do New York Times, de facto não perceberam o país em que vivem” - Paul Krugman, sobre a vitória de Trump.

 

GOSTO - Da plataforma GPS (Global Portuguese Scientists) que visa juntar os talentos portugueses espalhados pelo mundo em diversos centros de investigação e que até aqui não tinham qualquer ligação entre si

 

NÃO GOSTO - Da forma como a RTP se prestou a ser manobrada por um fugitivo procurado pelas autoridades, servindo-lhe de escudo e acedendo às suas exigências - coisa pouco consentânea com a noção de serviço público.

 

BACK TO BASICS - Qualquer americano que se disponha a candidatar-se a Presidente devia automaticamente, e por definição, ser impedido de o fazer - Gore Vidal

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00

SOBRE OS REGIMES E OS VOTOS

por falcao, em 01.07.16

BREXIT - Eu percebo que os britânicos que votaram pela permanência na União Europeia se sintam incomodados com o resultado do referendo. Mas já não entendo que os burocratas de Bruxelas, com Juncker à cabeça se armem em carpideiras do brexit. Durante anos fizeram a Europa adoecer, permitiram que entrasse em estado comatoso e incentivaram que ficasse moribunda. Desde a data do referendo sucedem-se, a partir de Bruxelas, os disparates, as ameças, as pressões contra os cidadãos britânicos que votaram pela saída e instiga-se a revolta dos que quiseram ficar, numa ingerência intolerável sobre o resultado de um voto. As carpideiras de Bruxelas não esperavam este resultado porque nunca percebem o que se passa e porque a realidade, para eles, é turvada pelos cocktails que frequentam em círculo fechado. Não foi o Reino Unido que perdeu, foi a Alemanha, com as posições que forçou a Europa a tomar, frequentemante com a ajuda do governo francês (como aconteceu em outros momentos da História), que venceu o primeiro round. Mas, na verdade, isto só agora começou e daqui a uns tempos há-de haver quem pergunte se preferimos ser aliados da Alemanha ou do Reino Unido, se queremos estar com a mais antiga democracia da Europa e com o país onde a criatividade é uma da maiores indústrias nacionais, ou se queremos ficar do lado de quem provocou duas guerras e tem no sangue interferir noutros países. O que se vê dos votos de Juncker e dos seus semelhantes, pelas declarações que proferem, é que os votos afinal valem pouco na Europa. Não admira - um parlamento europeu que é um verbo de encher e não passa de um pesado centro de custos que irradia directivas absurdas, tem sido um dos mais fortes destruidores da utopia europeísta.  Os líderes da UE devem considerar seriamente fazer o que não conseguiram fazer desde 2008: resolver as suas múltiplas crises em vez de tentar saídas improvisadas (...) O Reino Unido não é a causa de tudo isto. A zona euro e os seus líderes assustadoramente fracos são os culpados” -  as palavras são de Wolfgang Münchau, no Financial Times.

IMG_4805.JPG

SEMANADA - Em dois anos ataques terroristas mataram 10 pessoas por dia em todo o mundo; o Ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu numa entrevista que as previsões sobre o crescimento da economia nacional podem ser revistas em baixa em outubro; António Costa veio pouco depois contradizê-lo, afirmando que para 2016 "os dados estão lançados e dão contas certas"; há escolas do ensino básico a passar alunos com sete negativas; o preço da água em Olhão subiu 35%; o Chefe do Estado Maior do Exército decidiu substituir o subdirector do Colégio Militar e o Director de Educação e Doutrina do Exército; há poucos dias o Exército tinha anunciado que um inquérito realizado em Maio ao Colégio Militar “não identificou quaisquer evidências da existência de situações discriminatórias, motivadas por questões raciais, religiosas, sexuais, com base na orientação sexual ou por outros fatores”; desde o início do Euro já foram difundidas mais de 30 mil notícias sobre a competição, 70% das quais sobre a Selecção Nacional; segundo a Marktest 40.2% dos residentes no Continente com 15 e mais anos ouve música gravada ou online através do computador, o telemóvel é o segundo suporte mais usado com 31.7% de referências, seguido do auto-rádio com 25.0% e só depois a aparelhagem Hi-Fi, com 17.7%, o Tablet, com 15.7%, e os leitores de formatos digitais, com 8.1%.; Manuel Sebastião, ex-presidente da Autoridade das Concorrência, estima que a “soma simples dos custos dos quatro desastres” bancários,  BPN, BPP, BES e Banif, entre 2010 e 2015, aponta para 17,1 mil milhões de euros, o que se traduz num igual aumento da dívida pública, o equivalente a 9,5 % do PIB.

 

ARCO DA VELHA - Vitor Constâncio, na carta que dirigiu à Assembleia da República sobre o caso Banif, disse ter hoje uma “memória muito lacunar” dos assuntos em torno desse tema, que analisou enquanto governador do Banco de Portugal.

 

image (35).png

FOLHEAR - A revista “Monocle”, que aqui tenho elogiado várias vezes, está a chegar a um momento difícil. Muita da frescura e inovação que apresentou quando foi lançada, em 2007, desvaneceu-se com o tempo. Instalou-se a rotina - de temas, de grafismo, editorial. A qualidade da fotografia baixou mas, pior que tudo, a proliferação de conteúdos, patrocinados ou apoiados, não identificados como tal, está a chegar a um ponto de desiquilíbrio. Há demasiada troca de interesses e favores recíprocos que se adivinha lendo as páginas de sucessivas edições. Sente-se cada vez mais que a redacção da revista fala sobre locais que aborda com reduzido conhecimento, ouvindo fontes pouco diversificadas e, muitas vezes, fazendo passar mensagens desfocadas da realidade. A edição de Julho /Agosto, como é hábito, tem a lista das 25 cidades que a “Monocle” considera as melhores para se viver. Tokyo continuou no primeiro lugar, seguida de Berlim, Viena, Copenhague e Munique. Madrid aparece na 14ª posição e Lisboa na 16ª, tendo subido dois lugares desde o ano passado - mas com alertas para temas como o trânsito caótico e a dificuldade de estacionamento que diz deverem ser melhorados. Lisboa aparece ainda com um destaque, sobre os seus parques e jardins, um pretexto para o vereador Sá Fernandes fazer um dos seus exercícios de propaganda demagógica com pouco correspondência com a verdade, infelizmente sem contraditório. Lisboa pode ser muito curiosa para um estrangeiro que nos visite dois ou três dias, mas está cada vez pior para se viver. Os seus habitantes e contribuintes são cada vez mais acossados por um executivo camarário em desvario de obras eleitoralistas. Não deixa de ser curioso que Sá Fernandes se declare satisfeito por ser considerado um inimigo dos automobilistas e que no editorial de última página, o director da Monocle, Tyler Brulé sublinhe: “Acreditamos firmemente que os veículos pessoais (táxis e outros) ainda têm cabimento nos centros das cidades e suas periferias.”

 

image (33).png

 VER - O novo museu da EDP, o maat (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia) começou a desvendar a sua actividade esta semana. Criado dentro da Fundação EDP, a partir do espaço da Central Tejo, em Belém, o maat abriu a primeira fase, fruto da remodelação de espaços do edifício da Central Tejo, já concluída, com um sensível aumento da área expositiva. O novo edifício, em fase adiantada de construção, abrirá no Outono e será o novo pólo de desenvolvimento das actividades da Fundação EDP na área da arte contemporânea. A partir desta semana ficaram patentes quatro exposições, de que me permito destacar “Solilóquios e solilóquios sobre a Morte, A Vida e outros interlúdios” (na imagem). É um trabalho de Edgar Martins. um dos poucos fotógrafos portugueses que tem feito uma carreira internacional. Foi um dos vencedores do BES Photo e tem numerosos projectos, que combinam um lado documental com uma visão muito pessoal, estudada e criativa. A exposição que agora é apresentada no maat é o seu mais  recente projecto, fruto de uma pesquisa no Instituto de Medicina Legal de Lisboa, feita ao longo de três anos. É um trabalho sobre o universo e o imaginário da morte, em especial da morte violenta, e sobre o papel que a fotografia tem exercido na sua percepção.  “Lightopia”, a segunda exposição, resulta de  uma parceria com o Vitra Design Museum e aborda a forma como a luz eléctrica revolucionou o nosso ambiente.  A terceira exposição assinala o facto de o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia ser a mais recente instituição a integrar o Artists’ Film International, um programa dedicado à exibição de vídeos, filmes e animações realizadas por artistas de todo o mundo. Integra agora 16 entidades e foi iniciado em 2008 pela Whitechapel Gallery, de Londres.  Finalmente, a quarta exposição desta série, “Segunda Natureza” visita o acervo da colecção de Arte da Fundação EDP e apresenta cerca de cinquenta obras realizadas por vinte e seis artistas, que datam desde os anos de 1970 até ao presente e onde me permito destacar uma peça poderosa, de Manuel Baptista, “Falésia”. Na Central Tejo, Avenida Brasília, todos os dias até Outubro, excepto às terças, entre as 12 e as 20h.

image (34).png

OUVIR - O pianista Bruce Brubaker escolheu algumas das obras mais conhecidas de Philip Glass e interpretou-as de uma forma que faz com que mesmo os apreciadores mais dedicados de Glass possam aqui sentir algumas novidades. Brubaker é um dos mais interessantes pianistas norte-americanos, que combina uma sólida formação clássica com o prazer da reinterpretação de compositores contemporâneos - aliás já gravou várias obras de Glass e também de John Cage ou Meredith Monk . Neste “Glass Piano” Brubaker baseou-se no repertório que o próprio Philip Glass escolheu para o seu  disco “Solo Piano” de 1989. Aqui estão peças bem conhecidas como “Mad Rush”, os cinco movimentos de “Metamorphosis”, “Knee Play” e o incontornável “Wichita Vortex Sutra”, que Glass compôs inspirado num poema de Allen Ginsberg. E é precisamente em “Wichita” que Brubaker atinge o seu melhor momento nestas reinterpretações. CD In Finé, no Spotify, onde também pode ouvir as remixes feitas para “Mad Rush”, “Metamorphosis” e “Knee For Thought”.

 

PROVAR -  João Portugal Ramos tornou-se conhecido como um dos primeiros enólogos a iniciar a grande mudança dos vinhos no Alentejo - primeiro trabalhando para vários produtores, depois, a partir das suas próprias vinhas, criando marcas próprias que fizeram nome. Mais tarde lançou-se, com sucesso, ao desafio do Douro, das Beiras, da região de Lisboa e do Vinho Verde. Alguns dos seus vinhos, como o Duorum e o Foz do Arouce ganharam importantes prémios de revistas norte-americanas. Pelo caminho surgiu um projecto de Enoturismo, a adega Vila Santa, e, agora, um azeite - o Oliveira Ramos Extra Virgem, a partir de olivais de Estremoz, com colheita tradicional e extracção a frio. O azeite assim obtido tem uma acidez de 0,2, bastante frutado de azeitonas, sabor cheio. Um bom teste para qualquer azeite é prová-lo no pão e este passa essa prova com distinção.

 

DIXIT - “É a última vez que aplaudem aqui. (...) O povo britânico votou a favor da saída. Porque estão aqui?” - Jean Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, dirigindo-se a deputados do Reino Unido no Parlamento Europeu.

 

GOSTO - Ramalho Eanes pediu a fiscalização das promessas dos políticos e da exiquibilidade financeira de certas promessas eleitorais.

 

NÃO GOSTO - Do comportamento de ingerência do Ministro das Fianças alemão, Wolfgang Schäuble.

 

BACK TO BASICS - “A democracia é a pior das formas de Governo, à excepção de todas as outras que foram ensaiadas” - Winston Churchill



www.facebook.com/mfalcao

instagram: mfalcao

twitter: @mfalcao





Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:00


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2003
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D