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CULTURA – Têm razão aqueles que dizem que uma boa definição, de cada partido, em relação às questões de política cultural, seria uma boa forma de ajudar muita gente a definir o seu voto. Considerada sempre como uma área menor onde não vale a pena investir nem tempo, nem dinheiro, a área das indústrias culturais e criativas é hoje encarada não só como relevante do ponto de vista económico, como importante para ajudar a decidir uma opção eleitoral. Se há coisa que, nalguns momentos, o actual Governo fez bem, foi, pela mão de Manuel Pinho, conseguir encontrar pontos de ligação entre o turismo e a cultura e desenvolver programas comuns – numa legislatura onde a Cultura foi genericamente mal tratada essa foi uma experiência a reter para o futuro, aliás quer em termos de Governo, quer em termos de autarquias. À oposição falta dar uma resposta nesta área. 

 


 


FINANÇAS – Teixeira dos Santos não foi uma figura muito simpática, cultivou alguma arrogância contra os contribuintes e, em termos políticos, não foi mais que um zeloso cumpridor de orientações. Enquanto a crise não apareceu lá foi conseguindo iludir as aparências, mas agora a falta de eficácia das suas políticas surgiu por completo. Já é impossível esconder que a despesa pública está a aumentar (pelas más razões), e tornou-se evidente que as medidas tomadas em época de crise não evitaram a brutal quebra de receitas do Estado, provocada pela enorme queda de actividade económica e do consumo. Com a despesa a subir e as receitas a cair Teixeira dos Santos vai fazer um triste fim de mandato, com resultados muito, muito fracos, que marcam o falhanço do PS na gestão das finanças públicas – uma das áreas onde Sócrates mais promessas fazia, recorde-se. 

 


 


LISBOA – Fiquei muito surpreendido por uma entrevista de Manuel Alegre onde ele, liricamente, se congratulava pelo acordo Roseta-Costa em Lisboa, dizendo estar muito satisfeito por ter sido conseguida a união da esquerda na capital. A sua megalomania habitual leva-o a considerar-se, a ele e aos seus apoiantes, como a esquerda que faltava ao PS, obviamente esquecendo que quer o Bloco, quer o PC concorrem contra a lista que ele apoia. Na realidade a lista de Costa é apenas uma lista onde se juntam as várias gerações do PS, o que como se sabe é muito diferente de ser uma lista de esquerda. Vai ser curioso ver o efectivo reflexo eleitoral de Roseta, agora que abdicou da sua independência em relação ao PS e ao resto da esquerda. 

 


 


SOCIALISTAS – Bernard-Henri Lévy deu uma curiosa entrevista sobre o estado do PS francês, mas que se aplica que nem uma luva aos partidos socialistas que por essa Europa fora seguiram a célebre terceira via de Blair, Sócrates incluído. A tese do filósofo francês é simples: o PS já não encarna a esperança, está numa situação semelhante à dos PC’s de finais dos anos 70, meados dos 80. Vai mais longe: a crise dos socialistas começou com o declínio comunista, porque os partidos socialistas sempre se posicionaram e construíram em demarcação aos partidos comunistas: quando estes se começaram a apagar perdeu-se o referencial e o PS desorientou-se e deixou-se infiltrar por ideologias reaccionárias – palavras de Lévy. 

 


 


LISTAS – A procissão das listas partidárias ainda vai no adro e já há muito burburinho – a coisa deve aumentar certamente nas próximas semanas. O principal problema tem a ver com a forma como as listas são constituídas, por jogos de influência e em resultado da relação de forças aparelhísticas dentro de cada partido. O resultado é que em muitos casos as listas são distantes do eleitorado e até dos simpatizantes de cada partido, o que é bem diferente de militantes encartados. Também esta situação contribui para a degradação do sistema político e para o alheamento da participação cívica nos processos eleitorais. Cada vez me convenço mais que devia existir um sistema próximo das primárias americanas, aplicado às legislativas, em que fora do estrito círculo das sedes bafientas dos partidos se pudessem escolher e indicar nomes para cada lista, distrito a distrito. 

 


 


PERGUNTA – O relatório do Tribunal de Contas sobre o negócio da Liscont não deveria levar a que fosse responsabilizado quem prejudicou da forma descrita o erário público? 

 


 


OUVIR – Originária do Mali, Rokia Traoré é uma das novas figuras de destaque no panorama da world music. Acompanhada pela sua guitarra, canta as suas próprias composições, acompanhada por um grupo de excelentes músicos africanos. «Tchamantché», o seu quarto disco, agrupa canções intensas, orgulhosamente africanas, envolventes e ritmadas, de tal maneira que ganhou o prémio de melhor artista na primeira edição dos prémios da revista britânica de world music «Songlines». CD Tama/Universal. 

 


 


LER – Óscar Wilde é um dos mais fascinantes escritores que conheço e, das suas obras,retiram-se algumas das mais iluminadas citações que podem ser utilizadas em várias ocasiões. Loureiro Neves compilou citações de Óscar Wilde e editou-as agora na «Casa das Letras» sob o título «A Sabedoria e o Humor de Oscar Wilde» - 140 deliciosas páginas que se juntam a outras edições de citações da mesma editora. 

 


 


PROVAR – O Castas & Pratos é um bom exemplo de um restaurante simpático, de boa comida e bom serviço, num velho edifício bem recuperado, um dos armazéns da estação de caminho de ferro da Régua. Por baixo fica um wine bar onde há uma boa escolha de vinhos da região a copo e também tapas diversas. No restaurante, numa noite luminosa, a escolha nas entradas foi laminado de presunto bísaro e crepes recheado com brunesa de legumes ; a seguir vieram um medalhão de vitela com risotto de cogumelos e uma espiral de polvo com batata grelhada recheada de grelos. A acompanhar vinhos a copo propostos pelo escanção. Para sobremesa um delicioso pudim de vinho do Porto. O restaurante, no primeiro andar, por cima do wine bar, é confortável, bom serviço e preço decente. Castas & Pratos, Rua José Vasques Osório, Estação da CP Peso da Régua, tel. 254 3232 90, www.castasepratos.com. 

 


 


BACK TO BASICS -   O progresso é a realização de utopias, Oscar Wilde 

 

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publicado às 16:54

POR CAUSA DAS COISAS...

por falcao, em 05.03.08

(Publicado no diário «Meia Hora»)



Nas últimas semanas a clivagem entre as duas alas do PS tem sido flagrante – primeiro na questão da saúde, levando ao afastamento do Ministro Correia de Campos e agora com críticas abertas à actuação de Maria de Lurdes Rodrigues na educação. No primeiro caso o Ministro cessante foi substituído por uma apoiante de Manuel Alegre, no segundo é também uma pessoa próxima de Alegre que lidera a contestação pública dos socialistas à reforma de Sócrates na educação.


É pois uma altura interessante para recordar um episódio da vida de Manuel Alegre que os seus apoiantes gostam de esquecer e que a maior parte das pessoas já nem se recorda bem. O caso remonta a 12 de Fevereiro de 1977, há 31 anos, quando Manuel Alegre tinha responsabilidades governativas na área da Comunicação Social e decidiu extinguir a empresa do jornal «O Século» de um dia para o outro.


Vamos fazer um bocadinho de história: O jornal «O Século» foi criado em 1880 por um  republicano, Magalhães Lima. Ao longo dos tempos teve ilustres directores como Vitorino Nemésio e João Pereira Rosa e durante muitos anos foi o jornal mais vendido do país. Desde cedo a empresa evoluiu no sentido da constituição de um grupo editorial, que editava revistas como «O Século Ilustrado», a «Vida Mundial», o «Modas e Bordados» ou o «Cinéfilo», além de manter uma obra social importante através da Colónia Balnear Infantil «O Século», em S. Pedro do Estoril, cujas receitas vinham, em parte, da Feira Popular, que era também apadrinhada pelo jornal. Pelo grupo do «Século» passaram alguns dos maiores jornalistas, colunistas e repórteres fotográficos portugueses – foi aliás ali – pode dizer-se – que nasceu o moderno fotojornalismo em Portugal.


Após o 25 de Abril, tal como o «Diário de Notícias» aliás, «O Século» foi «tomado» por sectores próximos do PCP, que rapidamente radicalizaram o jornal e delapidaram as suas audiências e colocaram a empresa em situação difícil. Num clima ainda conturbado do pós 25 de Novembro, com um PS sequioso de estancar a influência do PCP na informação, Manuel Alegre decidiu, de um dia para o outro, alegando uma crise financeira que aliás tocava outros jornais de igual forma, fechar «O Século». Foi uma decisão política, muito mais que económica. Pior:  nem sequer procurou salvaguardar o precioso arquivo de 100 anos de História de Portugal que estava no edifício do grupo editorial e que em boa parte se perdeu. A razão de ser desta nota, é só lembrar alguns desmandos de figuras de esquerda hoje intocáveis, como Manuel Alegre. Por causa das coisas…


 

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publicado às 17:06


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