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AUTÁRQUICAS - É TUDO DEMASIADO MAU

por falcao, em 03.02.17

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ELEIÇÕES - Olho para o panorama daquilo que já se conhece e do que se adivinha das próximas eleições autárquicas e só me sai uma frase: é tudo demasiado mau. De norte a sul os partidos sofrem crises e deserções, mostram hesitações, vivem ilusões, entram em contradições. Em Lisboa, sobretudo, portam-se de forma inconsciente e abdicaram de combater um autarca substituto que transformou o centro de Lisboa num recreio pessoal.  Medina, estimulado por Salgado e embalado por Sá Fernandes, deixa marcas profundas na cidade, contra os lisboetas e a favor de uma noção de cidade-cenário bonitinha mas desconfortável - o poder vigente cuidou de embelezar o que está à vista, mantendo em ruínas o que está escondido. Tem uma noção antiga de cidade, saudosista e reaccionária, que mascara e usa na propaganda. Lisboa continua a perder habitantes, a sua população continua a envelhecer, está a deixar de ser um local agradável com tantas complicações que são postas no dia a dia a quem nela decidiu viver e trabalhar. Não admira o que sucedeu ao PSD na capital: quem nunca conseguiu ser oposição não vai ser alternativa. As eleições autárquicas deviam ser um exemplo de propostas de proximidade e de empenho político na melhoria efectiva da qualidade de vida. O pior de tudo é que nestas autárquicas, um pouco por todo o país, aquilo a que se assiste é ver os partidos a procurar a sua satisfação própria, distribuindo empreitadas e delapidando dinheiro em obras sem sentido, em vez de cuidarem do bem público. E como se preocupam mais com o umbigo do que com os objectivos, nem alianças conseguem fazer. E, nalguns casos, nem encontram quem queira ser candidato, com ideias e credibilidade.

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SEMANADA - Nem um único dos titulares de cargos políticos e públicos abrangidos pelo Código de Conduta aprovado pelo Governo em setembro passado  emitiu qualquer comunicação de conflito de interesses; um engenheiro da Associação Regional de Saúde do Norte confessou que desde há 20 anos exige luvas para aprovar as obras que superintende; os três principais corruptores livraram-se de ser acusados pelo Ministério Público por fazerem donativos de cerca de 2000 euros a instituições de solidariedade e prestarem depoimentos contra o principal acusado, que deles recebeu perto de meio milhão de euros para facilitar negócios; o mercado imobiliário em Portugal cresceu 50% nos últimos dois anos; o valor das pensões do Estado caíu 27% desde a troika; a dívida pública portuguesa atingiu no final de 2016 os 241,1 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 9,5 mil milhões face a 2015: a PSP e a GNR arrecadaram 78,3 milhões de euros em multas de trânsito em 2016, menos 11,6 milhões que em 2015; o tabaco está 18% mais caro que em 2011 mas a venda de cigarros aumentou 14% no ano passado; o Observatório da Justiça elaborou um estudo sobre a actuação dos tribunais em casos de violência doméstica e concluíu que há decisões de sentido contrário em situações semelhantes; guardas prisionais denunciaram que as famílias de alguns detidos estão a ser chantageadas por outros detidos que exigem pagamentos para que os familiares presos não sejam espancados nas cadeias; em Tomar foi descoberto um lar ilegal que tinha dez idosos a dormir numa garagem.

 

ARCO DA VELHA - Oito pessoas perderam a vida em Janeiro e 45 ficaram  desalojadas devido a incêndios que ocorreram quando tentavam aquecer a casa.

 

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FOLHEAR - Hoje o livro de que vou falar pode ouvir-se em casa e ver-se em palco. “Mão Verde”, assim se chama o projecto, foi encomendado pelo Teatro Municipal de S.Luiz, onde estreou ainda em 2015, e coexiste sob a forma de um livro ilustrado, de um disco que vem com o livro e onde são cantados alguns dos poemas do livro e, finalmente, um espectáculo que domingo, dia 5, voltará a ser apresentado pelas 17h00 na Casa da Música, no Porto. A autoria do projecto é da rapper e socióloga Capicua (Ana Matos Fernandes) e do músico Pedro Geraldes (na composição, guitarra, programações e teclados). Aos dois autores juntam-se agora em palco,já que anteriormente era apenas o duo de autores que aparecia ao vivo, Francisca Cortesão no baixo e António Serginho nas percussões. A edição de “Mão Verde” reúne o livro e o disco num só objecto com magníficas ilustrações de Maria Herreros. As canções e os textos falam da natureza - das plantas e animais que constituem o mundo mágico que todos podem descobrir - sobretudo os mais novos. Arrisco dizer que é como um mapa musical de um jardim. Como escreve Capicua, “ as árvores quando morrem viram livros e os livros guardam as histórias e as memórias dos antigos. Das folhas das árvores para as folhas dos livros passa a poesia que nos ensina a ser livres”.

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VER -  A exposição “José de Almada Negreiros - Uma maneira de ser moderno”, que inaugurou esta semana na Fundação Gulbenkian, é uma retrospectiva da obra do autor que engloba mais de 400 trabalhos, alguns deles inéditos, e ocupa até 5 de Junho as duas grandes salas de Exposições Temporárias da Fundação, na Avenida de Berna, em Lisboa. Na Galeria Principal mostram-se a pintura e o desenho em ligação com os trabalhos que o artista fez em colaboração com arquitetos, escritores, editores, músicos, cenógrafos ou encenadores. Na sala do piso inferior é destacada a presença do cinema e da narrativa gráfica. Juntam-se ainda obras e estudos inéditos que permitem descobrir  várias facetas do processo criativo de Almada Negreiros.  Almada, visionário, dizia em 1927, na conferência “O Desenho”, em Madrid: “Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir, mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da Novidade”. E sobre si próprio, em “A Invenção do Dia Claro”, de 1921: “Reparem bem nos meus olhos, não são meus, são os olhos do nosso século! Os olhos que furam para detrás de tudo.” São estes olhos, tão patentes nos seus auto-retratos, que são a sua imagem de marca. Almada defendia uma modernidade presente em todo o lado, nos edifícios públicos, nas ruas, no teatro, no cinema, na dança, no grafismo e nas ilustrações dos jornais e entendia o artista como o agente principal de todo esse movimento. A programação complementar desta retrospectiva, que assinala os 120 anos sobre a data de nascimento do artista, inclui uma peça de teatro, visitas às gares marítimas de Alcântara e Rocha do Conde de Óbidos onde estão murais de Almada, um concerto, um ciclo na Cinemateca Portuguesa e a exibição da obra multimedia “Almada, um Nome de Guerra” de Ernesto de Sousa. E há ainda a aplicação  “A Lisboa de Almada”, com um roteiro em 30 pontos da vida e das obras do artista na capital, desde as tapeçarias do Ritz aos vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

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OUVIR - Numa outra encarnação Curtis Stigers foi um cantor pop com vagas incursões na soul e no rock e que em 1992 ganhou fama com “I Wonder Why”. Depois fez carreira como cantor de jazz, compositor e saxofonista. Agora registou um disco de homenagem à histórica gravação “Live At The Sands”, de Frank Sinatra, feita em Las Vegas, em 1966, com a orquestra de Count Basie. Stigers alinhou a coisa com o repertório de Sinatra e seguiu o exemplo, gravando ao vivo em Copenhaga com a Big Band da rádio pública dinamarquesa. A qualidade desta orquestra, que captou o espírito e o swing de Count Basie, é o primeiro destaque do disco. E Stigers, que não é o xaroposo Michael Bubblé, afirma-se bem em temas como “Come Fly With Me”, “I’ve Got You Under My Skin”,”You Make Me Feel So Young”,  “Fly To The Moon”, “The Lady Is A Tramp” ou “One For My Baby”, mantendo aliás o fraseado original de Sinatra. É um disco de versões, claro, mas é um belo disco, que seguiu as orquestrações originais de Nelson Riddle, Billy May e Quincy Jones. E acaba por ser uma curiosa homenagem a Sinatra e a Count Basie. “One More For The Road”, de Curtis Stigers com a Danish Radio Big Band.

 

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PROVAR -  Rumemos então a Oriente no mapa lisboeta. Isto não quer dizer ir para a zona da Expo, quer dizer procurar um restaurante chinês que seja frequentado por chineses. É o caso do Palácio do Mar, na Rua D. Estefânia - na parte de cima da rua, ao lado de uma histórica cervejaria dos noctívagos lisboetas, “O Arpão”, agora substituída por uma hamburgueria sem história, uma das quatro, todas igualmente sem história, que existem num raio de 500 metros. O Palácio do Mar apresenta-se como uma casa dedicada à “alta cozinha asiática” e oferece menu de almoço acessíveis a 6 euros, horário em que a casa é mais frequentada por ocidentais - embora se vejam sempre alguns chineses na sala, normalmente com pedidos bem diferentes dos portugueses. Mas é à noite que a casa se torna mesmo um local sobretudo frequentado por orientais. Resumindo-me à minha qualidade de ocidental cabe-me elogiar os raviolis chineses cozidos a vapor, cozinhados na hora, e o pato à Pequim, bem crocante e saboroso. Para acompanhar sugiro uma deliciosa e aromática cerveja chinesa, de malte de cevada, lúpulo e arroz, a Tsingtao. Na lista podem ainda encontrar sopas, saladas e mariscos, que ajudam a fazer a boa reputação da casa.

Palácio do Mar, Rua Dona Estefânia 92 A -  Telefone 218 278 315.

 

DIXIT -  “Fogo com fogo se combate. É assim que a política se faz” - Miguel Esteves Cardoso

 

GOSTO - A Academia das Ciências aprovou uma proposta de aperfeiçoamento do acordo ortográfico que propõe o regresso das consoantes mudas, do acento gráfico e circunflexo e também do hífen.

 

NÃO GOSTO - Passado mais de um ano o Conselho Geral Independente da RTP ainda não apresentou o seu relatório sobre a actividade do operador de serviço público relativo ao ano de 2015. Nos corredores da empresa é conhecido por Conselho Geral Inútil.

 

BACK TO BASICS - “Nunca sabemos quem verdadeiramente somos até vermos aquilo que podemos ser capazes de fazer” - Martha Grimes

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publicado às 13:30

MEDINA: INVESTIR OU DESBARATAR?

por falcao, em 05.01.17

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De tudo o que se passa na cidade o que mais me aborrece é perceber que o dinheiro arrecadado por Lisboa, graças ao turismo, está a ser tão mal empregue e que os principais beneficiados são os visitantes, e não os habitantes, em áreas como ensino, apoio social, recuperação urbana não especulativa, captação de novos residentes, transportes e até saúde. Por isso é que acho que Medina é um engano político - faz cenários e vende ilusões, desbarata receitas em ornamentos em vez de fazer investimentos reprodutivos que melhorem a qualidade de vida dos lisboetas e possam atrair de novo pessoas, sobretudo jovens, para a cidade.

 

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publicado às 21:00

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DESRESPEITO - O ar que Medina respira vem-lhe soprado pela falta de oposição que tem na Câmara Municipal de Lisboa e pelo desrespeito que mostra para com os habitantes da cidade. Com o PSD desaparecido em parte incerta praticamente desde o início do mandato, se não fosse João Gonçalves Pereira do PP, as tropelias de Salgado & Medina passariam quase incólumes entre os vereadores. Ambos vocacionaram a cidade para ser um albergue em vez de ser vivida pelos seus, As medidas de fundo que tomam são da esfera da maquilhagem e da cirurgia plástica aplicada ao alcatrão. Sistematicamente ignoram o bem estar e os interesses de quem vive no centro da cidade e mostram-se mais preocupados em beneficiar os que vêm de fora, seja por um fim de semana ou todos os dias. Se a oposição, para se mostrar, está à espera que as flores dos canteiros plantados à pressa desabrochem na primavera e iludam os incautos, a coisa não vai correr bem.  A Lisboa de Medina é artificial, asséptica, sem vida nem calor, um lindo jardim para ser passeio de visitantes ocasionais e um inferno para quem cá vive. Quererá Medina que a cidade fique ainda mais desertificada e perca ainda mais habitantes? O destino de uma cidade como Lisboa não pode ser traçado por quem não se preocupa em a deixar viver e gosta mais de compôr cenários do que em resolver problemas.

 

SEMANADA -  O número de turistas chineses a visitar Portugal tem aumentado, registando-se no início deste ano um acréscimo de 44% face ao mesmo período do ano passado; a média das compras efectuadas por cada turista chinês é de 600 euros; em Outubro, 36% das páginas dos sites auditados pela Marktest foram acedidas através de equipamentos móveis e 64% através de PC’s; a dívida dos quatro maiores grupos de mídia portugueses ascende a 470 milhões de euros; a receita das câmaras municipais com taxas e impostos em 2015 alcançou o valor mais alto da última década; Cascais é o município onde os impostos e taxas têm maior peso na receita; a zona do Chiado subiu no ranking das zonas mais caras do Mundo e está agora na 34ª posição de uma lista liderada pela 5ª Avenida, de Nova Iorque; as famílias portugueses viram o prazo de pagamento do subsídio parental aumentar em média para dois meses; a dívida pública portuguesa bateu um novo recorde: em Setembro escalou para 133,1% do PIB, o valor mais alto de sempre; em termos de percentagem do PIB a dívida portuguesa é a quinta mais alta do mundo; António Costa diz que o PS devolveu o país à normalidade no meio de um mundo de incertezas; Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que Portugal soube reencontrar a estabilidade e construir confiança e defendeu a necessidade de um projecto nacional de médio e longo prazo; depois de ver a capa do Expresso on line na madrugada de sábado António Costa fez publicar um twitter a desmentir a manchete do jornal sobre o salário mínimo.

 

ARCO DA VELHA - O PS propôs que os membros de executivos municipais e os presidentes de juntas de freguesia façam parte da lista dos titulares de cargos políticos que não serão punidos caso o dinheiro público seja mal gasto e, para colocar a cereja em cima do bolo, António Costa prometeu mais meios e mais poderes aos autarcas.

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FOLHEAR - O início da década de 80, em Lisboa, foi marcado por uma geração que se tornou adulta depois do 25 de Abril de 1974, que viveu os anos da brasa, que terminou os seus estudos e começou a trabalhar. Esta geração já não tinha tido a experiência da guerra, mas vivera no fim da adolescência o que se chamava de revolução. Fora moldada no desafio às regras e entrou de peito feito numa sociedade que já se abrira e estava a desenvolver-se, com a Europa no horizonte mas livre das suas baias que hoje nos condicionam. A confluência de uma geração com um tempo específico e uma oportunidade gerou uma explosão de criatividade na música, nas artes plásticas, no cinema, na imprensa, na rádio, em toda a comunicação, e, claro, também na economia. Para quem a viveu por dentro a década de oitenta foi a mais espectacular de Lisboa - tudo era possível e muita coisa se fez. Revisitar essa década é um exercício ainda difícil porque vai chocar com as memórias próprias de cada um, por enquanto muito vivas. Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes tinham já feito dois livros, dedicados às décadas de 60 e 70 e agora arriscaram a década de 80. O trabalho de pesquisa continua a ser minucioso, a recolha de depoimentos, factos e imagens permanece exemplar, mas nalgum ponto perdeu-se o distanciamento e sente-se por vezes o condicionamento das influências de quem quer moldar a história, mais do que nos livros anteriores. Com esta ressalva “LX 80 - Lisboa entra numa nova era” é um testemunho de um tempo em que o Chiado ardeu, as Amoreiras nasceram e a cidade começou a ser intensamente vivida pelos seus habitantes - o que hoje é cada vez mais difícil. LX 80 - Edição D. Quixote/Leya.

 

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VER - Pedro Chorão nasceu em 1945, estudou biologia em Inglaterra e começou a interessar-se pela pintura já depois de fazer 20 anos. Nos anos 70 estudou na Escola Superior de Belas Artes e as suas primeiras exposições datam dessa altura. Pela primeira vez é possível descobrir o conjunto da sua obra, graças a duas exposições sob o título genérico “O Que Diz A Pintura, obra entre 1971 e 2016”. No Torreão Nascente  da Cordoaria Nacional está um conjunto de obras a que deu o título de “Corpo a Corpo” e na Fundação Carmona e Costa está outro conjunto de obras sob a designação “A Torto E A Direito”. As duas exposições são complementares e permitem apreciar facetas diferentes da actividade do artista. No vasto espaço da Cordoaria é possível apreciar de forma clara a evolução desde os tempos de estudante de Belas Artes até obras já deste ano e no conjunto permito-me destacar um grupo de trabalhos de 1987, ali titulado “um ensaio fotográfico”, todo ele focado no Alentejo, que Chorão diz ser a região que mais lhe interessa em Portugal “pela simplicidade plástica, tanto na forma como na cor” (na imagem). Na Fundação Carmona e Costa o destaque vai para o trabalho de colagens, marcante numa fase da carreira de Pedro Chorão, e que evidencia como no panorama nacional ele estava à frente do seu tempo. A exposição da Cordoaria é imperdível e fica até 19 de Fevereiro e a da Fundação até 7 de Janeiro.

Outras sugestões: na Galeria Fonseca Macedo, em Ponta Delgada,  Backstage Of An Island, de Miguel Palma. Teresa Gonçalves Lobo mostra no seu atelier do Funchal e em Lisboa, na Galeria das Salgadeiras, “Entre Nós”, uma exposição de desenho, instalação e fotografia a partir da obra de Herberto Hélder. Para terminar a Galeria Vera Cortês mudou de sítio e da 24 de Julho passou para Alvalade,  Rua João Saraiva 16, 1º. A exposição inaugural do novo espaço é “Attempting Exhaustion” de Daniel Blaufuks, até 14 de Janeiro.

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OUVIR - O meu disco da semana é “Legacy”, uma colectânea de David Bowie que em dois CD’s,por ordem cronológica, reúne quatro dezenas de canções que revisitam os melhores momentos da sua carreira discográfica - de “Space Oddity a “Ashes To Ashes”, passando por versões de temas que tiveram convidados tão especiais como os Queen (“Under Pressure”), Pat Metheny (“This Is Not America”), Mick Jagger (“Dancing In The Street”) ou Pet Shop Boys (“Hello Spaceboy”). Destaque igualmente para uma nova mistura de “Life ,On Mars” ou o muitas vezes mal ignorado “Drive-In Saturday”.

Na senda de redescobrir velhos discos, trago a notícia de uma reedição de “The Last Waltz”, um duplo CD que registou o concerto de despedida de The Band, a 25 de Novembro de 1976, em São Francisco, portanto há 40 anos. Entre os convidados estavam Dylan, Clapton, Neil Young, Van Morrison e Joni Mitchell, entre outros. É curioso estas duas edições - a de Bowie e a The Band serem agora lançadas ao mesmo tempo. Trazem-nos de volta a outros tempos, mas servem também para mostrar como há sempre quem faça música que nunca envelhece e que fica uma referência.

 

PROVAR -  Já se sabe que a Mealhada é a zona por excelência do leitão à moda da Bairrada, mas muitas vezes pensa-se que é tudo igual e, na verdade, não é. Seguindo uma recomendação amiga experimentei há pouco “O Rei dos Leitões”, um restaurante amplo que existe desde 1947 mas que há poucos anos foi alvo de remodelações profundas, que o tornaram mais confortável. Se as obras foram de feição a mudar o que dantes existia, na cozinha manteve-se a boa tradição e uma excelente qualidade, que se estende muito para além do leitão e dá cartas em pratos tradicionais como a chanfana ou noutros mais inesperados na região, como excelentes pratos de peixe e de marisco - de bacalhau a Nero dos Açores. Mas o leitão foi o que lá me levou e, pelo que provei, levará mais vezes. Perfeito, temperado como deve ser, assado no ponto, acompanhado de excelentes e frescas batatas fritas e salada bem apresentada. No couvert a manteiga proposta é a Marinhas, uma produção artesanal e de superior qualidade. de Esposende. A rematar um pastel de Tentúgal que foi boa companhia para o café. A lista de vinhos mostra uma garrafeira soberba, para todos os gostos e bolsas, com o Dão bem representado e os frisantes locais bem escolhidos - se quiser algo mais a carta de champagnes e espumantes é também assinalável. Nota final para o conforto das mesas e cadeiras, para a excelente insonorização que permite uma refeição tranquila mesmo com o restaurante cheio e para o serviço atencioso, eficaz e conhecedor. O "Rei dos Leitões" fica no nº17 da Avenida da Restauração, na Mealhada, tem um amplo parque de estacionamento próprio e o telefone é o 231 202 093. Encerra às quartas-feiras.

 

DIXIT -  “Fair Play? Isso para mim não existe, é tudo treta” - Jorge Jesus, treinador do Sporting.

 

GOSTO - Pedro Borges, da Midas Filmes, ganhou com o seu Cinema Ideal o prémio de melhor empreendedor da Associação Europa Cinemas. Esta semana tive o prazer de ir lá ver o magnífico “Ela”, de Paul Verhoeven, com Isabelle Huppert.

 

NÃO GOSTO -  Dos ataques anti semitas verificados em Portugal contra figuras públicas que visitaram Israel.

 

BACK TO BASICS - “Hegel tinha toda a razão quando disse que na História aprendemos que o Homem nunca aprende nada com a História” - George Bernard Shaw

 

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LISBOA - O custo do conjunto das obras que invadiram Lisboa ultrapassará os 25 milhões de euros. Trata-se de uma campanha eleitoral caríssima esta que Fernando Medina está a fazer à custa dos impostos dos lisboetas e dirigida contra eles. Cada vez que olho para algumas transformações que vou vendo, no traçado ou na circulação, penso que Fernando Medina deve ser uma daquelas pessoas que gosta de ter tudo arrumadinho, com naperons e gatos de porcelana por cima, num ambiente asséptico que não é para viver nem usar. A cidade que ele está a fazer poderá ser muito bonitinha, mas vai ser muito pouco prática, bastante incómoda e não tem em conta o que é o bem estar dos cidadãos que vivem e trabalham em Lisboa. As faixas de rodagem ficaram mais estreitas, há menos lugares de estacionamento, há mais ruas que passaram a não ter saída e mais sentidos proibidos. Para ajudar à festa os transportes públicos funcionam mal e tudo isto dificulta a mobilidade, ao contrário do que a propaganda afirma. Medina está a fazer uma cidade como quem faz um parque de diversões: pode ser engraçado para visitar e ver, mas é desengraçado para trabalhar e incómodo para habitar. “Viver Melhor Lisboa”, o lema que Medina mandou afixar junto às obras,  é um slogan mentiroso e neste regresso de ferias muitos lisboetas já o começaram a perceber. A insatisfação aumenta de tal forma que agora Medina se viu forçado a usar uma história que ele próprio já conhecia há meses - a das irregularidades nas obras da segunda circular - para as parar e tentar diminuir o caos. Não as parou por decência ou ética. Parou-as para minorar o desgaste que está a sofrer na opinião pública. Aproveitou apenas um pretexto. Um artista. Um artista da hipocrisia política.

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SEMANADA - Jerónimo de Sousa disse na Festa do Avante! que as medidas do Governo estão “aquém do necessário”; o Bloco de Esquerda e o PCP criticaram António Costa por se ter encontrado com Michel Temer, que substituiu Dilma Rousseff na presidência do Brasil; Passos Coelho disse que esta solução governativa “está esgotada”; Assunção Cristas disse que “o ritmo de crescimento da dívida voltou a disparar” e afirmou que o Governo tem prejudicado especialmente a classe média; começam a ser conhecidas as primeiras medidas de aumentos de impostos que farão parte do Orçamento de 2017; o financiamento bancário à actividade das empresas atingiu no primeiro semestre deste ano o valor mais baixo desde 2003; Portugal, Irlanda, Itália e Espanha concentram 57% do crédito mal parado na Europa; o Ministro da Cultura fez uma ameaça  velada ao Director do Museu Nacional de Arte Antiga por este ter revelado que o Museu tem apenas 64 pessoas para 82 salas abertas ao público, o que potencia a possibilidade de problemas nas instalações; o Ministro da Cultura, que tutela os orgãos de comunicação onde o Estado está presente, ainda não se pronunciou sobre as notícias que indicam que um administrador da RTP, Nuno Artur Silva, continuaria a ser proprietário de empresas audiovisuais e que contrata para a RTP guionistas e apresentadores dos seus canais e das suas produtoras; Marcelo Rebelo de Sousa recomendou a António Costa e Pedro Passos Coelho a leitura dos livros de Elena Ferrante porque este tipo de leitura melhora o “enriquecimento cultural”.

 

ARCO DA VELHA - O Presidente do Sporting chamou representantes das claques do clube para a comissão que vai fazer o inquérito à gestão de ex-presidentes leoninos.

 

 

 

 

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FOLHEAR - Hoje mesmo, dia 9, sexta-feira, Daniel Innerarity, professor de Filosofia Política e Social da Universidade do País Basco, participa num debate sobre o tema “A Política Em Tempos de Indignação”, que decorre às 19h00 na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, com Paulo Portas e Marisa Matias, com moderação de Maria Flor Pedroso. Considerado como um dos grandes pensadores mundiais contemporâneos, este basco acaba de ver editado em Portugal o seu livro, de 2015, que dá o título ao debate: “A Política Em Tempos de Indignação”. Ali aborda a transformação da actividade política nos anos mais recentes, nomeadamente o surgimento de movimentos sociais difusos, de novos partidos e as dificuldades das instituições tradicionais do velho sistema. No fundo o autor questiona o que é hoje em dia a política, e interroga-se sobre a necessidade de mudanças que possam levar a que a indignação que se exprime, muitas vezes de forma caótica, possa vir a ter um papel construtivo na sociedade. Teremos chegado a uma época que assinala o fim dos partidos? A classe política é mesmo desprezada? Quais serão os novos actores políticos? A quem pertence o direito de tomar decisões? A democracia, tal como a temos conhecido, é uma desilusão completa? Qual será a acção política que pode nascer depois da indignação? Pode haver democracia sem política tal como a temos conhecido? - estas são algumas das questões sobre as quais o autor especula. Edição D.Quixote/Leya.

 

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OUVIR - Já não ouvia um bom disco pop há muito tempo e este “Foreverland”, dos Divine Comedy, encaixa-se na perfeição nessa categoria. O irlandês Neil Hannon, que é o único membro permamente do grupo, criou os Divine Commedy há 26 anos e desde Maio de 2010, quando foi publicado “Bang Goes the Knighthood”, não era editado nenhum disco de originais. “Foreverland” corria pois o risco de ser uma enorme frustração ou apenas um ressurgimento. Nem uma coisa nem outra: é um trabalho de excepção, um dos melhores de Hannon, com um sentido épico e de narrativa, por vezes quase conceptual, surpreendente nos dias de hoje, muito mais vocacionados para o relato de trivialidades. Há aqui um lado de passeio pela História, que se cruza com uma mordaz observação dos tempos actuais. Para alguns pode parecer previsível atendendo à obra de Hannon, mas para outros, entre os quais me incluo, é mais uma vez um sinal de como mesmo em tempos cinzentos se podem criar discos brilhantes. Completamente desfasado das modas actuais e com uma sonoridade e arranjos que às vezes quase parecem estranhos, de tanto que se afastam da norma vigente, “Foreverland” é um trabalho sobre o amor e a fantasia, do qual destaco “Funny Peculiar” (um dueto coDC Records, no Spotify.m Cathy Davey), “Napoleon Complex” e sobretudo “How Can You Leave Me On My Own”. DC Records, no Spotify

 

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VER -  Muito se tem falado nos últimos tempos do Quetzal Arts Centre, instalado num complexo que inclui uma vinha extensa, uma adega, um restaurante e um centro de artes - procurando uma ligação entre o enoturismo e o turismo cultural. Os proprietários, um casal holandês,  propõe-se ir expondo a sua colecção de arte contemporânea, considerada em 2010 pela Art News entre as 200 maiores colecções mundiais, e também promover no local residências de artistas convidados. Cees e Inge de Bruin, o casal em questão, tem uma antiga paixão por Portugal, que vem de há quatro décadas. Ele dedica-se a gerir investimentos (com a sua  holding Indofin) e ela tem desempenhado funções de direcção, curadoria e consultoria em algumas grandes instituições culturais internacionais. Foram três os artistas da colecção escolhidos para a abertura: Robert Heinecken (1931-2006), Pat O’Neill (n. 1939), e Trisha Baga (n. 1985), todos com trabalhos de manipulação de fotografias, cinema ou vídeo. A responsável pelo Centro de Arte, Joana Mexia de Almeida, fundamentou a escolha da seguinte forma: “Optámos por começar com obras audiovisuais, que talvez sejam mais adequadas para um grande público que não é conhecedor profundo de arte contemporânea”. Atendendo ao que está apresentado mal se compreende o alcance da sua afirmação. À eventual excepção dos trabalhos de Robert Heinecken (na imagem), infelizmente apresentados numa montagem duvidosa, o resto não será facilmente enquadrável no conceito de grande público. O próprio espaço expositivo apresenta problemas para esta opção  - o maior dos quais é a belíssima luz natural que convive com dificuldade com projecções video. A abertura de um espaço tão focado em formas de expressão artística contemporâneas é sempre uma boa ideia, tanto mais que na região , excepção feita à colecção Cachola, o pendor tem sido sempré conservador. Fico com curiosidade de ver como o trabalho dos detentores da colecção, em relação a este espaço, vai evoluir. Em Fevereiro do próximo ano será apresentada a segunda exposição.

 

PROVAR - Em abono da verdade se diga que o conjunto de edifícios da Quinta do Quetzal é um bom exemplo de arquitectura integrada na paisagem. Os 50 hectares de vinha começaram a ser criados em 2002, a adega foi a primeira coisa a ser construída, em 2006, e convive na perfeição com o edifício onde está o restaurante, a loja de produtos da propriedade e da região, e ainda o Centro de Arte. É pena que ao lado da varanda do restaurante esteja um charco lamacento que polui o panorama que se desfruta do terraço, com ampla vista sobre o vinhedo. A sala do restaurante é luminosa e o mobiliário é um bom exemplo de adequação ao espaço e à função. Os petiscos por enquanto são o prato forte do local - que mais tarde há-de servir refeições mais formais, sob orientação do chef é Pedro Mendes. O restaurante funciona de quarta a domingo, e na visita realizada os tais petiscos foram bem apreciados: croquetes de farinheira com maionese de cebolinho, empadinhas de coelho estufado, peixinhos da hora com mostarda de pimentos, umas inusitadas pataniscas de abóbora e uns ovos mexidos com farinheira que estavam excepcionais. A destoar o pão, que podia ser mais autêntico, e uma tábua de queijos algo anémica em relação à tradição local. Nos vinhos - o Guadalupe branco, corrente, foi um aperitivo fresco, o Guadalupe Winemaker’s Selection revelou-se um tinto robusto e competente para a intensidade da comida e, no fim, uma prova de Quetzal tinto reserva de 2012 surpreendeu pela positiva - um vinho feito de Syrah, Alicante Bouschet e Trincadeira -  apesar da concessão  a castas nada alentejanas. Preços dos petiscos e dos vinhos mais correntes perfeitamente honestos. Resta elogiar o serviço, atento e competente. A Quinta do Quetzal, onde tudo isto se passa, fica a poucos quilómetros da Vidigueira, em Vila de Frades e o telefone é 284441618.

 

DIXIT - “A cultura é uma espécie de gambozinos dos governos: acende em noites quentes” - Fernando Sobral.

 

GOSTO - Da iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa e da APEL de fazer uma Festa do Livro nos jardins do Palácio de Belém.

 

NÃO GOSTO - De um Ministério da Cultura que não gosta de ouvir criticas e que nada faz para descer o IVA das entradas dos museus e de alguns bens culturais que está em 23%.

 

BACK TO BASICS - Quando se colocam quinze membros de um mesmo partido numa sala ouvem-se 20 opiniões diferentes - Patrick Leahy, Senador norte-americano.



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