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TURISMO - O facto de termos tantos turistas a visitar-nos, não só em Lisboa mas um pouco por todo o país, pode ser incómodo para alguns mas é algo de muito positivo. Faz parte da desconstrução do “orgulhosamente sós”. É certo que nunca gostámos de ser invadidos e sempre expulsámos os invasores - mas a realidade é que os turistas não são as tropas napoleónicas nem os exércitos de Castela. O aumento do número de turistas representa o êxito de esforços desenvolvidos (nalguns casos ao longo de décadas, como em Lisboa, através da ATL), tem o efeito económico que se conhece e permite-nos, sobretudo uma maior convivência e troca de culturas com outros povos. Tudo isto ajuda a estarmos menos isolados e, é claro, mais expostos. Como acontece sempre em situações destas a procura de um ponto de equilíbrio é uma questão delicada e que demora tempo a ser conseguida. Doug Lanski, um escritor de livros e guias de viagem esteve recentemente em Lisboa e sintetizou o problema de forma exemplar: “A cidade pode ter turistas, mas os turistas não devem ter a cidade”. Se os turistas dominarem a cidade ela transforma-se num zoológico em que as pessoas se tornam animais de cativeiro e espécies em via de extinção. Este é agora o problema de quem manda nas cidades - estimulem os visitantes mas acarinhem os habitantes sem ser só com flores e obras. Tudo cresceu muito depressa - sobretudo desde que os voos das low cost tornaram destinos periféricos (em relação à Europa central)  como Lisboa, o Porto, os Açores e a Madeira em destinos acessíveis. A mina de ouro foi descoberta e a corrida às pepitas está em pleno. O ponto principal é evitar que se esgote o filão. Essa, creio, é a próxima etapa - que há-de passar por conseguirmos ter uma oferta cultural, nomeadamente expositiva, mais variada e atraente.

 

SEMANADA - A venda de automóveis aumentou 15,8% no ano passado; no primeiro ano em vigor das novas regras da carta por pontos nenhum condutor foi punido com formação e nenhum ficou sem carta, apesar de quase duas dezenas terem condições para isso; um estudo da Direcção Geral do território mostra que no último quarto de século 1,1 milhões de hectares mudaram de ocupação e que o país está mais urbano, mais florestal e menos agrícola; segundo dados divulgados esta semana 19 dos 20 maiores projectos apoiados pelo Portugal 20/20 são de natureza pública e apenas um é privado; na maior parte dos casos analisados num estudo agora divulgado, um presidente de Câmara impedido de  voltar a concorrer pela lei de limitação de mandatos gasta menos no último ano da sua gestão do município; dados divulgados esta semana indicam que 20 idosos são agredidos semanalmente quer em roubos quer no contexto de violência doméstica e só no ano passado mais de 1000 idosos foram violentamente agredidos; nos últimos seis anos 427 pessoas pediram para mudar de sexo e de nome no registo civil e deste total há 28 homens com mais de 50 anos que fizeram operações para mudar de sexo e quatro mulheres foram operadas com o mesmo objectivo; segundo o estudo netScope da marktest em Abril 55% do tráfego de internet foi gerado por PC’s (desktop ou portáteis e 45% por equipamentos móveis (39% de smartphones e 9% de tablets).

 

ARCO DA VELHA - Um homem de 22 anos, detido por violação, dedicava-se a vender estimulantes sexuais pela internet a partir da cadeia da Carregueira, onde está preso, e fornecia outros detidos.

 

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FOLHEAR - António Pinto Ribeiro tem desenvolvido nos últimos 25 anos uma actividade significativa no estudo de questões relacionadas com políticas culturais e com a divulgação de diversas formas de arte contemporânea, nomeadamente de África e da América Latina. O seu trabalho na Gulbenkian, em torno do projecto “Próximo Futuro” e a programação de Lisboa enquanto Capital Ibero-Americana da Cultura, que está a decorrer, são o mais evidente sinal dessa actividade. Nos últimos quatro anos dedicou-se a analisar África a partir da representação literária dos seus quatro grandes rios - o Niger, o Zambeze, o Nilo e o Congo. O objectivo foi estudar como a literatura de viagens dos  séculos XVIII e XIX olhou para as geografias dessa época e, depois ( e fundamentalmente) como no final do século XX e início do século XXI quatro escritores olharam para esse mesmo espaço - Ryszard Kapuscinski, Gianni Celati, Pedro Rosa Mendes e Paul Theroux, que escreveram entre 1958 e 2002. António Pinto Ribeiro recorda no primeiro capítulo que ao longo do século XX África deixou de ser um continente maioritariamente sob domínio colonial de nações europeias, passando a ser composto por 54 países independentes, num processo complexo, por vezes violento. Mostra como a partir da década de 70, em África nasceu e desenvolveu-se uma produção cultural contemporânea que aos poucos começou a ser reconhecida fora do continente. O livro enquadra a História recente com o trabalho dos autores evocados, mostrando ainda excertos do que escreveram. “África - Os Quatro Rios” tem uma capa soberba feita a partir de uma fotografia de Pieter Hugo, um notável fotógrafo sul-africano que foi exposto em Portugal pela primeira vez precisamente numa das edições de “Próximo Futuro”. Edição Afrontamento.

 

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VER - O British Bar existe há mais de 100 anos junto ao Cais do Sodré, à época terra de marinheiros, numa zona onde há meio século abundavam os escritórios de transportadores marítimos, despachantes e  transitários e de representações de empresas estrangeiras. Quando a cerveja Guinness era quase desconhecida em Portugal já ali existia, bem tirada, com o sabor acre único que ela tem. Pedro Cabrita Reis habituou-se a frequentar o local quando era aluno de Belas Artes e não mais o largou, lugar de eleição para aperitivo, dois dedos de conversa ou contemplação pura e simples. Deve ter sido num desses momentos de contemplação que se lembrou de propôr aos proprietários do espaço que as três pequenas montras verticais, nos lados e centro da fachada do estabelecimento, pudessem ser aproveitadas para expôr obras de artistas que o próprio Cabrita Reis iria escolher e convidar. Assim nasceu a ideia do britishbar#, com novidades anunciadas para a última sexta feira de cada mês, até Dezembro. Na semana passada foi a segunda mostra e lá entraram duas esculturas, de Vasco Costa e Ana Jotta, e uma estante de Álvaro Siza Vieira. São de Pedro Cabrita Reis estas palavras, que explicam o que está a fazer: “Os espaços convencionais não me interessam. O que quero é fazer coisas fora da caixa, capazes de apanhar as pessoas que gostam de arte e, neste caso, as que só querem beber um copo ou ver um jogo.”

 

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OUVIR -   Tenho para mim que Miguel Araújo é o melhor compositor-intérprete da sua geração. É um contador de histórias - porque cada canção há-de ser um episódio. Escreve com humor, fala de coisas de sempre e de coisas actuais, e ainda por cima escreve muitíssimo bem em português - sabendo-se que escrever português para ser cantado é um exercício bem difícil. Miguel Araújo domina a técnica e mostra o sentimento. “Giesta”, agora lançado, é o terceiro disco a solo deste ex-Azeitonas e atrevo-me a dizer que é o melhor conjunto de canções de Miguel Araújo - talvez por ser, como ele próprio reconhece, o mais autobiográfico dos seus trabalhos. Para além dos Azeitonas, Miguel Araújo é parceiro habitual de António Zambujo, com quem recentemente fez uma série de concertos que foram um sucesso de público. Mas voltemos a este “Giesta” - cujo nome evoca a zona da Maia onde passou a infância. O disco é cheio de memórias, como a faixa “Axl Rose” que conta como Araújo viu, à distãncia do relato da irmã, a aparatosa queda do guitarrista dos Gun’n’Roses no concerto do estádio José Alvalade. As minhas canções favoritas são “Sangemil”, “Lurdes Valsa Lenta” , “Maria da Glória” e “1987”, que inclui um dueto com Catarina Salinas (dos Best Youth). Giesta, CD Warner, disponível no Spotify.

 

PROVAR -  Um dia destes um amigo perguntava-me porque é que eu andava a falar mais de petiscos, de receitas, de produtos e ingredientes do que de restaurantes. A resposta é que ando desanimado com a necessidade de falar dos novos restaurantes que vão abrindo. Penso que muitos desses novos restaurantes estão a posicionar-se, voluntária ou involuntariamente, como exercícios de comunicação efémeros, com um prazo de validade limitado, muitas vezes com uma rápida degradação da qualidade, e que vivem mais de cenários do que de consistência. Por isso volta e meia regresso a alguns dos meus clássicos, onde a qualidade se mantém e onde o serviço é sempre simpático. Alguns deles até são relativamente recentes, como a “Casa de Pasto”, no Cais do Sodré, onde em boa hora voltei esta semana. Confesso que nem é sítio onde vá com uma frequência desmedida, mas cada visita que fiz correu bem. É comida bem confeccionada, frequentemente com um toque de saborosa imaginação. O chef é Hugo Dias de Castro e notam-se as suas origens nortenhas na comida caseira e no tempero e evita os jogos florais do empratamento minimalista que dão cabo de muitos locais. Gosto do ambiente, da decoração que nos faz pensar estar numa sala de jantar familiar, da simpatia da equipa. Nesta visita provou-se uns secretos invulgarmente bem confeccionados, acompanhados por batata frita na hora às rodelas finas (excelentes) e um polvo com picadinho de legumes acompanhado de legumes no forno. Era terça-feira e penso que seríamos os únicos portugueses na sala. E tudo correu bem. Rua de S. Paulo 20-1º, telefone 963739979

 

DIXIT -  “Quem cá mora tem de ter um regime de protecção, porque são moradores da cidade, porque pagam aqui os seus impostos” - Luis Natal Marques, Presidente da EMEL, sobre a utilização de automóveis particulares em Lisboa.

 

GOSTO - Da edição em DVD, já disponível nas bancas de jornais, de “Paula Rego- Histórias & Segredos”, o belo filme de Nick Willing que estreou recentemente.

 

NÃO GOSTO - O consumo de tabaco gera 32 mortes por  dia em Portugal,segundo a Fundação Portuguesa do Pulmão.

 

BACK TO BASICS - “A arte do compromisso é conseguir partir um bolo de forma a que toda a gente fique com a sensação de ter a maior fatia” - Ludwig Ehrard

 

 

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publicado às 15:11

MEDINA: INVESTIR OU DESBARATAR?

por falcao, em 05.01.17

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De tudo o que se passa na cidade o que mais me aborrece é perceber que o dinheiro arrecadado por Lisboa, graças ao turismo, está a ser tão mal empregue e que os principais beneficiados são os visitantes, e não os habitantes, em áreas como ensino, apoio social, recuperação urbana não especulativa, captação de novos residentes, transportes e até saúde. Por isso é que acho que Medina é um engano político - faz cenários e vende ilusões, desbarata receitas em ornamentos em vez de fazer investimentos reprodutivos que melhorem a qualidade de vida dos lisboetas e possam atrair de novo pessoas, sobretudo jovens, para a cidade.

 

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publicado às 21:00


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