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DESCALABRO -  A rotina portuguesa é esta: não há semana em que não surja um escândalo - seja de corrupção entre os políticos, seja em clubes de futebol. Chegámos a um ponto em que tudo parece ser permitido, em que existe um sentimento de impunidade que faz uma mistura explosiva quando aparece combinado com irresponsabilidade, como tem sido o caso. Os acontecimentos desta semana no Sporting, outros de semanas anteriores no Benfica, mostram isto mesmo. Tudo se passa como se os clubes de futebol tivessem deixado de ter direcções e passassem a ser governados por claques descontroladas.  Clubes que deviam ser uma referência inspiradora de bons comportamentos desportivos passaram a exemplo do que não pode acontecer. O que se passou no Sporting é, a esse nível, particularmente grave - trata-se de agressões a jogadores em duas ocasiões: dia 13, nas garagens do estádio, depois da chegada da Madeira, e dia 15, nas instalações da Academia, em Alcochete. Nos dois casos as agressões realizaram-se em instalações do Sporting, perante a ausência ou indiferença da segurança que aí devia existir - e que devia ser investigada por ter permitido o que se passou. Vale a pena ler estas duas citações - a primeira é de Bruno de Carvalho:  “Foi chato mas amanhã é um novo dia e temos que perceber que o crime faz parte do dia-a-dia”; e a segunda foi proferida pelo Presidente da República : “São acontecimentos graves que não podemos normalizar ou banalizar sob pena de permitirmos escaladas que são más para o desporto português e para a sociedade portuguesa no seu todo”. O desporto profissional, que devia ser uma motivação e um exemplo de fair-play, transformou-se em Portugal num vale tudo governado por arrivistas que se julgam acima da lei. Isto já não é desporto.

 

SEMANADA - Para fazer aumentar o número de alunos universitários no interior do país, o Governo vai cortar 1100 vagas em cursos superiores em Lisboa e Porto no próximo ano lectivo; menos de metade dos meios aéreos de combate a incêndios estão activos no início da fase de alerta, que começou dia 15; a carga fiscal em Portugal atingiu no ano passado o valor mais elevado desde 1995, cifrando-se em 34,7% do PIB; no primeiro trimestre o PIB português cresceu abaixo do previsto, numa travagem superior às estimativas oficiais; o decreto-lei de execução orçamental para 2018, foi publicado quarta-feira com dois meses e meio de atraso face ao prazo imposto por lei; as baixas médicas aumentaram 32% em quatro anos; há mais de 136 mil jovens e crianças sem médico de família atribuído; em 2017 os portugueses realizaram operações de multibanco - levantamentos e pagamentos - a uma média de 1,5 mil milhões de euros por dia, mais 118,3 milhões por dia que em 2016;  registam-se 992 novos registos por dia para apostas online; os processos em papel nos tribunais têm um custo de 20 milhões de euros por ano, dos quais 18 milhões são em despesas de correio; nos novos programas de ensino de História a adesão à CEE e a herança muçulmana quase desaparecem da disciplina de História.

 

ARCO DA VELHA - A associação Capazes recebeu 73 mil euros de fundos europeus para organizar cinco conferências com a duração total de sete horas e meia, num processo que decorreu ao longo de dois anos e que requereu dois funcionários a tempo inteiro.

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FOLHEAR - Manuel S. Fonseca, o editor da Guerra & Paz, iniciou uma colecção baseada em antologias de textos de Fernando Pessoa e seus heterónimos, textos que se organizam em torno de um tema. Primeiro fez “Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos”,  agora pegou nas ideias de viagem sugeridas por Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Fernando Pessoa ou Bernardo Soares e deu-lhe o título “Tenho Medo de Partir”. No fundo este livro retoma, em edição revista e acrescentada, o “Livro de Viagem”, publicado pela Guerra e Paz no final de 2009.  Esta colectânea começa pelo poema de Álvaro de Campos “Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir”, prossegue pela mão de Alberto Caeiro em “Para além da curva da estrada”, recorda com Ricardo Reis “Azuis os montes que estão longe param”, prossegue, pela mão do próprio Pessoa “No comboio descendente”, e com Bernardo Soares perde-se no “Devaneio entre Cascais e Lisboa”. No posfácio Manuel S. Fonseca classifica Álvaro de Campos como o viajante dramático, Alberto Caeiro como o viajante do lugar onde está, Ricardo Reis como o viajante imóvel, Bernardo Soares como o viajante nauseado e Fernando Pessoa como o viajante de si mesmo. Como dizia Bernardo Soares: “As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.”

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VER - E à terceira, foi de vez. Esta é a melhor edição da ARCO Lisboa, quer pelas obras expostas, quer pela diversidade e importância dos artistas expostos, portugueses e estrangeiros, quer ainda pela ampliação do espaço consagrado a projectos individuais de artistas ou a área dedicada a novas galerias - o Opening, este ano com 12 galerias, seis nacionais e seis de fora. Ao todo estão 72 galeristas de 14 países, cerca de mil obras, e ainda um espaço dedicado a editores e livrarias que trabalham com livros de arte. A Feira de Arte Contemporânea de Lisboa pode ser visitada até Domingo (sexta e sábado das 14 às 21h00 e domingo das 12 às 18h00). Organizada pela IFEMA, que criou a original ARCO Madrid, a edição lisboeta tem um núcleo importante de galerias espanholas, além de novidades como a Krizinger (de Viena) ou a Greengrassi de Londres. Além da presença na ARCO os galeristas lisboetas desenvolvem várias iniciativas nas suas próprias galerias e a organização incentivou uma série de programas paralelos aos quais os coleccionadores e críticos de arte estrangeiros convidados são estimulados a ir. O edifício da Cordoaria, integralmente ocupado pela ARCO, conta ainda com a novidade de uma colaboração com a Trienal de Arquitectura, que através do atelier JQTS criou no pátio central do edifício um pavilhão temporário que aloja o restaurante da feira. Outra novidade este ano  é a primeira edição da JustLX, promovida pela ArtFairs, que em Madrid organiza há nove anos uma mostra alternativa à ARCO. A JustLX está no Museu da Carris, perto da Cordoaria, acolhe 43 galerias, 15 das quais portuguesas e decorre também até domingo.

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OUVIR - Nels Cline  ganhou fama como guitarrista dos Wilco, um grupo rock de Chicago que ganhou notoriedade na segunda metade dos anos 90 e na primeira década deste século. A revista Rolling Stone considerou Cline como um dos melhores guitarristas de sempre. Há uns anos começou projectos a solo mais centrados na área do jazz . primeiro o álbum “Room”, feito em parceria com o também guitarrista Julian Lage e, a seguir, a sua estreia na editora  Blue Note com o duplo-álbum “Lovers”, onde contou com uma orquestra. Agora, de novo na Blue Note, apresenta “Currents, Constellation”, com um quarteto a que deu o nome Nels Cline 4. Depois da aventura orquestral retoma a colaboração com Julian Lage e foi buscar uma secção rítmica composta pelo baixista Scott Colley e pelo baterista Tom Rainey, que acrescentam considerável energia ao diálogo, rico, entre as duas guitarras eléctricas. Se o som de guitarra eléctrica muito bem tocada vos entusiasma, este é o disco que vale a pena conhecer. Todas as composições são de Cline, à excepção de “Temporarily”, um original de Carla Bley e por sinal uma das demonstrações mais claras do trabalho deste quarteto. Há um tema que vem do álbum “Room”, “Amenette”, há uma clara homenagem a Ralph Towner em “As Close As That” e para mim o tema mais fascinante é “River Mouth”. CD Blue Note, distribuição Universal.

 

PROVAR - Ver programas sobre comida, à noite, tem efeitos terríveis. Comecei a ver a série “Ugly Delicious” na Netflix e logo no primeiro episódio aparece a pizza napolitana. O resultado óbvio disto foi que no dia a seguir fui à procura de uma pizza à hora de almoço e o local escolhido foi um restaurante recentemente aberto na Duque de Ávila, o Pátio Antico. O nome ecoava-me na memória e depressa descobri porquê: o chef Rosario Corsa é quem, há uns anos, abriu e dirigiu o restaurante de nome idêntico em Paço de Arcos onde tive vários bons momentos. Com a casa original em obras, resolveu abrir este espaço em Lisboa. Fiz três incursões até agora e todas honraram as memórias passadas. A pizza napolitana que escolhi, na senda dos desejos inspirados pela televisão, estava como se deseja na consistência da massa (fofa nos bordos, fina no centro, bem assada) e na qualidade e equilíbrio dos ingredientes. Nas outras vezes provei os pratos do dia - fettucine com pesto e burrata, umas almôndegas com recheio de mozarela e presunto, acompanhadas por raviolis de ricotta e espinafres com um toque de trufa e um spaghetti puttanesca fiel à ideia original. As massas, frescas, preparadas diariamente, vêm cozinhadas no ponto. A lista de vinhos não é extensa mas tem  propostas equilibradas e o Lambrusco da casa é uma boa escolha - há também vinhos italianos e portugueses a copo. Da lista faz parte nas entradas um bom misto de enchidos e queijos italianos, há risottos de polvo e camarão, de espargos e cogumelos e um extraordinário de caranguejo e courgette, além de diversos spaghetti (nomeadamente com tartufo negro), pizzas e propostas de carne. Serviço muito simpático. Avenida Duque de Ávila 169D, telefone 213 530 290.

 

DIXIT - "Sócrates como primeiro-ministro não se interessou pelo combate à corrupção" - João Cravinho, ex-Ministro e ex-deputado do PS.

 

GOSTO - A Gulbenkian anunciou ir apoiar com 150.000 euros projectos de investigação jornalística.

 

NÃO GOSTO - O trabalho da RTP e das equipas de produção externa que contratou foi brilhante mas o Festival da Eurovisão continua a ser uma pinderiquice musical.

 

BACK TO BASICS - “O Amor é a expressão maior da vontade de viver” - Tom Wolfe.

 

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publicado às 13:10

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A INJUSTIÇA - O Presidente da República tomou esta semana uma forte posição denunciando a lentidão da Justiça: “Se renunciarmos a uma Justiça em tempo, renunciamos ao Estado de direito”. Marcelo falava sobretudo dos crimes de corrupção e de colarinho branco, nas relações entre a economia e a política. Mas a lentidão na justiça, que atinge toda a sociedade, tem um lado ainda mais perverso quando envolve os direitos dos cidadãos face ao abuso de autoridade do Estado. O tempo que demora a resolver um processo entre um cidadão e o Estado é incompatível, por vezes, com o tempo de vida das pessoas. Todos sabemos o que se passa em matéria da justiça tributária, em que as decisões se arrastam anos, por vezes décadas, com evidente prejuízo para cidadãos que, por força de ausência de decisão, ficam manietados de direitos. Existe portanto um outro lado da lentidão do funcionamento dos tribunais, muito cruel, que tem a ver com a defesa dos direitos dos cidadãos que se consideram perseguidos ou injustiçados pelo Estado. O pior dos atrasos da Justiça é aquele que destrói e mina o dia-a-dia dos cidadãos anónimos. É também nesses que é preciso pensar quando se fala da necessidade de uma reforma profunda da Justiça. Em Portugal vive-se uma situação em que o Estado, directamente pelos seus organismos administrativos, ou através dos Tribunais, paralisa a sociedade, destrói empresas e prejudica a economia. Neste contexto, a Ministra da Justiça, Francisca Van Dunen veio dizer, em resposta ao Presidente,  que "na generalidade, a resposta da justiça é positiva". É uma afirmação intolerável de uma governante, uma ofensa aos cidadãos e um insulto à inteligência dos portugueses. A lentidão da justiça é uma das mais sólidas bases do abuso de poder do Estado sobre os cidadãos.

 

SEMANADA - A maioria das Câmaras Municipais não tem planos de acção contra tragédias, em particular incêndios florestais; ao contrário do previsto o Governo  não penalizou as câmaras sem planos anti fogos; desde 2006 que Portugal não tem em Maio tão poucos aviões contratados e disponíveis para combate a incêndios; o Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS), um grupo especial de ataque a fogos que foi anunciado por António Costa como a sua aposta, não tem ainda luvas, fatos, telemóveis, computadores, carros e camas de campanha para as suas brigadas; o respectivo comandante admite que será difícil este GIPS estar preparado e operacional na data definida, 1 de Junho; o presidente do INEM denunciou  que em 2017 um "número significativo" de turnos e vários meios de emergência não foram assegurados porque os trabalhadores tiveram de combater incêndios ao abrigo da lei; aumentaram as tensões entre a Autoridade Nacional da Protecção Civil e a Liga dos Bombeiros Portugueses, o que motivou a demissão do comandante da Protecção Civil; a nova Lei Orgânica da Protecção Civil continua atrasada por responsabilidade do Governo; as estruturas de gestão e o comando operacional da protecção civil já mudaram várias vezes no decurso do último ano; Marcelo Rebelo de Sousa avisou que tirará consequências se voltar a ocorrer nova tragédia nos incêndios.

 

ARCO DA VELHA - Nos últimos dias, para parte do PS, José Sócrates passou de vítima a ser considerado um carrasco que fez dos outros vítimas e entretanto apoiantes seus estão a organizar um  almoço de confraternização e desagravo que decorrerá uma semana antes do Congresso do PS.

 

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FOLHEAR - Paulo Nozolino foi o autor bem escolhido para o segundo volume de Ph., a colecção dedicada à fotografia criada pela Imprensa Nacional. Nozolino é o fotógrafo português com maior visibilidade internacional e com uma carreira feita entre várias áreas da fotografia, incluindo imprensa e a publicidade, e em diversos países. Na introdução ao livro Sérgio Mah escreve que para Nozolino “a fotografia é assumida como um meio privilegiado de exprimir e organizar a sua visão inquieta e dramática do mundo” e evoca uma frase de Nozolino: “A fotografia permitiu-me viajar e ver a diferença entre o possível e o impossível. Podia guardar sem possuir, lembrar-me sem preocupação de esquecer, sobreviver em vez de viver. Sobretudo saber que tudo tem uma história, cada história duas versões, cada versão o seu passado”. São mais de oito dezenas de imagens, desde aquela que Paulo Nozolino considera a sua primeira fotografia, feita em 1972 na Acrópole, até à mais recente, de 2013, feita em Berlim. No percurso, que no livro não é apresentado por ordem cronológica mas por opção do autor, Paulo Nozolino mostra-nos as suas histórias de dezenas de cidades e lugares, de países em vários continentes, sempre a preto e branco, com uma dimensão do equilíbrio entre intensas tonalidades e a utilização da luz que são a sua imagem de marca. Em tempos Nozolino definiu assim a sua prática fotográfica: “Eu não estou aqui para mudar o mundo mas para ver como é que ele evolui”. A colecção Ph. tem curadoria de Cláudio Garrudo.

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VER - A exposição da semana, e uma das mais marcantes que vi nos últimos tempos, é “Nowhere Fast”, que reúne três obras de Teresa Gonçalves Lobo e  uma escultura de Thomas Mendonça que é também uma fonte de sensações olfactivas do perfumista Sven Pritzkoleit. A curadoria é de Miguel Matos, fundador da revista “Umbigo”. Os três desenhos de grandes dimensões, a pastel e carvão sobre papel, de Teresa Gonçalves Lobo (na imagem) são peças intensas, a negro e vermelho, com um traço forte e incisivo bem marcado no papel, obras com um lado orgânico e visceral, que criam um ambiente especial na Ermida - até 20 de Junho (Travessa do Marta Pinto 21). Outras sugestões: "O que pode ser a arte? 50 anos de Maio de 68" é o título da exposição com curadoria de Nuno Crespo e Hugo Dinis, reunindo obras de Júlio Pomar e de Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás da Cunha Ferreira - até 29 de setembro, no Atelier-Museu Júlio Pomar (Rua do Vale 7). Na Galeria Quadrado Azul (Rua Reinaldo Ferreira 20A, até 23 de Junho, uma evocação das obras dos anos 70 de Zulmiro de Carvalho, Ângelo de Sousa e José de Guimarães. Ângela Ferreira apresenta “Diamantes, Obelisco e Outros” na Galeria João Esteves de Oliveira até 15 de Junho (Rua Ivens 38). “For us a book is a small building” é o título da exposição que Fernanda Fragateiro apresenta na Galeria Baginski (Rua Capitão leitão 51) até 15 de Julho.

 

 

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OUVIR - O que são os Thirdstory? Um trio vocal. Ponto. São as vozes dos seus três membros, Elliott Skinner, Ben Lusher and Richard Saunders, que constituem a diferença em relação à paisagem musical contemporânea. Algures entre a pop e o folk , Thirdstory vale mais pelas harmonias das vozes que pela execução instrumental ou a composição musical. É, a nível vocal, um caso raro na música que se faz hoje em dia. Musicalmente são deste tempo, os seus ritmos são actuais, mas sozinhos passariam quase despercebidos se não fossem as vozes. Nascidos em Nova Iorque em 2014, com um EP editado em 2016, o seu álbum de estreia saíu já este ano e chama-se “Cold Heart”. Foi editado na prestigiada e histórica etiqueta de jazz Verve. Destaques para “Hit The Ceiling” e para “G Train”, que tem a colaboração de Pusha T e a correspondente influência de hip hop - os Thirdstory não são estranhos a este território, integraram a banda de digressão de Chance The Rapper. Outros bons temas deste disco de estreia: “On And On”, “Still In Love”, “Over (When We Say Goodbye)” e sobretudo “I’m Coming ‘Round”, que é o melhor de todos os exemplos da capacidade e versatilidade das vozes deste trio. Malay, um premiado com os Grammy, assina a discreta mas eficaz produção musical.

 

PROVAR - Houve um tempo, não distante, em que a maioria dos vinhos da casta Alvarinho estagiava apenas em cubas de inox. Poucos produtores se atreviam a colocar o vinho em contacto com a madeira. Aos poucos foram feitas experiências, por exemplo com uma primeiras fase de fermentação em barricas e finalização feita em inox. Daí evoluíu-se para a fermentação e estágio em barrica - e desse método nasceram alguns dos melhores vinhos brancos portugueses. É este precisamente o método que João Portugal Ramos seguiu para a sua colheita de Alvarinho feita em 2015. O resultado é um branco da casta Alvarinho, cultivada na região de Monção e Melgaço, em solos de origem granítica. A fermentação decorreu a temperatura controlada de 16º C, durante duas a três semanas, sendo que 10% do mosto fermentou em barricas novas de carvalho francês. O resultado é este Alvarinho Reserva de 2015, um vinho verde elegante, com aroma cítrico e floral que termina com um longo final de boca. O carácter fresco e exuberante da casta Alvarinho mostra-se envolto pelo toque da madeira, embora muito ligeiro, contribuindo para a personalidade inesperada deste vinho.Graduação de 13,5º.

 

DIXIT - “O mais provável é que o PS esteja a caminho do fim. Não por causa da adesão ao mercado nem pelo seu entusiasmo com a frente de esquerda. Mas sim por causa da corrupção, que o PS nunca condenou claramente, sobretudo a sua e a dos seus amigos” - António Barreto

 

GOSTO - Das palavras claras do Presidente da República sobre o combate à corrupção, sobre as demoras da justiça e sobre as condições de combate aos incêndios florestais.

 

NÃO GOSTO - O socorro urgente do INEM em zonas rurais demora o dobro do tempo do que nas zonas urbanas.

 

BACK TO BASICS -  “Dois homens espreitam pela janela; um vê lama, o outro olha para as estrelas” - Oscar Wilde.

 

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publicado às 13:15

O TINDER CHEGOU À GOVERNAÇÃO

por falcao, em 04.05.18

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O TINDER - Na semana passada dei com esta imagem que aqui se reproduz - um bar londrino afirma-se como o verdadeiro Tinder 3D, que proporciona prováveis acasalamentos ao vivo, em vez de ocorrerem no espaço virtual do digital. Quando vi esta divertida ideia do Tinder 3D lembrei-me de como António Costa se pode considerar o exímio Tinder a três dimensões da política portuguesa. Ao ler o que se vai sabendo sobre a moção que Costa apresentará ao seu Congresso, com uma paisagem de eventuais acordos e coligações no mínimo nebulosa, confirmei a minha ideia. António Costa posiciona-se como uma app que promove acasalamentos políticos, disponível para várias combinações. Neste contexto não deixa de ser curioso que as vésperas do Congresso do PS seja o momento escolhido para criar uma linha de demarcação, até aqui inédita em território socialista, em relação aos casos de Manuel Pinho e de  José Sócrates. Evoco mais uma vez o Tinder e imagino Costa a varrer Pinho e Sócrates para o lado esquerdo do ecrã, enquanto guarda no lado direito Rui Rio, Mariana Mortágua e Jerónimo de Sousa, a ver qual será melhor par no futuro. A favor de António Costa está o apadrinhamento de Marcelo Rebelo de Sousa e a conjuntura favorável que tem produzido resultados. Resta saber o que acontecerá no futuro - ou seja como as vontade e desejos poderão mudar quando os ventos soprarem noutras direcções. Para já Costa é, coisa inédita, o pretendente desejado por quase todo o espectro partidário português. Um campeão do Tinder.

 

SEMANADA - Arons de Carvalho, fundador do PS e mandatário nacional da terceira candidatura de António Costa a Secretário Geral do PS defendeu na semana passada que o seu partido não deve comentar os casos de Manuel Pinho e José Sócrates; logo a seguir Carlos César, o líder parlamentar e presidente do PS veio assumir que o partido sente vergonha das suspeitas de corrupção que recaem sobre Manuel Pinho e  do caso que envolve José Sócrates; um dia depois o deputado João Galamba diz que o PS se sente incomodado com os casos Sócrates e Pinho; o requerimento do PSD para ouvir o ex-ministro da Economia Manuel Pinho no Parlamento foi aprovado com o voto favorável de todas as bancadas, à excepção do BE, que se absteve; o advogado de Manuel Pinho, Ricardo Sá Fernandes, aconselhou o seu constituinte a não responder às eventuais questões dos deputados sobre a sua ligação ao universo Espírito Santo; ainda existem mais de cem milhões de euros em notas antigas de escudo nas mãos de particulares; as greves previstas para o mês de maio no sector da saúde podem afectar 18 mil cirurgias; montar sistemas de videovigilância vai deixar de ter controlo prévio; a Comissão Nacional de Protecção de Dados está “muitíssimo deficitária” de meios humanos para cumprir as suas funções de fiscalização; segundo um estudo da Marktest, desde o início do século, o número de publicações periódicas editadas no Continente baixou 28%.

 

ARCO DA VELHA - O Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, dificultou a divulgação de informação relevante sobre os incêndios de Pedrogão, nomeadamente de uma auditoria interna da Protecção Civil que afirma terem sido apagados ou destruídos documentos sobre o referido incêndio.

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 FOLHEAR - As disputas brejeiras entre Lisboa e Porto são coisas conhecidas. Futebóis à parte a rivalidade trava-se através de múltiplos duelos: por exemplo a francesinha contra o pastel de Belém, a ginjinha contra o Vinho do Porto, Serralves e o CCB, nos filmes entre A Canção de Lisboa ou Aniki-Bobó, nas festas entre Santo António ou São João. Originalmente editado há uma dezena de anos, “Porto Vs Lisboa” é um livro escrito a quatro mãos por António Eça de Queiroz pelo lado portista e António Costa Santos pelo lado lisboeta. Agora que na política a valsa se dança com o sulista António Costa e o nortenho Rui Rio, a reedição do livro torna-se particularmente oportuna. As secções do livro têm nomes sugestivos como “Bicas e Cimbalinos” e em  “Bebidas e Petiscos”, além do que já acima se escreveu, surgem os pipis de Lisboa e as tripas à moda do Porto, enquanto nas noites surge o Bairro Alto a sul e da Ribeira a norte. Mas há também partes sérias, como as histórias de Zé do Telhado e Diogo Alves, do Terramoto de 1755 e do desastre da Ponte das Barcas. No final fica um conjunto de textos bem humorados onde se reconhecem as diferenças entre as duas cidades e se mostram as suas tradições, os seus locais de eleição e também aquilo que em cada cidade mais vale a pena conhecer, ver, provar. “Porto Vs. Lisboa”, edição Guerra & Paz.

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VER - O destaque desta semana vai para a fotografia de reportagem mostrada na exposição do World Press Photo, que anualmente selecciona o  melhor do fotojornalismo que se faz em todo o mundo. Este ano a exposição mudou de sítio e foi para o lado oriental da cidade, para o Hub Criativo do Beato e até 20 de Maio pode ser vista de quinta a domingo das 10 às 19h00, com entrada livre. A fotografia vencedora, que aqui mostramos, é do venezuelano  Ronaldo Schemidt e mostra uma imagem dos confrontos que se repetem no seu país. Ao todo são centenas de imagens que fixam momentos decisivos da nossa história recente. Outros destaques: até 17 de Junho, a fotógrafa e exploradora Lorie Karnath apresenta no Centro Cultural de Cascais fotografias de viagens que realizou a Myanmar - “BURMA, Moments in Time”; na Galeria Carlos Carvalho, em Lisboa, Daniel Blaufuks apresenta “Houve um tempo em que estávamos todos vivos" com obras em fotografia e video; em, Coimbra, no Centro de Artes Visuais, José Luis Neto apresenta “Pure Emulsion”. Finalmente a 13ª edição de British Bar, uma iniciativa de Pedro Cabrita Reis, apresenta nas três montras do estabelecimento que dão para o Cais do Sodré, obras de Jorge Pinheiro, Rui Chafes e Patrícia Garrido. A terminar destaque para o Mapa das Artes, uma edição gratuita e bilingue, disponível em papel e em formato digital (www.mapadasartes.pt), e que apresenta mais de uma centena de espaços de arte contemporânea da cidade de Lisboa, entre eles 59 galerias, e 17 museus e fundações.

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OUVIR - Betty Lavette tem uma carreira longa, iniciada em 1962 - exactamente o ano em que Bob Dylan gravou o seu álbum de estreia. Dylan está prestes a fazer 77 anos, Betty Lavette tem 72. Este ano ela lembrou-se de pegar em 12 canções de Dylan, em parte originalmente gravadas pelo autor entre 1979 e 1989, muitas delas pouco conhecidas, e com arranjos bem diferentes dos originais. O disco tem o nome da faixa de abertura”Things Have Changed” que saíu no CD “Modern Times”, de 2006, mas foi gravada em 1999 e editada como single em 2000 para a banda sonora do filme “Wonder Boys”. Nessa faixa de abertura Betty Lavette diz logo ao que vai, com uma voz poderosa. Os arranjos, surpreendentes, vêm assinados por Steve Jordan, que tem parte activa em todo o disco como produtor. Há um convidado que merece destaque, Keith Richards, e que toca a sua guitarra em dois temas do disco -  “It Ain’t Me Babe” e sobretudo em “Political World”. Betty Lavette e Steve Jordan deram uma grande volta a estas canções e bastará ouvir a sua versão de “The Times They Are A Changin’” para se perceber que a soul entrou desabridamente por estas canções. CD Verve, distribuído pela Universal Music.

 

PROVAR - Como gosto de descobrir novos restaurantes um dia destes fui experimentar o Zagaia, mesmo no centro de Setúbal. O local combina um balcão de sushi, com o facto de se apresentar como marisqueira (caso raro nesssa cidade) e também por ir além do habitual peixe assado na grelha. No comando da cozinha está Luís Barradas e a opção foi trabalhar com produtos frescos comprados diariamente no Mercado do Livramento, que fica perto do restaurante. Ali se pode almoçar e jantar, mas também petiscar ao fim da tarde ou a qualquer outra hora. Para além de peixe muito fresco (que no entanto se serve também assado na grelha, com cuidado e sem exageros de calor), a lista propõe um arroz de marisco sem casca, choco à antiga panado com farinha de milho e umas afamadas pataniscas de raia seca. Na parte oriental são apresentadas uma inesperadas gyosas de camarão e nos petiscos há um prego de atum em bolo do caco. Nas entradas destaque para o cuidado posto na confecção de umas ameijôas à Bulhão Pato. O serviço é verdadeiramente acima da média, a casa é luminosa, ampla e bem decorada, espraia-se por duas salas e a garrafeira dispõe de uma oferta baseada em vinhos da região e em algumas propostas novas e curiosas de diversos produtores, sobretudo na área dos vinhos brancos e verdes. O Zagaia, nome de arma de arremesso, fica na Avenida Luísa Todi 510, Setúbal e responde pelos telefones 265404111 e 937172255.

 

DIXIT - “Os cinco maiores partidos na Assembleia da República representam hoje menos 800 mil votos que há vinte anos. Há 800 mil pessoas que deixaram de votar nestes cinco partidos e essas 800 mil pessoas já não voltam a votar nestes partidos” - Nuno Garoupa.

 

GOSTO - A taxa de desemprego recuou para os níveis de há 14 anos e está nos 7,4%.

 

NÃO GOSTO - Em 2017, em Portugal, registaram-se mais 23 432 óbitos que nascimentos.

 

BACK TO BASICS - “A censura é o reflexo da falta de confiança na sociedade por parte de quem a governa” - Potter Stewart

 



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publicado às 13:15

UM CONSELHO INÚTIL

por falcao, em 27.04.18

Pouca gente terá reparado que o Governo andou a fazer uma luta surda com a RTP até conseguir o que queria - ter uma palavra a dizer na composição do Conselho de Administração da empresa concessionária do serviço público de Rádio e Televisão. O caso deu-se graças a uma das maiores asneiras do ministro Poiares Maduro, no anterior Governo, a criação do Conselho Geral Independente. Maduro criou um orgão de supervisão, que ele próprio nomeou, e que integrou vários bonzos que em comum tinham o facto de pouco ou nada perceberem de comunicação e muito menos de audiovisual. O Conselho Geral Independente foi inspirado por um orgão da BBC que nessa altura já estava em desuso e debaixo de crítica. Este grupo de bonzos, que no léxico comum rapidamente se tornou conhecido por Conselho Geral Inútil,  cumpriu o caderno de encargos que recebeu, afastou Alberto da Ponte e introduziu uma nova equipa que escolheu com o óbvio agreement - senão inspiração - do Ministro Maduro. Ao longo dos anos que leva de vida conhece-se-lhe pouca obra, nenhuma recomendação inovadora e interessante. Há meses decidiu fazer prova de vida e apontou o caminho da porta a Nuno Artur Silva com base numa situação que se arrastava desde há anos e que tinha a ver com a sua participação accionista numa empresa de produção e num canal de cabo - tudo isto já existia antes de o próprio CGI o convidar a ir para a RTP. O CGI teve a ilusão de que escolhe quem quiser, esquecendo-se que, pelo menos na área do administrador com o pelouro financeiro, há que haver o acordo do Governo. Não o procurou e Centeno deixou ficar a coisa a aboborar, fazendo finca pé em ser ele a dar o nome. Foi o que agora aconteceu. Do CGI, como de costume, não se ouviu um ai. Cumpriram e calaram - na sua génese está o não fazer nada. É este espírito que mata o serviço público de rádio e televisão.

SEMANADA - Em 2017 prescreveram mais de 61 mil infracções de trânsito e o número de multas por pagar duplicou no prazo de um ano; os portugueses gastam em média 70 euros por mês em transportes; as administrações regionais de saúde gastaram 1,8 milhões de euros em táxis num ano, ou seja cerca de metade do orçamento de transportes;  o investimento público no ano passado ainda ficou 8% abaixo do registado no auge da crise, em 2013; Ana Gomes, eurodeputada socialista, afirmou  que o próximo Congresso do seu partido, que se realiza no final de maio, é uma “oportunidade para escalpelizar como [o PS] se prestou a ser instrumento de corruptos e criminosos”; nos últimos dias surgiram várias reportagens a demonstrar que há deputados que quase duplicam o salário parlamentar com extras de duvidosa ética; Portugal continua entre os piores países da Europa no que toca ao desemprego jovem; três em quatro desempregados jovens não estudam nem nunca trabalharam; Vieira da Silva, Ministro da Solidariedade e Segurança Social demorou quase dois anos a aprovar a auditoria à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa; “Vieira da Silva não é aquele Ministro que não deu por nada no caso das Raríssimas?” - perguntou Luis Afonso, no Bartoon.

 

ARCO DA VELHA - Na Assembleia Municipal de Lisboa o PSD votou contra uma moção que o próprio PSD apresentou.

 

FOLHEAR - Poucas publicações nascidas já neste século se podem gabar de estarem ainda vivas. Felizmente é o caso da “Egoísta”, que agora completou 18 anos, ao longo dos quais alcançou 81 prémios nacionais e internacionais - o que a torna na revista europeia mais premiada de todos os tempos. Desde o início editada por Patrícia Reis, e com um conceito gráfico original de Henrique Cayatte, a “Egoísta “ foi possível graças à vontade do seu Director, Mário Assis Ferreira, e da empresa que a lançou, o Grupo Estoril-Sol. Ao longo de toda a sua existência a “Egoísta”, editada trimestralmente, acolheu escritores, fotógrafos, políticos, artistas.  Tem sido generosa com as suas páginas. Nesta edição do 18º aniversário destaco um texto de Hélia Correia, ilustrado por Ilda David - “Mãe”, os portfolios de fotografia “Youth”, de Lena Pogrebnaya” e sobretudo o magnífico “A Dupla Vida da Gente”, de Estelle Valente. E, claro, o eterno “Cartas A Um Jovem Poeta” de Rainer Maria Rilke, quase a encerrar este número 63: “Não tire conclusões demasiado apressadas daquilo que lhe acontece: deixe-o simplesmente acontecer”.

 

VER - Volta e meia somos surpreendidos pelo olhar que alguém de fora consegue ter sobre nós. A forma e a distância de observação do nosso mundo por quem “é de fora” leva-nos a ver o que tínhamos considerado vulgar ao ponto de não lhe darmos a importância que de facto tem. Penelope Curtis, a britânica que em 2015 deixou a Tate Britain para vir dirigir o Museu Calouste Gulbenkian e é um bom exemplo disto mesmo. A nova exposição, que ocupa a galeria principal do Museu até 10 de Setembro, chama-se “Pós-Pop, Fora do lugar comum - desvios da Pop em Portugal e Inglaterra, 1965-1975”. A exposição é baseada no período entre 1965 e 1975, e apresenta uma selecção de artistas ingleses que trabalharam fora da Pop e de artistas portugueses que no estrangeiro, e sobretudo em Londres, procuraram desenvolver o seu trabalho de uma forma livre. A curadoria foi de Ana Vasconcelos e Patrícia Rosas e inclui obras de um grande número de artistas portugueses, de Manuel Baptista a João Cutileiro, passando, entre outros, por Clara Menéres, José de Guimarães, Eduardo Batarda, Paula Rego, René Bertholo, Sérgio Pombo, João Vieira, Lourdes Castro, José Escada, Ana Hatherly, António Palolo, João Abel Manta, Maria José Aguiar,  Ruy Leitão e Teresa Magalhães (na iamgem), que, como Penelope Curtis salienta, está em destaque na exposição. Também Ana Vasconcelos e Patrícia Rosas sublinham “a qualidade do trabalho que Teresa Magalhães realizou nesses anos, fora da escola”, fazendo notar que “para a grande maioria dos professores (em Belas Artes), não existia a Pop nem nenhuma da arte realizada no pós-guerra, uma vez que o ensino artístico ecoava o hiato temporal em que o país vivia”. É, na realidade uma exposição emocionante - e não estou a exagerar nas palavras. É um olhar especial sobre uma época única e assim se percebe que, apesar do que aqui se passava, existiam artistas que procuravam acompanhar o compasso de criatividade que noutros países, com um olhar diferente sobre Portugal.

 

OUVIR -  Ao longo das suas carreiras Ella Fitzgerald e Louis Armstrong actuaram muito frequentemente ao vivo e realizaram numerosas gravações em conjunto. “Cheek To Cheek: The Complete Duet Recordings” é uma nova caixa de quatro CD’s que junta todas as suas interpretações clássicas numa só edição. Aqui estão versões remasterizadas de três álbuns originais - “Ella And Louis” (1956), “Ella And Louis Again” (1957) e “Porgy And Bess” (também gravado em 1957), oito singles (gravados entre 1946 e 1950),  gravações originais realizadas no Hollywood Bowl e diversos registos de versões que não foram utilizadas nos discos finais, alguns com divertidos diálogos entre Ella e Louis. Além disso há material inédito em disco, como a versão de “The Memphis Blues” no programa de rádio de Bing Crosby e até uma versão apenas instrumental de “Red Headed Woman”. Ao todo são 74 faixas e a caixa inclui ainda um ensaio de Ricky Riccardi, considerado um dos grandes especialistas na obra de Louis Armstrong, além de anotações detalhadas sobre as gravações, as notas de capa dos LP’s originais e imagens raras de arquivo. Como Riccardi escreveu, “A música que Louis Armstrong e Ella Fitzgerald fizeram em conjunto constitui a Bíblia do jazz vocal. Tudo o que precisa de conhecer está aqui”. A edição é da Verve/Universal e está disponível em Portugal.

 

PROVAR - Um dos mais importantes museus de Lisboa é o da Fundação Gulbenkian, que aliás nos últimos tempos tem vindo a melhorar de forma significativa a sua oferta, fazendo redescobrir muito do seu acervo. Mas um Museu com este posicionamento, ponto de atracção turístico, um dos projectos de arquitectura e de enquadramento paisagístico mais importantes de Lisboa, não devia deixar que as suas unidades de restauração - bares e restaurantes - fossem o que são. Pela sua actividade cultural facilmente se poderá comparar o Museu Calouste Gulbenkian a outros grandes museus internacionais - mas nestes últimos o cuidado posto nas zonas complementares de recepção de visitantes é muito diferente. A concessionária de espaços de restauração da Gulbenkian é uma das maiores empresas nacionais de fornecimento de refeições - a Cerjer. Depois da experiência que tive no fim de semana passado só me ocorre dizer que os responsáveis da empresa ( e já agora quem na Gulbenkian os contratou) deviam fazer uma visita de estudo a cafetarias e restaurantes noutros grandes museus internacionais (basta aliás ir aqui ao lado a Madrid). Se isso não chegar aconselho que vão trabalhar durante o verão para qualquer McDonalds, para perceberem o que é um processo de trabalho e de atendimento escorreito - e de controlo de qualidade também. Gostaria de dizer que o pessoal que estava trabalhar é muito superior à qualidade do processo do local, penoso, incompreensível. Não basta ter uma casa bonita e com muito que ver. É preciso tratar bem os visitantes - e o concessionário escolhido pela Gulbenkian decididamente não ajuda a Fundação nesta área.

 

DIXIT - “Já não são sapos, são elefantes que vocês enolem” - Miguel Albuquerque, dirigindo-se ao BE e PCP.

 

GOSTO - Duas décadas depois de ter sido extinto o eléctrico 24 voltou a ligar Campolide ao Largo Camões.

 

NÃO GOSTO - Continuam os sucessivos atrasos da Parque Escolar na aprovação e realização de obras na degradada Escola Secundária Camões.

 

BACK TO BASICS - Perseguimos os pequenos ladrões enquanto nomeamos os grandes para cargos públicos - Esopo

 

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TRISTE SINA - Costuma dizer-se que resultados passados não garantem rendimentos futuros. Esta semana percebemos que na Assembleia da República, expoente máximo da política à portuguesa, não é assim. Carlos César refugiou-se no que tem sido feito aos longo dos anos em erros, omissões ou complacências passadas, para para justificar as prebendas actuais e o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, veio garantir que a duplicação de apoios aos deputados das ilhas  era legal e eticamente irrepreensível. Sendo certo que o principal nome na berlinda é o do Presidente e líder parlamentar do PS, Carlos César, fica-se na dúvida se Ferro Rodrigues obedeceu ao seu dever ou ao Presidente do partido que o levou ao posto onde está. Esta história sórdida é mais um prego no caixão que recolhe os despojos do parlamento. Na política portuguesa, como se viu das declarações de Ferro Rodrigues e Carlos César, a ética não passa de uma estranha abstracção. Para completar a semana o país assistiu à transmissão das imagens de um interrogatório a Sócrates feito em tribunal à porta fechada, tal reality show. Se a ideia era transformá-lo em mártir e alvo de manobras insidiosas, a coisa não podia ter corrido melhor. Dito isto, o que é que nos deve preocupar mais? O facto de o Estado e o fisco terem tanta informação não escrutinada sobre nós, ou os dados que existem no Facebook? O não funcionamento da justiça, ou os abusos do Estado?  As habilidades dos políticos para ganharem mais uns cobres ou as cativações arbitrárias na despesa pública?

 

SEMANADA - As novas operações de crédito ao consumo aumentaram mais de 18% nos primeiros dois meses do ano e já superam os mil milhões de euros, o valor mais elevado concedido neste período desde 2012  - a maior parte foi canalizado para o crédito pessoal sem finalidade específica; segundo o FMI Portugal tem a terceira dívida pública mais elevada do mundo;  somos o sétimo país da UE com mais nascimentos fora do casamento, 52,8% do total; a procura internacional por casas em Portugal, no primeiro trimestre deste ano, quintuplicou em comparação com o período homólogo de 2017, nomeadamente por parte de cidadãos do Brasil, Estados Unidos, França, Reino Unido e Suiça; o número de autorizações de residência a estrangeiros em Portugal aumentou 19% no ano passado e brasileiros e asiáticos são os mais numerosos; o Serviço de Estrangeiros não responde em tempo útil aos pedidos de reunificação de famílias de refugiados; o Ministro da Economia disse que em Portugal existem actualmente cem novos hotéis em construção; Santana Lopes distanciou-se de Rui Rio; Rui Rio aproximou-se de António Costa;  segundo a Marktest a utilização da Internet através do telemóvel quadruplicou desde 2012 e actualmente é a forma usada por  6 milhões e 163 mil pessoas, o que corresponde a 64.5% dos portugueses com mais de 10 anos.

 

ARCO DA VELHA - O Palácio da Justiça de Portalegre está encerrado há mais de quatro anos e as obras previstas para começarem em 2014 nem começaram porque no projecto inicial existia um erro que só foi detectado depois de aprovado.

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FOLHEAR - Victor Cunha Rego foi um dos maiores nomes do jornalismo português do século XX, e um dos poucos com assinalável carreira fora de portas : exilado no Brasil foi editor de “O Estado de São Paulo” e chefiou a redacção da “Folha de São Paulo”; em ambos escreveu opinião, analisando a situação no mundo, e em especial em Portugal, com uma prosa muitas vezes visionária, caracterizada pelo estilo polémico e contundente que manteve até ao fim da vida. Participou no núcleo fundador do PS e no regresso a Portugal dirigiu o “Diário de Notícias”, foi presidente da RTP, dirigiu o diário “A Tarde” e fundou e dirigiu o inovador jornal “Semanário”, em 1983, ao lado de, entre outros, Marcelo Rebelo de Sousa, Daniel Proença de Carvalho, João Amaral ou José Miguel Júdice. Nos últimos anos da sua vida - morreu em Janeiro de 2000 com 66 anos - escreveu uma crónica regular no “Diário de Notícias”. Vasco Rosa, um dos mais conscienciosos e rigorosos editores no mundo livreiro nacional, atirou-se, há uns anos, à tarefa de organizar os escritos dispersos de Victor  Cunha Rego, com a ajuda do seu filho André Cunha Rego. O resultado é “Na Prática A Teoria É Outra” - 856 páginas de textos originalmente escritos entre 1957 e 1999 em jornais brasileiros e portugueses. É uma obra única, que marca uma época, um olhar aguçado sobre Portugal, sobre a política portuguesa e sobre os seus protagonistas. Edição Dom Quixote.

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VER - A Galeria Belo-Galsterer (Rua Castilho 71 r/c esq) apresenta até 31 de Maio um conjunto de obras do artista austríaco Wolfgang Wirth sob o título “Fortified Infinity”. As plantas das fortificações militares de Elvas e de Olivença são o ponto de partida para estes trabalhos que exploram a noção dos limites espaciais no díptico Black Hole, evocam as muralhas dessas fortificações em Wall (que funciona como uma quase instalação), nas duas esculturas e  nas nove serigrafias da série Shapes (na imagem). Wolfgang Wirth vive e trabalha em Viena, integra o grupo artístico Alpine Gothic e tem uma extensa carreira internacional. Na mesma galeria é apresentada a instalação de Rita Gaspar Vieira, “Avessa”. Outras sugestões: a artista espanhola Lita Cabellut chega a Portugal com uma mostra de pintura, instalação e escultura no Centro Cultural de Cascais, que apresenta três dezenas das suas obras até 17 de Junho; no Atelier Museu Júlio Pomar, até 29 de Abril, a exposição “Chama” apresenta trabalhos de Júlio Pomar, Rita Ferreira e Sara Bichão, dando seguimento ao programa que procura cruzar a obra de Pomar com a de outros artistas. Até 1 de Maio, no Espaço Exibicionista (Rua Dona Estefânia 157), Jorge Humberto (Joh), apresenta novos trabalhos na série “Firmamento”.

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OUVIR - Rodrigo Leão começou a sua carreira a solo há 25 anos, ainda quando estava nos Madredeus. “Ave Mundi Luminar”, editado em 1983 foi um sucesso inesperado, primeiro no estrangeiro (sem bem me lembro a começar por Espanha) e depois em Portugal. Ao longo destes 25 anos foi editado em etiquetas como a Deutsche Grammophon ou a Sony Classical, escreveu bandas sonoras para filmes e documentários e colaborou com nomes como Beth Gibbons (dos Portishead), Ryuichi Sakamoto, Adriana Calcanhoto, Neil Hammon (Divine Comedy), Scott Matthew, Rui Reininho, Joan as Police Woman, Stuart Staples (Tindersticks) ou Lula Pena. Conseguiu sempre combinar o popular e o erudito, o electrónico e o orquestral e foi esta capacidade de ligar universos musicais que está na origem do seu sucesso. Para assinalar os 25 anos de carreira a solo a Universal Music lançou “O Aniversário”, um duplo CD em que o primeiro disco inclui as colaborações com vocalistas e o segundo tem os temas instrumentais como os que compôs para a exposição “Florestas Submersas” do Oceanário ou excertos da sua gravação “O Retiro” com o coro e orquestra Gulbenkian. Aqui estão excertos de 15 discos e de cinco bandas sonoras, 30 temas que marcam um percurso único na música portuguesa na qual Rodrigo Leão tem sido um dos mais rigorosos, criativos e supreendentes músicos.

 

PROVAR - O chá é hoje em dia a segunda bebida mais consumida no mundo, logo a seguir à água e reza a lenda que em 2737 a.C. o Imperador Chinês Shen Nong terá descoberto o chá ao viajar pelos territórios da província de Yunnan. Ao parar à sombra dum chazeiro para beber água morna umas folhas terão caído acidentalmente dentro da sua taça, alterando a cor e o sabor da bebida. O imperador gostou tanto do resultado que passou a beber o chá com regularidade. Com a chegada dos Portugueses ao Oriente, o chá foi sendo comercializado e introduzido nas várias cortes europeias - o caso mais notório desta expansão cultural foi quando Dona Catarina de Bragança fez transportar as plantas aromáticas para Inglaterra em 1662, depois do seu casamento com Carlos II, da dinastia Stuart. Num salto para a actualidade, os chás Andorinha, que existem desde 2015,  são importados do Japão, embalados em bonitas caixas de lata, e destaco o Aires, um delicioso chá preto japonês, fumado com madeira de cerejeira e barris de whiskey do Japão. Os chás Andorinha têm várias outras variedades, desde o clássico Matcha, chá verde em pó, até ao Umegashima que vem da mais alta plantação do Japão ou ainda chás provenientes do monte Fuji e de Quioto. Ainda no chá verde, mas em folhas de tamanho médio, está também disponível o Sencha, que é talvez o mais popular chá do Japão. Eu fiquei preso ao Aires, comprado na loja online de chasandorinha.pt - um site cheio de boas informações sobre a história de chá e a forma de o degustar.

 

DIXIT - “A única coisa de importante que mudou desde que este governo tomou posse foi o tipo dos cortes realizados. Em vez de cortar nas despesas com pessoal, cortou nas despesas de funcionamento, como a saúde. “ - Manuel Villaverde Cabral

 

GOSTO - A iniciativa de fotografia Estação Imagem realiza-se este ano em Coimbra até final de Maio, depois de ter nascido em Mora e ter decorrido nos últimos anos em Viana do Castelo.

 

NÃO GOSTO - A dívida global mundial é agora mais do que o dobro do valor dos produtos e serviços produzidos anualmente, atinge 225% do PIB global, 12 pontos acima do pico ocorrido na crise, em 2009.

 

BACK TO BASICS - Ninguém sabe ao certo quanto tempo tem a raça humana, mas é certo que existe há tempo suficiente para não fazer tantas asneiras - anónimo.

 

 

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ANATOMIA DE UMA AMEAÇA MINORITÁRIA

por falcao, em 13.04.18

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O BOMBO DA FESTA - Enquanto Costa andou a evocar a I Guerra Mundial com Marcelo, em França, e, depois, foi saudar Theresa May a Londres, Mário Centeno ficou em Portugal a ser o bombo da festa dos partidos que sustentam o Governo. Na linha de fogo está a austeridade encapotada, que provoca problemas em múltiplos sectores, desde logo na saúde como mais uma vez se viu esta  semana. Mas uma coisa há que reconhecer: Mário Centeno tem cara de pau e sorriso de plástico e esta combinação é politicamente terrível. Ele é o optimista de serviço que diz que tudo vai a correr bem, que garante contra todas as evidências que a carga fiscal diminuíu, que promete fazer de imediato obras que impediu durante meses, que se gaba de um crescimento que não é da dimensão que quer fazer crer. A responsabilidade política do que se tem passado não é no entanto de Centeno, é obviamente de António Costa. Esta semana o Bloco, que tem vindo de vitória em vitória nas suas reivindicações, ameaçou Centeno e deixou no ar um aviso a Costa, pela voz de Mariana Mortágua: “não há governos de minoria absoluta”.  Assim, de repente, começou a falar-se da possibilidade de o Governo não chegar ao fim da legislatura. Costa não vai deixar isso acontecer - nem que evitá-lo lhe custe oferecer um gigantesco tubo de pastilhas digestivas a Centeno, para engolir tudo o que andou a dizer e esquecer a revisão em baixa do défice na nova versão do Plano de Estabilidade. Claro que haverá alguma nova cedência: Centeno não é garantia de Costa continuar no poder; mas o Bloco é.

 

SEMANADA - A verba destinada às obras necessárias na ala pediátrica do Hospital de S. João, no Porto, existe mas está bloqueada pelo Ministério das Finanças; o serviço pediátrico do Hospital funciona em contentores desde 2009; o presidente do Conselho de Administração do Hospital diz que a unidade não tem investimento há 10 anos; no Hospital de Viseu os médicos recusaram-se a usar máquinas de diagnóstico com 21 anos de idade, mais 11 do que o respectivo prazo de validade; no final de 2017 uma dezena de hospitais têm tempos de espera superiores a dois anos  para consultas de especialidade; no primeiro trimestre deste ano aumentou o crédito concedido pelos Bancos à habitação, mas diminuíram os empréstimos concedidos às empresas; em 2016 Portugal concedeu nacionalidade a 25.104 estrangeiros residentes no país; o investimento captado pelos vistos gold caíu 46% em março, em comparação com igual mês do ano passado; em fevereiro as exportações subiram 6,2% em relação ao mesmo mês no ano passado, mas as importações cresceram mais, aumentando 8,5%; durante uma conferência no Porto, Daniel Bessa criticou um artigo de opinião de Mário Centeno em que este considera que a economia portuguesa passa por um bom momento.

 

ARCO DA VELHA - Em Camarate três pessoas pediram por telefone a entrega de comida por um estafeta com o objectivo de o assaltarem. Depois de concretizado o roubo e de a vítima denunciar o crime os assaltantes foram identificados pela PSP de Loures e continuaram em liberdade.

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FOLHEAR - Desde 2011 Rosa Cullell está em Lisboa, como administradora delegada da Media Capital, que detém nomeadamente a TVI e uma série de estações de rádio. Trabalhou como jornalista em jornais e televisões e como gestora em bancos, editoras, instituições culturais e empresas de mídia. Javier Martin Del Barrio, seu marido, também jornalista, igualmente com assinalável carreira, chegou a Lisboa três anos depois e é correspondente do El País. Ambos têm obra publicada e juntaram agora as suas vozes para partilharem aquilo de que mais gostam na cidade onde vivem. “Lisboa, A Tua E A Minha” é assim uma viagem contada a duas vozes e que percorre as suas experiências pessoais por estas bandas. O ponto de partida é o Chiado, onde encontraram casa antes ainda de ser a moda que hoje é, uma zona a que Rosa, logo no primeiro capítulo, chama “o meu bairro”. Javier, para começar, escolheu escrever sobre  “Marvila, cinzenta e renascida”. São 12 capítulos, 12 viagens por Lisboa e as suas gentes, passando por recantos e restaurantes, lojas e exposições, histórias e personagens, igrejas e futebóis, o rio e os arredores. Em cada capítulo, Rosa e Javier escolhem os seus imprescindíveis, um mapa dos sítios de que mais gostam nestes anos que levam de Lisboa. Não é a visão de visitantes nem de turistas, é o relato da descoberta de uma cidade por quem a adoptou. “Lisboa, A Tua E A Minha”, edição Objectiva/ Penguin Random House.

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VER - O Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, MAAT, inaugurou esta semana uma exposição que promete ser um êxito de público a avaliar pelo que tem acontecido noutros países. Trata-se de”The Happy Show”, uma criação de um dos designers mais populares de sempre, Stefan Sagmeister. A exposição teve a sua primeira apresentação em 2012, no Institute of Contemporary Art de Filadélfia, esteve no Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles e em muitas outras instituições na Europa. Esta apresentação em Lisboa deverá ser a derradeira montagem de “The Happy Show”. Sagmeister, um austríaco que vive em Nova Iorque, fez capas de discos para os Rolling Stones, David Byrne, Talking Heads, Aerosmith e vários posters para Lou Reed - e no caso português fez a identidade gráfica da Casa da Música, no Porto. A exposição aborda a sua perspectiva pessoal de felicidade e engloba videos, fotografia, escultura e design gráfico.  Uma outra exposição a reter, sobretudo para quem gosta de fotografia, está no Palácio Pimenta, Museu da Cidade, no número 245 do Campo Grande. Trata-se de”Lisboa Cidade Triste e Alegre: Arquitectura de Um Livro”. A exposição revela a história da concepção e criação daquele que é ainda hoje considerado o mais importante foto-livro português, da autoria de Victor Palla e Costa Martins, feito ao longo da década de 50 e editado pela primeira vez em 1959. Considerado um dos melhores foto-livros do mundo pela obra “Photobook: A History”, de Martin Parr e Gerry Badger, “Lisboa Cidade Triste e Alegre” teve várias outras edições, a última das quais em 2015. Nesta exposição são mostradas as fotos originais, negativos e imagens nunca antes exibidas, assim como uma série de outros materiais, nomeadamente os relacionados com a galeria Ether, de António Sena, que em 1982 voltou a ressuscitar a obra e montou uma exposição que, além de ter estado na galeria, esteve nos encontros de Fotografia de Coimbra e em Serralves. Imperdível.

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OUVIR - Na rádio pública portuguesa existe um programa que fomenta o diálogo entre religiões e que é único a nível internacional. Chama-se “E Deus Criou O Mundo” e os seus intervenientes foram convidados a participar numa conferência no Vaticano. A ideia, de Carlos Quevedo, o autor, foi juntar num programa de rádio três membros das comunidades religiosas mais influentes em Portugal, a judia, a católica e a muçulmana. “E Deus Criou O Mundo” é transmitido semanalmente na RTP Antena 1, às 3ªas feiras, pelas 23h00 e está disponível em podcast (a série completa) na plataforma RTP Play. Todas as semanas Khalid Jamal, Isaac Assor e Pedro Gil abordam temas da actualidade, dando cada um a sua visão do que vai acontecendo por esse mundo, à luz da fé de cada um. A apresentação é de Henrique Mota e o programa já deu origem a um livro, da autoria de Carlos Quevedo. Este programa ganhou tal destaque  que foi convidado a participar, na próxima semana, no Vaticano, num seminário sobre “Diálogo, Respeito e Liberdade de Expressão no Espaço Público”, organizado pela Pontificia  Universidade da Santa Cruz. O convite dirigido ao programa fará deslocar a Roma toda a sua equipa, que terça feira apresentará o seu trabalho como um caso exemplar do diálogo entre religiões e na quarta-feira a equipa estará numa audiência com o Papa Francisco. Não é todos os dias que uma produção portuguesa ganha esta projecção internacional. E este programa é um dos mais claros exemplos do que é o serviço público na rádio.

 

PROVAR - Volta e meia, um pouco por acaso, levado por mão amiga, dou com uma boa surpresa. Foi o que se passou por estes dias em Paço d’Arcos, no Astrolábio, um restaurante no centro histórico da vila, com vista para a Marginal. O Astrolábio vive do peixe fresco e de uma boa grelha, mas também de comida de tacho, com destaque para um arroz de tamboril e para uma massa fresca com ameijoas à Bulhão Pato. A salada de polvo é recomendável, as azeitonas são muito bem temperadas e o pão é acima da média. Além dos peixes mais vulgares há propostas diferentes todos os dias, fresquinhas da lota. Coube-me experimentar um boca negra, um peixe de profundidade dos Açores, de carne branca, muito saboroso, familiar do cantaril da costa continental. Destaque para a frescura dos legumes e para a sua cozedura, no ponto como é raro encontrar. Garrafeira com algumas boas surpresas e a preço honesto. Em estando bom tempo, há esplanada, a sala é acolhedora e confortável. Praça Guilherme Gomes Fernandes 7, Paço de Arcos, telefone  214 410 381, fecha aos domingos.

 

DIXIT - “A marca Bruno de Carvalho não alinha com a marca Sporting e está a prejudicar o Clube” - Carlos Coelho, da Ivity Brand Corp.

 

GOSTO - Este ano a Feira das Viagens, que decorre de hoje dia 13 de Abril até domingo, realiza-se em novos cenários com a cultura em pano de fundo: em Lisboa na Sociedade Nacional de Belas Artes e em Braga no Museu D. Diogo de Sousa.

 

NÃO GOSTO - O número de mortes nas estradas portuguesas subiu 14% em 2017, relativamente ao ano anterior.

 

BACK TO BASICS - O desporto não desenvolve o carácter, mostra a sua verdadeira face - Heywood Broun



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CULTURA - Esta semana o tema dos subsídios à actividade cultural irrompeu de forma estridente. O financiamento da Cultura é sempre um problema seja qual fôr o Governo, os candidatos e projectos são sempre em excesso das verbas disponíveis e as coisas pioram quando há arrogância do poder associada a incompetência - que na realidade foi o que aconteceu. Mas esta semana houve uma reveladora frase no meio da polémica quando, depois de chamado a S. Bento, o Secretário de Estado da Cultura confessou ingenuamente que o Primeiro-Ministro António Costa estava a par de tudo o que se tinha feito e aplicado. Acontece que o Primeiro-Ministro, como já aconteceu noutros casos e noutras áreas, cedeu ao sururu de quem protestou e primeiro deu um público puxão de orelhas ao Ministro e Secretário de Estado por terem deixado criar tanto alarido, apareceu ele próprio a resolver a confusão e rematou com um cínico elogio aos ocupantes da Ajuda. Este caso ilustra duas coisas: em primeiro lugar que não existe uma política nem um estratégia para a Cultura - e não é de agora, bem sei; e, em segundo lugar, que António Costa prefere ceder mais uma vez aos protestos do que perceber porque existem e qual o caminho para resolver o problema de fundo - para não ir mais longe actualizar a Lei do Mecenato. Na realidade António Costa replicou aqui o que tem feito em tantos casos - preferiu ceder às reivindicações suportadas pelo Bloco e pelo PCP a ter que arranjar dores de cabeça em futuras votações parlamentares. Desenganem-se os grupos de teatro se acham que o recuo anunciado tem a ver com uma compreensão da situação e a definição de uma nova política. O que se passou foi uma troca: satisfazer aqui os aliados da coligação, para noutros casos lhes pedir a compensação. Foi só isto. Mais à frente se perceberá qual foi a taxa de câmbio utilizada.

 

SEMANADA - Na PSP há 16 sindicatos, três deles têm mais dirigentes que sócios; a pressão turística no Porto e em Lisboa é superior à que se verifica em Londres ou Barcelona; Portugal importa dez mil toneladas de pão diariamente, em todo o país há apenas 300 guardas-nocturnos; a rede Siresp, que serve de sistema único de comunicação entre as forças e serviços de segurança e emergência falhou durante nove mil horas, em 2017; quase 30% dos estudantes abandonam o ensino superior e mais de metade dos alunos que entram com média de 10 valores não acaba a licenciatura; em 2017 foram registados 22.599 crimes de violência doméstica, 6.303 dos quais no distrito de Lisboa; as ajudas concedidas à Banca entre 2007 e 2017 foram de 23,7 mil milhões de euros, cerca de 12,3% do PIB, o que significa 2302 euros por cada português; as vendas de automóveis nos três primeiros meses do ano aumentaram 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado e totalizaram 73 104 viaturas; de acordo com a Marktest, 21.96% do poder de compra está concentrado em 5 concelhos: Lisboa, Porto, Sintra, Vila Nova de Gaia e Cascais ; ainda segundo  a Marktest cerca de 3,9 milhões de portugueses com 15 e mais anos ouviram música online em 2017 e este hábito aumentou 91% nos últimos sete anos; o Estado exige a privados contratos a prazo mais curtos que os que utiliza nas suas próprias  contratações de pessoal.

 

ARCO DA VELHA - Na semana passada a RTP2 ficou  em 12º lugar das audiências a nível nacional e na região de Lisboa nem aparece entre os 20 canais mais vistos.

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FOLHEAR - Se sigo a actualidade e as notícias no digital, prefiro olhar para a reflexão e a descoberta no papel. E é aí que entra a nova geração de revistas que se vai publicando e que mostra as capacidades da imprensa, que estão longe de estar esgotadas. Com criatividade, imaginação editorial e gráfica, arrojo, e alguma capacidade para encontrar nichos de público yêm surgido numerosas novas publicações. A minha mais recente descoberta é a “Mayday”, cujo primeiro número foi publicado no final do ano passado, em Copenhaga, uma cidade que nesta área editorial tem estado muito activa. A revista debruça-se sobre cultura, sociedade, tecnologia e realidades imprevistas, no dizer dos próprios editores. A História é o ponto de união de vários artigos desta edição - seja a narrativa de Don Quixote, sejam as descobertas sobre a evolução da humanidade. Um artigo que me chamou particularmente a atenção chama-se “A Arte É a Lente Que Nos Permite Ver o Mundo”, escrito pela curadora de um dos museus europeus que mais admiro, o Louisiana Museum Of Modern Art, nos arredores de Copenhaga. Mary Laurberg, uma das curadoras do museu, fala sobre quatro artistas escandinavos contemporâneos a partir da frase de Joyce Carol Oates,  “a Arte leva-nos a novos lugares”. Termino com um destaque de uma das páginas da “Mayday”: “a colaboração é uma das mais importantes competências do século XXI”. Vista numa folha, retive estas palavras. Talvez num ecrã isso não tivesse acontecido. A “Mayday” está disponível na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88.

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VER - A iniciativa British Bar, imaginada e desenvolvida por Pedro Cabrita Reis, entrou agora na sua 12ª edição - tem portanto um ano de vida. Ao longo destes 12 meses Cabrita Reis seleccionou e convidou mensalmente três artistas plásticos para criarem ou escolherem obras suas que pudessem ser expostas nas três montras verticais do British Bar, no Cais do Sodré, uma casa que o organizador frequenta há muitos anos e que é um ponto de passagem num local central. É uma forma especial de arte pública, expondo obras num contexto bem diferente do habitual e colocando-as perante públicos diversos daqueles que as estão habituados a ver nas galerias ou museus. Sempre suportada por um folheto bem elaborado com informação sobre os artistas e obras expostas, esta semana foram apresentadas “Private Dancer” de Pedro Calapez, “Fruteira”, de Pedro Valdez Cardoso, e Banco de Estirador B, de Fernanda Fragateiro. São todas elas obras criadas para o local e confrontam quem passa na rua com três perspectivas criativas bem diversas. Outras sugestões: no espaço capela do Centro Cultural de Cascais um ensaio fotográfico de Bruno Saavedra, “Ana”, sobre os últimos cinco dias de vida de uma mulher; na Galeria Módulo, Tito Mouraz mostra a sua visão do interior em “Fluvial”.

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OUVIR - Nos dias de hoje as fronteiras entre géneros são cada vez mais ténues e as classificações são por vezes dificeis. Quando músicos de jazz se lançam em  música improvisada maioritariamenteb de origem electronica, poderá ser considerada ainda dentro dos terrirórios do jazz contemporâneo? Os britânicos GoGo Penguin estão no centro de uma polémica sobre este assunto desde o seu disco anterior, “Man Made Object”. O novo “A Humdrum Star”, já distribuído em Portugal, vem reacender a discussão. Há aqui elementos de house, mas também de electrónica, de ambiental, de clássica contemporânea. Este “A Humdrum Star” é um passo em frente na transição dos Go Go Penguin para um território electrónico mais explícito e acentuado onde alguma ausência de regras é a matéria prima mais visível para a forma como as nove faixas deste disco se desenvolvem e cruzam, com uma bem vinda libertinagem que tem andado demasiado arredada da música. O que aqui me seduz mais é o cruzamento do piano com teclados electrónicos, a presença da percussão bem cruzada com o baixo, tudo a fluir de forma deliciosamente imprevisível, ao sabor dos acontecimentos e do sentir dos músicos. Há muito que não ouvia um disco tão libertador. CD “A Humdrum Star”, dos GoGo Penguin, edição Blue Note, distribuição Universal Music.

 

PROVAR - Estamos no fim da época dos ouriços do mar e não há melhor local para descobrir esta iguaria do que a Ericeira, onde, até domingo, decorre o 4º Festival Internacional dos Ouriços do Mar. Em 22 restaurantes da localidade e arredores (nalguns o prazo será alargado) dão-se a provar diversas formas de experimentar esta iguaria a que alguns chamam o caviar da Ericeira. Acontece que a preparação dos Ouriços é trabalhosa, a época do ano em que estão com as saborosas ovas é esta e é muito limitada, os ouriços do mar são raros e a sua apanha é difícil. Mas a Ericeira é o seu bastião em Portugal. As propostas existentes nos diversos restaurantes da terra passam por um risotto de ouriços do mar com camarão grelhado, açorda de ouriços de mar, arroz do mar com ouriços e algas e até caril de ovas de ouriços do mar ou spaghetti com ovas de ouriço. Mas se é neófito nestas lides comece por experientar os ouriços ao natural, uma experiência inesquecível, pela explosão de sabor de mar que proporciona .

 

DIXIT - Actualmente não há quase nada mais importante do que garantir a existência de um robusto serviço público de informação acessível universalmente aos cidadãos - Emily Bell, ex editora digital do Guardian.

 

GOSTO - O filme "Terra Franca", a primeira longa-metragem da realizadora Leonor Teles, venceu o "Prix International de la Scam" no festival Cinéma du Réel em Paris.

 

NÃO GOSTO - Do plágio feito no filme “Peregrinação”, realizado por João Botelho, ao livro “Corsário dos Sete Mares”, de Deana Barroqueiro, utilizado sem autorização nem tão pouco comunicação prévia.

 

BACK TO BASICS - Os americanos não têm o sentido da privacidade nem sabem o que ela significa, privacidade é coisa que não existe nesse país - George Bernard Shaw.

 



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SOBRE A IGUALDADE - Caso ainda não tenham notado anda meio mundo aflito com o Regulamento Geral de Protecção de Dados, que é suposto entrar em vigor a 25 de Maio próximo. Abundam os cursos de formação e os pareceres de gabinetes de advogados sobre o assunto, todos a aproveitar o momento e a escassez de tempo, tal como os limpadores de mato aproveitaram as superiores orientações de cortar a eito e depressa. O mais engraçado de tudo é que na semana passada o Conselho de Ministros aprovou que a protecção de dados vem para todos, mas não para as administrações públicas - e isto pelo menos durante os três próximos anos, prazo que pode até ser aumentado. De facto o Governo aprovou no Conselho de Ministros da semana passada uma proposta de lei que prevê a isenção de coimas para o Estado em caso de infração. A ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, sempre atenta à inovação, estimou os custos administrativos com o novo regulamento na ordem de “centenas de milhões” de euros. O argumento utilizado para justificar a excepção prende-se com o critério de utilização dos dados - uma falsidade, já que se sabe que o Estado usa e abusa do cruzamento de dados de cidadãos entre organismos, muitas vezes com duvidosa legitimidade para tal. Era suposto existir um período de transição para as empresas nacionais de 18 meses, que o Estado convenientemente eliminou para poder cobrar mais umas coimas, sublinhando que as PME’s portuguesas têm que cumprir o referido regulamento, mesmo que o Estado o não faça. O Sol não nasce igual para todos, é o que é...

 

SEMANADA - O mesmo Governo que prometeu baixar impostos conseguiu que a carga fiscal atingisse em 2017 o valor mais alto dos últimos 22 anos; na realidade em 2017 a carga fiscal aumentou para 37% do Produto Interno Bruto, face ao peso de 36,6% que tinha na economia em 2016; o Instituto Nacional de Estatística destaca os aumentos da receita dos impostos sobre a produção e importação (6,1%), nomeadamente o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), das contribuições sociais (5,1%) e dos impostos sobre o rendimento e património (3,3%); as ajudas do Estado à banca nesta década já custaram 17,1 mil milhões de euros aos contribuintes, quase 9% do PIB; no ano passado os casamentos realizados em Portugal renderam quatro milhões de euros em taxas diversas cobradas pelo Estado; ao analisar o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) detectou "cerca de 95 milhões de euros cobrados indevidamente" nos últimos cinco anos; segundo o presidente do conselho de reitores das universidades, Portugal está ao nível da Hungria e da Roménia no investimento no ensino superior; António Costa fez uma acção de propaganda a limpar matas; Rui Rio fez uma acção de propaganda a visitar quartéis de bombeiros; em Portugal uma em cada cinco mulheres consome produtos dietéticos.

 

ARCO DA VELHA - Portugal é o país com maior carga de parcerias público-privadas, cujos custos representam cerca de 10,8% do PIB, cinco vezes mais que a média europeia.

 

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FOLHEAR - A edição de abril da revista Monocle dá destaque a Maria de Lourdes Modesto, que apresenta - e bem -  como a mais importante autora portuguesa sobre temas de gastronomia. Trisha Lorenz, a correspondente da revista em Portugal, traça um perfil de Maria de Lourdes Modesto e explica como ao longo da sua vida ela contribuíu para elevar o conhecimento e a compreensão da cozinha tradicional portuguesa. Ao mesmo tempo elucida os leitores sobre algumas das particularidades da comida portuguesa. A conversa passou-se no restaurante Monte Mar, do Guincho, com elogios aos seus filetes de pescada com arroz de berbigão. Na conversa com Trish Lorenz Maria de Lourdes Modesto elogia dois críticos gastronómicos portugueses: o já falecido David Lopes Ramos e Duarte Calvão, do blogue Mesa Marcada. No roteiro da última página da Monocle o Porto surge como uma das cidades em destaque com referências à guesthouse My Home In Porto, à Casa de Chá da Boa Nova e ao café Progresso, entre outros locais. Portugal aparece ainda referido com uma curta nota sobre os azulejos da fábrica Viúva Lamego. Outros artigos a ler: uma entrevista com Angela Ahrendts, que saíu da Burberry para dirigir a cadeia de lojas da Apple; e uma iniciativa austríaca que visa dar projecção internacional aos artistas plásticos do país.

 

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VER - Ponto prévio: segunda feira a partir das 19h00  regressa o ciclo de exposições nas montras do British Bar, no Cais do Sodré, organizadas por Pedro Cabrita Reis e que desta vez apresenta Pedro Calapez, Pedro Valdez Cardoso e Fernanda Fragateiro. Passemos a outros temas: um dos locais incontornáveis para quem gosta de ver fotografia é o Foam Fotografiemuseum, de Amsterdão . Mas se lá não puder ir o site está organizado por forma  a dar-lhe uma boa ideia do que está em exposição. Seydou Keita é um fotógrafo do Mali, que viveu entre 1921 e 2001 e que, sobretudo nas décadas de 50 e 60 do século passado, fotografou as pessoas de Bamako, a capital do país, em imagens a preto e branco que transmitem a intensidade dos retratados (na imagem). As pessoas visitavam o estúdio de Keita para serem fotografadas com as suas melhores roupas e penteados. A exposição abre a 5 de Abril e ficará no Foam até 20 de Junho. Entretanto podem sempre descobrir o que lá há para ver em www.foam.org . Dentro de portas há outras sugestões. No MAAT Miguel Palma apresenta obras sobre papel e o argentino Tomás Saraceno mostra na Galeria Oval  “Um Imaginário Termodinâmico”. Na Lisbon Gallery (Praça do Princípe Real 19) está “Polaroid”, uma mostra de 13 projectos de uma nova geração de designers que trabalham em Portugal. No Museu Colecção Berardo está a exposição “Linha, Forma e Cor” que apresenta obras de artistas como Piet Mondrian, Bruce Nauman, Frank Stella, Cy Twombly,  Fernando Calhau, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, António Sena e Ângelo de Sousa, entre outros.

 

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OUVIR - O trio constituído por Keith Jarrett (piano), Gary Peacock (baixo) e Jack DeJohnette (bateria)  - e que ficou conhecido informalmente como The Standards Trio - separou-se em 2014 depois de uma carreira de mais de 25 anos. Em fevereiro foi publicado um novo disco destes músicos, “After The Fall”, um CD duplo que recupera uma gravação ao vivo inédita, realizada em 1988 em Newark. Acontece que este registo merece ser colocado entre os melhores que o grupo lançou. Aqui estão temas tradicionais do cancioneiro norte-americano, nos quais se nota o vigor da capacidade de improvisação do trio - desde logo na faixa de abertura, “The Masquerade Is Over” que ganha fulgor ao longo de 16 minutos. Aqui estão clássicos como “Moment’s Notice” de Coltrane, “Doxy”, de Sonny Rollins, “Bouncin’With Bud” de Bud Powell, “Scrapple From The Apple” de Charlie Parker ou ainda “Autumn Leaves”, “When I Fall In Love” ou uma versão inesperada de “Santa Claus Is Coming To Town”. Gravado no final de um período de convalescença de Jarrett, e após um hiato de actuações ao vivo de quase dois anos, este álbum evidencia o virtuosismo, a força e a coesão do trio, assim como a sua capacidade de reinterpretar clássicos. O próprio Jarrett sublinha nas notas de capa que “ficou surpreendido pela forma como os três músicos tocaram nesse concerto, depois de um longo período de pausa. Duplo CD ECM, disponível no Spotify.

 

PROVAR - De 5 a 15 de Abril regressa o “Peixe em Lisboa”, que se tem afirmado como o maior evento dedicado à gastronomia do mar realizado em Lisboa, este ano de novo no Pavilhão Carlos Lopes. Nesta 11.ª edição do Peixe em Lisboa estarão presentes reputados  chefes internacionais, com destaque para os responsáveis do Dinner, de Londres, do Il Pagliaccio de Roma, de Ana Ros, considerada Melhor Chefe Feminina do Mundo em 2017 pelo seu trabalho no restaurante Hisa Franko, na zona rural da Eslovénia, Andrew Wong que assinala a estreia da cozinha chinesa no evento e Iván Domínguez, chefe do restaurante Alborada, na Corunha. Entre os portugueses estarão José Avillez, do Restaurante Belcanto,  João Rodrigues do Restaurante Feitoria e também jovens chefes nacionais como João Oliveira e Tiago Bonito, Vasco Coelho, Diogo Noronha e Diogo Rocha. O Peixe em Lisboa 2018 terá ainda dez restaurantes da região de Lisboa que funcionam em permanência, do meio-dia à meia-noite e que se destacam por pratos à base de peixes e mariscos portugueses, com destaque para três estreantes: a Casa do Bacalhau, Loco e Mariscador. Além destes estarão o Arola, o Ibo, o Kanazawa, a Taberna Fina, o Ritz Four Seasons e o Ribamar, de Sesimbra. Este ano se o tempo permitir existem esplanadas, a entrada é 15 euros, os bilhetes estão à venda na Ticketline e há concursos para nomear as melhores pataniscas e pastéis de nata.

 

DIXIT - “A ideia é sempre juntar pessoas” - Manuel Reis

 

GOSTO - O filme “São Jorge”ganhou sete prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema, entre eles o de melhor realização para Marco Martins e de melhor actor para Nuno Lopes.

 

NÃO GOSTO - Da intenção de a Meo passar a cobrar um euro por cada fatura em papel enviada aos seus clientes.

 

BACK TO BASICS - “Temos a arte para evitar morrermos da verdade” - Nietzsche



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O RELATÓRIO - Soube-se esta semana que o Governo não autorizou o reforço de meios humanos e materiais que lhe foi solicitado em tempo oportuno, e por diversas ocasiões, em relação ao combate aos incêndios, nomeadamente os de Outubro de 2017. Na semana passada, num dos seus habituais comícios parlamentares, o líder da frente de esquerda, António Costa, atirou para o ar que “um dos principais problemas do pais é a péssima qualidade da informação que só acorda para os problemas nas tragédias". Menos de uma semana depois o relatório mostra que afinal o problema está num Governo que nem nas tragédias acorda. Os peritos que elaboraram o relatório são claros: o Governo ordenou a desmobilização de meios, ignorou alertas que indicavam os perigos dessa desmobilização, não acedeu a pedidos de meios humanos e aéreos quando as chamas já lavravam. A razão de ser disto - assim como, por exemplo, dos sucessivos e graves  problemas na saúde - é sempre a mesma: o dinheiro não chega para tudo e quando se trata de escolher entre pagar a presença do PCP e do Bloco no apoio parlamentar ou cuidar dos problemas do país, a escolha recai na manutenção da paz podre dentro da frente de esquerda, através da satisfação das reivindicações corporativas que passaram a ser o seu alimento. Nalgum momento o Presidente da República vai ter que dizer se prefere que existam mais vítimas de catástrofes ou de doenças, ou se quer continuar a permitir a chantagem dessas reivindicações em nome de uma falsa estabilidade.

 

SEMANADA - O relatório sobre os incêndios conhecido esta semana, afirma que entre março e outubro o executivo chumbou total ou parcialmente os sete pedidos apresentados pela Autoridade Nacional de Proteção Civil para que houvesse mais aviões e bombeiros no combate a incêndios; o relatório da comissão técnica independente nomeada pelo Parlamento para avaliar o que aconteceu nos incêndios de outubro arrasou as novas regras publicadas em fevereiro pelo Governo para limpar a floresta perto das casas; numa conferência de imprensa o ministro da Administração Interna recusou pronunciar-se sobre as falhas apontadas ao Estado no relatório independente;  as exportações portuguesas para Luanda caíram 11% desde as eleições em Angola; o arrendamento em Lisboa custa o dobro do resto do país; as casas arrendadas representam apenas 1,4% do parque habitacional português; o novo secretário geral do PSD foi o coordenador do grupo de trabalho do financiamento partidário que andou a funcionar às escondidas da opinião pública; um estudo europeu divulgado esta semana indica que 42% dos jovens portugueses não se identifica com nenhuma religião.

 

ARCO DA VELHA - A Universidade de Coimbra convidou o primeiro-ministro que liderou dois governos cuja política económica nos levou à bancarrota a dar uma aula de economia.

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FOLHEAR - “Um dos poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que ainda resta de intelectual na humanidade é a leitura de romances policiais” - assim começa um dos escritos de Fernando Pessoa recolhido numa nova edição de uma antologia de textos seus intitulada “Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos - um livro de vícios”. Esta antologia foi originalmente organizada e editada  por Manuel S. Fonseca para o livro “As Flores do Mal”, que incluía fotografias de Pedro Norton numa edição de luxo, especial e limitada, com capa em madeira. Agora, Manuel S. Fonseca publica apenas os textos, numa edição mais simples, que é a primeira de uma série de antologias de Pessoa que a Guerra & Paz vai fazer. À laia de introdução Manuel S. Fonseca escreveu “Álvaro do Desassossego” onde percorre os cinco momentos em que os textos estão organizados - Inocência, Êxtase, Confissões, Abandono e Decadência, ou seja, as etapas dos vícios: “Lido seja onde for, no meio da rua, no café ou no quarto, lidos onde se fuma e bebe, estes são poemas  e textos que, pela sua natureza, terão de ser lidos em sobressalto”.

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VER - Todas as fotografias podem ser banais mas é o olhar de quem captura as imagens que as torna diferentes umas das outras. Desde sempre a fotografia é encarada como a mais democrática das formas de expressão visual, exactamente pela sua acessibilidade, quer técnica quer formal. Se isto era assim quando a Kodak introduziu a Brownie em 1990 e tornou a fotografia acessível a quase toda a gente, hoje em dia os smartphones, e particularmente o iPhone, foram ainda mais longe e puseram no bolso de cada um de nós uma máquina fotográfica com assinalável qualidade, disponível em qualquer momento e em qualquer lugar. É por isso que me interesso pelas fotografias feitas com smartphones. Esta semana abriu em Lisboa, na Galeria Giefarte uma exposição de fotografias feitas com iPhone, da autoria de Alexandra C (na imagem). Escrevi no texto do catálogo da exposição, que Alexandra C. procura com as suas fotografias coleccionar o mundo e é isso que me fascina nesta exposição - a sinceridade e a diversidade do olhar. Até 30 de Abril na Rua da Arrábida 54, em Lisboa. Outro destaque: em Ponta Delgada, na Galeria Fonseca Macedo, até final de abril, Pauliana Valente Pimentel expõe “O Narcisismo das Pequenas Diferenças”, 27 fotografias realizadas em 2017 durante uma  residência em São Miguel onde centra o seu olhar na observação de um grupo de jovens micaelenses e nas relações que estes mantêm com os locais, e com os costumes da ilha.

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OUVIR - Este disco é uma verdadeira encomenda. No caso o Dublin National Concert Hall, o New York Carnegie Hall e outras instituições encomendaram ao pianista de jazz Brad Mehldau um disco que abordasse a sua interpretação de Bach. O pianista sublinha que este "After Bach" não é um exercício de jazzificação da música de Bach, antes a sua interpretação pessoal - dá-se o caso de as peças aqui tocadas serem parte da obra Das wohltemperierte Klavier (Well-Tempered Clavier) de Joahnn Sebastian Bach, composta em 1722, cuja aprendizagem foi um dos exercícios mais praticados por Mehldau. Os especialistas dizem que esse facto se reflectiu na forma de Brad Mehldau tocar e o próprio anuncia este disco como uma homenagem sua ao que aprendeu graças a esta obra de Bach. Esta está no entanto longe de ser uma versão conservadora, antes introduzindo muito do estilo pessoal do pianista, sobretudo a sua capacidade de improvisação. Aqui estão quatro prelúdios e uma fuga de Well Tempered Clavier, cada uma seguida de uma versão pessoal de Brad, sempre intitulada After Bach. O interessante é notar que os grandes compositores clássicos eram eles próprios, enquanto instrumentistas, grandes improvisadores e é esse espírito que de alguma forma aqui se evoca, para além do que ficou escrito nas pautas que atravessaram os tempos. Brad Mehldau, After Bach, CD Nonesuch, distribuição Warner.

 

PROVAR - Uma das mais interessantes experiências gastronómicas que se pode ter em Lisboa é também um dos casos de referência  no acolhimento a refugiados. Trata-se do restaurante Mezze, onde a comida e o serviço são assegurados por refugiados sírios. Mezze quer dizer refeição com muitos pratos para serem partilhados e a ementa tem vários menus feitos precisamente para partilhar, com preços entre os 11 e os 15 euros. Escolhemos o menu de 15€, que começa com baba ganoush, um puré de beringela assada com tahini e especiarias, que na época da romã pode incluir uns bagos, e que é óptimo para comer à mão com o pão sírio que podemos ver a ser preparado numa banca do mercado ali mesmo ao lado.  Depois, uma salada mista fatoush, com pão árabe estaladiço, antes das meshawi - umas espetadas de frango tenríssimo e muito bem temperado, tudo acompanhado por arroz fumado com pimentos a que o açafrão dá uma cor e sabor intensos. Sem fazer parte deste menu, ainda provámos a moussaka que é diferente daquela a que estamos habituados: beringelas no forno com tomate e especiarias, sem carne. Já não houve estômago para a sobremesa mas de outra vez já se tinha provado a baclava do Mezze, que já ganhou fama. O preço médio anda nos 20€ por pessoa. O Mezze não aceita reservas, é chegar e esperar que vague lugar. A esplanada tem aquecedores e o espaço interior tem uma mesa corrida enorme e algumas mesas para duas pessoas. Para beber há sumo de tamarindo, limonada com hortelã, vinho a copo branco e tinto e alguns vinhos do Alentejo. Resta dizer que o Mezze fica no Mercado de Arroios, rua Ângela Pinto 12, por trás da Almirante Reis, já perto da Alameda.

 

DIXIT - “Dei com uma esplanada inteira a comer os queijinhos frescos com uma colher de café, sem tirar a cinta de plástico, como quem despacha um iogurte” - Miguel Esteves Cardoso, sobre a forma como os turistas lidam com a comida portuguesa.

 

GOSTO - O Hot Clube comemorou 70 anos de existência, contados desde que Luís Villas Boas deu o pontapé de saída na instituição que mais tem feito pela divulgação do jazz.

 

NÃO GOSTO - Dois terços dos hospitais públicos levam mais de 90 dias a pagar as suas dívidas a fornecedores.

 

BACK TO BASICS - “Fiquem longe de pessoas negativas, elas são capazes de inventar um problema para cada solução” - Albert Einstein

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A VÃ ILUSÃO - Estamos perigosamente a caminhar para um mundo de fantasia onde o efémero se sobrepõe a qualquer estratégia coerente de salvaguarda do que existe e de desenvolvimento coerente. Vivemos na ilusão da prosperidade com um Estado que só pensa em pagar-se a si próprio sem cuidar das suas funções. A nova austeridade mostra-se nos problemas que existem nos hospitais, na degradação de equipamentos públicos como os caminhos de ferro, nos atrasos em dar condições a que se realizem obras necessárias de manutenção em equipamentos cruciais. Quando a coligação de esquerda se regozija com o que diz ser o fim da austeridade engana-se a si própria e, pior, pretende enganar os incautos. A verdade é que a nova austeridade se faz à conta do não cumprimento das obrigações do Estado, prejudicando toda a sociedade e criando situações de desprezo pelo bem estar e segurança das pessoas. A nova austeridade vive de manter o  peso do Estado mas tirando-lhe os meios de agir - ou seja, tornando-o vazio de sentido. Os efeitos desta política, no médio e longo prazo vão ser terríveis e tudo o que à frente se reparar será bem mais caro do que aquilo que agora se devia fazer. O Governo tem o poder. Sem Glória. Um retrato do Portugal destes dias que correm.

 

SEMANADA - A presença de ecstasy nos esgotos de Lisboa aumentou mais de 40% num ano; nos últimos dez anos 49 produtos portugueses foram retirados do mercado europeu por não terem sido aprovados em testes de segurança; no ano lectivo de 2016/2017 registaram-se 1797 crimes em escolas da área metropolitana de Lisboa, um aumento de 10% em relação ao ano lectivo anterior;  segundo um estudo de opinião divulgado esta semana 70,2% dos adeptos não acredita que exista verdade desportiva no futebol português; segundo a Marktest o número de portugueses que usa aplicações de Instant Messaging quase triplicou nos últimos cinco anos; o preço das casas aumentou 12,8% no ano passado; 800 médicos recém formados não têm vaga para especialidades e está a aumentar o número de jovens médicos que deixam o país para fazer formação especializada no estrangeiro; em 2017 a Segurança Social mandou fechar 133 lares; no passado fim de semana o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado na íntegra por fontes renováveis, sobretudo energia eólica, durante 69 horas seguidas;  desde o início do ano já se verificaram 13 greves, o que dá a média de uma greve por semana e estão anunciadas novas greves de professores, médicos e enfermeiros.

 

ARCO DA VELHA - No Liceu Camões, em, Lisboa, apenas dez professores, num total de 70, aderiram à greve do início desta semana - mas os sindicatos de Mário Nogueira garantiram que a adesão ficou entre os 60 e 70%.

 

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FOLHEAR - Do panorama editorial português quase tinha desaparecido a figura de uma revista consagrada ao pensamento e ensaio. “Electra”, a nova revista trimestral da Fundação EDP, ganha o seu nome da Grécia antiga e no editorial deste primeiro número, co-assinado pelo seu  director José Manuel dos Santos e pelo subdirector António Soares, apresenta-se como “uma revista que interroga o espírito do tempo, as tendências, as ideias, as imagens, as mitologias que configuram e fazem mover a nossa época”. O estatuto editorial define “Electra” como uma “revista de crítica, pesquisa, ensaio e reflexão cultural” apontando que deve ser “de actualidade, mas de uma actualidade que vai para além da imediatez mediática”.  “Electra” tem duas edições - uma em português e outra em inglês, manifestando assim a sua vontade em ter influência para além das nossas fronteiras. Um dos destaques desta edição inaugural é uma entrevista feita por António Guerreiro a Boris Groys, um professor alemão, actualmente em Nova Iorque, crítico de arte, teórico dos media e filósofo que se tem debruçado sobre as relações entre a arte e a política e entre o artista e a sociedade. Groys estará sábado no MAAT onde proferirá uma conferência sobre “A Arte na Época da Internet”. Com um grafismo minimalista e adequadamente conservador, em conformidade com o tom geral da edição, neste primeiro número de “Electra” destaca-se um ensaio de João Oliveira Duarte sobre o poeta António Franco Alexandre, o portfolio “Rainer Maria Rilke:Klage” de Lourdes Castro e o ensaio “Cada época sonha com a seguinte” de Maria Filomena Molder sobre a citação de Jules Michelet que lhe serviu de inspiração.

 

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VER - O desenho é a raiz de toda a criatividade visual - quer esteja esboçado ou sugerido. Sob a aparência da simplicidade pode ser surpreendente ao conseguir transmitir  ideias complexas ou, em contraste, ao ordenar sucintamente o espaço onde se desenvolve. É isto que acontece com os novos desenhos de Pedro Calapez patentes na exposição “Desenho e Construção”, uma mostra  simultaneamente tranquila e arrebatadora nos vários momentos em que está organizada - as séries “Vagos”, “Variações Num Quadrado” e “Plano Duplo”. “Construir é a acção de organizar linhas, traços ou manchas, numa superfície com a finalidade de criar níveis distintos de intervenção que dialogam entre si” - escreveu Calapez nas suas notas sobre esta exposição. “Cada desenho - sublinhou - só acaba quando as orientações das linhas estão  suficientemente definidas e a mão cansada decide não continuar”. Desenho e construção fica até 20 de Abril, na Galeria João Esteves de Oliveira, Rua Ivens 38. Outras sugestões: na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria 101) Teresa Dias Coelho mostra até 7 de Abril novos desenhos sob o título “Turn Again”. No Porto, na Galeria Municipal, Palácio de Cristal, até 20 de Maio a Fundação EDP apresenta “Germinal”, que expõe obras do núcleo Cabrita Reis que desde o ano passado faz parte da colecção desta Fundação.

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OUVIR - David Byrne habituou-nos, nas várias fases da sua carreira, com os Talking Heads e, depois, a solo ou nos diversos projectos em que tem colaborado, a mostrar as suas observações sobre a América, surgindo repetidamente como uma espécie de  barómetro com um humor fino. “American Utopia”, o seu primeiro álbum desde há 14 anos, prossegue esse caminho e, de certa forma, é surpreendente. Como acontece a alguns dos seus contemporâneos, Byrne podia ter seguido o caminho de fazer um álbum de versões ou de imitações de si próprio. Em vez disso atreveu-se a, mais uma vez, surpreender e provocar - quer em palavras quer nos arranjos das dez canções aqui apresentadas, todas feitas a partir de composições originais de Brian Eno às quais Byrne juntou as palavras. “I Dance Like This”, a faixa de abertura, é um regresso ao pop; “It’s Not Dark Up Here” é um manifesto dançante que apela ao optimismo mesmo em tempos negros e “Every Day Is A Miracle”  é uma balada que ganha ritmo à medida que recomenda que se sobreviva aos maus momentos. No final do disco estão dois dos temas mais marcantes, “Doing The Right Thing” e “Everybody’s Coming To My House”, a minha canção preferida, que inclui uma frase que resume todo o sentimento do disco , “We are only tourists in this life”. Ao longo do disco as teclas misturam-se com as guitarras, vozes e percussões, numa explosão de sons hoje em dia rara. Quase nos 66 anos, não se pode dizer que David Byrne esteja sentado na varanda a curtir a reforma. CD Nonesuch, Distribuição Warner.

 

PROVAR - Há pouco mais de um ano surgiu na restauração lisboeta o conceito “Topo” , que deu origem a um grupo que já tem restaurantes no alto de edifícios no Martim Moniz, no Largo do Carmo e agora no CCB, onde antes estava o Bar Terraço. A localização do Topo do CCB é privilegiada, com vista sobre o rio, 40 lugares na sala e, quando estiver melhor tempo, 30 adicionais na esplanada. A cozinha, liderada pelo chef Luis Martins, tem inspiração nacional e propõe ao longo do dia e fim de tarde petiscos diversos. Ao almoço há um menu executivo que por 14 euros propõe couvert, sopa ou sobremesa, o prato do dia e uma bebida. A carta, mudada há poucas semanas, oferece várias possibilidades. Numa recente visita experimentaram-se duas entradas para partilhar: chamuças de coelho bravo com puré de escabeche de cheróvia e peixe espada à madeirense marinado com abacate e acompanhado por chips de batata doce. Ambos muito bem, as chamuças estaladiças e de fritura correcta, o peixe espada com um sabor inesperado. A seguir veio um robalo real com xerém de bivalves e coentros - peixe fresquíssimo e cozinhado no ponto, o xerém a merecer elogios. Para um próxima visita ficará o arroz de javali, castanhas e cogumelos. Nos doces há propostas como pão de ló com creme de ovo, pudim Abade de Priscos e uma mousse de chocolate com flor de sal e azeite. A carta de vinhos não é muito extensa mas oferece boas propostas a preços razoáveis. Telefone 213010524.

 

DIXIT - “O território a que chamamos Portugal é habitado pelo ser humano há um milhão de anos” - Arqueólogo João Zilhão

 

GOSTO - 97,4% dos alunos que participaram nos dois anos do projecto Tablets no Ensino e na Aprendizagem, da Fundação Calouste Gulbenkian, passaram de ano - uma taxa de quase 100% de sucesso escolar.

 

NÃO GOSTO - Cerca de  60% das linhas de comboio estão em mau estado de conservação e condicionam a circulação ferroviária - revela um relatório da Infraestruturas de Portugal.

 

BACK TO BASICS - “O mais importante é nunca desistir” - Stephen Hawking

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