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ESTADO - O GLUTÃO DE BAZUCAS

por falcao, em 25.09.20

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O PASSADO, EM VEZ DO FUTURO -  Quando se olha para a coqueluche de Costa, o seu  Plano de Recuperação, constatamos que os 12,9 mil milhões de euros de subvenções europeias vão ser utilizados sobretudo para investir na máquina do Estado, deixando as empresas com as migalhas. Uma análise mais fina permite questionar se a distribuição da bazuca de dinheiro europeu, da maneira  que está planeada, não se destina a financiar o programa político da nova geringonça que se vai preparando nos bastidores, mas com o pano de boca de cena escancarado. O Governo defende-se dizendo que o investimento planeado se destina a criar um Estado melhor, mas só o tempo dirá se vai servir para proporcionar melhor educação, um sistema de saúde mais eficaz, uma justiça mais célere ou a combater desigualdades territoriais ou, se em vez disso, irá servir para satisfazer sindicatos, reivindicações de grupos profissionais e financiar um programa político estatizante. Uma sondagem divulgada esta semana indica que 60,6% dos portugueses não acreditam que os fundos europeus que aí vêm sejam bem aplicados e geridos. Quando olhamos para o que se passou desde a adesão à União Europeia e ao que se vai conhecendo das intenções anunciadas para o dinheiro que aí vem, só se pode pensar que aqueles que não acreditam têm razão. Este plano não foi feito para criar bases para o futuro, mas sim para remendar os buracos deixados pelas cativações dos últimos anos.

 

SEMANADA - Os inscritos nos centros de emprego de todo o país atingem os 409 mil e não havia tanto desemprego registado desde janeiro de 2018; no Algarve, em Agosto, estavam inscritos 13.072 desempregados, uma subida de 178% num ano; os primeiros indicadores dos últimos meses indicam que o turismo correu bastante pior do que o que se antevia, mas a indústria e as exportações recuperaram no verão acima das expectativas; segundo a Marktest, na última década, o número de portugueses que utiliza o smartphone para aceder à Internet, octuplicou e representa agora 72% do total de acessos e as SmartTV já ultrapassam os tablet no acesso à internet; segundo um estudo da DECO dois terços dos agregados familiares em Portugal ainda usam gás de botija e o seu custo médio é de mais 230 euros por ano, cerca do dobro do  gás natural; estrangeiros compraram 8,5% das casas vendidas em Portugal em 2019; a venda de casas caíu 21,6% no segundo trimestre deste ano; em seis meses foram registadas no portal da queixa  8033 reclamações relativas ao acesso aos serviços públicos, um aumento de 47% face ao período homólogo; no primeiro semestre deste ano, a Assistência Médica Internacional apoiou, em média, 114 novos casos de pobreza por mês, os serviços mais procurados foram a distribuição de alimentos e o apoio social; a dívida pública atingiu 133,8% do PIB;  no Domingo passado a entrevista a Ana Gomes feita por Ricardo Araújo Pereira na SIC teve mais espectadores que Teresa Guilherme no Big Brother da TVI. 

 

ARCO DA VELHA - A Continental Mabor, em Famalicão, corre o risco de perder um investimento de 100 milhões de euros e a criação de cerca de 400 empregos por causa da demora na construção de uma estrada que anda a ser falada há duas décadas.

 

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PAISAGENS - Pedro Chorão nasceu em 1945, começou a expôr em 1975. Começou por estudar biologia e o seu interesse pela pintura nasceu já tinha passado dos 20 anos. Estudou biologia em Liverpool, história de arte e arqueologia em Paris e pintura em Lisboa. Goa é um destino que procura que seja tão frequente quanto possível e as paisagens que vê da casa onde normalmente lá se aloja, junto ao mar, são a base de trabalho para esta nova série de obras que foi apresentada na semana passada na Galeria Monumental e que tem por título “O Princípio da Paisagem”. Em Goa, durante as estadas longas que gosta de realizar, faz desenhos que depois utiliza por vezes como base de trabalhos futuros. Em Lisboa, no seu estúdio, paredes meias com a casa em que vive, pinta entre a memória e a imaginação, sempre a ouvir música - Bach muitas vezes, o piano de jazz de Bill Evans outras tantas. Tem um falar calmo, tranquilo como as suas pinturas. “O Princípio da Paisagem” fica até 31 de Outubro, na Galeria Monumental, Campo dos Mártires da Pátria 111, visitas por marcação pelo telefone 918 744 548.

 

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A DESCOBERTA DE UMA COLECÇÃO -  A FLAD (Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento) foi criada em 1985 e desde relativamente cedo começou a constituir uma colecção de obras de arte centrada em artistas portugueses contemporâneos. Manuel Castro Caldas, posteriormente em colaboração com Manuel Costa Cabral e Rui Sanches, iniciou a colecção e reuniu um conjunto importante de 765 obras entre 1986 e 2002. É deste núcleo que sai grande parte da selecção organizada por António Pinto Ribeiro e Sandra Vieira Jurgens para “Festa.Fúria.Femina”, a exposição que esta semana abriu no maat-Central Tejo e lá ficará até 25 de janeiro. Reunindo 228 obras de 61 artistas, maioritariamente portugueses, de várias gerações, a exposição permite ver trabalhos de diversos contextos e períodos, possibilitando uma nova visão sobre o trabalho desenvolvido em Portugal nas artes plásticas no último quarto do século passado. Ao mesmo tempo são apresentadas algumas obras provenientes das novas aquisições da FLAD, retomadas em 2019, já com António Pinto Ribeiro, que admite procurar seguir o conceito de colecção inicialmente delineado por Manuel Castro Caldas. O objectivo desta mostra é precisamente, nas palavras dos seus curadores, celebrar a história e a continuidade da importante colecção da FLAD, dando-lhe uma inédita exposição que permite descobri-la, afastada que estava do olhar público. Também na Central Tejo abriu “Ballad Of Today”, uma exposição de fotografia e instalações sonoras de André Cepeda, apresentada como “uma longa caminhada contínua através de uma cidade”. Ao longo de 80 fotografias André Cepeda apresenta uma visão inesperada, mas também muito desigual, por vezes desnecessariamente apostada no óbvio. Outras sugestões: na Galeria Belo Galsterer destaque para novas obras de Paulo Brighenti e na Galeria 111 o fotógrafo moçambicano Mauro Pinto apresenta “Blackmoney”, uma visão do universo sempre emocional, mas já muito explorado, da dura realidade do trabalho em minas em sociedades pós-coloniais.

 

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AS PALAVRAS DE AMÁLIA -  - Este livro é autenticamente uma descoberta saída do fundo de um baú: em 1973, a Editora Arcádia encarregou o escritor Manuel da Fonseca de escrever uma biografia de Amália Rodrigues. A ideia era pôr um escritor famoso e conhecido pela sua militância comunista a traçar o perfil daquela que era então considerada o ícone do Fado e ligada ao anterior regime. Essa biografia nunca foi escrita, mas ficaram gravadas nove horas de conversa entre os dois, quer na casa da Rua de São Bento, quer na herdade que Amália tinha no Brejão, uma conversa feita em três momentos distintos. Entretanto, a Arcádia acabou e as gravações ficaram esquecidas. Até hoje. As edições Nelson de Matos e a Porto Editora conseguiram localizar essas gravações, promovendo a sua transcrição integral, a cargo de Pedro Castanheira, que também elaborou as mais de três centenas de notas que surgem no final da edição, enquadrando aspectos da conversa  agora publicada sob o título “Amália Nas Suas Palavras”. Rui Vieira Nery, que escreveu o prefácio, intitulado certeiramente “Amália e Manuel da Fonseca: entre a cumplicidade e o jogo do gato e do rato”, descreve o encadeamento original, respeitado na edição, das perguntas e respostas como «itinerário errático de um diálogo informal». A conversa está recheada de saltos cronológicos, de mudanças de tema, de associações imprevistas, de interferências externas, de pontos mortos e até  graças ocasionais. Mas na longa conversa destacam-se três tópicos centrais em relação aos quais o texto presta informações relevantes e por vezes inéditas: a infância dura da artista, a relação de Amália com o fado e as suas opções políticas. “Amália Nas Suas palavras” surgida no ano das comemorações do centenário da fadista, teve o apoio da Fundação Gulbenkian e do Museu do Fado.

 

PASTRAMI AO DOMICÍLIO - Já aqui o escrevi mais que uma vez, sou um adepto confesso de sanduíches - mas não as anémicas, em pão borrachoso, de folha transparente de fiambre e queijo flamengo de inferior qualidade que desgraçadamente são as mais frequentes nos cafés deste rectângulo à beira-mar plantado. Nos locais que frequento mais regularmente fiz questão de negociar a confecção de sanduíches como eu gosto e não me tenho dado mal com o resultado. Mas é muito difícil encontrar uma das minhas preferidas, a clássica sanduíche de pastrami, uma deliciosa carne feita do peito bovino, ou seja, a parte dianteira do boi, temperada, fumada e depois cozinhada lentamente. O resultado é magnífico mas difícil de encontrar. Os supermercados do El Corte Inglés têm nas suas charcutarias um bom pastrami, a que recorro para liquidar fomes súbitas caseiras. Mas agora, para minha alegria, descobri uma sanduíche de pastrami no Uber Eats. Passo a explicar: os serviços de entrega de comida pronta apostam em novos modelos e um dos mais recentes é a criação de espaços virtuais. A Pica-Miolo é a primeira «padaria virtual» a abrir no País e a estar disponível apenas online. Apresenta seis variedades de pães artesanais: trigo, mistura, espelta,  jalapeños e tâmaras, trigo, sésamo e carvão activado e outro que incorpora na massa queijo da ilha e cebola crocante. O pão pode ser pedido inteiro (a forma é cilíndrica) ou já fatiado. A partir do pão de trigo a Pica Miolo elaborou cinco sanduíches, a que chamou Picas: a tradicional Club (com frango, ovo e tomate), a de  presunto com queijo brie e nozes; a minha sempre desejada de pastrami e coleslaw (uma salada de repolho cortado muito fino e temperada), a de salmão fumado com queijo Philadelphia e molho de endro e, para terminar, a de atum com tempero kimchi.  Na minha preferida gostaria que tivesse um pouco mais de pastrami e um pouco menos de coleslaw. Mas pelo menos já sei onde recorrer quando de repente me apetecer esse petisco. E se encomendar também o pão de jalapeños e tâmaras fique a saber que ele é uma excelente base das sanduíches que decidir fazer em casa. Sou testemunha.

 

DIXIT - “Precisamos de um chefe de Estado que una, e não que divida mais os portugueses” - Carlos César, Presidente do PS defendendo Marcelo e criticando Ana Gomes.

 

BACK TO BASICS - “A simplicidade é o último grau da sofisticação “ - Leonardo da Vinci



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A PSP E A CENSURA - Tenho a certeza que o cidadão António Costa é um firme defensor da liberdade de expressão e sei que cresceu num ambiente onde a literatura e a poesia eram estimadas. Não tenho disto a menor dúvida. Por isso mesmo não consigo perceber porque é que, enquanto Primeiro Ministro, permite que a actual direcção da PSP, nomeada pelo seu Governo, seja reincidente em tentativas de limitação da liberdade de expressão. Há pouco tempo a PSP anunciou que apresentou uma queixa-crime contra um cartoon humorístico, que envolvia aquela força policial, publicado no suplemento satírico “Inimigo Público”.  Entretanto soube-se que há uns meses a PSP deteve um homem que colava cartazes alusivos a uma exposição e que reproduziam um poema, já publicado em livro, que abordava a violência policial. O colador de cartazes e a curadora da exposição foram alvo de uma queixa da força policial ao Ministério Público, já que referido poema foi considerado ofensivo pela PSP. Imagino que a direcção da PSP tenha criado uma comissão de censura prévia à revelia do Governo e do Primeiro-Ministro e que agora considere que referências que lhe sejam feitas em cartoons ou poemas constituam um crime de “ofensa a organismo, serviço ou pessoa coletiva” . No meio de tudo o que se passa no país estas acções da PSP não são enganos fortuitos nem incidentes menores. Reflectem uma atitude e uma linha de conduta preocupantes. Acredito que, inquieto como está com o futuro do Benfica, o cidadão António Costa não queira tomar posição em defesa da liberdade de expressão, mas acredito que o Primeiro-Ministro deva fazer alguma coisa para que ninguém tenha medo de fazer cartoons ou poemas onde as polícias sejam criticadas.

 

SEMANADA - O Ex Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Orlando Nascimento, foi acusado pelo Ministério Público de crime de abuso de poder; o Ministério Público aceitou arquivar um processo de falsificação de documentos da deputada socialista Hortense Martins a troco de um pagamento de mil euros ao Estado; António Pires de Lima afirmou esperar “que o CDS acorde”; mais de um milhão e duzentos mil utilizadores estiveram registados na Escola Virtual, uma plataforma de ensino à distância, durante o período de suspensão das atividades lectivas presenciais; segundo um inquérito realizado pela  Porto Editora, num contexto em que o digital assumiu um novo protagonismo na educação, 76% dos encarregados de educação e 50 % dos professores  sublinharam a importância do manual escolar em papel, que foi utilizado por 96% dos alunos; as exportações de Portugal para a China cresceram 77,14% em junho, enquanto as importações sofreram uma queda de 17,45%, em relação a maio; na primeira semana de aulas há cerca de 600 escolas com falta de professores; o transporte fluvial entre as duas margens do Tejo teve uma queda de 45% nos meses de verão; o Metropolitano de Lisboa registou uma quebra na procura de 59% entre os meses de junho e agosto face ao mesmo período de 2019, ou seja menos  24,7 milhões de passageiros;  

 

O MUNDO EM QUE VIVEMOS - Segundo a Fundação Bill e Melinda Gates o desenvolvimento global regrediu mais de duas décadas devido à pandemia, a pobreza extrema aumentou 7%, a cobertura da vacinação está a cair para níveis dos anos 1990 e os impactos económicos reforçam as desigualdades.

 

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AS FOTOGRAFIAS DA LUÍSA - Por uma feliz coincidência neste fim de semana podem ser vistas em vários locais imagens de Luísa Ferreira,  uma das mais interessantes fotógrafas portuguesas, persistente no trabalho, paciente no olhar. A sua actividade enquanto fotojornalista leva-a a olhar para o dia-a-dia de uma forma muito particular, aliando o espírito crítico à abordagem da realidade. Como ela diz, está sempre a ver o que se passa. Gosta de trabalhar temas durante períodos largos de tempo - por exemplo, o seu projecto académico é uma tese onde segue através da fotografia as transformações ocorridas no Porto de Lisboa ao longo de vários anos. Da mesma forma desenvolveu desde 1994 “Há Quanto Tempo Trabalha Aqui” no qual documenta as pessoas que trabalharam a vida inteira numa loja, dando-lhe vida própria durante décadas. Sábado à tarde, no MAAT, vai falar sobre este seu trabalho,  que evidencia o desaparecimento de pessoas e de lugares com história. A conversa está inserida no ciclo  “O Lado B”, que decorre paralelamente à exposição The Peepshow.  Luísa Ferreira estará também presente no Museu da Água, em Lisboa, de 17 a 20 de setembro com o projecto  Engrácia, a santa passageira, uma exposição promovida pela Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, com imagens de João Tuna, Luís Pavão, Rosa Reis, Susana Paiva e, claro, Luisa Ferreira. Ainda no mesmo dia, às 19h00, e para assinalar os 20 anos do laboratório FinePrint (Rua Gonçalves Crespo 6C), o seu fundador, Nuno Soares, juntou vários dos fotógrafos cujas imagens tem impresso, e faz uma exposição onde também estará uma fotografia de Luísa Ferreira. Por último, na CC11, uma associação cultural constituída por profissionais ligados ao jornalismo visual (Rua do Centro Cultural 11, em Alvalade), Luísa Ferreira apresenta a instalação “Claro e Escuro” (pormenor na imagem), integrada na exposição “Diário de Uma Pandemia” que ali decorre até 31 de Outubro. A instalação de Luísa Ferreira agrupa imagens recolhidas em Lisboa ao longo do confinamento e da pandemia e, nas palavras da própria, é uma metáfora sobre os efeitos na cidade e na nossa vida de tudo o que se tem passado, dos novos lixos produzidos e da falta de respeito pelo ambiente quotidianamente evidenciado nas ruas.

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UM OLHAR HUMANO - O ponto de partida de Francisco Timóteo para a sua exposição de estreia, “A Pequenez Humana”,  é este: “A escala do universo é algo que nos ultrapassa. Não somos realmente capazes de processar a sua imensidão devido à nossa proporcional insignificância.” Francisco Timóteo faz parte da nova geração de artistas plásticos, nasceu em 1998, estudou música e pintura em Lisboa, com passagens por Barcelona e Sevilha, tendo participado em exposições colectivas desde 2017. Esta é a sua primeira exposição individual. Num texto sobre a exposição Raul Pérez sublinha que “a temática do espaço, do infinitamente grande e do infinitamente pequeno”, é bem expressa num dos seus quadros (na imagem) que representa um minúsculo homem só, caminhando num imenso bloco de gelo. A “Pequenez Humana” fica até 30 de Outubro  na biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova , no Campus do Monte da Caparica.  Outras sugestões: na galeria Módulo inaugurou  “Natureza do Gesto” de Tiago Santos (Calçada dos Mestres 34A). Na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria) Pedro Chorão apresenta até 31 de Outubro  “O Princípio da Paisagem” e na Cisterna (Rua António Maria Cardoso, ao Chiado), pode ser vista a colectiva Contiger, com trabalhos de Ana Fonseca, Bettina Vaz Guimarães, João Távora, Jorge Leal, Liene Bosquê, Maya Weishof, Miguel Santos, Susana Anágua, e Zoë Sua Kay . Na Galeria Filomena Soares (Rua da manutenção 80, ao Beato) Fernanda Fragateiro apresenta sábado “A Monotonia É Fixe”, até 14 de Novembro. Na Galeria Salgadeiras ( Rua da Atalaia 12) Rui Horta Pereira apresenta até 7 de Novembro uma série de desenhos sob o título  “A Maioria das Pedras Não Tem Fôlego e etc”.

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O ESCRITOR E O SONHO - Maria Gabriela Llansol, considerada como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea, nasceu  em Lisboa em 1931, viveu na Bélgica entre 1965 e os anos 80, altura em que regressou a Portugal e a sua vida profissional foi centrada em questões relacionadas com problemas educacionais. Entre 1974 e a sua morte Maria Gabriela Llansol escreveu 76 cadernos manuscritos, numerados, escritos como diários e com a designação genérica de “Livros das Horas”. A Assírio & Alvim tem vindo a editar estes cadernos, com  selecção, organização de textos, introdução e notas de João Barrento e Maria Etelvina Santos. O novo volume agora editado, “O Sonho É Um Grande Escritor”, reúne um número importante de sonhos que foram registados pela escritora  nos seus cadernos entre 1969 e 2006, muitos por sugestão do psicanalista que a acompanhou em Lovaina. Além dos textos esta edição reproduz desenhos da própria Llansol, as capas dos cadernos utilizados e reproduções de ilustrações que são referenciadas na escrita. Muitas vezes os textos começam com “hoje tive este sonho”, que depois é contado - e que pode ser a música que sonhou ouvir, encontros ou percursos imaginados. É um livro perturbante e envolvente. Como Maria Gabriela Llansol escreveu, «se é o sonho que cria o homem, vou criar o sonho que me cria».

 

PEIXE NO AREAL - Gosto do mês de Setembro, mais do que de Agosto. A temperatura está mais amena, menos calor, o sol é menos intenso, menos incómodo. E, junto ao mar, há menos gente. Muito menos gente. Isto aplica-se também a restaurantes de praia. Há poucos dias tive ocasião de comprovar isso mesmo na Praia das Maçãs, num clássico da região, o Neptuno, paredes meias com o areal. Sala ampla, esplanada protegida do vento. Nestes tempos de pandemia, sobretudo durante a semana, neste caso uma sexta-feira,  há menos gente e tudo funciona de modo escorreito. Um cliente habitual disse-me que ainda por cima a sexta-feira é um bom dia para o peixe. Na bancada havia um pregado com óptimo aspecto, infelizmente grande demais para apenas duas pessoas. A alternativa foi avançar para dois sargos, que vieram bem grelhados, inteiros, sem o truque muitas vezes fatal de serem escalados. Antes disso tinham sido provados uns belos percebes e uma salada de polvo, ambos muito apreciados. Os vinhos têm preços ajuizados e no final o melão cumpriu muito bem o seu papel patriótico num duelo com um abacaxi tropical. O serviço foi atento e simpático, a vista do areal e da praia são um argumento de muito peso para as coisas correrem bem. O telefone é o 219 291 222. 

 

DIXIT - “Debatemo-nos por um modelo ideal de educação cívica, mas somos incapazes de manter um debate cívico e civilizado. Há aqui uma preocupação deplorável de intimidar as pessoas. Passam a saber que há um custo a pagar se pensarem pela sua própria cabeça”. - Sérgio Sousa Pinto

 

BACK TO BASICS - “Nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo” - António Costa a 7 de abril de 2016.

 





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por falcao, em 17.09.20

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A PSP E A CENSURA - Tenho a certeza que o cidadão António Costa é um firme defensor da liberdade de expressão e sei que cresceu num ambiente onde a literatura e a poesia eram estimadas. Não tenho disto a menor dúvida. Por isso mesmo não consigo perceber porque é que, enquanto Primeiro Ministro, permite que a actual direcção da PSP, nomeada pelo seu Governo, seja reincidente em tentativas de limitação da liberdade de expressão. Há pouco tempo a PSP anunciou que apresentou uma queixa-crime contra um cartoon humorístico, que envolvia aquela força policial, publicado no suplemento satírico “Inimigo Público”.  Entretanto soube-se que há uns meses a PSP deteve um homem que colava cartazes alusivos a uma exposição e que reproduziam um poema, já publicado em livro, que abordava a violência policial. O colador de cartazes e a curadora da exposição foram alvo de uma queixa da força policial ao Ministério Público, já que referido poema foi considerado ofensivo pela PSP. Imagino que a direcção da PSP tenha criado uma comissão de censura prévia à revelia do Governo e do Primeiro-Ministro e que agora considere que referências que lhe sejam feitas em cartoons ou poemas constituam um crime de “ofensa a organismo, serviço ou pessoa coletiva” . No meio de tudo o que se passa no país estas acções da PSP não são enganos fortuitos nem incidentes menores. Reflectem uma atitude e uma linha de conduta preocupantes. Acredito que, inquieto como está com o futuro do Benfica, o cidadão António Costa não queira tomar posição em defesa da liberdade de expressão, mas acredito que o Primeiro-Ministro deva fazer alguma coisa para que ninguém tenha medo de fazer cartoons ou poemas onde as polícias sejam criticadas.

 

SEMANADA - O Ex Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Orlando Nascimento, foi acusado pelo Ministério Público de crime de abuso de poder; o Ministério Público aceitou arquivar um processo de falsificação de documentos da deputada socialista Hortense Martins a troco de um pagamento de mil euros ao Estado; António Pires de Lima afirmou esperar “que o CDS acorde”; mais de um milhão e duzentos mil utilizadores estiveram registados na Escola Virtual, uma plataforma de ensino à distância, durante o período de suspensão das atividades lectivas presenciais; segundo um inquérito realizado pela  Porto Editora, num contexto em que o digital assumiu um novo protagonismo na educação, 76% dos encarregados de educação e 50 % dos professores  sublinharam a importância do manual escolar em papel, que foi utilizado por 96% dos alunos; as exportações de Portugal para a China cresceram 77,14% em junho, enquanto as importações sofreram uma queda de 17,45%, em relação a maio; na primeira semana de aulas há cerca de 600 escolas com falta de professores; o transporte fluvial entre as duas margens do Tejo teve uma queda de 45% nos meses de verão; o Metropolitano de Lisboa registou uma quebra na procura de 59% entre os meses de junho e agosto face ao mesmo período de 2019, ou seja menos  24,7 milhões de passageiros;  

 

O MUNDO EM QUE VIVEMOS - Segundo a Fundação Bill e Melinda Gates o desenvolvimento global regrediu mais de duas décadas devido à pandemia, a pobreza extrema aumentou 7%, a cobertura da vacinação está a cair para níveis dos anos 1990 e os impactos económicos reforçam as desigualdades.

 

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AS FOTOGRAFIAS DA LUÍSA - Por uma feliz coincidência neste fim de semana podem ser vistas em vários locais imagens de Luísa Ferreira,  uma das mais interessantes fotógrafas portuguesas, persistente no trabalho, paciente no olhar. A sua actividade enquanto fotojornalista leva-a a olhar para o dia-a-dia de uma forma muito particular, aliando o espírito crítico à abordagem da realidade. Como ela diz, está sempre a ver o que se passa. Gosta de trabalhar temas durante períodos largos de tempo - por exemplo, o seu projecto académico é uma tese onde segue através da fotografia as transformações ocorridas no Porto de Lisboa ao longo de vários anos. Da mesma forma desenvolveu desde 1994 “Há Quanto Tempo Trabalha Aqui” no qual documenta as pessoas que trabalharam a vida inteira numa loja, dando-lhe vida própria durante décadas. Sábado à tarde, no MAAT, vai falar sobre este seu trabalho,  que evidencia o desaparecimento de pessoas e de lugares com história. A conversa está inserida no ciclo  “O Lado B”, que decorre paralelamente à exposição The Peepshow.  Luísa Ferreira estará também presente no Museu da Água, em Lisboa, de 17 a 20 de setembro com o projecto  Engrácia, a santa passageira, uma exposição promovida pela Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, com imagens de João Tuna, Luís Pavão, Rosa Reis, Susana Paiva e, claro, Luisa Ferreira. Ainda no mesmo dia, às 19h00, e para assinalar os 20 anos do laboratório FinePrint (Rua Gonçalves Crespo 6C), o seu fundador, Nuno Soares, juntou vários dos fotógrafos cujas imagens tem impresso, e faz uma exposição onde também estará uma fotografia de Luísa Ferreira. Por último, na CC11, uma associação cultural constituída por profissionais ligados ao jornalismo visual (Rua do Centro Cultural 11, em Alvalade), Luísa Ferreira apresenta a instalação “Claro e Escuro” (pormenor na imagem), integrada na exposição “Diário de Uma Pandemia” que ali decorre até 31 de Outubro. A instalação de Luísa Ferreira agrupa imagens recolhidas em Lisboa ao longo do confinamento e da pandemia e, nas palavras da própria, é uma metáfora sobre os efeitos na cidade e na nossa vida de tudo o que se tem passado, dos novos lixos produzidos e da falta de respeito pelo ambiente quotidianamente evidenciado nas ruas.

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UM OLHAR HUMANO - O ponto de partida de Francisco Timóteo para a sua exposição de estreia, “A Pequenez Humana”,  é este: “A escala do universo é algo que nos ultrapassa. Não somos realmente capazes de processar a sua imensidão devido à nossa proporcional insignificância.” Francisco Timóteo faz parte da nova geração de artistas plásticos, nasceu em 1998, estudou música e pintura em Lisboa, com passagens por Barcelona e Sevilha, tendo participado em exposições colectivas desde 2017. Esta é a sua primeira exposição individual. Num texto sobre a exposição Raul Pérez sublinha que “a temática do espaço, do infinitamente grande e do infinitamente pequeno”, é bem expressa num dos seus quadros (na imagem) que representa um minúsculo homem só, caminhando num imenso bloco de gelo. A “Pequenez Humana” fica até 30 de Outubro  na biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova , no Campus do Monte da Caparica.  Outras sugestões: na galeria Módulo inaugurou  “Natureza do Gesto” de Tiago Santos (Calçada dos Mestres 34A). Na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria) Pedro Chorão apresenta até 31 de Outubro  “O Princípio da Paisagem” e na Cisterna (Rua António Maria Cardoso, ao Chiado), pode ser vista a colectiva Contiger, com trabalhos de Ana Fonseca, Bettina Vaz Guimarães, João Távora, Jorge Leal, Liene Bosquê, Maya Weishof, Miguel Santos, Susana Anágua, e Zoë Sua Kay . Na Galeria Filomena Soares (Rua da manutenção 80, ao Beato) Fernanda Fragateiro apresenta sábado “A Monotonia É Fixe”, até 14 de Novembro. Na Galeria Salgadeiras ( Rua da Atalaia 12) Rui Horta Pereira apresenta até 7 de Novembro uma série de desenhos sob o título  “A Maioria das Pedras Não Tem Fôlego e etc”.

 

O ESCRITOR E O SONHO - Maria Gabriela Llansol, considerada como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea, nasceu  em Lisboa em 1931, viveu na Bélgica entre 1965 e os anos 80, altura em que regressou a Portugal e a sua vida profissional foi centrada em questões relacionadas com problemas educacionais. Entre 1974 e a sua morte Maria Gabriela Llansol escreveu 76 cadernos manuscritos, numerados, escritos como diários e com a designação genérica de “Livros das Horas”. A Assírio & Alvim tem vindo a editar estes cadernos, com  selecção, organização de textos, introdução e notas de João Barrento e Maria Etelvina Santos. O novo volume agora editado, “O Sonho É Um Grande Escritor”, reúne um número importante de sonhos que foram registados pela escritora  nos seus cadernos entre 1969 e 2006, muitos por sugestão do psicanalista que a acompanhou em Lovaina. Além dos textos esta edição reproduz desenhos da própria Llansol, as capas dos cadernos utilizados e reproduções de ilustrações que são referenciadas na escrita. Muitas vezes os textos começam com “hoje tive este sonho”, que depois é contado - e que pode ser a música que sonhou ouvir, encontros ou percursos imaginados. É um livro perturbante e envolvente. Como Maria Gabriela Llansol escreveu, «se é o sonho que cria o homem, vou criar o sonho que me cria».

 

PEIXE NO AREAL - Gosto do mês de Setembro, mais do que de Agosto. A temperatura está mais amena, menos calor, o sol é menos intenso, menos incómodo. E, junto ao mar, há menos gente. Muito menos gente. Isto aplica-se também a restaurantes de praia. Há poucos dias tive ocasião de comprovar isso mesmo na Praia das Maçãs, num clássico da região, o Neptuno, paredes meias com o areal. Sala ampla, esplanada protegida do vento. Nestes tempos de pandemia, sobretudo durante a semana, neste caso uma sexta-feira,  há menos gente e tudo funciona de modo escorreito. Um cliente habitual disse-me que ainda por cima a sexta-feira é um bom dia para o peixe. Na bancada havia um pregado com óptimo aspecto, infelizmente grande demais para apenas duas pessoas. A alternativa foi avançar para dois sargos, que vieram bem grelhados, inteiros, sem o truque muitas vezes fatal de serem escalados. Antes disso tinham sido provados uns belos percebes e uma salada de polvo, ambos muito apreciados. Os vinhos têm preços ajuizados e no final o melão cumpriu muito bem o seu papel patriótico num duelo com um abacaxi tropical. O serviço foi atento e simpático, a vista do areal e da praia são um argumento de muito peso para as coisas correrem bem. O telefone é o 219 291 222. 

 

DIXIT - “Debatemo-nos por um modelo ideal de educação cívica, mas somos incapazes de manter um debate cívico e civilizado. Há aqui uma preocupação deplorável de intimidar as pessoas. Passam a saber que há um custo a pagar se pensarem pela sua própria cabeça”. - Sérgio Sousa Pinto

 

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UM POUCO DE FICÇÃO POLÍTICA - Imaginemos que Marcelo Rebelo de Sousa não se recandidata. Ou seja, imaginemos que, quem neste momento lidera as sondagens de intenção de voto para as próximas presidenciais, decide não ir a jogo. Nos últimos dias ficaram a conhecer-se as declarações de candidatura de Marisa Matias e de Ana Gomes. André Ventura já anda em campanha há um tempo e o PCP deverá anunciar o seu candidato nos próximos dias. Marcelo Rebelo de Sousa continua a reservar a sua decisão para mais tarde. Chegaremos a segunda feira, a menos que Marcelo tenha entretanto um sobressalto, com quatro candidatos certos - Ventura, Gomes, Matias e quem o PCP decidir indicar. Gostava de ver uma sondagem de intenções de voto para as presidenciais apenas com estes quatro candidatos que já estão certos, ou seja, sem a inclusão do actual Presidente - que por enquanto não é candidato. Quem venceria? Conseguiria Ana Gomes recolher mais votos que Ventura ou Marisa Matias? Ou será que Marisa Matias conseguia vencer Gomes e Ventura? Ou será que, na ausência de Marcelo, Ventura conseguia ter mais votos que os outros? Imaginemos agora por um breve momento que o horizonte das próximas presidenciais seria assim, apenas com estes quatro candidatos. Qual deles se iria sentar na reunião semanal com António Costa em Belém? Se porventura Marcelo decidir que não vai a votos, que fará Costa? Irá levar Ana Gomes às cavalitas até Belém? Às vezes é engraçado imaginar a política como se fosse uma ficção, ainda mais absurda do que ela já é nestes dias.

 

SEMANADA - Portugal está entre os sete países europeus com piores resultados em relação à pandemia de Covid-19; a diretora geral da saúde, Graça Freitas admitiu que, a informação proveniente dos dados recolhidos nos inquéritos epidemiológicos que fazem aos pacientes, não é tratada; de acordo com um estudo publicado no início do verão mais de metade dos jovens com 18 anos afirmou que a sua saúde mental “piorou” desde o início da pandemia e que o facto de não irem à escola agravou esse estado;  um estudo da OCDE revela que os cursos profissionais têm maior saída no mercado de emprego que as licenciaturas; segundo a Marktest 76% dos portugueses têm já acesso à Internet ; o mesmo estudo indica que o smartphone lidera como forma de acesso à internet, sendo já mais utilizado para navegar na web que o computador; a CP perdeu 26 milhões de passageiros durante os primeiros seis meses deste ano; 48% dos europeus afirmam que seu bem-estar financeiro diminuiu nos últimos 6 meses; quase 4 em cada 10 europeus viram o emprego afetado pela pandemia, enquanto mais da metade (54%) viu uma queda no seu rendimento;  um em cada cinco consumidores endividou-se para cobrir as despesas diárias durante o período Covid-19 e essa taxa aumenta para 24% quando se analisa a geração “Millennials”; segundo o Banco de Portugal é preciso recuar a 1928 para encontrar uma contracção da economia superior aos 9,5% previstos para 2020.

 

ARCO DA VELHA -  O célebre relatório da Deloitte detectou 140 falhas nas regras de concessão de crédito desde a venda do Novo Banco à Lone Star.

 

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AGENDA VISUAL  -  JonOne é um artista norte-americano, de origem dominicana  que actualmente divide o seu tempo entre Paris e Nova Iorque. A sua actividade começou como graffiter de rua em Nova Iorque, a partir do Harlem, onde vivia, desenvolveu a sua obra de rua na segunda metade dos anos 80 e daí evoluíu para a pintura, utilizando na tela um sistema de cores e uma técnica que provêm do próprio graffiti. No dia 11 inaugura a sua primeira exposição em Portugal, “The Border” (na imagem). A exposição, na galeria Underdogs ( Rua Fernando Palha, Armazém 56, a Marvila) inclui pinturas e instalações, e foi propositadamente concebida para o espaço desta galeria. Entretanto as próximas semanas são animadas em termos do recomeço de actividade das galerias de arte e existem até duas novidades - a abertura de duas novas galerias em Lisboa nestes tempos de pandemia: a Muñoz Carmona Art & Gallery abre dia 15 de Setembro com a exposição “Natureza Morta” de André Ribeiro e Juan Carmona, na Rua do Alecrim 109, ao Chiado; e a No-No contemporary art gallery (Rua de Santo António à Estrela 39A) que dia 12 inaugura com obras de “Um Tempo Sem Medida”, de Carlos Mensil. 

 

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JUNTOS OUTRA VEZ - Em 1994 saíu o disco MoodSwing, assinado pelo Joshua Redman Quartet - um grupo de jovens músicos, então no início de carreira mas já com créditos firmados e com colaborações com nomes importantes do jazz de então. O quarteto integrava Redman no saxofone, Brad Mehldau no piano, Christian McBride no baixo e Brian Blade na bateria. A formação fez uma digressão e durou ano e meio. Depois cada um seguiu a sua vida e cada um construiu a sua própria carreira. Agora, um quarto de século depois, os mesmos músicos voltaram a juntar-se no quarteto de Joshua Redman e gravaram RoundAgain, o álbum que saíu há semanas e que inclui sete temas inéditos compostos pelos vários músicos - três de Redman, dois de Mehldau e um de McBride e outro de Blade - um contraste com MoodSwing que era integralmente composto por Redman. Agora os quatro já não são talentos promissores, são músicos conceituados. Os três temas compostos por Redman são muito marcantes, assim como o é o seu saxofone ao longo de todo o disco. Os três temas de que falo, “Silly Love Song”, “Right Back Round Again” e “Undertow” são bem diferentes entre si, mas todas proporcionam espaço para qualquer dos músicos do quarteto, sobretudo a última, que aliás abre o discos, e que é a mais ousada das composições do saxofonista. Outros temas interessantes são “Your Part To Play”, de Blade e “Father” e “Moe Holde” de Mehldau. Nestes temas sente-se como o quarteto está vivo e os músicos continuam a procurar novas soluções. Os solos de todos os participantes equilibram-se e o sentido de grupo é forte, esbatendo protagonismos individuais. Se querem um resumo, este “RoundAgain” é o registo do estado do jazz da geração que no final dos anos 90 refrescou a música e lhe trouxe novos públicos. Disponível no Spotify.

 

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O SEM FIM DA HISTÓRIA - A ideia central é esta: “os sistemas políticos baseados em crenças radicalmente simples são mais cativantes, em especial quando recompensam e beneficiam os verdadeiros crentes, os soldados leais e os amigos e familiares do líder - e mais ninguém.”. Quem o escreve é Anne Applebaum, jornalista galardoada com o Pulitzer, e que escreveu para a revista The Atlantic o artigo “A Warning For Europe” onde falava da interferência russa nas eleições dos Estados Unidos que deram a vitória a Trump. O artigo foi o ponto de partida para o livro “O Crepúsculo da Democracia - O fracasso da política e o apelo sedutor do autoritarismo”, agora editado em Portugal. Applebaum é professora no Institute Of Global Affairs da London School Of Economics e cofundadora do Democracy Lab, uma parceria que envolve a revista Foreign Affairs. Neste livro Anne Applebaum faz uma análise histórica da  transformação política e social que está a deformar as nossas sociedades. A autora analisa como  as sociedades estão em mutação e as tendências antidemocráticas estão a crescer, tendo por consequência deste fracasso da política tradicional o facto de  os sistemas autoritários e radicais estarem a ganhar terreno em todo o mundo. Applebaum sustenta que as teorias da conspiração, a polarização da opinião pública, as redes sociais e a nostalgia por um passado idealizado são armas utilizadas pelos adeptos do iliberalismo, com enorme sucesso, para obter seguidores, conquistar votos e tomar o poder. A leitura do livro é particularmente oportuna neste momento, não só no contexto, mas também proporcionando-nos dados para olharmos de forma mais abrangente para o que se passa agora em Portugal. No capítulo final, “O Sem Fim Da História”, escrito já com a pandemia em pano de fundo, ela termina assim: “Sempre soubemos, ou deveríamos ter sabido, que a história poderia, mais uma vez, entrar pelas nossas vidas e reorganizá-las. Sempre soubemos, ou deveríamos ter sabido, que as visões alternativas acerca das nossas nações nos tentam cativar. Contudo, ao escolhermos o nosso caminho através da escuridão, talvez possamos ver que, juntos, lhes conseguiremos resistir”.

 

QUI QUÊ? - Tenho encarado a quinoa como algo sensaborão, fruto de modas em matéria de nutrição e confesso que nem vontade tinha em experimentar. Mas recordando-me do velho princípio de que não se deve dizer que não se gosta do que ainda não se provou, lá me dediquei ao assunto. O racional foi este: há alimentos que por si sós não têm grande graça e é a arte do bem temperar e combinar sabores que os pode salvar. Em vez de fazer uma preparação neutra, optei por inventar, baseado noutras experiências com outros alimentos. Assim comecei por cortar lâminas finas de gengibre fresco e rodelas igualmente finas de funcho, a que adicionei um pouco de azeite no fundo do tacho para fazer uma espécie de refogado base pouco puxado. Adicionei a dose pretendida de quinoa, depois de muito bem lavada em água corrente e convenientemente escorrida. Depois de um minuto a tostar no azeite temperado adicionei água já a ferver na proporção de um pouco menos do que o dobro da quantidade de quinoa utilizada. Entretanto escaldei abóbora e courgette  cortadas em pequenos cubos e após muito breve cozedura, reservei. Por volta dos dez minutos de cozedura da quinoa, tapada, adicionei a abóbora e a courgette e mexi bem. Voltei a tapar e deixei mais cinco minutos. Nessa altura deitei para o tacho o conteúdo de uma lata de atum Tenório em azeite temperado com tomate seco e manjericão, desfiz e misturei tudo  bem com um garfo, e deixei tapado mais cinco minutos. No fim temperei com pimenta preta acabada de moer e cebolinho picado e servi. Só posso dizer que a experiência foi bem recebida e que volta e meia vou recorrer à quinoa para fazer uns jantares leves...

 

DIXIT - “Para evitar que a escola seja um território de disputas e polémicas que nela não deveriam entrar, impor-se-ia mais bom senso da parte de quem fez a lei, de quem a aplica agora e, naturalmente, dos pais e encarregados de educação destas e de todas as outras crianças portuguesas, que não mereciam ser tratadas como soldados involuntários de guerras que não são delas.” - Vasco M. Barreto e António Araújo.

 

BACK TO BASICS - “Os fins não justificam os meios, mas os meios acabam, quase sempre, por triunfar sobre os fins” - Vicente Jorge Silva

 



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UM ARTISTA DE VARIEDADES - A curiosidade é uma coisa tramada. Dizem até que os gatos correm risco de vida quando são demasiado curiosos. Os portugueses, pelo contrário, têm a sua curiosidade estancada pelas autoridades, e cada vez com maior frequência. Os gatos, por estas bandas, correm risco de vida quando andam nas cercanias dos governantes. Tomemos quatro casos recentes neste rectângulo à beira-mar plantado: a anulação dos debates quinzenais com o Primeiro Ministro na Assembleia da República, cozinhada a meias entre Rui Rio e António Costa com o pretexto de deixar tempo ao Governo para trabalhar; as manobras do Governo para considerar ilegítimo o relatório da Ordem dos Médicos sobre o Lar de Reguengos que criticava as autoridade de saúde locais; a tentativa de esconder o relatório e as recomendações da Direcção Geral da Saúde sobre a festa do Avante!; e, finalmente, o caso da auditoria ao Novo Banco, que foi considerada confidencial. Cada vez que existe um tema quente a primeira reacção deste Governo é esconder os detalhes, negar seja o que fôr, procurar  atirar as culpas para cima de quem estiver à mão. Por vezes os protestos são eficazes, outras vezes nem tanto. No caso do Novo Banco a auditoria retoma aquela imagem da montanha que pariu um rato: afinal estava tudo bem. Lê-se o que nos deixam ler, procura-se um culpado e chega-se à conclusão de que afinal havia outro, como numa célebre canção de Ágata. O Governo está a assemelhar-se a uma estação de rádio especializada em música pimba, para iludir a multidão e distrair as consciências. Costa é um grande artista de variedades, troca de papel com rapidez e à vontade e aparece sempre sorridente em palco. E quando não é aplaudido, lança ele próprio os foguetes - veja-se a sua recente entrevista a um jornal, cheia de fogo de artifício...

 

SEMANADA - O Fisco abriu uma página no Facebook mas ainda não se sabe se é para ter seguidores ou para ir seguindo contribuintes; o Portal das Finanças recebeu 4383 queixas; entrou em vigor o novo regimento da Assembleia da República que contém o acordo de Rio e Costa para acabar com os debates quinzenais entre deputados e o Primeiro Ministro; segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta um terço dos incêndios tem mão criminosa; nas últimas três décadas o valor investido em obras na linha ferroviária que liga Lisboa ao Porto foi de 1,5 mil milhões de euros, o mesmo valor que teria custado fazer uma linha de alta velocidade; as vítimas mortais de acidentes rodoviários em Julho deste ano aumentaram 50% em relação ao mesmo mês do ano passado; mais de metade das estradas portuguesas têm má ou muito má qualidade, revela um estudo do Programa Europeu de Avaliação de Estradas; entre Abril e Junho deste ano o gasto das famílias em produtos alimentares foi de 6,2 milhões de euros, o valor mais alto de sempre num trimestre; as famílias portuguesas gastaram menos 52 milhões de euros por dia na compra de bens e serviços durante o segundo semestre deste ano, em comparação com igual período do ano passado; o desemprego entre jovens até aos 24 anos cresceu 37% este ano; um estudo da Marktest indica que este ano descobrir o país é uma das actividades de que os portugueses mais gostam e 2,5 milhões revelaram essa preferência; cerca de mil parques infantis estão em risco de falência num sector que emprega mais de 3 mil pessoas; a mortalidade em Agosto voltou a ser superior ao normal mas só um em cada cinco mortes em excesso foi devida ao Covid-19, sendo estimado que a redução de assistência médica e de cuidados sociais é a causa mais provável das restantes mortes.

 

ARCO DA VELHA - O PCP continuou a vender bilhetes para a festa do Avante! mesmo depois de já ter ultrapassado a lotação permitida pelas autoridades de saúde.

 

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CONFINAMENTO EXPOSTO  - Isabel Garcia desenvolveu o projecto da sua exposição “Seed”, que inaugura dia 5 de Setembro na galeria Arte Periférica (CCB) , durante o período do confinamento. No texto que escreveu para a exposição,  Filomena Serra  sublinha que os trabalhos apresentados são “um convite urgente a pensar a negociação entre a natureza e o ambiente”. A exposição apresenta pequenos objectos em bronze patinado que são simultaneamente pequenos cofres e sementes e também pinturas sobre tela em duas séries - “Floating Seeds” e “Another Green World”, na imagem, esta última criada a partir da evocação de uma composição de Brian Eno. Em Lisboa a Galeria Vera Cortês prossegue o ciclo de exposições de curta duração que coloca em diálogo obras de dois artistas. Até 9 de Setembro poderão ver os trabalhos de José Pedro Croft e Catarina Dias (Rua João Saraiva 16-1º). No Espaço Exibicionista (Av. Casal Ribeiro 18) Valentim Quaresma apresenta entre 4 e 28 de Setembro a exposição “Once Upon A Time”, feita com base no conceito de criação de peças novas a partir da reutilização de materiais. E para terminar Paulo Brighenti apresentou esta semana um projecto a que devotou muito trabalho, a RAMA - Residências Artísticas da Maceira, localizada na Aldeia da Maceira em Torres Vedras. A RAMA destina-se a artistas, investigadores e curadores nacionais e internacionais e quer nomeadamente organizar residências artísticas, oficinas, exposições e palestras, de forma a  fomentar a relação com a comunidade local, a cultura, os ofícios e os saberes tradicionais, a história e a paisagem rural, aprofundando o conhecimento da região. Mais informações em www.ramastudios.pt

 

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UMA VOZ À PARTE - Há uma dezena de anos Gregory Porter era um ilustre desconhecido. Agora a sua voz de barítono e o seu visual tornaram-se uma imagem de marca entre os cantores de jazz contemporâneos. Em 2017 lançou um álbum basicamente de versões de temas celebrizados por Nat King Cole e o seu último disco de originais datava de 2016. Quatro anos depois regressa às suas próprias composições com o novo álbum “All Rise”, agora editado. Aqui ele mostra de novo os seus talentos de compositor, destacando-se a forma como escreve tendo em conta as suas próprias características vocais e aproveitando-as ao máximo. A sua voz é notável, mas o seu talento de compositor também. Dos 16 temas deste disco destacam-se “Phoenix”, “Merry Go Round”, “Long List Of Troubles” ( e se puderem vejam como neste tema  a voz se harmoniza com o som do orgão Hammond tocado por Ondrej Pivec, “Thank You”, “Revival Song” e a balada “If Love Is Overrated”. Neste seu sexto álbum Gregory Porter vai do jazz à soul, passando pelo gospel. Fez-se acompanhar por uma secção de metais, um côro de 10 vozes e pela secção de cordas da London Symphony Orchestra. O trabalho de produção de Troy Miller ( que entre outros trabalhou com Amy Winehouse), abriu toda a sonoridade do álbum. Disponível no Spotify.

 

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UM MISTÉRIO PESSOANO - Em Portugal há escritores que trabalham angustiados a pensar no prémio Nobel. Foi coisa que nunca passou pela cabeça a Fernando Pessoa. Mas, e se tivesse acontecido? Este é o ponto de partida para “A Segunda Vida de Fernando Pessoa”, de João Céu e Silva. Editado originalmente durante o confinamento sob a forma de folhetim no “Diário de Notícias”, esta foi a maneira que o jornal escolheu para evocar os 150 anos da publicação de um outro folhetim que ficou célebre, “O Mistério da Estrada De Sintra”, de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.  “A Segunda Vida de Fernando Pessoa” conta a história de um homem que, através de experiências esotéricas, encarna um dos heterónimos de Fernando Pessoa e continua a obra do poeta rumo ao Nobel. O livro conta-nos a história de um misterioso especialista em estudos pessoanos que atrai um professor para a sua investigação sobre a relação de Pessoa com Aleister Crowley. Revive-se uma viagem ao passado, desde as primeiras correspondências até ao ponto em que o poeta português ajudou o ocultista britânico a forjar o suicídio na Boca do Inferno. Sem se aperceber, e através de experiências esotéricas e descobertas perturbadoras, o professor vai sendo moldado física e espiritualmente para encarnar Vicente Guedes, o heterónimo a quem inicialmente foi atribuído “O Livro do Desassossego”, e continuar a obra do poeta, rumo ao Nobel. O romance de João Céu e Silva reata a tradição do folhetim, e mantém o seu elemento de suspense entre capítulos, criando uma atmosfera de mistério até ao final. Edição Guerra & Paz.

 

A ARTE DO FILETE - Tudo começou quando me gabaram os filetes de um restaurante na estrada de Birre, a Caminho do Guincho, mais precisamente numa localidade chamada Areia. Disseram-me que “O Correio” era um restaurante simples, com decoração antiga, mas bom serviço, boa confecção e boa matéria prima. A recomendação mostrou-se certeira e numa mesa alargada provou-se de tudo um pouco - os filetes de pescada, acompanhados de arroz de tomate no ponto, eram suculentos, o peixe era fresco e bem cortado, a fritura impecável e foram unanimemente elogiados: noutra ponta da mesa era gabada a carne de porco à alentejana e, no meio, uma massada de peixe com gambas e um arroz de bacalhau com amêijoa também obtiveram sucesso, assim como uns belos carapaus de bom porte. A lista de vinhos tem sugestões correntes sem grandes desvarios, na mesa do lado foram muito gabados os mexilhões à espanhola acompanhados de batatas fritas caseiras. Confirmo pois o que me disseram: a comida é muito boa, o serviço é atencioso e a conta não é pesada. “O Correio” fica na Rua da Areia 1406, com o telefone 214 860 039.

 

DIXIT - “A arte mais exigente da saúde pública é percorrer o estreito caminho entre proteger a saúde das pessoas (...) e evitar excessos na natureza e oportunidade das medidas a adoptar” - Constantino Sakellarides e Francisco George.

 

BACK TO BASICS - “É verdade que o conhecimento pode criar problemas, mas não é permanecendo ignorantes que os evitaremos” - Isaac Asimov


(A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE NO SUPLEMENTO WEEKEND, QUE SAI COM O JORNAL DE NEGÓCIOS DE SEXTA-FEIRA)

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O OFF - As conversas em off com políticos são um terreno armadilhado há muito tempo. Os políticos mais experientes desenvolveram competências extraordinárias nesse domínio. Alguns recusam-se a falar sobre determinado tema e depois dizem alguma coisa do género: “eu disso não falo mas em off sempre lhe digo que é uma escandaleira”; outros falam do assunto mas controlam as palavras e a mensagem - estão no seu direito, claro. O pior é quando no fim da conversa, na despedida, dizem - “sobre aquele assunto, já agora, eles são uns patifes”. Costa é um político muito experiente, veterano de guerras internas em off e on dentro do PS e com doutoramento em mudanças de posição e em insinuações. Acontece que, na minha opinião, quando um jornalista ouve o que agora se sabe, à saída, nas escadas de S. Bento, não lhe ficava mal dizer: “Senhor Primeiro Ministro, esqueci-me de lhe fazer uma pergunta, mas agora responda em on: entende que no lar de Reguengos houve falta de coragem dos profissionais de saúde e foi por isso que a situação se terá deteriorado?”. A pergunta é legítima, podia ter sido feita antes, por qualquer razão não a colocaram. Mas devia ter sido feita a seguir. O mais que se arriscavam era a ter uma resposta como “Não comento”. E claro que teriam irritado um pouco mais o Primeiro Ministro que, como se percebe pelo som da entrevista, estava particularmente irritado com a situação - o que nele também não é invulgar. Como temos visto, António Costa ganhou o hábito, de cada vez que ele próprio cria um problema (como foi o caso com as declarações que fez a propósito da Ministra Godinho), corre a dar uma entrevista para tentar limpar a imagem. Foi o que tentou fazer mais uma vez. Saíu-lhe o tiro pela culatra e a culpa não foi de quem divulgou o off, foi dele próprio. Para piorar as coisas, depois de falar com o bastonário da Ordem dos Médicos chamou os jornalistas para ouvirem o que tinha a dizer sobre a conversa, sem direito a fazerem perguntas. O Bastonário afirma que as declarações que Costa fez no final da reunião não correspondem ao que  foi dito à porta fechada. António Costa é daquele género que nunca erra nem nunca vê razão para apresentar desculpas. Como mais uma vez se viu.

 

SEMANADA - Há 528 estações e apeadeiros activos na rede ferroviária portuguesa que movimentam 24 milhões de passageiros por mês e dez estações, em Lisboa e no Porto, concentram 38% do tráfego total; a ligação ferroviária entre os dois extremos do Algarve, de Olhão a Faro, demora quase três horas, o mesmo que há quase 40 anos; a Via do Infante foi a autoestrada portuguesa que mais tráfego perdeu no segundo trimestre deste ano, e em Abril, durante o estado de emergência registou uma queda da circulação média diária de 81% face ao período homólogo; segundo o Instituto da Mobilidade e dos Transportes em Abril circularam no conjunto das concessões rodoviárias pouco mais de 6 mil veículos, menos cerca de 13 mil do que em Abril do ano passado; segundo um estudo TGI da Marktest nos últimos 12 meses triplicou o número de portugueses que encomenda refeições por aplicações de telemóvel de serviços de entrega e pizza é a comida mais consumida desta forma; segundo o estudo Mediamonitor da Marktest, a situação no lar de Reguengos, entre 17 e 23 de Agosto,  foi referida em 428 notícias de canais televisivos, num total de  14 horas de emissão sobre este tema; em 2019 as fábricas de automóveis em Portugal geraram 2,2% do PIB e só a Autoeuropa gerou 1,7% do PIB nacional, tendo já voltado a produzir 890 automóveis por dia, a um ritmo pré-Covid; Gomes Cravinho, Ministro da Defesa, autorizou uma adjudicação direta, sem concurso, no valor de de 2,1 milhões de euros em vestuário de combate e o Tribunal de Contas considerou que o governante tinha violado a Lei.

 

ARCO DA VELHA - Uma exposição do Museu de Arte Contemporânea, de obras adquiridas nos últimos dez anos, e que está pronta há mais de dois meses, arrisca-se a fechar sem ser aberta ao público por falta de verba para resolver questões técnicas como iluminação e sinalética.

 

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PASSEAR - A pandemia fez-nos redescobrir Portugal. Voltei este Verão a locais onde não ía há mais de 40 anos e devo desde já esclarecer que fiz as reservas com apenas duas semanas de antecedência, estritamente em nome pessoal, pagando o que nos sites respectivos surgiu como proposta. Gabo-me de conhecer bem o país, mas reconheço que, após várias décadas, regressar ao mesmo local, de maneira diferente, faz-nos ver tudo de outra forma. Lembro-me que no final dos anos 70 fiquei tão encantado com Trás os Montes e o Alto Douro que uns anos mais tarde regressei lá numas férias sem destino, só a descobrir. Desde essa altura, no início dos anos 80, nunca mais aí voltara. Tinha algum receio de, agora, ficar desiludido,  mas isso não aconteceu. Primeira constatação: muitos portugueses a visitar Portugal; segunda constatação: muitos espanhóis a descobrirem os territórios da fronteira, em hotéis, restaurantes, nos percursos mais turísticos; terceira constatação: há empresários que em cada local desenvolveram hotéis com bom acolhimento, restaurantes nalguns casos excepcionais e os locais têm uma gentileza e boa disposição a acolher forasteiros que ultrapassa o dever profissional. No norte, do Minho a Trás os Montes, fiquei em bons sítios com menor custo que em sítios menos bons mais a centro. Já aqui falei na semana passada na desilusão que foi a Pousada da Ria, do Grupo Pestana, junto a Aveiro. Foi mais cara e desconfortável que qualquer outro local destas férias. Um dos mais baratos, no Baleal, a Silver Coast Beach Residence, foi um exemplo de bom acolhimento e teve um dos melhores pequenos almoços de toda a viagem. A Casa da Calçada, em Amarante, com um conforto e serviço excepcionais teve um custo menor que a Pousada do Grupo Pestana. Noutro registo,  o Hotel Boega em Vila Nova da Cerveira, informal e acolhedor, faz-nos querer ficar a provar os cozinhados tradicionais que provámos num jantar. E na G Pousada, em Bragança, um empresário local oferece o que noutras pousadas não existe: competência e bom serviço. Se fizesse um ranking do pão servido ao pequeno almoço, a G Pousada arrebatava o primeiro lugar. Nesta viagem descobri quartos com vistas magníficas, como esta imagem que aqui fica de Amarante, onde, se puder, mais vezes regressaremos. 

 

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VER - A primeira surpresa que registo, em todos os locais, é a afluência de público. Por todo o lado onde estive - de Vila Nova de Cerveira a Bragança, vi as exposições com gente, nalguns casos à espera de vez para entrar. Em Cerveira a Bienal, que vai na sua XXI edição, tem propostas muito diversificadas. Destaco a exposição “De Casa Para um Mundo”, que junta obras de artistas plásticos com músicos e escritores, um desafio sempre arriscado e que muitas vezes pode ser penoso. Embora no centro da cidade, o espaço onde é mostrada é ingrato, mas as obras de Ana Fonseca, Cristina Ataíde, Graça Pereira Coutinho e Pedro Calapez, para só citar alguns dos nomes propostos pela curadora Fátima Lambert, suscitam a curiosidade de quem passa. Já Amarante, e o Museu Amadeo Souza Cardoso, são uma conversa à parte: o galerista Fernando Santos pediu a um conjunto de artistas obras que se enquadrassem no título “Fuck Art, Let’s Eat”. E assim Ana Vidigal, José Loureiro, João Jacinto, Julião Sarmento (na imagem), Manuel Baptista, Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez, Pedro Proença e Rui Sanches, entre outros, responderam ao desafio e as suas obras estão perto das de Amadeo Souza Cardoso, que ali nasceu. A terminar quero deixar uma referência a dois locais em Bragança - o primeiro é o Centro de Interpretação da Cultura Sefardita que, com poucos recursos mas num belo projecto de Souto Moura, mostra a importância dos judeus em Portugal desde o nascimento da nacionalidade; e o outro é o museu Abade de Baçal - onde além de obras de arte sacra se destaca a colecção de pinturas de Abel Salazar, os desenhos a tinta da china de Almada Negreiros e, sobretudo a magnífica exposição de fotografia de Duarte Belo, “Sabores da Terra”, a olhar para o território de Trás Os Montes de uma forma que, espero, possa ser mostrada por todo o país. Uma nota final - não planeiem visitar museus municipais à segunda-feira, estão fechados, vá-se lá saber porquê.

 

SABORES - Quando o restaurante da Casa da Calçada, em Amarante, está em jogo no meio de outros locais fica difícil fazer comparações. Galardoado várias vezes com uma estrela Michelin, o Lugar do Paço é uma referência da restauração em Portugal. Sob a direcção do Chef Tiago Bonito, está aberto de quinta a sábado ao jantar e ao Domingo, ao almoço. Quer os menus de degustação, quer a carta, são aliciantes. Nos menus degustação o serviço de vinhos adequado a cada prato é exemplar, revelando pequenos produtores da região com um sommelier que sabe falar do que serve e do porquê das suas propostas. Toda a refeição, e a sua envolvente, são especiais. Não sou um grande fã de menus degustação, mas admito que este superou as minhas expectativas. Os destaques vão nas entradas para o caviar com gema de ovo fumado e para o carabineiro do algarve com açafrão. Nos pratos principais o cherne esteve magnífico e o borrego cheio de sabor e no ponto exacto. A melhor sobremesa foi a beterraba a envolver maracujá. Em Bragança quero destacar a melhor posta mirandesa que já comi: uma carne extraordinária de textura e sabor, bem temperada, cozinhada no ponto, tenríssima, acompanhada por saborosas batatas assadas, enquanto do outro lado da mesa uma desejada truta minhota se revelou um pouco mais seca que o desejável - no restaurante Geada, uma referência local, que aliás depois se expandiu para a Pousada (que já tem uma estrela Michelin) e, mais recentemente para o Gastrobar ComTradição, dirigido pela nova geração da mesma família. Junto ao castelo de Bragança, no ConTradição provaram-se bons pastéis de massa tenra com recheio invulgar em tempero, uma muxama de atum com salada bem temperada e vieiras com panceta de porco bísaro. Tudo satisfez, acompanhado por um espumante local e por um branco da região.



DIXIT - “Muita gente quer convencer-nos que estar sempre a falar de corrupção é uma forma de populismo. O maior truque do diabo é convencer-nos que não existe” - João Miguel Tavares.

 

BACK TO BASICS - “Aquilo que foi feito não pode ser desfeito” - William Shakespeare

 

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ERA MELHOR O SILÊNCIO ? - José Manuel Fernandes fez, no Observador, o melhor resumo do caso do lar de Reguengos: “a morte de 18 seres humanos em Reguengos sobressaltou menos o país do que a morte dos animais em Santo Tirso”. Isto diz tudo sobre o estado da nação. E é com base nesta insensibilidade pela vida humana, sobretudo dos mais fracos e desprotegidos, que o Primeiro Ministro afirma que as críticas à Ministra Ana Mendes Godinho são polémicas artificiais e que entidades ligadas à Igreja vieram pressurosas defender essa “dedicada militante católica” que mostrou a insensibilidade que está à vista de todos e que esperou três semanas, depois dos primeiros avisos e após 16 mortes, para começar a fazer perguntas. Em vez de polémicas artificiais prefiro pensar que há ministros artificiais. Ana Godinho é um case study nesse género. Passou de andar à boleia da mina do turismo em tempo de vacas gordas para o desagradável mundo real onde a miséria se revela. A rápida resposta do Primeiro Ministro neste caso comprova Como gosta pouco de críticas e prefere o silêncio, como bem recentemente se viu no caso da alteração da periodicidade dos debates parlamentares. As palavras incomodam imenso, como se sabe. O pensamento de António Costa sobre as críticas chega longe, dentro do Estado. Por exemplo, a direcção da PSP foi  ainda mais longe e resolveu processar um jornal por um cartoon satírico onde surgiu uma farda daquela polícia numa manifestação racista; azar dos Távoras, poucos dias depois uma página do Facebook ligada a elementos da Polícia de Intervenção, pertencentes à PSP, criticava a decisão de ser dada protecção policial a activistas e políticos ameaçados por uma organização racista.  A decisão de processar o conteúdo humorístico foi a primeira atitude pública de intervenção na sociedade da equipa do novo Diretor Nacional da PSP, Magina da Silva, nomeado pelo Governo de Costa em Janeiro passado. Com um responsável policial que não suporta o humor e não vê o que se passa em casa e com um Primeiro Ministro que elogia uma Ministra da SolidariedadeSolidariedade insensível a mortes estamos bem desgovernados.

 

SEMANADA - O responsável pela autoridade regional de saúde no Alentejo garante ter condições para continuar no cargo mesmo depois de tudo o que já se sabe sobre a incúria com que geriu o caso de Reguengos; Portugal continua entre os 20 países europeus com mais casos novos registados por 100 mil habitantes; António Costa nomeou para seu chefe de gabinete um dos implicados no caso Galpgate, o dos convidados com viagens e bilhetes à borla para assistirem a jogos de futebol da Seleção ; durante a pandemia, foram feitas 88 alterações a leis da área laboral; há 242 mil doentes à espera de cirurgia, cerca de 100 mil destes já ultrapassaram o prazo definido para a sua patologia e 45 mil estão à espera há mais de um ano; segundo a Marktest  a percentagem dos leitores de jornais  que lêem exclusivamente as edições em papel é de 15%, inferior à dos que lêem apenas online (21%), mas a maioria dos leitores, 38% utiliza ambas as plataformas; segundo o  estudo de audiências de rádio da Marktest o auto-rádio é o principal suporte de escuta de emissões de rádio, com 6 milhões e 441 mil utilizadores, e o streaming através de telemóvel é agora o segundo suporte com mais utilizadores com 22.8%, enquanto o rádio portátil baixado para terceiro, com 16%; o mesmo estudo indica que no total, um milhão e 954 mil portugueses ouvem rádio no telemóvel e mais de metade destes ouvintes, 52,6%, têm entre 25 e 44 anos; o cadáver de um cavalo foi abandonado no Estádio Universitário, junto ao hipódromo do Campo Grande, onde esteve alguns dias sem ser detectado.

 

ARCO DA VELHA  - Um homem de 73 anos vendia numa feira de Mirandela uma mistura de sumos industriais que anunciava como remédio infalível contra a COVID-19, a dez euros cada frasco. Vendeu vários antes de a GNR lhe ter acabado com o negócio.

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A VER O MAR - Nestas férias de desconfinamento rumei a norte para rever alguns locais onde não ía há muitos anos. Um deles, bem perto de Lisboa, foi o Baleal e, de uma forma mais geral a zona de Ferrel e de Peniche. A transformação é imensa, sobretudo em torno de actividades ligadas ao surf, mas, apesar da pressão turística que estas coisas sempre trazem, a boa conservação do património natural é assinalável. Fiquei emocionado quando voltei ao Cabo Carvoeiro e revi as rochas, a forma como estão envolvidas no mar, a sua cor, a sua forma. Toda a zona, com aquela enorme baía, e as rochas estratificadas que lhe vão servindo de adorno, é um dos melhores pedaços da costa atlântica portuguesa. O Baleal em si é uma preciosidade, com as suas casas bem conservadas, todas a olharem para o mar, com as pequenas enseadas entre rochas. É curioso ver como coexiste uma população familiar, frequentadora habitual, com surfistas de várias nacionalidades e adeptos de pesca à linha ou de pesca submarina. Mesmo ao Domingo, onde se nota uma enchente de quem ali vem de propósito passar umas horas à praia do Baleal norte, a zona tem um ar tranquilo. Numerosas lojas de material de surf estão por todo o lado, assim como alojamentos locais para surfistas. A escolha da pernoita, aleatória, recaíu no Silver Coast Beach Residence, que ultrapassou as expectativas e onde a estadia rematou com um belo pequeno almoço. A primeira etapa das férias foi bem conseguida.

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A VER A RIA - A segunda etapa das férias teve por destino a zona da Ria de Aveiro. O contraste com a costa da zona de Peniche é total e prova a enorme diversidade de paisagens e experiências de que se pode desfrutar em Portugal em distâncias pequenas. Aveiro é uma cidade especial, nos últimos anos marcada para bem pela Universidade Local, por actividade económica intensa e, para mal, pela silhueta do estádio de futebol proveniente da megalomania socrática do Euro 2004, hoje em dia um espantalho que desfeia a paisagem e ali jaz sem utilização. Bem perto de Aveiro está a Costa Nova, essa língua de terra que atravessa a Ria, maravilhosa. A Costa Nova está bem preservada, com poucos acidentes arquitectónicos estranhos, no geral com estragos controlados. Bons locais para comer, como o renovado Clube de Vela, onde um rodovalho foi o prato forte. O destino final desse dia foi a Pousada da Ria, numa localização absolutamente única, literalmente em cima da água. Esta aera uma das emblemáticas Pousadas de Portugal, uma iniciativa lançada por ideia de António Ferro e que se desenvolveu sobretudo nas décadas de 50 e 60 com construções sólidas e em locais escolhidos a dedo, como esta. Localizada na freguesia da Torreira, e que  faz parte do núcleo Pousadas da Natureza. Também conhecida por Pousada da Murtosa, pode lá chegar-se por estrada, ou num ferry que sai da zona portuária de Aveiro. Há á uns anos um processo de privatização colocou a rede das Pousadas de Portugal nas mãos do Grupo Pestana. Este ano é a segunda vez que vou a uma destas Pousadas e tenho a mesma sensação - a gestão global das pousadas dentro do grupo Pestana tem sérios problemas. Aqui, na Pousada da Ria, os poucos empregados são incansáveis e simpáticos. Esforçam-se mesmo. Mas há falhas graves, que mostram falta de cuidados na administração da propriedade e na sua direção. O quarto tinha uma vista deslumbrante, mas a rede anti mosquitos estava furada e não funcionava - e estando em cima da Ria isso é um problema. E ficava por cima da sala de refeições - onde a porta de ligação à cozinha chiava de cada vez que alguém passava, ouvindo-se tudo no quarto logo bem cedo, quando se preparava a sala do pequeno almoço. Entre melgas e chiadeira o (des)conforto do quarto não valia o preço a que é cobrado. Em tempos as pousadas já foram uma referência de hotelaria e da gastronomia regional, mas já não são. Na cozinha a matéria prima é má (no peixe ou na carne) e a confecção deixa muito a desejar até nos acompanhamentos simples. A cozinha não funciona e a pobreza da oferta estende-se ao pequeno almoço. Se não fosse a diligência dos empregados a estadia na Pousada da Ria teria sido um pesadelo. Assim foi só um caso para esquecer - e a culpa é de quem dirige a organização, não de quem, neste caso, está no terreno a fazer o melhor que pode e com poucas condições.

 

A SABER  A MAR - Na zona de Peniche, onde não faltam sítios para petiscar, sugestão amiga encaminhou-me para o restaurante Profresco, perto do cabo Carvoeiro. A entrada faz-se pela zona da peixaria onde se pode comprar para levar para casa, ou então escolher o peixe que se comerá na zona de restaurante. O preço é o de peixaria, a que acresce, no caso do restaurante, uma taxa de confecção de 9 euros por quilo do peixe pretendido. A escolha recaíu num sargo, fresquíssimo, que foi grelhado no ponto certo, bem acompanhado por batatas assadas (muito boas)  e uma generosa salada. Antes disso tinham vindo para a mesa uns búzios, daqueles que sabem mesmo a mar. Da lista fazem parte como entradas saladinhas de ovas, de búzios ou de polvo, lapas na chapa, mexilhão ao vapor, ostras e sapateira ou santola recheada. Só com entradas destas estaria o petisco feito. Peixes grelhados à parte as opções incluem caldeirada tradicional, pica pau de atum, arroz do mar ou açorda de gambas. A sobremesa foi uma torta de pera rocha, a saber ao fruto e sem demasiado açúcar, que foi acompanhada por uma ginjinha de Óbidos. O serviço é atencioso, a sala é confortável, o vinho da casa é estimável e o preço final é justo. O telefone é o 262 785 186.

 

DIXIT -  “A ministra da Solidariedade e Segurança Social demonstrou insensibilidade social e uma certa sobranceria, o que não é próprio de uma Ministra da Solidariedade” - Marques Mendes

 

BACK TO BASICS - “É preciso ler todos os relatórios” -  Marcelo Rebelo de Sousa

 



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QUAIS PRESIDENCIAIS?  - Em Portugal muita gente interessa-se sobre as presidenciais norte-americanas, sobre a indicação de Kamala Harris para vice-presidente de Joe Biden, sobre as sondagens que são desfavoráveis a Trump e não falta quem emita opinião sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos. É bom querermos saber o que acontece no mundo e termos posição sobre o que se passa noutros países,  mas seria também bom se as preocupações sobre as presidenciais se estendessem igualmente a Portugal, onde as mesmas irão decorrer dentro de poucos meses. Marcelo Rebelo de Sousa continua a manter o tabu sobre a sua recandidatura, mas a coisa arrisca-se a ser a piada mais gasta de todas pelo caminho que as coisas levam. A decisão de não falar do assunto não é um segredo bem guardado: é uma atitude calculada para evitar que o debate se centre já, nestes próximos meses, no que tem sido a presidência de Marcelo, no que ele tem feito como Presidente, para além dos afectos. O tabu, que não é inédito, teve em Cavaco um expoente e é uma arma cínica usada em demasia na política portuguesa. E o tabu tem geralmente como função querer controlar o calendário de debate, forçando que seja o mais curto possível. Marcelo Rebelo de Sousa, que tem uma vantagem esmagadora nos estudos de opinião, não está interessado em que surjam pessoas a apontar que o rei vai nu, mostrando o que correu menos bem. E, se olharmos com detalhe, muitas coisas correram mal - desde as suas primeiras reacções à tragédia de Pedrógão, até às hesitações na abordagem à pandemia e aos efeitos de um desconfinamento mal executado, passando pelo permanente jogo de cumplicidades com António Costa. Se ninguém quer um foco de desestabilização em Belém, também depois deste mandato há quem pense que ficamos vacinados para um permanente baile de máscaras com S.Bento, um jogo de ilusões e seduções. Vamos passar anos terríveis para conseguir sair com o mínimo de dores da situação caótica - económica, social e psicológica - criada pela pandemia. O que precisamos é de alguém que ajude a encontrar um caminho, que o torne desígnio nacional, que vigie a sua execução. O objectivo não pode ser remendar, tem que ser criar as bases para desenvolver. Vamos querer que Belém continue a ser um cenário de selfies ou que se torne num posto de vigilância com autoridade?

 

SEMANADA - Em Portugal, segundo um estudo da Marktest, 3,2 milhões de pessoas têm cães em casa e 2,7 milhões têm gatos; um outro estudo divulgado esta semana indica que o stock de bicicletas esgotou em Portugal no final de Julho passado, tendo a venda dos diversos tipos de velocípedes aumentado 500% depois do desconfinamento; com as regras excepcionais dos exames em tempos de pandemia as notas de 19 e 20 no secundário quase duplicaram e 45% dos alunos tiveram 15 ou mais valores a matemática; os pedidos de subsídio de desemprego atingiram o maior número dos últimos 15 anos e os distritos de Viana do Castelo e Faro são os mais penalizados pela pandemia; as insolvências aumentaram 12,6% nos primeiros seis meses do ano; o passado mês de Julho, com 25,08º de média, foi o mês mais quente desde que há dados de temperatura ambiente, iniciados em 1931; o número de condutores sem carta detectados nos sete primeiros meses foi de cerca de 3000, um aumento de 22% em relação a igual período do ano passado; segundo a Organização Internacional do Trabalho em termos globais 73% dos jovens que estudavam ou combinavam os estudos com o trabalho antes da crise viram as escolas encerrar devido à pandemia e em muitos casos, nem todos conseguiram fazer a transição para o ensino remoto: um em cada oito jovens (13%) ficou sem qualquer tipo de acesso a aulas, ensino ou formação; sobre a festa do Avante! a Ministra da Saúde afirmou que  “não será permitido o que está proibido nem proibido o que está permitido” .

 

ARCO DA VELHA - Há linhas ferroviárias onde os comboios têm dificuldade em circular por causa dos ramos de sobreiros que invadem a via e que não se podem podar por serem espécie protegida, vigiada pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.

 

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ROCK EXPO - “Velvetnirvana” é o título da exposição que agrupa fotografias, livros, cartazes, capas de discos, fanzines, flyers, revistas e memorabilia diversa da colecção de António Neto Alves, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez. O material exposto inclui centenas de peças que vão desde 1965, data das primeiras aparições dos Velvet Underground, a 1994, ano da morte de Kurt Cobain.  Na imagem está a reprodução de um desenho de Patti Smith, de 1972. A exposição está articulada em quatro grandes núcleos (Velvet Underground; Nova Iorque experimental; Incandescência punk e Pós?) e é uma viagem pela ligação entre a música e as artes visuais, desde a banana de Warhol na capa do primeiro disco dos Velvet Underground e retrata uma época em que a colaboração entre designer gráficos e bandas era frequente e muitos músicos desta geração tinham formação na área de belas artes. Em “Velvetnirvana” podem ver-se  também trabalhos de portugueses, como uma obra inédita do fotógrafo Paulo Nozolino (Brixton, London, 1979) apresentada num conjunto de painéis com cinco polaroids ampliadas, imagens de Pedro Fradique do concerto dos Sonic Youth no Campo Pequeno, em 1993 e, a culminar, fotografias do concerto dos Nirvana em Cascais, em 1994, da autoria de Rita Carmo. A exposição está no Pavilhão Branco (Campo Grande 245) de terça a domingo, entre as 14h30 e as 19h00, até 27 de Setembro.

 

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CONTOS FANTÁSTICOS - "Ficções" é  talvez o livro mais reconhecido de Jorge Luis Borges e tem agora  nova edição portuguesa, da Quetzal, numa tradução de José Colaço Barreiros. Esta é a primeira edição de uma série que a Quetzal vai fazer com obras do autor argentino que foi uma das mais importantes figuras da literatura do século XX.  Publicado pela primeira vez em 1944, Ficções inclui contos fundamentais para entender o universo de Jorge Luis Borges, como «O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam», «As Ruínas Circulares» ou «A Biblioteca de Babel». Há narrativas de natureza policial, como «A Morte e a Bússola», a história de um detetive que investiga o assassinato de um rabino e outras, que recriam livros imaginários como «Tlön, Uqbar, Orbis Tertius», reflexão extraordinária sobre a literatura e sua influência no mundo físico. Outras  podem ser consideradas fundadoras do moderno género fantástico, como «O Sul», que, nas palavras do próprio autor, é talvez a sua melhor história. A capa  desta edição reproduz um pormenor de uma obra de  Hieronymus Bosch, As Tentações de Santo Antão, que faz parte da colecção do Museu Nacional de Arte Antiga. Tal como as pinturas de Bosch, o universo de Borges é povoado de sonhos, delírios, labirintos, geometrias obscuras, referências a espelhos, animais, abismos e a textos apocalípticos.

 

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CANÇÕES & HISTÓRIAS - Assim de repente, sem grandes avisos prévios, Taylor Swift saíu-se com novo álbum, o oitavo da sua carreira, intitulado “Folklore” e que é uma colecção de 16 canções simples, directas, narrativas, que são do melhor que ela tem feito ao longo da sua carreira. A realidade é que Swift aproveitou o confinamento para se dedicar a este projecto, que é publicado um ano depois de o anterior álbum, “Lover” ter sido aclamado. Mas este é melhor, mais canções com história, mais envolventes, mais fortes. Guitarra acústica e piano são dominantes neste “Folklore”, que em grande parte foi feito em conjunto com o guitarrista dos National, Aaron Dessner. Com os planos de 2020 alterados devido à pandemia, Swift à falta de concertos,  começou a escrever estas pequenas histórias que resultam tão bem e gravou-as. Além de Dessner, numa das canções há a participação de Bon Iver em “Exile” - um dos momentos incontornáveis do disco e também do seu tradicional colaborador Jack Antonoff. O que não falta neste álbum são boas canções, como “The Last Great American Dinasty”, “Seven”, “August”, “Invisible String”, “Betty” ou “Hoax”, para só citar algumas mais marcantes. Mas o mais extraordinário é a qualidade de todas as canções, a riqueza do seu conteúdo, a simplicidade da música - uma combinação rara nos dias de hoje. Há quem já tenha escrito que este é o seu melhor disco e é bem possível que seja assim. Disponível no Spotify.

 

PETISCOS - O take away entrou definitivamente nos nossos hábitos e agora começam a surgir mais empresas que confeccionam e entregam elas próprias a comida que preparam sem terem porta aberta para a rua. Francisco Completo tem uma carreira na restauração com casas como a Tasca Urso, a Tasca República, o Ah! e o Veneno. Agora criou o “Despacha-te Xico”, que confecciona diversos pratos que depois entrega. Os pedidos podem ser feitos na página facebook.com/despachatexico/ ou no instagram em despachatexico - em ambos podem consultar o menu, que em breve será alargado. Não há ponto de venda, a entrega é feita na morada indicada pelo cliente todos os dias das 10,30 às 20,30, num círculo alargado dos concelhos da grande Lisboa - a encomenda deve ser feita de véspera. As tartes são a sua especialidade - de pato, de requeijão e espinafres, de perdiz, de camarão, de galinha do campo e de bacalhau, além dos pastéis de massa tenra de lombo de novilho. Há várias sobremesas e vinhos alentejanos, da Espargueira. Recentemente tive ocasião de testar o serviço e provar a tarte de bacalhau, acompanhada de ervilhas à francesa. Foi tudo entregue em casa no horário combinado, a tarte deu bem para seis convivas e todos elogiaram o petisco, ervilhas incluídas. Os preços são honestos, mas destaco que a confecção é apurada e que a matéria prima (no caso o bacalhau) era boa e abundante. Coisinha para repetir - ou ir experimentando outras variedades. 

 

DIXIT - “Ouço professores catedráticos dizerem coisas que antes ouvia dizer a abades minhotos” - Pedro Mexia.

 

BACK TO BASICS - “Quando pedimos um conselho geralmente é porque procuramos um cúmplice” - Marquis de la Grange

 







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POLÍTICOS ESFEROVITE - Quando fiz o liceu gostava da disciplina de trabalhos manuais, aprendi lá uma série de coisas que me têm sido úteis ao longo da vida. Uma delas foi trabalhar com esferovite. Cedo descobri que é um material que se desfaz com facilidade e que se derrete quando se aplica cola celulósica para juntar pedaços. Ocorreu-me que há uma enorme semelhança entre políticos e esferovite. Sabem porquê? Quando os políticos não têm ideias e se desfazem em palavreado incongruente, qual o material que me vem à cabeça ? A mim parece -me que a esferovite domina a política portuguesa. O partido com maior dose de dirigentes esferovite parece-me ser o PSD e estou em crer que Rui Rio é o rei da esferovite - desfaz-se por pouco, derrete-se cada vez que se quer colar a Costa. Pelo caminho que as coisas levam, segundo vou lendo, está a comprar uma cola especial para se juntar a André Ventura e ao Chega. É o mais rápido caminho para se dissolver de vez. Rui Rio tem tido uma habilidade invulgar em destruir os valores da marca PSD - já na Câmara Municipal do Porto tinha dado sinais disso e agora como Presidente do partido tem mesmo excedido essa capacidade. Ele é um homem que se gaba de não olhar para a ideologia, de preferir andar aos zigue-zagues a percorrer linhas rectas e despreza a estratégia a favor da táctica. É sério candidato a ganhar o oscar de pior dirigente partidário desde 1974. Por estes dias Artur Torres Pereira, um respeitado autarca e quadro social-democrata, deu uma entrevista cujo título diz tudo sobre Rui Rio, que frequentou em novo uma escola privada alemã: “Rio devia ter frequentado uma boa escola pública portuguesa”. Não é preciso dizer mais nada.

 

SEMANADA - As consultas presenciais nos centros de saúde sofreram uma quebra de três milhões entre Março e Maio; este foi o mês de Julho com mais mortes em 12 anos e o covid-19 só explica 1,5% dos óbitos;  o aumento de óbitos em julho foi de 26% face ao mesmo mês de 2019 e especialistas apontam falhas no acesso aos serviços de saúde por causa da pandemia e a onda de calor como as principais causas; o número de veículos detectados em contramão nas autoestradas subiu 37% em 2019; segundo a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares, a impossibilidade de suportar os encargos habituais, nomeadamente pessoal, rendas, energia e fornecedores, leva 43% das das empresas de restauração e bebidas em Portugal a ponderar a insolvência a curto prazo; mais de cem câmaras municipais foram multadas por falta de limpeza do mato; até final de Julho chegaram ao Portal da Queixa mais de 9 mil reclamações relacionadas com compras online, um aumento de 213%; devido à pandemia a Mealhada já cancelou os desfiles do Carnaval de 2021; segundo o Instituto Nacional de Estatística 644 mil pessoas não trabalharam no emprego principal nem em casa nem em outro local durante a pandemia e 23,1% da população empregada trabalhou a partir de casa durante esse período; as emissões de dívida pública portuguesa no primeiro semestre do ano atingiram 97,7% do inicialmente orçamentado para todo o ano, totalizando 9693 milhões de euros.

 

ARCO DA VELHA - Na Figueira da Foz uma mulher tentou pegar fogo ao marido, depois de o regar com um líquido combustível, no seguimento de uma discussão conjugal.

 

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ESCULTURAS ANIMADAS -  Na Grã-Bretanha foi criado no início dos anos 80 um movimento chamado New British Sculpture e Julian Opie é, entre os artistas que lhe estão ligados, um dos mais conhecidos. Ganhou notoriedade na década de 80 e o seu estilo foi evoluindo, primeiro de silhuetas de metal para mais tarde utilizar figuras feitas em painéis luminosos com um traço minimalista. Até final do mês de Agosto pode ver obras inéditas do artista no Museu Colecção Berardo numa exposição onde as crianças são bem vindas e que pode ser uma boa porta de entrada no mundo da arte contemporânea. As obras estão expostas nos pátios e jardins interiores do CCB e nas galerias dedicadas à arte contemporânea do Museu. Esta é a primeira exposição individual de Julian Opie em Lisboa e a maioria das obras que se apresentam no Museu Coleção Berardo foram produzidas especificamente para esta exposição e galeria, permitindo tirar partido das paredes de oito metros de altura e também do teto, ainda mais alto. As pessoas são o tema central da exposição, retratadas de várias formas e com vários materiais: ora estáticas, ora em movimento; ora pintadas, ora esculpidas. Também há lugar para alguns edifícios e animais, por forma a alargar a temática. Na segunda sala, diferentes animações de computador usam LED intermitente para mostrar pombos estilizados pulando sem rumo e saltando de uma tela para a outra. Para a última sala, foi produzida uma instalação gigantesca que, com inspiração na belíssima Torre de Belém, nos remete para a arquitetura manuelina. O serviço educativo do Museu possibilita visitas orientadas e atividades para escolas e famílias, podendo as marcações ser feitas pelo telefone 213 612 800.

 

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A CONQUISTA DE  PARIS - Para assinalar os 100 anos de Amália Rodrigues, a Valentim de Carvalho lançou mais uma cuidada edição  do espólio da fadista, organizada por Frederico Santiago, e que inclui várias raridades e inéditos. Trata-se da caixa "Amália em Paris",  composta por cinco discos gravados ao vivo e um livro de 94 páginas com fotografias raras, uma cronologia das actuações de Amália na capital francesa, e um texto do historiador Jorge Muchagato que enquadra a época em que estas gravações foram feitas e o ambiente que se vivia na capital francesa. O primeiro disco foi gravado no Olympia em 1956, o segundo reúne registos ao vivo inéditos feitos pela rádio francesa entre 1957 e 1965, o terceiro tem um recital inédito no Olympia em 1967 e, por fim, um disco duplo com a gravação, também  inédita, de um espectáculo nessa mesma sala em 1975. Ao todo são 88 faixas. Frederico Santiago recorda que em meados dos anos 50 Amália já tinha ido actuar ao Brasil frequentemente desde 1944, recorda as suas actuações nos concertos do plano Marshall em 1950 e as séries de espectáculos em nova Iorque e no México em 52, 53 e 54. Mas, sublinha, “foi o triunfo parisiense, em 1956, que fez o mundo de então reconhecer em Amália uma das maiores cantoras do século.” Quando Amália se apresentou em Abril de 1956 no Olympia de Paris, deparou-se com um público culto e sofisticado habituado a grandes nomes internacionais, mas também com um mundo que renascia das cinzas de 1945, com toda a esperança que a prosperidade do pós-guerra permitiu. “Foi esse público que a arte e a coragem de Amália tocaram tão profundamente. E digo coragem porque Amália mostrou-se a essa plateia, tão rigorosa e exigente, com uma arte arriscada e autêntica, sem orquestrações ou coreografias, sem muletas. Apenas uma guitarra e uma viola. Apenas a voz e o negro. Negro no vestir, no cabelo, no olhar” - assim resume Frederico Santiago a forma como Amália conquistou Paris. Disponível em caixa de CD’s e no Spotify.

 

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RELATOS DOS PALCOS DO ROCK’N’ROLL - O mais recente livro de Patti Smith começa na noite de fim de ano, após um concerto na mítica sala do Fillmore em São Francisco, com a chegada da cantora ao motel Dream Inn em Santa Cruz, Califórnia, no início de um novo ano:  terminava 2015 e 2016 ía começar,  Patti Smith iria fazer 70 anos e continuava na estrada a fazer concertos, a recitar poesia e a fazer as suas declarações políticas entre canções, cada vez mais intensas. Este livro, “O Ano do Macaco”, publicado originalmente em 2019 e agora editado em Portugal numa boa tradução de Hélder Moura Pinheiro, é um registo itinerante do que Patti Smith sentia ao longo da digressão, dos episódios que mais a marcaram, desde a morte de amigos ao recordar de canções dos Grateful Dead, entre concertos e noites de sono leve em quartos de hotel. Este “O Ano do Macaco” é já  o seu terceiro livro de memórias, que como sempre inclui fotografias feitas pela própria Smith, conversas imaginadas e citações como esta, de Gerard de Nerval: “o sonho é uma segunda vida” ou ainda esta de Antonin Artaud: “abate-se sobre o mundo uma loucura fatal”. E é entre estas duas citações que a narrativa se desenvolve, com uma meditação sobre a morte, a política e a arte. O livro relata uma sua passagem por Portugal em 2016, quando tocou no Coliseu de Lisboa, e depois fez uma visita à casa Fernando Pessoa e se sentou na Brasileira do Chiado a tomar um café, bebida que ela adora. De Lisboa, Patti Smith  diz que é «a cidade ideal para nos deixarmos levar pelo tempo». O livro começa depois de um concerto em S. Francisco e  é lá que acaba, mais uma vez no Fillmore, depois de correr mundo. «Subimos ao palco na esperança de que o entusiasmo que vamos pôr na nossa atuação possa dar às pessoas alguma alegria», assim resume ela a sua vida.



DESILUSÕES RESTAURATIVAS - Quando os restaurantes começaram a abrir, após o confinamento, procurei voltar aos locais que mais me agradavam. Um dos primeiros a que regressei foi ao Nómada, onde a equipa de sempre me serviu bem e a refeição correspondeu. Algum tempo depois voltei lá, num contexto diferente, de um almoço de trabalho com mais duas pessoas, e tive uma das piores experiências de serviço da minha vida. Um empregado que ficava melhor a vender carros avariados em segunda mão, e que por felicidade nunca antes me havia surgido à frente, resolveu alterar todo o pedido que já tinha sido feito ao empregado que primeiro nos atendeu e, para além de uma sugestão que foi aceite, adicionou pedidos sem avisar nem alterar os anteriores, num abuso que, creio, tem até a ilegalidade de colocar em cima da mesa o que não havia sido pedido. Assim se estraga a confiança que havia sido depositada num restaurante - e a culpa não foi da cozinha nem do atendimento inicial. Fica-se com a impressão que o objectivo agora é aumentar as facturas, sem olhar a meios. Nesse dia o Nómada foi uma desilusão e a minha confiança nele ficou bem abalada. Nunca me tinha acontecido, lá ou em outro restaurante. São estes incidentes que me fazem gostar ainda mais dos locais onde não tenho más surpresas, dos valores seguros. 

 

DIXIT - “Eu digo tudo nas linhas e quase nada nas entrelinhas” - Marques Mendes

 

BACK TO BASICS - “Se uma pessoa começa por ter certezas acaba a ter dúvidas, mas se começar por ter dúvidas terminará a ter certezas” - Sir Francis Bacon

 





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E NO FUTURO? - O Plano Costa e Silva é-me simpático. Gosto de alguém que tem a coragem de dizer que não lhe interessa se lançar ligações rápidas de ferrovia se deve chamar alta velocidade ou velocidade alta, o que é preciso é desenvolver a ferrovia; mas não gosto de quem numa viagem de 300 quilómetros quer já começar a criar apeadeiros, como já via alguns autarcas fazerem. É este síndrome do apeadeiro, do satisfazer todas as clientelas, de fazer um favorzinho local que nos trama. A coisa complica-se porque para o ano há eleições autárquicas e a tentação da prebenda e do favor ao putativo candidato vai ser grande. Gostei de ouvir um membro do Governo dizer que antes de construir um novo aeroporto e derreter lá milhões vale a pena estudar a utilização de Beja e construir ligações rápidas para lá. Gosto de quem não aceita a fatalidade de promessas ínvias e se dispõe a olhar para a realidade. O que mais desejo ao plano apresentado por Costa e Silva é que consiga fazer alguma coisa do que lá está indicado, que não se caia no facilitismo do turismo efémero e que se pense numa estratégia consolidada de desenvolvimento, de apoio a empresas que criem valor acrescentado na produção industrial que podem fazer. Espero sinceramente que daqui a uns anos o Estado saiba onde anda o Plano Costa e Silva e o balanço que dele é feito, Recordo que o célebre Relatório Porter, que continha boas pistas, anda desaparecido nas grutas fantasmagóricas dos Ministérios, ninguém sabe (li há pouco…) onde anda o original e ninguém se deu ao trabalho de avaliar quais as propostas apresentadas que  foram para a frente e com que resultado. O plano Costa e Silva precisa de investimento, já se sabe que vêm aí milhões da Europa - o meu desejo é que estes sirvam para alguma coisa de produtivo e não para encher uns quantos bolsos ou fazer obras de fachada. Como li esta semana, “aprecie-se o fado, mas abandone-se o queixume”. E olhe-se para o futuro, sem complexos nem pagamentos de promessas.

 

 SEMANADA - No Parlamento o Governo Só respondeu a 65% das perguntas enviadas pelo partido durante este ano parlamentar, de Outubro a Julho; a Assembleia da República recebeu nesta sessão 373 sugestões de cidadãos; na sessão legislativa que agora finda o Parlamento aprovou mais leis propostas pelo PCP do que pelo PS;  o Novo Branco vendeu a preço de saldo 13 mil imóveis a um fundo localizado nas ilhas Caimão e foi o próprio banco que fez o empréstimo para se fazer o negócio que gerou perdas de centenas de milhões, cobertas pelo Fundo de Resolução; a economia portuguesa perdeu, entre os meses de Fevereiro e de Maio, cerca de 183 mil empregos; cada computador utilizado para fins pedagógicos nas escolas tem de ser partilhado em média por cinco alunos; durante os primeiros seis meses do ano a receita fiscal caíu 14%; internamento médico em casa passou de 549 a 2722 entre maio do ano passado e deste ano; a polícia Judiciária estima que a lavagem de dinheiro em Portugal feita por redes internacionais duplicou em apenas meio ano; o Banco de Portugal detectou até meados de Julho 21 entidades de crédito a actuar em Portugal, mais do dobro do total registado na totalidade de 2019; em Julho foram registados mais de 2000 incêndios; um estudo recente indica que minorias étnicas ou religiosas aparecem em apenas 2% das notícias; durante o período do confinamento registou-se em Portugal menos 30% de ruído e as duas primeiras semanas de Abril foram as mais silenciosas; houve cinco grandes operações de créditos e imóveis que provocaram perdas de 600 milhões de euros no Novo Banco, uma delas envolvendo uma empresa onde anteriormente trabalhava o actual chairman do Banco.

 

ARCO DA VELHA -  O Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra está há 11 anos a decidir se é legal uma urbanização em Carnaxide, em grande parte construída e onde já mora gente.

 

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DOCUMENTOS FOTOGRÁFICOS -  Nos últimos anos a fotografia ganhou novas formas de visualização - não só nas redes sociais, em particular no Instagram, mas também através de edições limitadas de revistas, fanzines, e livros. João Miguel Barros é um advogado e fotógrafo que divide a sua vida entre Macau e Lisboa , e também entre o Direito, organização de exposições e à edição. ZinePhoto é o seu projecto editorial, de autor, a preto e branco, cada edição dedicada a um tema autónomo. O primeiro número de ZinePhoto é dedicado à Wisdom School, no Gana. As imagens deste número integravam a exposição “Wisdom” realizada em macau em Junho de 2019. Cada número, impresso de forma cuidada em máquina plana, num grande formato (40x28,5cms), com acabamento manual, é um objecto de colecção. O número 1 teve 500 exemplares editados e o número 2 de ZinePhoto teve 300 e é dedicado a Jamestown, um bairro que data do século XVII da cidade de Accra, também no Gana, país a que João Miguel Barros se dedicou, realizando ali vários ensaios fotográficos. Detentor de vários prémios internacionais o trabalho de Barros é tipicamente focado em temas sobre os quais trabalha com persistência, como acontece nestes dois primeiros números do Zine Photo, que pode ser encontrado em Lisboa no Photo Book Corner, brevemente na Under The Cover (ambas na Marquês Sá da Bandeira) e na Stet (Alvalade). 

 

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SAMBA STREAMING - Uma das vantagens de uma playlist de uma das plataformas de streaming é pôr a coisa a tocar um par de horas, no estilo de música que escolhemos, e ficar a ouvir a música. Por estes dias a etiqueta Verve, uma das referências musicais da indústria discográfica, criou a playlist Summer Samba, disponível nomeadamente na Spotify e Apple Music, com 53 temas e mais de quatro horas de música. Aqui estão nomes incontornáveis como Astrud Gilberto, Stan Getz, João Gilberto, Edu Lobo, Sérgio Mendes, Elis Regina, António Carlos Jobim, Bebel Gilberto, mas também Diana Krall, Milt Jackson, Dizzy Gillespie, Joe Henderson, Wes Montgomery, Coleman Hawkins, Quincy Jones ou Herbie Hancock. Esta é a época em que a bossa nova se cruzou com o jazz, em que os músicos americanos descobriram os brasileiros e vice-versa. Canções como “Garota de Ipanema” em várias versões, “Corcovado”, “Água de Beber”, “Samba De Uma Nota Só”, “Águas de Março”, “O Pato”  ou “Berimbau” entre muitas outras. E no YouTube podem ver alguns dos vídeos, na videoplaylist Summer Samba. Em qualquer das versões, audio ou vídeo, é grande companhia para um fim de tarde.

 

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LISBOA FORA DAS CIDADES DA MONOCLE - A edição de Julho/ Agosto da Monocle é habitualmente um exemplar de referência, que engloba a avaliação”Quality Of Life”, um ranking de bons sítios onde se pode viver. Muito dedicado às cidades, à vida além do confinamento, ao ressurgir do comércio de rua e à descoberta de bons lugares, este número da revista dá muitas pistas para pensar. Este ano o quadro de avaliação mudou do padrão habitual e a “Monocle” foi à procura de novos projectos urbanísticos, que estão a tentar trabalhar para que as suas comunidades tenham uma vida melhor e sejam mais felizes. Lisboa deixou, portanto, de estar no ranking, já que Medina virou a cidade para os visitantes e ignorou deliberadamente as comunidades locais, os lisboetas, aqueles que vivem na cidade há décadas. Facilitou a sua expulsão e quis brincar aos legos dentro do espaço urbano. O resultado é péssimo para quem cá vive. Adiante na “Monocle” de Verão. Génova, Zurique, Estocolmo, Hamburgo e Copenhaga são destaques na Europa, Seattle e Vancouver no continente americano, e Kuala Lumpur, Bangquoque, Beirute e Nairobi no resto do mundo. Analisando a acção de responsáveis na governação de cidades a revista elogia Jose Luis Martinez- Almeida, o Alcaide de Madrid que, tendo sido eleito à direita conseguiu ganhar o apoio alargado dos madrilenos pelo trabalho desenvolvido durante o confinamento e no desconfinamento. Ora aqui estão também duas situações em que Medina não funcionou. Para o ano há autárquicas espero que se lembrem disso se por acaso surgirem candidatos que se vejam.  

 

SALADA FRIA - É verão, está calor, o que fazer para um almoço de amigos? Conselho: comprar umas postas de garoupa (podem ser do rabo da dita),  juntar uns camarões descascados (podem ser congelados) de bom tamanho, cozer a garoupa de forma a ficar consistente, reservar no frio. Em relação à alface o meu conselho é cortá-la fina, misturá-la com tomate cherry maduro cortado em oitavos, pepino aos cubos pequenos, alcaparras. Quando tudo estiver pronto e misturado, envolver o peixe os camarões já preparados e depois adicionar uma maionese - eu ultimamente gosto de temperar a maionese da hellman’s com sumo e raspas de casca de lima e também pimentão doce fumado, sal e pimenta, tudo bem misturado e em seguida envolvê-la na salada com todos os ingredientes. Aconselho a ter de lado pão torrado ou tostas para ir acompanhando. Na parte mais líquida, digamos assim, tenho a proposta de um vinho fresco, recentemente introduzido no mercado, o 100% Alvarinho 2019 de João Portugal Ramos, aromático, cítrico, com um bom final. Óptimo para combinar com uma salada fria de bom peixe. Enjoy, que o verão não dura sempre.

 

DIXIT - "Os clubes de futebol em Portugal não ficam rigorosamente nada atrás dos exércitos de Trump, Bolsonaro ou Modi na Índia. Os assessores passaram a ser diretores de propaganda” - Ricardo Costa, Diretor de Informação da SIC

 

BACK TO BASICS - “Há reuniões que são indispensáveis quando o objectivo é fazer com que nada avance” - John Kenneth Galbraith

 

 

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