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LÁ VAI LISBOA - As eleições autárquicas são aquelas onde os eleitores se podem sentir mais próximos dos eleitos e, teoricamente, a governação feita nas autarquias, mais do que qualquer outra, deveria ter em consideração os desejos das pessoas e a existência de uma relação de proximidade. Lisboa é um caso gritante de abuso dos Paços de Concelho, que só não se revela pior graças à acção de várias juntas de freguesia que se preocupam, essas sim, com o bem estar das pessoas que lá vivem. Peguemos por exemplo na modernização administrativa. É inegável que a nível da administração central as coisas estão mais fáceis e fluídas e diminuiu, em muitas áreas, a burocracia. No entanto, numa cidade como Lisboa, é o contrário que acontece: a burocracia parece que aumenta a cada passo e apesar de muitas promessas de Fernando Medina, o licenciamento de obras continua a ser uma lotaria, as demoras são insuportáveis, os critérios não são uniformes. Em algumas áreas os serviços centrais da autarquia servem para sustentar o poder e não para servir os cidadãos - e essa é uma das maiores falhas da gestão de Medina. Mas pior ainda é, com o argumento de contornar a burocracia, a substituição de eleitos por nomeados - concentrando demasiadas funções e decisões em empresas como as Sociedades de Reabilitação Urbana, a EMEL ou a EGEAC, que aumentaram de poderes, competências e falta de controlo durante os últimos anos. Elas não são escrutinadas pelos eleitores, apenas pelos responsáveis políticos que as nomeiam. E hoje em dia poucos são os que não reconhecem que a gestão de Medina trabalhou mais para fazer uma cidade virada para fora e para quem a visita do que para dentro e para quem cá vive. Nada disto - decisões tomadas por não eleitos, aumentos de taxas, decisões contra os interesses locais de munícipes - foi a votos nas anteriores eleições. Mas é bom que, nas próximas autárquicas, quem concorre diga ao que vem.

 

SEMANADA - Três antigos assessores presidenciais, de diferentes quadrantes políticos, criticaram a decisão política de Marcelo Rebelo de Sousa no caso da Lei dos Apoios Sociais; João Ferreira, do PCP, que tem sido o candidato indicado pelo seu partido para vários cargos, está a iniciar a sua sexta campanha eleitoral nos últimos oito anos; segundo associações empresariais do sector do calçado em 2020 houve uma quebra de venda de cinco mil milhões de pares de sapatos a nível mundial; um estudo realizado pelo Sexlab, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, concluíu que quase metade dos inquiridos (47%) fizeram menos sexo durante a pandemia e 40% deram conta de uma diminuição da satisfação sexual durante o mesmo período; em 2020, segundo a APAV, 23 mulheres, 4 homens, 5 crianças e 4 idosos por dia foram vitimas de violência doméstica; desde o início da pandemia, mais de 116 mil pessoas foram já empurradas para o desemprego e o segundo confinamento agravou o desemprego em 78% dos concelhos do país; o Relatório Anual de Segurança Interna relativo a 2020 indica que a ciberespionagem cresceu no ano passado em Portugal - China e Rússia estão entre os países suspeitos; mais de metade (54%) dos portugueses ficaram em casa desde sexta-feira até domingo de Páscoa, uma diminuição em relação a 2020, quando 74% dos portugueses respeitaram o dever de confinamento; por causa da pandemia houve uma diminuição de 21% de transplantes de orgãos em 2020 e mais 24 pessoas morreram no ano passado enquanto aguardavam um transplante. 

 

ARCO DA VELHA   - Vários dias depois do início da venda de testes rápidos em farmácias os formulários para reportar os resultados desses autotestes não estavam disponíveis.

 

FS 1664_Jorge Molder_Sem título (da série Tang

MOLDER EM CINCO SÉRIES DE ÉPOCAS DIFERENTES - Esta foi a semana de abertura de museus e galerias. Até 3 de Outubro poderá ver, no mezanino da Biblioteca de Serralves, uma seleção de fotografias de Jorge Molder feita a partir do vasto conjunto de obras do artista que fazem parte do acervo da Fundação. São apresentadas fotografias das séries “T. V.” (1995), “La Reine vous salue” (2001), “Tangram” (2004/08), “Call for Papers” (2013) e ainda “Zizi” (2013). O trabalho de Molder é conhecido sobretudo pelas suas fotografias a preto e branco, em que o artista se auto fotografa (apenas o rosto, corpo inteiro ou as mãos) vestindo habitualmente fato escuro e camisa branca, ideia que é contrariada pelas duas séries mais recentes. As referências provenientes da literatura, do cinema, da música ou da história da arte, bem como o quotidiano, vida e a sua natureza incerta e imprevisível, são fundamentais na sua obra, na medida em que podem constituir o ponto a partir do qual se pode derivar e construir algo. Como a exposição tem lugar na Biblioteca, a mostra é complementada com um conjunto de referências bibliográficas importantes para o artista disponíveis para consulta e com a apresentação de alguns dos seus livros e catálogos de exposições. A curadoria é de Isabel Braga. A fotografia aqui reproduzida, do cartaz da exposição, é da série “Tangram”. Ainda em Serralves permanece até final de Junho a exposição dedicada ao trabalho de fotografia do cineasta Manoel de Oliveira. E, ainda no Porto e na fotografia, destaque também para a Galeria Salut Au Monde (R. Santos Pousada 620), até 8 de Maio, poderá ser visto o novo trabalho de Tito Mouraz, “Mergulho”, uma coleção de fotografias instantâneas tendo como ponto de partida as paisagens açorianas. 

 

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CANÇÕES AMERICANAS - Durante muito tempo torci o nariz à música country. Era um preconceito, reconheço, descabido ainda por cima. Os programas de rádio que Jaime Fernandes fez durante vários anos espicaçaram-me a curiosidade o suficiente para querer saber mais. Um dos nomes que descobri neste percurso foi o de Loretta Lynn, que agora está a fazer 89 anos e que tem uma carreira de seis décadas. Em 2002 ela lançou um livro com as suas memórias, “Still Woman Enough”, e agora um álbum com o mesmo nome, o seu 50º em estúdio, que revisita a sua carreira através de novas gravações de standards da country music, de êxitos seus e de um original, que dá o título ao álbum e que é a faixa de abertura, na qual é acompanhada por duas convidadas de peso na country  - Reba McEntire e Carrie Underwood. A canção - e o disco - relatam a carreira e a vida de Loretta Lynn desde o Kentucky até se tornar num dos grandes nomes da música popular americana. O álbum é co-produzido por John Carter Cash e pela filha de Loretta, Patsy Lynn Russell e nas suas 13 faixas encontramos interpretações de êxitos da carter Family e de Hank Williams, além de originais seus e êxitos popularizados por outros nomes da country. Os arranjos são simples, deixando espaço à voz de Loretta Lynn, como aliás se pode ver em “I Saw The Light”, um tema de Hank Williams ou em “Keep On The Sunny Side” e “I’ll Be All Smiles Tonight”, da Carter Family, privilegiando instrumentos acústicos. Já na versão do clássico “Honky Tonk Girl”, Loretta faz-se acompanhar por vários músicos, no tema que mais se aproxima do som de Nashville.  “I know how to love, lose, and survive,” canta Lynn em “Still Woman Enough” e dificilmente uma canção poderia resumir melhor uma vida como a sua.

 

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TEORIA POLÍTICA - “Que acontece à política e às suas instituições específicas quando o ambiente tecnológico se altera desta maneira? Que transformações políticas associamos à robotização, à digitalização e à automatização?” - esta é uma das muitas perguntas a que “Uma Teoria da Democracia Complexa”, o novo livro de Daniel Innerarity, vai respondendo, com hipóteses e raciocínios.  Innerarity foi considerado pela revista Le Nouvel Observateur como um dos 25 pensadores mais influentes da atualidade e nesta obra, agora editada em Portugal e que  que esgotou em dois dias em Espanha, o filósofo e investigador defende que a grande ameaça à democracia moderna é a simplicidade dos conceitos políticos que tomámos de empréstimo, ignorando a complexidade crescente em que a nossa organização social se desenvolveu. O autor sublinha que já não se trata de enfrentar os desafios dos séculos XIX e XX, mas sim os do século XXI.  Dividido em três grandes capítulos, “A Compreensão da Complexidade”, “O Governo das Sociedades Complexas” e “Democratizar A Democracia”,  este ensaio aborda questões como a representatividade actual dos sistemas democráticos, o comportamento das várias gerações na política e a democracia digital, entre outros. No fim do livro, citando Ulrich Beck, Daniel Innerarity sublinha que “a política não morreu, apenas emigrou dos clássicos espaços nacionais delimitados para os cenários mundiais interdependentes”. Daniel Innerarity é catedrático de Filosofia  Política e Social na Universidade do País Basco e diretor do Instituto de Gobernanza Democratica.

 

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PÃO À ANTIGA  - No regresso a Lisboa uma ida ao novo mercadinho que às terças feiras acontece em Campolide, no largo de onde agora sai o eléctrico 24. Aí, além de legumes e fruta do produtor, há uma banca de pães que chama a atenção - o Pão do João. O João na realidade é Johannes Rued, um alemão que há alguns anos veio viver para Portugal e se instalou em Torres Vedras, onde faz pão feito à mão, à moda antiga,  com massa mãe e com os componentes básicos: farinha, água e sal. Nalgumas variedades que foi criando incorpora frutos secos, sementes ou legumes. É sempre um produto inteiramente puro e sustentável com ingredientes 100% portugueses. O Pão do João, entrega ao domicílio em Torres Vedras, mediante contacto via as suas páginas no Facebook e Instagram, e em Lisboa aparece às terças em Campolide e ao sábado no mercado da Quinta das Conchas. Há pão integral de milho e de trigo barbela e pão foco de trigo e centeio, além de pão integral de centeio com sementes de girassol, vendidos em porções de quilo ou meio quilo. A experiência da semana foi feita com o pão de trigo barbela, que levemente torrado e devidamente untado de manteiga dos Açores se revelou uma grande companhia de pequeno-almoço. 

 

DIXIT - “A maior e mais triste lição que podemos retirar da actual pandemia, desde o seu início, é a forma abjecta como os seres humanos são capazes de desprezar os seus semelhantes” - António Araújo, jurista e historiador

 

BACK TO BASICS - “É mais fácil lutar por princípios do que viver de acordo com eles “ - Alfred Adler, fundador da psicologia do desenvolvimento individual.



 





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QUEM VÊ TV?  - Segundo a Anacom, no final de 2020, em cada 100 famílias 88 eram subscritoras de serviços em pacote de um dos operadores de telecomunicações, um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior. Isto quer dizer que quase 90% dos lares portugueses têm acesso a um conjunto alargado de canais de televisão, além dos generalistas de acesso livre - RTP1 e 2, SIC e TVI. Os dados recolhidos pelas entidades que medem a audiência de televisão indicam que na semana passada cerca de 49% dos espectadores não seguiram estes canais generalistas - 34% preferiram o conjunto dos canais de cabo e quase 15% estiveram na categoria “outros”, que inclui jogos on-line e sobretudo os serviços de streaming, como a Netflix, Disney ou HBO, que têm vindo a crescer. Ao fim de semana a tendência para sair dos generalistas ainda é maior: No sábado passado, por exemplo, os canais de cabo foram seguidos por 37% dos espectadores e na categoria “outros” estiveram 18%: feitas as contas 55% dos espectadores preferiram estar fora dos generalistas. É curioso também ver que género de programas têm maior audiência. Se fizermos as contas, desde o início deste ano, nos dez programas que obtiveram maior audiência os nove mais vistos foram transmissões de jogos de futebol e o décimo foi o debate entre Marcelo Rebelo de Sousa e André Ventura. O jogo mais visto foi o Porto-Juventus para a Liga dos Campeões com 2,4 milhões de espectadores. Tirando o futebol o programa que regularmente tem tido maior audiência tem sido Isto É Gozar Com Quem Trabalha e na semana passada a entrevista de Ricardo Araújo Pereira a Carlos Moedas alcançou praticamente 1,4 milhões de espectadores, à frente das novelas, do Big Brother, de Hell’s Kitchen ou All Together Now. No cabo o domínio da CMTV é avassalador ocupando o primeiro lugar há 50 meses. Em matéria audiovisual, termino com uma curiosidade fresquinha: o Primeiro Ministro espanhol anunciou esta semana o lançamento de um plano de investimento no audiovisual no valor de 1.6 mil milhões de euros  que se destina a fomentar a produção audiovisual espanhola e a atrair produtores internacionais a irem filmar em Espanha. Chama-se a isto desenvolver uma indústria. A da televisão.

 

SEMANADA - Nos últimos 45 anos fecharam mais de mil quilómetros de linhas ferroviárias, e três capitais de distrito, Viseu, Vila Real e Bragança ficaram sem acesso ao comboio; segundo a Pordata em 2001 existiam 101,6 idosos por cada 100 jovens e em 2019 esse número tinha aumentado para 161,3; ainda segundo a Pordata em 2001 existiam 1.679.191 jovens com menos de 15 anos e em 2019 esse número tinha descido para 1.402.276;  em 2001 existiam 1.705.274 pessoas com mais de 65 anos em em 2019 o número tinha aumentado para 2.262.325; em Portugal  90% dos processos de corrupção acabam sem condenação; o Governo deixou 1% da despesa pública por executar em 2020; a carga fiscal subiu de 34,5% em 2019 para 34,8% do PIB em 2020; também em 2020 o rácio da dívida pública passou de 116,8% em 2019 para 133,6% em 2020; a historiadora Raquel Henriques da Silva escreveu uma carta aberta ao Primeiro Ministro sobre a falta de condições de diversos museus e afirma que  os Painéis de Nuno Gonçalves estarão durante o verão numa sala do Museu Nacional de Arte Antiga  sem ar condicionado ou sistema de alarme a funcionar com segurança; a partir de setembro, o mestrado integrado de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto terá uma nova cadeira, a de Introdução à Poesia, que será lecionada pelo escritor (e também médico) João Luís Barreto Guimarães. 

 

ARCO DA VELHA  - O juiz  Rui Fonseca e Castro, suspenso pelo Conselho Superior da Magistratura devido às posições públicas que tomou sobre o estado de emergência, acusou o Diretor Nacional da PSP de ser um idiota e um fantoche e desafiou-o no Facebook para um combate de artes marciais mistas.

 

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O REGRESSO DAS EXPOSIÇÕES - João Jacinto expõe desde 1987, é um artista plástico português com uma obra significativa, que integra diversas colecções portuguesas e estrangeiras, institucionais e particulares. Em 2010, a propósito de uma exposição na Galeria Fernando Santos, no Porto, o crítico Óscar Faria descreveu assim a obra de joão Jacinto: “As diversas declinações a que o artista sujeita as suas obras provêm de um mesmo exercício: testar os limites estruturais de uma obra que ora se afasta de um centro para evocar uma paisagem - abstracta, é certo -, ora se aproxima de uma fisicalidade determinada pela acumulação de matérias, ora assume uma vontade de abarcar outros territórios, dirigindo-se, sem medo, ao exterior de si, e aceitando o erro e a justaposição como elementos de composição. As pinturas, por vezes, são viradas do avesso, outras expõem a sua nudez, mas é sobretudo a sua dimensão corpórea, colorida, excessiva, que aqui importa”. A imagem que aqui se reproduz é de uma das duas dezenas de obras da sua nova exposição, “Solfatara”, que inaugura dia 6, para a semana na Galeria 111, no Campo Grande. Os preços variam entre 1672,50 € para as obras mais pequenas, de 50x42 cms e os 11.150€ para as maiores, de 180x163 cms. Com o desconfinamento as galerias começam pois a abrir e no dia 5, na Galeria Vera Cortês, em Alvalade, inaugura “então aquilo que” de Gonçalo Barreiros. A Galeria Filomena Soares irá reabrir ao público no dia 6 de Abril, com as exposições "Shell Game", de Andreia Santana e Anna-Sophie Berger, e "Places of War" de Daniel Nave. No dia 5 de Abril o MAAT abre três novas exposições - “Aquaria” sobre a relação com o mundo marinho com curadoria de Angela Rui, “X Não É Um País Pequeno” baseada em nove instalações e “Earth Bits”  sobre o impacto da acção humana no planeta. A terminar uma novidade sobre a  ARCO Lisboa - este ano, se a pandemia o permitir, a ARCO Lisboa regressa mas em Setembro, e num novo local, a Doca de Pedrouços. 



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O SOM DA PROMESSA ALCANÇADA - Sam Shepherd é um DJ e produtor discográfico com pergaminhos, conhecido como Floating Points. Nos seus sets de DJ muitas vezes recorria a temas do saxofonista de jazz Pharaoh Sanders. Agora  Sheperd, com 34 anos, juntou-se com Sanders, de 80, e pôs de pé um projecto intitulado “Promises”. Trata-se de uma obra de 46 minutos, em nove movimentos, composta para saxofone, teclados, electrónica e uma secção de cordas de 29 músicos da London Symphony Orchestra. Trata-se da mais significativa gravação de Pharaoh Sanders nos últimos sete anos e aqui se ouve bem a sua capacidade de transmitir emoções através do seu saxofone tenor - notas prolongadas, entoações que se misturam com as sonoridades eletrónicas criadas por Shepherd, solos curtos e vibrantes que se entrelaçam com a secção de cordas. É um disco misterioso, envolvente. Na realidade é a magia musical de Pharaoh Sanders que junta todas as peças deste disco. Numa entrevista de Outubro do ano passado à revista New Yorker, Sanders dizia que se dedicava mais nesta fase da vida a ouvir o que se passava à sua volta do que a ouvir gravações - desde as ondas do mar ao ruído dos aviões ou à cadência dos comboios. O trabalho com Shepherd, que produziu o álbum, prolongou-se durante um ano praticamente. E o resultado final é um daqueles momentos de música aos quais queremos sempre voltar. "Promises'' está disponível nas plataformas de streaming.

 

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ESCRITAS INTEMPORAIS - “Esteiros”, um romance de Soeiro Pereira Gomes publicado originalmente em 1941, é  considerado um elemento marcante da história portuguesa do século XX e uma das grandes obras literárias do neo-realismo. Soeiro Pereira Gomes, foi regente agrícola e dirigente do PCP e morreu em 1949, com 40 anos de idade. “Esteiros” é passado no Ribatejo e a sua acção centra-se na vida de cinco rapazes,  “os filhos dos homens que nunca foram meninos”, como diz a dedicatória que abre o romance. “Esteiros”, esclarece o autor que conhecia bem a região onde situou o livro,  são “minúsculos canais como dedos de mão espalmada, abertos na margem do Tejo”. Para assinalar os 80 anos da sua publicação original a Quetzal fez uma belíssima nova edição de “Esteiros” e Francisco José Viegas, no texto de introdução, escreve que esta obra é um “emblema da nossa literatura politicamente comprometida” mas “ultrapassa largamente a sua inegável vocação de instrumento político”. Sublinha ainda que “graças à qualidade da escrita de Soeiro Pereira Gomes e a um conhecimento detalhado daquele mundo real sobre o qual escreve”, o romance “ultrapassa o quadro de representações ideológicas a que estaria destinado numa leitura estritamente política”. O livro relata vidas difíceis a que ninguém quererá voltar, “degradantes condições de trabalho e de emprego” como Viegas bem sublinha -  uma ideia que convém reter nestes tempos em que estamos.

 

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SIMPLES E BOM - Um amigo meu, com quem trabalhei muitos anos, diz que sem conservas de atum a sua vida seria mais difícil. Tenho tendência a partilhar essa opinião. Não se assustem que hoje não vou falar de empadão de arroz e ovos mexidos com atum. Mas proponho uma receita com inspiração italiana que já me deu várias boas refeições. É rápida e fácil e estas quantidades são para duas/ três pessoas, dependendo do apetite e dieta em curso.  Trata-se de esparguete com atum, mas com um toque para as coisas ficarem mais interessantes. Primeiro escorrem-se duas latas de atum em azeite, uma dúzia de tomates cherry cortados ao meio, três ou quatro anchovas de lata desfeitas aos pedaços, uma colher de sopa bem servida de alcaparras escorridas e um pouco de azeite de boa qualidade. Mistura-se tudo bem, tempera-se com sal e pimenta a gosto e deixa-se repousar uma meia hora. Coze-se o esparguete em água abundante, bem salgada. Quando estiver “al dente'' escorre-se, volta para o tacho e deitam-se por cima todos os outros ingredientes que ficaram a repousar. Mistura-se muito bem, rectifica-se o tempero e deitam-se por cima folhas de manjericão cortadas aos pedaços. Serve-se imediatamente. Um rosé acompanha bem.

 

DIXIT - “O Estado não é forte demais. É fraco e pesado. É frágil. Só é forte nos obstáculos que cria. E para favorecer os seus”  - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “Pensem de forma elaborada mas comuniquem com linguagem que as pessoas entendam” - William Butler Yeats.




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LISBOA - QUE CIDADE QUEREMOS?

por falcao, em 26.03.21

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ESTA LISBOA - Nos anos 80 Lisboa começava a dar nas vistas: politicamente havia mais estabilidade, novos negócios começavam a abrir, a noite explorava territórios diferentes, culturalmente havia muita coisa a mexer, da música às belas artes, surgia imprensa inovadora que mostrava outro lado das coisas. Lisboa era a estrela em filmes como “A Cidade Branca”, de Alain Tanner, lá fora havia artigos sobre a transformação da cidade. Os Heróis do Mar apareciam na revista francesa “Actuel” e na britânica“The Face”. No início da década de 90 a agitação era ainda maior -  Portugal foi o país escolhido em 91 para a Europalia, em Bruxelas, o grupo Madredeus, convidado para o programa desse festival, internacionalizou-se a partir daí graças à digressão europeia que fez e uma das suas canções foi escolhida como banda sonora de um spot publicitário de uma marca global. Em Lisboa o CCB abriu portas e a cidade recebeu a primeira presidência portuguesa da Comunidade Europeia. Em 1994 Lisboa foi a Capital Europeia da Cultura, Wim Wenders veio cá filmar “Lisbon Story” e a seguir a Exposição Mundial de 1998 - Expo 98 - mudou a zona oriental da cidade e culminou um ciclo de acontecimentos que colocaram a cidade no mapa de uma forma única. A internacionalização de Lisboa começou aí. Essa foi a semente de toda a notoriedade alcançada depois. Era uma cidade animada, criativa, dinâmica. Que tratava bem quem cá vivia e acolhia quem nos visitava de braços abertos. O que se tem passado nos últimos anos não é isso: a cidade virou costas aos residentes e abriu braços aos visitantes. Problemas que existiam, como a burocracia autárquica, apesar das promessas não foram resolvidos. Foram lançadas mais taxas locais. Os serviços de urbanismo não melhoraram. A cidade ficou menos confortável, mais cara e sobretudo mais descaracterizada. Segundo a Pordata, Lisboa numa década perdeu 10% da população tradicional, mas duplicou o número de residentes de outras nacionalidades. Não se tornou mais cosmopolita: perdeu alma e muito do que a tornava diferente. Está sem rumo. As próximas eleições autárquicas são sobre isto. Que cidade queremos? Seguir assim ou fazer diferente? 

 

SEMANADA - Em fevereiro o registo de desempregados subiu para 432 mil, o maior número desde 2017, mas a cobertura do subsídio de desemprego voltou a cair nesse mês para 56%; a maior parte dos pedidos de ajuda que chegam à Caritas portuguesa, cerca de 60%, são para rendas de casa; segundo o INE em 2020  os preços da habitação aumentaram mais de 8% e o Alentejo foi a única região onde a procura de casas aumentou; o município de Bragança anunciou que convida quatro famílias que possam trabalhar online a mudarem-se durante um mês para este território com tudo pago, no âmbito de um projeto que pretende atrair trabalhadores remotos para a região;  em 2020 os contribuintes portugueses apresentaram mais faturas de despesas de veterinários, lares e reparações de motociclos que em 2019 e a categoria de despesas com veterinários teve uma subida de 14,2%; os professores portugueses são os que apresentam maiores níveis de stress quando comparados com os de outros países da Europa; um dos produtos cujas vendas mais aumentaram no ano passado foi o do chocolate para culinária com um crescimento superior a 25%; o consumo de bens alimentares por parte das famílias portuguesas registou a maior subida dos últimos 25 anos, em 2020; segundo a Sociedade Ponto Verde durante a pandemia o aumento da materiais enviados para reciclagem foi de 13%;  a PSP e a GNR registaram 4901 contra-ordenações na primeira semana de desconfinamento e o dever geral de recolhimento domiciliário foi a regra mais quebrada na semana de 14 a 21 de março;

 

ARCO DA VELHA - Face à progressiva extinção da ovelha leiteira da Serra da Arrábida, conhecida por ovelha saloia, os criadores de ovinos da região criaram o projecto “Adote Uma Saloia” com o objectivo de angariar contribuições para a alimentação dos animais.

 

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A VALORIZAÇÃO DA ARTE - “Warrior,”  um quadro de 1982 da autoria de Jean-Michel Basquiat, foi vendido por 41,9 milhões de dólares num leilão on-line realizado pela Christie’s há poucos dias. Não se trata no entanto do maior preço alcançado por uma obra de Basquiat - em 2017, numa venda organizada em Nova York, um coleccionador japonês, o milionário Yusaku Maezawa, pagou 110 milhões de dólares por uma pintura sem título do artista. Este é o valor mais alto alcançado até agora por um trabalho de Basquiat, que no mercado da arte contemporânea é considerado um dos nomes que tem mais procura, em conjunto com Warhol e Picasso. O vendedor de “The Warrior”, o gestor imobiliário e colecionador de arte germano-americano Aby Rosen, também possui obras de Pablo Picasso, Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Cy Twombly, Alexander Calder, Damien Hirst e Richard Prince. Rosen comprou a obra na Sotheby’s London em 2012 por 8,7 milhões de dólares. E teve vendas anteriores por 5,6 milhões de dólares em 2007 e em 2005 por 1,8 milhão de dólares. Originalmente ”The Warrior” havia sido comprado por um coleccionador americano em meados dos anos 90 por 250.000 dólares. Basquiat nasceu em Brooklin, numa família porto-riquenha, colaborou com Warhol e tornou-se num dos expoentes da arte norte-americana do final do século passado. Morreu em 1988 com 27 anos. Esta venda culmina uma semana de leilões on-line organizados pela Christie’s e Sotheby’s. Segundo a Art Basel e a UBS o mercado de arte caíu cerca de 22 por cento em 2020, em comparação com 2019, para um total de cerca de 50 mil milhões de dólares, englobando as vendas em galerias, vendas privadas e  leilões públicos O mercado dos leilões teve uma queda ainda maior, na casa dos 30 por cento, para os 17,6 mil milhões. E por cá? Por cá galerias e museus preparam a reabertura para a segunda semana de Abril. Para a semana começamos a falar do que aí vem.

 

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A FUGA DA FAMA - Há dez anos atrás alguém sabia quem era Elizabeth Woolridge Grant? Hoje em dia também muita gente não conhecerá este nome - mas se dissermos que ela assina os seus discos como Lana Del Rey, aí as coisas começam a mudar. O seu primeiro disco como Lana Del Rey data de 2010 e até chegarmos ao novo "Chemtrails Over The Country Club”o ritmo foi de quase um álbum por ano - se incluirmos o disco de poesia declamada por ela, numa edição limitada  no ano passado. A revista norte-americana Rolling Stone considerou este Chemstrails como o seu álbum mais introspectivo, prosseguindo o caminho de ruptura com o sonho americano de Hollywood que ela já tinha iniciado em 2019 em “Norman Fuking Rockwell!”. No novo disco há uma frase que ela canta e que resume tudo: “I’m ready to leave L.A., and I want you to come”. Lana Del Rey continua a cantar a sua desilusão com a fama, afasta-se do mainstream pop que lha deu e aproxima-se das melodias tradicionais da música popular norte-americana. Não é por acaso que a derradeira faixa do disco é “For Free”, um original de Joni Mitchell, gravado em 1970, e onde se faz o contraste entre dois mundos: “I play if you have the money/ Or if you're a friend to me/  But the one man band/ By the quick lunch stand/ He was playing real good, for free.” Disponível em streaming.

 

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A VIDA PODE SER UM ROMANCE - Há uns tempos, em 2019, Rui Nabeiro, o homem que criou um império a partir de Campo Maior e dos cafés Delta, propôs a José Luís Peixoto que lhe escrevesse a biografia. Peixoto agradeceu o convite mas disse que em vez de uma biografia preferia pensar num romance que contasse a experiência de uma vida. Assim nasceu “Almoço de Domingo”,  a história de um “homem de 90 anos, que olha para o seu passado e faz um balanço de vida a partir de episódios significativos da sua história pessoal”, conta o escritor. Peixoto e Nabeiro têm em comum o Alentejo que os viu nascer e crescer. A poucos dias de completar 90 anos no próximo dia 28 de março, Rui Nabeiro serve de personagem ao escritor que pega justamente nesse aniversário para desfiar as memórias de toda uma longa vida. “Almoço de Domingo” decorre entre 1931 e 2021 e conta a história de uma figura que se tornou referência na sua terra, em Campo Maior, que abraçou causas, desenvolveu a actividade das suas empresas para além do país e do café que lhe deu fama. Esta é a história de um empreendedor que ao longo de momentos bem diferentes da vida portuguesa teve sempre um papel activo, que manteve a fábrica a funcionar mesmo em momentos difíceis e soube apostar em inovação quando foi preciso, passando o testemunho às gerações seguintes. Não é caso único em Portugal mas é, mesmo assim, caso raro, E ainda mais raro é escreverem-se romances sobre pessoas vivas. O título? - A família Nabeiro mantém a tradição do almoço de domingo, pano de fundo de todas as histórias que se vão desenrolando.

 

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OVO DEITADO EM CAMA DE COURGETTE - O confinamento produz uma quantidade fantástica de fotografias de comida no Instagram. Esta receita que vos proponho nasceu de uma imagem vista no Instagram - e não resisti a experimentar. Há muito que tenho um espiralizador, que permite pegar numa courgette e fazer longos fios da sua polpa. Chamo-lhe esparguete de courgette e uso-o muitas vezes, por exemplo salteado com atum de conserva. Mas desta vez a ideia era outra. Peguei em duas courgettes que espiralizei e num tabuleiro de ir ao forno fiz dois montinhos. Temperei com um fio de azeite, gengibre em pó, sal e pimenta moída na altura e ainda pimentão doce fumado - um ingrediente que estou a utilizar cada vez mais e que dá um toque invulgar aos cozinhados. No meio de cada monte fiz uma cavidade - já vão saber para quê. Pelo meio espalhei mozarella aos pedaços. Levei o tabuleiro ao forno a 220º durante dez minutos e depois dentro de cada uma das cavidades deitei um ovo. Polvilhei tudo com sementes de sésamo e levei de novo ao forno por mais seis minutos - deve chegar para a clara ficar opaca e a gema estar cozinhada, mas sem ter secado. Transfere-se cada monte para um prato e acompanha-se com um vinho rosé. Bom apetite.

 

DIXIT - “Esta pandemia veio demonstrar que essas luminárias que andam para aí a discutir que menos Estado é melhor Estado não têm noção do que é o Estado” - Isaltino Morais

 

BACK TO BASICS - “A coisa mais notável na política é ter a memória curta” . John Kenneth Galbraith






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A LENTA EUROPA - Isto dava para uma série policial: o estranho caso das vacinas desaparecidas. O tema é a forma como a União Europeia tratou do assunto da compra das vacinas, da garantia da sua entrega e como está a reagir a atrasos e percalços diversos. Todos já percebemos que  Ursula Von der Leyen tratou do assunto como de uma compra pública em vez de uma matéria urgente, sensível do ponto de vista da saúde pública da união dos estados a que preside e do ponto de vista da repercussão política das situações criadas. A impressão que dá é que a União Europeia colocou um amanuense habituado a tratar de compras de papel higiénico e consumíveis a negociar com as farmacêuticas que podiam fornecer as vacinas. O resultado está à vista - contratos não cumpridos, atrasos no fornecimento, ausência de atribuição de responsabilidades, um sensível atraso em relação ao calendário inicial, populações descontentes, estados membros a desalinharem-se das decisões da União. O caos, em suma. Eis o retrato perfeito das ineficiências da burocracia europeia. São efeitos que se estendem desde o processo de avaliação das vacinas, à interlocução e negociação com os fabricantes e vão até à dificuldade em garantir que não seriam feitas exportações da vacina para fora do espaço da UE antes de cumpridos os compromissos de fornecimento assumidos. Já nem falo de se ter conseguido colocar mais fábricas a produzir - recordo apenas que nos Estados Unidos a administração Biden  conseguiu levar a Johnson & Johnson a licenciar a Merck para fabricar a sua vacina de dose única, aumentando assim a capacidade de produção e entrega. Na Europa sabe-se que há várias instalações que podiam produzir vacinas e não o estão a fazer. A Presidência da União sobre estes assuntos não se pronuncia. Por acaso a presidência, até Junho, cabe a Portugal.

 

SEMANADA - Em 2020 os tribunais comunicaram ao Conselho de Prevenção da Corrupção 763 casos no âmbito da Administração Pública, os principais crimes foram de peculato e abuso de poder e a área da administração local surgiu associada a mais de metade dos casos; em 2020 registaram-se 18.889 casamentos, o valor mais baixo desde que há registos; o número de nascimentos em 2020 caíu 2,6% e o número de mortes cresceu 10,2%;  de acordo com dados da Marktest em 2020 o sector do comércio continuou a ser o maior investidor em publicidade, em segundo lugar ficou o sector das marcas de produtos alimentares e em terceiro a indústria farmacêutica; segundo a ANACOM em 2020 cerca de 7,5 milhões de pessoas tinham acesso à internet através do telemóvel e o tráfego em banda larga móvel aumentou 28,1% face a 2019; em 2020 o número de portugueses que viu filmes e séries na internet passou de 38 para 43% e o número dos que fizeram videochamadas aumentou de 52 para 70%; ainda segundo a ANACOM o número de famílias com acesso à internet em casa aumentou para 84,5% em 2020, o maior crescimento desde 2016 com o Alentejo, Algarve e Norte a registarem mais novas ligações;  o centro do SEF onde Ihor morreu cobra às companhias aéreas 100 euros de diária por cada passageiro que ali fica retido.

 

ARCO DA VELHA  - Um depósito clandestino de mais de 120 mil toneladas de resíduos perigosos, que existe há quase 20 anos,  em Setúbal, na Zona Protegida do Estuário do Sado, e que está a contaminar o lençol freático da Mitrena e as águas do rio, só agora foi detectado pelas entidades oficiais.

 

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O QUE É UM NFT? - Esta imagem mostra a aparência de “Everydays – The First 5000 Days”,  uma obra virtual criada digitalmente. Não tem existência física e o seu NFT (Non Fungible Token, ou ficheiro digital insubstituível) é o que tem valor por ser peça única  impossível de copiar e foi leiloado no passado dia 11 de Março por 69,3 milhões de dólares. O seu autor é um artista digital norte-americano relativamente pouco conhecido que assina como Beeple, mas cujo nome real é Mike Winkelman. Trata-se do terceiro valor mais alto alcançado por um artista vivo (os outros são Jeff Koons e David Hockney) . Winkelman iniciou este trabalho em 1 de Maio de 2007 e, desde então, todos os dias criou uma novo desenho. O NFT leiloado incorpora a junção digital de todas essas cinco mil peças feitas ao longo de 13 anos. A Christie’s, responsável pelo leilão, revelou que a quantia final foi alcançada nos últimos 10 minutos do prazo, quando o valor disparou dos 14 milhões, em que então estava, para 30 milhões e depois, num único lance, para o valor final da licitação. E quem foi o comprador? Uma empresa baseada em Singapura, a Metapurse, um fundo financeiro que colecciona NFT’s desde 2016,  dirigida por Metakovan, o pseudónimo do comprador da obra de Beeple. A Christie’s aceitou que o pagamento fosse feito através da criptomoeda Ether, a segunda maior depois da Bitcoin, desenvolvida pela Ethereum, criadora da tecnologia blockchain, que é utilizada em transacções digitais, e que permite a criação de NFT’s. Twobadour, outro pseudónimo, que se apresenta como o porta-voz de Metakorvan, afirmou numa entrevista ao site Artnet News que a peça que adquiriram tem valor não só por ser digital e um NFT, “mas porque representa tempo, os 13 anos que demorou a fazer, e tempo é a única coisa que não pode ser pirateada nesta época digital”. Em relação à utilização que pretendem dar à peça, Twobadour explica: “Queremos construir um grande monumento que só exista no mundo virtual para albergar as obras que vamos comprar. Temos em mente alguns dos maiores arquitectos contemporâneos a quem vamos pedir que pensem no projecto. A ideia é construí-lo de forma virtual, colocar lá as obras de arte virtuais que tivermos  e depois abri-lo a todos os que o queiram visitar, à distância de um click.”

 

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DEZ CORDAS MÁGICAS - A origem da viola campaniça, instrumento típico do Alentejo, é disputada entre Vila Verde de Ficalho e Castro Verde - mas na realidade ela tornou-se popular em todo o Baixo Alentejo. Habitualmente usada para acompanhar os célebres cantes a despique, a campaniça é a maior das violas portuguesas e possui dez cordas metálicas tocadas tradicionalmente de dedilhado apenas com o polegar. Após anos de esquecimento, na década de 80 a viola campaniça começou a ser estudada e recuperada, aproveitando ainda os artesãos que a sabiam construir. O seu ressurgimento fez com que alguns músicos contemporâneos se interessassem por ela. Um deles é João Morais, um músico com carreira feita na guitarra eléctrica do rock e que há uns anos se virou para outras músicas. Morais,  que assina como “O Gajo”, acabou de editar o seu terceiro disco, “Subterrâneos”. Nele João Morais toca ao longo de uma dezena de faixas que ele próprio compôs, ao lado de Carlos Barreto no contrabaixo e de José Salgueiro na percussão - dois músicos muito ligados ao jazz. É uma boa surpresa ver como a viola campaniça vive bem fora do regime de instrumento quase sempre a solo, para conviver com sonoridades que não são suas companheiras habituais. O resultado é um dos melhores trabalhos discográficos  portugueses dos últimos meses. Editado por discos Rastilho, o novo trabalho de O Gajo está disponível numa tiragem limitada de vinil, em CD e nas plataformas de streaming.

 

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O GRANDE ESPIÃO - Gosto de ler livros sobre espionagem e a figura de Richard Sorge sempre me interessou. Ian Fleming, o criador de 007, chamava-lhe “o espião mais formidável da História”, Kim Philby, o espião russo infiltrado nos serviços secretos britânicos disse que o trabalho efectuado por Sorge “foi impecável” e John Le Carré considerou-o o espião que se destacou entre os espiões e descreveu-o como “um actor no sentido de Graham Greene, e um artista no sentido de Thomas Mann”. “O Espião Perfeito”, editado originalmente em 2019 e agora disponível em Portugal, é uma completa investigação sobre a vida de Sorge e a sua personalidade, a descrição minuciosa do que fez e das suas convicções, com o enquadramento histórico da época, desde o pacto Ribbentrop-Molotov até ao planeamento do ataque japonês a Pearl Harbor. Sorge foi um idealista que entregou a sua vida à causa da União Soviética, um militante comunista que não olhava a meios para atingir os seus fins, um sedutor inteligente capaz de obter segredos dos maiores inimigos. Owen Matthews, o autor deste livro, vai além da vida de Sorge - mostra como era o clima na política e na  diplomacia internacionais no período antes da II Grande Guerra e, depois, no seu decorrer. Conta como a entourage de Estaline escondia a realidade ao ditador, o que teve terríveis consequências. Sorge, que estava no Japão onde criou uma formidável rede de espionagem,  tinha acesso às informações tanto da Alemanha como do exército japonês, e anunciou com antecedência a data precisa do ataque das tropas de  Hitler à União Soviética - mas em Moscovo os seus relatórios foram metidos na gaveta porque contrariavam a convicção que Estaline tinha de que Hitler não o atacaria. Como se sabe, estava enganado e este erro custou a vida a muitos milhares de soldados russos. Fascinante, a narrativa de Owen Matthews é um retrato desses tempos. Os interrogadores japoneses que o prenderam e executaram fazem dele este retrato: “ um exemplo devastador de brilhantismo na espionagem”.

 

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SANDUÍCHE DE SALADA - Gosto de sanduíches, com bom pão. Aqui a ideia é que o principal elemento da sanduíche seja uma boa dose de vegetais - alface de boa qualidade, espinafres, rúcula. O que gostarem ou tiverem à mão mas em boa quantidade. Ao contrário de outras sanduíches deixem a maionese de lado. Temperem os vegetais com bom azeite e limão, deixem-nos a marinar  um bom bocado. Quando chegar a altura de fazer a sanduíche, levem as fatias de pão à torradeira até ficar um pouco tostado, barrem cada fatia com uma generosa porção de queijo fresco de cabra. Partam o que sobrar do queijo fresco em pedaços e misturem na salada entretanto preparada e depois forrem as fatias de pão abundantemente com essa salada. Não sejam tímidos, deixem o verde com uma boa altura entre as fatias e não se importem que transborde do pão. Bom apetite - agora com o tempo a começar a aquecer é um petisco.

 

DIXIT - “Podemos sair melhores ou piores da pandemia, mas não somos a mesma coisa” - Padre Manuel Barbosa, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa

 

BACK TO BASICS - Arte é fazer alguma coisa a partir de nada e depois conseguir vendê-la - Frank Zappa







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MEDINA E FAKE NEWS - Muito pouco tempo depois de ter sido anunciada a candidatura de Carlos Moedas à Câmara Municipal de Lisboa foi abundantemente colocado nas principais redes sociais um vídeo que pretendia atribuir a Moedas a ideia da privatização da Carris há uns anos. O vídeo é o perfeito exemplo de fake news na luta política. É evidente  que foram os adversários deste candidato, que se afirmam apoiantes da gestão municipal actual, que fizeram o vídeo e o puseram a circular. Pouco depois de o vídeo ter surgido, foi publicado um trabalho de fact-checking sobre as afirmações divulgadas e acontece, como se comprova, que Carlos Moedas já não fazia parte do Governo anterior quando a ideia da privatização foi lançada. Mais, em fevereiro de 2015, quando o então governo  aprovou a concessão do Metro e da Carris, Moedas já tinha iniciado funções como comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação há cerca de três meses. O vídeo dos adversários de Moedas, pelo que se compreende do texto, é da autoria de apoiantes da corrente gestão autárquica de Medina e os seus autores pretendem, como referem, denunciar “a outra face de Moedas”. Na realidade o que o vídeo mostra é a outra face dos apoiantes de Medina - adeptos de fake news que não olham a meios para alcançarem os seus fins. Fernando Medina teria ficado bem em demarcar-se destas fake news e destas campanhas mentirosas. Ao não o fazer mostra que, no fundo, usa os métodos de Donald Trump - aparenta que não faz, mas deixa fazer, se é que não estimula. Começou o vale tudo. A disputa é sobre Lisboa: se queremos no futuro uma cidade melhor para quem cá vive ou se queremos um cenário fabricado para visitantes. 

 

SEMANADA - Valdemar Alves, o autarca de Pedrogão cuja conduta depois dos graves incêndios de 2017 motivou críticas e deixou suspeitas em relação à aplicação dos fundos para a reconstrução,  volta a ser apoiado pelo PS nas próximas autárquicas; no sábado passado a Iniciativa Liberal anunciou um candidato próprio à Câmara de Lisboa e o indicado, Miguel Quintas, anunciou retirar se da corrida três dias depois, alegando razões pessoais após terem sido apontadas contradições entre declarações suas e do partido pelo qual se candidatava; o Ministro Pedro Nuno Santos defendeu que o PS necessita de um novo programa assente no reforço do papel do Estado; segundo um dirigente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros Portugal está na cauda da Europa no que toca a hábitos de leitura e a média de compra de livros por habitante e por ano é de um livro e meio em Portugal, na Grécia é entre os três e quatro, em Espanha está entre os quatro cinco, e em França entre os sete a dez livros por ano; de acordo com um estudo da  Marktest, mais de um milhão de pessoas, 12% da população, compraram snacks para cães e/ou gatos nos últimos 12 meses;  um estudo de três universidade portuguesas indica que o jornalismo e a abordagem dos órgãos de comunicação social face à pandemia têm impacto direto nos resultados, isto é, na adesão da população às medidas de segurança; o desemprego efectivo já ronda os 14%; o Metropolitano de Lisboa perdeu cerca de 50% dos passageiros em 2021 e o Metropolitano do Porto teve uma quebra de 45%, a CP teve uma quebra de 40% e os barcos da Transtejo reduziram 45%; 



ARCO DA VELHA - Cavaco Silva fez gala em mostrar que não quis participar nos cumprimentos ao Presidente da República eleito e depois não teve a frontalidade para assumir essa ruptura política e pessoal e deu uma desculpa mal amanhada sobre a sua ausência.

 

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VER - Aos poucos começa a haver movimento em galerias de arte. Algumas estão a montar exposições, outras aguardam poderem abrir portas e outras ainda multiplicam as actividades on line. É o caso da Galeria Belo Galsterer que dia 12 de Março faz o lançamento online de uma exposição que esteva prevista para 2020. A pandemia obrigou a adiá-la, agora ela pode ser mostrada de forma virtual, e espera-se que em breve presencial, até dia 24 de Abril. Trata-se de “A Midsummer Night 's Dream Rewind”, que conta com obras de Cristina Ataíde, Paulo Brighenti, Claudia Fischer, Rita Gaspar Vieira, Renzo Marasca, Chrischa Oswald e Wolfgang Wirth. O título é inspirado na comédia de Shakespeare que mostra o mundo meio fantasioso que o autor criou no século XVII. A acção da peça decorre em torno do casamento da rainha das Amazonas com o rei Theseus, explorando o que é o sonho e o amor. Esta foi a base de inspiração para os artistas, que continuaram a trabalhar durante todo este tempo que levamos de confinamento. Na nova exposição online, “A Midsummer Night 's Dream Rewind”, os artistas falam dos seus trabalhos na primeira pessoa e toda a informação está disponível em formatos audio, video e também escrita. Basta entrar no  site da galeria (https://www.belogalsterer.com/)  a partir do qual se poderá aceder à exposição online, bem como à sua presença nas redes sociais Instagram, Facebook e YouTube.

 

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DEU-ME UMA DE BLUES  - Num dia desta semana acordei a apetecer-me ouvir blues. No meio de uma busca pelo Spotify descobri um disco recente, de finais de 2020, de duas lendas dos blues, Elvin Bishop e Charles Musselwhite - “100 Years Of Blues”. Como li numa recensão do disco num site americano este disco é um “antídoto para a música de plástico”.Bishop e Musselwhite são quase da mesma idade, amigos há muitos anos, companheiros de pescarias mas nunca tinham gravado um disco juntos.  Elvin Bishop, 1942, cresceu em Oklahoma, canta e toca guitarra, enquanto Charlie Musselwhite, nasceu em 1944, cresceu no Tennessee e tornou-se conhecido com a sua harmónica. Nos anos 60 andaram ambos por Chicago, na época a capital dos blues. Na época eram dois músicos brancos a tocar com músicos negros e aí conheceram e trabalharam com grandes músicos como Muddy Waters, John lee Hooker ou Howlin’ Wolf. Neste “100 Years Of Blues” estão 12 canções, nove originais e três versões de clássicos. Além de Bishop e Musselwhite o disco conta com a participação de Bob Welsh no piano e segunda guitarra e de Kid Andersen no baixo. Numa das faixas, “Good Times”, Musselwhite deixa a sua harmónica de lado e toca slide guitar de forma surpreendente. É quase uma hora de grande música que termina com um dueto cantado por Bishop e Musselwhite, no tema que dá o título ao álbum e onde os dois se explicam: “We have been playing this music a long time, between the two of us you are looking at a 100 years of blues, we got our education in Chicago back in the 60’s, playing in bars and breaking all the rules -  If your like what you hear, keep doing just what we do.”

 

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LISTA DE LEITURAS - Uma das formas de fugir às limitações a que o confinamento obriga tem sido ler. E por falar nisso nada como descobrir o que é que um homem com o saber de Eugénio Lisboa, tem a recomendar em matéria de leituras. Acabado de editar, “Vamos Ler - Um Cânone Para o Leitor Relutante” propõe 50 livros de 35 autores da literatura portuguesa. Ensaísta, escritor, crítico literário, poeta, Eugénio Lisboa, aos 90 anos, continua transgressor, provocador, apaixonado pela literatura e pelos livros. Este ensaio com cerca de 100 páginas editado na colecção “livros vermelhos” da Guerra & Paz,  não poupa críticas ao que o autor chama de «snobismo provinciano» que, acredita,  afasta as pessoas da leitura. Antes de chegar à lista propriamente dita Eugénio Lisboa fala de livros e literatura, elogiando a escrita simples. “Gosto de falar português limpo e asseado e não literatês”, afirma, a propósito de Gabriela Llansol: “Proponho que me expliquem, com muito cuidado e jeitinho e com um grande cuidado pelo significado das palavras, o que quer dizer toda aquela algarviada, vestida de pompas e significando nada.” A lista é ela própria um achado, um desafio estimulante a descobrir leituras: começa com “Equador” de Miguel Sousa Tavares e termina com os “Sonetos” de Luis de Camões, passando por clássicos e outros menos clássicos. Não vou revelar a lista, descubram-na nas páginas deste “Vamos Ler”, onde Eugénio Lisboa fala de cada autor, da razão da recomendação e da razão de ser de aconselhar uma obra. Da deliciosa introdução à lista, cheia de pequenas histórias de uma pessoa apaixonada pelos livros, destaco esta citação: “Witggenstein observava que, quando um pensamento se não consegue exprimir com clareza e simplicidade, é porque talvez ainda não esteja suficientemente maduro para ser expresso”. Enquanto as livrarias não abrirem podem comprar o livro no site da editora.

 

FAVAS EM TAKE AWAY - Estou a cumprir as regras do confinamento desde meados de Janeiro e reconheço que está a ser mais difícil que no ano passado. Com quase dois meses disto, parece que o tempo não passa, apesar de me manter bastante ocupado. Gosto de cozinhar e vou descobrindo receitas, mas tenho saudades das minhas mesas preferidas. Nas conversas telefónicas que tenho tido com os responsáveis dos restaurantes que frequento mais regularmente constato que neste confinamento a procura de take away está a ser menor do que aconteceu há um ano. Embora alguns restaurantes tenham criado kits de cozinha que podem ser finalizados em casa, a experiência de estar na mesa de um restaurante de que se gosta é outra coisa. O convívio faz-nos falta. Faz parte da natureza humana. A situação em que estamos levou-nos a privilegiar o isolamento. Mas isso não pode durar sempre e é bom que quando pudermos voltar a sair possamos regressar onde mais gostamos de estar. Quem habitualmente me lê sabe que gosto do Salsa & Coentros, em Alvalade. Têm sempre estado a funcionar com sugestões de pratos diferentes para o fim de semana, além de alguns clássicos do menu. Para este fim de semana as propostas principais são favas guisadas com entrecosto e filetes de polvo com açorda. Além disso há clássicos como a lebre com feijão, a perdiz de escabeche ou o arroz de pato. Se está em Lisboa pode fazer as encomendas eem www.restaurantesalsaecoentros.pt ou pelo telefone 218410990. Bom apetite e saúde!



DIXIT - “De nada vale a liberdade se for esvaziada pela pobreza” - Marcelo Rebelo de Sousa, na tomada de posse do seu segundo mandato como Presidente da República



BACK TO BASICS - “A comédia é apenas uma forma divertida de dizer coisas sérias” - Peter Ustinov



 

 

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AS NOTÍCIAS  - Quase todos os dias me acontece isto: acordo, espreito os canais de notícias, meto-me no carro e vou fazer compras, incluindo jornais do dia, em papel, que é para haver palavras cruzadas. No caminho ouço noticiários de duas estações de rádio. Quando me sento com os jornais na mão, cujas edições foram feitas na noite anterior, constato, salvo raras excepções, que a maior parte das informações que já vi ou ouvi aparecem nesses jornais. Na realidade a maior parte da agenda noticiosa do dia - que inclui também entrevistas, reportagens e  investigações jornalísticas - continua a ser estabelecida pelas empresas de mídia que criaram e desenvolveram os velhos jornais em papel - e que têm evoluído para o digital com investimentos consideráveis e, por enquanto, ainda com curtas receitas. Ter uma agenda própria, descobrir, informar, é uma actividade forçosamente dispendiosa e a que muitas vezes não é dado o devido valor. As empresas de mídia queixam-se há muitos anos que não recebem uma compensação justa por artigos e outros conteúdos que geram receitas de publicidade para plataformas tecnológicas como o Google e o Facebook, queixas que estas tecnológicas têm ignorado. Olhemos para a recente agitação que o Governo Australiano provocou ao impôr que empresas como a Google pagassem pela utilização de conteúdos dos jornais do país. A lição do caso australiano, em que a Google primeiro estrebuchou e depois se apressou a fazer acordos e a pagá-los, é curiosa: mostra como um esforço de regulação - ou até apenas a sua ameaça - pode levar um gigante tecnológico a alterar o seu comportamento. O desafio agora é ver como outros países, em particular na Europa, podem tomar iniciativas que levem as tecnológicas a pagar pelas notícias e conteúdos que utilizam. Esta é uma questão cada vez mais decisiva para a saúde financeira e a sobrevivência das empresas jornalísticas. Não se trata de ir buscar dinheiro ao Estado. Trata-se de o Estado fazer o que lhe compete para equilibrar o mercado.

 

SEMANADAO romance do aeroporto tem novo capítulo e os aviões estão como na canção: hesitantes entre dois amores, Montijo e Alcochete; FC Porto, Benfica e Sporting têm em conjunto um passivo superior a 1,2 mil milhões de euros; depois da Dinamarca também a Áustria anunciou que vai deixar de contar exclusivamente com a União Europeia e começou conversações com Israel para garantir vacinas contra o Covid para os seus cidadãos; os correios do Canadá, numa criativa acção de relações públicas,  vão entregar nos próximos dias em todas as casas do país, cerca de 13,5 milhões, postais em branco e com envio pago, para que as pessoas possam mandar uma mensagem manuscrita a amigos que não vêem há muito devido ao confinamento - na parte da frente dos postais estão vários desenhos, sempre com a frase “Sending smiles. Je t’embrasse”; em Lisboa e no Porto são feitas duas queixas por dia, desde o início do ano, devido ao ruído de obras e na maior parte dos casos os queixosos estão em teletrabalho; o número de casos de crianças e jovens com ansiedade disparou nos hospitais; os preços das casas desceram 14,4% no centro histórico de Lisboa em relação ao segundo semestre do ano passado; em 2020 o número de desempregados que receberam subsídio de desemprego aumentou 49%; no ano passado a pandemia provocou uma diminuição de 75% dos espectadores nas  salas de cinema portuguesas, uma perda de quase 12 milhões de bilhetes vendidos; cerca de 28 mil profissionais de saúde foram infectados desde que a pandemia começou, há um ano.

 

ARCO DA VELHA  - A Assembleia da República revelou estar “com dificuldades em contactar” Carlos Costa,  ex-governador do Banco de Portugal, para depôr numa Comissão Parlamentar. O ex-governador, questionado por um jornal, disse residir na mesma casa há 21 anos, e continuar com o mesmo número de telemóvel e o mesmo endereço de email pessoal de sempre.

 

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BAIRRO DOS MUSEUS VIRTUAL -  Esta semana deixo aqui duas sugestões de visitas virtuais ligadas ao sexto aniversário do Bairro dos Museus, uma iniciativa desenvolvida desde 2015 pela Câmara Municipal de Cascais e pela Fundação D. Luís e que tem fomentado actividade em equipamentos como,  o Centro Cultural de Cascais, o Museu Condes de Castro Guimarães, o Museu do Mar Rei D. Carlos e a Casa das Histórias Paula Rego, entre outros.  Para assinalar o sexto aniversário do Bairro dos Museus, e já que por força da pandemia os equipamentos estão encerrados,  foi lançada uma visita virtual à exposição “Paula Rego e Josefa de Óbidos: Arte Religiosa no Feminino”, patente na Casa das Histórias Paula Rego, e que pode ser vista através nas páginas de Facebook Cultura Cascais, da Casa das Histórias Paula Rego e da Fundação D. Luís I, ficando ainda disponível no site da Fundação D. Luís I. E entretanto também já está disponível nas redes sociais da Fundação D. Luís I (Facebook e canal de Youtube), e da Cultura Cascais, o primeiro de sete episódios sobre a visita virtual à exposição “Vivian Maier: Street Photographer” , com comentários da curadora Anne Morin  que logo que a pandemia permita poderá ser visitada no Centro Cultural de Cascais.

 

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O SOM DOS 80s - Um pouco por acaso, num destes dias,  dei comigo a ver na RTP2 um documentário sobre os Pop Dell’Arte, uma banda portuguesa nascida em inícios dos anos 80 pela mão de João Peste, que aliás hoje continua a manter o projecto em funcionamento, mesmo que com muitos interregnos pelo meio. Os Pop Dell’Arte nasceram em Lisboa, em 1985, tendo João Peste como vocalista, Zé Pedro Moura como guitarrista, Ondina Pires como baterista, Paulo Salgado como baixista e Luís Saraiva como percussionista. Ao ver o documentário recordei-me como os Pop Dell’Arte foram um dos grupos mais influentes dos anos 80 e 90, quer pela pela forma de expressão e presença de João Peste, quer pela forma disruptiva que assumiram musicalmente. Por lá passaram, além dos fundadores, nomes como Luis San Payo, Rafael Toral, Nuno Rebelo, Sei Miguel, João Paulo Feliciano, Pedro Alvim, JP Simões, General D, entre muitos outros. No fundo Pop Dell’ Arte envolveu gerações de músicos que deixaram marca na cultura urbana, marca também acentuada pela editora Ama Romanta, uma ideia de João Peste que em Maio de 1986 lançou ano o álbum “Divergências” onde aparecem, além dos Pop Dell’Arte, nomes como Mler Ife Dada,  Croix Sainte, Anamar, Essa Entente, Linha Geral, A Jovem Guarda ou Bye Bye Lolita Girl, entre outros. Estreado em 2018, o documentário “Ainda Tenho Um Sonho ou Dois – A História dos Pop Dell’Arte” é da autoria do Nuno Duarte e Nuno Galopim e está disponível no RTP Play.

 

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VISITA AO PASSADO - “O Milagre de São Francisco” foi o primeiro sucesso de John Steinbeck, tinha ele 33 anos. Publicado em 1935, quatro anos antes de “As Vinhas da Ira”, a meio da Grande Depressão que varreu a economia norte-americana durante a década de 30, o livro enquadra bem o clima da época, ainda para mais numa zona então fortemente empobrecida. “Tortilla Flat”, o seu nome original, passa-se em Monterey, uma pequena cidade a sul de S. Francisco, junto ao mar, numa baía, não muito longe de Silicon Valley. Hoje é uma zona muito procurada por californianos que não querem viver nas grandes cidades. Na época era uma zona industrial muito ligada à pesca e indústria conserveira, longe de estar na moda. O livro conta-nos a história de um grupo de vagabundos que vivem numa das colinas à volta de Monterey. Um deles, Danny,  herda subitamente duas casas e converte-se, nos padrões de então e no meio em que vivia, num rico proprietário, à mesma sem dinheiro, mas com a ilusão de uma riqueza idealizada. Ele que dormia na rua, passou a ter um tecto e albergava quem lhe aparecesse. A sua vida no entanto não mudou no essencial, continuou sem nada fazer, na expectativa de que algum dos seus amigos trouxesse vinho para casa, como se fosse a compensação por ele os deixar partilhar o espaço. O livro é um manual sobre as relações humanas no meio de expedientes, de pequenas intrigas e conspirações, num círculo fechado de amigos que procuram sobreviver sem muitas maçadas. Da mesma forma como a herança veio, esfumou-se - assim como a vida do próprio Danny, a quem o sentimento de posse e propriedade afligia. Reedição , na colecção Dois Mundos dos Livros do Brasil.

 

CULINÁRIA TIKTOKNeste confinamento tudo é possível - até uma receita simples tornar-se viral através da rede social TikTok. A história merece ser contada: em 2018 uma blogger finlandesa colocou um post com uma sua receita, a que chamou unnifetapasta. A coisa foi ganhando tracção e já este ano alguém no TikTok lançou a receita e num ápice ela tornou-se viral. Foi de tal modo que nos Estados Unidos houve supermercados que esgotaram o queijo feta e tiveram que reforçar as encomendas significativamente, colocando algumas fábricas do produto à beira de um ataque de nervos. A receita passou a ser conhecida como TikTok Feta Pasta  e uma busca na Google produz mais de um milhão de resultados diferentes. A base da receita é sempre a mesma: um recipiente de ir ao forno, um pouco de azeite no fundo,  com um bloco de queijo feta no meio, rodeado de tomate cherry inteiro. Rega-se tudo bem com azeite, tempera-se com alho cortado fino, oregãos, sal e peperoncino em flocos. Vai ao forno a 200 graus durante trinta minutos. Entretanto coloca-se a massa a cozer em água salgada - pode ser conchas, lacinhos e até cotovelos. Guarda-se um pouco da água da cozedura e escorre-se quando estiver al dente. Ao fim da meia hora o tabuleiro sai do forno, o queijo estará quase derretido e mexe-se tudo - tomate e queijo - muito bem, criando um molho grosso. Deita-se a massa escorrida por cima, envolve-se tudo com o molho e se necessário adiciona-se um pouco da água da cozedura que foi reservada. Por cima  deitam-se folhas de basílico cortadas e serve-se. É um sucesso e um rosé acompanha bem.

 

DIXIT - “A esquerda é actualmente a mais importante força de estabilidade e de conservação política. Se pudesse, tudo ficava como está. Aos outros, na oposição, nas margens e nas extremas, compete o mais difícil: reconquistar, reorganizar, renovar e consolidar.” - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “O grande problema que existe no mundo é que os fanáticos e os loucos estão sempre cheios de certezas, enquanto as pessoas sensatas têm dúvidas” - Bertrand Russell



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AFINAL QUEM ANDA A TRAMAR A CULTURA?

por falcao, em 26.02.21

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SOBRE O FINANCIAMENTO DA CULTURA - Na semana passada foi divulgada uma “Carta Aberta da Cultura a António Costa”. O documento critica a inexplicável omissão da Cultura no Plano de Recuperação e Resiliência e sublinha, com razão, que “numa época em que a coesão democrática é um tema de preocupação transversal, parece um erro grave que o nosso Governo opte por não investir no futuro de um sector tão fundamental para essa coesão”. Mais, os subscritores afirmam, também com razão, que a não existência de qualquer proposta relativa ao investimento na Cultura no PRR, terá a médio prazo consequências económicas, sociais e políticas. Partilhando eu deste diagnóstico, gostaria no entanto de propôr uma outra abordagem: esta poderia ser a altura ideal para que o Ministério das Finanças possibilitasse uma Lei do Mecenato atractiva para os privados e que criasse, à semelhança do que existe em tantos outros países, verdadeiros incentivos que permitam que o Estado tenha menos encargos na subsidiação e que os privados tenham maior papel no financiamento das artes e cultura. Não é uma visão utópica - ela é posta em prática em muitos países europeus e na América do Norte, onde a sociedade civil assume com gosto um papel, por vezes mais relevante que o do Estado, nesta matéria - e com bons resultados. O Ministério dos Impostos, conhecido vulgarmente por Ministério das Finanças, nunca quer prescindir da colecta. É medieval no pensamento mas moderno na tecnologia de extorsão - um paradoxo muito produtivo para o Estado e para todos os Governos, sem excepção, que protegem a máquina que abana os bolsos de cidadãos e empresas. Eu não defendo a diminuição dos subsídios, defendo que o financiamento à Cultura seja mais diversificado. Nunca vai ser um processo rápido, mas o Estado também não é rápido, muito menos neste sector cultural. Por isso, quanto mais cedo começar a ser possível diversificar financiamentos, melhor. Enquanto os subscritores do documento  se virarem só para o Governo, em vez de exigirem mais fontes de financiamento, nunca vamos sair da cepa torta nesta matéria. Como a eurodeputada Maria da Graça Carvalho afirmou num recente artigo, a União Europeia “integrou os sectores cultural e criativo numa lista de ecossistemas industriais prioritários para a recuperação económica.” Recorda ainda que, por isso, o Primeiro Ministro “não deve agora vir invocar supostos condicionalismos decorrentes da ligação obrigatória dos planos de recuperação aos pilares das transições verde e digital”. E culmina com uma evidência, que se aplica também à reacção de António Costa ao abaixo assinado já referido:  “Para passar por bom aluno, é preciso revelar melhor conhecimento da matéria dada.” 

 

SEMANADA - Mais de 80 por centos dos portugueses deseja que Marcelo seja mais exigente com o Governo, revela uma sondagem do Correio da Manhã - e mais de dois terços considera que o PR foi demasiado benevolente com o executivo nos meses que antecederam as eleições presidenciais;  um novo estudo indica que mais de três quartos dos portugueses estão pessimistas quanto à evolução económica, pelo que grandes decisões como mudar de emprego, casar, ter filhos, comprar casa ou carro estão fora dos seus planos para 2021; uma sondagem da Aximage indica que no actual confinamento o trabalho presencial está a superar o teletrabalho, nomeadamente fora da área metropolitana de Lisboa; uma equipa da Universidade de Coimbra fez um estudo onde 14% dos adolescentes, com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos apresentam "sintomatologia depressiva elevada" devido à pandemia com as raparigas a apresentarem valores mais elevados que os rapazes; existem actualmente mais 104 mil pessoas no desemprego do que há um ano; a DECO recebeu s 30.100 pedidos de ajuda em 2020 por parte de famílias sobre-endividadas; há mais de 1,3 milhões de portugueses ligados a plataformas de ensino à distância; os agentes e militares que fazem a triagem das chamadas de emergência do 112 não auferem gratificação desde setembro, sendo que o INEM transferiu dinheiro para a PSP e para a GNR em dezembro mas os agentes ainda não o receberam; no plano de recuperação e resiliência cerca de 70% dos dinheiros da bazuka vai para o Estado e 30% para o sector privado.

 

ARCO DA VELHA  - Um grupo de quatro dezenas de personalidades, entre elas professores universitários da área da comunicação, subscreveram uma carta aberta onde, em nome da democracia, apelam à ingerência nos critérios editoriais dos noticiários de televisão.

 

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O PROCESSO CRIATIVOAna Vidigal (na imagem), Alice Geirinhas, António Olaio, Cristina Ataíde, Rita Barros, Inês Almeida, António Faria,  e Manuel Botelho são alguns dos 25 artistas que já enviaram vídeos feitos pelos próprios, e que vão entrando em exibição nas redes sociais do Museu Nacional de Arte Contemporânea. Emília Ferreira, directora do Museu, solicitou a cerca de 130  artistas visuais que criassem pequenos vídeos sobre o seu processo de trabalho, para que fossem mostrados ao público, através do Facebook e Instagram do MNAC, durante estes tempos de confinamento. O desafio era o envio de vídeos feitos com o telemóvel, com o máximo de três minutos, Dos contactados uma centena respondeu afirmativamente, mais de duas dezenas já enviaram os seus vídeos que vão sendo publicados no Facebook e no Youtube, em visualização acessível ao público desde o início de Fevereiro. Dada a adesão, admite Emília Ferreira, é provável que a publicação continue para além do confinamento. O Facebook do MNAC é particularmente bem conseguido e além destes vídeos há uma bela série intitulada “Histórias do Bairro” onde são recordadas lojas históricas da zona onde o Museu está instalado, entre elas algumas das primeiras galerias de arte que nasceram em Lisboa na primeira metade do século passado. https://www.facebook.com/museunacionaldeartecontemporanea

 

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ARREBATADOR - Um dos discos que neste confinamento mais me sobressaltou é “For The First Time”, dos britânicos “Black Country New Road”. Trata-se de um septeto, cheio de talentos instrumentais e de uma voz que cria palavras e as interpreta como é raro alguém conseguir - Isaac Wood. Não é fácil catalogar esta música, que tem tantas influências culturais e vai beber   inspiração a tantas fontes. Mas uma coisa é certa, entre o saxofone, as guitarras, as teclas, a percussão e tudo o resto passa uma autenticidade e uma energia que hoje em dia são raras. O que aqui se desenha é um novo mapa do território da música popular, é uma alternativa às versões e às manobras de produção. Há aqui um lado libertino que envolve a criação musical do grupo. A forma como Wood escreve, fala e canta contribui para este sentimento de que alguma coisa de novo está a acontecer. E o álbum, “For The First Time”, nos seus 40 minutos divididos em seis longas faixas, às vezes obsessivamente envolventes, é um permanente abanão. Disponível nas plataformas de streaming, editado pela Ninja Tune.

 

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REVISITAR O PASSADO - Temos um problema em olhar para o passado, um trauma que se mantém quase meio século depois de 1974. Olhamos raramente para a nossa História do século XX e, as mais das vezes, mal. Felizmente não é isso que acontece com “Projectos Editoriais e Propaganda - Imagens e Contra-Imagens no Estado Novo”, uma edição do Instituto de Ciências Sociais, coordenada por Filomena Serra, Paula André e Sofia Leal Rodrigues. O livro aborda «projectos editoriais» do período entre 1934 e 1974, entendidos quer enquanto materiais impressos, com abundante documentação fotográfica sobre livros, catálogos, guias de viagem, álbuns ou fotolivros. Além disso mostra revistas como a Panorama, ou a produção documental de divulgação das várias exposições que o anterior regime promoveu. Logo no texto inicial dá-se conta da enormidade do que está em causa: Entre 1934 e 1947, segundo o Catálogo Geral das Edições do Secretariado Nacional de Informação, dirigido por António Ferro, foram publicados 1355 títulos de diversas áreas. Os autores sublinham que “os projectos editoriais são pensados enquanto objectos de mediação entre o poder político e o campo cultural e enquanto propaganda política e arte, pois os seus autores – fotógrafos, pintores, poetas, realizadores, produtores e designers – criam discursos imagéticos próprios a fim de responderem a objectivos comunicacionais de massas, estabelecerem relações e estratégias conceptuais e gráficas, produzirem diferentes suportes e novas formas de editar, publicar e circular pelo público. E, finalmente, esta obra aborda não só os projectos editoriais da propaganda visual do regime como em oposição a ele, depois da Segunda Guerra Mundial, aquilo a que os autores chamam «contra-imagens». Disponível em boas  livrarias que estejam abertas e na Wook.

 

SOPINHA DE INSPIRAÇÃO ORIENTAL  - Conhecida como couve chinesa, hoje em dia começa a ser fácil encontrar nalguns supermercados couve pak choi, na maior parte dos casos cultivada em Espanha. No meio deste confinamento a alternativa para variar o menu é procurar receitas que possam surpreender quem nos acompanha na clausura. Consegui isso um dia destes com uma sopa simples de fazer. A base é um caldo de galinha de boa marca, diluído em dois terços de um litro de água. Uma vez o caldo a ferver colocam-se duas peças de pak choi, desfeitas e cortadas grosseiramente e deixam-se uns cinco minutos a cozer. Adiciona-se pimenta moída na altura e molho de soja de boa qualidade, assim como pedaços de gengibre fresco cortado em lâminas finas e um pouco de óleo de sésamo. Quando a couve começa a ficar tenra, adicionam-se dois novelos de noodles de arroz e logo que a massa se esteja a separar deitam-se dois ovos a escalfar no caldo, separados um do outro para ser mais fácil de servir. Quando a clara dos ovos começar a ficar branca, opaca e consistente pode servir duas doses para dois pratos fundos. Polvilhe com cebolinho fresco cortado fino. Está feito o jantar. Bom apetite.

 

DIXIT - “A melhor forma de capitalizar é não retirar imposto das empresas que têm resultados e reinvestem” - Carlos Moreira da Silva num debate sobre o Plano de Recuperação e Resiliência.

 

BACK TO BASICS - “Os factos são o inimigo da verdade” - Miguel de Cervantes

 

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O uso das boxes dos operadores de telecomunicações permitem desde há algum tempo fazer gravações automáticas dos programas emitidos no espaço de uma semana. E hoje em dia já são medidas as audiências dessas gravações. O programa que mais frequentemente lidera a tabela dos mais vistos no espaço de 24 horas a seguir à emissão original é “Isto É Gozar Com Quem Trabalha”, que na semana passada foi visto por cerca de 150 mil pessoas nesse espaço de tempo. Também nas 24 horas seguintes ficou em segundo lugar a novela “Amor Amor”. E, entre os que mais espectadores obtiveram nos sete dias a seguir à emissão destacam.-se os programas da SIC “Totalmenmte Demais” e “A Máscara”. Desde o início deste ano a SIC esteve à frente das audiências todas as semanas e neste momento a sua média de share de audiência é 2% superior em relação à TVI. Na semana passada o programa mais visto foi emitido pela TVI, a transmissão do jogo entre o Sporting de Braga e o Futebol Clube do Porto, que ultrapassou o milhão e meio de espectadores. Em segundo lugar, com menos cerca de 200 mil espectadores, ficou a novela “Amor Amor”, da SIC. Na RTP1 os dois programas mais vistos foram “O Preço Certo” e o “Telejornal” e na RTP2 os dois programas mais vistos foram as séries “O Jovem Montalbano, que liderou, e “O Desertor”. Na SIC, para além de "Amor Amor” o segundo programa mais visto foi “Isto É Gozar Com Quem Trabalha”. E, na TVI, o segundo programa mais visto depois do jogo da Taça de Portugal foi a novela “Bem Me Quer”.mNum universo televisivo em que os primeiros lugares de audiências são disputados por transmissões de futebol, telenovelas, Ricardo Araújo Pereira e alguns reality shows, os canais generalistas continuam estáveis mas, no conjunto, são vistos apenas por cerca de metade dos espectadores, enquanto a maioria da outra metade vai para os canais de cabo e o restante para as plataformas de streaming e jogos online.

(Publicado na revista  do Correio da Manhã SEXTA Guia do Lazer de dia 19 de Fevereiro)

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publicado às 09:55

O ECRÃ DO SERVIÇO PÚBLICO

por falcao, em 19.02.21

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O ECRÃ E O PÚBLICO - Neste confinamento estamos a assistir a um fenómeno interessante, sobretudo em comparação com o que aconteceu há um ano. Nessa altura, quando toda a gente foi para casa pela primeira vez, o consumo de televisão subiu brutalmente e em Março verificou-se mesmo a maior audiência do ano. Agora não está a acontecer isso e, na semana passada, o consumo até desceu em relação à semana anterior. Num universo televisivo em que os primeiros lugares de audiências são disputados por transmissões de futebol, telenovelas, Ricardo Araújo Pereira e alguns reality shows, os canais generalistas continuam estáveis mas, no conjunto, são vistos apenas por cerca de metade dos espectadores, enquanto a maioria da outra metade vai para os canais de cabo e o restante para as plataformas de streaming e jogos online. No meio de tudo isto cabe aqui destacar o que a RTP tem feito - quer em séries como a “Crónica dos Bons Maladros”, quer em documentários como “Deus Cérebro” ou “Artur Entre Paredes”, na RTP1. Mas também a RTP2 tem exibido documentários como “A Descolonização" e sobretudo tem programado séries  absolutamente exemplares como a alemã “O Desertor”, a australiana ”Operação Búfalo” ou o thriller belga “O Dia”. Melhor ainda, uma larga parte das emissões dos canais RTP mantêm-se disponíveis após exibição na plataforma de streaming gratuita RTP Play, onde os programas aqui referidos permanecem para serem vistos. Serviço público é isto também - apostar na produção nacional, fazer encomendas regulares, mostrar a produção audiovisual de outros países, Se não houvesse serviço público audiovisual em Portugal não teríamos esta gama de opções - nem aí, nem nos canais de rádio, todos eles (incluindo os regionais) também disponíveis no RTP Play, onde aliás alguns existem em exclusivo, como a rádio Jazz por exemplo. O consumo que fazemos de mídia está a mudar. E este último ano é bem prova disso.

 

SEMANADA - Em 2020 Portugal perdeu uma média de 45 mil turistas por dia, uma quebra global de 61% de visitantes estrangeiros face ao ano anterior; o número de passageiros nos aeroportos nacionais afundou 69% em 2020 face ao período homólogo e o movimento de carga e correio nos aeroportos em Portugal registou uma queda de 30%; o calçado perdeu 462 milhões em exportações nos últimos três anos; o novo presidente do Tribunal Constitucional, João Caupers, escreveu há 11 anos um texto com críticas ao “lobby gay” a propósito da alteração ao código civil, então aprovada, que permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo; as livrarias que só vendem livros continuam de porta fechada;  o sector livreiro estima perdas superiores a quatro milhões de euros sofridas no decorrer deste confinamento; no conjunto das administrações públicas, que inclui as autarquias, em 2020 entraram mais de 19.792 funcionários no Estado; o SNS perdeu cerca de 800 médicos desde o início da pandemia; em 2020 as vendas de computadores atingiram mais de 470 milhões de euros; o Sistema de Segurança Interna (SIS) elaborou um plano de combate ao extremismo em 2017 que nunca foi apresentado ao Parlamento; cerca de 90% dos documentos de inquérito da venda do  Novo Banco à Lonestar estão classificados como confidenciais; um inquérito agora divulgado indica que na Universidade de Coimbra 74% dos estudantes em confinamento pensaram em deixar de estudar e 66% revelam sentimentos de ansiedade; mais de 13 mil contraordenações foram levantadas pelas polícias em janeiro e fevereiro no âmbito do estado de emergência, um número superior ao total de 2020.

 

ARCO DA VELHA - O Governo já apresentou um plano de recuperação e resiliência baseado na distribuição de milhares de milhões de euros da basuka dos apoios europeus, mas um portal da transparência para acompanhar a execução desses fundos, aprovado no Parlamento  com os votos contra do PS, continua no esquecimento.

 

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FILME & FOTOGRAFIA -  Serralves tem a seu cargo a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, um espaço integrado no parque da Fundação. E, na Casa do Cinema está desde finais do ano passado a exposição “Manoel de Oliveira Fotógrafo”, que junta cem fotografias, na sua maioria inéditas, tiradas entre os anos de 1930 e 1950.  A exposição baseia-se em tiragens originais da época, algumas com impressões feitas pelo próprio Manoel de Oliveira e outras que resultam de ampliações de negativos que existiam no acervo. Com base na exposição, que tem curadoria de António Preto, foi publicado um catálogo onde em edição bilingue se incluem cinco ensaios originais sobre o trabalho fotográfico do realizador, a par da reprodução de todas as imagens presentes na exposição e de uma série de outras fotografias que se dão, deste modo, a ver pela primeira vez.  Além de António Preto escreveram Bernardo Pinto de Almeida,  Emília Tavares,  Maria do Carmo Serén e David Campany. A este trabalho de reflexão e investigação acresceu-se, um texto escrito por Manoel de Oliveira no final dos anos 1990, intitulado “Angélica, um filme que não me deixaram fazer”, onde o realizador dá a conhecer o episódio verídico que inspirou o projeto do filme (escrito em 1952, mas só realizado em 2010, como “O Estranho Caso de Angélica”), que, de certo modo, marca o fim da sua relação com a fotografia como forma de expressão artística. No canal YouTube da Fundação de Serralves estão disponíveis conferências de Bernardo Pinto de Almeida sobre esta exposição, assim como uma visita guiada. E,  enquanto não se pode ver a exposição, podem encomendar o catálogo na loja online de Serralves.

 

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GUITARRADA SUAVE - Jakob Bro é um guitarrista dinamarquês que tem gravado para a etiqueta ECM e “Uma Helmo”, é o seu quinto álbum, desta vez com um novo trio que integra também o trompetista norueguês Arve Henriksen  e o baterista espanhol  Jorge Rossy, que trabalhou muitos anos ao lado de Brad Mehldau. Como curiosidade diga-se que a primeira vez que os três músicos tocaram juntos foi precisamente nas sessões de gravação deste álbum, que decorreram num estúdio da Rádio Suíça em Lugano. O álbum tem nove temas (oito originais, um deles com duas versões), cerca de uma hora de duração, momentos quase hipnóticos que passm por homenagens a outros músicos como o trompetista polaco Tomasz Stanko e ao saxofonista Lee Konitz, ambos músicos com quem Bro tocou. O tema de homenagem a Konitz, “Music For Black Pigeons” é aliás um dos mais interessantes de todo o álbum. Vale a pena sublinhar que a guitarra de Bro, como a revista “Downbeat” faz notar, é ao mesmo tempo luminosa e dramática. Na maior parte dos temas a iniciativa vem do trompete de Henriksen, que depois a guitarra de Bro segue de forma suave, bem pontuada pela bateria de Rossy. O álbum tem uma sonoridade homogénea, subtil e algo etérea, que se mantém ao longo de todos os temas. CD ECM, disponível em streaming.

 

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OBSERVAÇÃO HUMANA - Quando pego num livro novo vou logo ver a primeira página de texto. Se me desperta curiosidade, sigo. Se é um enfado, arrumo. “Morrem Mais de Mágoa”, de Saul Bellow começa pelo relato de uma conversa que, no fundo, é uma análise de uma banda desenhada, um “cartoon” de imprensa. O livro relata os dilemas de um especialista em literatura russa, Kenneth Trachtenberg, o narrador desta história. Ele  é um especialista em literatura russa, que deixa Paris rumo à América ao encontro do tio, Benn Crader, um botânico famoso com quem debate os temas mais diversos e reflete sobre a vida moderna. A relação entre o tio e o sobrinho, as longas discussões que mantêm sobre os desígnios do amor e do desejo, dão corpo a uma narrativa cheia de humor, inteligência e sabedoria, analisando a natureza humana com uma ironia fina, através da densidade de personagens que constrói. Editado originalmente há onze anos pela Quetzal, que agora o volta a publicar em edição revista e com nova capa, “Morrem Mais de Mágoa”, escrito em 1987, é considerado um dos  grandes romances de um dos  mestres da narrativa do século passado, Samuel Bellow, que foi Prémio Nobel da Literatura em 1976. Disponível onde ainda se puderem comprar livros.

 

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A IGUARIA DOS RIOS - O meu post de Facebook que obteve maior número de likes e de comentários dos últimos tempos foi um que fiz manifestando a minha tristeza pela dificuldade que é, na conjuntura do confinamento, provar um bom arroz de lampreia. Sou um devoto da polémica iguaria, que tanto tem de adeptos como de inimigos. Mas os adeptos são ferozes defensores do ciclóstomo e um deles, velho amigo, até me desafiou a organizar um partido da ciclostomologia na clandestinidade. Recordo-me com saudade das lampreias no Manel do Parque Mayer e do Apuradinho, da Rua de Campolide. E tive igualmente boas experiências no Solar dos Presuntos, na Adega Tia Matilde e na Tasca do João, ao Lumiar. Muitos dos meus dedicados amigos, sentindo as minhas saudades, disseram-me que estas três últimas casas fazem lampreia em take away e que a coisa funciona bem. E acrescentaram à lista a Imperial de Campo de Ourique, o Pinóquio, o Marquês de Palma e o Escadinhas da Cruz da Pedra, perto do Hospital da Cruz Vermelha. Dos vários géneros prefiro o arroz, vou pela bordalesa só na segunda prova da época, mas aqui há uns anos experimentei, no Solar dos Presuntos,  uma lampreia assada, confeccionada inteira, que é de se lhe tirar o chapéu. Fiquemo-nos então a explorar a possibilidade do take away de lampreia enquanto não chegam melhores dias. Outro grande e velho amigo recordou-me que é em Entre-Os-Rios que se come a melhor de todas. E já apalavrámos que, se o bicho permitir, para o ano lá nos encontraremos.

 

DIXIT - “A questão da vacinação é uma falha em toda a linha, não é nacional, é europeia. A política e a realidade industrial estão abissalmente separadas (…) A covid reflete as disfuncionalidades da União Europeia” - Isabel Capeloa Gil, Reitora da Universidade Católica.

 

BACK TO BASICS - “Há muitas mentiras à solta a serem espalhadas pelo mundo fora, mas o pior de tudo é que afinal algumas têm fundo de verdade” - Winston Churchill



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Na semana de 1 a 7 de Fevereiro o consumo de televisão manteve-se estável, sem aumentos, o que é um sinal de que o efeito do confinamento é menor que há cerca de um ano. Por outro lado a audiência dos canais generalistas subiu ligeiramente, e a dos canais de cabo e streaming desceu, também ligeiramente. Se olharmos com mais atenção para os canais de cabo vemos que o CMTV é lider em todo o país mas depois regionalmente há diferenças nos lugares seguintes. Por exemplo, no Norte a Globo aparece em segundo lugar do cabo e o canal Hollywood em terceiro, enquanto na região Centro a Fox lidera, seguida da Fox Life, em Lisboa a TVI Reality é o segundo canal do cabo, atrás do CMTV mas à frente da SIC Notícias e no Sul volta a Fox ao segundo lugar, seguida da SIC Notícias.

Nos canais generalistas o melhor resultado da SIC é conseguido no Norte, o melhor resultado da TVI é conseguido na Grande Lisboa e a RTP1 tem o melhor resultado na região Sul, onde fica em segundo lugar, à frente da TVI. O melhor resultado da RTP2 é conseguido na região Centro. A SIC liderou todos os dias da semana a nível nacional e colocou 14 programas nos vinte mais vistos, a TVI colocou três e a RTP1 mais três. O programa mais visto da semana foi o Jornal da Noite da SIC de Domingo passado, o da TVI foi a novela “Bem Me quer” , na RTP1 continua a liderar “O Preço Certo” e na RTP2 o mais visto foi “O Jovem Montalbano”. No cabo a CMTV teve os dez programas mais vistos.

(Publicado na revista CM Guia do Lazer) 

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