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por falcao, em 21.05.07
LISBOA- Os dois principais candidatos a Lisboa têm dois pontos comuns nas respectivas carreiras políticas: em primeiro lugar o facto de terem estado ligados à coordenação da actividade de forças policiais; em segundo lugar o facto de não se lhes conhecer nenhuma ideia sobre uma metrópole como Lisboa, para além da evidência do seu mau estado. PS e PSD optaram por escolher juristas, especializados na área policial e na politiquice – isto quer dizer tudo sobre a forma como os partidos encaram a gestão de uma grande cidade e até sobre a natureza dos quadros desses partidos: controlo, manobra, jogos de poder. A nenhum destes candidatos se lhes conhece obra feita fora da política ou da vida académica, não se lhes conhecem ideias nem projectos complexos executados – excepção feita à paródia da corrida entre um burro e um Ferrari, de Loures a Lisboa, a única bandeira eleitoral de António Costa que ficou na memória na sua anterior disputa autárquica. Mas como não é de mais cómicos que Lisboa precisa, estamos conversados. Curioso, curioso, é o facto de a sua candidatura se estar a tornar num lugar comum do politicamente correcto, de Saldanha Sanches a José Miguel Júdice. Mas isso já é outro campeonato…

VER – Astor Piazzolla tornou-se conhecido pela renovação que fez ao tango argentino. Em meados dos anos 80 apresentava o tango como a música contemporânea da cidade de Buenos Aires e começou a surpreender o mundo com o seu bandonéon. Passou por Lisboa, que me lembre duas vezes. Morto prematuramente em 1992, do seu enorme talento ficam os numerosos discos que gravou e, agora, este DVD em que ele toca, interpreta e fala. O filme é de José Montes- Baquer e mostra Piazzola acompanhado pelo seu quinteto, pelo guitarrista Álvaro Pierri e ainda por uma orquestra de cordas dirigida pelo maestro Pinchas Steinberg. As gravações da actuação são cruzadas com depoimentos de Piazzola sobre a sua vida, a sua carreira e o tango - « a música que se mete debaixo da nossa pele», como ele gostava de dizer. O som foi remasterizado para surround, a gravação original é de 1985 e foi feita em Colónia e inclui duas das mais importantes obras da carreira de Piazzola – o «Concerto para Bandoneon, Orquestra de cordas e percussão», de 1979, e o «Duplo concerto para Bandoneon, Guitarra e Orquestra de cordas», estreado em Liège em 1985. (The Next Tango, Astor Piazzola, DVD Deustche Grammophon, Distribuição Universal Music).

OUVIR – A Stax foi talvez a mais importante editora discográfica no universo da música soul. Criada em 1957, em Memphis, criou um som próprio e foi a casa onde se estrearam em disco nomes como Carla Thomas, Booker T, Eddie Floyd, Otis Redding, Sam and Dave, Isaac Hayes, The Bar-Kays e The Staple Singers, entre muitos outros. As características únicas de sonoridade de um velho teatro reconvertido em estúdio, onde foram gravados muitos dos discos do catálogo, assim como a tensão própria da evolução da música negra no início dos anos 60, foram determinantes para que a Stax ganhasse uma imagem de marca única no panorama da música popular anglo-americana. Em 1968, com a morte de Otis Redding, o assassinato de Martin Luther King e de tudo o que se seguiu, a Stax entrou numa fase de declínio, de onde nunca recuperou verdadeiramente. Este ano a Stax completa 50 anos, e a Universal Music, actual detentora do catálogo, decidiu fazer reviver a marca, editando uma caixa de dois CD’s e um belíssimo livro, que conta detalhadamente a história da empresa e de boa parte de uma música que tem influências muito para além do tempo em que foi gravada. Aqui estão temas como «I’ve Been Loving You Too Long», »Respect», «Knock On Wood», «Soul Man», «Walk On By». Caixa com duplo CD, distribuição Universal Music.

PETISCAR – No restaurante «La Brusketta» o prato do dia são sempre petiscos, feitos em torno do conceito italiano das bruschettas, uma fatia de pão de boa lavra sobre a qual se adicionam vários ingredientes em combinações mais ou menos improváveis. Em Portugal há petisco com origens parecidas nos torricados ribatejanos, infelizmente muito ignorados pela nossa restauração. No caso do «La Brusketta» a qualidade das propostas associa-se a uma sala ampla e muito agradável, infelizmente a nota negativa vai para o serviço, e aí é necessária uma enorme dose de paciência já que o desinteresse dos empregados pelos clientes roça o absurdo – hei-de um dia destes voltar a uma doença profissional que varre os empregados de restaurantes: olhar fixo no horizonte, sem conseguirem detectar um único sinal de um cliente que chame, sem se preocuparem sequer em ver o que de facto se passa na sala.

BACK TO BASICS – Em vez de dar a um político as chaves da cidade, melhor seria mudar as fechaduras – Doug Larson.

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