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por falcao, em 06.05.07
NÓS - Desde há muito tempo que penso que o futuro da língua e da cultura portuguesas se decide, não fundamentalmente na escrita e nos livros, mas na oralidade moderna que surge na produção audiovisual, sejam filmes, curtas metragens e documentários, vídeos, discos ou toda a gama de produtos feitos para serem vistos e ouvidos. Se Portugal não marcar um lugar na paisagem audiovisual, a língua morrerá por falta de uso e a cultura ficará estagnada debaixo de uma pilha de pó. Acontece que, para Portugal conseguir uma presença nesta galáxia de som e imagem, nos mini-ecrãs ou nos ecrãs tradicionais, precisa de criar uma indústria audiovisual e não de fomentar um artesanato. Os sucessivos governos têm preferido os jogos florais e o artesanato.


DIFERENÇAS - Vem isto a propósito de dois filmes, de recente produção portuguesa, que vi no espaço de uma semana. Dois regimes de produção diferentes e de certa forma ao contrário do que costuma ser: de um lado um filme, em película, feito «dentro do regime», com apoios oficiais, participação do Ministério da Cultura e da RTP, mas que apostou em conseguir comunicar; do outro lado uma excursão nas possibilidades do vídeo de alta definição, feito à margem do regime, sem subsídios nem benesses, mas com um discurso radical e marginal. O primeiro caso é baseado em «O Mistério da Serra de Sintra», de Ramnalho Ortigão e Eça de Queiroz; o segundo, num conto de Branquinho da Fonseca, «Rio Turvo».


INTERESSANTE - «O Mistério da Serra de Sintra» conta com uma boa produção, uma excelente fotografia, uma direcção de actores que mostra o talento do José Pedro Vasconcelos dos reality shows, e sobretudo um grande argumento, boas falas, bom ritmo, boa realização, assinada por Jorge Paixão da Costa, um dos poucos realizadores portugueses a apostar na capacidade de comunicação e não no hermetismo militante nascido de boa dose de preguiça e auto-complacência.


DIFERENTE - «Rio Turvo» é feito com poucos meios, mas com um enorme trabalho na concepção da imagem, na realização, na edição e na pós –produção. Este filme, uma curta metragem de 70 minutos, parece um produto de luxo ao pé de muitos filmes portugueses onde para sempre será um mistério o destino dado ao orçamento. As estrelas do filme são bem conhecidas: Teresa Salgueiro, Nuno Melo, Manuel João Vieira, para citar apenas alguns. A história é ela própria um sinal dos tempos que correm: o conto de Branquinho da Fonseca relata as peripécias da construção de uma pista de aviação no Ribatejo e o mistério em torno de uma figura inspiradora do director da obra, um bode chamado Sócrates que o realizador Edgar Pêra achou por bem renomear como Platão, por causa dos tempos que correm.


VER – Teresa Sobral é a actriz de «A Gaivota», de Tchecov, que o Teatro da Cornucópia apresenta por estes dias no Teatro Municipal de Almada. Ela é também o sujeito das fotografias da exposição que André Gomes apresenta na galeria do mesmo Teatro, até dia 27 deste mês. «Masha» é o nome do personagem de Teresa Sobral e é também o nome da exposição, que apresenta fotografias feitas em Polaroid e posteriormente digitalizadas, como vem sendo timbre de André Gomes.



LER – Pessoalmente gosto de ler livros de memórias. Raymond Aron é o estereotipo francês do intelectual de direita, amigo de Sartre mas seu jurado adversário. Académico, jornalista, Aron vive o século XX entre 1905 e 1983 – e esta autobiografia vai exactamente até 1982, um ano antes da sua morte. É a História do Século vista por interposta pessoa, com passagem pelo pós guerrea, o gaullismo e o Maio de 68. Uma leitura apaixonante, agora editada em Portugal pela Guerra e Paz. Memórias de Ray,mond Aron, 671c páginas.


PETISCO - Gosto de salgadinhos. Uma feliz circunstância levou a que uma merendinha alterasse por completo a minha vida. A velha e tradicional Confeitaria Valbom (Av. Conde Valbom 31) também tem merendinhas, mas são sobretudo as suas empadas de galinha que me fazem lá ir; a meio da manhã., um salgado e um café é uma combinação improvável, mas funciona. A empada é módica, na boa massa que a forra está um dos segredos, a 1.05 euros por peça - há ainda prazeres baratos. Voz avisada recomenda o leite creme da casa, superior; é uma troca pela merendinha do «Nosso Café», de Campo de Ourique, que se atravessou no destino.



BACK TO BASICS - No fim é a disciplina na verificação dos factos que separa o jornalismo do entretenimento, da propaganda, da ficção ou da arte - Bill Kovach, Tom Rosentiel, The Elements Of Journalism.

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publicado às 23:33


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